sábado, 17 de maio de 2025

The Sherlocks – Everything Must Make Sense! (2025)

 

Repleto de sol e triunfante, " Everything Must Make Sense", o mais recente trabalho do The Sherlocks, é o seu trabalho mais forte até hoje. O quinto álbum de estúdio do quarteto de Yorkshire é uma declaração ousada, repleta de confiança e arrogância. "
Everything Must Make Sense" marca uma forte evolução na sua sonoridade e, em particular, na sua composição, que aborda temas como saúde mental, relacionamentos, encontrar o seu lugar na vida e as lutas dos problemas do dia a dia.
Vibrante e antológica, a intenção do The Sherlocks é definida desde a primeira nota da faixa de abertura do álbum, a eletrizante faixa-título "Everything Must Make Sense", com suas guitarras impactantes que soam como uma fusão do The Strokes com o som inicial do Stereophonics. Seu groove propulsor e imponente é definido...

1MUSICA&SOM

…para ser uma verdadeira trilha sonora do verão e cheia de fogo.

Cheio de ostentação, arrogância e hinos ensolarados, 'Everything Must Make Sense' captura a emoção da energia ao vivo do The Sherlocks e a facilidade com que eles criaram um som do tamanho de um estádio em um disco.

O contundente 'How Are You Feeling' pinta um retrato cru e implacável de um relacionamento tóxico em crise, capturado pelos olhos de um amigo cansado que observa tudo. Ele expõe a ilusão de tentar ressuscitar um amor por meio de medidas equivocadas, como ter filhos para tapar as rachaduras.

Repleta de humor ácido, especialmente no verso de destaque "Ela está morando na sua cabeça há tanto tempo que vai ter que pagar aluguel!", "How Are You Feeling" mistura humor e decepção amorosa sem esforço, graças à sua letra afiada e clareza emocional. A faixa se torna menos uma canção sobre um possível término e mais um post-mortem de um relacionamento que deveria ter terminado há muito tempo.

As melodias inebriantes, impulsionadas por sintetizadores, da efervescente "Death Of Me" são dinâmicas e dramáticas em igual medida, e te incentivam a "dar tudo de si". A banda imbuiu um som synth-pop cintilante com a vibração de seu indie rock guiado por guitarras, repleto de riffs brilhantes, linhas de baixo imponentes e ganchos inebriantes.

Do eletrizante 'Death of Me' com suas guitarras impactantes ao crescente 'Man on the Loose' com seu refrão contagiante, o álbum inteiro é cheio de hinos gigantescos que têm uma abundância de energia e intensidade, o que é exemplificado pelos ganchos de condução de 'Bedlam Town' e a melodia inspiradora do emotivo 'Tough Times Don't Last'

"Bones" é cheia de energia e estilo, com o vocalista Kiaran declarando que "parece que se Prodigy e Primal Scream tivessem um filho, seria um monstro!" e realmente é, e é um dos muitos destaques do álbum.

Hino, animado e revigorante, 'Everything Must Make Sense' é o trabalho mais confiante, intrincadamente elaborado e realizado dos Sherlocks até hoje e, se 'tudo faz sentido', esperamos que os ajude a alcançar sua tão esperada ambição de seu primeiro álbum número um, o que seria totalmente merecido.

Causa Sui – In Flux (2025)


Causa Sui retorna com o companheiro perfeito para a turnê de força do ano passado, From the Source . Enquanto aquele disco era um trabalho bem estruturado, que condensava muitos aspectos do som da banda em um LP conciso de 45 minutos, In Flux apresenta o lado mais solto e impulsivo de Causa Sui. Após uma suíte introdutória no território clássico de Causa Sui, com riffs de fuzz profundos e grooves sincopados, as coisas gradualmente se tornam mais extravagantes. Os três lados de vinil seguintes mostram a banda canalizando o jazz fusion no estilo Hot Rats, o pós-rock oceânico do Talk Talk do período tardio e o experimentalismo impulsivo e anárquico de "Tago Mago" do Can em sua própria mistura beatífica. Em "Spree", a banda abandona a guitarra completamente, confiando em um sintetizador duplo em cima da bateria...

MUSICA&SOM

…e baixo, mas mantendo aquela vibração única de Sui-an.

A peça central deste set, "Astral Shores", se desdobra ao longo de 16 minutos – do folk suavemente hipnótico e ritualístico à psicodelia motorizada, e vice-versa. Faz muitos anos que o Causa Sui não tocava tão livremente em um disco de estúdio. "In Flux" é um capítulo essencial na obra em constante transformação da banda. 

Gipsy Love - Here We Come 1972 (Austria, Krautrock, Hard Funk-Rock, Soul)

 



- Karl "Charly" Ratzer - guitars, vocals
- Peter Wolf - organ, Fender Rhodes, piano, horns arrangements
- Harri "Harry" Stojka - bass
- Jano Stojka - drums, skins, percussion
- George Doggette - vocals
+
- Doris Stojka, Meme Ratzer, Stefanie Vyhnak - female vocals
- Richard Schönherz - vocals & horns arrangements (03,09)
- Wolf René Reitz - producer


01. Live And Love (Karl Ratzer, Thomas Nordegg) - 2:56
02. Here We Come (Peter Wolf, Thomas Nordegg) - 2:59
03. But Forever (Karl Ratzer, Thomas Nordegg) - 4:07
04. So Many Beautiful People (Peter Wolf, Thomas Nordegg) - 3:16
05. Rock My Blues Away (Karl Ratzer, Thomas Nordegg) - 4:04
06. Viennese Winter (Peter Wolf) - 4:17
07. Job In The Docks (Karl Ratzer, Thomas Nordegg) - 4:20
08. Moon Song (Karl Ratzer) - 3:13
09. Hand In Hand (Karl Ratzer) - 3:02
10. Warm Up (Karl Ratzer) - 2:07
11. Got Good News (Karl Ratzer) - 4:54
12. So Long, Friends (Peter Wolf, Karl Ratzer) - 5:13






Blackwater Park - Dirt Box 1972 (Germany, Krautrock, Hard Rock)

 



- Richard "Richie" Routledge - vocals, guitar
- Michael Fechner - guitar
- Andreas Scholz - bass
- Norbert Kagelmann - drums
+
- Jürgen Schmeisser - producer


01. Mental Block (Andreas Scholz) - 3:14
02. Roundabout (Richard Routledge) - 5:24
03. One's Life (Andreas Scholz, Richard Routledge) - 3:05
04. Indian Summer (Michael Fechner, Richard Routledge, Hilary Tansey) - 6:10
05. Dirty Face (Richard Routledge, Paul Pilnick) - 4:25
06. Rock Song (Michael Fechner, Richard Routledge) - 8:42
07. For Noone (John Lennon, Paul McCartney) - 3:28









Mon Dyh - Murderer 1980 (Germany, Krautrock, Hard Blues Rock)

 



- Andreas Pröhl - vocals, electric guitar, producer
- Harald Künemund - acoustic guitar
- Harald Frohloff - bass
- Markus Worbs - drums


All tracks by Andreas Pröhl except where noted.
01. Don't You Break My Heart - 4:44
02. Murderer - 3:55
03. Trying - 4:56
04. Magic Piano - 5:58
05. Just A Minute - 3:43
06. A Needle Must Not Lay Down - 4:29
07. One Second Man - 2:46
08. Encountered The Edge - 5:55
Bonus:
09. All Along The Watchtower (live 05.07.1980 in Berlin) (Bob Dylan) - 4:49
10. Have You Ever Loved A Woman (live 05.07.1980 in Berlin) (Billy Myles) - 6:07






Chickenfoot - Chickenfoot III [2011]

 



Após ter dividido opiniões em sua estréia, o Chickenfoot retorna mais coeso e entrosado em Chickenfoot III, o segundo álbum – sim, o título exalta o bom humor de quatro músicos com a carreira ganha e que se juntaram para tocar um Rock and Roll sem maiores compromissos. A princípio acharia desnecessário dizer, mas pensando melhor, creio que vale a pena: esqueçam o Van Hagar. Sim, afinal de contas, esse foi o motivo que fez muita gente desgostar do disco anterior. E convenhamos, seria uma bobagem retomar aquela sonoridade, além de um desrespeito às histórias de Joe Satriani e Chad Smith, que possuem uma força muito grande para se tornarem meros imitadores.

Abrindo o play, temos o Hard classudo de “Last Temptation”, com clima setentista nos timbres e melodia. “Alright, Alright” tem um pique garageiro, reforçado pela produção, que deixou o som bem aberto. Tem horas que chega até a lembrar os Beatles dos tempos do Iê-iê-iê. A coisa fica ainda melhor em “Different Devil”, que começa calminha e vai crescendo, sendo a mais próxima do som oitentista em toda a audição. Hora de um groove certeiro em “Up Next”, mostrando toda a solidez musical do conjunto em um dos grandes momentos do trabalho. O clima do início é retomado em “Lighten Up”, mais um rockão certeiro, com Satriani mostrando como se trata as cordas da guitarra e um encerramento arrasa-quarteirão.

“Come Closer” não chega a ser uma balada, mas tem uma pegada mais leve no começo, que ficou bem agradável e acessível. Séria candidata a hit se bem trabalhada promocionalmente. O início experimental de “Three And a Half Letters” traz uma clima diferente, com seus vocais falados. Mas logo, cai em um som pesado e consistente, executado com a garra esperada. A letra também chama atenção, relembrando temáticas usadas por Hagar nos tempos de Balance. Na sequência o já conhecido single “Big Foot”, com seu ritmo suingado e refrão de fácil assimilação. Para ser sincero, após ouvir o disco inteiro, penso que haviam opções melhores.


Apesar do título, “Dubai Blues” não é o que parece. De cara, me lembrou uma de minhas preferidas do álbum anterior, a ótima “Turnin’ Left”. Aqui podemos notar mais uma vez como Satriani está mais solto em comparação ao começo da banda. Impõe seu estilo sem se preocupar com nada. Fechando o tracklist normal, “Something Going Wrong”, faixa com levada acústica cheia de personalidade e mais um solo brilhante. Ah sim, tem uma faixa escondida após o final, um Hardão dos bons, com letra ácida, no melhor estilo Living Colour.

As maiores constatações são que Sammy Hagar continua cantando muito, mesmo já sendo quase um setentão enquanto os músicos fazem suas partes com maestria. Quem não se deixou convencer pelo primeiro, dificilmente vai gostar desse. Mas quem aprovou, pode conferir sem medo, pois o quarteto continua muito competente no que se propõe. E sem firulinhas e pieguices, o que é principal. Aguardemos a tour, com o exímio Kenny Aaronoff assume as baquetas enquanto Chad se dedica a seu trabalho principal. Uma visita por esses lados do mundo não seria nada mal. Por hora, não deixem de conferir esse belo disco!

Sammy Hagar (vocals)
Joe Satriani (guitars)
Michael Anthony (bass)
Chad Smith (drums)

01. Last Temptation
02. Alright Alright
03. Different Devil
04. Up Next
05. Lighten Up
06. Come Closer
07. Three And a Half Letters
08. Big Foot
09. Dubai Blues
10. Something Going Wrong
11. (Hidden Bonus Track)



Edguy – Hellfire Club [2004]

 



Tobias Sammet é um dos grandes gênios da música contemporânea.

Não aceitar isso é negar o óbvio.

Quando o Edguy começou sua carrreira, tinha um repertório focado no heavy metal melódico, flertando, por vezes, com o power metal tipicamente germânico (ou godo, já que eram troos). Além disso, o Avantasya (prjeto paralelo de Tobias) é uma espécie de ópera metal com diversos músicos a qual Sammet comanda com maestria ímpar.

O espírito inquieto do cara levou o Edguy a beber em diversas fontes, inclusive em um metal mais modernoso, em Tinitus Sanctus. Mas foi em Hellfire Club que a banda resolveu flertar descaradamente com o hard rock, e o fez de maneira espetacular, sem cair nas armadilhas típicas dos clichês do gênero. Claro que os clichês estão aqui, mas estão tão bem disfarçados que acabam soando com um certo frescor, com um ar de novidade. Exatamente por isso é o meu preferido dos caras.

Devo destacar também que Tobias Sammet não é um troo, e suas letras vêm recheadas de um senso de humor absolutamente fantástico. Tente não rir com um título como Lavatory Love Machine e ganhe seu atestado de rançoso. A letra fala de sexo no banheiro de um avião a caminho do Brasil (dá para ouvir o piloto falando Copacapána). Seria autobiográfica?


Sexto disco de estúdio, aqui o grupo começa a brincar de hard rock com classe, sempre apoiado pela Deutsches Filmorchester Babelsberg, uma orquestra sinfônica alemã que já gravou com Rammstein, Karat entre outras bandas de metal. O casamento com os fantásticos riffs de Jens Ludwig é perfeito. Aliás, um parêntese para o sempre maravilhoso trabalho do guitarrista, que parece não esgotar sua sacola de riffs jamais, co-autor de diversas canções com Sammet.

Os vocais de Tobias Sammet, principal compositor são excelentes, e a cozinha mostra que a banda já se encontrava com uma química típica de quem tem um extenso currículo. Mille Petrozza, do Kreator, foi o convidado especial nos backing vocais de Mysteria. Sob este aspecto, digo que o disco traz um astral altíssimo, um clima de camaradagem que reflete tanto nas composições como nas performances.

O power metal está presente em We Don’t Need a Hero, claramente inspirada em Helloween.

King of Fools tem um refrão pra todo mundo cantar junto, tornando-se de antemão um clássico do hard rock do Século XXI. Rise Of The Morning Glory começa com violões e orquestra, mas descamba em um metal ironmaideniano típico da era Powerslave/ Somwhere in Time. Excelente, pra dizer o mínimo. Confira abaixo.



Enfim, Hellfire Club é um daqueles discos que traz um diferencial. É tecnicamente perfeito e tem composições impecáveis. É uma imagem do metal desse século que está se apagando, ofuscada por bandas de um mesmo timbre de guitarras, mesmo timbre vocal, mesma cozinha... Ninguém mais precisa freqüentar aula de música, pois basta comprar um Guitar Hero e sair tocando.

Mas música, caro passageiro, é cultura em primeiro lugar. Videogame é passatempo. Ninguém consegue colocar talento em um software.

Aproveite o resto de talento que ainda existe na música.

Track List

1. "Mysteria"
2. "The Piper Never Dies"
3. "We Don't Need a Hero"
4. "Down to the Devil"
5. "King of Fools"
6. "Forever"
7. "Under the Moon"
8. "Lavatory Love Machine"
9. "Rise of the Morning Glory"
10. "Lucifer in Love"
11. "Navigator"
12. "The Spirit Will Remain"
13. "Children of Steel" (Bonus track)
14. "Mysteria" (Bonus track featuring Mille Petrozza of Kreator)


Tobias Sammet (vocais)
Jens Ludwig (guitarras)
Dirk Sauer (guitarras)
Felix Bohnke (guitarras)
Tobias Exxel (baixo)





House Of Lords – Big Money [2011]

 



House Of Lords tem se mostrado um conjunto incansável nos últimos anos. Cinco álbuns num período de sete anos é uma média muito alta para a atual realidade. Vale ressaltar que todos os discos mantêm um alto padrão de qualidade, não sendo apenas lançamentos para cumprir contrato.

O oitavo da discografia do grupo, “Big Money”, ainda não saiu - só chegará às lojas europeias em 23 de setembro e quatro dias depois nas norte-americanas. Mas o registro vazou, para a felicidade dos fãs. E, mais uma vez, a trupe de James Christian não decepcionou.

“Big Money” é um grande álbum de Hard Rock melódico. A forte tendência para o AOR que o House Of Lords sempre teve continua firme e forte, bem como o peso do trabalho instrumental impecável do guitarrista Jimi Bell, do baixista Chris McCarvill e do baterista BJ Zampa. Sempre grandiosa, a performance do cantor e compositor James Christian se sobressai. Como um bom vinho, Christian melhorou ao envelhecer: preservou sua potente voz e evoluiu em suas composições.


A faixa título abre com um andamento pesado e um refrão cativante. James começa endiabrado e Jimi destila um ótimo solo de guitarra. One Man Down tem um início acústico e leve, mas se transforma numa paulada poderosa. Um dos grandes destaques, First To Cry é melódica e grudenta - seu refrão é realmente grandioso. Em seguida, a faixa escolihda para ser o primeiro single. Someday When não tem tanta força para ser o primeiro single, como foi. Não deixa de ser uma boa canção, mas não está entre as melhores.

Searchin' apresenta o mesmo andamento e as mesmas características das faixas anteriores. Living In A Dream World muda o cenário um pouco, trazendo vocais mais agudos e mais peso no instrumental. A linda balada The Next Time I Hold You segue os padrões de qualidade do House Of Lords, regida por teclados e uma interpretação de James Christian recheada de feeling. Dando sequência, tem-se Run For Your Life, também pesada, mas sem perder a essência melódica. Hologram tem um riff que tatua “80’s” na mente do ouvinte. Entraria facilmente no debut do conjunto, de 1988.

Seven é sensacional, alterna entre momentos grudentos, com presença de teclados e backing vocals, e pesados, com a liderança da guitarra de Bell. O fechamento, que fica por conta de Once Twice e Blood, canções com um senso melódico grandioso e refrães maravilhosos, como sempre. “Big Money” promete estar no Top 10 dos fãs de Hard melódico, apesar de não trazer inovações nem mudar a vida de ninguém.

01. Big Money
02. One Man Down
03. First To Cry
04. Someday When
05. Searchin’
06. Livin’ In A Dream World
07. The Next Time I Hold You
08. Run For Your Life
09. Hologram
10. Seven
11. Once Twice
12. Blood

James Christian – vocal, teclados
Jimi Bell – guitarra
Chris McCarvill – baixo, backing vocals
BJ Zampa – bateria, backing vocals





Black Stone Cherry – Between The Devil & The Deep Blue Sea [2011]

 



Sabe aquele som que parece com algo que você já ouviu, mas não consegue identificar exatamente qual a origem da coisa?

Pois esse último lançamento do Black Stone Cherry é mais ou menos assim. Com pitadas de southern tock, stoner, country rock, hard rock e até hip hop (alguns vocais são praticamente rapeados), a mistura de ingredientes resultou num prato saborosíssimo. Refrões bem bolados e dinâmicas inteligentes fazem desse um disco gostoso de ser ouvido do começo ao fim.

Surgida em 2001, em Edmonton, Kentucky, a banda nunca se propôs a trazer algo inovador. Os caras prezam pelos timbres valvulados, vocais encharcados de Bourbon a la Zakk Wylde e cozinha simples, porém coesa (cortesia do bom trabalho de bumbo simples com uma destruição generalizada da prataria). Essa qualidade já aparece na abertura, com White Trash Millionaire, que traz um instrumental inspiradíssimo e um som com gana e muito bem produzido.


Chris Robertson e John Fred Young são filhos de Richard Young, guitarrista da inexplicavelmente ainda não postada banda Kentucky Headhunters. Os contatos e a música, portanto, estão presentes do berço.

Terceiro álbum de estúdio dos rapazes, The Devil And The Deep Blue Sea traz produção impecável e mostra que eles são uma aposta da gravadora Roadrunner. Inteligentes, sabem trabalhar com a nova era da internet e disponibilizaram o álbum para venda e as bonus tracks somente via itunes. Redes sociais são amplamente utilizadas como meios de divulgação do trabalho e o youtube já registra milhares de visualizações de seus vídeos.

As músicas trazem elementos tipicamente norteamericanos, com menções ao folclore e às superstições das diversas regiões do país (nome do disco anterior dos caras, Folklore and superstition). O som é algo moderno, sem cair na chatice geral que impera no mundo metal. Pense em peso e diversão juntas, com solos de guitarra curtos e inspirados nos licks de blues. Sobre solos, é importante lembrar que um solo não pode demorar mais que o tempo que você leva para ir buscar uma gelada no balcão do bar. E eles respeitam essa máxima.

Killing Floor é um peso que faria Zakk Wylde sentir orgulho, inclusive com o bom uso de um talk box. In my Blood é uma mistura excelente de violão, guitarra limpa e guitarra direta em um valvulado, o que mostra que os caras entendem de timbre. E a nós, caro passageiro, cabe avaliar se é bom ou não de ouvir. E é muito bom.

Such a Shame abre com um riff de guitarra furioso. Os riffs dessa banda são cortantes e, ao mesmo tempo, emocionantes. Eles trabalham muito bem o conceito de duas guitarras, sem utiliza-las como twins em melodias de solo mas dosando as freqüências, ou seja, enquanto uma faz o riff grave a outra dedilha em agudos. Isso dá um preenchimento excelente. Cortesia, também, da produção caprichada.

Won’t Let Go é a balada do disco. Doce e pesada na medida certa. Mas o grande hit, que vem a seguir, é Blame It On The Boom Boom. Com vídeo explodindo os níveis de audiência no youtube, é uma prova de que a banda encontrou seu nicho e cativou seu público fiel. Sonzeira! Dá vontade de sair pulando, encher a cara e agarrar todas as gatas que estiverem ao redor.

Todo o disco é bom. E as bonus tracks são a cereja do bolo. Fade Away é linda. Starring At The Mirror traz banjos, nos fazendo lembrar do Pride and Glory, do já citado Wylde.

Como eu disse, temos a impressão de já ter ouvido isso antes. Mas o resultado ficou tão bom que vale a pena conferir. Talvez o Silver ache que esse disco não vá mudar a vida de ninguém, mas temos que lembrar que todos nós já fomos atingidos em cheio por álbuns improváveis (desculpa, irmão, mas não resisti). Eu, por exemplo, curto Weather Report, que a maioria chama de música de elevador ou consultório de dentista. Vai saber.

Como diria Tim Tones, personagem do Chico Anysio: oásis nos desertos da dor.

Track List

1. "White Trash Millionaire" - 3:20
2. "Killing Floor" - 4:02
3. "In My Blood" - 3:49
4. "Such A Shame (Feat. Lzzy Hale)" - 3:27
5. "Won't Let Go (Feat. Lzzy Hale)" - 3:19
6. "Blame It on the Boom Boom" - 3:11
7. "Like I Roll" - 3:33
8. "Can't You See" (Toy Caldwell) - 3:33
9. "Let Me See You Shake" - 3:07
10. "Stay" - 3:24
11. "Change" - 3:05
12. "All I'm Dreamin' Of" - 4:03
13. "Staring at the Mirror" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:22
14. "Fade Away" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:45
15. "Die For You" (iTunes and UK Retail Bonus Track) - 3:14



Chris Robertson (vocais e guitarras)
Ben Wells (guitarras e backing vocais)
Jon Lawhon (baixo e backing vocais)
John Fred Young (bateria e backing vocais).




Aerosmith - Toys In The Attic [1975]

 



O Aerosmith era totalmente destruidor de lares em sua fase inicial. Mesmo que ainda mandem muito bem, não consigo engolir parte das baladinhas que são compostas por Tyler e companhia hoje em dia. Simplesmente não consigo. Mas, mesmo assim, essa é uma de minhas bandas preferidas, e já que mencionei essa fase específica de sua carreira, nada melhor do que postar um de seus maiores clássicos.

"Toys In The Attic" foi lançado em 1975 e é o terceiro da trupe. Os dois lançamentos anteriores, por mais que sejam obras-primas (o debut de 1973 é um dos meus preferidos), não emplacaram nas paradas. Mas "Toys" obteve desempenho muito melhor do que seus antecessores, algo que iria ser maximizado em 1976 com "Rocks".


Da esquerda para a direita: Brad Whitford, Joe Perry, Tom Hamilton, Steven Tyler e Joey Kramer

A faixa-título e seu riff fantástico abrem a pepita com força total, sem enrolações. O riff inicial é trabalho de gênio, realmente Perry se superou nessa música. "Uncle Salty" envereda pelo lado blueseiro da força, e o feeling é transbordante, assim como a inspiração. Tenho que destacar também o trabalho de Tom Hamilton, que sempre foi competente no que faz.

"Adam's Apple" é uma de minhas preferidas. A mágica dessa faixa é algo inexplicável; só ouvindo para saber, realmente. A seguinte é "Walk This Way" em sua sutileza original, que fez sucesso sem ter que colocar Run DMC no meio. Essa versão é bem mais direta e "Aerosmithiana", se podemos dizer assim.

"Big Ten Inch Record" merece nota por ser um cover tão bom, mas tão bom, que chega a ser indispensável. Os pianos e os instrumentos de sopro em conjunto com todo o instrumental da banda recriam um daqueles cenários de beira de estrada magnificamente bem. Tyler surpreende com um solo de gaita extremamente frenético e espetacular, diga-se de passagem.



Seguindo, temos "Sweet Emotion", uma balada com apelo pop e, mais uma vez, um baita riff. "No More No More" tem um peso extra em sua execução, assim como "Round And Round", uma faixa com andamento marcante. Infelizmente, essas duas são pouco abordadas e conhecidas. E fechando de vez há a melosa "You See Me Crying", uma belíssima balada com atuação ímpar, principalmente por parte de Tyler.

Por ser Aerosmith você já sabe o que esperar. Clássico imperdível!


Steven Tyler - vocais, gaita

Tom Hamilton - baixo
Joey Kramer - bateria, percussão
Joe Perry - guitarras, backing vocals
Brad Whitford - guitarras

01. 
Toys in the Attic
02. Uncle Salty
03. Adam's Apple
04. Walk This Way
05. Big Ten Inch Record
06. Sweet Emotion
07. No More No More
08. Round And Round
09. You See Me Crying




Destaque

We All Together - We All Together 2 (1974)

  Continuamos com o rock peruano e todas as suas joias escondidas, agora em um estilo à la Beatles, algo que você já pode perceber pela capa...