quinta-feira, 2 de março de 2023

Review: Cactus – Tightrope (2021)

 


Apesar de ser uma das pioneiras do hard rock, com álbuns fundamentais no currículo como a dobradinha Cactus (1970) e One Way ... or Another (1971) – para se ter ideia do impacto da banda, a Rolling Stone definiu os caras como “o Led Zeppelin norte-americano” -, o Cactus construiu uma carreira bissexta, com pouco álbuns lançados em mais de cinquenta anos na estrada. Muito disso se deve a Carmine Appice, baterista do grupo e um dos mais lendários nomes do instrumento, que fez parte de diversas formações lendárias como Beck Bogert & Appice, Blue Murder e dezenas de bandas, além de tocar com Rod Stewart por vários anos. O Cactus ficou sempre em segundo plano.

Desde meados da década de 2000, no entanto, Carmine retomou o grupo e desde então lançou três novos discos – Cactus V (2006), Black Dawn (2016) e Tightrope (2021). O mais recente trabalho do grupo foi lançado no Brasil em uma versão digipack, incluindo um pôster, pela Hellion Records.

Ao lado de Carmine Appice estão Jimmy Kunes (vocal, ex-Savoy Brown), Paul Warren (guitarra e piano, fez parte das bandas de Rod Stewart e Richard Marx e músico de estúdio da gravadora Motown por um longo período), Randy Pratt (harmônica) e Jimmy Caputo (baixo). Um time experiente, e que demonstra isso em Tightrope.

Produzido pela dupla Warren e Appice, o álbum surpreende pela alta qualidade apresentada. Suas dozes faixas são ótimas e trilham o caminho do classic rock e do blues rock, sempre com a bateria de Carmine e a voz de Kunes em destaque (aliás, que vocalista incrível!). A abertura com a ótima música que batiza o disco, a sensacional versão para a clássica “Papa Was a Rolling Stone” (primeira gravação de Warren como session man da Motown, na banda de apoio dos Temptations), o blues “Poison in Paradise”, “Shake That Thing” e outras grandes composições montam um tracklist pra lá de agradável e que faz de Tightrope um CD pra lá de recomendável.

Se você gosta de rock, tá aí um álbum que ficará muito bem na sua coleção.


“BLUES, BALLADS AND BEATS” MARCA O REGRESSO DE DUDA SPÍNOLA


 Duda Spínola é um cantor e guitarrista, com influências de blues e rock, e em carreira solo desde o ano de 2012. Os seus últimos lançamentos, em torno dos quais a sua carreira tem gravitado, foram o álbum “One Last Spark of Light” (2020), o EP “Event Horizon” (2022) e o novo álbum “Blues, Ballads and Beats” (2023), que acaba de ser lançado e está disponível em todas as plataformas de streaming.

Trata-se do trabalho mais experimental, no qual o artista mistura as suas já consolidadas influências de blues rock com beats eletrónicos e synths. O álbum tem 7 temas, um inédito intitulado “There it comes” que abre este novo trabalho, e outras releituras de temas já lançados anteriormente, mas que agora ganham nova sonoridade.

Este trabalho já conta também com um novo clipe, da canção “There It Comes”, disponível no YouTube…

quarta-feira, 1 de março de 2023

Ruben Claro

 

Entrevista

Ruben Claro

Um jovem grupo com influências de grunge/stoner, além de raízes no rock clássico dos anos 70 e da safra 90, esse é o BAD BONE BEAST. 

O grupo vem chamando a atenção da cena europeia com seu som cheio de energia e frescor. “Extravaganza” (2021), debut do trio, foi uma grande estreia de uma promissora banda.



Entre o EP "Water Into Wine" (2019) e o debut “Extravaganza” (2021) vocês conseguiram chamar a atenção da mídia, houve a saída do batera Felix Krüppel e pouco depois veio a pandemia. Como foi para vocês vivenciar esse curto, mas intenso, período? Boas Mário, sim, foi um período intenso com a saída do Felix. Mudanças destas nunca são fáceis, ainda por cima porque encontrar um baterista demorou muito. Felizmente foi uma separação que correu amigavelmente. Tivemos sorte porque o Klaas (novo baterista) estava à procura de um novo desafio. Algumas músicas já estavam 99% finalizadas e até já tínhamos tido oportunidade de as tocar ao vivo. Mas a maior parte do “Extravaganza” (2021) foi escrito em conjunto com o baterista novo. Em 2019 fomos tocar aos Países Baixos e na Franca com a atual formação e com bastante êxito. A partir daí, entramos em estúdio e gravámos o álbum no nosso estúdio/sala de ensaio. A pandemia obrigou tudo a parar: casas de shows fechadas, bandas em casa, lançamentos suspensos, mas parece que vocês fizeram um bom uso desse tempo ocioso. O disco foi todo composto durante essa pausa forçada? O disco foi escrito já durante a produção do “Water Into Wine” (2019). Precisávamos de mais músicas para tocar concertos de mais duração e assim as músicas que mais tarde apareceram no álbum, já foram escritas em 2019. A entrada do Klaas ofereceu-nos novas perspectivas e deu-nos novas forças. O Klaas é um baterista com excelentes dotes de composição. Mas claro, músico que não toca ao vivo tem que encontrar outra ocupação e no nosso caso foi escrever e gravar o (resto do) álbum. Falando em composição, como é o processo de vocês? Sendo um trio, preferem ir construindo as músicas juntos ou cada um vai pensando em algo e depois juntam tudo? A maior parte das vezes o nosso guitarrista Alex leva uma ideia gravada no seu celular e a gente trabalho nisso em conjunto. Também há vezes que as ideias já estão mais avançadas e outras em que eu tenho uma ideia no baixo ou até na guitarra. Acho mais fácil quando chego a sala de ensaios com a ideia já mais avançada, dependente da música a composição a três pode ser uma mais valia. No caso da (faixa) “Truth Or Dare”, foi a ideia do riff que eu tive a fazer teste de som nos ensaios e a música foi escrita quase toda num espaço de tempo de uma hora. Isso são momentos raros em que há uma certa magia que não se consegue explicar e que tudo encaixa bem e todos se entendem sem olhar um para o outro. Prefiro esses momentos. Quais foram as maiores diferenças entre gravar um EP e um disco cheio? A gravação de “Extravaganza” (2021) ficou muito boa, li no encarte que vocês praticamente assumiram a gravação e produção do disco. No nosso caso, o EP foi composto por músicas que o Alex e eu já tínhamos a vários tempos para lançar. Os main riffs (riffs principais) já existiam e o groove. Eu até já tinha textos quase completos e temas de letras que passavam bem com as músicas. Assim só tivemos de ensaiar com o baterista e entrar para o estúdio. O álbum já foi bem diferente. 70% foram escritas depois de lançar o EP (“Truth Or Dare”, “Me, U And I”, “Fade” já existiam) e gravamos na nossa sala de ensaio. A decisão foi fácil porque devido a ausência de concertos não tínhamos dinheiro para arrendar nem estúdio, nem técnicos. Como mudámos a pouco tempo para aquela sala de ensaio (antes era a sala do Klaas) e sentíamos uma atmosfera de inspiração, decidimos gravar lá. Serviu de refúgio e de laboratório. O Alex tem excelentes dotes de técnico de som e foi ele quem fez o pre-mix das gravações antes de serem finalizadas (main mix/mastering) pelo Chris Mock, técnico de som de vários grupos de nome. Para o próximo álbum, gostava de arrendar um estúdio e trabalhar com um produtor externo que possa trazer novas ideias.
Vocês escolheram uma data pouco comum para lançar um disco, bem na virada do ano - no caso, 31 de dezembro de 2021. Algum motivo especial nela? Queria ver o mundo completo celebrar a existência desse álbum ano após ano. E o lançamento do disco no Brasil, como tem sido a receptividade? Ele chegou a ser lançado em outros países da América Latina? Vi que houve boa receptividade na Europa. Parece-me que o Brasil até agora não esteve preparado para um grupo de rock vindo da Alemanha. Mas as respostas que chegaram até cá foram de muito entusiasmo. A família dos BAD BONE BEAST está a crescer cada vez mais e a alastrar-se pela Europa. A França já está intifada e partes da Alemanha também. Agora vamos procurando outros caminhos para levar a nossa música pela Europa fora. Foram lançados três vídeos para divulgar o disco. Vocês preferem se envolver diretamente na produção deles ou nessa parte preferem deixar com os diretores mesmo? Nestes três vídeos nós tivemos as ideias iniciais. Os diretores de vídeo gostam que a banda dê a primeira ideia e daí os diretores vão desenhando o resto da imagem. Um ponto que logo me cativou foram os vocais: marcantes, mas ainda assim com uma certa delicadeza, me lembrou em algumas passagens Chris Cornell (SOUNDGARDEN). Já houve algum tipo de comparação nesse sentido? Sim, a comparação ao Chris Cornell já foi feita algumas vezes e sempre me alegre. Mesmo assim, devido ao fantástico cantor que ele era, eu não gosto que me ponham ao mesmo nível dele. Ele é meu ídolo e estará sempre acima de mim. Na resenha que fiz do disco, senti que além da pegada forte de rock/hard rock, traços de grunge/stoner e de gente como BLACK CROWES, LYNYRD SKYNYRD, GRAND FUNK RAILROAD, ZZ TOP, e afins. O que vocês sempre estão ouvindo e o que podem indicar para nós? Nós partilhamos o mesmo gosto em música. Grunge/blues-rock/metal… Gosto de meter um CD dos ALICE IN CHAINS ou dos BLACK SABBATH ou até dos STONE TEMPLE PILOTS. Qual música eu quero ouvir depende da hora do dia, de como me sinto ou como me quero sentir. A música tem essa energia que depois passa para todos nós. Na época do natal, acordava e ouvia logo músicas de natal. Os clássicos. E muito Jazz. Para mim, o jazz faz parte do natal. Esses estilos de música e essa caraterística de aceitar música pela energia que ela traz ouve-se tudo também na nossa música. O que fazemos é o espelho daquilo que ouvimos. E a escolha em regravar "Old Man", música do NEIL YOUNG de 1972, como surgiu? Achei que ficou excelente a versão. Muito obrigado. Sim, eu também acho que a nossa versão ficou bem e que demos um tom mais moderno à versão original. A ideia de meter um cover foi do Alex. Eu até nem fui grande fã da ideia, mas, um dia, quando estava em casa do Alex, peguei na guitarra acústica dele e comecei a tocar o “Old Man”. Era uma das primeiras músicas que aprendi na guitarra, já que não toco á muito tempo. Ele estava noutro quarto e ouviu-me tocar. Veio logo a correr a perguntar o que estava a tocar e desde desse momento a questão de meter um cover no álbum estava resolvido. Em meados de 2021, entrevistei o Marcel 'Celli' Mönning, do grupo de rock/metal CROSSPLANE, e ele me disse que a cena alemã está bem variada e aberta ao rock e metal nas suas muitas vertentes. E ao estilo de som seus, como tem sido a aceitação? Temos tido experiências bastante positivas. Melhor do que pensávamos, já que o nosso estilo de rock tem lados virados um pouco para o soul, para o blues e para o grunge. Eu também não sou cantor típico do rock alemão, já que tenho sido inspirado muito mais pelo estilo americano e por estilos á parte do rock como o soul, o bossa nova, o R’n’B ou o grunge. Ok Ruben, muito obrigado por atender ao 80 Minutos, deixe uma mensagem para os nossos leitores e, quem sabe, um dia não veremos vocês por aqui no Brasil. Obrigado pelo vosso apoio. Ouçam o nosso novo disco e se tiverem perguntas entrem em contato conosco através do nosso site badbonebeast.com. Um grande abraço aos seguidores do 80 Minutos e da Whiplash. "Extravaganza" (2021) foi lançado no Brasil via Shinigami Records em parceria com Valhall Music/Drakkar Entertainment. Confira o vídeo para “Me, U And I”:

55 anos de “Axis: Bold as Love”: Mais uma obra de arte da The Jimi Hendrix Experience

Revolucionando a guitarra como um todo e a postura de um guitarrista num palco para sempre. Jimi Hendrix foi especialista no que se propôs a fazer e em pouquíssimos anos, deixou discos que são usados como referências até hoje no Rock N’ Roll. Hoje meu disco favorito dele, está completando 55 anos, o maravilhoso e psicodélico “Axis: Bold As Love”!

Jimi havia lançado apenas um disco de estúdio até então, o monumental ”Are You Experience” de 1967, o disco que mudou os rumos do Rock para sempre, já falamos bastante dele por aqui e tudo o que o cerca! E ainda em 1967 mais pro final do ano, mais precisamente há 55 anos anos atrás, a banda lança mais um disco, só que ainda mais alinhado com a sonoridade vigente na época, o “Axis: Bold As Love”, que vamos homenagear aqui hoje!

É correto falar que o disco anterior é mais voltado para o Blues Rock clássico dos anos 60, e já neste homenageado de hoje, Jimi, Noel e Mitch alianhar um pouco mais a sonoridade da banda com aquele Rock Psicodélico que estava muito em alta em 1967, também seria um disco menor e mais fechado, com faixas interligadas e um som um pouco mais ousado. A capa também é digna de nota, extremamente psicodélica e colorida, vale o destaque!

Sobre as músicas, eu gostaria de destacar algumas, como “Spanish Castle Magic”, com um riff de guitarra que tem a cara do Jimi, muito incônico e grandioso, gosto bastante da produção também. “Wait Until Tomorrow” conta com um grande trabalho de bateria de Mitch Mitchell e como um todo é uma grande composição. Agora preciso falar sobre “Little Wing”, uma composição que é quase perfeita, só não é pelo fato de ser extremamente curta, mas de restante, conta com um dos melhores solos de guitarra de todos os tempos, maravilhosa, grandiosa e linda, obra de arte. “If 6 Was 9”, uma pedrada sem precedentes, sem mais! Mais para o lado B, “Castles Made of Sand”, uma balada muito melódica que eu acredito ter influenciado muita banda posteriormente.

De considerações finais, “Axis: Bold as Love” é um disco que infelizmente eu sinto que é o menos badalado da carreira de Jimi Hendrix, e acredito que a galera poderia dar uma atenção maior para ele, que é um verdadeiro clássico, fantástico do início ao fim e possue composições únicas! Merece demais essa homenagem e recomendação nos 55 anos do seu lançamento!

 


25 anos de “Sobrevivendo no Inferno”: A obra prima dos Racionais MC’s.

 O maior grupo de Rap do Brasil, Racionais MC’s é um patrimônio nacional e tem como líder Mano Brown que é extremamente respeitável como músico e pensador, dignamente! Eles possuem uma discografia perfeita e agora comemoramos os 25 do disco que para mim é o melhor, o “Sobrevivendo no Inferno! Vamos trocar uma ideia sobre ele!


A importância dos Racionais para o rap brasileiro é imensurável! Eles atingiram o nível internacional de composição logo em seus primeiros trabalhos! Fundado em 1988, o grupo lançou poucos, porém perfeitos trabalhos! Até então em 1996, eles haviam registrado apenas 1 disco de de estúdio, o Raio X Brasil de 1993. E em 1997, mais precisamente há 25 anos, o grupo lançou o trabalho que provavelmente é o mais aclamado de sua discografia, o “Sobrevivendo no Inferno”!

Neste disco, temos um grupo desfrutando de um auge criativo e construindo um disco conceitual, onde ele aborda temas que remetem ao título, a dificuldade de ser negro e morar numa periferia no Brasil, desigualdade social e também abordam questionamentos e reflexões sobre a vida do crime. A religião e fé são pano de frente no disco, como podemos ver nas músicas e na icônica capa do disco que apresenta uma cruz e o versículo de Salmos 23:3!

Falando um pouco sobre os destaques do disco, eu gosto muito da abertura “Jorge da Capadócia”, grande cover de Jorge Ben Jor que chama muito atenção logo na abertura. “Capítulo 4, Versículo 3”, que é a prova como rap pode ser radiofônico, com uma letra forte e de respeito. Minha favorita do disco, sem dúvida é “To Ouvindo Alguém Me Chamar”, composição de mais de 11 minutos, uma música verdadeiramente GENIAL de Mano Brown, ela te hipnotiza facilmente e te faz experienciar um filme! O maior destaque do disco vai para “Diário de um detento” que muito provavelmente é o maior sucesso do disco! Que obra!

De considerações finais, “Sobrevivendo no Inferno”, foi uma enorme ponte para colocar o rap brasileiro na vitrine da indústria nacional e ainda voltou os olhos do mundo para causas sociais importantes. Além de ser uma verdadeira obra prima por si só, com músicas geniais, feitas com muita alma e qualidade! Com certeza é um privilégio poder recomendar e curtir este clássico nos 25 anos de seu lançamento!




Resenha Electric Cafe Álbum de Kraftwerk 1986

 

Resenha

Electric Cafe

Álbum de Kraftwerk

1986

CD/LP

Eu conheço este álbum do quarteto de Düsseldorf desde seu lançamento e sempre gostei dele, mas comparado com as obras posteriores, ele me traz uma inquietação compartilhada por muitos ouvintes da banda. Tecnicamente é estupendo: em sua produção foi usada a tecnologia mais avançada disponível, os temas das canções são interessantes, e a arte da capa e o videoclipe em CGI são icônicos. Então, por que muitos, incluindo os próprios criadores, sentem que algo deu errado?

Eu tinha minhas próprias teorias sobre o assunto; a confirmação definitiva veio na autobiografia de Karl Bartos, "The Sound of the Machine", lançada em julho de 2022. Karl foi para o Kraftwerk um equivalente de George Harrison para os Beatles: um gênio musical que durante anos fora mantido injustamente em segundo plano pelos dois membros fundadores, Ralf Hütter e Florian Schneider. Karl saiu porque a produção da banda havia estagnado e, na opinião dele, isso ocorreu por eles terem perdido sua coesão de propósito artístico. O álbum "Techno Pop / Electric Café" é o documento audível dessa crise.

Tudo começou no final de 1981, quando o Kraftwerk era uma das bandas mais consagradas do planeta após o lançamento de sua indisputada obra-prima "Computer World". A atmosfera no Estúdio Kling Klang era propícia para eles soltarem mais um álbum campeão. Entretanto, as mudanças drásticas que aconteciam então na tecnologia musical - samplers, sintetizadores digitais e a coordenação dos instrumentos via MIDI - significavam que eles teriam que se superar para seguirem sendo reconhecidos como inovadores frente a uma multidão de outros artistas munidos com as mesmas tecnologias. Isso gerou uma distração terrível para a banda, porque causou uma sucessão infinita de reformas no instrumental e sessões de remixes intermináveis. A composição de novas canções ficou para escanteio. 

Em vez de tocar material novo ao vivo e sentir no palco a sua aceitação ou não pelos ouvintes, o grupo passou a mandar mixtapes para a pista de dança. Isso gerou um contexto competitivo que não ajudava em nada na moral dos músicos. Eles acabaram dominados pelo terror de ficarem obsoletos musicalmente. O principal membro, Hütter, recorreu a longuíssimos passeios de bicicleta como forma de escapismo. O segundo mais importante, Schneider, mergulhou numa pesquisa científica de vozes sintetizadas e largou todo o resto. O quarto membro, Wolfgang Flür, passou seus últimos anos na banda montando consoles e outros móveis para o estúdio em vez de tocar qualquer instrumento.

Inicialmente, tudo parecia bem: o single "Tour de France", que seria o precursor do LP, era inovador com seus samples e timbres orquestrais, e também foi um sucesso nas pistas. A ideia original era estender o tema do ciclismo à capa do álbum. Mas as outras composições não se relacionavam com esse tema. Duas delas, "The Telephone Call" e "Sex Object", traziam grande contribuição de Bartos, o número três do grupo. A suíte "Boing Boom Tschak - Techno Pop - Musique Non Stop" era também uma obra autônoma. Efetivamente, o álbum começara a ser produzido com o nome de "Techno Pop" - restaurado em anos recentes - e foi renomeado para "Electric Café" em referência a uma música descartável que foi incluída na última hora. E, pecado dos pecados, não incluiu "Tour de France".

O álbum acabou sendo inteiramente regravado pelo menos duas vezes e remixado incessantemente de 1983 a 1986. Três anos e uma fortuna foram gastos mexendo e remexendo num núcleo de apenas quatro músicas, sem os criadores jamais ficarem satisfeitos ou seguros com o resultado. Para Karl, aquele novo som era muito ligado ao seu próprio momento, diferentemente de algumas composições anteriores do Kraftwerk, como "The Man-Machine" e "Computer World", que nunca envelheceram porque transcenderam suas épocas - e é essa a qualidade que define uma verdadeira obra de arte.

O álbum acabou sendo lançado por pura força do cansaço. A arte digital de Rebecca Allen, que era a crista da onda da vanguarda em 1983, já parecia datada quando finalmente veio a público em 1986. Os arranjos fortemente percussivos são impactantes e nítidos, de uma maneira nunca ouvida antes com o Kraftwerk, mas aquele calor das melodias simpáticas em teclados analógicos tinha dado espaço a uma sisuda orquestra digitalizada que destoava da brincadeira alegre que o grupo fazia sempre com os timbres na fase analógica. 

Em resumo, de tanto medo que teve o Kraftwerk de se tornar apenas mais uma banda pop eletrônica no meio de tantas outras na década de 1980, foi exatamente isso o que aconteceu. O disco seguinte, "The Mix", serviu como uma manifestação de conformismo do grupo com seu novo status, mais comercial e menos ambicioso. E, para o bem e para o mal, foi um sucesso de vendas. O grupo desacelerou totalmente dali em diante, ocupando-se muito mais de manter o seu acervo em dia do que em criar novidades, mas Flür e Bartos reencontraram suas personalidades musicais em carreiras solo e seguiram produzindo. Mas aí já é história para outras resenhas.

“Só Se For A Dois” (PolyGram, 1987), Cazuza

 


Após o elogiado primeiro e homônimo álbum solo (popularmente conhecido como Exagerado), de 1985, Cazuza(1958-1990) entrou nos estúdios da gravadora Som Livre no segundo semestre de 1986 para gravar o seu segundo álbum solo, sob a produção de Ezequiel Neves (1935-2010) e Jorge Guimarães. Tudo transcorreu bem, as gravações foram finalizadas até que um dia, a Som Livre anunciou que iria cancelar o seu elenco de artistas e dedicar-se apenas às trilhas sonoras das novelas da TV Globo, emissora à qual a companhia pertence. A única exceção, foi Xuxa, apresentadora que tinha um programa infantil de grande audiência na Globo, o Xou da Xuxa, lançava discos pela Som Livre que vendiam milhões de cópias. Era uma verdadeira “mina de ouro”. Todos os outros cantores e bandas foram dispensados pela Som Livre, inclusive Cazuza. Nem mesmo o fato do cantor ser filho do diretor e fundador da Som Livre, João Araújo (1935-2013), livrou Cazuza da lista de dispensados da gravadora.

Contudo, não faltaram propostas de outras gravadoras para contratar Cazuza. De todas as propostas, o ex-vocalista do Barão Vermelho aceitou a da PolyGram (hoje Universal Music) com a qual assinou contrato. Como o material do segundo álbum já estava todo gravado, tudo que a PolyGram teve que fazer foi apenas prensar e distribuir no mercado as cópias do álbum. Assim, sob o título de Só Se For A Dois, o segundo álbum solo de Cazuza chegou às lojas em março de 1987.

“Só Se For A Dois” é a primeira faixa do álbum, e a quem dá nome a ele. É uma canção com texto forte que fala sobre amor, diversidade, respeito e convivência entre as diferenças. Para Cazuza, a felicidade, o amor e a liberdade, têm que ser vivenciados ao lado de alguém que amamos: “As possibilidades de felicidade / São egoístas, meu amor / Viver a liberdade, amar de verdade / Só se for a dois”.

A saída de Cazuza do Barão Vermelho, em 1985, provocou um rompimento de amizade entre o ex-vocalista e os membros da banda. Porém, em 1986, Cazuza e Barão Vermelho reataram amizade quando se encontraram nos bastidores de um programa da TV Globo. Desse reencontro, Cazuza e Roberto Frejat reataram também a parceria musical que rendeu novas canções. Algumas dessas canções foram gravadas por Cazuza para o seu segundo álbum. “Ritual” é uma delas, uma canção que trata sobre aproveitar a vida, não perder tempo com coisas pequenas, viver a realidade e encarar os desafios.

Cazuza e Roberto Frejat: parceria reatada.

“O Nosso Amor A Gente Inventa (Uma Estória Romântica)” é a canção mais famosa do álbum. A letra, escrita por Cazuza, foi baseada num drama vivido por um amigo seu com o fim de um relacionamento amoroso. Os versos da canção tratam sobre desilusão, ressentimento e esquecimento. Todo o amargor de um final difícil e traumático de um relacionamento, Cazuza conseguiu traduzir em versos como os do início da canção: “O teu amor é uma mentira / Que a minha vaidade quer / E o meu, poesia de cego / Você não pode ver”. O destaque nesta canção fica no final da música, com o belo solo vocal de Solange, vocal de apoio de Cazuza.

Composta por Cazuza e Frejat, “Culpa De Estimação” é um rock que trata de maneira bem-humorada sobre a culpa, apresentada na música como se fosse uma pessoa. A culpa é tratada como alguém inseparável, que segue o personagem da canção onde quer que ele vá, dá palpite em tudo, e ao mesmo tempo consola e aconselha. A bissexualidade de Cazuza está sutilmente presente nos versos: “Não sei se o nome dela é Eva ou Adão / É religiosa por formação / A minha culpa de estimação”.

O lado A da versão LP de Só Se For A Dois termina com o blues rock “Solidão Que Nada”. Para escrever a letra da canção, Cazuza se inspirou nas aventuras amorosas do baixista de sua banda, Nilo Romero. Em todas as cidades em que Cazuza e banda passavam, Romero conquistava uma namorada, trocava número de telefones. Eram amores efêmero, urgentes, vivenciados em quartos de hotéis ou saguões de aeroportos. “Solidão Que Nada” foi regrava pelo Kid Abelha em 1994 para o álbum acústico Meio Desligado, numa versão que teve bastante execução em rádio, mais até do que a versão original de Cazuza.

Cazuza em sessão de fotos para o álbum Só Se For A Dois.


Abrindo o lado B, “Completamente Blue”, uma música que faz referência em seus versos à solidão nos grandes centros urbanos, em contraste à liberdade que os tempos modernos nos proporcionam. Embora se trate de um pop rock, “Completamente Blue” possui uma acentuação funk na sua linha de baixo e na levada da bateria.

O deslumbramento com a fama é um dos temas abordados em “Vai À Luta”, parceria de Cazuza e Rogério Meandra. A música ao mesmo tempo tece uma crítica àquele tipo de gente que se alimenta do fracasso dos outros. Os versos finais são uma célebre frase do jornalista Millôr Fernandes (1923-2012): “Os fãs de hoje, são os linchadores de amanhã”.

Em “Quarta-feira”, Cazuza faz um jogo de sedução nos versos, tendo como cenário, alguma praia ensolarada do Rio de Janeiro no meio da semana. A sedução pode envolver paixões perigosas: “Talvez você caia / Na minha rede um dia / Cheia de cacos de vidro”. Ou beijos ardentes com gosto de bala de hortelã: “E o galã não vê / Que é bombardeado com balas de hortelã”.

O amor intenso, vivenciado com total entrega, sem preocupações com o que virá depois, é cantando por Cazuza em “Heavy Love”, um rock veloz e pesado. Encerrando o álbum, “Balada do Esplanada”, um blues acústico baseado num poema de Oswald Andrade (1890-1954) que trata sobre um menestrel que foi morar com sua amada no Hotel Esplanada, onde ele tenta fazer uma balada para ela, mas não consegue.

O jornalista Millôr Fernandes, autor da frase "os fâs de hoje, são os
linchadores de amanhã", inserida por Cazuza na canção "Vai À Luta".

Para celebrar o lançamento do álbum Só Se For A Dois, Cazuza fez uma temporada de duas semanas no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro. Cazuza queria uma produção impecável, e o investimento para tanto foi alto. Por causa disso, Cazuza selou um pacto com o casal de empresários que gerenciava a sua carreira, Rosa e Mário Almeida, em que caso a temporada fosse um fracasso, o prejuízo seria dividido entre os três. A temporada foi um fracasso, e Cazuza tomou uma decisão quanto ao pacto: assumiu todo o prejuízo. Decidiu cobrir o prejuízo usando o dinheiro ganho no contrato com a PolyGram, não só cobriu a parte do pacto que lhe cabia como também a do casal de empresários, que estava prestes a vender o carro para pagar as outras duas partes do acordo. 

Um mês após o lançamento do álbum, Cazuza fez um teste e descobre era portador do vírus da AIDS, o HIV. Depois de passar por um processo de tratamento na Clínica São Vicente, Cazuza parte para Boston, nos Estados Unidos, onde dá prosseguimento ao seu tratamento no New England Medical Center, a base de AZT, uma novidade no tratamento dos portadores do vírus da AIDS.

De volta ao Rio de Janeiro, em dezembro de 1987, Cazuza deu início às gravações do seu terceiro álbum, Ideologia, trabalho que consagrou Cazuza. A pouca divulgação do álbum por parte da gravadora não impediu que Só Se For A Dois tivesse um desempenho comercial razoável, vendendo cerca de 250 mil cópias, muito por conta de “O Nosso Amor a Gente Inventa” ter tocado bastante no rádio.

A sua condição de soropositivo e o processo de recessão econômica que o Brasil atravessava, influenciariam Cazuza a partir de então, tornando-o um artista mais maduro, porém mais crítico e ácido nas letras. Naquele momento, estrelas do rock brasileiro atiravam pesado contra a classe política da época, como os Titãs com os hits “Lugar Nenhum” e “Desordem”, do álbum Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas (1987), e a Legião Urbana com o seu “Que País É Este”, do álbum Que País É Este – 1978/1987 (1987). Possivelmente, Cazuza se mostrou estimulado pelos colegas e decidiu também expressar a sua fúria e indignação no álbum Ideologia, dando o seu recado por meio da faixa-título, “Brasil” e “Boas Novas”, embora tivesse preservado o romantismo ao qual havia se dedicado em Só Se For A Dois.

Faixas

Lado A

  1. “Só Se For a Dois” (Rogério Meanda/Cazuza)
  2. “Ritual” (Frejat/Cazuza)
  3. “O Nosso Amor a Gente Inventa” (Uma Estória Romântica) (Rogério Meanda/Cazuza/Rebouças) 
  4. “Culpa de Estimação” (Frejat/Cazuza)           
  5. “Solidão que Nada” (George Israel/Cazuza/Nilo Romero)" 

Lado B

  1. “Completamente Blue” (Rogério Meanda/George Israel/Nilo Romero/Cazuza)"       
  2. “Vai à Luta” (Cazuza/Rogério Meanda)
  3. “Quarta-Feira” (Zé Luís/Cazuza)"      
  4. “Heavy Love” (Frejat/Cazuza)             
  5. “O Lobo Mau da Ucrânia” (Cazuza/Rogério Meanda/Nilo Romero/Rebouças/Moraes/Ezequiel)"         
  6. “Balada do Esplanada” (Cazuza/Adaptação: Oswald De Andrade)" 



“Só Se For a Dois”

“Ritual”

“O Nosso Amor a Gente Inventa”

“Culpa de Estimação”

“Solidão que Nada”

“Completamente Blue”

“Vai à Luta”

“Quarta-Feira”

“O Lobo Mau da Ucrânia”

“Balada do Esplanada”

“O Nosso Amor a Gente Inventa”
(videoclipe oficial para 
"Fantástico", TV Globo, 1987)

“Mama Africa” (EMI, 1983), Peter Tosh

 


Peter Tosh não teve o seu sexto álbum de estúdio, Wanted Dread & Alive, de 1981, a repercussão que o cantor imaginava. Foi o último trabalho de Tosh pelo Rolling Stones Records, selo daquela famosíssima banda comandada por um certo Mick Jagger. Mas a repercussão desejada por Tosh veio com o álbum seguinte, Mama Africa, considerado o álbum mais comercial da discografia do cantor jamaicano.

Lançado em abril de 1983, Mama Africa alia o discurso politizado e engajado de Tosh com uma sonoridade acessível e dançante. Mama Africa agrega referências de ska, pop, jazz e pop tornando o álbum musicalmente bastante agradável. Não à toa, foi álbum melhor sucedido de Tosh fora da Jamaica. Além de músicas até então inéditas, Mama Africa trouxe três regravações, duas delas da época em que Tosh era membro dos Wailers, “Stop The Train” e “Maga Dog”, e uma releitura em versão reggae para um clássico do rock”n’roll criado por Chuck Berry, “Johnny B. Goode”. Mama Africa conta com participações bastante relevantes para a qualidade do álbum como  a do trio vocal jamaicano The Tamlins, e de duas duplas de baixista e baterista renomadas, Carlton Davis e Lebert Morrison, e da antológica Sly Dunbar & Robbie Shakespeare.

Com o álbum Mama Africa, Peter Tosh teve a maior ascensão comercial na sua carreira. 

A faixa-título é quem abre o álbum, e é uma espécie de diálogo entre o negro e a sua terra-mãe, África, em que o filho distante procura por notícias da mãe, de como ela está, além de descrever todas as suas virtudes. Embora seja uma música de ritmo alegre e dançante, os versos refletem as dores, as mágoas e as cicatrizes do passado do povo negro que fora arrancado da terra natal africana para servir de mão de obra escrava nas colônias europeias no continente americano.

“Glass House” traz como lema aquele velho lema: “não faça com outro o que não quer que faça contigo”. Isso fica evidente nos versos: “Harm no man / Let no man harm you / Do unto others / As they would do to you” (“Não prejudique nenhum homem / Não deixe nenhum homem prejudicar você / Faça aos outros / Como eles fariam para você”).

Peter Tosh foi ao continente africano para fazer shows, e conheceu de perto as mazelas do povo africano, cuja realidade o inspirou para fazer “Not Gonna Give It Up”, em que o astro reggae canta pela liberdade do povo africano: “I said that I been up there / Aand I've seen poverty beyond compare / I know slave drivers just don't care / They just don't care” (“Eu disse que estive lá / E eu vi a pobreza sem comparação / Eu sei que os senhores de escravos simplesmente não se importam”).

Encerrando o lado A do álbum, “Stop The Train”, antigo sucesso dos Wailers que ganhou uma releitura de Tosh numa versão mais moderna, que funde reggae e R&B com inspirações no som da Motown.

O lado B de Mama Africa começa com a regravação de “Johnny B. Goode”, o maior sucesso da carreira de Chuck Berry. Se na versão original, Johnny é um jovem caipira analfabeto que se torna um fenômeno da guitarra, na versão de Peter Tosh, Johnny é um jovem jamaicano que também é analfabeto e exímio guitarrista, mas que sonha ser um astro do reggae. O grande destaque da faixa são os incríveis solos de guitarra de Donald Kinsey, que deu um tom roqueiro nesta versão reggae sensacional de “Johnny B. Goode”.

"Johnny B. Goode", um clássico do rock'n'roll de Chuck Berry (foto),
ganhou uma versão reggae com Peter Tosh, e virou também um clássico do
ritmo musical nascido na Jamaica.


“Where You Gonna Run” trata sobre a vida estressante e problemática do mundo moderno. A música possui uma sutil levada funk e os vocais de apoio femininos bem ao estilo da soul music americana. Merecem destaque a ótima performance do naipe de metais.

Em “Peacy Treaty”, Tosh relembra o acordo de paz firmado em 1978, na Jamaica, para tentar conter a onda de violência que assolava a, mas que dois anos depois se mostrou um verdadeiro fracasso. Com um refrão repetitivo, “Feel No Way” é um reggae de apelo radiofônico, e conta com os belos vocais de apoio do trio The Tamlins.

O álbum termina com mais uma regravação de uma canção antiga dos Wailers, “Maga Dog”, que começa com latidos de cachorro. “Maga Dog” possui uma linha de baixo pulsante e robusta, que se mostra presente por toda a música.

Peter Tosh numa turnê em 1983.

Mama Africa foi o único álbum da discografia de Peter Tosh a figurar no Top 50 do Reino Unido. O fato ser também o álbum da carreira de Tosh com melhor desempenho comercial fora da Jamaica, se deve muito pelo sucesso alcançado pela regravação de “Johnny B. Goode”. Tosh conseguiu a proeza de transformar uma música que já era um clássico do rock num clássico do reggae.

Após a turnê mundial de Mama Africa, Tosh entrou numa fase de autoexílio na África, afastando-se do cenário mundial da música por cerca de três anos. Nesse período, travou embates nas renegociações com gravadoras que distribuíam seus discos. Tosh participou de alguns eventos contra o regime apartheid ainda vigente na África do Sul.

Em 1987, Peter Tosh lança No Nuclear War, álbum com o qual o astro jamaicano do reggae retoma a carreira artística. Porém, em 11 de setembro do mesmo ano, três assaltantes invadiram a residência de Tosh, e mataram a tiros o cantor e mais dois amigos seus. Outras três vítimas presentes conseguiram sobreviver. Mesmo morto, Peter Tosh foi agraciado postumamente, na edição do Grammy de 1988, com o prêmio de “Melhor Álbum de Reggae” por No Nuclear War.

Todas as faixas foram compostas por Peter Tosh, exceto as indicadas.

Lado 1
  1. "Mama Africa"
  2. "Glass House"
  3. "Not Gonna Give It Up"
  4. "Stop That Train" 
Lado 2 
  1. "Johnny B. Goode" (Chuck Berry)
  2. "Where You Gonna Run" (Donald Kinsey)
  3. "Peace Treaty"
  4. "Feel No Way"
  5. "Maga Dog"

  


Ouça na íntegra o álbum Mama Africa
(incluindo versões estendidas de
"Johnny B. Good", 
"Where You Gonna Run" e de 
"Mama Africa" como faixas bônus)


"Johnny B. Goode" 
(videoclipe oficial)

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