terça-feira, 10 de dezembro de 2024

BIOGRAFIA DE David Cassidy


 David Bruce Cassidy (Nova Iorque, 12 de abril de 1950  Fort Lauderdale, 21 de novembro de 2017) foi um cantor estadunidense. Também foi ator, compositor e guitarrista. Ele é mais conhecido pelo seu papel de Keith Partridge, da série de TV The Partridge Family (1970-1974). No programa, ele atuou ao lado de Shirley Jones, sua madrasta na vida real. Com o sucesso do programa, tornou-se uma celebridade da cultura popular e um ídolo adolescente internacional da década de 1970. Morreu no dia 22 de novembro de 2017, ao 67 anos.

Primeiros anos

David Cassidy nasceu em Nova Iorque, filho do ator Jack Cassidy com a atriz Evelyn Ward. Seus pais viajavam com frequência e ele ficou muitos anos morando com os avós em West OrangeNew Jersey..[2] Em 1956 seus pais se divorciaram.[3]

Ainda em 1956, seu pai se casou com a atriz Shirley Jones e o novo casal teve três filhos: Shaun (1958), Patrick (1962) e Ryan (1966).

Carreira

Em 2 de janeiro de 1969, David Cassidy fez sua estréia profissional em um musical da Broadway chamado The Fig Leaves Are Falling que teve curta temporada..[4] Para sorte de David, um diretor de elenco gostou de sua performance e lhe propôs um teste de cinema. Em 1969, David foi para Los Angeles.[4]

Assinou com a Universal Studios em 1969 e apareceu em episódios das séries IronsideMarcus Welby, M.D.Adam-12 e Bonanza. Em 1970, ele assumiu o papel de Keith Partridge, filho de Shirley Partridge, interpretada pela sua madrasta da vida real Shirley Jones, na série de TV The Partridge Family.

O criador da série Bernard Slade e os produtores Paul Junger Witt e Robert "Bob" Claver não queriam que Cassidy cantasse no programa. O contrataram pelo seu visual andrógino com longos cabelos, garantia de sucesso na época. Mas logo no início da produção, Cassidy convenceu o produtor musical Wes Farrell que ele poderia ser o vocalista principal da banda do programa, tanto em shows como nas gravações de discos. A canção I Think I Love You se tornou um sucesso e Cassidy começou seus discos solo. Seu primeiro sucesso foi com a canção "Cherish" (do disco de mesmo nome) que alcançou o nono lugar nos Estados Unidos. Logo David se tornaria ídolo adolescente.

Álbuns de The Partridge Family e cinco discos solo foram produzidos durante a permanência do programa (1970-1974). David viajaria e se apresentaria em várias partes do mundo, dando inicio a "Cassidymania". Num show no Texas em 1972, ele reuniu um público de 56 000 pessoas.[5] Um concerto no Madison Square Gardens de Nova Iorque teve lotação esgotada e causou tumultos após a apresentação..[6] Ele viajou para o Reino Unido e se apresentou em Wembley em 1973. Na Austrália em 1974, houve histeria em massa e foi visto por 33 000 pessoas no Melbourne Cricket Ground.[7][8]

Enquanto ainda filmava The Partridge Family uma adolescente morreu em uma de suas apresentações. Num show em Londres White City Stadium em 26 de maio de 1974, 650 pessoas ficaram machucadas ao serem pisoteadas e esmagadas na frente do palco. Trinta foram hospitalizadas e a garota de 14 anos de idade, Bernadette Whelan, viria a falecer em 30 de maio devido aos ferimentos..[9] O show era o penúltimo da tournê mundial do cantor.[10][11][12]

Em autobiografia de 1994 chamada C'mon Get Happy: Fear And Loathing On The Partridge Family Bus, Cassidy relata mais aspectos da sua fase de maior fama, incluindo os contratos, dinheiro e fanatismo dos fãs ao redor do mundo.

Cassidy odiava o estilo "bubblegum pop" das canções de The Partridge Family e queria partir para um trabalho mais sério na linha de hard rock. Rebelando-se contra a imagem de bom moço que angariara com o personagem Keith Partridge, Cassidy falaria numa entrevista à revista Rolling Stone sobre sua vida sexual e experiências com drogas. A publicação lançada em 11 de maio de 1972 deixou o público chocado, pois 38 por cento da audiência de The Partridge Family era de crianças. Cassidy mostrou desapontamento com a forma que fora escrito o artigo que inclusive trazia especulações sobre sua possível homossexualidade. A Coca-Cola cancelou seus planos de propôr a David Cassidy um especial de TV. Outras companhias que usavam a imagem do cantor em seus produtos, também suspenderam as promoções.[13]

Nessa época, Cassidy já tinha decidido não mais se apresentar com a The Partridge Family, concentrando-se na carreira solo de cantor e compositor. O sucesso internacional continuou, principalmente na Grã-Bretanha e na Alemanha, onde lançaria três bem-sucedidos álbuns pela RCA de 1975 a 1977. Cassidy tornou-se o primeiro americano a ter uma canção I Write The Songs, na parada das Top 20 canções do Reino Unido. Os discos de Cassidy foram produzidos pelo compositor Bruce Johnston dos The Beach Boys.

Em 1978, Cassidy apareceu em um episódio de Police Story chamado "A Chance To Live", e foi indicado a um Emmy pela sua atuação.[14] Baseado nesse papel, a NBC criou um programa chamado David Cassidy: Man Under Cover que foi cancelado após a primeira temporada. Contudo, o mesmo formato foi reutilizado pela Fox TV na série 21 Jump Street, com Johnny Depp num papel similar ao de Cassidy.

Em 1985, o sucesso musical continuou com a canção gravada pela Arista chamada The Last Kiss (#6 no Reino Unido), com vocais de George Michael que participou do álbum RomanceGeorge Michael citou Cassidy como a maior influência de sua carreira numa entrevista a David Litchfield.[15] Cassidy voltaria às paradas americanas em 1990 com Lyin' To Myself, gravado pela Enigma. Em 1998 ele fez sucesso com "No Bridge I Wouldn't Cross" do seu álbum Old Trick New Dog. Seu álbum de 2001 Then and Now ganhou um disco de platina internacional e trouxe Cassidy para o Top 5 das canções do Reino Unido, pela primeira vez desde 1974.

Cassidy também se apresentou em musicais teatrais. Em 1981 ele viajou com um revival de uma produção pré-Broadway chamada Little Johnny Jones, de um espetáculo originariamente produzido em 1904 com canções, harmonia e partitura de George M. Cohan. (O show aparece no filme biográfico Yankee Doodle Dandy (1942), com James Cagney cantando Give My Regards to Broadway e The Yankee Doodle Boy). Contudo, Cassidy recebeu críticas negativas e foi substituído por Donny Osmond,[16] quando o show foi para a Broadway.[17] Cassidy figurou no elenco substituto de 1982 da produção da Broadway Joseph and the Amazing Technicolor Dreamcoat..[18] Ele se apresentou em Londres West End com a peça Time e voltou para a Broadway em Blood Brothers acompanhado de Petula Clark e de seu meio-irmão Shaun Cassidy. Em 1996, Cassidy substituiu Michael Crawford em show em Las Vegas chamado EFX, mas teve que parar quando machucou o pé durante uma performance. Foi o criador de The Rat Pack is Back e apareceu como Bobby Darin numa temporada bem-sucedida. Em 2000 ele escreveu e se apresentou em Las Vegas no show At the Copa, com Sheena Easton. Em 2005, Cassidy interpretou o empresário de Aaron Carter no filme Popstar. Em 2006, ele fez uma participação especial em programa de caridade ao vivo da BBC chamado Children in Need.

Ele co-protagonizou ao lado de seu irmão Patrick em 2009 a série de comédia para a família da American Broadcasting Corporation chamada Ruby and the Rockits, criação de seu outro irmão Shaun.[19]

Vida pessoal

David Cassidy em 1970

A primeira esposa de Cassidy foi a atriz Kay Lenz, com quem se casou em 1977 e se divorciou em 1982. Sua segunda esposa foi a esportista sul-africana Meryl Tanz, casados em 1984. O casamento acabou em 1985. Em 30 de maio de 1991, Cassidy se casou com Sue Shifrin-Cassidy, compositora, com quem teve um filho, Beau Devin Cassidy. O cantor também tem uma filha, a atriz Katie Cassidy (nascida em 1986), do seu relacionamento com a modelo Sherry Benedon. O casal Shifrin-Cassidy entrou com pedido de divórcio em fevereiro de 2014. David também namorou uma designer de interiores.

O tablóide The Globe relatou que Cassidy uma vez dormiu com sua parceira de Partridge Family Susan Dey. Ele disse que amava a atriz adolescente como a uma irmã mas que ela queria dormir com ele. Shirley Jones falou que Dey tinha uma grande atração por Cassidy e que falara para ele "tomar conta dela".[20] Numa festa com o fim do programa, Dey confessara seus sentimentos e o casal passara uma noite juntos, mas Cassidy não se sentiu confortável com isso.[20]

Cassidy escreveu outras memórias que foram lançadas no Reino Unido em março de 2007. Could It Be Forever? My Story, com detalhes de sua vida particular.

Após cinquenta anos de carreira, Cassidy anunciou o fim de sua carreira em fevereiro de 2017, por motivos de saúde. Cassidy sofria de insuficiência renal, e foi internado em um hospital de Fort LauderdaleFlórida em 18 de novembro de 2017 em condição crítica.[21] Sua condição exigia o transplante de fígado, mas seus órgãos vitais começaram a apontar falência, sendo mantido em coma induzido até 21 de novembro, quando veio a falecer aos 67 anos.[22][23]

Discografia (solo)

Singles



Discografia de The Partridge Family

Filmografia


POEMAS CANTADOS DE CAETANO VELOSO

Noite de Cristal

Caetano Veloso

Noite centelha de noite

Noite luzidia

Nua na telha de vidro

Lua mãe Maria


Noite multiplica o brilho

Voz de agudo som

Chuva de arroz, trigo e milho

Noite de ano bom


Noite prisma

Momento total

O mundo cisma

Mas eu miro o teu cristal


E vejo e peço

Dias de outras cores

Alegrias para mim

Pro meu amor

E meus amores


Dias de outras cores

Alegrias para mim

Pra o meu amor

E meus amores

 


Noite de Hotel

Caetano Veloso

Noite de hotel

A antena parabólica só capta videoclips

Diluição em água poluída

(E a poluição é química e não orgânica)

Do sangue do poeta

Cantilena diabólica, mímica pateta


Noite de hotel

E a presença satânica é a de um diabo morto

Em que não reconheço o anjo torto de Carlos

Nem o outro

Só fúria e alegria

Pra quem titia Jagger pedia simpatia


Noite de hotel

Ódio a Graham Bell e à telefonia

(Chamada transatlântica)

Não sei o que dizer

A essa mulher potente e iluminada

Que sabe me explicar perfeitamente

E não me entende

E não me entende nada


Noite de hotel

Estou a zero, sempre o grande otário

E nunca o ato mero de compor uma canção

Pra mim foi tão desesperadamente necessário



Paco Ibañez [Discografía]

 

Discografia de Paco Ibañez. Faltariam as duas colaborações com Carmela em que ele a acompanha ao violão.

Os discos contidos no arquivo de download são os seguintes:


  • Hommage a Atahualpa Yupanqui (1962)
  • Los unos por los Otros 1 (1964)
  • Los unos por los Otros 2 (1967)
  • Los unos por los Otros 3 (1969)
  • En el Olympia (Paris) (1969)
  • Les Concerts A Paris. La Sorbonne (1969) + Le Palais des Esports (1971)
  • Interpreta a Neruda (1977)
  • A Flor de Tiempo (1978)
  • Canta Brassens (1979)
  • Leon Felipe y sus Interpretes (1984)
  • Por una canción (1990)
  • A Galopar (con Rafael Alberti) (1991)
  • Oroitzen (con Imanol) (1999)
  • Canta a Jose Agustin Goytisolo (2002)
  • Fue ayer [con Soto] (2003)
  • Concierto en l'Espai de la Dansa i Musica de la Generalitat, Barcelona (2003)
  • Canta a los poetas andaluces (2008)
  • Concierto Con Quilapayun, Inti-Illimani [Paris, Folies Bergsres] (2008)
  • Canta a los poetas latinoamericanos (2012)
  • Concierto En Estudios de la RTSI
  • Federico Garcia Lorca 50 Años [con the Dudaim & Baldi Olier]
  • Homenaje a las Madres de Plaza de Mayo (Luna Park, Buenos Aires)
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A Quenlla [Discografia]


Discografia de A Quenlla, formação galega promovida por Mini e Mero após sua passagem pela formação Fuxan os Ventos


Os discos contidos no arquivo de descarga são os seguintes:

  • Os Tempos Inda Non, Non Son Chegados (1986)
  • As Nosas Cancions. Vol. II (1988)
  • Europolis'88 (1988)
  • Romance (Exposicion - Historia Da Lingua Galega) (1988)
  • Mais Ala Da Neboa (1990)
  • Terra (1992)
  • Xose Anton Diaz Escolante - Xogando Coa Musica (1992)
  • Nadal En Galego (con Fuxan Os Ventos) (1993)
  • A Casa Que Nunca Tivemos (1996)
  • As Nosas Cancions (1997)
  • Namorate Da Vida (1999)
  • Silencios Na Memoria (2004)
  • 17 Canciones de Troula (2006)
  • De Amor, Dor e Loita (2013)
  • Os Irmandiños (2014) 

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Discografias Comentadas: Pixies

 



O quarteto norte-americano Pixies iniciou sua trajetória em 1986, na cidade de Boston, estado de Massachusetts, quando a dupla de estudantes da universidade local Joey Santiago (guitarra) e Charles Thompson IV (guitarra, violões e vocais) decidiu montar uma banda, após Charles voltar de um intercâmbio em Porto Rico. Com a adição da baixista e vocalista Kim Deal (que a revista Bizz uma vez definiu, com propriedade, como “o mais belo sorriso do show business mundial”) e do baterista David Lovering, a formação clássica e permanente do grupo estava criada, com Charles adotando o nome artístico de Black Francis. O nome foi escolhido aleatoriamente por Santiago em um dicionário, e significa algo como “pequenos duendes travessos”.
Com uma carreira que durou até 1993 (a banda se reuniria em 2004, porém sem gravar novo material), o Pixies é um daqueles casos de bandas que não obtiveram um sucesso comercial massivo em sua época, porém foram tão influentes e importantes, que as bandas que surgiram inspiradas por eles acabaram fazendo com que fossem descobertos por uma geração que não os acompanhou enquanto estavam na ativa. Para termos uma ideia de sua importância, Kurt Cobain (Nirvana) comentou que “Smells Like Teen Spirit”, talvez a música mais importante do rock dos anos 90, foi composta porque ele queria “fazer uma canção que soasse como o Pixies”. Chegou perto…
Confira então a trajetória dos duendes:
Come On Pilgrim [1987]
A primeira demo da banda, conhecida como “Purple Tape” (por causa da cor de sua capa), rendeu ao conjunto um contrato com a gravadora independente 4AD, a casa dos Pixies durante toda a sua carreira. Desta demo, a gravadora selecionou oito faixas e lançou o EP de estréia do quarteto, intitulado Come On Pilgrim. Em pouco mais de vinte minutos, os Pixies apresentam seu cartão de visitas para o mundo, com uma música diferente dos estilos populares da época, com ênfase em guitarras distorcidas, mas nem tão pesadas quanto às do heavy metal (misturadas às levadas de violão do vocalista), nos vocais ora gritados, ora melódicos, ora declamados de Black Francis, o baixo e os maravilhosos backing vocals de Mrs. John Murphy (Kim Deal, que só mais tarde passaria a assinar com seu nome real), os solos por vezes esquisitos (mas sempre maravilhosos) de Joey Santiago, e a bateria precisa e concisa de David Lovering. O tempo que Francis passou em Porto Rico serviu para que ele aprendesse espanhol, e a língua é usada em músicas como “Vamos” e “Isla de Encanta“, o que se tornaria uma espécie de tradição do grupo. Nas outras seis faixas, músicas que se tornariam clássicas no repertório do conjunto (“Caribou“, “The Holiday Song”, “Nimrod’s Son“), e a certeza de que a música nunca mais seria a mesma novamente. O EP seria lançado anos depois como bônus do CD do disco seguinte, facilitando a vida de colecionadores que o procuravam arduamente.
Surfer Rosa [1988]
Pouco mais de meia hora bastaram para o Pixies assumir seu lugar como uma das mais importantes e influentes bandas dos anos 80. Este foi o primeiro disco do grupo que ouvi, lá por 1990 ou 1991. Na época, com os ouvidos entupidos de Metallica, Iron Maiden e Slayer, além do sempre presente punk rock, não compreendi muito bem o som deste disco, bem diferente daquilo a que eu estava acostumado. A essência do que se costuma chamar de alternative rock está aqui, um tipo de som que anos depois ficaria conhecido em todo o mundo graças ao disco Nervermind, do Nirvana. Tudo o que tornou o time de Kurt Cobain famoso está aqui, até o produtor Steve Albini, não por acaso o mesmo de In Utero, álbum de despedida da banda de Seattle. O disco é uma evolução em relação ao primeiro EP, e, além da clássica “Where Is My Mind“, o maior “hit” do play, merecem destaques a calma e doce “Gigantic” (a canção mais melódica do grupo até então, e a primeira do catálogo do Pixies a contar com Kim Deal nos vocais principais, com sua voz sensual e insinuante), “Something Against You”,  “Oh My Golly!“, “Bone Machine” e uma nova versão para “Vamos“. Surfer Rosa é um dos grandes discos de estreia da história do rock, mas o melhor ainda estava por vir.
Doolittle [1989]
O primeiro disco gravado com aquele que se tornaria o produtor definitivo do quarteto, o britânico Gil Norton (que também trabalhou com Throwing Muses, Pere Ubu, Sum 41 e Foo Fighters, entre muitos outros), Doolittle mostra em pouco mais de 38 minutos uma cartilha que muitas das bandas de sucesso dos anos 90 e do século XXI seguiriam à risca (pode incluir aí nomes como Nirvana, Mudhoney, The Strokes, Franz Ferdinand, Arctic Monkeys e várias outras), alcançando, após o sucesso destas, um reconhecimento que o Pixies nunca recebeu enquanto na ativa. Um dos melhores discos da década de 1980, e que em um mundo ideal seria venerado e adorado como o clássico que realmente é, Doolittle parece uma coletânea, de tantas músicas boas que contém, sendo que grande parte delas tornaram-se obrigatórias nos shows do grupo (e deveriam ser também nos players de quem gosta de rock). “Debaser” (com letra inspirada no filme “Um Cão Andaluz”, de Luiz Buñuel), “Tame” (com sua sequência de gemidos eróticos entre Francis e Deal), “Wave of Mutilation“, “Here Comes Your Man“, “Monkey Gone To Heaven“, “La La Love You” (cantada pelo baterista Lovering),  “Hey” e “Gouge Away” (e sua hipnótica linha de baixo) são clássicos não só do indie rock, mas da música em geral, daquele tipo raro que, assim que acabam, fazem você voltar a agulha (ou o laser, ou ainda o botão de repeat, dependendo do caso) e querer escutar tudo de novo. Doolittle é essencial na prateleira de quem se diz apreciador de rock. Não há nada mais que precise ser dito.
Bossanova [1990]
Após quase se separar durante a turnê de Doolittle, com Black e Joey de um lado e Kim de outro, devido ao desejo desta de incluir mais músicas de sua autoria no repertório da banda, indo contra o domínio artístico de Francis, o principal compositor e cantor do grupo, o que por pouco não causou a demissão da baixista ao final da tour de promoção do LP; a banda pisou no freio, e apareceu com um disco que mostrava novos caminhos para sua música. A surf music dos anos 50, até então uma influência insuspeita na obra dos Pixies (com exceção de alguns solos esparsos perdidos no meio da barulheira do grupo), aparecia com força, como na abertura instrumental de “Cecilia Ann“, nas baladas “Havalina” e “Ana”, e na eficiente “Blown Away”. A sombria e gótica “Velouria” foi o grande sucesso do álbum, mas músicas como a malemolente “Dig For Fire” e a curta “Allison” (cujos videoclipes se completam quando tocados juntos) também merecem destaque. “Rock Music” e “Hang Wire” mostravam que nem tudo estava diferente no universo do quarteto, neste disco que foi um pouco incompreendido na época devido à sua sonoridade diferente dentro do catálogo do grupo, mas que hoje em dia tem o merecido reconhecimento por parte dos fãs do Pixies.
Trompe Le Monde [1991]
O último álbum dos Pixies escancarava de vez o domínio de Black Francis sobre os outros membros, sendo ele o autor de todas as composições, à exceção de “Head On“, cover do Jesus and Mary Chain, e que é um dos destaques do disco, tendo um dos videoclipes mais legais já gravados na história da música. Com uma sonoridade mais próxima das origens da banda (distanciando-se da proposta mais calma e elaborada de Bossanova), Trompe Le Monde trazia canções típicas da sonoridade do quarteto, como “Planet of Sound“, “Alec Eiffel” e “Subbacultcha”. As influências da surf music, entretanto, não foram totalmente abandonadas, como em “Letter to Memphis” e “Motorway to Roswell”. As letras sobre o espaço sideral, sempre presentes na temática de Black, aparecem com destaque ainda maior neste disco, como nas citadas “Planet of Sound” e “Motorway to Roswell”, além de “Space (I Believe In)”. Após a turnê, os conflitos entre Francis e Deal (que tem uma participação bastante reduzida no álbum, praticamente não fazendo nenhum dos seus tradicionais “backing vocals” e não cantando nenhuma canção) finalmente levaram à dissolução do Pixies, com Francis assumindo uma carreira solo sob o nome Frank Black, e Kim Deal se dedicando de vez ao Breeders, banda que mantinha paralelamente ao grupo já havia algum tempo.

Complete B-Sides [2001]

Como o nome já entrega, esta é uma compilação dos lados B dos singles da banda, lançada após a separação do quarteto. As influências de surf music estão em evidência em músicas como a versão “UK Surf” de “Wave Of Mutilation” (tão distinta da original que a banda passou a apresentar as duas versões ao vivo, dentro do mesmo show), “The Thing”, “Velvety Instrumental Version”, “Theme From Narc” e  “Santo” (homenagem à dupla Santo & Johnny, que gravaram a clássica “Sleep Walk”). Mas as típícas pauladas dos Pixies não foram esquecidas, vide “Manta Ray”, “Weird At My School”, “Into The White” (cantada por Kim Deal) e a quase country “Build High“. As letras em espanhol são retomadas, em músicas como “Evil Hearted You”, na versão ao vivo de “Vamos”, e em partes da já citada “Santo”. Assim como aconteceu com “Head On”, novamente a banda resolveu gravar versões cover, sendo que desta vez o homenageado foi o bardo canadense Neil Young, de quem os Pixies gravaram “Winterlong” e “I’ve Been Waiting For You”, que se destacam no track list deste álbum. Apesar de não trazer temas inéditos, é um disco essencial no catálogo da banda, pois muitas de suas canções são bem difíceis de encontrar em suas versões singles originais, ainda mais no Brasil.

Purple Tape [2002]

As nove músicas da primeira demo que ficaram de fora do EP Come On Pilgrim foram lançadas sob o título original, Purple Tape, em 2002. Com duração de pouco menos de 18 minutos, o EP traz as versões originais de canções que seriam regravadas posteriormente pelo Pixies, como “Here Comes Your Man”, “Down to the Well” e “Subbacultcha”, além de faixas que acabaram “esquecidas” pelo grupo, como “Rock a My Soul” e “In Heaven”, que, apesar de bastante executada ao vivo, tem aqui seu único registro de estúdio. Válido para os apreciadores do quarteto, mas pouco interessante para quem ainda não está inteirado do universo do Pixies.
Em 2003, o grupo decidiu se reunir, fazendo uma extensa turnê mundial no ano seguinte (vindo inclusive ao Brasil, para um concorridíssimo show em Curitiba). Desde então, a banda vem excursionando constantemente, mas nenhum material novo foi lançado, à exceção do single digital “Bam Thwok”, de 2004. Vários CDs ao vivo foram lançados no esquema instant live (onde você compra o disco do show que assistiu poucos minutos após o mesmo acabar), principalmente nos Estados Unidos, e pelo menos três DVDs com apresentações ao vivo surgiram no mercado, com destaque para Live in Newport, que mostra uma apresentação acústica do quarteto no famoso Newport Folk Festival, em 2005. O jeito é continuar aguardando que um novo álbum de estúdio apareça, e seguir reverenciando esta que é uma das poucas bandas que pode se orgulhar de ter ajudado a mudar a cara da música mundial, os “pequenos duendes travessos” do Pixies.
Pixies em 2009: Kim Deal, Joey Santiago, David Lovering e Black Francis

DE Under Review Copy (CONDENAÇÃO PACÍFICA)

 


CONDENAÇÃO PACÍFICA

Banda punk extremamente influente nascida em Lisboa decorria o mês de Janeiro de 1986. Na sua formação original constavam Marcelo, (voz), Jorge Nunes (guitarra, ex-Grito Final), Guedes (baixo) e Joaquim Paulo Cardona (bateria, futuro membro dos Gazua). Este line up manter-se-á até Setembro de 1987. Muito influenciados pelos Crass, foram os percursores em Portugal da filosofia anarco-punk que noutros países já definhava há anos. Tiveram uma existência problemática resultante não apenas da filosofia que defendiam mas também derivada das inúmeras alterações ocorridas no seio do próprio projecto. Chegaram a ensaiar ao ar livre dada a inexistência de local de ensaios. Deram memoráveis concertos no Rock Rendez Vouz, imortalizados na cassete "Condenados Sem Julgamento" que auto-editaram em 1988 e num vídeo gravado na mítica sala de concertos em Lisboa. Tocaram ainda, por diversas vezes, na sede do PSR e no Tivoli. Vestiam de negro dado a sua bandeira ser dessa cor. Defendiam a bandeira da paz e os direitos dos animais. O grupo deu por finda a sua actividade em 20 de Novembro de 1987, tocando ao vivo pela derradeira vez no RRV. Por essa altura, os Condenação Pacífica eram Careca (voz), Jorge Nunes (guitarra), João (guitarra), Paulo (baixo) e Joaquim Paulo (bateria). Em Janeiro de 1988, Jorge Nunes e Joaquim Paulo decidem ressuscitar o projecto, chegando a fazer um primeiro ensaio com a nova formação ainda incompleta. Contudo, o futuro já havia terminado. Em 2009, noticiou-se que a editora Zeroworks estaria a pensar incluir a banda no segundo volume da série "Raridades" que teve já direito à edição do primeiro tomo. Infelizmente, a ideia ainda não se concretizou. 

DISCOGRAFIA 

 
CONDENADOS SEM JULGAMENTO [Tape, Edição de Autor, 1988]



Destaque

Ian Hunter - All American Alien Boy 1976

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