sexta-feira, 17 de fevereiro de 2023

DE Under Review Copy (1-UIK PROJECT)

 

1-UIK PROJECT

Ao longo da última década, Kalaf e João ‘Branko’ Barbosa (Lil’John, J-Wow) assumem-se como agentes determinantes na abertura de novos horizontes para a música portuguesa, com especial destaque para o fenómeno global Buraka Som Sistema, mas também em projectos como CoolTrain Crew, Fusionlab, Spaceboys e 1-Uik Project. Este último, resultou do desafio de fazerem um disco no espaço de uma semana. Partindo de uma conversa inspiradora de 148 minutos com a artista do Zimbabué Berry Bickle gravada em disco, a dupla acompanhada de diversos cúmplices embarcou na aventura durante uma semana, resultando num disco cheio de ritmo e poesia. O álbum “Strategies and Survival” foi concebido na semana de 28 de Julho a 04 de Agosto de 2003, em Lisboa. As intervenções e arranjos adicionais ocorreram entre 15 de Fevereiro e 15 de Março, e como seria de esperar, Kalaf e Barbosa andaram a bater à porta de várias editoras com o disco nas mãos e não houve grande interesse por parte de nenhuma. Assim, decidiram criar a Enchufada para editar o disco, tendo-o depois licenciado à Movieplay sendo finalmente lançado em meados de 2004. O disco espelha a liberdade criativa sem espartilhos indo do funk à soul, dos ritmos africanos ao hip-hop, do jazz até à bossa nova. Na primeira faixa “Sal e Cinzas” Kalaf lança o programa de intenções de “Strategies and Survival” e convoca todas as magias. Em 1-Uik(ed) com a colaboração de Melo D, temos beat em tom dançante onde se “solta o verbo”. A terceira faixa é a instrumental “Holding the Best”, onde o guitarrista convidado André Fernandes assume o protagonismo, sendo a faixa mais jazzística de todo o disco. Um dos elementos unificadores do álbum são os pequenos interlúdios gravados com a artista Berry Bickle, que se escutam em diversos momentos ao longo do álbum. Segue-se a magnífica “Serenata (Spring samba)” novamente com a participação de Melo D. No tema que dá nome ao disco, contando com Baggi & Scardino (Crazy Jungle Crew) e Cyz nas vocalizações, entramos num tom mais denso, onde o hip-hop e as rimas surgem urgentes e com toda a veemência. Em “Promessa”, um dueto de Kalaf e Dora Cruz, para acabar de vez com todos os duetos homem/mulher. Referência ainda para João Gomes (Cool Hipnoise, Orelha Negra) que participa em diversos temas do disco, funcionando como um terceiro elemento de 1-Uik Project. A faixa "Djing Djing", com muito soul e hip-hop. A faixa “Começo” encerra o disco com spoken word de Kalaf a declarar que isto é apenas o começo e que não há tempo para “blá, blá, blá...” A mestria dos intervenientes faz de “Strategies and Survival” muito mais que um conjunto imperfeito de temas inacabados, criando músicas que cruzam os mais diversos estilos denotando o seu grande ecletismo, mas mantendo uma identidade muito vincada. Na sequência do lançamento do disco, apresentam-se ao vivo em diversos locais, contando por vezes, com a presença dos convidados que participaram na gravação do disco. Entretanto, a dupla decide expandir-se para um sexteto com Jesse Chandler, Riot, Marco Vieira e Johannes Krieger, sendo com esta formação de palco que se apresentam no Festival Atlantic Waves 2005. No âmbito do Fórum Gulbenkian Imigração "Música + Moda: Lisa", realizado em outubro de 2006, apresentam novos temas que integrariam o novo disco dos 1-Uik Project, denominado "Lisa" de Lisabona, de Lisboa segundo Kalaf. Nesta apresentação dos novos temas ao vivo, contam com a presença dos convidados Sam the Kid e Coca. Bem, depois houve o furacão Buraka que varreu tudo à volta, e a edição do novo disco dos 1-Uik Project acabou por ser adiada até hoje. Não obstante, em 2010 gravam o tema “Brada” para a compilação “E-Spam” editada pela Enchufada. E que grande canção, com dedicatória especial ao malogrado génio J Dilla, “Brada” apresenta toda a genética característica de 1-Uik Project refinada ao expoente máximo e com a poesia de Kalaf em registo spoken word a discorrer sobre diversas temáticas que vão do valor da amizade desinteressada até questões relacionadas com uma certa portugalidade.

DISCOGRAFIA

 
SERENATA [SPRING SAMBA] [CD Single, Movieplay/Enchufada, 2004]

 
STRATEGIES AND SURVIVAL [CD, Movieplay, 2004]

COMPILAÇÕES

 
3 PISTAS [CD, Universal, 2005]

 
EXPLORATORY MUSIC FROM PORTUGAL 05 [CD, Calouste Gulbenkian, 2005]

 
ACORDA! NOVA MÚSICA PORTUGUESA EM MP3 [CD, Cobra Records, 2006]

 
E-SPAM [CD, Enchufada, 2010]
PRESS
Dica da Semana, Ana Markl, Blitz 1038 de 21-09-2004



Butcher Babies lança novo single “Beaver Cage”


Butcher Babies lança novo single “Beaver Cage”

Canção estará no 4º álbum da banda

A banda Butcher Babies lançou uma nova música, intitulada “Beaver Cage”, com direito a um novo videoclipe. De acordo com o Blabbermouth, a música estará no próximo quarto álbum de estúdio produzido por Josh Schroeder.

A música começa com um tom muito suave e club, com a vocalista Carla Harvey entrando em um ônibus de turnê cheio de outras pessoas que ajudam a criar a vibração clubby da música. A música então muda com vocais variados de Harvey e Heidi Shepherd, para fazer o tom da música mudar para algo mais furioso metálico, mas ao longo da música continua a mudar entre os gêneros.

Assista ao videoclipe:



Blondie confirma que vai tocar no Glastonbury 2023


OLA HAAS EDITA SEGUNDO SINGLE “NARCISA”


 O novo single de Ola Haas, “Narcisa“, é uma canção sobre julgamentos precoces e primeiras impressões erradas, animosidades injustificadas, que evoluem para um respeito mútuo, um “não julgues um livro pela capa” em formato sonoro.

Tendo como inspiração uma rabugenta dona de uma pequena mercearia, esta música serve como lembrete, não devemos assumir que cada um é como se apresenta à partida, a vida é mais complexa que primeiras impressões.

Ola Haas nasce em Lisboa à volta de 2016, grava um EP em casa, dá concertos em espaços como as Damas e o Sabotage Club. Pequeno interregno, que termina aquando do primeiro confinamento. Grava demos que nunca lança e em 2022 desloca-se ao Centro Industrial do Cabo Ruivo, vulgo Duck Tape Melodies, para gravar as três músicas que agora vêem a luz do dia.

“NEIGHBOURS OF MY FEAR” É O NOVO SINGLE DE ROGÉRIO GODINHO

 

“LIGHTER THAN THOUGHTS” É O NOVO SINGLE DOS NILE VALLEY



 lighter than thoughts” é o segundo single dos Nile Valley, e apresenta-se de caráter leve e contemplativo, mas dançante e enérgico.

Estão presentes ideias como liberdade, nostalgia e a natureza. É um dia bom, numa paisagem nostálgica daquilo que nos faz sentir bem e nem sabemos muito bem o que é, dentro das inquietações constantes de um mundo que por sua vez parece cada vez menos bom.

lighter than thoughts” é o segundo single da banda, depois de “new beginning”, e antecede o disco de estreia “floating lines”, com saída prevista para 9 de Março de 2023 com edição Saliva Diva.

Nile Valley é um trio do Porto, no ativo desde 2022, formado por Teresinha Sarmento (voz, eletrónica), João Pedro Almeida (eletrónica, bateria) e Ricardo Martins (baixo, fx). No mesmo ano, a banda estreia o seu primeiro single “new beginning” e faz as suas primeiras atuações ao vivo.

RARIDADES

 

Koen De Bruyne - Here Comes the Crazy Man ! (1974)



don't hang around, enjoy good music!


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

“Psicoacústica” (Warner, 1988), Ira!

 


O ano de 1987 foi bastante proveitoso para a banda Ira!. O quarteto paulista desfrutava de grande prestígio graças ao sucesso do seu segundo álbum, Vivendo e Não Aprendendo, lançado em agosto de 1986. Quase todas as faixas estouraram nas paradas radiofônicas. Uma delas, “Flores em Você”, foi tema de abertura da novela O Outro, da TV Globo em 1987. Vivendo e Não Aprendendo vendeu mais de 250 mil cópias, e garantiu ao Ira! o convite para tocar no Festival Hollywood Rock, em janeiro de 1988. No entanto, a banda chegou a ter desentendimento com os organizadores daquele festival. Segundo o Ira! a organização do festival dava um melhor tratamento aos artistas estrangeiro do que aos artistas brasileiros. Infelizmente, o Ira! não teve o apoio dos outros colegas brasileiros nesse enfrentamento, e acabou ficando sozinho. Coincidência ou não, a banda ficou longos anos ser convidada para participar dos grandes festivais de rock no Brasil que envolvesse artistas nacionais e internacionais.

Embora o ditado popular diga que “em time que está ganhando não se mexe”, o Ira! decidiu desafiar o velho ditado. Seria muito cômodo ao Ira! fazer uma espécie de “Vivendo e Não Aprendendo 2”, e assim emplacar mais canções nas paradas de sucessos e vender mais discos. Mas o quarteto decidiu subverter tudo. A banda tinha em mente não seguir a “fórmula” que consagrou Vivendo e Não Aprendendo. Queria fazer do próximo trabalho algo mais ousado, independente se iria ou não ser um sucesso de vendas.

Como gozava de prestígio graças ao sucesso de Vivendo e Não Aprendendo, o Ira! conseguiu junto à gravador Warner ter a plena liberdade para trabalhar no seu próximo álbum de estúdio. O próprio grupo produziu o novo álbum, dispensando produtores consagrados. Contou apenas com o apoio de Paulo Junqueiro, um engenheiro de som português que anos mais tarde, se tornaria um bem sucedido executivo de gravadora, chegando a assumir a presidência da Sony Music Brasil em 2015.

As gravações do novo álbum ocorreram entre novembro de 1987 e janeiro de 1988, no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, o mesmo onde foi gravado Vivendo e Não Aprendendo. E no estúdio Nas Nuvens, as sessões de gravação do novo álbum foram envoltas a muita fumaça de maconha. A maconha que a banda havia fumado era a mesma que foi encontrada numa carga de 20 mil latas que chegaram às praias de São Paulo e Rio de Janeiro trazidas pela maré, depois que o navio japonês que transportava aquela carga, Solana Star, naufragou na costa brasileira. Cada lata possui pouco mais de 1kg da erva. A carga de “maconha enlatada” fez alegria dos traficantes de drogas. No Rio de Janeiro, a ocasião foi chamada de “verão da lata”.

Capa de Vivendo e Não Aprendendo, o álbum que alçou o Ira!
ao estrelato do rock brasileiro.

Intitulado Psicoacústica, o terceiro álbum de estúdio do Ira! foi lançado em 11 de maio de 1988, coberto por muitos elogios por parte da imprensa, mas cercado de muitas desconfianças por parte do público e até mesmo da própria gravadora Warner, responsável pelo lançamento do disco. O público, que esperava um disco semelhante a Vivendo e Não Aprendendo, teve dificuldade de entender Psicoacústica. A Warner por sua vez, não conseguia encontrar uma canção para divulgar o novo álbum, composto apenas por oito faixas. A companhia achava as canções do álbum longas e com pouco apelo comercial. Mesmo assim, optou por “Pegue Essa Arma” como primeiro single de Psicoacústica.

E de fato, Psicoacústica chocou o público que havia se acostumado com o apelo acessível das canções de Vivendo e Não AprendendoPsicoacústica mostrava um Ira! num novo direcionamento musical, indo além da sonoridade dos dois discos anteriores. Foi um trabalho ousado no ponto de vista musical e estético.

No campo musical, o disco ampliou os horizontes do Ira! ao trazer num mesmo trabalho, referências da psicodelia dos Beatles, de reggae, MPB, rap e até embolada nordestina. E ainda trazia como novidade, o uso do samplerPsicoacústica foi um dos primeiros discos da música brasileira a usar esse equipamento. Em faixas como “Rubro Zorro”, “Pegue Essa Arma”, “Advogado do Diabo” e “Farto de Rock’n’Roll”, a banda usou sampler para fazer as colagens sonoras.

Do ponto de vista estético, as primeiras edições de Psicoacústica traziam como brinde, um óculos especial para que o fã pudesse ver a arte da capa do álbum em 3D.

Uma outra influência em Psicoacústica foi o filme O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla (1946-2004), de 1968. Os membros da banda haviam acabado de assistir e ficaram bastante impressionados, sobretudo o vocalista Nasi.

Membros do Ira! usando óculos 3D que vinham de brinde
nas primeiras edições de Psicoacústica.

Psicoacústica começa com “Rubro Zorro”, cuja letra foi baseada na vida de João Acácio Pereira da Costa (1942-1998), o famoso Bandido da Luz Vermelha, criminoso que aterrorizou a cidade de São Paulo nos anos 1960, sempre munido de uma lanterna de luz vermelha. Acácio teria se inspirado em Carry Chessman, conhecido como The Red Light Bandit (“O Bandido da Luz Vermelha”), criminoso americano que agia da mesma forma em Los Angeles, nos Estados Unidos, e que foi condenado à morte em 1948 por crimes de assalto, sequestro e estupro. Porém, a pena de Chessman, cercada de controvérsias, só foi executada em 1960, numa câmara de gás. Isso explica os seguintes versos: “Luz vermelha foi perdido no cais / Do terror / Um inocente na cela de gás? Sem depor”. Em “Rubro Zorro”, foi inserido um áudio do filme O Bandido da Luz Vermelha, de Sganzerla, que diz: “Trata-se de um faroeste do terceiro mundo”.

“Manhãs de Domingo” abre com o que parece ser um coral de vozes, mas que logo é sucedido pela entrada agressiva do Ira!. É talvez a única música de Psicoacústica que remete ao Ira! dos dois primeiros álbuns. Na reta final da música, o guitarrista e vocal de apoio, Edgard Scandurra, canta versos “nas ruas é que me sinto bem”, que fazem parte de “Nas Ruas”, música do álbum Vivendo e Não Aprendendo.

Em “Poder, Sorriso, Fama”, o Ira! discute o preço que a fama pode cobrar. Scandurra toca sua guitarra de maneira fantástica, extraindo dela muita distorção e efeitos psicodélicos através do pedal. Enquanto isso, Ricardo Gaspa faz uma marcação segura e hipnótica com o seu baixo, e André Jung arrasa na bateria.

O lado A de Psicoacústica termina com a ótima “Receita Para Se Fazer Um Herói”, uma bela canção que carrega ecos da psicodelia dos Beatles (fase Sgt. Pepper’s Lonely HeartsClub Band) somados a uma sutil cadência do reggae empregada pela bateria de André Jung. A guitarra de Scandurra cheia de efeitos e os teclados de Roberto Firmino, criam toda uma atmosfera de psicodelia na canção, enquanto que os trompetes de Don Harris rementem aos Beatles de “Penny Lane” e “Magical Mystery Tour”. A letra foi musicada por Edgard Scandurra a partir de um poema supostamente de um amigo seu dos tempos em que serviu ao Exército, no início dos anos 1980. Mal sabia Scandurra que após o lançamento do disco, essa música iria envolver o Ira! em problemas.  

Paulo Villaça no papel do Jorge, o protagonista no filme O Bandido da Luz
Vermelha
, de Rogério Sganzerla, de 1968.

“Pegue Essa Arma” é outra faixa de Psicoacústica que contém colagem do áudio do filme O Bandido do Luz Vermelha em que se ouve: “E o terceiro mundo vai explodir! E quem tiver de sapato não sobra”.

A provocativa “Farto de Rock’n’Roll’ é a única música do disco que não é cantada por Nasi. Escrita e cantada por Edgard Scandurra, a canção foi uma provocação do guitarrista a Nasi e ao baterista André Jung, como uma resposta aos dois por estarem bastante envolvidos com o rap e supostamente se afastando do rock. No entanto, o público não percebeu essa mensagem na música e nem enxergava essa acusação a Nasi e Jung. O tempo mostrou que a visão de Scandurra estava completamente equivocada, e o próprio músico confessou o seu equívoco. Embora Nasi não cante na música – ele havia se recusado a cantar – ele fez os scratches como um DJ.

A faixa seguinte, “Advogado do Diabo”, abre com um pandeiro que faz o ouvinte imaginar que vai começar um samba. Mas o que se ouve é o instrumento acompanhando o canto de Nasi num ritmo de rap, mas que ao mesmo tempo, simula uma embolada nordestina, muito por conta do pandeiro ser usado pelos cantores de embolada na suas apresentações nas feiras livres e eventos ao ar livre no nordeste brasileiro. A música traz um áudio gravado numa emissora de rádio AM do discurso do presidente da LBV (Legião da Boa Vontade), José de Paiva Netto: “Não adianta, tem que haver rico, tem que haver pobre; tem que haver branco, tem que haver negro; tem que haver patrão, tem que haver empregado; porque o povo quer assim”.

O álbum termina com “Mesmo Distante”, uma balada folk com traços psicodélicos. Nesta canção, além de uma guitarra cheia de efeitos, Edgard Scandurra toca outros instrumentos como violão, craviola e caixa de bateria.

Apesar da boa recepção da crítica, comercialmente, Psicoacústica foi um tremendo fracasso. O disco havia vendido pouco mais de 50 mil cópias, muito distante das mais de 250 mil cópias de Vendendo e Não Aprendendo.

Mas o problema de vendas não foi o único. A banda teve dores de cabeça maiores. Até o lançamento do disco, o Ira! não conseguiu encontrar o tal amigo de Scandurra do tempo em que serviu ao Exército, conhecido apenas como Esteves, para negociar a autorização da liberação da letra de “Receita Para Se Fazer Um Herói”. O grupo então pôs no encarte a frase “Esteves, cadê você?” na lista de agradecimentos. E foi a partir desse detalhe que Esteves apareceu e foi cobrar o dinheiro dos direitos autorais ao Ira!, chegando até a ameaçar processar a banda. Contudo, algo iria mudar toda essa história. Na sessão de cartas da revista Bizz, uma leitora alertou sobre semelhanças entre a letra da canção “Receita Para Se Fazer Um Herói” e o poema de mesmo nome escrita pelo poeta português Reinaldo Ferreira (1922-1959), e presente num livro escolar dela. A notícia ganhou repercussão e, para evitar um processo judicial, o Ira! procurou a viúva do poeta português e conseguiu entrar num acordo. O fato desmascarou Esteves e a sua tentativa de arrancar dinheiro da banda paulista.

Mas esta não foi a única confusão. O cineasta Rogério Sganzerla, que dirigiu o Bandido da Luz Vermelha, havia cedido o áudio do filme para o Ira! em troca de ter o direito de dirigir um videoclipe da banda. A gravadora Warner havia também aceitado o acordo. Porém, Sganzerla passou a cobrar um valor caro para dirigir o videoclipe, fugindo do acordo que havia fechado com a banda e a gravadora. A Warner desistiu do videoclipe sob sua direção. Sganzerla chegou a mover uma ação judicial contra o Ira! e a Warner para impedir o lançamento do disco.

As confusões e o fracasso comercial não conseguiram destruir a reputação de Psicoacústica. O terceiro álbum de estúdio foi crescendo em relevância ao longo do tempo, e até mesmo exerceu influência em tendências do rock brasileiro a partir dos anos 1990, como o manguebeat e as fusões de rap e rock. O próprio Chico Science & Nação Zumbi costumava no início da carreira tocar “Advogado do Diabo”, música que de alguma forma, teria influenciado a musicalidade da banda pernambucana. De disco “estranho”, Psicoacústica passou disco cult e a figurar nas listas dos discos mais importantes da música brasileira.

Faixas

Todas as músicas compostas por Edgard Scandurra, exceto onde indicado.

Lado A

  1. "Rubro Zorro" (Edgard Scandurra, André Jung, Ricardo Gaspa, Nasi)
  2. "Manhãs de Domingo"
  3. "Poder, Sorriso, Fama"
  4. "Receita Para Se Fazer um Herói" (Scandurra, Nasi, Jung, Gaspa, Reinaldo Edgar Ferreira) 

Lado B

  1. "Pegue Essa Arma"
  2. "Farto do Rock 'n' Roll" (Scandurra, Gaspa)
  3. "Advogado do Diabo" (Nasi, Jung)
  4. "Mesmo Distante" 


Faixa bônus (Versão K7)

"Não Pague Pra Ver" (ao vivo no Hollywood Rock, 1988)


Ira!: Nasi (voz e scratches), Edgard Scandurra (guitarra, banjo, craviola, guitarras fantasmagóricas, caixa de bateria (em "Mesmo Distante"), voz), Ricardo Gaspa (baixo e voz) e André Jung (bateria, percussão e voz)

 

Participações especiais

Don Harris: trompetes (em "Receita Para Se Fazer um Herói")

Roberto Firmino: teclados (em "Receita Para Se Fazer um Herói")

William Forghieri: teclados



1- "Rubro Zorro"

2-"Manhã de Domingo"

3-"Poder, Sorriso, Fama"

4-"Receita Para Se Fazer Um Herói"

5-"Pegue Essa Arma"

6-"Farto do Rock'n'Roll"

7-"Advogado do Diabo"

8-"Mesmo Distante"

9-"Não Pague Pra Ver" (ao vivo) 
( faixa bônus)

Destaque

Bad Company – Bad Co (1974)

Em seu primeiro álbum, o Bad Company — liderado pelo ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, e pelo guitarrista original do Mott, Mick Ralphs — ...