sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Por que Iron Maiden? The Alchemist – A Lenda de John De

 

Caros amigos leitores, entraremos numa seara sem volta. De agora em diante, vamos estudar cada vez mais a fundo aquilo que está oculto nas letras das músicas do Maiden. Deixaremos de lado por alguns artigos as influências de seriados de TV, de filmes, de livros ou poemas e nos debruçaremos sobre os significados místicos das músicas do Maiden. Iniciaremos pelo básico, pelo mais simples e lentamente evoluiremos de forma que nos próximos três artigos chegaremos aos profundos conhecimentos esotéricos que deram origem a diversas músicas e discos do Maiden.
É necessário citar que, apesar de boa parte das influências místicas se deverem ao Mestre Dickinson, que sempre manteve aceso seu interesse pelo Hinduismo, pelo Hermetismo e pela Magia, a banda já demonstrava influências esotéricas em sua fase pré-Dickinson. Basta ouvir “Remember Tomorow” ou mesmo “Prodigal Son” para ter certeza disso. Assim, apesar do Mestre ter criado verdadeiros mundos com suas letras e histórias do além, a banda já seguia pela trilha dos iluminados e dos magos em seus acordes.
A Alquimia, tida por muitos como uma proto-ciência, ou mesmo um conjunto de conhecimentos pré método científico, foi a inspiração de muitas músicas do Maiden. A mais óbvia, e por onde começaremos nossa jornada, é a música “The Alchemist”.
Lançada em The Final Frontier, a música conta a história de John Dee, matemático, astrônomo, astrólogo e geógrafo do século XVI. Doctor Dee, como também era conhecido, foi também conselheiro da rainha Elizabeth I, mas destacou-se por seus conhecimentos de magia e por uma passagem conturbada ao lado de seu companheiro Edward Kelley. 
Símbolo de Doctor Dee: uma conjunção de vários
símbolos astrológicos
Dee conheceu Kelley em 1580 e ficou bastante impressionado com suas supostas habilidades especiais. Dee, que já havia obtido grandes conhecimentos e escrito importantes obras no campo das ciências naturais, estava em busca de conhecimentos no campo sobrenatural, no hermetismo e na magia. O jovem Kelley convenceu-o de que possuía habilidades para comunicação com os anjos, e assim tornou-se companheiro de Dee em suas viagens pela Europa oriental.
Nestas viagens, Dee utilizava as habilidades de Kelley para impressionar nobres e fidalgos que os recebiam em suas propriedades. Porém, algo de errado começou a ocorrer: Kelley começou a superar o Mestre Dee, e tornou-se mais renomado.
Cansado de sua relação de submissão, Kelley bolou um plano para separar-se de John Dee e seguir com sua carreira de mago. Ele convenceu Doctor Dee de que o anjo Uriel havia ordenado que ambos compartilhassem suas esposas, e que caso isso não ocorresse a desgraça se abateria sobre ambos. Tratava-se de um ritual que deveria executado para purificar a alma de ambos permitindo a continuidade das comunicações angelicais!
John Dee, que amava sua esposa acima de tudo, para surpresa de Kelley concordou. E o ritual foi feito! E finalmente Dee, percebendo a mentira de seu companheiro, abandonou a cena e voltou para a Inglaterra envergonhado.
Foi um belo golpe de Kelley, pois Dee, acatando ou não a ordem do anjo Uriel, acabaria por abandonar seu submisso companheiro.
Cartaz da ópera Dee
Ao voltar para a Inglaterra, John Dee dedicou-se ao estudo profundo da Alquimia e tornou-se recluso em sua residência, encarnando o estereótipo do cientista maluco. Lendas dizem que ele encontrou uma forma de voltar à vida, e que um dia ele retornará para limpar seu nome e sua imagem.
Ao olhar para a letra da música notamos todas essas passagens bem claras. A letra é praticamente didática.
É muito importante notar que a “The Alchemist” do Maiden tem pouca relação com a música “The Alchemist” do Mestre Dickinson, presente no álbum Chemical Wedding. Ambas tratam do tema, alquimia e magia, mas em Chemical Wedding a música realmente recita fórmulas alquímicas em linguagem correta, enquanto na música do Maiden a música é meramente um relato da conturbada vida de John Dee.
Alan  Moore
Outros músicos se preocuparam com a história de Dee, que, apesar de seus delírios, foi um importante estudioso de astronomia, sendo responsável por boa parte dos triunfos navais da Inglaterra no século XVI.
O diretor Rufus Norris criou uma ópera sobre a vida de Dee com base na história em quadrinhos de Alan Moore (o mesmo de “Watchmen” e “V for Vendetta”), que foi pouco exibida na Inglaterra, mas obteve excelentes referências da crítica. A ópera está disponível em CD, e foi lançada em 2011 em Inglaterra.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

“Nevermind” (1991), Nirvana

 



No começo dos anos 1990, eu havia chegado à conclusão que o rock norte-americano havia acabado, estava “morto”. Tudo bem, havia o Guns n’ Roses que estava no topo e era uma das pouquíssimas coisas relevantes no mainstream roqueiro da terra do “Tio Sam” naquele momento. No mais, o que imperavam era as bandas de glam metal, também conhecidas como hair metal ou jocosamente chamadas de “metal farofa”. Eram bandas de heavy metal com forte apelo comercial em que a estética era tão ou mais importante que a música. Figurinos espalhafatosos, maquiagem, caras e bocas, cabeleiras armadas e muito marketing eram os “ingredientes” da receita do sucesso dessas bandas que vendiam milhões de discos e faziam a alegria das grandes gravadoras.  Bon Jovi, Motley Crüe, Poison eram algumas das bandas expoentes do tal glam metal.

Mas eis que em 1991, surpreendentemente eu “queimei” a minha língua. As rádios começaram a ser invadidas por um rock diferente, com uma pegada meio punk, meio heavy metal, muito cru e agressivo. Era “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana, mostrando o “som de Seattle” para o mundo. Mais conhecido como grunge, o impacto daquele som foi como um soco na boca do estômago. O grunge não só confirmava que eu estava errado em relação ao rock norte-americano como também mostrava que ele estava mais vivo do que nunca. E esse impacto causado pelo grunge, esse soco na boca do estômago, foi em escala mundial, pegou todos de surpresa, de programadores de rádio a executivos de grandes gravadoras. Eles não estavam preparados para aquele som alternativo que ganhava espaço no milionário mundo da música pop. A ascensão do grunge marcou o declínio do glam metal e a sua “farofada” estético musical.


Quando o grunge ganhou o mundo a partir de 1991, ele já existia como cena musical desde meados dos anos 1980, em Seattle, sua terra natal. O selo independente Sub Pop, sediado naquela cidade foi um elemento aglutinador e propagador das bandas grunge como as pioneiras Green River, Soundgarden, Mudhoney entre outras. O Nirvana, surgido em 1987 na mesma Seattle, logo se inseriu naquela efervescente cena alternativa da cidade. Lançou naquele ano o primeiro álbum, Bleach, que não teve lá tanta repercussão na mídia, até porque se tratava de rock alternativo, e os holofotes estavam voltados para o glam rock e mega bandas como Guns n’ Roses.

Às vésperas da pré-produção do segundo álbum, o Nirvana deixou a Sub Pop e assinou contrato com a DCG Records, selo da Geffen Records, que a princípio era dedicado a rock progressivo e heavy metal, mas que a partir do começo dos anos 1990, começou a voltar as suas atenções para bandas alternativas. Segundo a revista musical norte-americana “Spin”, o contrato do Nirvana com a nova gravadora foi de 750 mil dólares. A produção ficou a cargo de Butch Vig com o qual o Nirvana já havia combinado antes mesmo da banda trocar de gravadora.

Em 10 de setembro de 1991, foi lançado o single “Smells Like Teen Spirit”, um “petisco” do segundo álbum da banda que já estava a caminho. Curiosamente, o título da música foi inspirado na marca de desodorante “Teen Spirit”, usado pelas adolescentes norte-americanas na época. Uma amiga do vocalista Kurt Cobain, pichou na parede da casa dele a frase “Kurt Smells Like Teen Spirit”( “Kurt Cheira A Espírito Adolescente”). Segundo Kurt, a música seria uma crítica à apatia dos jovens de sua geração. Há uma polêmica em relação a essa música de que o seu riff de guitarra é um plágio do riff de “More Than A Felling”, megahit dos anos 1970 do Boston.

Para surpresa da gravadora e do próprio Nirvana, “Smells Like Teen Spirit” teve grande execução nas rádios alternativas e também nas comerciais, além de ter sido bem recebido pela crítica. Assim como o single, o vídeo clipe de “Smells Like Teen Spirit” se tornou um enorme sucesso, figurando entre os mais pedidos na MTV norte-americana.

Finalmente, em 24 de setembro de 1991, Nevermind, o segundo álbum do Nirvana, chega às lojas. Era o primeiro álbum de Dave Grohl como baterista do Nirvana, substituindo Chad Channing que deixou a banda em 1990. Puxado pela popularidade do single “Smells Like Teen Spirit”, Nevermind  se tornou um sucesso de vendas em poucas semanas de lançamento. A gravadora esperava uma marca de 250 mil cópias em vendas. A banda acreditava que se vendesse 20 mil já era um “milagre”.



Só que o sucesso inesperado de Nevermind surpreendeu a Geffen, o Nirvana e toda a indústria fonográfica. A escalada em vendagens de Nevermind alcançou a marca de 1 milhão de cópias em janeiro de 1992, tomando de Dangerous, álbum de Michael Jackson, o posto de 1º lugar da Billboard 200. Uma provocação? Um acinte? Vai saber. O fato é que Nevermind, juntamente com Ten, do Pearl Jam (lançado um mês antes de Nevermind), apresentava o grunge ao mundo. O sucesso do álbum conquistou a opinião das mais conceituadas revistas de música internacionais. Para alguns críticos, não se via um disco tão avassalador e impactante vindo da cena alternativa desde Never Mind The Bollocks, Here's The Sex Pistols, o álbum de estreia dos Sex Pistols que desencadeou o punk rock em escala planetária em 1977, ainda que o disco dos inglese não tenha alcançado a marca milionária em vendas do álbum do power trio norte-americano.

Exagero ou não, com Nevermind, o Nirvana quebrou uma série de “dogmas” básicos para uma ascensão meteórica de um artista para o estrelato, deixando as grandes gravadoras desnorteadas. Era uma banda alternativa, com um som sujo e barulhento, sem integrantes “bonitinhos”, sem grande estratégia de marketing, sem turnês milionárias, sem figurinos caros, e ainda veio de um lugar longe dos grandes centros da música pop.

A ascensão do Nirvana fez o rock alternativo ganhar visibilidade (para o bem e para o mal), atraindo a atenção das grandes gravadoras que passaram a “caçar” bandas alternativas capazes de ser um “novo Nirvana”.

Os temas abordados no álbum eram um tanto quanto densos como alienação (“Lithium”), machismo (“Territorial Pissings”) e estupro (“Polly”). Nevermind  emplacou outros hits como a já citada “Lithium”, “Come As You Are”, Breed” e “In Bloom”, tudo embalado por um som pesado, afiado e corrosivo.

Nevermind rendeu uma turnê internacional para o Nirvana, com uma passagem pelo Brasil no começo de 1993 onde se apresentou no Festival Hollywood Rock.

Mesmo se tratando de uma obra de uma banda de rock alternativo, Nevermind  figura na lista dos álbuns mais vendidos de todos os tempos. Desde que foi lançado, já foram vendidas mais de 31 milhões de cópias. Na relação dos “500 Maiores Álbuns de Todos Os Tempos” da revista “Rolling Stone”, Nevermind está em 17º lugar. O álbum teve um papel muito importante na disseminação do grunge e na renovação do rock mundial nos anos 1990, abrindo caminho para outras bandas de Seattle bem como para outras tendências do rock alternativo. O Nirvana ainda lançaria o seu terceiro e último álbum, In Utero, em 1993. 

Em meio a tanta exposição, fama, turnês, Kurt Cobain vivenciava problemas com depressão e consumo de drogas cada vez mais graves, até quem em 5 de abril de 1994, o vocal e guitarrista do Nirvana suicidou-se com um tiro de espingarda na cabeça, pondo fim à sua banda e iniciando o declínio do grunge. 

Faixas:

Lado A

1.       "Smells Like ­Teen Spirit”
2.       "In Bloom"
3.       "Come As You Are"
4.       "Breed"
5.       "Lithium"
6.       "Polly"

Lado B

1.       "Territorial Pissings"
2.       "Drain You"
3.       "Lounge Act"
4.       "Stay Away"
5.       "On A Plain"

6.       "Something In The Way"

Todas as faixas são de autoria de Kurt Cobain, exceto  "Smells Like Teen Spirit”, de Kurt Cobain, Dave Grohl, Krist Novoselic.


"Smells Like ­Teen Spirit”






 "Lithium"



"In Bloom"

"(What's The Story) Morning Glory?" (1995), Oasis

 


Se a primeira na metade dos anos 1990, o mainstream do rock mundial foi de domínio dos americanos com o grunge, na segunda metade daquela mesma década ele foi de completo domínio dos ingleses com o britpop. A morte de Kurt Cobain em 1994 decretou não só o fim do Nirvana como também o declínio do grunge. Por sua vez, naquele mesmo ano, uma nova geração de bandas britânicas surgia trazendo o britpop como a grande novidade para o rock mundial. E o Oasis estava nesse meio com o seu primeiro álbum, o Definitely Maybe.

Mas foi com (What's The Story) Morning Glory?,o segundo álbum, que o Oasis assumiu o comando daquela nova geração do rock britânico. O disco foi um fenômeno de vendas - apesar da crítica ter torcido o nariz - a tal ponto de ser o terceiro álbum mais vendido da história da indústria fonográfica do Reino Unido.

Em (What's The Story) Morning Glory? estão todos os elementos que caracterizam o britpop, desde as melodias caprichadíssimas contrastando com guitarras agressivas a refrões que não desgrudam da cabeça do ouvinte. Não foi à toa que quase todas as faixas viraram hits dentre elas ""Roll With It", "Don't Look Back in Anger", "Champagne Supernova" e o hino "Wonderwall".
A tão conhecida obsessão do Oasis pelos Beatles se manifesta nesse disco, da capa do álbum que remete um pouco ao de "Abbey Road" do quarteto de Liverpool à faixa "She's Electric", cujo final é bem "chupadinho" do final de "With A Little Help From My Friends",dos Beatles.

Mas nada disso tira o brilho e a relevância de (What's The Story) Morning Glory? que é um disco muito bom, talvez o melhor do Oasis, uma obra-´prima do britpop. É mais um daqueles discos de rock que comprovam que é possível fazer um grande álbum com apelo radiofônico sem abrir mão da criatividade artística.

Faixas:

1. "Hello"           
2. "Roll with It"                
3. "Wonderwall"             
4. "Don't Look Back in Anger"   
5. "Hey Now!" 
6. "The Swamp Song, Excerpt 1"             
7. "Some Might Say"     
8. "Cast No Shadow" 
9. "She's Electric"           
10. "Morning Glory" 
11. "The Swamp Song, Excerpt 2" 
12. "Champagne Supernova" 

Todas as faixas foram compostas por Noel Gallagher.




Ouça  (What's The Story) Morning Glory? na íntegra

"Usuário”(1995), Planet Hemp



Os anos 1990 para o rock brasileiro começaram em 1994, já na "meiuca" daquela década. Lançados naquele ano, os álbuns Da Lama ao Caos, do Chico Science & Nação Zumbi, e Raimundos, dos próprios Raimundos, traziam a reboque uma nova geração do rock nacional mostrando que o gênero estava revigorado após penar muito no começo da década, onde o que imperavam era o brega sertanejo, axé music e a febre da lambada (sangue de Cristo tem poder!).

Dessa nova leva de bandas do rock "brazuca" dos anos 1990, fazia parte o Planet Hemp. Em1995, a banda carioca lançava o seu álbum de estreia, o Usuário, que trazia na sua receita sonora uma mistura potente de rock, rap, hardcore, punk e metal. O Planet chegou cercado de muita polêmica ao defender a bandeira da legalização da maconha, ficando isso claro desde o título do álbum até na letra de boa parte das faixas do disco.

Planet Hemp em 1995

Apesar da polêmica e das tretas com a Justiça e a polícia, o Planet conseguiu vender mais de 100 mil cópias do seu 
Usuário e emplacou os hits "Legalize Já", "Mantenha o Respeito" e "Dig Dig Dig (Hempa)". Usuário se tornou um dos mais importantes álbuns do rock nacional dos anos 1990.

Faixas:
1. Não Compre, Plante!
2. Porcos Fardados
3. Legalize Já
4. Deisdazseis
5. Phunky Buddha
6. Maryjane
7. Planet Hemp
8. Fazendo A Cabeça
9. Futuro Do País
10. Mantenha O Respeito
11. P... Disfarçada
12. Speed Funk
13. Muthafuckin’ Racists
14. Dig Dig Dig (Hempa)
15. Skunk
16. A Culpa É De Quem?
17. Bala Perdida

Autores: 
Marcelo D2 - Rafael Crespo (1,2,3,5,6,9,10,11 e 16)
Marcelo D2 - Rafael Crespo - Formigão – Bacalhau (8 e 14)
Rafael Crespo (7 e 15)
Marcelo D2 - Black Alien (4)
Marcelo D2 - Black Alien - Rafael Crespo (13)
Marcelo D2 - Rafael Crespo – Formigão – Bnegão (17)
Rafael Crespo – Bacalhau (12)

Planet Hemp: Marcelo D2 (vocal), BNegão (vocal; guitarra em"Bala Perdida"), Rafael Crespo (guitarra; bateria em "Bala Perdida"), Formigão (baixo), Bacalhau (bateria) e DJ Rodrigues (scratchs).

Ouça "Usuário" na íntegra

“O Canto da Cidade” (Columbia, 1992), Daniela Mercury



No começo dos anos 1990, a axé music já era uma realidade. Havia revolucionado o cenário musical baiano, revelando dezenas de artistas, e criando um mercado fonográfico ativo e forte. Na virada da década de 1980 para os anos 1990, artistas e bandas de axé começavam a invadir os programas das grandes redes de TV do Brasil, através de Luiz Caldas, Chiclete com Banana, Sarajane, Banda Mel, Reflexu’s, Banda Beijo entre outros nomes.

Apesar dessa “invasão baiana” no cenário nacional da música, exceto um ou outro artista ou banda, a axé music ainda vivia uma certa aura de amadorismo. Quem vai mudar essa situação é Daniela Mercury, a partir de 1991, sobretudo na postura das cantoras de axé. Até antes de Daniela, as cantoras de axé não tinham domínio das próprias carreiras. Eram reféns de empresários que ditavam o que gravar, como cantar e até como se vestir. E neste último caso, geralmente eram figurinos pavorosos. Com a chegada de Daniela, essa situação mudou.

Álbum de estreia da Companhia Clic, em 1988,
com Daniela Mercury como vocalista.
Mas esse novo padrão de cantora de axé estabelecido por Daniela já vinha sendo concebido desde a época em que ela era vocalista da Companhia Clic, formada em 1988, em Salvador. A Clic era completamente diferente das outras bandas de axé da época. Trazia uma sonoridade mais pop e refinada, figurinos mais elegantes e que nada tinham a ver com o colorido exagerado e brega das outras bandas de axé. Daniela, então vocalista da banda, além de cantar muito bem, tinha formação em dança, e nos shows da Clic, já apresentava coreografias elaboradas. A vocalista estava gestando a cantora solo que ela viria a se tornar. Com a Companhia Clic, Daniela lançou dois álbuns. 

Após o segundo álbum da Clic, Daniela deixou a banda em 1990. Em 1991, lançou pela Eldorado (mesma gravadora da Companhia Clic), o seu primeiro e homônimo disco solo. O álbum emplacou o hit  “Swing da Cor”, com participação especial do Olodum, e vendeu modestas 78 mil cópias. O sucesso moderado do álbum ajudou Daniela a ter visibilidade no Sudeste, garantindo-lhe apresentações nas grandes redes de TV.

Mas foi uma apresentação surpreendente no vão aberto do MASP, em São Paulo, em junho de 1992 que mudou a vida de Daniela Mercury, aos 27 anos. O show ocorreu no projeto “Som do Meio Dia”, dedicado a artistas novos para entreter o público durante o horário do almoço na região da Av. Paulista. O que os organizadores não imaginavam é que a cantora pudesse atrair com a sua música e coreografia, um público estimado em 30 mil pessoas. A música contagiante de Daniela e a grande massa presente obrigaram os responsáveis do MASP a encerrarem o show antes da hora para garantir a ordem, a segurança do local e desafogar o trânsito da Av. Paulista que tinha virado um caos.
Daniela Mercury no vão aberto do MASP, em São Paulo, em 1992,
pouco antes do estrelato.
O fato virou notícia nacional e chamou a atenção da Sony Music que viu em Daniela, uma cantora com potencial para ser superstar da axé music. Ela assinou contrato com a Sony que lhe garantiu completa liberdade artística para gravar o primeiro álbum na nova casa, O Canto da Cidade. Para a produção do álbum, Daniela convocou Liminha, um dos mais conceituados produtores da música pop brasileira, e que já havia produzido grandes álbuns do rock nacional e da MPB como Cabeça Dinossauro (Titãs), Raça Humana (Gilberto Gil), Nós Vamos Invadir Sua Praia (Ultraje a Rigor), Selvagem (Paralamas do Sucesso) entre outros. Mesmo sendo um produtor experiente, Liminha teve certa dificuldade para lidar com aquele som “estranho” para ele, calcado nos tambores pulsantes do samba-reggae.

O Canto da Cidade chegou às lojas em setembro de 1992, e foi muito bem recebido pela crítica. A primeira música de trabalho do álbum foi a faixa-título que estourou em todo o país. Com os versos “A cor dessa cidade sou eu / o canto dessa cidade é meu”, “O Canto da Cidade” abre o álbum, é a faixa mais forte do disco. Os versos do refrão representam um grito de afirmação da identidade do povo negro de Salvador, de ser esse povo a imagem e a voz dessa cidade.


Novo padrão: Daniela estabelece um novo padrão de cantora de axé,
trazendo um cuidado maior com o figurino e a coreografia.
A segunda faixa, “Batuque”, impressiona pela percussão pesada do samba-reggae que remete aos blocos-afros de Salvador. No cover de "Você Não Entende Nada”, Daniela transita entre o axé e a MPB com elegância. Em "Bandidos da América", de Jorge Portugal, Daniela canta as agruras do continente americano e da África em cima de uma base instrumental que reveza axé, samba-duro e samba-reggae. Daniela mostra que vai muito além de uma simples cantora de trio-elétrico em “Geração Perdida", onde ela deixa aflorar o seu lado intérprete. Já em "Só Pra Te Mostrar", um dueto com Herbert Viana, Daniela revela a sua veia pop e que não fica presa às amarras da musicalidade afro-baiana. Os tambores afros voltam com força em "O Mais Belo Dos Belos", um canto de orgulho de ser Ilê Ayê, enquanto que no samba-reggae “Rosa Negra”, Daniela pede para que ouçamos o Muzenza cantar. Seguem o axé “asadeaguiano” "Vem Morar Comigo", o pop “Exótica Das Artes”, o samba-duro "Rimas Irmãs" e o frevo cheio de teclados “Monumento Vivo”, fechando o álbum.

Com cerca de 2 milhões de cópias vendidas, O Canto da Cidade foi o exemplo mais bem sucedido de um álbum de axé music que foi sucesso de público e de crítica. No final de 1992, Daniela ganhou um programa especial na Globo, onde contou com participações especiais de Tom Jobim e Caetano Veloso. As faixas “O Canto Da Cidade", “O Mais Belo Dos Belos", "Você Não Entende Nada" e "Batuque" tocaram muito no rádio. Outro hit do álbum, "Só Pra Te Mostrar", fez parte da trilha sonora da novela “Renascer”, da Rede Globo, em 1993. No mesmo ano, Daniela apresentou-se no Festival de Jazz de Montreux na Suíça. Daniela Mercury tornou-se uma estrela de primeira grandeza da música brasileira e teve o mérito de elevar o status da axé music que até então, ainda tinha sua imagem associada negativamente ao "Fricote" de Luiz Caldas.

Daniela agitando o carnaval de Salvador, em 1993.
O grande legado de O Canto da Cidade é que através desse álbum, Daniela inaugurou um novo padrão de cantora de axé. Inspirada provavelmente na autonomia e profissionalismo de cantoras pop internacionais como Madonna e Janet Jackson, Daniela trouxe para a axé music um padrão de cantora mais contemporânea e independente. Ela mostrou que uma cantora de axé poderia ter controle da carreira, escolher o próprio repertório, ter uma produção de show caprichada com figurino e coreografia elaborados. Apoiada nessa receita e no sucesso de O Canto da Cidade, Daniela Mercury construiu uma carreira artística muito bem estruturada e que serviu de referência para outras cantoras de axé que viriam depois e que se tornariam grandes estrelas: Ivete Sangalo e Claudia Leitte. Ambas são claramente discípulas da “Rainha do Axé”, mas nenhuma delas conseguiu gravar um álbum com a mesma relevância de O Canto da Cidade.

Faixas
  1. "O Canto da Cidade" (Daniela Mercury - Tote Gira)
  2. "Batuque"  (Rey Zulu - Genivaldo Evangelista)
  3. "Você Não Entende Nada” (Caetano Veloso) / “Cotidiano" (Música Incidental) (Chico Buarque)
  4. "Bandidos da América" (Jorge Portugal)
  5. "Geração Perdida"  (Daniela Mercury - Ramon Cruz e Toni Augusto)
  6. "Só Pra Te Mostrar" (Herbert Vianna)
  7. "O Mais Belo dos Belos’ (A Verdade do Ilê / O Charme da Liberdade)” (Guiguio - Valter Farias  - Adailton Poesi)
  8. "Rosa Negra"  (Jorge Xaréu)
  9. "Vem Morar Comigo" (Daniela Mercury - Durval Lelys)
  10. "Exótica das Artes" (Armandinho Macedo - Edmundo Caroso)
  11. "Rimas Irmãs"  (Carlinhos Brown)
  12. "Monumento Vivo" (Moraes Moreira - Davi Moraes)

Ouça o álbum O Canto da Cidade na íntegra

"Lavô Tá Novo" (Warner, 1995), Raimundos

 


Lançado em novembro de 1995, Lavô Tá Novo é o segundo álbum dos Raimundos. A banda brasiliense havia sacudido a cena roqueira nacional com o álbum de estreia, o Raimundos, em 1994, com a receita bombástica e inusitada de punk rock, hard core, forró e letras desbocadas. Naquele ano de 1994, finalmente os anos 1990 haviam começado para o rock brasileiro.

Em Lavô Tá Novo, os Raimundos ousaram na produção. O disco foi produzido por Mark Dearnley, produtor norte-americano que já havia trabalhado com astros do metal e do hard rock como AC/DC, Ozzy Osbourne, Motorhead, Hawkwind, Uriah Heep entre outros. Se o som dos Raimundos já era pesado, coube a Dearnley dar uma "lapidada", torná-lo mais "azeitado", mas sem descaracterizá-lo.

Ainda que não seja tão surpreendente quanto Raimundos(o álbum de estreia), Lavô Tá Novo manteve a pegada porradeira do primeiro, dando mais ênfase ao peso e à velocidade com o punk rock e o hard core, mas diminuindo espaço para a fusão com o forró. Mesmo assim, o "forrocore" tá presente através das regravações de "O Pão da Minha Prima" e "Tá Querendo Desquitar (Ela Tá Dando)", antigos hits do forrozeiro “boca suja” Zenilton que participa das duas faixas, com a sua sanfona e nos vocais.

A "punkadaria" come solta em "Tora Tora", "Pintando no Kombão" e "Herbocinética". O rockão "Eu Quero Ver o Oco" e "I Saw You Saying (That You Say That You Saw)" foram os hits do álbum.

Raimundos com a formação consagradora
Especialmente pelos 20 anos de de lançamento do álbum em 2015, a Polysom relançou Lavô Tá Novo em formato vinil de 180 gramas. O disco foi mais um produto do selo a integrar a coleção “Clássicos em Vinil” que já conta com outras obras-primas do rock brasileiro como Õ Blesq Blom(1989), dos Titãs e Ronnie Von(1969), de Ronnie Von entre outros clássicos.

Depois de Lavô Tá Novo, os Raimundos deram uma "derrapada" no álbum seguinte, o Lapadas do Povo (1997), onde prosseguiram com o peso sonoro, porém abriram mão do humor, optando por letras mais sérias. O disco não agradou muito. Mas com Só No Forevis (1999), os Raimundos trouxeram de volta o humor e o escracho, retomaram a dianteira no cenário roqueiro nacional e a popularidade foi lá para as alturas. Mas isso, é uma outra história.

Faixas
  1. “Tora Tora” (Canisso - Rodolfo - Digão)
  2. “Eu Quero Ver o Oco” (Canisso - Rodolfo - Digão)
  3. “Opa! Peraí, Caceta” (Canisso - Rodolfo - Digão)
  4. “O Pão da Minha Prima” (Tio Jovem - Zenilton)
  5. “Pitando no Kombão” (Canisso - Digão - Rodolfo)
  6. “Bestinha” (Digão - Rodolfo)
  7. “Esporrei na Manivela” (Domínio público - Digão - Guilherme Bonolo - Paulinho Mattos - Rodolfo - Fred)
  8. “Tá Querendo Desquitar’ (Ela Tá Dando)” (Guriata do Coqueiro - Zeniton)
  9. “Sereia da Pedreira” (Rodolfo)
  10. “I Saw You Saying’ (That You Say That You Saw)” (Rodolfo - Gabriel Thomáz)
  11. “Cabeça de Bode” (Digão - Rodolfo)
  12. “Herbocinética” (Rodolfo) 
Raimundos: Rodolfo (vocal principal, guitarra base e triângulo), Digão (guitarra solo e vocais), Canisso (baixo e vocais) e Fred (bateria)



Resenha Regenerator Álbum de King Buffalo 2022


Resenha

Regenerator

Álbum de King Buffalo

2022

CD/LP

King Buffalo tinha lançado dois álbuns, antes de "Regenator", sendo eles "Acheron" e "The Burden Of Restlessness", ambos de 2021, formando assim, uma trilogia.

O disco começa com "Regenator", que inicia com um silencio, mas sendo colocado por sons feitos por sintetizador. Logo depois, começa um riff simples, mas cheio de groove. A musica é o que você espera do King Buffalo, um stoner rock poderoso com psicodelia, depois temos dois solos. Ambos alimentam mais esse stoner rock poderoso. Mas o destaque vai para o segundo, que é mais distorcido. Outros destaques a musica são a bateria consistente e o baixo que ajuda ainda mais para o som. Logo em seguida, temos "Mercury", começa com um riff com influencias de jazz, na verdade, a musica é uma mistura de stoner rock com jazz. Mas o destaque vai para vai para a bateria, que muda para o jazz ao metal e viradas simples, mas na minha opinião, lembram muito as viradas do Neil Peart, mas as viradas são simples comparadas ao "The Professor". Também temos um belo solo de baixo. A terceira faixa é "Hours", que começa lembrando muito o hard rock. Guitarra com um pouco de distorção, uma bateria sólida e novamente consistente. Mas o destaque vai para o baixo, também consistente. "Interludde" é a quarta faixa, e é uma interlúdio com guitarra e contrabaixo , em momentos, parecendo que há duas guitarras. Seguimos para "Mammoth", que lembra um post-metal, grunge e hard-rock com influencias de stoner rock. Os destaques vai para o solo e a linha de baixo. Na sexta faixa, temos "Avalon" que é facilmente a minha favorita, principalmente por conta da linha de baixo que facilmente, pega o primeiro lugar de linhas de baixo do ano de 2022. O sintetizador que tem na musica, é bem colocado pois ele substitui a guitarra no solo. Também a bateria que novamente é sólida. Por fim, temos "Firmament", que é uma mistura de pop e stoner rock no inicio, mas sendo stoner do meio para final, acredito que isso foi feito principalmente do solo pesado lá titio Tony Iommi (Black Sabbath). "Regenator" é facilmente um dos melhores álbuns de rock do ano. A sinergia entre o trio de Nova York é facilmente vista na primeira faixa. A bateria e a solidez / consistência, o baixo sendo um pouco mais protagonista que a guitarra, a guitarra, sendo o principal meio para as canções ganharem o peso característico do stoner rock e o sintetizador sendo o meio para a psicodelia e o eletrônico ou até mesmo, o pop.

Resenha Mahandini Álbum de Dewa Budjana 2018


Resenha

Mahandini

Álbum de Dewa Budjana

2018

CD/LP

Dois anos após o lançamento de Zentuary, disco duplo com pouco mais de 100 minutos, o guitarrista indonésio, Dewa Budjana, entregou uma nova oferta, mas desta vez optou por um disco mais condensado e com músicas que tem um toque muito mais pesado. Diferentemente do seu antecessor, em Mahadini, Dewa trocou a fórmula com uma multidão de convidados diferentes e escolheu um trio fixo para interagir, formado por Jordan Rudess no teclado, Marco Minnemann na bateria e o jovem Mohini Dey  no baixo – o que não quer dizer que não há convidados no álbum. Inclusive, Dewa Budjana, mostra mais uma vez que sabe como ninguém escolher grandes músicos e também adaptar a música para tirar o melhor deles. 

“Crowded” é uma peça orientada basicamente para o rock, sendo tocada de forma descontraída, mas que ainda consegue mostrar alguns sombreamentos de jazz fusion. Marco Minnemann é sempre um show à parte e consegue ainda que em pequenos espaços mostrar um trabalho lindo de bateria. John Frusciante é o convidado fornecendo um vocal excelente, além de um pouco de guitarra. Gosto muito do refrão de da forma como ele soa com bastante emoção. “Queen Kanya”, o álbum então entra em esferas mais técnicas a ponto de em alguns momentos lembrar o metal progressivo – salvo as devidas proporções - feito pelo Dream Theater nos anos 90. Começa bastante suave antes de se tornar agressiva e com um forte aceno ao rock progressivo. Bastante melódica e jazzística, quem mais brilha é Jordan Rudess, tanto no piano, quanto nos sintetizadores, porém, não podemos deixar de mencionar a riqueza da seção rítmica. Vale destacar também as vocalizações kannakol – cantos semelhantes a tambores indianos - feitas por Mohini Dey e que basicamente dobram com a bateria de Minnemann criando um ritmo alucinante e viciante.  

“Hyang Giri”, aqui a cantora Soimah Pancawati é a convidada, inclusive, com uma voz linda, profunda e até mesmo soporífera. Possui solo de guitarra, piano e até de baixo, uma peça surpreendente. A música vai crescendo em intensidade e metralhando o ouvinte até que suaviza um pouco para que os vocais regressem. O final é bastante melancólico. Mais um número incrível. “Jung Oman” é sem dúvida a mais suave e delicada das faixas. O solo de piano clássico é o típico estilo de Jordan Rudess. Uma música que é quase um convite a um relaxamento e introspecção. A melodia constante da guitarra de Dewa é belíssima, até que ocorre uma ponte explosiva, mas que rapidamente silencia, deixando um violão por meio de um belo solo guiar a peça antes da volta da guitarra. Que música linda.   

“ILW”, aqui temos mais um convidado, sendo nesse caso ninguém menos que Mike Stern, guitarrista extremamente prolífico que em seu currículo de vários artistas com quem já trabalhou, se encontra nomes como Miles Davis, Jim Hall e Jaco Pastorius. Apesar de ser uma peça clássica de rock progressivo em que as guitarras experimentais de Mike e Dewa dão a direção, em momento algum elas conseguem silenciar a maneira talentosa com que se comporta o restante da banda. “Mahandini” possui uma melodia muito bonita e as linhas de bateria de Marco Minnemann sempre são um caso à parte, toda vez fico impressionado com  amaneira descontraída com que ele colore cada uma das músicas. O solo de baixo é magnífico, assim como o solo de teclado que vem em seguida. “Mahandini” é uma música de jazz-rock extremamente bem planejada para que todos mostrem o quão são incríveis em seus respectivos instrumentos. “Zone” é a última música do disco e a segunda que conta com a participação de John Frusciante. No sentido virtuoso, basicamente não tem nada demais, sendo um rock muito mais básico - apesar de chegar a ter um piano jazzístico que a tire da zona de conforto em alguns momentos. Enquanto isso, a seção rítmica, como sempre, é sólida como uma rocha dentro de suas nuances idiossincráticas. O trabalho de guitarra é excelente, mas é um som pra agradar muito mais um amante de rock alternativo do que de jazz-rock/jazz-fusion. 

Pode até parecer que Dewa Budjana não assume o papel de protagonista em seu próprio disco, dando a impressão de deixar seus convidados brilharem mais do que ele, mas as coisas não chegam a ser bem assim, o que acontece é que o guitarrista também é um grande regente dentro do disco, buscando sugar até a última gota do que cada um dos músicos que o acompanham podem tirar dos seus instrumentos para entregar a ele músicas confeccionadas exatamente como foram pensadas. Mahandini é um álbum repleto de ecleticismo que variam entre o jazz ocidental e tradições de rock que passam por um ótimo tratamento asiático. O resultado é uma mistura emocionante de passagens instrumentais ímpares, melodias marcantes e som único. 

Destaque

THE YARDBIRDS - YARDBIRDS (1966)

Yardbirds é um álbum de estúdio da banda britânica The Yardbirds. Seu primeiro lançamento oficial aconteceu em 15 de julho de 1966, através ...