segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Joanne Shaw Taylor – The Blues Album

 

A guitarrista e vocalista britânica Joanne Shaw Taylor começou a despontar no cenário musical aos dezesseis anos de idade, quando foi “descoberta” por Dave Stewart, respeitado produtor musical e integrante do duo pop Eurythmics. Atualmente, passados vinte anos, Taylor se firmou como uma das guitarristas mais talentosas de sua geração, destacando-se no gênero blues rock.

“The Blues Album” é o novo disco de estúdio de Joanne Shaw Taylor – o sexto em sua discografia. Gravado no estúdio Ocean Way, em Nashville, o álbum foi produzido por Joe Bonamassa e Josh Smith, e contou com a participação dos músicos Josh Smith (guitarra), Reese Wynans (teclados), Greg Morrow (bateria), Steve Mackey (contrabaixo), Steve Patrick (trompete), Mark Douthit (saxofone), Barry Green (trombone). Além de produzir, Bonamassa tocou guitarra e cantou na faixa “Don’t Go Away Mad”. Outra participação especial é a presença do músico Mike Farris em “I Don’t Know What You’ve Got”.

O repertório do disco é composto por onze regravações. Taylor presta tributo a nomes como Albert King, Otis Rush, Peter Green, Little Richard, Magic Sam, Aretha Franklin e outros. Além de ser uma guitarrista muito talentosa, Taylor também chama atenção pelas excelentes interpretações vocais, repletas de emoção e intensidade.

O álbum abre com uma eletrizante versão para “Stop Messin’ Round”, um clássico composto por Peter Green (Fleetwood Mac). A sequência fica por conta do balanço soul de “If That Ain’t A Reason”, música de Little Milton e “Keep On Lovin’ Me”, um blues de Otis Rush reinterpretado com uma levada jazz conduzida por órgão Hammond e naipe de metais na melhor tradição Etta James.

Outro ponto é a poderosa versão para “Can’t You See What You’re Doing To Me”, um blues de Albert King. Destacam-se também as baladas soul “Let Me Down Easy” e “I Don’t Know What You’ve Got”.

Em “The Blues Album”, Joanne Shaw Taylor vai muito além das convenções tradicionais do blues e mergulha de cabeça na soul music. O resultado é um trabalho inspirado que honra cada regravação presente no tracklist.


FICHA TÉCNICA

Artista: Joanne Shaw Taylor

Álbum: The Blues Album

Data de lançamento: 24 de setembro de 2021

Gravadora: KTBA Records

Produção: Joe Bonamassa e Josh Smith

Duração: 44m

Faixas:

01. Stop Messin’ Round (Adams/Green)

02. If That Ain’t A Reason (Davis/Jones/Smith)

03. Keep On Lovin’ Me (Rush)

04. If You Gotta Make A Fool Of Somebody (Clark)

05. Don’t Go Away Mad (feat. Joe Bonamassa) (Cooder/Hiatt/Keltner/Lowe)

06. Scraps Vignette (Smith)

07. Can’t You See What You’re Doing To Me (King)

08. Let Me Down Easy (Dollison)

09. Two Time My Lovin’ (Wilson)

10. I Don’t Know What You’ve Got (feat. Mike Farris) (Covay/Horace Hall)

11. Three Time Loser (Covay/Miller)

Clique aqui para ouvir o álbum.

Samantha Fish – Faster

 


Por mais de uma década, a guitarrista e vocalista americana Samantha Fish construiu sua carreira gravitando em torno do blues rock, mas sempre distribuiu pitadas de estilos como rock, country, funk e bluegrass em seu repertório. Em “Faster”, a artista expande ainda mais sua paleta sonora acrescentando pop, rhythm and blues e hip-hop na mistura.  

“Faster” foi produzido por Martin Kierszenbaum, também conhecido pelo pseudônimo Cherry Cherry Boom Boom, profissional que trabalhou com várias estrelas da música pop como Lady Gaga, Madonna, Sting e Sheryl Crow. Marcam presença no trabalho músicos experientes como o baterista Josh Freese (Nine Inch Nails, Guns N’ Roses, The Replacements e Devo), o baixista Diego Navaira (The Last Bandoleros), além do próprio Kierszenbaum, que tocou guitarra, piano, teclados e percussão.

Ao todo são doze faixas com uma pegada bastante pop, o que demonstra o desejo da artista de explorar novos territórios e o dedo ativo do produtor. Aliás, além de produzir e tocar algum instrumento em praticamente todas as canções, Kierszenbaum participou da composição de parte considerável do repertório. Todavia, os riffs de guitarra e os licks de blues se fazem presentes (ainda que de maneira mais discreta que nos trabalhos pretéritos da artista).

O “abre alas” fica por conta da faixa-título, um rock conduzido por um riff de blues garageiro e refrão chiclete. Já “All Ice No Whiskey”, “Hypnotyc”, “Forever Together” e “Crowd Control” são canções pop com sonoridade contemporânea, com a presença de baterias programadas e muitos teclados. Os fãs antigos de Samantha podem até torcer o nariz para elas, mas são músicas muito bem construídas.

O lado rock de Samantha volta à latência em “Twisted Ambition” e Imaginary War, canções com uma pegada que lembra os texanos do ZZ Top. “Loud” apresenta um mix de rock e hip-pop, e conta com a participação do rapper Tech N9ne. “Better Be Lonely” tem um riff à la Link Wray/Duanne Eddy e refrão simples e cativante. “So-Called Lover” é um rock moderno que surpreende com a inclusão de um piano no melhor estilo Jerry Lee Lewis.

As influências da música soul e rhythm and blues ficam bastante evidenciadas na suave “Like a Classic” e na balada intimista “All the Words”, faixa que encerra o álbum.

Com “Faster”, Samantha Fish dá passo ousado em sua carreira ao mudar o direcionamento sonoro, enfatizando seu lado mais pop. Acontece que a artista acerta em cheio, apresentando um apanhado de boas canções bem produzidas e compostas. Um trabalho para se ouvir com a mente aberta e aplaudir pelo excelente resultado.


FICHA TÉCNICA

Artista: Samantha Fish

Álbum: Faster

Produtor: Martin Kierszenbaum

Duração: 42m47s

Data de lançamento: 10 de setembro de 2021

Gravadora: Concord/Rounder Records

Faixas

01. Faster (Fish/Kierszenbaum)

02. All Ice No Whiskey (Fish/Kierszenbaum/McCormick/Pearlman)

03. Twisted Ambition (Fish/Kierszenbaum)

04. Hypnotic (Fish/Kierszenbaum)

05. Forever Together (Fish/Kierszenbaum)

06. Crowd Control (Fish/McCormick)

07. Imaginary War (Fish/Kierszenbaum)

08. Loud (Fish/Kierszenbaum/McCormick/Yates)

09. Bettter Be Lonely (Fish/McCormick)

10. So-Called Lover (Fish)

11. Like a Classic (Fish/Kierszenbaum/McCormick)

12. All the Words (Fish)

Ouça “Faster” clicando aqui.

CRONICA - SONS OF HEROES | Sons Of Heroes (1983)

 

Você está procurando um grupo tão raro quanto efêmero que explodiu nos anos 80? Se sim, isso é bom porque, no contexto desta coluna, vou falar sobre o SONS OF HEROES, um grupo inglês, mais precisamente de Londres, que foi formado em 1983 e se separou... no mesmo ano! No gênero efêmero, até mesmo expedito, SONS OF HEROES está claramente colocado onde deveria estar. É até difícil quebrar esse recorde (a menos que um grupo tenha a brilhante ideia de dividir o dia após seu nascimento.

Dito isto, entre o início e o fim, este grupo inglês teve ainda tempo para lançar um álbum, e não com qualquer um, pois foi a MCA Records que tomou o SONS OF HEROES sob a sua proteção. O álbum do grupo, sem título, nasceu assim em 1983, ano em que o New-Wave e o Synth-Pop fizeram sucesso do outro lado do Canal.

Porque sim, este álbum homônimo exclusivo de SONS OF HEROES é musicalmente orientado para New Wave/Synth-Pop. Veja bem, pela capa do disco, muita gente teria adivinhado isso. Além disso, este álbum está indo muito bem. "Living Outside Your Love" é uma composição entre New-Wave e Pop-Rock de qualidade que se marca pela presença de uma gaita que faz um bom lugar ao lado de guitarras ferozes (mas não em demasia) e teclados discretos. Ao adicionar um pequeno solo legal de seis cordas, um refrão cativante e unificador à mesa, o grupo tem um fogo incrível.

O problema, e não menos importante, é que o resto do álbum não é do mesmo género deste "Living Outside Your Love", longe disso. Diria ainda mais: as outras composições são em sua maioria brandas. Por exemplo, "Don't Make It So Hard" é o arquétipo da composição vaporosa e soporífera com seus sons muito sintéticos, seus tambores de papelão; "Dream Machines" parece mais ou menos fora do mesmo molde, "Hot Kiss" flerta perigosamente com o Electro com sua mistura Synth-Pop/New-Wave, chega a incomodar com seu refrão robótico e apenas um solo de guitarra tão inesperado quanto é incongruente salva esta peça do naufrágio total. Completamente sintonizado com os tempos da época (até demais), "All Broke Up" é bem comum, mediano, assim como a mid-tempo "Lost In Wonderland" que as camadas de teclados e as guitarras limpas falham em decolar. “Love Insight” é um título igualmente convencional com sua bateria de papelão e, pior, seu refrão nauseantemente repetitivo. Quanto a "Stretched", é um título que deixa um forte sabor a inacabado e a soprar quente e frio: esta composição New-Wave/Synth-Pop alterna entre bons refrões, marcados por guitarras de Rock, e versos soporíficos em que as melodias do teclado são um pouco repetitivo e tem, além disso, o defeito de se arrastar muito. Existem alguns títulos recuperáveis, todos iguais, mas com extrema precisão. É o caso de "Start Of The Human Race", uma balada aérea atmosférica que é bastante vaporosa em seu tema, mas permanece corretamente construída, dentro dos limites do tolerável, se não emocionante. Por fim, a mid-tempo "Strange Eyes", entre Pop e New-Wave, é de fatura acertada porque, para a época, o grupo londrino se mostrou aplicado graças a um refrão bem tocado, um surpreendente solo de guitarra flamenca e bem feito, assim como a voz bem posada do cantor (um certo Geoff Grange). Este título sugere que se SONS OF HEROES tivesse sido um pouco mais aplicado a todos os títulos do álbum, este poderia ter sido mais interessante, quem sabe? assim como a voz bem posada do cantor (um certo Geoff Grange). Este título sugere que se SONS OF HEROES tivesse sido um pouco mais aplicado a todos os títulos do álbum, este poderia ter sido mais interessante, quem sabe? assim como a voz bem posada do cantor (um certo Geoff Grange). Este título sugere que se SONS OF HEROES tivesse sido um pouco mais aplicado a todos os títulos do álbum, este poderia ter sido mais interessante, quem sabe?

Seja como for, este álbum único de SONS OF HEROES está excessivamente enraizado em seu tempo. Além disso, muitas músicas são pouco inspiradas. Tem um título excelente (postado logo no início do disco), 2 outros títulos passáveis, mas o resto é chato. É ainda mais lamentável que o cantor Geoff Grange seja creditado com uma boa performance vocal e os músicos não sejam desajeitados (são em todo o caso muito mais hábeis do que os rapazes do KORN, LIMP BIZKIT ou PRODIGY, entre outros). Depois, podemos entender por que esse grupo não durou muito: apesar de algumas raras boas ideias, seu único álbum carecia de argumentos para esperar criar até mesmo uma ilusão. Este álbum único do SONS OF HEROES é um daqueles discos esquecíveis dos anos 80.

Tracklist:
1. Living Outside Your Love
2. Lost In Wonderland
3. Don’t Make It So Hard
4. Love Insight
5. Hot Kiss
6. Strange Eyes
7. Dream Machines
8. Start Of The Human Race
9. Stretched
10. All Broke Up

Formação :
Geoff Grange (vocal, gaita)
Carmelo Luggeri (guitarra, baixo, teclados)
Terry Taylor (guitarra, teclados)
Tony Beard (bateria)

Gravadora : MCA Records

Produtor : Bill Wyman

CRONICA - JEFF BECK GROUP | Jeff Beck Group (1972)

 

Como um camaleão que muda de aparência sem negar a si mesmo, Jeff Beck relançou o Jeff Beck Group completamente redesenhado em 1971, após dois anos de convalescença após um acidente de carro. Dois anos que lhe permitiram refletir sobre sua carreira musical. A combinação toma outro rumo. Longe da fúria do heavy metal dos primórdios, Jeff Beck e seus novos acólitos rock Rough And Ready , para um funky hard soul que se aproxima do jazz e de formidável eficiência. Satisfeito com o resultado, Jeff Beck voltou a fazê-lo no ano seguinte com um álbum homônimo ainda na Epic. O line-up está inalterado. Encontramos Cozy Powell na bateria, Clive Chaman no baixo, Max Middleton no piano/órgão e Bobby Tench nos vocais/guitarra base.

Nas lojas em maio de 72, o álbum foi produzido em janeiro do mesmo ano no estúdio TMI em Memphis com a produção de Steve Cropper. Grande influência para Jeff Beck, este último é conhecido por seu trabalho na Stax e acompanhante de guitarra do falecido Otis Redding, bem como Booker T. & the MG's.

Menos brutal que a obra anterior, este disco homônimo é, no entanto, uma boa continuação para um soul rock devastador. Composto por 10 faixas, Jeff Beck revive covers funky heavy como "Glad All Over" de Carl Perkins, a lânguida balada mid-tempo "Tonight I'll Be Staying Here with You" de Bob Dylan, o instrumental celestial com suntuosa gargalo "I Can't Give Back the Love I Feel for You" popularizado por Diana Ross e o hard boogie blues "Going Down" de Don Nix. Mas acima de tudo há "I Got to Have a Song", com o groove imparável de Stevie Wonder que Jeff Beck admira.

Jeff Beck não abre mão da escrita e oferece quatro composições de heavy rock de influência Motown em sua maior parte começando com "Ice Cream Cakes" na abertura com as também belas partes de gargalo, soli de seis cordas elétricas bem trabalhadas com esplêndido wah wah efeitos e um piano elétrico muito groovy. Quanto ao gibão rítmico, é imparável. Com seus coros, "Sugar Cane" puxa para o jazz e o gospel. "Highways" é uma balada de rock escaldante com uma pitada de latim em seu final. "Definitely Maybe" em conclusão é um instrumental jazzístico e legal com melodias elegantes tanto na guitarra quanto no piano elétrico.

Pouco depois Jeff Beck dissolve o Jeff Beck Group considerando que o objetivo musical não é alcançado. Este curto período, o menos conhecido do guitar hero será precursor de muitas coisas.

Bobby Tench prestará seus serviços a Freddie King e Van Morrison. Cosy Powell se juntará ao Rainbow antes de morrer em abril de 1998 após um acidente de trânsito. Max Middleton formará o Hummingbird enfrentando Clive Chaman.

Eternamente insatisfeito, Jeff Beck tem em mente um antigo projeto que havia abortado após seu acidente de carro em dezembro de 1969. O nascimento de um power trio que fará a pólvora falar.

Títulos:
1. Ice Cream Cakes    5:40
2. Glad All Over        2:59
3. Tonight I’ll Be Staying Here With You     4:57
4. Sugar Cane 4:06
5. I Can’t Give Back The Love I Feel For You         2:42
6. Going Down           6:50
7. I Got To Have A Song       3:28
8. Highways   4:42
9. Definitely Maybe

Músicos:
Jeff Beck: Guitarra
Max Middleton: Piano, Órgão
Clive Chaman: Baixo
Cozy Powell: Bateria
Bobby Tench: Guitarra, Vocais

Produtor: Steve Cropper


CRONICA - JOURNEY | Revelation (2008)

 

Sonhos não são feitos para durar. A de Steve Augeri - repentinamente falecido após anos magros de um trabalho braçal no centro das atenções dentro de um dos maiores grupos - terá resistido oito anos, de 1998 até este dia de 2006, quando deveria receber sua carta de demissão. Enfraquecido pela cadência infernal dos shows, o cantor nova-iorquino havia chegado ao seu limite, a ponto de não conseguir mais cantar no palco. Uma solução se apresentou rapidamente para o Journey, que tinha em mente uma grande turnê americana de cinco meses com o Def Leppard: oferecer o interino a Jeff Scott Soto, um conhecido performer e grande admirador do Journey com quem Neal Schon teve a oportunidade para trabalhar em Soul Sirkus alguns anos atrás. O temporário tornou-se permanente para Soto, que assumiu oficialmente o lugar de Augeri no final de 2006. Um sonho acabou em nada, outro começou com um estrondo. Será de curta duração para o cantor de Talisman. Seis curtos meses para ser preciso, seis meses ao final dos quais Journey significava para ele, por sua vez, a separação deles.

A preparar o próximo álbum depois de Generations que não tinha tido sucesso, a ambição de Neal Schon não era correr o risco de virar a mesa com um cantor de voz demasiado singular, mas sim encontrar um novo clone vocal de Steve Perry. Uma primeira experiência é feita com um certo Jeremey Hunsicker, cantor de uma banda cover do Journey. O timbre corresponde perfeitamente às expectativas, mas o acordo com Schon aparentemente não é o melhor (a técnica do cantor também, a julgar pela demo bastante lamentável de "Never Walk Away", título que Hunsicker ainda assim tem o mérito de co-assinar). A escolha acaba por recair sobre outro desconhecido dos comuns mortais ocidentais, e um desconhecido que vem de longe: o filipino Arnel Pineda.

Vocalmente, a escolha de Schon é tudo menos exótica. Pineda o teria convencido depois de assistir a um vídeo em que o filipino fazia um cover de "Faithfully" com seu grupo The Zoo. Desempenho objetivamente impressionante a julgar pelo vídeo que ainda circula no YouTube. E comparando sua versão de "Never Walk Away" com a demo do candidato anterior (Hunsicker), podemos dizer que há dia de um lado e noite do outro. Ao contrário de seu antecessor, que teve o fardo de suceder o mestre Perry, Pineda não vai demorar para convencer a maioria dos fãs de Journey. É preciso dizer que, além de suas facilidades, teve a sorte de chegar ao momento em que Journey encontrava certa forma de mestria no trabalho da escrita, e a vontade de não perder seu público nas constantes mudanças de registros.Revelação é um álbum coerente, que coloca tudo no AOR.

Nem tudo é absolutamente brilhante neste disco, mas contém títulos fortes o suficiente para dar uma sensação positiva ao final da audição. E isso não acontecia desde pelo menos Arrival , mas mais definitivamente Raised On Radio . De lá para comparar Apocalipseao clássico de 1986, não arriscaria. Mas quantas bandas importantes do AOR conseguiram lançar um álbum tão sólido nos últimos 20 ou 25 anos? Muito pouco, obviamente. Um título como "What It Takes To Win" realmente não está longe da excelência dos grandes dias. O refrão de "Where Did I Lose Your Love" também é meio que arrepiando alguns cabelos, e ainda mais a balada "What I Needed", toda em intensidade e potência. O piano de Jonathan Cain em "Turn Down The World Tonight" e a interpretação reconhecidamente esplêndida de Pineda superam esta outra balada com um refrão que é reconhecidamente um pouco pomposo, mas bastante inebriante. Do outro lado das emoções, a joie de vivre contida em “Never Walk Away” também relembra os melhores momentos do grupo.

Do outro lado da balança, se você pesquisar um pouco, certamente encontrará material para satisfazer seu senso crítico; a balada “Like A Sunshower”, não é desagradável, mas também concordou em marcar de forma duradoura. Mais rítmica, "Change For The Better" apresenta um clássico Journey, mas um pouco descompromissado. O início de “Wildest Dream” é mais interessante, notadamente graças às partes de guitarra de Neal Schon e aos acentos mais (hard) rock que ele dá aos versos, mas o refrão AOR decepciona com sua relativa facilidade. Tocaremos a nova versão de “Faith In The Heartland”, uma das melhores faixas do álbum anterior, mas perfeitamente inútil no Revelation . Podemos imaginar uma repetição de "Don't Stop Believin'" em Frontiers, ou de "Faithfully" emCriado no rádio ? Da balada monumental de 1983, "After All These Years" também é um ersatz. Este título não é repulsivo, mas a clonagem tem seus limites*.

Por tudo isso, o Revelation não pode ser comparado aos verdadeiros clássicos do grupo. Mas considerando tudo, este disco é talvez o mais sedutor álbum do Journey dos últimos trinta anos...

Títulos:
CD1
01. Never Walk Away
02. Like A Sunshower
03. Change For The Better
04. Wildest Dream
05. Faith In The Heartland [réenregistrement]
06. After All These Years
07. Where Did I Lose Your Love
08. What I Needed
09. What It Takes To Win
10. Turn Down The World Tonight
11. The Journey (Revelation) [instrumental]
12. Let It Take You Back [bonus]

CD2 – Compilation de réenregistrements avec Arnel Pineda
01. Only The Young
02. Don’t Stop Believin’
03. Wheel In The Sky
04. Faithfully
05. Any Way You Want It
06. Who’s Crying Now
07. Separate Ways (World Apart)
08. Lights
09. Open Arms
10. Be Good To Yourself
11. Stone In Love

Músicos:
Arnel Pineda: vocal
Neal Schon: guitarra, backing vocals
Jonathan Cain: teclados, guitarra, backing vocals
Ross Valory: baixo, backing vocals
Deen Castronovo: bateria, percussão, backing vocals

Produtor: Kevin Shirley

Label: Frontiers (Europa) / Nomota LLC (EUA)


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