sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Rainy Daze - That Acapulco Gold 1967

 

O combo pop psicodélico Rainy Daze foi formado em Denver, CO, em 1965. Composto pelo cantor/guitarrista  Tim Gilbert , seu irmão  Kip  na bateria, o guitarrista principal  Mac Ferris , o baixista  Sam Fuller e o tecladista  Bob Heckendorf , o grupo começou como pouco mais do que um ato de covers, no entanto, transformando uma série de shows em festas de fraternidade em uma aparição na televisão local que supostamente chamou a atenção do famoso produtor  Phil Spector , que estendeu um contrato de gestão. Uma campanha publicitária massiva estava em fase de planejamento quando o fracasso espetacular de sua obra-prima,  "River Deep, Mountain High" de  Ike & Tina Turner , deixou a carreira de Spector em frangalhos; o Rainy Daze estava entre os danos colaterais, e somente em 1967 seu single de estreia, "That Acapulco Gold" — escrito por  Tim Gilbert  em colaboração com seu colega de quarto da faculdade  John Carter  — apareceu no  selo Chicory do  produtor de Denver Frank Slay . Quando o single pegou fogo localmente, a gravadora iniciante UNI abocanhou os direitos de distribuição nacional, mas com "That Acapulco Gold" no número 70 nas paradas da Billboard, o fundo caiu. Uma vez que os programadores de rádio finalmente intuíram o conteúdo pró-maconha da música, ela foi retirada das listas de reprodução de costa a costa. O Rainy Daze ressurgiu rapidamente com "Discount City", que não deu em nada. A sequência, "Fe Fi Fo", foi rapidamente deletada e relançada sob o novo e melhorado título "Blood of Oblivion", até mesmo garantindo um lançamento no Reino Unido, mas ainda falhando em estourar nas rádios pop. Depois de um LP,  That Acapulco Gold , e um   single solo de  Tim Gilbert , "Early October", a UNI abandonou o grupo. No entanto, a essa altura, Gilbert  e  Carter  estavam ganhando destaque como uma dupla de compositores de sucesso, e via  Slay  ganharam uma chance de reformular uma faixa demo cortada por um grupo psicodélico desconhecido conhecido como  Thee Sixpence .  Gilbert  e  Carter  adicionaram letras e uma nova melodia, intitulando a música finalizada "Incense and Peppermints".  Thee Sixpence  cortou a nova melodia, renomeou-se  Strawberry Alarm Clock  imediatamente depois e, no final de 1967, liderou as paradas pop da Billboard. Sem dúvida, o sucesso de "Incense and Peppermints" contribuiu para a separação do Rainy Daze no início de 1968, mas  Gilbert  , mesmo assim, assinou com a White Whale para gravar um single final do Daze, "Make Me Laugh", apoiado por músicos de estúdio de Los Angeles. Ele e  Carter  planejaram  Horses, um quinteto country-rock cujo LP homônimo de 1969 foi vítima da falência pendente da White Whale.  Gilbert  logo depois se aposentou da música, mas  Carter  seguiu em frente, mais tarde escrevendo para  Sammy Hagar  and  the Motels . Ele também produziu duas músicas no  sucesso de retorno de  Tina Turner em 1984, Private Dancer,  antes de se mudar para a gestão de artistas.




Ian Carr with Nucleus - Solar Plexus 1971

 

Carr desempenhou um papel importante no desenvolvimento da fusão jazz-rock, tocando com  John McLaughlin  e formando um dos primeiros grupos de fusão jazz-rock da Inglaterra,  o Nucleus , em 1969. Carr abandonou sua banda e os contratou para a Vertigo. Naquele ano, ele tocou em  That's Just the Way I Want to Be ,  de Blossom Dearie, The  Heart Is a Lotus , de  Garrick , e  Electric City , de  Bob Downes Open Music  (que também incluía o guitarrista  Ray Russell  e o trompetista  Harry Beckett ). Naquele ano,  o Nucleus  lançou seu álbum de estreia  Elastic Rock . O grupo incluía  Clyne  no baixo,  Karl Jenkins  nas palhetas e piano elétrico,  John Marshall  na bateria,  Brian Smith  nos saxofones e  Chris Spedding  na guitarra. Naquele ano, Carr e  Rendell  também apareceram como solistas co-faturados na  obra-prima de  Ardley , o conceito jazz-cum-prog-cum-clássico oferecendo Greek Variations & Other Aegean Exercises .

Em 1971, enquanto Carr gravava  Solar Plexus  e  We'll Talk About It Later  com  o Nucleus , ele foi convidado a participar das sessões históricas que renderam  Septober Energy, do  Centipede , liderado por  Keith Tippett .

MUSICA&SOM




Chad Smith's Bombastic Meatbats - Meet The Meatbats 2009

 

Passado digamos, oh, do início a meados dos anos 80, sempre que você ouvia a frase "música de rock instrumental", geralmente significava um grupo de heavy metalistas detonando em seus respectivos instrumentos (geralmente com ginástica de guitarra na vanguarda). Em outras palavras, exibir suas habilidades parecia vencer a importância da composição de músicas repetidamente. Mas na época do álbum de estreia de  Chad Smith, Bombastic Meatbats , Meet the Meatbats de 2009  , felizmente isso não é mais o caso. Na verdade, o grupo especificamente volta no tempo para os anos 70, quando a música de rock instrumental era baseada em estilos de funk e fusão ( Wired de  Jeff Beck ,  Hymn of  the Seventh Galaxy de Return to Forever ,  Spectrum de  Billy Cobham , etc.). Alguns grooves fusion-y poderosos e finos podem ser detectados em  Meet the Meatbats  (e eles soam muito autênticos) -- especialmente cantigas como "Battle for Ventura Boulevard", "Death Match" e "Need Strange".  Smith  é considerado há muito tempo um dos melhores bateristas do rock, e o álbum de estreia de seus  Bombastic Meatbats  só fortalecerá sua posição






Trio Mandili - With Love 2015

 

Trio Mandili é um grupo musical georgiano originalmente composto por três jovens mulheres: Anna Chincharauli, Tatia Mgeladze e Shorena Tsiskarauli. Grupo interessante que abraça a música tradicional georgiana com um novo som,





















Ragpicker String Band - The Ragpicker String Band 2015

 

O bandolinista Rich DelGrosso, a guitarrista Mary Flower e o multi-instrumentista Martin Grosswendt ganharam muitos elogios por suas habilidades com as cordas. Juntos, eles receberam 9 indicações ao Blues Music Award, além de ótimas críticas e posições nos principais festivais do mundo. Eles dedilham, palhetam e fazem arcos juntos como a Ragpicker String Band — mas são suas harmonias de trio compactas que deslumbram especialmente.

















Discografias Comentadas: It’s A Beautiful Day

 

Discografias Comentadas: It’s A Beautiful Day
It’s a Beautiful Day: David LaFlamme, Pattie Santos, Mitchell Holman,
Val Fuentes, Hal Wagenet e Linda LaFlamme (1968)
Fundado em 1967, o grupo californiano It’s a Beautiful Day tornou-se um dos símbolos da segunda geração de grupos de San Francisco. A psicodelia de suas canções, as perfomances endiabradas de seus músicos nos palcos, e a crescente onda lisérgica do verão do amor, foram suficientes para tornar o It’s a Beautiful Day o maior expoente do novo cenário da música de San Francisco no final dos anos 60 e início dos 70, ao lado do Santana e após o estrondoso sucesso de grupos como Moby Grape, Jefferson Airplane e The Doors (considerados da primeira geração).
Porém, o sucesso do grupo não foi o suficiente para mantê-lo na ativa por muito tempo. Em apenas seis anos de vida, o grupo lançou quatro discos de estúdio e um álbum ao vivo, mas alterou momentos de instabilidade, que ocasionaram em diversas mudanças na sua formação, fazendo-o ser mais reconhecido por ser “a banda que gravou o tema original de Child in Time” (gravado pelo Deep Purple no álbum In Rock, de 1970) do que pelos méritos reais que o grupo possui.
Vamos então a curta mas deliciosa discografia do It’s A Beautiful Day.
 
It’s a Beautiful Day [1969]
Esse é um dos álbuns mais essenciais do flower-power californiano. Ele está no mesmo patamar de Cheap Thrills (Big Brother & The Holding Company) e Surrealistic Pillow (Jefferson Airplane). Nele, estão os maiores sucessos gravados pelo It’s a Beautiful Day. A canção que abre o LP, “White Bird“, é um marco do rock californiano. O casal David LaFlemme (violinos, voz) e Linda LaFlamme (teclados, voz), além de Pattie Smith (voz), Hal Wagenet (guitarras), Mitchell Holman (baixo, vocais) e Val Fuentes (bateria) criaram uma linda balada, com destaque para as passagens de violino e para as lindas vocalizações da dupla Pattie-David, além do órgão de Linda, que se sobressai na canção seguinte, a épica “Hot Summer Day“, uma espetacular balada latina comandada pelo baixo de Mitchell e pela harmônica de Bruce Steinberg. “Wasted Union Blues” traz a acidez típicamente californiana na guitarra de Hal, em um som que possui um ritmo alucinante. Outra bela canção encerra o lado A, “Girl With No Eyes”, agora com Linda fazendo um belo trabalho no cravo, tendo destaque novamente para o violino de David. O famoso riff que deu origem a “Child in Time” abre o lado B, na imortal “Bombay Calling“. As lindas notas orientais do violino são seguidas pela repetição das mesmas pelo órgão de Linda, de onde Hal surge com um vigoroso e efusivo solo de guitarra,  em uma fantástica faixa instrumental, repleta de duelos entre órgão e violino. “Bulgaria” é a mais intimista das canções, com um andamento soturno e ao mesmo tempo hipnotizante. Para encerrar, um delírio em foma de música, “Time Is”, com uma embalada sessão instrumental de abertura, que lembra músicas tradicionais russas, e com Linda se revelando uma espetacular tecladista. Admiradores de Jon Lord, ouçam e constatem por que o It’s A Beautiful Day era fonte de inspiração para o Purple. A canção encerra-se em um delirante free-jazz, com muita percussão e psicodelia, que fecha com chave de ouro o melhor álbum do grupo, e um dos melhores da história da Califórnia. A capa de It’s A Beautiful Day foi feita por George Hunter e pintada por Kent Holliseter, e foi eleita a vigésima quarta capa mais bonita de todos os tempos pela revista Rolling Stone.
Marrying Maiden [1970]
Os LaFlamme acabaram separando-se, e para o lugar de Linda, Fred Webb foi o contratado. Depois de um período conturbado, o grupo contou com a ajuda de Jerry Garcia (líder do Grateful Dead) e assim, gravou outro belo álbum. Marrying Maiden não tem a potência do álbum de estreia do grupo, mas destaca canções de muito bom gosto, e principalmente, revela outro talentoso tecladista, agora Webb. Jerry foi o responsável por tornar o som do grupo mais próximo do Southern Rock, e também sugeriu “a vingança” do It’s a Beautiful Day para o plágio que o Deep Purple havia feito com “Bombay Calling”. Logo na abertura do LP, a fantástica instrumental “Don and Dewey” provoca os britânicos, chupando sem-vergonha o riff da canção “Wring That Neck”, registrada no álbum do Deep Purple Book Of Taliesyn (1968). Um jazz rock fenomenal, mas que destoa bastante do resto do LP, o qual é mais leve, entre o Southern e o country, como pode ser comprovado na canção seguinte, a bonita “The Dolphins”. “Essence of Now” lembra The Mamas & The Papas, com as bonitas vocalizações de Pattie e David. Outra instrumental, “Hoedown”, é um country rock efervescente, com David solando de forma rápida e dançante, passando então para um solo de banjo feito por Jerry Garcia, que também é responsável pelo hilário solo de pedal steel guitar que vem na sequência.  A interessante “Soapstone Mountain” encerra o lado A, em uma suave canção, na linha de “Essence of Now”, com um refrão grudento e com Hal tocando de forma sublime. É nessa canção que a lisérgica guitarra de Hal dá as caras. “Waiting For The Sun” é uma rápida viajem lisérgica com vozes e um french-horn criando uma sonoridade muito estranha, seguida pela melosa “Let A Woman Flow“, um jazz suave, quase bossa-nova, com trechos cantados em espanhol. O jazz é retomado em “It Comes Right Down To You”, onde Jerry Garcia novamente participa com o pedal steel guitar e banjo, destacando nessa canção o clarinete de Richard Olsen. “Good Lovin'”, com um refrão grudentíssimo, resgata os ácidos acordes do primeiro álbum do grupo. A linda “Galileo”, com barulhos de vento e um dedilhado da guitarra seguidos por flautas, e a triste “Do You Remember The Sun”, que conta com um refrão marcante, encerram esse bom LP, que apesar de estar longe do LP de estreia, é uma ótima sequência para a carreira do grupo. A capa de Marrying Maiden é tão bonita quanto a de seu antecessor. Tendo o nome de A Joint Venture, a pintura foi construída por James William Redo III e Roberto Perez-Dias, e só fica relegada a segundo plano justamente pelo fato da capa do LP de estreia ser muito bela. Existe uma segunda capa que também é tão bonita quanto a original, mas que não é muito conhecida dos fãs da banda.
Choice Quality Stuff / Anytime [1971]
Depois de uma série de bem sucedidos shows, onde o grupo foi um dos destaques no Stamping Groung Festival da Holanda, em 1970, e do Festival de Bath, no mesmo ano, o grupo passa por uma nova reformulação, com Tom Fowler (baixo) e Bill Gregory (guitarra) substituindo Mitchell e Hal respectivamente. Porém, o clima entre os membros do grupo já não era o mesmo, principalmente David, que pensava em uma carreira solo, assim, gravam com o clima de fim de festa o chamado Disco do camelo. Dividido em duas partes, esse álbum caracteriza-se justamente de partes bem distintas. Choice Quality Stuff é pesado e bem trabalhado, abrindo com a fantástica “Creed of Love“, a qual possui um dos grandes refrões da carreira do grupo, além de um ótimo duelo entre Bill e David. “Bye Bye Baby” é um agitado blues que traz para o estúdio as improvisações que o grupo fazia ao vivo. “The Grand Camel Suite” mantém o bom nível, em uma ótima faixa instrumental que conta com uma cozinha bem southern rock. “No World For Glad” é próxima do hard setentista, e “Lady Love” é um funk psicodélico que lembra o Experience de Jimi Hendrix. Os membros do Santana Jose Chepito Areas (percussão), Coke Escovedo (percussão), e Gregg Rolie, (teclados) participam da faixa “Words”, uma paulada que não poderia deixar de lembrar as canções do Santana, com os vocais sensuais de Pattie se destacando, além do fantástico solo de Greg, encerrando o lado A com muito peso. Já Anytime é bem mais calmo. “Place Of Dreams” é uma canção sessentista, assim como a bonita instrumental “Oranges & Apples”, que conta com o trompete de Bill Atwood, o qual participa de “Anytime“, uma leve e dançante canção, na linha das canções de Janis Joplin com a Kosmic Blues Band, e que tem o ponto alto no solo de saxofone feito por Atwood. “Bitter Wine” trás de novo o pessoal do Santana, e o embalo é retomado em uma faixa que é cantada por Pattie e David juntos, encerrando o álbum com a ótima “Misery Loves Company”, com um fantástico solo de Bill. A engraçada capa com o camelo andando pelo deserto e se imaginando dirigindo um carrão entre vários parceiros de corcovas, foi feita por George Benett, e chegou a causar alguma polêmica nos EUA por apresentar os testículos do mamífero. O Disco do camelo foi o último a contar com David LaFlamme, que decidiu seguir carreira solo pouco depois do grupo lançar o bom ao vivo at Carnegie Hall (1972), mas não foi o último da discografia.

It’s a Beautiful Day … Today [1973]

Sem David, Patti, Val, Bill e Fred tocaram o barco com Bud Cockrell (baixo) e Greg Bloch (violino). Essa formação gravou o derradeiro álbum do grupo. O som do It’s a Beautiful Day mudou bastante, fugindo totalmente da psicodelia, e criando um espaço mais homogêneo para as vocalizações de Pattie, Bill e Bud, misturando bonitas baladas e canções mais dançantes. “Ain’t That Lovin’ You, Baby” é a canção que abre os trabalhos, com um cadenciado andamento, onde sem dúvida as vocalizações são o maior destaque, assim como o ótimo solo de Bill. “Child” é um triste blues, levado pelo piano e pelas tristes notas da guitarra, onde Pattie mostra todos os seus dotes vocais. “Down on the Bayou” é mais setentista, com um andamento swingado e dançante, tendo um ótimo solo de hammond. “Watching You, Watching Me” é uma canção cuja levada do baixo lembra “Ramble On”, do Led Zeppelin, porém sendo uma canção bem mais leve. O lado A encerra com a linda balada “Mississippi Delta”, levada  por piano, violino e uma emotiva interpretação vocal do grupo, com um clima bem sessentista.  A agitada “Ridin’ Thumb” destaca os vocais sensuais de Pattie Smith, sobre mais uma levada swingada do grupo, abrindo o lado B com bastante ritmo. O piano de “Mississippi Delta” volta a estar presente em outra linda canção, “Time”, um bluesão sensacional onde Fred mostra seu talento com o piano, enquanto “Lie to Me” retoma o andamento sessentista, com bonitas passagens vocais e também do piano. “Burning Low” é uma agitadíssima canção, onde a levada de baixo e piano, acompanhando as vocalizações de Pattie e Bill, dão um tempero pop ao som de … Today, que encerra-se com “Creator”, uma triste canção soul, que deixa a sensação de que o It’s a Beautiful Day podia entrar no novo mundo da música com bastante vigor, e com potencial para continuar na ativa por muitos anos.

Foto clássica na capa interna do primeiro álbum do grupo

Porém, o grupo acabou logo após o lançamento desse álbum. Algumas reuniões ocorreram nas décadas posteriores. Em 1989, Pattie faleceu em um acidente de carro. Fred Webb faleceu no ano seguinte e em 1997, David LaFlamme retornou com o grupo, porém apenas para apresentações, sem gravar nenhum disco de estúdio, mas apresentando aos novos e velhos fãs os clássicos que marcaram a carreira desse grande grupo, que mesmo em seu pequeno período na Terra, teve sua relevância destacada entre muitos nomes do rock, principalmente Ian Gillan, o qual em uma entrevista em 1990, afirmou que o grupo havia sido uma das maiores influências na Mark II do Deep Purple.

Destaque

Luther Allison Live in Chicago 1995

  DISCO 1 01. Intro 02. Soul Fixin' Man 03. Cherry Red Wine 04. Move From the Hood 05. Bad Love 06. Put Your Money Where Your Mouth Is 0...