domingo, 17 de setembro de 2023

Stray - Stray (1970)



"Formado em 1966 na cidade de Londres, construiu sua reputação inicial como banda de apoio ao vivo para outros grupos como o "The Groundhogs". Em 1970 assinaram com o selo "Transatlantic Records" e lançaram este seu primeiro album denominado simplesmente "Stray".
A idade media dos integrantes entre 19 e 20 anos produziu um álbum cheio de energia bruta e talento. Considero este, um dos grandes clássicos do hard rock dos anos 70s principalmente pela diversidade instrumental.

"All In Your Mind" começa com uma bateria com ritmo estável e harmonioso seguida de um riff introdutório da guitarra em vibrato, anunciando o verdadeiro "petardo hard rock" que se segue, com excelente trabalho do baixo e bateria, combinado aos ataques de guitarra com pedais fuzzy. Esta musica foi regravada mais tarde pela banda de heavy metal "Iron Maiden".

"Taken All The Good Things" começa com um ritmo lento de bateria combinado a um violão, antes da entrada da fuzzy, guitarra slide e do baixo límpido O ritmo cadenciado e pesado predomina nesta musica. Destaque para pequena "virada" que acontece por volta dos 02:50 min quando tudo fica maís rápido combinado à guitarra "neurótica" de "Del Bromham".

"Around The World In Eighty Days" é uma faixa mais comportada. Poderíamos classifica-la como uma "canção" por causa de suas texturas pop-psicodélicas e de rock quase progressivo.

"Time Machine" utiliza alguns andamentos com influencia de música da escócia. Mas ao invés das gaitas de fole, você ouvira pesadas guitarra fuzzy acompanhadas pelo baixo impecável de "Gary Giles" e pela bateria insana de "Richie Cole".

Cuidado com "Only What You Make It". Ela não é nenhuma música da banda "Hawkwind" mas bem que parece... A diferença é que os efeitos eletrônicos típicos das "Hawkwind trips", foram aqui substituídos por um hard rock pulsante e consistente inclusive mesclado com boogie blues em seu final.

"Yesterdays Promises" é a mais calma do álbum mas com excelente melodia e grande instrumental. Estes caras estavam realmente inspirados quando a compuseram.

"Move On" com seus 11 minutos de duração explora bem a percussão, misturando passagens jazzy cheias de improviso e jams de guitarra com fuzzy e wah-wah (talvez você vá se lembrar de outra banda com algumas músicas neste estilo: o "May Blitz").

A ultima do album, "In Reverse/Some Say" tem um vocal com efeito "overdub" e um excelente trabalho de "Richie Cole" na bateria. É uma pena que tenha curta duração e acabe de forma tão repentina."
Grande e imperdível album para ouvir sempre e não se cansar.

01. All In Your Mind
02. Taking All The Good Things
03. Around The World In 80 Days
04. Time Machine
05. Only What You Can Make It
06. Yesterday's Promises
07. Move On
08. In Reverse/Some Say
09. Change Your Mind (Bonus Track)
10. The Man Who Paints Pictures (Bonus Track)
11. In The Night (Bonus Track)
12. Outcast (Bonus Track)
13. All In Your Mind (Bonus Track)

*Steve Gadd (vocals)
*Del Bromham (guitars)
*Gary Giles (bass)
*Richie Cole (drums)









O novo hard n' blues de Londres: The Temperance Movement


O The Temperance Movement chegou ao seu segundo disco, White Bear, agora em janeiro de 2016, quase três anos após seu debut homônimo de 2013, que mostra mais uma banda apostando na nostalgia da sonoridade psicodélica dos anos 60 e 70 e na mistura do blues com o hard rock. Prato cheio para quem gosta desse tipo de som e também parece quem gosta de southern rock, embora a banda seja de Londres, na Inglaterra.
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A banda foi formada em 2011 e hoje conta com o vocalista Phil Campbell, o guitarrista Paul Sayer, o baixista Nick Fyffe (que já tocou no Jamiroquai) e pelo baterista Damon Wilson, que trazem um som coeso e com cara de experiente; nada em White Bear soa como uma banda praticamente novata. A mistura de belas melodias vocais com a timbragem antiga e o blues fazem desse um disco gostoso de ouvir do início ao fim.
Three Bullets Get Yourself Free mostram a que a banda veio. A Pleasant Peace I Feel é uma balada que explora a psicodelia da banda enquanto Modern Massacre traz algo mais agressivo (sem sair do gênero praticado pelo grupo). Battle Lines é suingada e ótima, uma das melhores do trabalho. A faixa título não fica atrás e é uma das mais southern aqui presentes.
Destaque ainda para The Sun and Moon Roll Around Too Soon, uma das mais gostosas do disco, e pelo encerramento com a lindíssima balada I Hope I'm Not Losing My Mind.
É muito bom perceber que, em meio a um dos piores momentos da história do rock no mainstream, ainda há bandas como o The Temperance, ou o The Black Keys, o Blues Pills  ou o The Vintage Caravan honrando o passado sem soar datado e com cara de novidade.






R.B. STONE - SOME CALL IT FREEDOM (SOME CALL IT THE BLUES) (2016)

 



R.B. STONE
''SOME CALL IT FREEDOM (SOME CALL IT THE BLUES)''
FEBRUARY 26 2016
37:43
**********
01 - Hill Country Stomp 04:00
02 - Some Call It Freedom 03:59
03 - 35 Miles to Mobile 03:05
04 - Yoyo Lover 03:19
05 - Mind Your Bizzness 03:16
06 - Another Thief 03:25
07 - Nickajack 02:00
08 - You Don't Want Me 02:23
09 - Won't Stop Rockin' 03:33
10 - Weapons of Mass Persuasion 04:04
11 - Standin' on Top of the World 04:34
**********
R.B. Stone – vocals, harmonica, cigar box, slide and rhythm guitar
Terrance Houston – drums
Randy Coleman – bas
Josh Fairman – bas
Larry Van Loon – keys
Tim “Too Slim” Langford – slide guitar (track 10)
Austin Young – guitar (track 11)

Os pais de RB Stone eram grandes amantes da música; seu pai, um blues/boogie, rock 'n' roll e sua mãe, uma fã de Tennessee Ernie Ford, Janis Joplin, Herb Alpert, Johnny Cash, Sly and the Family Stone, Elvis e a grande variedade de sucessos dos anos 60. Aos 12 anos, sua mãe lhe mostrou alguns acordes no piano e o hit “Lean On Me” de Bill Withers foi a primeira música que ele aprendeu, o que deu início à sua longa carreira de compositor de blues/boogie. Aos dezoito anos e recém-saído do ensino médio, a música ainda era um sonho que parecia pertencer a outras pessoas, então ele foi contratado pela ferrovia que viajava pelo Centro-Oeste com uma equipe ferroviária de 90 homens, quatro dias por semana. Depois de dois anos, aceitou uma oferta como gerente assistente em uma loja de encanamento, eletricidade e aquecimento em Ohio, ascendeu ao nível de gerente e acumulou uma casa, dois carros, dois caminhões e duas motocicletas. Inquieto aos 23 anos, RB vendeu tudo menos um caminhão, algumas harpas e um violão e foi para o Colorado para ser cowboy e tocar música. Lá ele conheceu um treinador de cavalos e morou em uma reserva indígena em Ignacio, onde dormiu em um celeiro aprendendo cavalos com dia e aprendendo violão sozinho à noite. Alguns meses depois, ele se tornou bom o suficiente em ambos e começou a ser contratado por empresas locais para cuidar de empacotadores de cavalos, disputar cavalos e entreter os convidados ao redor da fogueira. Desde aquele início, a vida e a carreira de RB sofreram muitas reviravoltas, solavancos e contusões acompanhadas de conquistas significativas. Independente e voando sob o radar, ele tem 15 álbuns em seu currículo, excursionou por 32 países e 5 continentes, vendeu mais de 45.000 álbuns, a maioria deles em seus shows. Ele tem um catálogo de músicas com Gwen Gordy da Motown Dynasty na EMI. Teve papéis principais em comerciais nacionais, apareceu em videoclipes nacionais e suas canções foram gravadas por artistas como The Marshall Tucker Band. RB trabalhou com muitos artistas importantes, desde Jazz Greats Hiroshima até The Charlie Daniels Band, tem um Roots Music Production Show de 14 peças apresentando suas músicas, um prêmio de composição da revista Billboard, para citar apenas algumas de suas conquistas. Cowboy, Country Bluesman, Americana Artist e Roots Rocker, e ele responde sim a todos.”







Argus - Wishbone Ash



Lançado em 1972, Argus foi o terceiro álbum da carreira do Wishbone Ash e, sem dúvidas, o mais popular. Contando com Derek Lawrence e Martin Birch nos processos de produção, o disco recebeu ótimas críticas na época de seu lançamento, assim como, atualmente, é também bastante aclamado.

Percorrendo o Folk, o Prog e o Hard o álbum exerceu grande importância no desenvolvimento das twin guitars, através do preciso trabalho de Andy Powell e Ted Turner nas 6 cordas.

Logo na primeira faixa, Time Was, já é notável a incursão do som do grupo nos três estilos citados anteriormente: inicia-se com uma levada sutil, torna-se mais pesada e swingada e depois mergulha em extensos e poderosos solos de guitarra. Sometime World, segunda faixa, também segue uma estrutura semelhante a faixa anterior, porém com um caráter mais intimista e melódico. Em Blowin' Free, diferentemente de todas as outras faixas que contém os vocais feitos por Martin Turner/Andy Powell ou Martin Turner/Ted Turner, Martin Turner e os dois guitarristas cantam juntos.

Argus é considerada a obra-prima da banda e ponto de referência para qualquer grupo que queira ter em sua música a grandeza de duas guitarras bem entrosadas.


Tracklist:

Time Was
Sometime World
Blowin' Free
The King Will Come
Leaf and Stream
Warrior
Throw Down the Sword

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Boris and His Bolshie Balalaika - Psych Rock (Sweden)

 



Delerium finalmente convenceu Boris a entrar em estúdio e gravar seu primeiro álbum. Depois de uma vida épica de aventuras psicodélicas, Boris junto com seu Bolshie Balalaika finalmente criaram a visão musical que ele viu há 26 anos na Suécia, aos pés do grande Deus da guitarra, Jimi Hendrix.

Algumas críticas:
Balalaika anarquista de propulsão antinuclear espalhando emissões de luz multicolorida, carregada de eletricidade e ritmo. Essa balalaika mata fascistas!!! - Rockerilla (Itália) dezembro de 1994

Boris é uma novidade brilhantemente concebida - ele merece ser maior do que Take That. - Fazendo música, setembro de 1993

Boris é um músico versátil, lidando com guitarra, baixo, programação, sintetizadores, tablas e vocais. Não há como negar seu talento... - Facelift, junho de 1995

Definitivamente o artista com nome mais estranho que já ouvi há algum tempo. Arquivo em exclusivo! - Buzz Factory, outubro de 1994



Psychic Revolution (1994)







Bill Watrous, Pete Christlieb & The Gary Urwin Jazz Orchestra

 



Este projeto combina os talentos de duas conhecidas estrelas do mundo do jazz, o trombonista Bill Watrous e o saxofonista tenor Pete Christlieb. Embora cada um tenha uma longa história de gravações de sucesso, esta é a primeira aparição deles como linha de frente, juntos novamente pela primeira vez. LISTA DE TRILHAS: 1. Lester Leaps In(5:05) 2. Theme from Chinatown(5:34) 3. Girl Talk(5:46) 4. Beautiful Love(5:00) 5. My Foolish Heart(6:37) ) 6. Espíritos Membros (5:32) 7. Danny Boy (4:12) 8. ESP (5:33) 9. Aquele velho sentimento (6:51) 10. Meu navio (4:44) 11. Chega Blues (6:07) 12. Te vejo (2:44) Pessoal: Amy Shulman (harpa); Rusty Higgins (flauta alto, saxofone); John Yoakum (trompa inglesa); John D. Mitchell (fagote, saxofone); Pete Christlieb (saxofone, saxofone tenor); Dan Higgins, Kim Richmond, Jeff Driskill (saxofone); Bobby Shew (trompete, flugelhorn); Dan Fornero, Rick Baptist, Warren Luening, Wayne Bergeron, John Thomas, Ron King (trompete); Alexander Iles, Bill Watrous, Charles Loper, Richard Bullock, Dave Woodley (trombone); Christian Jacob (piano); Ralph Razze (bateria); Michito Snchez (percussão). Mixer de áudio: Andy Waterman. Liner Note Autor: Gary Urwin. Autores: Zan Stewart; Bob Florence. Arranjador: Gary Urwin. Gravado em janeiro de 201.









Michael Charles – Concert At The Nest (1989 - 2015)

 

Michael Charles vem da Austrália. Seu pai tinha um violão velho num canto da casa. Seu pai lhe dissera que não queria que ele a tocasse, mas Michael, que ainda era criança, aproveitava qualquer oportunidade para bater nela. Sua paixão pelo instrumento era maior que o medo do pai. 


Aos nove anos fez sua primeira apresentação remunerada. Aos 14 anos já fazia parte de um grupo adulto dando concertos em casamentos e shows. Em 1972 formou sua primeira banda, " Black Venom", apresentando-se na televisão. No início dos anos oitenta juntou-se ao Magnum, nada a ver com a banda de Birmingham, com quem lançou vários singles. Em 1983 ele conheceu o produtor  Greg Williams e publicou seu primeiro single, "  I'm A Puppet". Dois anos depois, ele publicou seu primeiro álbum, "Try Another Key", e  fundou sua própria gravadora , Moonlight Label. Em 1990 recebe o convite de Buddy Guy  para participar do  Lendas de Chicago de Buddy Guy. A partir desse momento a vida de Charles muda completamente. Numerosas turnês pelos Estados Unidos com músicos como Junior Wells, James Cotton e Phil Guy, e uma carreira de gravação de mais de trinta produções. Em 2015, ele foi incluído no Hall da Fama do Chicago Blues.  Recomendo assistir ao documentário sobre sua vida intitulado: " All I Really Know from A to Z"
Tudo que eu realmente sei de A a Z


"Concert At The Nest" foi gravado em 1989 no Falcons Nest, Melbourne, pouco antes de Michael Charles emigrar para os Estados Unidos. Naquela época sua banda era composta por: Michael Charles (vocal, guitarra), Con Pantogiannis (guitarra), Atila Sipasori (teclados), Joe Panzera (baixo) e Paul John Bruno (bateria). Naquela época Michael estava começando a mudar seu estilo musical para o blues, por isso podemos encontrar uma grande variedade de influências em suas músicas. Por um lado temos canções de blues como " Crawling On The Floor" ou "Pain and Misery". Outros roqueiros como " Give You My Heart" ou "Simple Day Living". Seu lado mais pop pode ser encontrado em "Must Be On My Own" ou "Then You Cam Along". Temos até o rosto dele com um certo caráter progressista com um toque de Chris Rea em "Leaving My Troubles Behind Me" ou "Hard Days And Long Nights". O show termina com uma homenagem a Chuck Berry em "Encore Jam".


           

Raul Seixas - Metrô Linha 743 [1984]



O disco Metrô Linha 743 foi o décimo segundo da carreira de Raul Seixas, lançado em 1984 pela gravadora Som Livre e produção de Alexandre Agra e do próprio músico, sendo muito bem recebido pela critica, porém com baixa vendagem, devido à falta de divulgação por parte da gravadora e ao lançamento no mês do álbum Ao Vivo - Único e Exclusivo, pela Gravadora Eldorado, sua antiga casa.

Raul Seixas assinou também a produção gráfica do álbum, onde remete aos anos 50 e a Alfred Hitchcock, no conceito da capa em preto e branco, remetendo ao ano que o músico teve que deixar o pais devido a repressão da ditadura militar.

Vou começar falando da música que não compõe o disco “Anarkilópolis (Cowboy Fora-da-Lei nº 2)”, na verdade não compõe o disco em seu lançamento original de 1984, mas em 2003 entrou como faixa bônus, depois de encontrado as gravações da época, e da ciência sobre o desejo de que a canção fizesse parte do álbum. Aqui Raul Seixas narra sobre os eventos na ficcional cidade de Anarkilólis onde “Cada um manda no seu nariz / por isso o povo lá é feliz”, e inclui versos de “Cawboy Fora da Lei”, já que a personagem central da música precisa resolver os problemas no gatilho.


"Montei no meu "silver-jegue" e parti com o firme propósito

de unir o útil ao agradável, pois Anarkilópolis era também
O berço da minha amada, a bela Josefina Lee
Filha única do meu amigo Xerife James Adean
Enquanto o jegue seguia rinchando eu seguia pela estrada cantando:
Eu não sou besta pra tirar onda de herói
Sou vacinado, eu sou cowboy Cowboy fora da lei"


O disco abre com a icônica faixa "Metrô Linha 743", em que Raul aborda através de seu lirismo, porém de forma direta os anos de chumbo da ditadura militar no Brasil, em que a liberdade de expressão não era bem quista, e faz alusão a obra de George Orwell, 1984.


"O homem apressado me deixou e saiu voando

Aí eu me encostei num poste e fiquei fumando
Três outros chegaram com pistolas na mão
Um gritou: Mão na cabeça malandro, se não quiser levar chumbo quente nos córneos
Eu disse: Claro, pois não, mas o que é que eu fiz?
Se é documento eu tenho aqui
Outro disse: Não interessa, pouco importa, fique aí
Eu quero é saber o que você estava pensando"

Na faixa dois, "Um Messias Indeciso", em que Seixas diz ter "a sua cara", que, inspirada no livro de Richard Bach, "Ilusões: As Aventuras de Um Messias Indeciso", em que faz uma critica ao teocentrismo contemporâneo, onde vontade própria e motivação divina se confundem:


"E acreditando em si mesmo

Tornou-se o mais sábio entre os seus

E o povo pedindo milagres
Chamava esse homem de Deus
Nas luzes do arredor
Quantos segredos terá"


Há quantas ilusões


A próxima música é "Meu Piano" é uma canção derivativa, uma brincadeira com um piano fora de lugar, que ficou conhecida na época por conter "o solo mais caro do Brasil", no qual o músico Clive Stevens recebeu 3 mil dólares para fazer um solo de sax. Com tom mais debochado e com backing vocals femininos, Raul mostra um mosaico de questões domésticas, com um resultado quase psicodélico, de um casal que se entrega a rotina e se afasta do romance.

Já experimente a casa inteira

E não achei um lugar pro meu piano

Entra ano e sai ano

Não cogito em fazer planos

E eu só gostei do quadro que não pintei!

Lá pras três da madrugada
A síndica embriagada
Resolveu escancarar

Numa briga com o marido

Num acorde sustenido
E o meu piano fora do lugar

Seguindo temos "Quero Ser o Homem que Sou (Dizendo a Verdade)", com humor inteligente e destaque para Rick com nervosa guitarra slide, aqui Raul fala de si mesmo, um homem que, apesar de inteligente, amoroso, e de outras tantas qualidades, erra bastante e não esconde isso de ninguém:

"Dizendo a verdade
Somente a verdade
Dizendo a verdade
Somente a verdade
Essa vã criatura indecisa no mal
Indecisa no bem
Sempre buscando venturas 
E sempre à procura das dores também
Com todos os desejos, pecados, receios 
Rancor e arquejos
Do animal que gargalha
E traz na boca rugidos e beijos!!"

EM "Canção do Vento" Raul Seixas, de forma lirica, fala sobre mudanças, sobre os anseios da juventude e quebra de tradições que travam o progresso. Destaque para a atmosfera que a música apresenta, trazendo em vários momentos o sopro do vento, a variação de instrumental também é muito interessante, alternando entre abalada e momentos de declamação de ode ao personagem vento.

"Vai, arrasta a chuva

Assanha estas nuvens de tempestade

Mas sopra doce o teu sopro
No rosto do moço que fala a verdade
Lá vai o vento, Brasil adentro"

Lá vai o vento, Brasil adentro

A canção seis é "Mamãe Eu não Queria" um clássico da insubordinação inspirada em “I Don’t Wanna Be a Soldier Mama”, do álbum Imagine, de 1971, de John Lennon, a música critica, em plena ditadura militar, o alistamento obrigatório. Essa música foi vetada pela censura, sendo proibida sua execução em público.

"Mamãe, eu não queria
Mamãe, eu não queria

Mamãe, eu não queria
Servir o exército
Nem pra sargento, cabo ou capitão
Nem quero ser sentinela, mamãe
Que nem cachorro vigiando o portão
Não!

Não quero bater continência"

A próxima faixa é "Mas I Love You", o ponto romântico do álbum, aqui Raul Seixas fez em homenagem a sua esposa Kika Seixas, música feita em momento delicado da carreira de Raul, com excesso no álcool e constantes conflitos familiar:


"Eu lavo e passo

Sirvo à mesa e faxino
Aprendo e te ensino
Posso até dirigir
Comprar um táxi
Só pra lhe servir

Deixo de ser coruja
Pra ser sua cotovia
E só viver de dia
Pra você ser feliz
Mas I love you..."

Na música oito tem uma parada bem interessante, Raul regrava a música "Eu Sou Egoísta", que havia sido lançada no disco Novo Aeon, do ano de 1975, e a mixagem feita com instrumentos em um canal e o vocal em outro, como era feito antigamente. Além disso, no final a trechos de canções de Dylan, Caetano Veloso, Lennon e do próprio Raul. Aqui a palavra "egoísta" tem um sentido diferente do seu uso comum, no sentido de fortalecer a palavra "eu", como alguém que gosta de si mesmo, não necessariamente sendo individualista:

"Eu sou estrela no abismo do espaço
O que eu quero é o que eu penso e o que eu faço
Onde eu tô não há bicho-papão
Eu vou sempre avante no nada infinito
Flamejando meu rock, o meu grito
Minha espada é a guitarra na mão"


O álbum Metrô Linha 743 ainda conta com a regravação da canção "O Trem das Sete", que originalmente esteve no disco Gita, de 1974, e contou com um coro masculino, em que o músico usa o trem como metáfora para a passagem da vida para a morte:

"Ói, já é vem, fumegando, apitando, chamando os que sabem do trem
Ói, é o trem, não precisa passagem nem mesmo bagagem no trem

Quem vai chorar, quem vai sorrir ?

Quem vai ficar, quem vai partir ?
Pois o trem está chegando, tá chegando na estação
É o trem das sete horas, é o último do sertão, do sertão"

Encerrando o disco (antes da faixa bônus), tem a faixa "A Geração da Luz", música com uma diversidade de instrumentos de sopro, e letra profética que aborda o legado do próprio Raul. A música foi parte da trilha sonora do especial musical para TV Plunct, Plact, Zuuum... 2.

"Eu já ultrapassei a barreira do som
Fiz o que pude às vezes fora do tom
Mas a semente que eu ajudei a plantar já nasceu!!
Eu vou, eu vou m'embora apostando em vocês
Meu testamento deixou minha lucidez"


1 Metrô Linha 743
(Raul Seixas)
2 Um Messias Indeciso
(Kika Seixas, Raul Seixas)
3 Meu Piano
(Cláudio Roberto, Kika Seixas, Raul Seixas)
4 Quero Ser O Homem Que Sou (Dizendo A Verdade)
(A. Simeone, Kika Seixas, Raul Seixas)
5 Canção Do Vento
(Kika SeixasRaul Seixas)
6 Mamãe, Eu Não Queria
(Raul Seixas)
7 Mas I Love You (Pra Ser Feliz)
(Raul Seixas, Rick Ferreira)
8 Eu Sou Egoísta
(Marcelo Motta, Raul Seixas)
9 O Trem Das Sete
(Raul Seixas)
10 A Geração Da Luz
(Kika SeixasRaul Seixas)
11 Anarkilópolis (Cowboy Fora-Da-Lei Nº 2)
(Cláudio Roberto, Raul Seixas, Sylvio Passos)







Roger Hodgson 2019-07-22 Lyon

 



Roger Hodgson

22 Jul 2019

Théatre Antique

Nuits de Fourvière

Lyon

MUSICA&SOM

Setlist :

01-Take the Long Way Home

02-#Talking#

03-School

04-Breakfast in America

05-Lovers in the Wind(fade into Easy Does It)

06-Easy Does It

07-Sister Moonshine

08-Along Came Mary

09-The Logical Song

10-Death and a Zoo

11-Only Because of You(fade into Lord Is It Mine)

12-Lord Is It Mine

13-Had a Dream (Sleeping With the Enemy)

14-Child of Vision

15-Band Intro

16-Don't Leave Me Now

17-Dreamer

18-#Talking#

19-Fool's Overture

20-#Encore Break#

21-Give a Little Bit

22-It's Raining Again





David Crosby - 1984-03-14 - Syracuse NY

 





David Crosby
1984-03-14
USA Sam's 
Syracuse, NY


01. The Lee Shore
02. Deja Vu
03. Lowdown Payment
04. Purple Haze Jam
05. Triad
06. Almost Cut My Hair
07. Drive My Car
08. Wooden Ships
09. Long Time Gone


1984 -Quando David Crosby tocou em Syracuse em 14 de março de 1984, há 39 anos, conforme capturado nesta gravação do soundboard, sua vida estava uma bagunça, para ser franco. Alguns anos antes, em 1982, Crosby foi preso e mais tarde passaria nove meses na prisão no Texas por diversas acusações de drogas e armas. Então, cerca de um ano após esse show, em 1985, ele foi preso por um incidente de atropelamento, bem como por posse de uma pistola escondida e apetrechos para drogas. Crosby bateu em uma cerca em um subúrbio do condado de Marin e os policiais que responderam encontraram uma pistola calibre .45 e cocaína em seu carro. Aparentemente, o único lugar onde Crosby poderia atuar era no palco, já que sua atuação não parece impactada de forma alguma por sua conturbada vida pessoal. Todos os seus problemas já passaram, pois ele deixou esta terra no início deste ano. Que ele descanse em paz.




Destaque

“Você Conhece?” Armageddon

  O Armageddon é um daqueles grupos que tinha tudo para estourar, mesmo no concorrido cenário roqueiro da década de 1970. Contando com músi...