"maré alta" é o novo single dos VEENHO. Depois de "meio ausente" e "insolência", chega-nos agora mais um avanço de "Lofizera", o aguardado LP de estreia da banda indie, a sair na primeira metade do ano com selo Xita Records.
"maré alta" é uma canção noise pop de baixa fidelidade, mostrando-nos uma faceta menos acelerada dos VEENHO, que aproveitam para revelar versatilidade sem perder a sua identidade assente na dualidade caos/harmonia, barulho/melodia.
VEENHO é uma banda lo-fi formada por Martim Brito, António Eça e Xixo. Em 2017 lançaram 2 EPs: VEENHO S/T (produzido pela Filipe Sambado) e VEEENHO (produzido por Gonçalo Formiga, que acabou por se juntar ao conjunto). Na primeira metade de 2023 vão editar "Lofizera", disco que resulta da exploração sonora, lírica e estética do quarteto.
Com pouco mais de dois minutos, "maré alta" é uma ode aos 90s e ao indie rock de guitarras, que se destaca pela secção rítmica sólida e melódica, pelo riff cativante, pela letra introspetiva e poderosa e pelo espaço intencional que as palavras ocupam e que deixam livre. Este novo singleconta com o contributo dos companheiros de editora Primeira Dama (nas vozes) e Qalgon (responsável pela capa). Foi produzida pelos próprios VEENHO e masterizada por João Casaes (Transfusão Noise Records),que, entre outras coisas, tocou baixo com Built To Spill e foi responsável pelo master de "Paraleloplasmos" e "Todas as Brisas" de Lê Almeida, algumas das maiores referências da banda.
O rapper e produtor Cálculo lança no ínicio de fevereiro “Flutwo”, antecipando uma série de lançamentos por parte do artista ao longo do ano.
Se 2023 marca uma viagem, “Flutwo” é o mote que encabeça um começo auspicioso. Uma ode à paz de espírito, esta faixa dá lugar a um Cálculo que se sente mais seguro e focado quer na sua arte, quer na própria vida. Com produção de B Quest, coprodução de Cálculo e masterização de Janga, este single mostra-se groovy e convidativo, levando os ouvintes até ao safe space do artista, onde busca criatividade e inspiração. A nova música vem ainda acompanhada por um videoclipe realizado por T. Zimmermann e por Cálculo, gravado nos Humble Bee Studios.
Este é o primeiro dos lançamentos resultantes e influenciados por jam sessions no estúdio com vários artistas que foram acontecendo ao longo dos últimos dois anos.
Vocalista do Riot V (que é o velho Riot formado em 1975 mas com o V no nome, adicionado após a morte do guitarrista e líder Mark Reale, em 2012), Todd Michael Hall lançou o seu primeiro álbum solo em 2021. Intitulado Sonic Healing, o disco traz o cantor fazendo uma parceria criativa com Kurt Vanderhoof, guitarrista do Metal Church, e é dedicado à memória do irmão de Todd, Jon.
A princípio, esse álbum parece interessar apenas aos fãs do Riot e da voz de Hall. No entanto, ao dar play nas dez canções do trabalho – que na edição brasileira lançada pela Hellion Records vem com mais cinco faixas bônus -, a coisa muda de figura. É muito fácil ser conquistado pelas canções presentes em Sonic Healing, e permitir-se isso é recompensador.
Musicalmente, não espere nada na linha do Riot. O som é um hard heavy com ecos setentistas e oitentistas, e tem como principais características linhas vocais muito bem construídas por Todd, levando inadvertidamente a canções repletas de melodias cativantes. O álbum chega a ter elementos de um AOR mais clássico, lembrando os primórdios do gênero, quanto os teclados não haviam assumido o protagonismo e a guitarra ainda conduzia as canções. “Somebody’s Fool” é um grande exemplo dessa constatação. Vanderhoof também traz uma abordagem muito diferente da que ouvimos no Metal Church, e sua guitarra bebe em nomes como Foghat, Ted Nugent, Foreigner, REO Speedwagon e Aerosmith na construção dos riffs.
Entre as faixas bônus presentes na edição brasileira, duas delas são um tanto dispensáveis, porém os covers para “Just What the Doctor Ordered” de Ted Nugent, e, principalmente, as versões matadoras para “Let It Go” do Def Leppard e “Fight the Good Fight” do Triumph, são verdadeiras pérolas e estão entre os destaques do tracklist. Outros pontos altos podem ser ouvidos em “Overdrive”, “Let Loose Tonight”, “All on the Line” (que figuraria tranquilamente em um álbum do Foreigner nos anos 1970, por exemplo), “Like No Other”e “Somebody’s Fool”.
A edição da Hellion Records, além das já citadas músicas bônus que tornam a versão brasileira exclusiva em todo o mundo, vem com encarte de oito páginas com todas as letras.
Sonic Healing é um álbum muito agradável e surpreende pela qualidade gerada pela parceria entre Todd Michael Hall e Kurt Vanderhoof. Não deixe uma pérola como essa passar batido, aproveite o lançamento nacional e adquira a sua edição.
Irmão mais novo de Kleiton e Kledir, Vitor Ramil possui uma carreira bastante diferente da dos seus irmãos, que como dupla ficaram conhecidos em todo o Brasil através de músicas como “Deu Pra Ti” e “Vento Negro”. A família Ramil é natural de Pelotas, uma das principais cidades do estado e que fica localizada no extremo sul do Rio Grande do Sul, e esse fator é muito importante para entender a trajetória e a persona artística de Vitor Ramil, que além de músico é autor de diversos livros.
Ainda que tenha estreado a sua carreira musical com apenas vinte anos em 1980 com o álbum Estrela, Estrela, Vitor chamou a atenção do público com o seu terceiro disco, Tango, lançado em 1987. Um dos trabalhos mais cultuados da música popular gaúcha, Tango trouxe dois dos cavalos de batalha do repertório do mais jovem dos irmãos Ramil: “Loucos de Cara”, composta em parceria com Kleiton, e principalmente a impressionante “Joquim”, versão para “Joey”, música de Bob Dylan presente em Desire (1976), e que aqui ganhou uma releitura grandiosa contando a trajetória de um inventor nascido em Pelotas - que é chamada de Satolep pelo músico.
Tambong é o sexto álbum de Ramil e o sucessor de Ramilonga – A Estética do Frio (1997), que marcou um recomeço em sua carreira ao apresentar um novo Vitor, que se redescobriu muito mais identificado com a identidade latina e pela influência que essa região do Brasil recebe dos vizinhos Argentina e Uruguai, muito maior do que os ecos que vem do resto do país. Não à toa, o álbum foi gravado em Buenos Aires com produção do hermano Pedro Aznar e foi lançado em duas versões, com letras cantadas em português e espanhol.
Musicalmente, Vitor Ramil soa aos meus ouvidos como uma espécie de cruzamento entre Bob Dylan e Caetano Veloso (o timbre similar ao do baiano intensifica ainda mais essa sensação), porém explorando ritmos e musicalidades nativas do Rio Grande do Sul e de seus vizinhos do Prata. Assim, ouvimos desde milongas até pequenas reinvenções da música tradicional gaúcha, além de elementos, mesmo que sutis, de tango, cumbia e candombe.
Com quatorze faixas, Tambong traz as participações mais do que especiais de Lenine, Egberto Gismonti, Chico César e João Barone. Lenine divide os vocais com Vitor na ótima “Um Dia Você Vai Servir a Alguém”, uma das melhores músicas do álbum e com uma letra pra lá de contundente, que é uma versão de Vitor para “Gotta Serve Somebody”, canção lançada por Bob Dylan em Biograph (1979). Egberto Gismonti dá o toque desconcertante e o arranjo e instrumentação minimalistas de “Foi no Mês que Vem”, um dos pontos altos de toda a trajetória musical de Vitor Ramil. Chico César e João Barone participam de “A Ilusão da Casa”, dona de um lirismo belíssimo.
O álbum conta com diversas canções de destaque desde a abertura com a milonga “Não é Céu”, que conquista de imediato. “Espaço” é a mais Caetano do disco, enquanto “Só Você Manda em Você” é um blues descontruído com Pedro Aznar fazendo um ótimo trabalho na guitarra em mais uma releitura de Dylan, desta vez para “You’re a Big Girl Now”, canção presente no clássico Blood on the Tracks (1975). “Estrela, Estrela”, música de seu primeiro disco, ganha uma versão linda que torna a letra, escrita por um Vitor quase adolescente, ainda mais lúdica.
Tambong é um dos melhores álbuns da minha coleção de CDs. Um disco que revisito com frequência e que acalma o coração, desacelera os dias e conforta a alma. Um disco que, mesmo aclamado e premiado no sul do Brasil, é praticamente desconhecido no restante do país. Corrija isso e ouça, você vai descobrir um trabalho simplesmente incrível.
Se eu começar essa resenha dizendo que o Opeth parecia mostrar finalmente com clareza o tipo de som que eles gostariam de fazer, pode parecer que eu acho os dois primeiros discos um emaranhado de boas músicas, porém, apresentadas de forma confusa, mas não é isso, apenas senti uma evolução realmente mais nítida - que inclusive vai acabar me complicando na hora de dar a nota final para o disco. My Arms, Your Hearse é um álbum que está impregnado de ideias progressivas. A banda continua usando a sua fórmula vencedora, partes mais pesadas que levam a intervalos acústicos. Os vocais de Mikael parecem está cada vez melhores, pois se antes ele havia se concentrado apenas em gritos agudos guturais tingidos de black metal – o que eu já achava interessante -, aqui, os estilos mencionados, são misturados uniformemente com o seu agora característico gutural profundo, que adiciona uma sensação muito mais instigante e diversificada a todo o álbum. Sobre os seus vocais suaves, Mikael também mostra uma evolução no seu lado mais emocional como cantor.
My Arms, Your Hearse é um disco agressivo, implacável, emocional e musicalmente maduro que sinaliza bastante para o que a banda iria produzir futuramente em clássicos como Still Life e Blackwater Park. A energia encontrada aqui é poucas vezes vista em qualquer outro disco da banda, aquela energia marcada por uma essência sombria, fantasmagórica e assustadora. Talvez dizer que se trata de uma banda no limbo possa ser uma boa definição. Eles “deixaram” o death metal progressivo de seus dois primeiros álbuns para trás de forma provisória, mas ainda não entraram no território de hinos lisos e confiantes dos seus sucessores. E levem em consideração as aspas que usei agora a pouco para ficar mais fácil de entender o que eu quis escrever ao colocá-las.
My Arms, Your Hearse é o primeiro disco conceitual do Opeth. O álbum é sobre um homem que morre e se torna um fantasma. A trama gira em torno da mulher que ele amou antes de sua morte. Após a morte dele, ele cuida de sua amada com frustração e desconfiança, atormentado por uma preocupação constante, pois acredita que ela não lamentou verdadeiramente sua morte. Embora a presença do fantasma passe despercebida, ela sente uma grande tristeza e se recusa a aceitar sua morte.
O título de cada música do álbum é formado pela última palavra, ou palavras, da letra da música anterior, e a última palavra da última música do álbum, "Epilogue", é "Prologue", que é o nome da primeira música do álbum. O álbum contém três faixas instrumentais: "Prologue", "Madrigal" e "Epilogue". Para essas músicas, há textos no encarte que seguem essa regularidade. Pode-se também traçar paralelos entre o curso do álbum e o curso das estações, onde a última música termina no inverno e reconduz à primeira música com a chegada da primavera.
“Prologue”, como o nome sugere, é apenas uma introdução ao disco. Em exatos 59 segundos, por meio de algumas notas de piano e barulhos de chuva ela já nos leva onde de fato o disco vai começar musicalmente. “April Ethereal”, após um começo pacato de álbum, o disco já é direcionado para uma sonoridade tipicamente da banda, cheia de peso, uma bateria esmagadora, riff de guitarra matador e grunhidos que combinam perfeitamente com a faixa. Logo na primeira música do álbum, é possível perceber que as mudanças entre sonoridade pesada e acústica parece fluir melhor do que nunca. Por volta dos 3:35, quando a peça diminui o ritmo sem perder o peso, é um dos seus melhores momentos. Como sempre, o ouvinte estar usando bons fones ajuda muito na experiência, pois durante todo o álbum as guitarras se separam e ouvir cada uma de um lado faz parte da mágica ao ouvir o disco.
“When”, possui uma introdução bela e suave no violão, mas que só dura cerca de 25 segundos, pois então a peça explode em uma instrumental raivosa sob o vocal gutural de Mikael. É possível perceber ótimas camadas de violões se misturando com as guitarras distorcidas, com isso criando um efeito maravilhoso na música. Em termos de ritmo, talvez chamar de simples seja um exagero, mas não é nem de longe uma das realizações mais técnicas da banda, porém, de qualquer forma, basicamente tudo aqui soa perfeito. Talvez falte um pouco da dinâmica corriqueira nas músicas da banda, mas ainda assim, é uma peça requintada e preenche bem o disco. “Madrigal” é uma faixa acústica com pouco menos de um minuto e meio. Completamente instrumental, serve como uma preparação para a faixa seguinte.
“The Amen Corner“, possui uma atmosfera mais sombria do que todas as músicas apresentadas no disco até o momento. Entrega uma guitarra bastante rítmica e a bateria mais uma vez é excelente – na verdade, o trabalho de bateria nesse disco é um dos melhores entre todos os discos da banda. Os vocais, intercalados mais uma vez, estão ótimos e o solo de guitarra soa bastante adequado e se encaixa perfeitamente na música. Uma peça com o selo típico do Opeth, em que a brutalidade abraça a delicadeza e juntos constroem um número musical incrível.
“Demon Of The Fall”, que o Opeth é uma banda que tem uma incrível capacidade de soar pesada, isso todo mundo sabe, mas nem sempre você vai ouvir a banda entregando uma sonoridade tão maligna como essa. Possui um ambiente de tristeza e escuridão por toda a parte. Até mesmo os momentos os riffs acústicos da peça são de certa forma agressivos – ou fantasmagóricos como é o caso da parte que inicia por volta dos 3:55. Quando Mikael retorna com os vocais é possível perceber na voz dele a tristeza que história está entregando no momento. “Demon Of The Fall” é um death metal de primeira grandeza que termina com algumas notas limpas no violão.
“Credence”, considero uma boa pausa depois das seções pesadas que a precederam. Uma composição simples e suave, mas ao mesmo tempo excelente e de letras tristes e sombrias. Bateria e baixo fazem um trabalho eficaz, mas mínimo para que não tiremos o foco dos belíssimos violões e vocal, verdadeiras estrelas da faixa. No último minuto, ainda há espaço para uma guitarra lamentosa que acompanha o violão até a fim da peça. “Karma” já começa de maneira alucinante e extremamente pesada, tanto pela parte instrumental, quanto pelos vocais rosnados e assombrosos. Um death metal que não tem nem mesmo uma nota limpa antes de meter o pé na porta, ou melhor, nos dá um tapa no ouvido, mostrando a banda no seu melhor. Antes do primeiro minuto, a música muda o ritmo, mas sem perder a sua agressividade, permanecendo nesse ritmo por mais tempo, até que por volta dos 3 minutos, tudo fica mais tranquilo, através inicialmente do violão e voz e depois uma seção rítmica bem cadenciada, o solo que entra em seguida é simples e bem legal. Destaco ainda a parte que começa em 5:30 e vai até o final – ou quase, pois o último segundo é uma nota de violão -, bastante tensa e intensa. “Epilogue”, como o nome sugere, marca o final do disco – se tirarmos os relançamentos de 2000 e 2001 que contém duas faixas bônus. Uma faixa instrumental que embora seja repetitiva, possui uma guitarra de ótimo timbre, além de um solo belíssimo e cheio de emoção. O órgão Hammond ao fundo consegue valorizá-la ainda mais. Apesar de simples, também é encantadora e finaliza o disco muito bem.
No geral, o que temos aqui é uma exibição sublime de composições quase sempre refinadas até mesmo em seus momentos mais brutais, tudo sempre soa bastante claro. My Arms, Your Hearse tem uma atmosfera única e serve como um ótimo meio termo entre o que a banda apresenta nos dois primeiros discos e seu som característico em trabalhos posteriores. É fácil de perceber que a musicalidade deles progrediu consideravelmente. Por último, é sempre bom falar sobre uma das grandes características de My Arms, Your Hearse, ou seja, a de ser um disco onde todas as suas faixas se equilibram em um nível de qualidade bastante intransigente, um feito e tanto para qualquer álbum por conta própria.
Após a grande chegada de Dangerous, Wild Rose parte para mais uma obra, e como o time se manteve coeso, a próxima empreitada não poderia ser abaixo do esperado. Hit 'N' Run é uma sequencia ainda mais matadora, pois o ambiente do disco é mais Power AOR e menos baladas, então tudo sai mais poderoso ao checar toda a aventura sonora. O AOR flui como deveria e mestre Saylor está mais à vontade neste, dando seu show de emoções habitual. A produção está mais encorpada, não querendo emular tanto as gravações clássicas 80's, dando ainda mais identidade à banda.
A capa, arte novamente de Chris Siloma, traz o mesmo tema de coisas boas da vida: lindas mulheres, armas e carrões, e mais uma vez isso é transformado em ode às mulheres de nossas vidas e ao amor que sentimos intensamente.
Iniciando o petardo, a tecladeira de Dirty Haris começa o album e Through The Night estoura nos falantes com o conjunto da obra em plena sintonia, sem que instrumento algum se destaque. Saylor sabe muito bem onde encaixar suas nuances e nos arrepia com um refrão matador. Essa joia rendeu um videoclip que vale a pena apreciar.
I’ll Be There segue no mesmo andamento, mas em uma leveza, refrão e letras lindas, falando em de um homem sincero que promete estar sempre ao lado de sua amada.
O poder de quase um heavy metal está presente em Stay, com as guitarras de Andy Rock e Tiny Karpo fritando em palhetadas e a batida pesada de Dimos Thomaidis fazem a alma se descolar do corpo e venerar ainda mais nosso amado mágico estilo, pois as diversas vertentes do universo AOR nos brinda com a luz do ecletismo, e o apreciador se arrepia com as percussões universais de TOTO ao mesmo tempo que vibra com isso aqui. Fantástico.
Without Your Love é a balada do disco, com um belíssimo arranjo e aquela dor da saudade, de ter perdido aquela sua brota, em como é "viver sem seu sorriso, sem seu beijo..."
Pois é, nem só no sertanejo a dor de cotovelo é assunto hahahaha
A destruição volta em Another Day, outro petardo que vai colar no seu cérebro sem compaixão. Intensa e precisa, essa porrada AOR não deixa o atento ouvinte descansar.
A partir de Can’t Wait On Love a gente começa a perceber que realmente a banda ganhou uma identidade, pois as sequencias você pode ouvir aleatoriamente em uma coletânea do estilo e na hora fincar: "isso é Wild Rose!"
Give In To Me que no meio tem uma rifferama brutal, Together e Don’t Walk Away na pegada, cada uma com sua persona, All For Love e Want Your Love encerrando esse disco que foi a despedida de mestre Saylor desta formação.
David A Saylor faleceu no final de 2016 vitimado por um ataque cardíaco, e é muito, muito sentida sua perda. Seu legado é apreciado pelos fãs que nunca deixam de lembrar de seu carisma e presença. Antes de partir, ele deixou últimas obras AOR magnânimas como o projeto Santa Ana Winds e o segundo disco de Andy Rock. Sua passagem no W.R. foi tão marcante que Andy possivelmente "precisou" trazê-lo para mais uma rodada de emoções. Ambos os discos valem muito a pena conferir, além de seus obrigatórios discos solo, um melhor que o outro. Descanse em paz mestre Saylor, seu legado segue vivo!
Após este, Wild Rose seguiu em frente e temos mais um disco para ver, porém nada vai se comparar a esta dupla magia sonora Dangerous e Hit 'N' Run.
Ouçam até explosão de tímpanos!
Eu simplesmente amo Aerosmith! E apesar de não sentir que as pessoas a valorizam da maneira que deveriam, eu a considero um dos pilares mais importantes do Rock americano! E hoje comemoramos os exatos 50 anos do lançamento do disco homônimo de estreia! Vamos trocar uma ideia sobre ele!
Como eu disse, o Aerosmith foi fundamental para a formação do Rock dos anos 70 nos Estados Unidos! Com o lançamento do disco de estreia em 1973, a banda soube muito bem o caminho que desejava seguir, rumo ao rock clássico por excelência. Muito dos méritos desse disco ser tão redondinho e diferenciado para os demais concorrentes, com certeza é o talento quase inigualável de seu vocalista Steven Tyler e o arquiteto sonoro genial chamado Joe Perry!
E com uma influência considerável de Led Zeppelin, o Aerosmith chega com um disco de estreia muito bom, grandes riffs de guitarra e o mais importante, um sucesso astronômico que viria ser o maior de sua história “Dream On”, uma composição melódica, muito grandiosa, épica e muito altoral! Os solos de guitarra, as notas impressionantes alcançadas… Um clássico, senhoras e senhores! Mas não só de “Dream On” vive essa estreia.
A faixa de abertura “Make It” da o recado sobre o que se trata essa grande banda e também destaco muito “Mama Kin” que é nada mais nada menos um dos grandes clássicos do Rock, que inclusive ganhou uma bela versão do Guns N’ Roses! “Walkin’ the Dog” fecha muito bem o disco!
As únicas ressalvas que tenho quanto ao disco, sem dúvida é a capa que infelizmente é bem preguiçosa e também quanto a produção que é muito magra e um pouco sem pressão. Mas de resto, tudo é perfeito, as composições são excelentes e marcam o início de uma banda fenomenal! Com certeza merece mais atenção e reverência!
Miles… Como é satisfador falar de um dos maiores músicos da história do mundo! Revolucionário, inigualável e único. Já falamos muito sobre seus discos por aqui e hoje, vamos celebrar os 55 anos de um disco excelente, o “Nefertiti”, uma pérola do ano de 1968! Chegou a hora de falarmos sobre ele!
A década de 60 foi crucial para o desenvolvimento sonoro de Miles Davis, com diversos movimentos surgindo, muitas oportunidades de de imprimir seu talento e criar tendências como era de seu costume! Já falamos sobre muitos discos dele por aqui, principalmente deste período da carreira. E em 1968, ele lançou o quarto disco de seu segundo grande quinteto, o sensível “Nefertiti” que hoje completa-se 55 anos!
Apesar de não ser um dos 5 discos mais aclamados pelo grande público da carreira de Miles, ele frequentemente é lembrado por algumas peculiaridades e até mesmo pela qualidade em si que é maravilhosa, cativante e muito envolvente. Falando um pouco sobre as músicas, é interessante comentar que o disco acabou seguindo um caminho totalmente diferente do esperado com muitos improvisos e novas vertentes. E de destaque, não tem como não falar sobre a faixa de abertura, a própria “Nefertiti” que eu considero uma das mais hipnotizantes de toda sua carreira, uma faixa insistente, repetitiva e que eu adoro. Todas as outras importam e completam o disco perfeitamente.
De considerações finais, o disco “Nefertiti”é outro trabalho perfeito de Miles Davis. Para mim é um dos destaques da sua carreira e ainda leva a curiosidade de ser o último trabalho completamente acústico do gênio. Fica como recomendação e celebração nos 55 anos do seu lançamento!
É preciso um álbum ao vivo para promover o título essencial do rock psicodélico que é "In-A-Gadda-Da-Vida" assim como o LP Ball . Infelizmente este não será lembrado. Nada a ver com o entusiasmo de Absolutely Live , Get Yer Ya-Ya's Out ! Stone ou mesmo o primeiro volume de Ummagumma de Floyd.
Mas não falta interesse a este disco, gravado em concerto em Maio de 1969, permitindo à borboleta de ferro mostrar do que é capaz em palco. Libertos dos constrangimentos do estúdio, o grupo parece emitir um som mais denso e pesado mas sobretudo menos confuso, transformando a sala de espectáculos numa massa gótica sob ácido, mergulhando o público no medo e no terror. Isso se deve ao toque doentio do guitarrista Erik Brann e ao estilo quase religioso do órgão de Doug Ingle, onde sua voz ainda com alma parece menos intrusiva do que os LPs de estúdio. Basicamente, um bom equilíbrio parece ser encontrado entre a guitarra, o órgão e a voz.
Composto por 6 músicas, a primeira metade vem da abertura de Ball com "In The Time Of Our Lives" (que também abre Ball ) seguida de "Filled With Fear" e "Soul Experience". Provavelmente vem a faixa mais atraente e que é muito mais atraente do que no álbum Heavy : "You Can't Win". O lado A termina com a enérgica "Are You Happy".
É claro que este Live impresso em 1970 na Atco não pode escapar do título do rio, o inevitável "In-A-Gadda-Da-Vida" no lado B que é obviamente mais animado e que difere um pouco. Primeiro por sua duração: aqui 19 minutos em vez de 17. O solo de bateria de Ron Bushy é mais longo e convulsivo. Mas acima de tudo, Erik Brann tenta solos de blues com seu elétrico de seis cordas.
No entanto, este Live mostra um grupo que difere do resto da cena psych californiana como Grateful Dead, Jefferson Airplane e outros Quicksilver Messenger Service tomando a decisão no palco de intermináveis improvisações sob LSD.
Pouco depois, em desacordo com os membros restantes, Erik Braunn bate a porta do Iron Butterfly, substituindo rapidamente os guitarristas Larry Reinhardt e Mike Pinera (ex Blues Image). Em seguida, voltou em 1974 antes de morrer em julho de 2003.
Títulos: 1. In The Time Of Our Lives 2. Filled With Fear 3. Soul Experience 4. You Can’t Win 5. Are You Happy 6. In-A-Gadda-Da-Vida
Músicos: Doug Ingle: Órgão, Vocal Erik Brann: Guitarras, Vocais, Backing Vocals Lee Dorman: Baixo, Backing Vocals Ron Bushy: Bateria, Percussão
Descobrir um disco muitos anos depois de seu lançamento tem pelo menos a vantagem de permitir que você o aborde com a cabeça limpa. E ainda mais quando este álbum dividiu muito aqueles que o comentaram na época. Isso também nos permite medir o que resta do entusiasmo das primeiras semanas, porque chorar gênio é fácil, mas quantas vezes trazemos à tona a tão brilhante oferta quando ela é enterrada sob as sucessivas entregas de álbuns maravilhosos geralmente tão rapidamente aclamados do que esquecido?
"Eclipse" é o segundo álbum da era Pineda, vem na sequência de "Revelation" que teve uma recepção crítica bastante favorável ao retomar as velhas receitas do grupo, ou seja, um clássico AOR em linhas gerais, mas servido pelo maestria de um grupo que há muito se consolidou como o grande líder do gênero. "Revelation" vendeu além das expectativas (mais de um milhão de cópias apenas nos Estados Unidos), especialmente considerando o estado sombrio do mercado, mas Journey voltou três anos depois com novas ambições: em continuidade, o grupo - provavelmente treinado por Neal Schon – escolheu o caminho de uma pequena revolução.
Pelo menos é o que foi apresentado, e o que podemos constatar em várias faixas em que Journey não soava tão pesado há muito tempo, e nas quais a banda é mais tentada pela experimentação, colando-se mais em seu tempo do que " Revelation " , pelo menos na direção do rock clássico e seus derivados. Digamos sem rodeios, em "Eclipse" , Journey muitas vezes soa mais "metal", e se reconecta com estruturas que são um pouco mais complexas, mais progressivas. Este é particularmente o caso de títulos como "Edge Of The Moment" ou "Chain Of Love", que permanecem muito melódicos, mas soam muito mais frios do que o normal. É essa falta de calor que eu mais culparia em “Eclipse”, falta o desempenho bastante mecânico de Pineda (que, admito, me deixa perplexo), tecnicamente impecável, mas parece muito diligente em imitar Steve Perry para trazer essa alma extra que seu modelo ofereceu a Journey. Sem que nenhum dos dois desapareça, as harmonias vocais se desvanecem com bastante frequência sob a surra de um Neal Schon que decidiu se divertir. O grupo também não mudou totalmente o seu cuti, e encontramos uma orientação mais clássica, mais AOR, em todos os mesmos títulos, incluindo o muito bom "City Of Hope" e "Resonate", ou mesmo o mais geral " Tudo é Possível", bem como as baladas, bastante numerosas, e sobre as quais nos deteremos menos.
Será que o público que Journey conquistou potencial e pontualmente ao incrementar algumas de suas canções será tão fiel quanto aquele que o admira e acompanha há 40 anos? Esta é uma pergunta que o grupo deve se fazer. Este público recém-adquirido parece, de qualquer forma, muito menos inclinado a sacar sua carteira, se acreditarmos nos números bastante catastróficos de vendas deste último álbum até o momento. Ali não se enganou Jonathan Cain, ele que confessou em 2013 a vontade de reorientar a Journey rumo ao que fez o seu sucesso, questionando mesmo o interesse de regressar ao estúdio. Por enquanto, o grupo não parece ter pressa. E eu diria que nem eu, porque se esse disco está longe de me enojar,
Tracklist: 1. City Of Hope 2. Edge Of The Moment 3. Chain Of Love 4. Tantra 5. Anything Is Possible 6. Resonate 7. She’s A Mystery 8. Human Feel 9. Ritual 10. To Whom It May Concern 11. Someone 12. Venus 13. Don’t Stop Believin’ (live – bonus japonais)
Músicos: Arnel Pineda: vocal Neal Schon: guitarra, backing vocals Jonathan Cain: teclados, guitarra base, backing vocals Ross Valory: baixo, backing vocals Deen Castronovo: bateria, percussão, backing vocals
Produtores: Kevin Shirley, Neal Schon, Jonathan Cain