sábado, 18 de fevereiro de 2023

Joe Bonamassa se supera ao ‘soar britânico’ no álbum ‘Royal Tea’; ouça e leia a resenha




Guitarrista trouxe o blues rock do Reino Unido como temática e não escondeu, em entrevistas, que quis “soar britânico”

O guitarrista Joe Bonamassa lançou um novo álbum solo nesta sexta-feira (23). Intitulado ‘Royal Tea‘, o disco é o 14° de sua carreira solo e sai pro meio da J&R Adventures, com distribuição da Provogue / Mascot Label Group.

‘Royal Tea’ traz, ao todo, 10 faixas que foram gravadas no lendário Abbey Road Studios, em Londres, na Inglaterra. Joe Bonamassa, que é americano, disse que se inspirou em seus ídolos britânicos, como John Mayall, Jeff Beck, Eric Clapton, Led Zeppelin e Cream, para desenvolver este trabalho.

Para conceber o álbum, Bonamassa convidou músicos que fizeram parte da

 construção deste cenário do blues rock britânico, como o guitarrista Bernie Marsden, ex-Whitesnake, e Pete Brown, ex-letrista do Cream, além do pianista Jools Holland. Todos eles ajudaram em composições ou mesmo em performance, no caso de Holland. 

A banda de apoio, por sua vez, traz Anton Fig (bateria), Michael Rhodes (baixo) e Reese Wynans (teclados). A produção é assinada por Kevin Shirley.


Parece redundante dizer que Joe Bonamassa lançou, novamente, um de seus melhores trabalhos, mas é difícil não ter essa sensação ao ouvir ‘Royal Tea’. Curiosamente, ele obteve essa conquista enquanto tentava manipular um pouco sua essência.

Em entrevistas, o guitarrista tem dito que fez seu novo álbum buscando soar britânico. A ideia surgiu ainda em 2018, quando ele colaborou com o álbum-tributo ‘Acoustic Cream’, junto de Bernie Marsden e Pete Brown.

Na ocasião, o músico gravou ‘Sunshine of Your Love’ com o baterista original, Ginger Baker, que nos deixou em 2019. “Ele é do mesmo jeito que falam por aí”, brincou Joe, em entrevista ao site ‘Cleveland’, sobre o mau-humor do agora saudoso Baker.

Fato é que a relação com Marsden e Brown se estreitou naquele período e Bonamassa decidiu gravar um álbum que resgatava suas influências do blues rock britânico, especialmente aquele produzido na década de 1960. O guitarrista também diz em entrevistas que, ao longo de toda a sua carreira, várias pessoas pensam que ele veio do Reino Unido – onde fez sucesso primeiro -, e não dos Estados Unidos.


‘Royal Tea’ foi composto durante as cinco semanas em que Joe Bonamassa esteve hospedado em Londres, na metade de 2019. Bernie Marsden e ele criavam as melodias, enquanto Pete Brown trazia as letras. As gravações aconteceriam em seguida, mas Anton Fig quebrou o tornozelo. Por sorte, o guitarrista optou por adiar as gravações para janeiro deste ano em vez de substituir Fig – que é um gigante baterista.

Sente-se uma energia quase inexplicável em boa parte deste álbum. Soa diferente dos outros – e, no geral, excelentes – trabalhos de Bonamassa. Além da banda de apoio muito bem montada, as colaborações de Marsden e Brown trouxeram elementos que, em essência, o guitarrista só ouviu falar. Afinal, ele, que nasceu em 1977, nem sequer viveu a artisticamente prolífica década de 1960.

Logo na primeira música, ‘When One Door Opens‘, a química flui. A canção, de ares melancólicos, surpreende pelo bom trabalho vocal em sua primeira etapa e pelos contornos épicos adquiridos a partir de sua segunda metade, com mudanças de andamento bem inseridas. A faixa-título ‘Royal Tea‘, em seguida, aposta em um formato mais tradicional, de 12-bar blues, com um timbre de guitarra irresistível.


Why Does It Take So Long To Say Goodbye‘ retoma a melancolia da faixa de abertura e remete muito a Gary Moore, um dos maiores ídolos de Bonamassa. ‘Lookout Man!‘, por sua vez, é ainda mais climática, já que adota uma pegada mais dark e até pesada. Além do groove diferenciado, o solo de gaita também caiu bem.

A veia típica do “British blues” volta a ser explorada em ‘High Class Girl‘, onde os teclados de Reese Wynans aparecem com destaque. ‘A Conversation With Alice‘, com maior influência da música americana, tem um astral envolvente. A letra, autobiográfica, aborda as sessões de terapia que teve com uma profissional identificada aqui como Alice. A melhor coisa que ele já fez, segundo a própria composição.

I Didn’t Think She Would Do It‘ também deixa o terreno do blues rock britânico para dialogar com uma de suas evoluções: o hard rock da década de 1970. A pegada acelerada e até cavalgada remete, de forma quase imediata, a UFO e Wishbone Ash. O freio de mão é devidamente puxado em ‘Beyond The Silence‘, talvez a mais lenta do álbum. Remete a diversos momentos do disco anterior de Joe, ‘Redemption’, e surpreende pelo instrumental de extrema classe, com direito a momentos de brilho de Jools Holland no piano.


A divertida ‘Lonely Boy‘ encaminha a audição ao fim com uma pegada rock and roll retrô, quase rockabilly. Além dos sopros bem introduzidos, a faixa chama atenção por trazer Bonamassa em, talvez, um de seus momentos mais confortáveis e precisos no vocal. A balada ‘Savannah‘ fecha o álbum com uma gostosa influência country/southern, que, evidentemente, traz o guitarrista de volta aos Estados Unidos.

Os pontos positivos de ‘Royal Tea’ são incontáveis. As colaborações externas fizeram a diferença, não só do trio mencionado (Marsden, Brown e Hooland), como, também, das backing vocals que aparecem em diversos momentos. Joe Bonamassa soa cada vez mais à vontade no front e a banda montada por ele é do tipo que “toca de terno”, tamanha a classe.

Nota-se, inclusive, que há um trabalho conjunto entre músicos e produção. Kevin Shirley conseguiu extrair timbres fantásticos de todos, desde as várias guitarras de Bonamassa à bateria de Anton Fig, que soa grandiosa sem abdicar do som típico do instrumento.

Em uma discografia marcada por tantos pontos altos, é difícil garantir em qual ponto ‘Royal Tea’ se posicionaria, mas imagino que não seja exagero de minha parte ao apontar esse álbum como um dos melhores da carreira de Joe Bonamassa, seja solo ou em seus diversos projetos. Ou seja: o mérito aqui conquistado é muito grande.


1. When One Door Opens
2. Royal Tea
3. Why Does It Take So Long To Say Goodbye
4. Lookout Man!
5. High Class Girl
6. A Conversation With Alice
7. I Didn’t Think She Would Do it
8. Beyond The Silence
9. Lonely Boy
10. Savannah

“Sutis Diferenças” (EMI-Odeon, 1984), Vinicius Cantuária



Vinícius Cantuária nasceu em 29 de abril de 1951, em Manaus, no estado do Amazonas. Aos sete anos de idade, ele e sua família se mudaram para o Rio de Janeiro. Em 1968, começou a sua carreira musical como baterista da banda de rock progressivo O Terço, na qual permaneceu até 1973. Durante toda a década de 1970, acompanhou vários artistas da música brasileira como Jorge Mautner, Luiz Melodia e Chico Buarque. Entre 1977 e 1983, integrou A Outra Banda da Terra, banda que acompanhava Caetano Veloso em shows e gravações.

Ao mesmo tempo que integrava como músico da banda de Caetano Veloso, Vinícius Cantuária começa a desenvolver o seu lado de compositor. Em 1981, Cantuária teve uma canção sua gravada por Caetano Veloso, “Lua e Estrela”, do álbum Outras Palavras, que se tornou um grande sucesso.

No ano seguinte, em 1982, em paralelo à carreira na Outra Banda da Terra, Cantuária assina contrato com a gravadora RCA, através da qual lança o seu primeiro e homônimo álbum solo, cuja faixa “Coisa Linda”, chegou a ter alguma repercussão. O segundo disco solo, Gávea de Manhã, é lançado em 1983.

Vinícius Cantuária (à direita) quando era membro da banda O Terço,
no começo dos anos 1970.

Em 1984, Caetano Veloso monta uma nova banda de apoio, com novos músicos, a Banda Nova. Coma dissolução de A Outra Banda da Terra, Cantuária passa a focar na sua carreira solo. Naquele mesmo ano, troca de gravadora, indo para a EMI-Odeon. De gravadora nova e focando na carreira solo, Vinícius Cantuária lança o seu terceiro disco solo, o Sutis Diferenças, um trabalho em que o cantor amazonense apresenta uma nova orientação musical.

Diferente dos dois álbuns anteriores de Cantuária, mais voltados para a MPB em que se percebe influências de Caetano Veloso, Chico Buarque e Milton Nascimento, Sutis Diferenças mostra o cantor seguindo para um outro caminho, indo em direção ao pop rock e a new wave. Isso é perceptível desde a concepção da capa à sonoridade do álbum. Provavelmente, o cenário musical brasileiro em meados dos anos 1980 em que o rock estava dominando, talvez tenha motivado Vinícius Cantuária a gravar um trabalho dentro dessa linha.

Sutis Diferenças é um álbum essencialmente pop. É um trabalho leve, acessível, radiofônico. Há um predomínio de sintetizadores e baterias eletrônicos na maioria da faixas, mas que convivem muito bem com os outros instrumentos convencionais, permitindo que o trabalho conserve uma organicidade sonora.

Produzido por Jorge Davidson, Sutis Diferenças conta com a participação especial de convidados ilustres como Flávio Venturini (na época, ainda membro do 14 Bis), o saxofonista Léo Gandelman, o guitarrista Marcelo Sussekind (integrante do Herva Doce naquele momento), Lulu Santos, Paulo Toller (vocal do Kid Abelha), os Paralamas do Sucesso, dentre outros convidados.

O álbum começa com “Sílvia”, um pop rock dançante que é uma parceria de Vinícius Cantuária e Chico Buarque, é sobre uma mulher fatal, que trata os seus amantes como um objeto sexual descartável. Destaque para a participação de Léo Gandelman nos solos de saxofone. Na balada pop romântica “Cheio de Amor”, Cantuária canta sobre entregar-se por completo ao amor, de “cabeça e coração”. Lulu Santos é o convidado na canção, fazendo uma participação especial bem discreta num solo de guitarra cheio de efeito.  

“Brilho da Cidade” trata sobre o universo noturno da cidade grande, e conta com os solos sensacionais de saxofone de Léo Gandelman, em cima de uma base rítmica dominada por percussão e bateria eletrônica programada. O romantismo volta a dar as caras em “Não É bem Assim”, um dueto de Cantuária e Chico Buarque, em que os dois cantam sobre as idas e vindas do amor.

Fechando o lado A, o pop melódico e agradável “Pro Outro Lado”, parceria de Vinícius Cantuária e Ronaldo Bastos. A letra versa sobre liberdade, do indivíduo não se prender a padrões convencionais e nem perder tempo com gente conservadora. A canção conta com os vocais de apoio femininos fazendo um “Uuuhhh,lá,lá,lá!” que remete a “You Won't See Me”, dos Beatles.

Detalhe da contracapa de Sutis Diferenças.

O lado B começa com a faixa mais famosa do álbum, “Só Você”, o maior sucesso da carreira solo de Vinícius Cantuária. “Só Você” é um exemplo de canção pop perfeita, sob medida para tocar no rádio, mas sem abrir mão da qualidade musical. A letra, de teor romântico, é sobre alguém que encontrou o amor de sua vida, e a ele expõe todo o seu sentimento das mais diversas maneiras. O ritmo da música é conduzido por uma bateria eletrônica programada, enquanto que o solo de guitarra no meio da faixa é executado por Marcelo Sussekind, do então Herva Doce. "Só Você" ganhou várias regravações, sendo a de Fagner a primeira, já em 1984. Depois "Só Você" foi regravada por gente como Tim Maia, Capital Inicial, Roberto Frejat entre outros ao longos dos anos. Mas a principal regravação e que alcançou uma grande sucesso foi a de Fábio Jr., em 1997.

“Esse Som Eu Quero” é um tributo de Cantuária aos Paralamas do Sucesso, uma homenagem bastante curiosa, levando-se em conta que é comum se render tributo a artistas veteranos. Os Paralamas estavam em início de carreira, com apenas dois álbuns no currículo e pouco mais de dois anos de carreira. A faixa conta com a participação de vários convidados participando do coro, como os próprios membros dos Paralamas, mais Paula Toller, o ator Hamilton Vaz Pereira e mais outros convidados. O tempo passou e mostrou que o tributo de Cantuária a uma banda iniciante não foi à toa: os Paralamas construíram uma carreira artística longeva e muito bem sucedida.

Uma das poucas músicas do álbum com uma inclinação maior para a MPB é “Sutis Diferenças”, faixa que dá nome ao álbum. Composta por Cantuária e Caetano Veloso, a canção afirma que na vida de casal, não importa as diferenças de visão mundo de cada lado, mas que elas se complementem: “Então nós dois sutis diferenças / Vamos combinar / Não há no amor quem vença ou não vença / Mas que luz vai dar”.

Os Paralamas do Sucesso em 1983, em início de carreira. No ano seguinte,
Vinícius Cantuária presta tributo à banda com "Esse Som Eu Quero". 

Se a vida é curta, o importante é ser feliz e mais nada, como prega a canção “Que Nada”, que conta com um naipe de metais formado por figuras estelares, dentre as quais Léo Gandelman e seu sax alto, o trombonista Serginho Trombone, o trompetista Márcio Montarroyos entre outros.

O álbum encerra com “No Dia Em Que Eu Vim Me Embora”, canção de Caetano Veloso gravada pelo mesmo em seu primeiro álbum, em 1968. A versão de Cantuária é mais intimista que a original. Ele canta e toca violão, e é acompanhado pelos teclados de Flávio Venturini. Embora a canção trate sobre um jovem que deixa a cidade natal no interior para tentar uma nova vida na cidade grande, a versão de Vinícius Cantuária ganhou um arranjo musical mais urbano, diferente da versão original de Caetano.

Sem sombra de dúvidas, a faixa do álbum mais executada foi “Só Você”. A música esteve nos primeiros lugares das paradas de rádio de todo o Brasil. Cantuária virou uma figura frequente nos programas de TV, merecendo até um videoclipe de “Só Você” no programa Fantástico da TV Globo. Outras faixas também fizeram tiveram boa execução em rádio como “Cheio de Amor”, “Sílvia” e “Esse Som Eu Quero”.

Os dois álbuns seguintes de Vinícius Cantuária, Siga-me (1985) e Nu Brasil (1991), prosseguiram na linha pop rock adota em Sutis Diferenças. Depois disso, Cantuária deu um tempo na carreira solo, chegando a acompanhar Chico Buarque na turnê do álbum Francisco, de 1987.

Após cinco anos, Vinícius Cantuária lançou um novo álbum solo, Rio Negro. Em 1993, Cantuária e mais outros nomes consagrados do pop rock brasileiro como Ritchie, Cláudio Zoli, Billy Forghieri (ex-Blitz), Dadi Carvalho e Mú Carvalho (os dois últimos da A Cor do Som), formaram o supergrupo Tigres de Bengala, que lançam o primeiro e único álbum que leva o nome da banda.

Um ano depois, Vinícius Cantuária toma uma atitude que vai mudar a sua vida e a sua carreira artística: decide mudar-se para os Estados Unidos. Desde então, sua a vida é toda concentrada naquele país, e sua música passou a ser mais voltada à MPB e ao jazz. Gravou discos com músicos americanos e fez turnês internacionais.

Faixas

Lado A 

  1. “Silvia” (Vinícius Cantuária – Chico Buarque)
  2. “Cheio De Amor” (Vinícius Cantuária)
  3. “Brilho Da Cidade” (Vinícius Cantuária – Mimi Lessa – Hamilton Vaz Pereira)
  4. “Não É Bem Assim” (Vinícius Cantuária)
  5. “Por Outro Lado” (Vinícius Cantuária – Ronaldo Bastos)

Lado B 

  1. “Só Você” (Vinícius Cantuária)
  2. “Esse Som Eu Quero” (Vinícius Cantuária)
  3. “Sutis Diferenças” (Vinícius Cantuária – Caetano Veloso)
  4. “Que Nada” (Vinícius Cantuária)
  5. “No Dia Em Que Eu Vim Me Embora” (Gilberto Gil – Caetano Veloso)

"Sílvia"

"Cheio de Amor"

"Brilho da Cidade"

"Não É Bem Assim"

"Por Outro Lado"

"Só Você"

"Esse Som Eu Quero"

"Sutis Diferenças"

"Que Nada"

"No Dia Que Eu Vim Me Embora"

"Só Você" 
(videoclipe original, na íntegra,
"Fantástico", TV Globo, 1984)

 

Minta & The Brook Trout – Demolition Derby (2021)

 

Os Minta & The Brook Trout regressam com a delicadeza pop a que nos habituaram, um bálsamo em tempos confusos

Demolition Derby é o nome de uma competição redneck norte-americana, em que basicamente carros à beira da reforma compulsiva se confrontam numa arena com o objetivo de baterem forte e feio uns nos outros. Ganha o último a conseguir andar, como numa noite do Cais do Sodré nos anos 90. É um espectáculo com cheiro a cerveja, gasolina e provavelmente bastantes fritos, com fumo, fogo e barulheira. Ah, e é também o nome do novo disco dos Minta & The Brook Trout, que não é nada disto.

O sucessor de Slow, de 2016, não abandonou o universo sonoro da banda em troca de um qualquer southern rock desta vida. Na verdade – abençoados sejam – nada mudou no mundo de Minta & The Brook Trout. Temos em Demolition Derby oito canções, pouco mais de meia hora de música, feitas com a sensibilidade e o bom gosto que há tanto tempo estimamos.

Somos novamente embalados pela lenta mestria pop, pelos temas acústicos, pela voz serena, bonita e understated de Francisca Cortesão, rodeada de suaves harmonias vocais e arranjos enganadoramente simples mas muito eficazes. Tudo como cama para letras cada vez mais bem construídas. Um oásis sonoro nestes tempos conturbados de gritaria e grandes proclamações.

Esta malta não quer mudar o mundo, está cansada e é demasiado tímida para tanto. Parece apenas querer fazer sentido da vida, das coisas, do dia a dia. Sempre houve algo de encantadoramente nerd neste projecto, que pede para ser ouvido sentado, num sofá confortável, com uma camisola de malha, de preferência tirada de um filme de Wes Anderson. Quiet is the new loud, como diziam os Kings of Convenience? Cada vez mais, dizemos nós.

Para os fanáticos da (r)evolução, este Demolition Derby pode desiludir, porque o mundo que os Minta & The Brook Trout habitam é o mesmo de sempre, um quarto de um adolescente já sem idade para o ser, uma pessoa sozinha a contemplar uma montanha, perdida em pensamentos e emoções. Mas o mundo está cada vez mais cheio de revolucionários instantâneos, de teclado ou de outra estirpe. Rara é a constância, a intimidade, a suavidade e o gosto pela beleza.

Valorizemos estas qualidades quando nos são oferecidas com tamanha delicadeza.



A Lake by the Mõõn – Life in Warp (2021)


 Life in Warp, o primeiro longa-duração de A Lake by the Mõõn, músico das Caldas da Rainha, é um grito de protesto contra os sistemas que, todos os dias, contribuem para a destruição do nosso planeta

Obras criadas sob limites auto-impostos geralmente perdem o interesse quando a novidade do seu chamariz se desvanece. Quando A Lake by the Mõõn anunciou que o seu primeiro longa-duração seria criado exclusivamente com samples de animais em vias de extinção, senti essa hesitação por recear que, por mais nobre que o conceito seja, o disco resultante não fosse assim tão interessante.

Devo a Duarte Eduardo (nome civil do artista) um sincero pedido de desculpas pelas minhas dúvidas: os seus ouvidos e a suas capacidades como produtor tornam Life in Warp numa experiência riquíssima em texturas e atmosferas. Se não soubesse nada sobre o disco, estaria aqui a elogiar os tons de sintetizador que formam os arpejos de “Stereonoke Hime” ou os pads de “Solarpunk” e não pensaria muito sobre o processo por trás da sua criação. Muitos músicos tentam fazer o digital soar orgânico, mas aqui, o orgânico é que é tornado digital. Nunca saberei como é que este tornou um sample de uma baleia no poderoso kick que permeia “Final Reality XXI”, ou um som de chimpanzé num sintetizador, mas nenhum desses detalhes importam quando me perco na sua música, que sobreviveria mesmo se separada do seu conceito.

O que não significa que se deva separar esta música do sentimento de urgência que a gerou. Como o próprio músico indica na sua página de Bandcamp, “Desde 1970, a Terra perdeu 60% de toda vida animal. Estamos passar pela 6ª extinção em massa”. Isto é música de intervenção mas, em vez de ser feita com guitarras acústicas, é feita com batidas eletrónicas e sintetizadores etéreos. A mensagem ecológica e ambiental permeia todo o disco, e a adição de samples não processados dos mais diversos animais ajuda a que nunca nos esqueçamos dela.

Idealmente, viveríamos num mundo em que Life in Warp não necessitaria de ser feito. Sendo as coisas como são, é bom que tenhamos música boa associada a nobres causas. Que o grito de A Lake by the Mõõn se faça ouvir por todo o país e, quiçá, por todo o mundo.



O Melhor do Rock em 1985 Playlist

 

Neste post, continuarei a série com playlists abordando anos específicos do rock e desta vez chegamos ao ano de 1985. Nele foram lançados vários álbuns que ficaram na história como o clássico "Love" do The Cult que contém algumas de suas melhores músicas, o "Brothers In Arms" do Dire Straits, o auto entitulado da banda Heart que contém alguns dos maiores hits do grupo e por aí vai. Destacando também o ótimo ano do rock brasileiro no qual foram lançados muitos albuns importantes do gênero como os primeiros de Legião Urbana,RPM, Ultraje A Rigor, Plebe Rude, Ira! e Cazuza.Veja abaixo algumas músicas e álbuns que foram destaque nessa época.






Músicas contidas na playlist:

Dire Straits - Money For Nothing
Dire Straits - Walk of Life
The Cult - She Sells Sanctuary
The Cult - Revolution
Simple Minds - Don't You (Forget About Me)
Tears For Fears - Everybody Wants To Rule The World
Tears For Fears - Shout
Heart - What About Love
Heart - If Looks Could Kill
Mötley Crue - Home Sweet Home
Huey Lewis and The News - The Power of Love
Duran Duran - A View To Kill
Rush - Marathon
Rush - The Big Money
Bon Jovi - In And Out Of Love
Bon Jovi - Tokyo Road
Tina Turner - We Don't Need Another Hero
AC/DC - Shake Your Foundations
Marillion - Kayleigh
Marillion - Heart of Lothian
Phil Collins - One More Night
The Smiths - How Soon Is Now ?
The Cure - In Between Days
The Cure - Close To Me
The Outfield - Your Love
Survivor - Burning Heart
Aerosmith - Let The Music Do The Talking
Aerosmith - My Fist Your Face
Yngwie Malmsteen - I'll See The Light
Yngwie Malmsteen - I Am A Viking
Dio - King of Rock and Roll
Dio - Rock N Roll Children
Oingo Boingo - Stay
Oingo Boingo - Just Another Day
Gary Moore - Empty Rooms
Starship - We Built This City
INXS - What You Need
Dokken - In My Dreams
Ratt - Lay It Down
Tom Petty & The Heartbreakers - Don't Come Around Here No More
The Firm - Radioactive
Eurythmics - Would I Lie To You?
Eurythmics - Sisters Are Doin' For Themselves
Talking Heads - And She Was
John Cougar Mellencamp - R.O.C.K. in the U.S.A. (A Salute To '60s Rock)
John Fogerty - Centerfield
John Fogerty - Rock N Roll Girls
Eric Clapton - Forever Man
Jesus & Mary Chain - Just Like Honey
David Lee Roth - California Girls
R.E.M - Driver 8
Slayer - Hell Awaits
Megadeth - These Boots
Anthrax - Madhouse
ZZ Top - Sleeping Bag
KISS - Tears Are Falling
Faith No More - We Care A Lot
Oingo Boingo - Dead Man's Party
Pat Benatar - Invincible
Eurythmics - There Must Be An Angel (Playing With My Heart)
Stevie Ray Vaughan and Double Trouble - Say What!
Dire Straits - So Far Away
Dire Straits - Your Latest Trick
Tears For Fears - Head Over Heels
Tears For Fears - Mothers Talk
Heart - These Dreams
Heart - Never
The Cult - Nirvana
The Cult - Rain
Mötley Crue - Smokin' In The Boys Room
RPM - Rádio Pirata
RPM - Olhar 43
RPM - A Cruz e a Espada
RPM - Louras Geladas
Legião Urbana - Será
Legião Urbana - Ainda É Cedo
Legião Urbana - Baader-Meinhoff Blues
Legião Urbana - Geração Coca-Cola
Plebe Rude - Até Quando Esperar
Plebe Rude - Proteção
Cazuza - Exagerado
Cazuza - Codinome Beija-Flor
Ultraje A Rigor - Nós Vamos Invadir A Sua Praia
Ultraje A Rigor - Ciúme
Ultraje A Rigor - Inútil
Ultraje A Rigor - Rebelde Sem Causa
Ira! - Núcleo Base
Ira! - Tolices
Titãs - Televisão
Titãs - Insensível


Álbuns de destaque:

Dire Straits - Brothers In Arms
The Cult - Love
Heart - Heart
Tears For Fears - Songs From The Big Chair
Marillion - Misplaced Childhood
Rush - Power Windows
The Cure - The Head On the Door
The Jesus and Mary Chain - Psychocandy
The Smiths - Meat Is Murder
R.E.M - Fables of the Reconstruction
Talking Heads - Little Creatures
Iron Maiden - Live After Death
Phil Collins - No Jacket Required
Simple Minds - Once Upon A Time
The Firm - The Firm
Dead Kennedys - Frankenchrist
Sonic Youth - Bad Moon Rising
Slayer - Hell Awaits
Red Hot Chili Peppers - Freaky Styley
INXS - Listen Like Thieves
John Fogerty - Centerfield
AC/DC - Fly on The Wall
Tom Petty & the Heartbreakers - Southern Accents
Eurythmics - Be Yourself Tonight
Exodus - Bonded By Blood
Mötley Crue - Theatre of Pain
The Clash - Cut The Crap
ZZ Top - Afterburner
Megadeth - Killing Is My Business...and Business Is Good!
Anthrax - Spreading The Disease
Dinosaur Jr. - Dinosaur
Ratt - Invasion of Your Privacy
Eric Clapton - Behind The Sun
Dokken - Unlock Lock and Key
KISS - Asylum
Aerosmith - Done With Mirrors
Helloween - Walls of Jericho
Stevie Ray Vaughan and Double Trouble - Soul To Soul
Faith No More - We Care A Lot
Stryper - Soldiers Under Command
Oingo Boingo - Dead Man's Party
Bon Jovi - 7800 Degrees Fahrenheit
Gary Moore - Run For Cover
Dio - Sacred Heart
Night Ranger - 7 Wishes
Pat Benatar - Seven The Hard Way
Freddie Mercury - Mr. Bad Guy
Yngwie Malmsteen - Marching Out
Overkill - Feel the Fire

Álbuns de destaque do Rock Brasileiro:

RPM - Revoluções Por Minuto
Legião Urbana - Legião Urbana
Plebe Rude - O Concreto Já Rachou
Cazuza - Exagerado
Ultraje A Rigor - Nós Vamos Invadir A Sua Praia
Ira! - Mudança de Comportamento
Titãs - Televisão

Destaque

We All Together - We All Together 2 (1974)

  Continuamos com o rock peruano e todas as suas joias escondidas, agora em um estilo à la Beatles, algo que você já pode perceber pela capa...