quinta-feira, 15 de maio de 2025

Recordando os Massacre/Enforce - Portugal. Banda Thrash / Death Metal de Queluz.


Recordando os Massacre/Enforce - Portugal. Banda Thrash / Death Metal de Queluz.

Massacre - Mortal Remains (DEMO COMPLETA)


Enforce - Enforce (DEMO COMPLETA)


Massacre - Unconscious Genocide - Rock Rendez Vous 1989


Enforce ao vivo em Queluz em 02-02-1991


Thrash / Death Metal 1987-89 (Massacre) 1989-91 (Enforce).
Membros da banda:
Jose Costa - Vocals/Bass
Jorge Oliveira - Drums
Paulo Almeida - Guitar (89-91)
Ex-membros da banda:
Paulo Morais - Guitar
Vasco -Drums

LUTH PEIXOTO

 


Luth Peixoto nasceu em Gurupi TO, morou em Goiânia, Brasília e atualmente vive em Cuiabá MT. Fez-se artista sendo cria dos festivais, sempre aplaudido por onde passou e apresentando-se nas noites dos bares das cidades por onde passou.

Um grande artista, excelente instrumentista, compositor e cantador arrojado. Luth é diferenciado no palco, na forma de compor e de cantar.

Dois álbuns na matula e o projeto do terceiro no alforge (já no prelo), esperando masterização e o fim da pandemia. Vai Passar e o projeto chegará.







"Deixa-me Olhar" AlémMar (1998)

 Hoje em dia o conceito de fama é cada vez mais abstracto e aleatório. Parece que a qualquer momento cada um pode ter os seus quinze minutos warholianos sem sequer fazer algo meritório para tal. E claro está, com as novas tecnologias, existem outras plataformas de fama.

Mas eu cresci no tempo em que não só prevalecia a associação da fama ao mérito como o meu eu petiz acreditava que os famosos eram uns quantos escolhidos por alguma providência para se distinguirem do cidadão comum e viviam num universo paralelo que só episodicamente desciam ao mundo da gente comum para concertos ou algo assim. E para um miúdo que cresceu em Torres Novas esse universo paralelo podia muito bem ser Lisboa ou Porto. Qual era o famoso que quereria viver num município tão singelo como Torres Novas?
Bem, havia um famoso no concelho de Torres Novas e como tal, foi o primeiro famoso que eu vi na rua, fora de um contexto artístico: Pedro Barroso (o cantor, não o actor de telenovelas). Apesar de nascido em Lisboa, António Pedro da Silva Chora Barroso cresceu na freguesia dos Riachos e por lá continuou a residir mesmo quando a sua carreira como músico arrancou tendo sido um dos cantautores revelados pelo "Zip-Zip". Os anos 80 foram o seu período de maior sucesso da sua carreira por conta dos seus dois grandes hits: "Cantar Brejeiro" (mais conhecido como "Olha A Perninha Da Menina") em 1982 e "Menina Dos Olhos d'Água" em 1987.



Mas em 1998, vi-me a poucos graus de separação de gente famosa, porque foi nesse ano que se celebrizou uma banda com membros naturais do meu concelho. Isto porque foi nesse ano que os AlémMar editaram o seu primeiro álbum. E não só o vocalista era Nuno Barroso, filho de Pedro Barroso, como três dos membros da banda ou eu conhecia pessoalmente ou conhecia pessoas ligadas a eles. Era o caso de um dos guitarristas, Carlos Lima, cujo pai - que tinha o mesmo nome - era na altura meu professor de IDES (Introdução ao Desenvolvimento Económico-Social) no 12.º ano (e já tinha sido meu professor de Geografia no 10.º ano), e foi um dos professores mais marcantes da minha escolaridade; foi quase para mim o que a personagem de Robin Williams foi para o Clube dos Poetas Mortos. Na altura, além da banda, o Carlos Lima filho trabalhava também como criador dos bonecos do "Contra-Informação". Depois havia a cantora do coro, Ana Rita Damásio, que era da outra turma de Humanidades e por isso já tinha falado esporadicamente com ela - e que mesmo antes já emanava "star power". E havia também o baterista Samuel Henriques que eu conhecia também da escola, pois era amigo de alguns dos meus colegas de turma e de cujo irmão mais novo (também ligado à música) eu próprio viria tornar-me amigo anos mais tarde. Os outros membros da banda eram Ricardo Moreno (guitarra), Pedro Nunes (baixo) e Francisco Velez (teclas). 
O projecto tinha começado alguns anos antes sob o nome de Anúbis e como alguns dos membros andavam na mesma escola secundária que eu, eu ouvia aqui e ali relatos da evolução da banda e do interesse das editoras. Depois correu a notícia que em 1997 tinham assinado contrato com a MCA e que estavam a preparar um álbum a ser lançado no ano seguinte. Mas só mesmo quando ouvi "Deixa-Me Olhar" pela primeira vez na rádio da minha escola é que pensei: "É pá, eles podem ir longe."


E de facto, com a edição do single e do álbum homónimo da banda, o sucesso foi imediato e não tardou que a rádio tocasse "Deixa-me Olhar" com insistência e que os AlémMar aparecessem em todos os programas de televisão e actuassem por todo o país. Até no Mundialito do futebol de praia!




Não fosse o fenómeno Silence 4 pouco tempo depois, e teriam sido a banda nacional com a estreia mais auspiciosa do ano de 1998. Claro está, também os vi ao vivo em Torres Novas nesse ano numa noite chuvosa de Outubro.
"Deixa-me Olhar" obteve imediatamente lugar de honra no panteão da baladaria nacional e continua a ser até hoje um favorito nas noites de karaoke por esse país fora.

Entre as outras faixas do álbum, destacam-se "Carolina (Anda Cá)", "Cidades Não Chores Por Mim", "Zé Das Pintas" e outra powerballad "Já Não Há Mais Baladas".



O segundo álbum "Viver" saiu em Outubro de 1999, mas embora o tema "Sentimento Irreal" tenha tido alguma notoriedade, o disco esteve longe de repetir o sucesso do primeiro álbum.




Após alguns anos de interregno, a banda reuniu-se em 2004 para uma actuação na Festa da Bênção do Gado em Riachos e desde então que os AlémMar actua ocasionalmente com uma formação semi-renovada. Em 2007, editaram o terceiro álbum, "Acreditar" e regravaram "Deixa-me Olhar" para o genérico e banda sonora da telenovela da TVI "Deixa-me Amar".




Nuno Barroso tem tido paralelamente os seus projectos a solo. Ana Rita Damásio foi uma das vocalistas dos Madredeus após a saída de Teresa Salgueiro entre 2008 e 2010. Samuel Henriques foi o baterista na última digressão de José Cid.   

"Voyage Voyage" Desireless (1986)

 Adoro a língua francesa e a sua sonoridade. Até gosto do facto de a pronúncia de grande parte das suas palavras ser diferente daquela que as letras que as compõem sugerem (pelo menos aos olhos portugueses). Apesar de só ter começado a estudá-la no 7.º ano, já tinha algumas noções de língua de Voltaire através de um livro que os meus pais me compraram no Círculo de Leitores que ensinava algumas frases e palavras em francês e inglês. Confesso que o meu domínio do francês não é tão forte como o do inglês mas sempre que tenho oportunidade para falar, ouvir ou ler em francês, tento aproveitá-la ao máximo. 

E claro está, aprecio bastante a música francófona desde os tempos de ícones como Edith Piaf e Jacques Brel até à actualidade. E sendo um filho dos anos 80 tenho um carinho especial pelas três canções em língua francesa que se tornaram sucessos internacionais nessa década: a pop de sangue azul em "Ouragon" na voz da Princesa Stéphanie do Mónaco; "Joe Le Taxi" chilreada por uma muitíssimo jovem Vanessa Paradis; e "Voyage Voyage" interpretada pela parisiense Claudie Fritsch-Meintrop sob o nome de Desireless




Nascida na Cidade-Luz no dia de Natal de 1962, Claudie trabalhou como estilista nos anos 70 até que em 1982, uma viagem à Índia inspirou-a a enveredar pela música. Em 1984, integrou o grupo Air 89 que lançou um álbum e em 1986, lançou-se numa carreira a solo com o nome Desireless, compondo uma personagem andrógina e fria, sempre vestida de negro. Mas o seu aspecto mais marcante era sem dúvida o penteado com o cabelo todo em pé. 



Editado no final de 1986, o seu primeiro single "Voyage Voyage", um contagiante tema electro-pop. Na altura, eu ainda não percebia patavina de francês mas lembro-me de gostar de ouvir a música sempre que dava na rádio ou o videoclip na televisão. Ainda que o dito cujo, realizado pela famosa fotógrafa Bettina Reims, me metesse um pouco de medo: num salão de casarão mal iluminado (quiçá um manicómio), Desireless mostra slides com imagens de todo o mundo a um grupo de personagens bizarras incluindo três senhoras entretidas num frenético jogo de cartas, um casalinho de jovens que namora a um canto, um senhor alto que abana incessantemente a cabeça enquanto brinca com uma bola insuflável com o desenho do mapa-mundo com um senhor mais baixo e uma mulher que devora algo que nunca percebi bem o que era (batatas fritas? bolinhos?) que tem numa tigela. Essas estranhas personagens a princípio parecem desinteressadas nos slides até que de repente algo lhes chama a atenção e reúnem-se todas a ver as imagens que surgem no ecrã.  





Mais tarde, quando já dominava o idioma e quis saber o significado da letra, descobri que se tratava de um belíssimo poema sobre como viajar não só nos dá a conhecer o mundo mas como também nos conduz numa viagem ao nosso interior. Daí que quando Desireless canta "Voyage...et jamais ne reviens", não está a dizer para nunca mais regressarmos a casa mas sim para não voltarmos a ser quem éramos antes da viagem. Eis a minha tradução da letra:

No cimo do velhos vulcões
Desliza as asas pelos tapetes de vento
Viaja, viaja,
Eternamente.

Das nuvens aos pantanais,
Dos ventos de Espanha às chuvas do Equador,
Viaja, viaja,
Voa nas alturas. 

No alto das capitais, 
Das ideias fatais
Observa o oceano.

Viaja, viaja, 
Mais longe que a noite e que o dia.
Viaja
No espaço inaudito de amor.
Viaja, viaja
Sobre a água sagrada de um rio indiano.
Viaja
E nunca mais regresses.

Sobre o Ganges ou o Amazonas
Entre os negros, entre os sikhs, entre os asiáticos
Viaja, viaja
Por todo o reino.

Sobre as dunas do Sahara
Das ilhas Fiji ao Fujiyama
Viaja, viaja, 
Não te detenhas.

Sobre os arames farpados, 
Os corações bombardeados,
Observa o oceano. 

Viaja, viaja, 
Mais longe que a noite e que o dia.
Viaja
No espaço inaudito de amor.
Viaja, viaja
Sobre a água sagrada de um rio indiano.
Viaja
E nunca mais regresses.

Em França, "Voyage Voyage" ficou-se pelo n.º 2 do top nacional, bloqueado no topo por "T'en Va Pas" da estrela adolescente Elsa Lunghini. Mas o tema era tão poderoso que não tardou a quebrar a  barreira linguística e fazer sucesso fora dos países francófonos, tendo chegado ao n.º 1 na Alemanha, Áustria, Noruega e Espanha ao longo de 1987. Em 1988, uma edição com remistura dos PWL  ajudou "Voyage Voyage" a tornar-se um dos raros temas cantados em francês a chegar ao top 10 no Reino Unido. Por essa altura, Desireless já tinha editado um novo single, "John", uma tema que falava sobre guerra e religião.


Com o prolongado sucesso de "Voyage Voyage" que levou Desireless a percorrer toda a Europa a promover o tema, o seu primeiro álbum, "François" (o nome do seu marido, François Meintrop), só veria a luz do dia em 1989, já quando o interesse na cantora tinha esmorecido. 
No entanto, mesmo sem nunca ter sequer aproximado o sucesso de "Voyage Voyage", Desireless nunca mais deixou de fazer música e actuar ao vivo. Desde 2012 que tem feito a sua carreira em dueto com o compositor Antoine Aureche e o seu disco mais recente, "Desirless Chante Apollinaire", é de 2017. Entretanto "Voyage Voyage" continua a ser incluído em várias festas e compilações dos anos 80 por esse mundo fora.  


Desireless "L'expérience humaine" (2011)



De entre as versões do tema, destaque para a cover de 2008 da cantora belga Kate Ryan e a versão em espanhol de 1991 da boyband mexicana Magneto com o título "Vuela Vuela".  






WINGS - VENUS AND MARS / ROCKSHOW E JET

 


Quando as luzes baixaram, o rugido pareceu estremecer o teto de concreto do Kingdome. A música começou devagarinho, uma guitarra acústica sendo dedilhada, um baixo, um sintetizador tocando uma melodia simples, persistente. Em seguida, uma voz. Sitting in the stands of the sports arena, waiting for the show to begin (...), e não qualquer voz, mas aquela sonoridade sincera e pueril. Tão familiar, e mesmo assim tão arredia; todos o conheciam, mas fazia tanto tempo que ele se apresentara nos Estados Unidos que quase nenhuma das pessoas presentes ao estádio o tinha realmente visto em carne e osso. A seguir, um único refletor acendeu sobre o palco e lá estava ele, uma figura semiencoberta pela névoa. A luz era turva, seu rosto era apenas uma nódoa nas telas de projeção. Ainda assim, era possível enxergá-lo - o cabelo escuro, os olhos de animalzinho de estimação, as bochechas firmes - e aquele súbito reconhecimento provocou outro rugido capaz de sacudir o teto do estádio. O verso de "Venus and Mars" deu margem a uma breve passagem instrumental, um padrão de acordes circular que tomava os instrumentos conforme convergia para um pequeno refrão da guitarra elétrica, que sibilava em direção ao momento em que tudo explodia de uma só vez. Os tambores retumbaram, o baixo espocou, as guitarras rosnaram. Em seguida, soaram os primeiros sinais de "Rock Show" e aquela mesma voz no ápice de sua força, prometendo todos os tipos de loucura que estavam por vir. If there's a rock show, ele gritou. We'll be there - oh yeahhhh! O palco foi totalmente iluminado, era possível ver todos os membros da banda, cinco estrelas do rock cobertas de brilho. No entanto, a figura icônica no centro do palco atraía todos os olhares. Mais de setenta mil pares de olhos arregalados, radiosos, brilhando ao ver Paul McCartney. É bom lembrar que se trata de uma banda e que ela tem um nome: Wings. Aquela mensagem fora pensada para toda a turnê nos Estados Unidos, e para as apresentações na Inglaterra e na Austrália que a precederam. O nome de Paul não apareceu em nenhum lugar dos ingressos, e em nenhum dos anúncios. Wings Over the World ou Wings Over America foi tudo o que se disse. E, na época em que alcançaram aquela etapa de clímax da turnê norte-americana, com o novo disco Wings at the Speed of Sound sendo seu terceiro álbum colocado em primeiro lugar na lista, era tudo que as pessoas precisavam saber. Ou ouvir, para todos os efeitos. Assim, após a abertura explosiva com "Venus and Mars/Rock Show", a banda prosseguiu com "Jet" , e depois com "Let Me Roll It", de Band on the Run, mantendo toda a arena de pé.
Trecho do livro "Paul McCartney - Uma Vida" de Peter Ames Carlin.

GEORGE HARRISON - RISING SUN

 

Há 23 anos, depois de mais de 20 anos do tauma pela morte de John lennon, outro choque. Menor porque dessa vez, já estava anunciado. Nosso caçula,  nosso guitarrista preferido partiu desse mundo material no dia 29 de novembro de 2001, com apenas 58 anos.
"Rising Sun" é a 5ª faixa do álbum Brainwashed de George Harrison lançado em 18 novembro 2002. Foi gravada em Friar Park Studios (estúdio caseiro de George Harrison), produzida por George Harrison, Jeff Lynne e Dhani Harrison"Rising Sun" está entre as melhores canções da carreira de Harrison. Foi composta durante a turnê de 1991 no Japão, 'terra do sol nascente'Brainwashed foi lançado em 18 de novembro de 2002, um ano depois da passagem de Harrison em 29 de novembro de 2001. George Harrison: vocais, slide guitar, violão e backing vocalsJeff Lynne: baixo, guitarra elétrica e backing vocalsDhani Harrison: órgão Wurlitzer; e Jim Keltner: bateria.
Os primeiros sinais de câncer em Harrison apareceram em 1997. A doença logo se espalhou e enquanto buscava tratamentos, seus esforços para completar seu último registro se intensificaram. Duas pessoas foram fundamentais para esse esforço, em todos os sentidos da palavra, um foi seu filho Dhani Harrison. Outro era seu amigo Jeff Lynne, da ELO, influenciado pelos Beatles, produtor do Cloud Nine e companheiro de banda nos Traveling Wilburys. Lynne daria os toques finais no disco depois que George partisse. Para George, agora a morte não era mais uma base abstrata para a composição de canções. Era real, e o mandato era claro: completar o novo álbum. Mas, apesar dessa pressão única sobre ele, Harrison ainda tinha perspectiva como artista, e é por isso que as músicas e o álbum como um todo funcionam tão bem fora do contexto em que foram feitos. Isso é parte do que fez dele o talento que ele era; ainda poderia fazer o que estava escrevendo soar verdadeiro para seu público. E ele foi capaz de fazer isso sendo honesto e equilibrando as ideias de uma música com as de outra. “Stuck Inside A Cloud”, que também aparece em Brainwashed, é sua reflexão sobre perder a vida material de alguém e saber que isso significa separação daqueles que se deixa para trás. Em 2001, ele parecia não ter ilusões sobre o que aquela perda significava para as pessoas ao seu redor e para ele mesmo. Com “Rising Sun”, ele equilibra um pouco esse sentimento de perda, com esta vida na terra como um reflexo de algo maior, algo além das aparências, e algo dentro de nós mesmo. O que quer que Harrison estivesse passando pessoalmente, a música ainda é sobre a maravilha de ser, de estar vivo.

"Existem versos em Rising Sun que soam como se pertencessem à doença dele, mas há muitos significados duplos ali. Também há muito humor negro, e às vezes as pessoas podem interpretar isso como algo mais grave do que meu pai pretendia"Dhani Harrison - novembro de 2002.

PAUL McCARTNEY - SOMEDAYS - 1997

 


Flaming Pie foi o décimo álbum solo de estúdio de Paul McCartney, lançado em maio de 1997. As gravações começaram em 1995 e contaram com as participações de Jeff Lynne, Steve Miller, George Martin, Ringo Starr e James McCartney. Flaming Pie atingiu o segundo lugar nas paradas de sucesso dos Estados Unidos e Inglaterra entrando pela primeira vez no Top 10 americano desde o lançamento de Tug of War, de 1982. É um dos discos de McCartney mais elogiados pela mídia especializada.

“Alguns dias eu olho. Alguns dias eu olho em sua alma”. A belíssima e profunda "Somedays" com seus pouco mais de quatro minutos é a quarta faixa do álbum, depois de "If You Wanna" e antes de "Young Boy"Paul McCartney gosta de impor prazos arbitrários a si mesmo, e "Somedays" foi escrita sob uma restrição desse tipo. A data era 18 de março de 1994, quando McCartney levou Linda para uma casa em um vilarejo, onde ela seria fotografada para um de seus livros de culinária. Enquanto ela estava sendo fotografada, McCartney retirou-se para um quarto, normalmente usado pelo filho do dono da casa, e, de posse de um violão, caneta e papel, concebeu sua mais nova música. Foram apenas 90 minutos, foi tudo o que precisou para criar a melodia e a letra. O filho do dono da casa também deixou sua marca na música, seus retratos de futebol na parede levaram McCartney a fazer analogias com o futebol na letra - “Não adianta me perguntar que horas do dia são, quem ganhou a partida ou marcou o gol. Alguns dias eu olho. Alguns dias eu olho em sua alma”. Escrever com John Lennon costumava ser assim: a dupla raramente passava mais de três horas em uma nova música e era muito influenciada por eventos e objetos do cotidiano ao seu redor.

No início, uma sessão foi suficiente para gravar "Somedays". Mas Mccartney achou que poderia ficar ainda melhor com um belo arranjo de cordas. Nessa época, ele se encontrava ocasionalmente com George Martin em Abbey Road, vasculhando gravações raras dos Beatles para o Anthology, e Paul perguntou a Martin se ele toparia fazer uma trilha para uma orquestra. A resposta foi sim, claro, e um conjunto de 14 peças somou sua contribuição em junho de 1996. “Em 'Somedays', eu gravei sozinho, toquei de tudo, assim como em McCartney. Mas quando eu estava trabalhando na versão final, pensei que talvez pudesse usar um pequeno arranjo, então liguei para George Martin. Quem melhor para fazer isso?”.
Aqui a gente confere uma versão inicial de "Somedays", crua sem os arranjos de orquestra de George Martin. Uma audição linda, pouco mais do que o violão, baixo e a voz instantaneamente reconhecível.

THE BEATLES - MATCHBOX - 1964 - SENSACIONAL!

 


"Matchbox" é um rockabilly escrito e gravado por Carl Perkins e lançada em 1957. Foi gravada por Perkins em dezembro de 1956 e por Jerry Lee Lewis - que tocou piano na faixa original - em 1958. Sam Phillips e a Sun Records lançaram a versão de Carl Perkins como lado B de "Your True Love". Embora apenas o lado A tenha se tornado um hit recorde em 1957, "Matchbox" é uma das gravações mais conhecidas de Perkins e uma variedade de músicos gravaram a melodia.

Os Beatles eram fãs de Perkins e tocaram "Matchbox" durante seus shows em 1961 e 1962. A música serviu como vocal para o baterista, Pete Bestaté sua demissão em agosto de 1962, quando passou a ser cantada por John LennonUma versão ao vivo de dezembro daquele ano foi incluída no álbum de 1977  'Live! at the Star-Club in Hamburg, Germany'; 1962. Em julho de 1963, os Beatles tocaram "Matchbox" com Ringo Starro substituto de Best, nos vocais principais para seu programa de rádio da BBC 'Pop Go the Beatles'. Esta versão foi incluída no álbum de 1994 'Live at the BBC'. Ringo também fez os vocais quando a banda gravou a música para seu EP Long Tall Sally em 1964
.
Perkins estava visitando Londres e foi convidado para observar a sessão em 1º de junho. Ringo mais tarde se lembrou de ter se sentido "muito envergonhado" porque estava com a garganta ruim; dois dias depois, ele foi hospitalizado com amigdalite aguda e faringite, resultando em sua perda do início da turnê mundial dos BeatlesA banda foi complementada na gravação pelo produtor George Martin, que tocou piano. "Matchbox" foi lançada no Reino Unido em 19 de junho como a faixa final de 'Long Tall Sally'Nos Estados Unidosapareceu no álbum da Capitol Records 'Something New' em julho, antes de ser lançada em um single, apoiada por "Slow Down"de Larry Williams em 24 de agosto.

"Matchbox" atingiu o pico de número 17 em três paradas musicais: nos EUA, Billboard Hot 100 e Cash Box e, no Canadá, na RPM Top 40 chart"Matchbox" posteriormente apareceu nos álbuns dos Beatles 'Rock 'n' Roll Music' e 'Past Masters'. Os Beatles levaram cinco takes para serem perfeitos. Ringo Starr tocou bateria e cantou simultaneamente, e depois duplicou seus vocais. Na mesma noite, também gravaram ‘I’ll Cry Instead’, ‘Slow Down’, e ‘I’ll Be Back’"Matchbox" foi gravada nos estúdios da EMI em Abbey Road, produzida por George Martin que teve Norman Smith como engenheiro. Ringo Starr faz o vocal principal e toca bateria; John Lennon toca guitarra; Paul McCartneybaixo; George Harrisonguitarra solo e George Martin, piano. Como já dito, Carl Perkins estava em turnê na Grã-Bretanha em 1964, e em 1 de junho ele estava visitando Abbey Road quando os Beatles gravaram sua música. Há rumores de que ele tocou o riff de guitarra baixo que abre a música.

SAM COOKE - YOU SEND ME - 1957

 


"You Send Me" foi compsta e gravada originalmente pelo cantor americano Sam Cooke, lançada como single em 1957 pela Keen Records. Produzida por Bumps Blackwell e arranjada e conduzida por René Hall"You Send Me"single de estreia de Cooke, foi um enorme sucesso comercial, tornando-se um hit número 1 na parada Rhythm & Blues Records da Billboard e na Billboard Hot 100. Foi nomeada como uma das 500 gravações de rock and roll mais importantes pelo Rock & Roll Hall of Fame. Em abril de 2010, "You Send Me" ficou em 115º lugar na lista das 500 Maiores Canções de Todos os Tempos da revista Rolling Stone. Desde seu lançamento, "You Send Me" se tornou um marco do gênero soul, que Cooke ajudou a criar. Em 1998, foi introduzida no Hall da Fama do Grammy.

"You Send Me" foi regravada por dezenas de artistas de diferentes áreas da música, incluindo Jesse Belvin, Nat King Cole, Teresa Brewer, Michael Bolton, The Drifters, The Everly Brothers, The Four Seasons, Bobby Vee, José Feliciano, Aretha Franklin, Steven Houghton, Nicolette Larson, Steve Miller Band, Van Morrison, Otis Redding, Sam & Dave, Percy Sledge, Roy Ayer, Paul & Paula (1963), The Supremes, The Manhattans, Rachelle Ferrell, Fairground Attraction, Marcia Hines, Whitney Houston, Gregory Porter, the Chicks, Ponderosa Twins Plus One, Lynda Carter do At Last, e Judie Tzuke do The Beauty Of Hindsight e Rod Stewart.

Destaque

Bad Company – Bad Co (1974)

Em seu primeiro álbum, o Bad Company — liderado pelo ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, e pelo guitarrista original do Mott, Mick Ralphs — ...