Uma das bandas mais cultuadas do universo progressivo, o Gentle Giant tem algumas características peculiares com relação a seus lançamentos. O principal deles é que dentre seus 12 discos oficiais (nos 10 anos de existência da banda), seus oito primeiros discos são trabalhos de altíssimo padrão de qualidade e regularidade; os fãs quase sempre se dividem quando chega a hora de escolher o disco favorito.
Portanto, quem chega ao estágio do “acquired taste” tem um cardápio recheado de bons sons da banda nucleada pelos irmãos multi-instrumentistas Shulman. Obs: não será incluído nesta seção nenhum lançamento póstumo da banda.
Gentle Giant [1970]
No contexto em que o disco foi lançado é difícil afirmar de que se trataria de um grupo estreante, especialmente pela farta musicalidade e multiplicidade de ideias. No ano anterior, o King Crimson trouxe elementos do free jazz, climas soturnos e melodias dramáticas. O Yes amplificou as fronteiras da roupagem pop barroca e injetou inteligência nos arranjos. O Van der Graaf Generator lançou as sementes da escuridão no folk-psicodélico. O Genesis iniciou as pretensões sinfônicas. O Gentle Giant, em novembro de 1970, foi uma síntese de tudo isso e ainda um pouco além. É uma paleta ampla de climas e intensidades, algo do qual não se imagina ser oriundo de um processo de amadurecimento, como ocorreu entre os primeiros e os mais clássicos trabalhos dos outros medalhões do progressivo, mas algo que já nasceu pronto. Só apoiados na distância histórica é que podemos afirmar que a banda avançaria ainda mais na musicalidade e na ousadia das composições. Há nesse disco algumas canções e passagens apoiadas em riffs, o que aproxima levemente o som do gigante ao de várias bandas de rock que pipocavam na mesma época. Mas há coisas da mais pura beleza e refinamento, como a introdução de “Funny Ways“, um dos maiores clássicos da banda e um trabalho simplesmente estupendo no arranjo de cordas.
Acquiring the Taste [1971]
Um título mais que apropriado para uma banda de tanta personalidade e capaz de transitar por tantos territórios musicais. Aqui já existem adeptos (este que vos escreve incluído) que consideram atingido o ápice no som da banda. Outros que pensam parecido com essa fatia do público são o próprio Ray Shulman, um dos cabeças da banda, e o guitarrista Gary Green. A abertura com “Pantagruel’s Nativity” já é arrebatadora – a música consegue passar das mais cândidas melodias para uma densidade monstruosa, quase que como uma trilha sonora de um filme inteiro. É uma das músicas mais celébres do Gentle Giant, dentro de um estilo extremamente particular, de imprimir uma espécie de caráter cênico em suas canções, que as abre em múltiplas possibilidades de interpretação por quem ouve. Se no primeiro disco, o tecladista Kerry Minear se concentrava mais em executar suas passagens no órgão Hammond, aqui ele já assume o posto de um dos mais proeminentes multi-tecladistas do período, explorando mellotron, clavinete, piano elétrico e sintetizadores, além do distinto vibrafone. Acquiring the Taste tem um trabalho de produção muito ousado, pois é repleto de linhas sobrepostas de instrumentos, efeitos, vozes, ecos, etc. Um desbunde para os ouvidos, mas que tornou difícil a coisa para a banda, quando ia aos palcos executar estes temas. Independente disso, o barato estava garantido para a posteridade. Não há como qualificar uma música como “Edge of Twilight” em adjetivo menor que genial, uma verdade pintura musical. “Wreck” e “Plain Truth” tem fraseado marcante de baixo e guitarra e “Black Cat” é outra que abusa dos efeitos e de todos os recursos disponíveis de estúdio, além de uma intricada sessão de cordas, com violino, viola, violoncelo e baixo.
Three Friends [1972]
Aqui o posto de baterista, que havia sido inicialmente de Martin Smith nos dois primeiros discos passa por um breve período para Malcom Maltimore, que saiu da banda na tour desse disco por causa de um acidente de motocicleta. Three Friendstambém tem como novidade o fato de ser conceitual, uma espécie de ópera-rock sobre três amigos que tomam rumos distintos na vida. A trupe do gigante seguia cada vez mais firme e pisando duro em todas as amplas possibilidades que sua musicalidade e virtuosismo lhes permitia. O disco, de modo geral, tem um clima menos soturno que o anterior, com algumas canções bastante enérgicas, como a faixa de abertura “Prologue“, “Working All Day” e “Mister Class and Quality“. É uma tarefa ingrata destacar algum instrumento ou passagem em particular, porqueThree Friends soa soberbo e cativante, um álbum com uma forte visão de conjunto. Prova de que o Gentle Giant ainda avançava em seu entrosamento e na qualidade de suas composições, o que não época era difícil de ser vislumbrado. Preste atenção no solo arrepiante de Hammond de Kerry Minear em “Working All Day”, na guitarra visceral de Gary Green em “Peel the Paint” e no épico encerramento da faixa título.
Octopus [1972]
Em um intervalo de apenas seis meses, o Gentle Giant foi capaz de lançar ao mundo outra pérola fonográfica. Agora, a cadeira da bateria e da percussão tinha um nome definitivo – John Weathers. Sua entrada trouxe mais groove ao som da banda e se integrou perfeitamente na cozinha dos irmãos Shulman, que naquela altura, já não seriam mais três e sim apenas dois, com a saída de Phil Shulman na tour de promoção de Octopus. Sendo do mesmo ano, este disco faz uma boa dobradinha com Three Friends com relação ao clima geral e a sonoridade. Músicas como “A Cry for Everyone” tem tantas ideias juntas que o ouvinte pode se questionar se realmente tudo aquilo aconteceu em apenas 4 minutos. A média de tempo das canções do grupo é conhecida por raramente exceder os 7 minutos, mas aqui ela só passa dos 5 minutos uma única vez, na faixa “River”. A maioria oscila por volta de 4 minutos, o que reflete um trabalho ainda mais urgente e intenso que o anterior. “Knots” é uma das que melhor representa os audaciosos trabalhos vocais conjuntos do Gentle Giant, com cânones e contrapontos e algumas intervenções até mesmo cômicas dos instrumentos, o que passaria a ser cada vez mais frequente nos lançamentos seguintes. “The Boys and the Band” tem uma introdução tão tortuosa quanto as mais loucas composições de Frank Zappa e “River” é a mais climática e uma das melhores do disco.
In a Glass House [1973]
O Gentle Giant soa aqui ligeiramente mais suave, mas sem dar um passo atrás em sua complexa matriz sonora. In a Glass House traz uma quantia maior de momentos contemplativos e um acento melódico maior. A ênfase em construções musicais mais sutis e faixas com variações de intenção até um pouco mais bruscas é a principal característica desse disco. É um dos discos que demandam mais atenção da parte do ouvinte, por não preencher o tempo todo os espaços do som com coisas que realmente impressionem os ouvidos (dentro do padrão do tal “acquired taste” mencionado lá atrás), mas ainda acima da média do rock, até mesmo progressivo, que se fazia no período. A abertura do disco, com os efeitos sonoros dos vidros quebrados em sincronia com as notas de introdução, é icônica.
The Power and the Glory [1974]
O Gentle Giant parecia não ter limites em tecer composições fortes e tão bem argumentadas no aspecto musical, em espaços de tempo curtos entre um disco e outro. The Power and the Glory, também conceitual, captura a concepção musical de Three Friends com canções de muito groove e fraseado marcante, e ainda é capaz de presentear o ouvinte com a melodia lindíssima e tocante de “Aspirations“. “Cogs in Cogs” é rock progressivo em estado bruto, alternando luz e sombras com perfeição e “No God’s a Man” é simplesmente surpreendente, com múltiplas nuances. Nesta época, o Gentle Giant já era referência total no rock progressivo e não apresentava nenhum sinal de cansaço ou estagnação. Ainda que usando fórmulas parecidas em seus discos, como os jogos vocais, passagens cômicas, contrapontos, dissonâncias e quebras de andamento, havia tanta força nas composições que não existia motivo para se exigir outro direcionamento. Sua música era extremamente ampla e apreciável.
Rogério Dinis Cuco, mais conhecido por Mr.Kuka, nasceu em Maputo a 26 de fevereiro de 1988. O seu interesse pela música começou no início de 2000 por influência de amigos e familiares. Em 2005, juntou-se ao movimento hip-hop criando o grupo 717 em parceria com Big Paul e Chury, que tinha como produtor DJ Ardiles, parceiro de Kuka, até aos dias de hoje.
Em 2007, Mr Kuka faz as primeiras actuações com os 717. Dos várias show’s, o destaque para os espectáculos organizados pelo histórico programa da Rádio Cidade–Matolinhas–no Município da Matola. Aliás, foi no referido programa de rádio que Mr Kuka participu no Top Matolinhas, chengando a ocupar algumas posições de destaque no mesmo. Nessa época, Kuka sente a necessidade de encarar a música de forma mais séria.
A convite de DJ Ardiles, começa a fazer Pandza, género musical ainda em formação na altura:
“O DJ Ardiles descobriu o meu talento no rap e concluiu que podia capitalizá-lo no Pandza” diz o cantor.
Ainda em 2007, Mr.Kuka aparece já como artista de Pandza com o hit “Birinka Mal” e para confirmar a presença no cenário musical, em 2008, lança “Ao Teu Gosto” com a participação do DJ Ardiles.
A primeira grande aparição de Mr Kuka deu-se em 2010 no espectáculo “Só Moçambique, Só Nós”. Mal podia imaginar que estava perante uma porta de oportunidades, pelo que seguiram-se outros grandes concertos, como sejam: o primeiro Festival do Pandza, Festival UMOJA, entre outros.
(1 fevereiro 2020, Autoproducido/OctoberXart Records)
Hoje temos o enorme prazer de apresentar ' Sada ', a segunda obra fonográfica realizada pela associação do genial violonista e compositor espanhol ÁNGEL ONTALVA e dos não menos geniais músicos e compositores que compõem o coletivo russo VESPERO : Alexander Kuzovlev [guitarra] , Vitaly Borodin [violino e piano], Alexey Klabukov [teclados e sintetizadores], Arkady Fedotov [baixo, sintetizador e efeitos] e Ivan Fedotov [bateria]. "Sada" foi publicado no primeiro dia de fevereiro de 2020.
O álbum sai pela gravadora do grupo russo (embora você também possa ouvir algumas músicas no blog OctoberXart Records Bandcamp). Como esperado, Ontalva é o criador da arte gráfica deste álbum. As sessões de gravação foram conduzidas pelo tecladista Klabukov no VMS Studio em Astrakhan, em várias sessões de gravação entre julho e dezembro de 2019. O processo de mixagem posterior ficou a cargo do guitarrista Kuzovlev. É uma obra conceitual que gira em torno da figura passional e psicopata da japonesa Sada Abe, mundialmente famosa por sua relação erótico-tanática com o empresário Kichizō Ishida, seu amante após seu período de vida como gueixa. Ele acabou morto por asfixia erótica em seu último encontro e, além disso, Sada cortou o membro masculino de sua vítima como gesto de apropriação definitiva de seu amante. Isso soa como o enredo do controverso filme de Nagisa Oshima, Empire of the Senses? Por isso. Dentro da remodelação que Ontalva e seus comparsas russos dão a esta história, cabe um matiz sobrenatural à matéria, de forma a justificar a predominância de elementos etéreos nos retratos sonoros que se projetam ao longo do repertório de “Sada”. Ao contrário de “Carta Marina”, o álbum anterior de ONTALVA & VESPERO, este álbum tem espaços mais leves e tonalidades mais evanescentes para arranjar e trabalhar as ideias melódicas e atmosferas de cada peça específica. Mas ei, melhor vamos de uma vez por todas aos detalhes deles, ok? Isso soa como o enredo do controverso filme de Nagisa Oshima, Empire of the Senses? Por isso. Dentro da remodelação que Ontalva e seus comparsas russos dão a esta história, cabe um matiz sobrenatural à matéria, de forma a justificar a predominância de elementos etéreos nos retratos sonoros que se projetam ao longo do repertório de “Sada”. Ao contrário de “Carta Marina”, o álbum anterior de ONTALVA & VESPERO, este álbum tem espaços mais leves e tonalidades mais evanescentes para arranjar e trabalhar as ideias melódicas e atmosferas de cada peça específica. Mas ei, melhor vamos de uma vez por todas aos detalhes deles, ok? Isso soa como o enredo do controverso filme de Nagisa Oshima, Empire of the Senses? Por isso. Dentro da remodelação que Ontalva e seus comparsas russos dão a esta história, cabe um matiz sobrenatural à matéria, de forma a justificar a predominância de elementos etéreos nos retratos sonoros que se projetam ao longo do repertório de “Sada”. Ao contrário de “Carta Marina”, o álbum anterior de ONTALVA & VESPERO, este álbum tem espaços mais leves e tonalidades mais evanescentes para arranjar e trabalhar as ideias melódicas e atmosferas de cada peça específica. Mas ei, melhor vamos de uma vez por todas aos detalhes deles, ok? Dentro da remodelação que Ontalva e seus comparsas russos dão a esta história, cabe um matiz sobrenatural à matéria, de forma a justificar a predominância de elementos etéreos nos retratos sonoros que se projetam ao longo do repertório de “Sada”. Ao contrário de “Carta Marina”, o álbum anterior de ONTALVA & VESPERO, este álbum tem espaços mais leves e tonalidades mais evanescentes para arranjar e trabalhar as ideias melódicas e atmosferas de cada peça específica. Mas ei, melhor vamos de uma vez por todas aos detalhes deles, ok? Dentro da remodelação que Ontalva e seus comparsas russos dão a esta história, cabe um matiz sobrenatural à matéria, de forma a justificar a predominância de elementos etéreos nos retratos sonoros que se projetam ao longo do repertório de “Sada”. Ao contrário de “Carta Marina”, o álbum anterior de ONTALVA & VESPERO, este álbum tem espaços mais leves e tonalidades mais evanescentes para arranjar e trabalhar as ideias melódicas e atmosferas de cada peça específica. Mas ei, melhor vamos de uma vez por todas aos detalhes deles, ok? este álbum tem espaços mais leves e tonalidades mais evanescentes para organizar e trabalhar as ideias melódicas e atmosferas de cada peça específica. Mas ei, melhor vamos de uma vez por todas aos detalhes deles, ok? este álbum tem espaços mais leves e tonalidades mais evanescentes para organizar e trabalhar as ideias melódicas e atmosferas de cada peça específica. Mas ei, melhor vamos de uma vez por todas aos detalhes deles, ok?
O álbum abre 'Uwasa No Onna', uma música que começa com um groove delicado e flutuante em uma fórmula de compasso 7/8; embora a roupagem sonora seja obviamente desenhada sob as diretrizes do space-rock, o espírito musical é mais canalizado pelo caminho do jazz-fusion. Tudo flui naturalmente através de um esquema musical plácido até que um interlúdio cósmico emerge liderado por camadas evocativas de sintetizadores. Daí brota um segundo e último corpo mais ágil, deixando o gracioso para ser substituído pelo musculoso. No entanto, ainda prevalece um lirismo cristalino no desenvolvimento desta jam. Depois deste excelente arranque, 'Theme For Sada' continua a dar um toque um pouco mais majestoso à graça musical que marcou boa parte da peça inicial. Esse híbrido de prog psicodélico e jazz-rock funciona muito, muito bem. Desta vez, as interações entre as guitarras e o violino exibem um lirismo envolvente e acolhedor enquanto o duo rítmico se esforça por manter um suingue bastante sóbrio. Pouco antes de chegar à fronteira do terceiro minuto, as coisas se intensificam um pouco enquanto o equilíbrio lírico permanece inalterado. A terceira peça do álbum tem o peculiar título de 'Her Eyes Sparkled In A Strange Way' e, ao que nos parece, acaba por ser uma das peças de maior beleza neste repertório a par da segunda. No caso de 'Her Eyes Sparkled In A Strange Way', temos um exercício cativante de densidade onírica e magia nebulosa dentro de uma atmosfera que ainda é, à sua maneira, brilhante. O breve epílogo de guitarra dupla – quem me dera que fosse um pouco mais longo – realça, numa modalidade mais parcimoniosa, o que era uma aura predominante de devaneio inquieto e acinzentado. 'Day Of Truth' cumpre a função de retomar a aura da segunda peça para dar-lhe uma dramaticidade mais acentuada. A propósito, com a chegada de 'Day Of Truth' começamos a perceber que havia algo sutilmente aterrorizante no desenvolvimento temático de 'Her Eyes Sparkled In A Strange Way', e agora esse fator sinistro é coberto por uma incandescência desafiadora. , que se manifesta plenamente através das diversas variantes temáticas e ambiente que decorrem. Muitas coisas acontecem ao longo dos pouco menos de 6 minutos e meio que essa peça dura. o que era uma aura predominante de devaneio inquieto e acinzentado. 'Day Of Truth' cumpre a função de retomar a aura da segunda peça para dar-lhe uma dramaticidade mais acentuada. A propósito, com a chegada de 'Day Of Truth' começamos a perceber que havia algo sutilmente aterrorizante no desenvolvimento temático de 'Her Eyes Sparkled In A Strange Way', e agora esse fator sinistro é coberto por uma incandescência desafiadora. , que se manifesta plenamente através das diversas variantes temáticas e ambiente que decorrem. Muitas coisas acontecem ao longo dos pouco menos de 6 minutos e meio que essa peça dura. o que era uma aura predominante de devaneio inquieto e acinzentado. 'Day Of Truth' cumpre a função de retomar a aura da segunda peça para dar-lhe uma dramaticidade mais acentuada. A propósito, com a chegada de 'Day Of Truth' começamos a perceber que havia algo sutilmente aterrorizante no desenvolvimento temático de 'Her Eyes Sparkled In A Strange Way', e agora esse fator sinistro é coberto por uma incandescência desafiadora. , que se manifesta plenamente através das diversas variantes temáticas e ambiente que decorrem. Muitas coisas acontecem ao longo dos pouco menos de 6 minutos e meio que essa peça dura. com a chegada de 'Day Of Truth' começamos a perceber que havia algo sutilmente aterrorizante no desenvolvimento temático de 'Her Eyes Sparkled In A Strange Way', e agora esse fator sinistro é coberto por uma incandescência desafiadora, que é totalmente manifestado através das várias variantes temáticas e ambientais que ocorrem. Muitas coisas acontecem ao longo dos pouco menos de 6 minutos e meio que essa peça dura. com a chegada de 'Day Of Truth' começamos a perceber que havia algo sutilmente aterrorizante no desenvolvimento temático de 'Her Eyes Sparkled In A Strange Way', e agora esse fator sinistro é coberto por uma incandescência desafiadora, que é totalmente manifestado através das várias variantes temáticas e ambientais que ocorrem. Muitas coisas acontecem ao longo dos pouco menos de 6 minutos e meio que essa peça dura.
Ocupando um espaço de quase 8 minutos e meio, 'A Sense Of Clarity' desenvolve um dinamismo progressivo de grande linhagem, incluindo alguns fatores Crimsonianos dentro de certos arranjos das guitarras duplas, além de gerar um rugido aumentado para as diversas forças organizadas dentro da rítmica Engenharia. Há também algumas breves passagens marcadas por engrenagens dissonantes que funcionam como efetivos contrastes àquelas outras em que o violino, acompanhado por guitarras, dirige linhas melódicas etéreas envolventes. Enquanto tudo isso acontece, a bateria gira cada vez mais em torno do swing que ela montou, atingindo um clímax de free jazz antes que o grupo retome o tema de abertura descontraído do epílogo. Esta peça quis voar muito alto desde os primeiros momentos e cumpriu perfeitamente o seu propósito. 'Futari Kiri', que dura quase 10 minutos, é a peça responsável por fechar o álbum e também por se firmar como o mais longo. Partindo de um ambiente introspectivo de cariz jazz-progressivo (algo em linha com o que o próprio ONTALVA fazia na sua associação ao grupo NO GROOVES), a peça mergulha nos climas sonhadores e graciosamente misteriosos que anteriormente percebíamos nas canções #2 e #3. A forte presença do violino no desenvolvimento temático em andamento ajuda o bloco a ganhar força expressiva aos poucos; pouco depois de passada a fronteira do segundo minuto, o conjunto faz sentir o seu nervo essencial sem atingir níveis agressivos. Pelo contrário, desenvolvimentos temáticos e texturas sonoras se estabelecem em um ritmo constante, enquanto a jam central reforça sua vivacidade elegante. Mais tarde, o grupo acalma um pouco as coisas para dar um ar mais flutuante, chegando a beirar o espectral em algumas passagens. É hora de voltar à introspectiva e a banda organiza-o como uma descida meticulosamente gradual aos recantos mais sombrios e pacíficos do espírito. Os ornamentos cósmicos dos sintetizadores fazem-se sentir até serem submersos num silêncio sentencioso, que privilegia uma guitarra solitária a delinear a efémera passagem final. mesmo beirando o espectral em algumas passagens. É hora de voltar à introspectiva e a banda organiza-o como uma descida meticulosamente gradual aos recantos mais sombrios e pacíficos do espírito. Os ornamentos cósmicos dos sintetizadores fazem-se sentir até serem submersos num silêncio sentencioso, que privilegia uma guitarra solitária a delinear a efémera passagem final. mesmo beirando o espectral em algumas passagens. É hora de voltar à introspectiva e a banda organiza-o como uma descida meticulosamente gradual aos recantos mais sombrios e pacíficos do espírito. Os ornamentos cósmicos dos sintetizadores fazem-se sentir até serem submersos num silêncio sentencioso, que privilegia uma guitarra solitária a delinear a efémera passagem final.
Como balanço final, tudo isso que a associação hispano-russa de ÁNGEL ONTALVA e VESPERO com “Sada” nos deu é monumentalmente grande. Com inspiração tanática, o grupo criou uma obra musical que exala magia e encantamento de cada uma de suas partículas sonoras. Assim, sem pretendermos exagerar, reiteramos que é monumental e grandioso este álbum que hoje analisamos, que se anuncia como um dos mais notáveis dentro da produção mundial de rock progressivo e de vanguarda no corrente ano de 2020... E isso! ainda não estamos na metade de seu segundo mês! Aqui está uma tradução magnífica de uma experiência de romantismo sádico para a linguagem da experimentação do rock com roupas sublimes. 500% recomendado.
Hoje apresentamos o lançamento fonográfico do sublime e enérgico conjunto jazz-progressivo MARBIN, que se intitula "Strong Thing" e foi publicado no primeiro dia do último mês do ano de 2019. Este quarteto co-liderado pelo guitarrista Dani Rabin e o saxofonista Danny Markovitch, e completado pelo baixista Jon Nadel e pelo baterista Everette Benton, Jr. nos traz uma nova vitrine de sua mistura bem amadurecida de coragem, groove e sensibilidade melódica, tudo embalado em um pacote híbrido compacto de jazz-prog, heavy rock clássico e fusão contemporânea. Benton substitui Blake Jiracek no que diz respeito à formação que fez o álbum de estúdio anterior "Israeli Jazz", que data de março de 2018. "Strong Thing" é o sétimo álbum de estúdio do MARBIN, e em muitos aspectos pode-se dizer que recebe os ecos do vigor e contundência expressiva que marcou os dois álbuns anteriores "Goat Man & The House Of The Dead” e “Israeli Jazz” (dos anos de 2016 e 1028, respectivamente); especialmente o primeiro. Por outro lado, é de notar a forma como o grupo dá um novo toque de sofisticação às esquematizações e arranjos das novas composições que compõem este álbum. Bom, agora vamos aos detalhes deles, ok?
Já nos primeiros 17 minutos e meio do álbum, que são ocupados pela dupla de 'Messy Mark' e 'Spank Tank', o pessoal do MARBIN está pronto para fazer uma forte declaração de princípios sobre a persistência inabalável de sua força expressiva. Com efeito, 'Messy Mark' elabora um exercício de jazz-rock numa base feroz de blues que nos lembra tanto os ZAPPA do início dos anos 70 como o robusto dinamismo de um RORY GALLAGHER na sua faceta mais feroz. O enclave melódico é formalmente simples, pelo que há amplos espaços para os respectivos protagonistas da guitarra e do saxofone, aproveitados em sólidas misturas de candura e virtuosismo. Por sua vez, 'Spank Tank' é baseado em um swing funky-rock que permite à banda desenvolver um estupendo cruzamento entre LED ZEPPELIN e JEFF BECK GROUP, construindo pontes com seus contemporâneos de OS ARISTOCRATAS. Como a vitalidade desta peça tem uma facilidade mais graciosa, os solos têm um impulso mais lírico do que os exibidos na peça de abertura. Em ambas as faixas, o papel da dupla rítmica na hora de estabelecer e manter o suingue básico é feito com uma musculatura marcante; em particular, existem vários rufar de tambores e outros recursos que parecem diretamente relevantes para as configurações temáticas atuais. Começar o disco assim é como um dia começando alguns segundos depois do meio-dia: puro esplendor. O conceito de duas partes de 'Just a Little Bit' segue em seguida, ocupando um intervalo de quase 11 minutos. 'Just a Little Bit (Part 1)' é uma peça delicada, impregnada com uma aura de melancolia crepuscular, sendo assim que sua força visceral de caráter se sustenta na riquíssima paleta sonora do sax. 'Just A Little Bit (Part 2)', por sua vez, dá mais destaque à guitarra enquanto remodela a aura melancólica ainda reinante com algumas nuances de fusão. Isso serve como uma forma de o baterista refinar seu groove básico durante a primeira metade desta peça, mas depois se volta para um swing mais convencional. Talvez tenhamos aqui o solo de guitarra mais intenso e impressionante de todo o álbum, diga-se de passagem. embora mais tarde se volte para um swing mais convencional. Talvez tenhamos aqui o solo de guitarra mais intenso e impressionante de todo o álbum, diga-se de passagem. embora mais tarde se volte para um swing mais convencional. Talvez tenhamos aqui o solo de guitarra mais intenso e impressionante de todo o álbum, diga-se de passagem.
Situada no meio do repertório, 'Alabama Sock Party' tem a missão de estabelecer uma jovialidade frontal e surpreendente, e o faz a partir de um exercício country-rock alimentado por um vigor incandescente, frenético e vulcânico. É como se uma peça inédita de DIXIE DREGS tivesse sido resgatada e reformulada por um combo de LED ZEPPELIN e MAHAVISHNU ORCHESTRA. 'Itchybun' (a terceira música mais longa do álbum com sua duração de 7 ¼ minutos) dá uma virada mais matizada na exibição do fogo do rock que já desfrutamos na peça anterior para ajustá-la ao swing progressivo do jazz e ao inspirado melódico molduras criadas para a ocasião. Na forma perfeitamente fluida como a alternância entre passagens temperadas e outras leves, nota-se que a amálgama das ideias fornecidas pelos quatro músicos é requintadamente meticulosa, e, no entanto, tudo parece extremamente fresco. Há muito parentesco com a segunda música do repertório em termos de sua espiritualidade, tão refinada e tão poderosa, ao mesmo tempo. Temos aqui um apogeu definitivo do álbum. A série das últimas quatro canções do álbum é dividida em duas canções de duas partes: a primeira é aquela que dá justamente o título ao álbum e a segunda se chama 'Fisticuffs'. 'Coisa Forte (Parte 1)' situa-se a meio tempo que permite ao grupo desenvolver o bloco temático desenhado para a ocasião com estrondosa magnificência, à maneira de um híbrido entre o PAT METHENY GROUP e o MORAINE. Entretanto, 'Strong Thing (Part 2)' surge para estabelecer uma dinâmica jazz-progressiva ligeiramente mais intensa, permitindo ao sax assumir o protagonismo que tinha correspondido à guitarra na primeira parte. Pouco mais de 10 minutos de outro momento climático do álbum. As duas partes de 'Fisticuffs' juntas ocupam um espaço de pouco mais de 7 minutos e meio. Para a ocasião, o staff do MARBIN resolve recorrer a algo mais lírico e com um suingue um pouco mais relaxado, que segue uma batida de 6/8; No entanto, é justo dizer que boa parte da musculatura predominante se mantém na sequência das duas peças homônimas. A segunda parte mergulha no lírico, levando o swing para um flerte mais próximo com o padrão blues-rock. Aliás, temos aqui mais um soberbo solo de saxofone numa altura em que o esquema sonoro se torna mais subtil, inundado de sublimes truques de jazz no esquema rítmico. Esta última dupla cria um belo final para um álbum poderoso. As duas partes de 'Fisticuffs' juntas ocupam um espaço de pouco mais de 7 minutos e meio. Para a ocasião, o staff do MARBIN resolve recorrer a algo mais lírico e com um suingue um pouco mais relaxado, que segue uma batida de 6/8; No entanto, é justo dizer que boa parte da musculatura predominante se mantém na sequência das duas peças homônimas. A segunda parte mergulha no lírico, levando o swing para um flerte mais próximo com o padrão blues-rock. Aliás, temos aqui mais um soberbo solo de saxofone numa altura em que o esquema sonoro se torna mais subtil, inundado de sublimes truques de jazz no esquema rítmico. Esta última dupla cria um belo final para um álbum poderoso. As duas partes de 'Fisticuffs' juntas ocupam um espaço de pouco mais de 7 minutos e meio. Para a ocasião, o staff do MARBIN resolve recorrer a algo mais lírico e com um suingue um pouco mais relaxado, que segue uma batida de 6/8; No entanto, é justo dizer que boa parte da musculatura predominante se mantém na sequência das duas peças homônimas. A segunda parte mergulha no lírico, levando o swing para um flerte mais próximo com o padrão blues-rock. Aliás, temos aqui mais um soberbo solo de saxofone numa altura em que o esquema sonoro se torna mais subtil, inundado de sublimes truques de jazz no esquema rítmico. Esta última dupla cria um belo final para um álbum poderoso. A equipe do MARBIN decide se voltar para algo mais lírico e com um swing um pouco mais relaxado, que segue uma fórmula de compasso 6/8; No entanto, é justo dizer que boa parte da musculatura predominante se mantém na sequência das duas peças homônimas. A segunda parte mergulha no lírico, levando o swing para um flerte mais próximo com o padrão blues-rock. Aliás, temos aqui mais um soberbo solo de saxofone numa altura em que o esquema sonoro se torna mais subtil, inundado de sublimes truques de jazz no esquema rítmico. Esta última dupla cria um belo final para um álbum poderoso. A equipe do MARBIN decide se voltar para algo mais lírico e com um swing um pouco mais relaxado, que segue uma fórmula de compasso 6/8; No entanto, é justo dizer que boa parte da musculatura predominante se mantém na sequência das duas peças homônimas. A segunda parte mergulha no lírico, levando o swing para um flerte mais próximo com o padrão blues-rock. Aliás, temos aqui mais um soberbo solo de saxofone numa altura em que o esquema sonoro se torna mais subtil, inundado de sublimes truques de jazz no esquema rítmico. Esta última dupla cria um belo final para um álbum poderoso. trazendo o swing para um flerte mais próximo com o padrão blues-rock. Aliás, temos aqui mais um soberbo solo de saxofone numa altura em que o esquema sonoro se torna mais subtil, inundado de sublimes truques de jazz no esquema rítmico. Esta última dupla cria um belo final para um álbum poderoso. trazendo o swing para um flerte mais próximo com o padrão blues-rock. Aliás, temos aqui mais um soberbo solo de saxofone numa altura em que o esquema sonoro se torna mais subtil, inundado de sublimes truques de jazz no esquema rítmico. Esta última dupla cria um belo final para um álbum poderoso.
“Strong Thing” é de fato algo forte, um ataque muito forte dentro da ideologia estética bem definida do MARBIN. Este grupo continua a lançar excelentes discos onde se conjugam energia e finesse, algo que mais do que justifica a estupenda reputação que tem junto do avançado jazz-rocker americano deste milénio. Embora esta resenha chegue relativamente atrasada, apontamos o álbum que acabamos de resenhar como um item totalmente recomendável dentro de qualquer coleção fonográfica decente.
Apesar da recepção nada simpática de uma parcela da imprensa musical - principalmente das revistas Rolling Stone e The Village Voice – o primeiro e homônimo álbum da banda Black Sabbath foi bem acolhido pelo público. No Reino Unido, Black Sabbath, o álbum, chegou ao 8º lugar na parada de álbuns. Enquanto isso, nos Estados Unidos, o álbum alcançou o posto de 23º lugar na Billboard 200 e vendeu 1 milhão de cópias. E pensar que todo esse desempenho comercial não teve esquema promocional planejado, não houve por parte da gravadora grandes gastos para promovê-lo. O álbum praticamente se promoveu sozinho.
Motivada pelo bom desempenho comercial do primeiro álbum, a gravadora Vertigo pediu para que o Black Sabbath entrasse em estúdio para gravar o segundo álbum, já em junho de 1970, quatro meses após o lançamento do álbum estreia. Contando com Rodger Bain na produção – o mesmo produtor de Black Sabbath – a banda Black Sabbath gravou o seu segundo álbum em apenas cinco dias, entre 16 e 21 junho de 1970. As gravações ocorreram no Regent Sound Studios e no Basing Street Studios, este último um recém-criado estúdio de 16 canais pela Island Records, o mesmo em que o Led Zeppelin havia acabado de gravar uma parte do seu terceiro álbum, Led Zeppelin III.
Em agosto de 1970, um dos frutos das gravações do segundo álbum era lançado, o single de “Paranoid”. Para surpresa (ou não) da gravadora Vertigo e da banda, o single de “Paranoid” chegou ao 4º lugar na parada de singles do Reino Unido, onde vendeu mais de 400 mil cópias. Não demorou muito, e o Black Sabbath já estava se apresentando no Top Of The Pops, o mais popular programa musical da TV britânica. O single foi muito bem em 1º lugar nas paradas de singles da Alemnha e Dinamarca.
Black Sabbath por volta de 1970, da esquerda para a direita: Bill Ward, Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Geezer Butler.
A princípio, os mebros do Black Sabbath haviam decidido que o título do segundo álbum seria War Pigs, o mesmo nome de uma das músicas presentes no álbum. Inclusive, as fotos para a capa do álbum, com um homem pulado de trás de uma árvore empunhando uma espada e um escudo, estavam prontas. Porém, a gravadora rejeitou esse título para o álbum porque a música faz referências à Guerra do Vietnã, e poderia prejudicar o desempenho do álbum no mercado fonográfico dos Estados Unidos, justamente o país que promovia aquela guerra. Por causa do ótimo desempenho do single de “Paranoid”, a gravadora sugeriu que o novo álbum fosse batizado de Paranoid.
Como a foto da capa já estava pronta e a gravadora não queria perder tempo, o novo álbum foi lançado com uma capa que nada tinha a ver com o título. Batizado oficialmente de Paranoid, o segundo álbum do Black Sabbath foi lançado em 18 de setembro de 1970, no mesmo dia em que foi divulgada a morte de Jimi Hendrix, o que a acabou ofuscando o lançamento do álbum. Nos Estados Unidos, o primeiro álbum do Black Sabbath ainda estava muito bem nas paradas, e por causa disso, o lançamento de Paranoid naquele país só ocorreu em janeiro de 1971.
A faixa de abertura de Paranoid é “War Pigs”, aquela que era para ter dado título ao álbum. Originalmente, “War Pigs” tinha outro título e uma letra diferente. Chamava-se “Walpurgis” e a antiga letra tratava sobre um ritual macabro. A gravadora Vertigo não gostou do conteúdo. Foi então que o baixista Geezer Butler, o letrista da maioria das músicas do álbum, mudou a letra e o título. Rebatizada para “War Pigs”, a música passou a abordar uma temática antibelicista, tecendo uma crítica dura e direta aos “senhores da guerra”, os chefes das nações que promovem os conflitos bélicos, mas que não são eles que estarão na linha de frente no combate. São os jovens, a maioria pobres que vão lutar sem nem mesmo saber se voltarão vivos: “Politicians hide themselves away / They only started the war / Why should they go out to fight? / They leave that role to the poor, yeah!” (“Políticos se escondem / Eles apenas iniciaram a guerra / Por que eles deveriam sair para lutar? / Este papel eles deixam para os pobres, sim! ”). A crítica tinha endereço certo, o governo dos Estados Unidos, que promovia a vergonhosa Guerra do Vietnã.
A música "War Pigs" é uma crítica ao envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã.
Musicalmente, “War Pigs” começa com um som pesado e lento, e ao fundo se ouve sons de sirenes de guerra alertando um possível ataque do exército inimigo. A música é dividida em várias alternâncias de andamento, temperadas por riffs e solos fantásticos de guitarra de Tony Iommi. Merecem destaques as linhas de baixo de Gezzer Butler e as viradas sensacionais de bateria de Bill Ward.
A faixa seguinte, “Paranoid”, escolhida para nomear o álbum e já lançada anteriormente como single, possui um arranjo simples, ritmo veloz e pesado. Traz o riff contagiante e arrasador da guitarra de Tony Iommi. A letra é sobre um sujeito que está passando por um transtorno mental, e busca desesperadamente por ajuda. Foi a última música do álbum a ser gravada, e justamente a que Geezer Butler não queria que fosse gravada por achar o seu ritmo semelhante ao de “Communication Breakdown”, do Led Zeppelin. Mas Butler foi voto vencido, os outros membros eram a favor da música e ela foi gravada.
Depois de duas músicas pesadas, uma pausa para ouvir o som leve e relaxante de “Planet Caravan”, uma balada psicodélica escrita por Geezer Butler. A canção narra o que seria flutuar pelo espaço sideral entre as estrelas e planetas com alguém que se ama. A voz “borbulhante” de Ozzy Osbourne na canção foi gravada através de um alto-falante de Leslie, que possibilitou um efeito incrível. Enquanto Bill Ward toca congas e Gezzer Butler concentra-se no baixo, Tony Iommi mostra que também sabe fazer solos leves e delicados com a sua guitarra.
Fechando o lado A de Paranoid, outro som pesado que se tornou um clássico do Black Sabbath, “Iron Man”. A faixa começa com o som do bumbo da bateria de Bill Ward acompanhado pela guitarra de Tony Iommi criando um clima sonoro tenso e pesado. Em seguida, surge uma voz robótica e ameaçadora de Ozzy Osbourne anunciando: “I am Iron Man”. Apesar do título, a música nada tem a ver com o famoso super-herói da Marvel. Segundo o baixista Geezer Butler, letrista da música, o “Iron Man” do Sabbath trata sobre os perigos da tecnologia fugir do controle humana, em quem a máquina poderia se rebelar e planejar a sua vingança contra os seres humanos. A parte final é praticamente uma jam session,onde o ouvinte pode perceber a perfeita interação entre dos músicos da banda e as suas habilidades nos seus respectivos instrumentos.
Imagem interna da capa dupla do álbum Paranoid.
O lado B de Paranoid começa com a apocalíptica “Electric Funeral”, cujos versos descrevem um cenário do fim do mundo através de uma guerra atômica que ceifa todas as formas de vida na Terra. “Hand Of Doom” foi inspirada em alguns soldados americanos que chegavam à Inglaterra retornando da Guerra do Vietnã, debilitados não só pelo conflito em si, mas também pelo vício em heroína, droga que consumiam para poder encarar os horrores nos campos de batalha. O ritmo pesado e arrastado de “Electric Funeral” e de “Hand Of Doom” prenuncia o doom metal, vertente do heavy metal que surgirá nos anos 1980.
“Rat Salad” é a única faixa instrumental do álbum. Embora curta, pouco mais de dois minutos duração, o tempo é suficiente para o ouvinte apreciar mais atentamente as habilidades de Geezer Butler, Tony Iommi e Bill Ward. A primeira parte da faixa traz baixo, guitarra e bateria juntos, mas é na segunda parte que o protagonismo é todo de Bill Ward, que faz solos incríveis de bateria. Na terceira e última parte, os três músicos tocam juntos novamente.
A faixa que encerra o álbum é “Fairies Wear Boots”, que foi inspirada num fato curioso passado pelo Black Sabbath no início da carreira, quando após um show, os membros da banda foram abordados por um grupo de skinheads. Os membros do Sabbath não se intimidaram e a tal abordagem terminou em briga. Como uma forma de deboche, o Black Sabbath fez “Fairies Wear Boots” em que chamam os skinheads de “fadas de botas”. Embora o assunto abordado na letra seja um tanto quanto banal, a base instrumental executada pelo Black Sabbath é simplesmente fantástica em que os andamentos são bastante variados, e há uma alternância entre som pesado e leve.
Dois dias após o lançamento de Paranoid, o Black Sabbath iniciou uma turnê europeia que durou cerca de um mês. Mas a grande expectativa estava reservada para o dia 30 de outubro de 1970, quando o Black Sabbath iniciou a sua primeira turnê pelos Estados Unidos, tocando no Glassboro State College, em Glassboro, estado de Nova Jersey. A turnê se estendeu até o final de novembro, passando por cidades como Los Angeles, San Francisco, Detroit e Nova York. Nessa primeira turnê americana, o Sabbath abriu shows do Canned Heat, Faces, Alice Cooper e James Gang.
E foi nessa primeira turnê americana que os membros do Black Sabbath tiveram o primeiro contato com a cocaína. A droga a partir de então se tornariam um elemento presente na vida banda, principalmente nas vidas de Ozzy Osbourne e Bill Ward que se tornaram dependentes da cocaína. Em fevereiro de 1971, o Black Sabbath fez uma nova turnê em terras americanas.
Assim como o primeiro álbum, a recepção de Paranoid por parte da crítica não foi tão positiva. Por outro lado, comercialmente, Paranoid superou o álbum de estreia. O segundo álbum do Black Sabbath ficou em 1º lugar na parada de álbuns do Reino Unido, algo que só iria se repetir com um álbum do Black Sabbath em 2013 com 13. Paranoid foi também 1º lugar nas paradas de álbuns da Alemanha e da Holanda. Nos Estados Unidos, Paranoid alcançou o 12º lugar na para da Billboard 200 e lá vendeu cerca de 4 milhões de cópias.
Passadas tantas décadas após o seu lançamento, Paranoid construiu uma reputação inabalável. Além de ser o álbum mais vendido da discografia do Black Sabbath, Paranoid está entre os álbuns mais influentes da história do heavy metal. É sempre citado por bandas dos mais diversos seguimentos do heavy metal como influência. Paranoid é uma presença constante nas listas dos mais importantes álbuns de heavy metal de todos os tempos. Na lista dos 100 Maiores Álbuns de Heavy Metal de Todos os Tempos, da edição americana da revista Rolling Stone, publicada em 2017, Paranoid foi classificado em 1º lugar.
Faixas
Letras escritas por Geezer Butler (exceto “Fairies Wear Boots”: letra de Butler e Ozzy Osbourne); canções compostas por Black Sabbath (Tony Iommi, Osbourne, Bill Ward e Geezer Butler).
Lado A
"War Pigs"
"Paranoid"
"Planet Caravan"
"Iron Man"
Lado B
"Electric Funeral"
"Hand of Doom"
"Rat Salad"
"Fairies Wear Boots"
Black Sabbath: Ozzy Osbourne (vocais), Tony Iommi (guitarra, flauta (em “Planet Caravan”)), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria e conga (em “Planet Caravan”)