domingo, 8 de junho de 2025

Toad - Open Fire (Live in Basel 1972 - 2005)

 

O texto hoje assumirá um caráter de homenagem. Não que os outros que estão registrados neste humilde e reles blog não sejam, mas esse lamentavelmente tem um ensejo póstumo. No primeiro dia de novembro de 2023 o virtuoso e grandioso guitarrista italiano, baseado na Suíça, Vittorio Vergeat, nos deixou.

Talvez para muitos apreciadores de rock n’ roll esse nome não seja lembrado, esteja no ostracismo, nos porões empoeirados do estilo, mas se tratou de um dos melhores e mais influentes dos guitarristas que o mundo testemunhou nos últimos cinquenta anos!

É sabido que é mais salutar que as homenagens devem ser feitas em vida, mas quis as circunstâncias que Vic Vergeat, como era conhecido, nos deixasse tão prematuramente, antes de ter um texto sobre a banda gigante, porém pouco comercial, que fundou: o TOAD.

Vic Vergeat

Embora, como disse, o Toad não tenho gozado, ao longo das décadas, de fama, sucesso, se tornou emblemática pelo menos na Suíça, sendo, sem sombra de dúvida, uma das precursoras do heavy rock, do proto stoner naquele país. Se tornou também um ponto fora da curva quando se tratou de apresentações ao vivo. 

A banda se notabilizou em seu país por sua ferocidade, musicalidade e algumas “travessuras”, se é que me entendem, no palco, principalmente quando Vic tocava guitarra com os dentes, algo que emulou de sua grande inspiração no instrumento: Jimi Hendrix.

Então já que falei das poderosas apresentações ao vivo do Toad, nada mais interessante falar de um registro ao vivo avassalador que, apesar de ter acontecido na cidade de Basel, em 1972, foi lançado apenas em 2005, levando o nome de “Open Fire – Live in Basel 1972”.

O Toad passou por várias mudanças de formação ao longo de sua trajetória, mas construiu os seus melhores e mais criativos momentos com o seguinte line up: Vic Vergeat na guitarra e vocal, Werner Fröhlich no baixo e voz e Cosimo Lampis na bateria.

Mas antes de passear na história do Toad e de seu registro emblemático ao vivo, “Open Fire – Live in Basel 1972”, vamos falar um pouco também da história de Vic Vergeat, o nosso também homenageado.

O Toad clássico

Vittorio Vergeat nasceu e viveu na Itália até os quinze anos de idade, se mudando para Ticino, na Suíça. Começou, nesta mesma idade, a tocar violão, um autodidata, gravando sua primeira música com um produtor com certo renome precocemente e logo começou a se apresentar com uma banda que tinha gêmeos cantando. Com quinze anos também lançou um single que foi traduzido para o inglês com uma banda chamada “The Black Birds”, que tinha um ótimo cantor com o dobro de sua idade.

Em 1969 decide tentar a sorte em Londres. Lá chegou a tocar brevemente com uma banda que nascia e se chamava Hawkwind! Sim! Vergeat foi o guitarrista original do Hawkwind! Mas apesar da pouca idade e do talento prodigioso na guitarra, o relacionamento com os outros caras do Hawkwind não era dos melhores, sempre brigando. Diante da falta de perspectiva em Londres e das intensas brigas com o Hawkwind decidiu largar tudo e voltar para a Suíça, baseando-se em Basel.

Em Basel havia uma banda de psych rock, de krautrock chamada Brainticket que estava meio alinhada aos que os alemães da cena kraut estavam fazendo em seu país natal e que estava fazendo algum sucesso na Suíça. Na realidade a banda tinha músicos da Alemanha, da Suíça, da Itália. Era uma banda, digamos, “multinacional”.

Vergeat se aproximou dos caras e tal proximidade fez com que Cosimo Lampis e Werner Frohlic, baterista e baixista, respectivamente se juntassem a ele para formar uma nova banda, o Toad. E como os caras não se sentiam bons vocalistas o “time” se completou com Benjamin Jaeger. Mas Cosimo e Werner, antes de sair do Brainticket, ajudaram a gravar o debut da banda chamado “Cottonwoodhill”, gravado em 1970 e lançado em 1971.

Brainticket - Cottonwoodhill (1971)

Com o Toad formado, isso em 1970, eles precisavam, claro, fazer shows, compor para lançar seu novo álbum. O primeiro show da banda aconteceu em Zurique e a banda foi, para variar, muito bem recepcionada, os moleques curtiram e muito a ferocidade do Toad no palco. Depois tocou em Ticino. A banda ainda não tinha nome. Precisavam criar um nome para facilitar a sua divulgação. Vergeat, antes do show começar, decidiu dar uma volta nos jardins do clube em Ticino e viu um sapo, foi daí que veio a inspiração para o nome da banda: Toad!

Apesar da banda, ainda jovem, não ter uma formatação em seu estilo de som, afinal era muito cru, estava nítido que o Toad tinha a vontade de seguir a linha dos “power trios” muito comum na época, como Blue Cheer, Cream, Mountain, Jeff Beck Group, Experience, de Hendrix etc. O som era um volumoso hard rock, com pegadas blueseiras bem pesadas. É notadamente um som voltado para o proto metal e proto stoner, muito solar e pesado.

O Toad logo ganhou alguma visibilidade recebendo ofertas para tocar em vários lugares na Suíça. A banda foi encorpando público de forma natural, graças, principalmente às suas apresentações ao vivo e ao seu primeiro álbum, homônimo, que seria lançado em 1971.

"Toad" (1971)

Tal trabalho foi concebido em um estúdio em Londres, após assinatura de contrato com a “Hallelujah Records”. O dono da gravadora foi extremamente legal com os caras do Toad, embora eles tenham gravado em uma semana, afinal, estar em estúdio era caro, principalmente para uma banda nova como o Toad. “Toad” foi mixado por Martin Birch, lendário produtor que trabalhou, entre outros, com o Deep Purple. A banda fez mais de 200 shows por toda a Suíça.

Um ano depois, em 1972, a banda lançaria seu segundo álbum, “Tomorrow Blue”. Esse trabalho traria uma veia mais “blueseira” mas sem deixar de lado, claro, seu hard rock potente e poderoso. Vergeat assumiria os vocais, pois Benjamin Jaeger sairia da banda, ao fim da produção do primeiro álbum. Martin Birch assumiria também a produção deste álbum. Assim nasceria o Toad no “formato” power trio, o que sempre sonhou Vic Vergeat. Um dos grandes e subestimados “power trios” da história do rock n’ roll nos anos 1970.

Com o lançamento de “Tomorrow Blue” a banda sairia em turnê, claro, afinal, o segredo do Toad estava em sua energia ao vivo, nos palcos. A cada show que realizava, o seu público aumentava, ganhava corpo. As casas, algumas pequenas, já não comportava os jovens que passavam a seguir o Toad e todo o seu belicismo sonoro.

"Tomorrow Blue" (1972)

Um dos shows mais significativos e importantes foi na cidade de Basel, em 1972, intitulado “Open Fire – Live in Basel”, que viria a ser lançado em CD, apenas em 2005, será alvo de nossa resenha de hoje para homenagear Vic Vergeat, sintetiza fielmente, além das influências de Vic e companhia, como toda a força, a consistência e poderio do hard rock da banda suíça. Inclusive este ao vivo contempla faixas eternizadas e escritas por Jimi Hendrix, como: “Red House” e “Who Knows”.

Então falemos de “Open Fire”. O álbum é inaugurado com a faixa título do segundo álbum, “Tomorrow Blue”. A introdução, ao estilo “bluesy” contagia, anima, é dançante. A bateria, cadenciada, mas pesada, dá o tom do poderio bélico dessa faixa. A propósito essa faixa, em sua versão ao vivo, ganhou vida, mais peso, a banda se permitiu improvisar, ousar em alguns momentos, tanto que atinge os 14 minutos de duração. Guitarras explosivas, distorcidas, baixo marcado e pulsante. “Tomorrow Blue” é um verdadeiro arrasa quarteirão!

"Tomorrow Blue" (Live in Basel 1972)

Segue com “Thoughts”, também do segundo álbum, que já diz a que veio logo no início. Riffs pesados de guitarra, “cozinha” afinada dando o tom, com a bateria pesada, indulgente, os pratos parecem voar. Baixo intenso, galopante. Aqui é a personificação do hard rock sem arestas, puro e bruto.

"Thoughts" (Live in Basel 1972)

A sequência tem a sugestiva faixa “Blues”. Como nome já entrega aqui impera o blues rock. A guitarra viaja entre o “bluesy” e o hard rock nos seus momentos, claro, mais pesado. Bateria marcada, cheia de viradas, mas sem deixar de lado o peso. O baixo segue o compasso e traz algum groove.

"Blues" (Live in Basel 1972)

“Pig’s Walk”, faixa do primeiro álbum, de 1971, começa indulgente com a riffs poderosos de guitarra que logo se entrelaçam com solos avassaladores. Não traz tanto virtuosismo, mas dá conta do recado trazendo um “tempero” pesado. Pesado é o nome ideal para essa faixa! Aqui o proto metal parece reinar, com direito a solos de bateria e tudo o mais!

"Pig's Walk" (Live in Basel 1972)

E eis que surge o clássico eternizado por Jimi Hendrix, “Red House”. A pegada do blues rock que notabilizou Hendrix e que serviu de inspiração para Vic Vergeat e sua trupe parece emulada com sucesso nessa versão. Blues rock mesclado ao hard rock, com groove, balanço e consistência.

"Red House" (Live in Basel 1972)

E fecha finalmente com outro clássico de Hendrix, “Who Knows”. A pegada dançante é delineada pela guitarra, um dedilhado simples, mas genial de Vic dá o tom e abre os trabalhos nessa faixa que não despreza o hard rock, mas traz uma boa cadenciada que se torna inevitável dançar e “bater” a cabeça.

"Who Knows" (Live in Basel 1972)

O Toad ficou um tempo sem gravar material, depois de “Tomorrow Blues”, até que em 1974 começa a preparar o seu terceiro trabalho de estúdio, “Dreams”, que seria oficialmente lançado em 1975. Vic fala com muito carinho desse álbum, dizendo em algumas entrevistas que o processo de gravação foi muito leve, prazeroso.

"Dreams" (1975)

Mas a crítica já não olhou com bons olhos esse lançamento. Em “Dreams” o Toad notadamente direciona sua sonoridade para uma pegada mais “funk”, alguma mais groove, o que não deixa de ser percebido, em menor “dosagem” nos álbuns anteriores. Era fato também que os teclados e o piano suavizariam um pouco a sonoridade da banda neste álbum, porém era nítida a intenção da banda explorar novas sonoridades.

“Dreams” foi lançado pelo pequeno selo “Frog”. O álbum foi lançado apenas na Itália. O nível de atividade da banda diminuiu significativamente, mas não impediu que o Toad continuasse com as suas poderosas apresentações, dando-lhe o status de uma das grandes bandas ao vivo dos anos 1970. Mas o Toad não conseguia sucesso comercial nos Estados Unidos e Inglaterra, o que era intenção de Vic Vergeat.

Então o inevitável acontece com a saída de Vic Vergeat e o fim, em 1975, do Toad. Assim Vic foi para a América e o Reino Unido tentar a sorte. Gravou um álbum solo com a intitulada “Vic Vergeat Band” chamado “Down to the Bone”, em 1980 que saiu pelo selo “Capitol”. De fato, um belíssimo álbum que foi produzido pelo ícone produtor alemão Dieter Dirks, que mostra o hard rock com uma pegada mais radiofônica. Até que deu certo, porque Vic saiu em turnê com bandas do naipe de Nazareth e o Aerosmith.

Vic Vergeat Band - Down to the Bone (1980)

Show de divulgação do álbum na Alemanha (1980)

Mas Vic Vergeat parece nunca ter esquecido de seu “filho” pródigo, o bom e velho Toad. A banda se reuniu, de forma esporádica, nos anos 1980, mas não lançou nenhum material novo.

Porém reformulou a banda no início dos anos 1990 com um novo baixista e contando ainda com Cosimo Lampis, na bateria. Dois novos álbuns foram finalmente lançados: “Hate to Hate”, em 1993 e “Stop this Crime”, em 2001.

Um guitarrista à frente de seu tempo, um músico vanguardista que, mesmo diante de reveses comerciais que o manteve, juntamente com a sua banda, à margem do protagonismo, Vic Vergeat e o Toad conseguiram construir uma cena, se tornando referência no estilo e em todos os outros que porventura viriam mais à frente. Fica o seu legado para a sua eternidade.




A banda:

Vic Vergeat no vocal e guitarra

Cosimo Lampis na bateria

Werner Froehlich na bateria


Faixas:

1 - Tomorrow Blue

2 - Thoughts

3 - Blues

4 - Pig's Walk

5 - Red House (Hendrix)

6 - Who Knows (Hendrix)



Toad - "Open Fire - Live in Basel (1972-2005)"


Alphataurus - Alphataurus (1973)

 

50 anos! O que é o tempo quando se tem a eternidade? Mensurar tempo parece ser irrelevante para definir a história de um álbum para a música, para o rock n’ roll. E o que dizer de trabalhos icônicos para bandas obscuras? A arte vence! O tempo não enferruja, não torna datado, mas atemporal na concepção sonora e de suas mensagens, o que pode ser bom ou ruim, depende do tema abordado.

O fato é que o rock progressivo italiano sempre promoveu momentos improváveis, sobretudo nos anos 1970. Como determinados álbuns foram destinados a entrar para a história e não ter tido um impacto comercial, grandes vendas e resultados de sucesso e glamour?

Parece uma combinação inviável, diria inusitada, mas a banda de hoje conseguiu tal feito, mesmo com uma trajetória calcada na precocidade de sua história que, logo ao lançar seu debut, saiu de cena da mesma forma que entrou: timidamente, sem alardes. Falo do ALPHATAURUS.

E falar do seu primeiro trabalho, homônimo, de 1973, é como falar da minha história com o rock progressivo. Não é apenas a história e a relevância desse álbum para a cena progressiva italiana e mundial, mas uma relação afetiva, pois foi com ele que a Itália progressiva descortinou-se diante dos meus olhos. E começar com essa obra prima é ter, ouvir e sentir o que o prog rock pode de melhor proporcionar a pobres mortais como eu.

O Alphataurus, nome astronômico da primeira estrela da constelação de Touro também conhecida como "Aldebaran", foi formado na cidade de Milão em 1970 a partir da reunião do tecladista Pietro Pellegrini com o vocalista Michele Bavaro, o violinista Guido Wasserman, o baixista Alfonso Oliva e o baterista Giorgio Santandrea.

Apesar da intensa atividade ao vivo, com várias apresentações em festivais importantes da Itália, como o “Davoli Pop” e o “Palermo Pop 72”, o Alphataurus nos dois anos anteriores ao lançamento de seu primeiro álbum, de 1973, permaneceu sem contrato, sem nenhuma gravadora interessada em tê-los em seu “cast”.

Mas foi exatamente no Festival Pop de Palermo que Vittorio De Scalzi, que tinha saído da icônica banda New Trolls e impressionado com nível sonoro e técnico dos músicos, os convida para praticamente inaugurar o recém-fundado selo “Magma”, fundado em conjunto com o seu irmão, Aldo.

E assim o Alphataurus começaria a fazer história, mesmo que a base de muitas adversidades, típicas de bandas undergrounds, com o seu primeiro álbum, lançado em 1973, sendo também o primeiro trabalho concebido com a ajuda da nova gravadora. Era novidade para os jovens produtores, os irmãos De Scalzi.

Vittorio de Scalzi

Como muitas das bandas italianas, “Alphataurus” tem influências do rock progressivo britânico, com destaque para o Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, Yes e Van der Graaf Generator, porém como algumas grandes bandas do “país da bota” desenvolveram, a partir de suas influências, seu próprio estilo, sua própria proposta sonora, usando primordialmente a sua língua pátria, abrangendo também uma textura instrumental invejável, ampla, tendo a base do órgão e moog, entregando pegadas jazzísticas até ao hard rock e contemplações sinfônicas dando o caráter ao prog rock.

Não só as teclas ganham destaque no primeiro trabalho do Alphataurus, mas a começar pelo vocal com uma voz extremamente poderosa e original, certamente uma das mais competentes surgidas naquele longínquo ano de 1973, com uma guitarra bem cuidada e tocada com destreza e a seção rítmica criando um fundo poderoso. Não há indulgência, é um trabalho orgânico, fiel ao conceito do rock progressivo em voga naqueles anos. O álbum do Alphataurus é sofisticado? Sim, mas não caem na armadilha do pedantismo.

Mas esse resultado tem um motivo primordial: quando a banda entrou em estúdio, logo no início de 1973 para a gestação do álbum o Alphataurus ensaiava as músicas por muito e muito tempo. Reza a lenda que ficavam no estúdio por até seis horas consecutivas, podendo assim gravar as músicas e aproveitar o tempo restante para aperfeiçoar os sons, adicionar overdubs e mixar tudo também.

“Alphataurus” foi gravado nos estúdios SAAR Records e Sax Records em Milão. A linda e instigante arte gráfica, no formato LP, pode ser aberta em três partes e foi criada por Adriano Marangoni e que representa fielmente os conceitos da obra: simplesmente a perda da identidade do homem e os perigos da nascente sociedade tecnológica. Um tanto quanto atual, não acham amigos leitores? A guerra tecnológica envolta em um discurso demagógico da paz.

A faixa "Peccato d'orgoglio" sintetiza muito bem o conceito do álbum e esse tema em sua letra:

"Você já está indo em direção ao vazio sem objetivo / Não tenha medo, volte entre nós / Você experimentou tudo, uma vida inteira / Sob uma luz falsa você usou para construir sua realidade... Foi um pecado de orgulho / Lembre-se que você é um homem / Você ainda pode viver... ".

Na letra é perceptível o clima entre sonho e pesadelo, o medo da guerra nuclear e a esperança de um mundo melhor. Apesar de um tema manjado, é fato que a tratativa é perfeita entre a letra e a música.

“Alphataurus” é sombrio, pesado, intenso, poderoso, que flerta entre o rock progressivo com as suas passagens sinfônicas e o hard rock típico dos anos 1970. Guitarras pesadas e de solos contemplativos, seção rítmica contundente e teclados frenéticos e viajantes. Temos um potente heavy prog e passagens melódicas cativantes, tudo isso envolto em uma textura de arranjos garantidos pelas ótimas seções instrumentais.

São cinco músicas todas assinadas pelo tecladista Pietro Pellegrini em um total de quarenta minutos. As letras, no entanto, foram desenvolvidas por toda a banda em conjunto com Vittorio de Scalzi que usou, para os créditos no álbum, com o pseudônimo de “Funky”.

A faixa inaugural é a grande “Le Chamadere (Peccato d'Orgoglio)” no auge de seus pouco mais de doze minutos é a encarnação, creio, mais representativa do estilo que o Alphataurus imprimiu neste álbum, sendo extremamente cativante, repleta de mudanças rítmicas, com um toque orquestral que predomina, mas tocados em uma atitude hard rock e até raivosa, em alguns momentos. A guitarra e o teclado são pesados, bem como os vocais que trafega para a sensibilidade em alguns momentos. Os teclados trazem a textura sinfônica e progressiva, com o trabalho fenomenal da bateria muito arrojada com o baixo seguindo o ritmo. Mas não podemos deixar de destacar o momento acústico e contemplativo garantido pelos dedilhados do violão.

"La Chamadere (Peccato d'Orgoglio)"

Segue com a “Dopo L'Uragano” que traz a predominância destacada da guitarra em uma versão blues, um blues rock muito bem executado. As cadências entregues nos acordes básicos da guitarra acústicas e os riffs de guitarra elétrica fazem com que o protagonismo do instrumento se faça. Não se pode negligenciar os intervalos de boogie intercalados por preenchimentos fortemente efetuados pela bateria. Vale lembrar também que essa faixa retrata fielmente o humor sombrio e apocalíptico do álbum:

"À luz do sol, as sombras, o furacão é apenas passado. Volto para minha cidade, sozinho e com dor. Eu não vejo o meu povo, as estradas estão desertas, eu olho ao meu redor e vejo que a vida se esvai ..."

"Dopo L'Uragano"

A faixa instrumental “Croma” é excelente e traz alguns toques jazzísticos com a alternância de passagens de órgão encontrando um fundo perfeito nas enormes camadas de moog e riffs e solos de guitarra, que eclodem em uma explosão majestosa em seu clímax final. Não se pode negar a simbiose entre o sintetizador e a guitarra.

"Croma"

“La Mente Vola” surpreende pelo arranjo muito moderno, bem executado, parece ser descolado daqueles tempos de outrora dos anos 1970. Tem uma batida sobreposta com sintetizadores, parecendo ser consensual para uma faixa forte e poderosa. Teclados exemplares, com solos de vibrafone e passagens misteriosas de moog, vocais emocionais e dramáticos, assim se resume essa música. E já que falei em vocal, não podemos deixar de destacar a poesia da letra, falando do homem que entende a importância de se falar com o divino para cessar as suas dores e sofrimentos.

"La Mente Vola"

E fecha brilhantemente com a faixa “Ombra Muta” que traz a estrutura fina e melódica com toques de guitarra elétrica e teclados mais fortes e cativantes, com aquele “tempero” sombrio que permeou todo o álbum. O baixo é pesado, contundente, os vocais altivos e de grande alcance, além de bateria marcada e moogs frenéticos e animados.

"Ombra Muta"

Logo após o lançamento de “Alphataurus”, a banda se dissolve e inclusive estavam envolvidos nas gravações de um segundo álbum. Não há informações precisas sobre o que teria ocasionado o fim da banda, talvez questões ligadas a divergências sobre a concepção do álbum ou ainda as baixas vendas do primeiro trabalho, pois lamentavelmente o trabalho não teve a divulgação necessária, haja vista que a gravadora, por ser nova, não tinha recursos necessários para um trabalho adequado de disseminação e promoção do álbum.

O projeto do segundo álbum ficou inacabado, não foi concluído, inclusive os vocais não foram inseridos nas composições. Ainda assim o material foi lançado, pela Mellow Records, intitulado “Dietro L’Uragano” (Leia texto desse álbum aqui), no ano de 1992 e digo, meus caros leitores, que mesmo sendo um projeto inacabado traz a essência e a força de uma banda seminal que é o Alphataurus.

"Dietro L'Uragano" (1992)

Após um longo período com a banda hibernando, no ano de 2009, Guido Wassermann e Pietro Pellegrini decidiram que era o momento de trazer o Alphataurus de volta à cena. O baterista Giorgio Santandrea também voltou à banda e em novembro de 2010 eles anunciaram oficialmente a reunião, após mais de trinta anos de ausência.

O Alphataurus se apresentou no “Progvention”, no mesmo ano de 2010, na sua cidade natal, Milão. A formação, que incluiu ainda o vocalista Cláudio Falcone, o tecladista Andrea Guizzetti e o baixista Fabio Rigamonti permaneceu também para outras apresentações no ano seguinte, em 2011.

Um álbum ao vivo, “Live in Bloom”, foi lançado em março de 2012, mas antes do final de 2011 o baterista Giorgio Santandrea deixaria a banda, sendo substituído por Alessandro “Pacho” Rossi. Em setembro de 2012 seu segundo álbum de estúdio, “AttosecondO”, incluindo temas revistos a partir do segundo álbum incompleto, bem como novas músicas.

Alphataurus - "Live in Bloom" (2010)

Com o retorno aos palcos o álbum “Alphataurus” ganharia maior evidência recebendo ótimas críticas e consequentemente novas reedições, com uma, no formato CD, pelo selo “Vinyl Magic”, em 1995, remasterizado pelo tecladista Pietro Pellegrini e outra, uma em 2009 pelo selor AMS/BTF e outra em 2011, também pela Vinyl Magic” no formato CD. Teve também, inclusive, uma reedição coreana feita com 1.000 cópias e uma japonesa.

Muito se questiona sobre a concepção de “Alphataurus” e a sua relação com os irmãos De Scalzi, donos de selo Magma. Atribuiria a estes os “donos” do projeto do álbum do Alphataurus, não tendo um investimento pesado em divulgação exatamente por esta questão.

Mas não percebo como tal, mas sim como um trabalho genuinamente autoral de músicos tarimbados que definitivamente sabiam do caminho que estavam seguindo, da sua capacidade, de seu repertório. 

Por mais que os envolvidos nesse álbum não possam ter tido a dimensão do tamanho desta obra para a cena progressiva, mas o fato é que, independente da ausência do sucesso comercial, o primeiro álbum do Alphataurus está nos anais da história do rock progressivo italiano e mundial. Um trabalho altamente recomendado! 




A banda:

Guido Wasserman na guitarra

Pietro Pellegrini no órgão, piano, moog, spinetta, vibrafone

Michele Bavaro no vocal

Alfonso Oliva no baixo

Giorgio Santandrea na bateria

 

Faixas:

1 - Peccato D'Orgoglio

2 - Dopo L'Uragano

3 - Croma

4 - La Mente Vola

5 - Ombra Muta



"Alphataurus" (1973)


Minus Two - SWF Session (1972 - 2010)

 

O krautrock, icônica cena comportamental, política e musical alemã, ficou notoriamente conhecida, sob o aspecto da música, pelas bandas com suas longas e experimentais músicas, com “quedas” para a lisergia, para o psych rock, com pegadas bluseiras, jazzísticas e até algo mais pesado como o hard rock, por exemplo.

Até hoje a cena, em seus primórdios, não é muito encara pelos amantes do progressivo, como bandas do gênero, pois estão mais ligadas ao psicodélico, afinal, tais bandas surgiram em uma época em que a psicodelia estava em voga, nos anos de 1968, 1969.

Mas quando o progressivo estava em voga, isso lá pelos anos de 1972 ou 1973, algumas bandas alemãs, surfando na onda, conseguiu, com maestria, aliar o experimentalismo, o minimalismo do krautrock com o genuíno prog rock que tinha na Inglaterra o berço das grandes representantes do estilo.

E fizeram com maestria e ousadia, fazendo o que poucos tinham a coragem de colocar em prática, no estúdio e nos palcos. Claro que havia os famosos “power trios”, como o Emerson, Lake & Palmer que, mesmo com uma dose limitada de músicos no palco, os destruía destilando suas notas pesadas e complexas.

Porém o que dizer de uma dupla? Sim! Um “duo”! Pode parecer algo impensável, atípico, até louco, em se tratar de rock progressivo. Como parecer relevante e consistente com apenas dois caras no estúdio ou no palco!

Pois sim, há uma banda, ou melhor, um “duo”, que surgiu na Alemanha no início da década de 1970 e que pratica um som incrivelmente forte e intenso. Falo do MINUS TWO.

O Minus Two foi formado no início de 1971 quando dois jovens estudantes de música em Viernheim, o tecladista e organista Günter Kühlwein e o baterista Walter Helbig de uma banda de soul chamada “Excelsior”. Já começa aí no estilo de som, do soul para o prog rock, uma guinada e tanto.

Os caras decidiram continuar fazendo música mesmo que a ruptura com a sua antiga banda. Então radicalmente dispensou, em seu novo projeto, guitarristas e baixistas optando por uma dupla com tecladistas e baterista. Por isso que o nome da banda é “Minus Two” que, na tradução livre significa “Menos Dois”.

Com o Minus Two formado a banda passou a excursionar pelo sul da Alemanha, fazendo um bom número de shows, apareceu até na televisão, além de uma exposição de uma rádio em Berlim, em 1971.

Gravou uma seção para a Südwestfunk (SWF), em Baden Baden, no verão de 1972 o que originaria o álbum lançado somente em 2010, pelo selo “Long Hair”, chamado de “SWF Session”, cuja gravação ocorreu em 1972 e que foi esquecida.

Esquecida porque nenhuma gravadora queria gravar o material, porém também porque os jovens estudantes continuaram com as rotinas estudantis na Universidade das Artes de Basiléia, mais precisamente na Swiss Jazz School.

Talvez possa parecer louco e muito improvável uma dupla de baterista e tecladista, ou faltar algo no conceito da música, em sua estrutura melódica ou coisa que o valha. Confesso que, quando a descobri e li rapidamente sobre o pouco que tem a respeito do Minus Two na grande rede, por exemplo, achei se tratar de algo raso e trivial, mas não! Uma sonoridade extremamente cativante, viva, diria até intensa.

“SWF Session” é um álbum de prog rock, mas com a alma kraut com improvisações alucinantes, viajantes, quase lisérgicas e chapantes a ponto de a alma sair do corpo e se deixar seduzir pelas notas que saem desse trabalho.

E convém ressaltar um detalhe que considero de suma importância: por se tratar de um “duo”, dois instrumentos, não há nenhuma espécie de indulgência entre os músicos e seus instrumentos, ou seja, não há solos intermináveis de bateria, de teclado. Há uma convergência entre os músicos e seus instrumentos.

Então comprovemos a audácia sonora produzida neste álbum, falando de cada faixa, das quatro faixas que o compõe. “SWF Session” inicia com a faixa “Sticks and Keys” que já começa com uma breve, mas sombria introdução sombria do hammond que logo irrompe em uma simbiótica relação com a bateria, que ocasionalmente se coloca em alguns solos, com viradas rápidas e diretas.

"Sticks and Keys"

Segue com “Differences” que é introduzida com o teclado novamente, mas com uma vibe mais experimental, talvez algo voltado para o space rock, com um “caráter” mais contemplativo. A bateria se faz presente, de forma mais intensa aos minuto e meio e segue em um salutar duelo com o hammond e ficando cada vez mais intenso e até, por vezes, pesado.

"Differences"

“First Romance” é faixa mais longa e talvez a melhor de todo o álbum. O vocal traz um tom sombrio, texturas obscuras tecem a música e entrega também algo tenso e dramático. O teclado é o “culpado” por essa atmosfera também e a bateria traz o senso rítmico, arrastado, até perigoso. Fantástica música!

"First Romance"

E o álbum fecha as cortinas com “Welcome for You” e é inaugurado com o frenesi dos teclados e uma combinação experimental e lisérgica que logo fica mais solar, mais animado, com o prog rock assumindo protagonismo, talvez uma levada jazzística de nota com a bateria entregando tal momento.

"Welcome for You"

“SWF Session”, quando ganhou vida décadas mais tarde, em 2010, trouxe, como bônus track, a faixa “Differences” ao vivo em Baden Baden, naquela apresentação no longínquo ano de 1972.

O tecladista Günter Kühlwein foi morar na suíça e é muito ativo como músico nas áreas do jazz, soul e blues e leciona também na Swiss Jazz School, onde foi aluno.

Walter Helbig, o baterista, está na Alemanha onde trabalha como professor de música e tocou em algumas big bands de jazz e também trabalhando para vários músicos pop como Jürgen Drews, por exemplo.

Sem dúvida o pouco caso de algumas gravadoras foi o pivô para o esquecimento dessa gravação, mas parece que os jovens músicos à época também não deram tanto o devido interesse ao belíssimo trabalho que produziram que de tão ousado, resultou em uma música de vanguarda e cheia de vida.

 

A banda:

Walter Helbig na bateria, percussão e vocal

Günter Kühlwein nos teclados e vocais principais

 

Faixas:

1 - Sticks and Keys

2 - Differences

3 - First Romance

4 - Welcome for You

Bonus Track:

5 - Differences (Live)


"SWF Session" (1972 - 2010)


ZÉ RAMALHO

 


José Ramalho Neto (Brejo do Cruz, 3 de outubro de 1949), mais conhecido como Zé Ramalho, é um cantor, compositor e músico brasileiro. Em outubro de 2008, a revista Rolling Stone promoveu a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, cujo resultado colocou Zé Ramalho na 41ª posição. Pelo lado paterno, é primo da também cantora Elba Ramalho.

JUVENTUDE

José Ramalho Neto nasceu em 3 de outubro de 1949 na cidade de Brejo do Cruz, no sertão da Paraíba, no Brasil, a 380 quilômetros da capital, João Pessoa, filho de Estelita Torres Ramalho, uma professora do ensino fundamental, e Antônio de Pádua Pordeus Ramalho, um seresteiro. Quando tinha dois anos de idade, seu pai se afogou em uma represa do sertão, e passou a ser criado por seu avô. A relação entre os dois seria mais tarde homenageada na canção "Avôhai". Após passar a maior parte da sua infância em Campina Grande, sua família se mudou para João Pessoa. Esperava-se que ele se formasse em Medicina.

Assim que a família se estabeleceu em João Pessoa, ele participou de algumas apresentações de Jovem Guarda, sendo influenciado por Renato Barros, Leno e Lílian, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Golden Boys, Beatles, Rolling Stones, Pink Floyd e Bob Dylan.

Em 1974, seu primeiro filho com Ízis, Christian, nasceu.

Antes de compor, ele escrevia versos de cordel.

CARREIRA

Os primeiros trabalhos: 1974-1975

Em 1974, ele tocou na trilha sonora do filme Nordeste: Cordel, Repente e Canção, de Tânia Quaresma. Na época, passou a misturar as suas influências: de Rock "n" Roll a forró. Um ano depois, gravou seu primeiro álbum, Paêbirú, com Lula Côrtes na gravadora Rozenblit. Hoje em dia, as cópias desse disco valem muito por serem raras.

Começo da carreira: 1975-1984

Em 1976, mudou-se para o Rio de Janeiro.

Em 1977, gravou seu primeiro álbum solo, Zé Ramalho. No próximo ano, seu segundo filho, Antônio, nasceu.

Em 1979, veio o terceiro filho, João, fruto de sua relação com a cantora Amelinha, e também o segundo álbum, A Peleja do Diabo com o Dono do Céu. Ainda neste ano, produz o álbum 20 Palavras ao redor do Sol, primeiro trabalho de Cátia de França. Mudou-se para Fortaleza em 1980, onde escreveu seu livro Carne de Pescoço. O terceiro álbum A Terceira Lâmina, foi lançado em 1981, ano em que nasceu sua primeira filha, Maria Maria; logo após, veio o quarto disco, Força Verde, em 1982.

Em 1983, após o lançamento do quinto álbum, Orquídea Negra, terminou sua relação com Amelinha Collares. Depois de gravar Pra Não Dizer que Não Falei de Rock (também conhecido como Por Aquelas que Foram Bem Amadas), no início do ano de 1984, casou com Roberta Ramalho, com quem é casado até hoje.

Acusação de plágio

Zé Ramalho foi acusado na edição da revista Veja de 21 de julho de 1982 de plagiar na letra da canção "Força Verde", um texto de William Butler Yeats utilizado como introdução pelo roteirista Roy Thomas numa revista em quadrinhos do Hulk publicada no Brasil 10 anos antes pela GEA.

Queda na popularidade: 1985-1990

Os anos 80 seriam palco de uma queda no sucesso de Zé Ramalho, com o lançamento dos álbuns De Gosto de Água e de Amigos (1985), Opus Visionário (1986) e Décimas de um Cantador (1987). Uma possível causa dessa fase ruim seria o uso de experimentalismo na música. Em 1990 e 1991, ele tocou nos Estados Unidos para um público brasileiro.

De volta ao sucesso: 1991-2001

Em 1991, sua única irmã, Goretti, morreu. Ainda assim, gravou seu décimo primeiro álbum, Brasil Nordeste (que continha regravações de músicas típicas nordestinas) e voltou ao seus tempos de sucesso. A canção "Entre a Serpente e a Estrela" foi utilizada na trilha sonora da novela Pedra Sobre Pedra. Em 1992, teve seu quinto filho, José, (o primeiro com Roberta), fato que foi seguido pelo lançamento do álbum Frevoador. Em 1995, nasceu a segunda filha: Linda.

Em 1996, gravou o álbum ao vivo O Grande Encontro com Elba Ramalho e os famosos nomes da MPB Alceu Valença e Geraldo Azevedo. No mesmo ano, lançou o álbum Cidades e Lendas.

O sucesso de O Grande Encontro foi grande o suficiente pra que Zé Ramalho decidisse gravar uma nova versão de estúdio em 1997, desta vez sem Alceu Valença. O álbum vendeu mais de 300.000 cópias, recebendo os certificados ouro e platina.

Para celebrar seus vinte anos de carreira, lançou o CD Antologia Acústica. A gravadora Sony Music também lançou uma box set com três discos: um de raridades, um de duetos e um de sucessos. A escritora brasileira Luciane Alves lançou o livro Zé Ramalho – um Visionário do século XX.

Antes do fim do milênio, um outro sucesso Admirável Gado Novo (primeiramente lançado no álbum A Peleja do Diabo com o Dono do Céu) foi usado como tema do líder sem terra Regino, personagem emblemático de Jackson Antunes na novela O Rei do Gado. Ele também lançou o álbum Eu Sou Todos Nós, seguido do Nação Nordestina, sendo que nesse último a música nordestina foi novamente explorada. O álbum foi indicado para o Latin GRAMMY Award de Melhor Álbum de Música Regional ou de Origem Brasileira.

O primeiro trabalho do século XXI foi o álbum tributo Zé Ramalho Canta Raul Seixas, com regravações de canções do músico baiano. Dividiu o palco com Elba Ramalho no Rock in Rio III. Em 2002, a Som Livre lança um CD de grandes sucessos chamado Perfil, parte da série Perfil. Também em 2002, veio o décimo sétimo álbum, O Gosto da Criação.

Em 2003, Estação Brasil, um álbum com várias regravações de canções brasileiras e uma inédita foi lançado. Fez uma participação especial na faixa "Sinônimos" do álbum Aqui Sistema é Bruto, de Chitãozinho & Xororó.

Em 2005, gravou seu único álbum solo ao vivo, Zé Ramalho ao vivo. Seu mais recente álbum de inéditas Parceria dos Viajantes, foi lançado em 2007 e indicado para o Latin GRAMMY de Melhor Álbum de Música Popular Brasileira.

Em 2008, um álbum de raridades chamado Zé Ramalho da Paraíba foi lançado pela Discoberta, seguido de um novo álbum de covers Zé Ramalho Canta Bob Dylan - Tá Tudo Mudando, homenageando o músico americano.

Em 2009, um novo álbum de covers Zé Ramalho Canta Luiz Gonzaga foi lançado para homenagear o músico pernambucano.

Em 2010, continuou homenageando suas influências com o álbum Zé Ramalho Canta Jackson do Pandeiro.

Seu trabalho mais recente de covers é o álbum Zé Ramalho Canta Beatles, lançado em agosto de 2011, com regravações do Fab Four. É o seu quarto álbum de covers em três anos.

Em 2012, lançou o seu primeiro disco de inéditas em cinco anos, Sinais dos Tempos, por meio de sua nova gravadora própria, Avôhai Music.

No dia 22 de setembro de 2013, tocou ao lado da banda de metal Sepultura no palco Sunset do Rock in Rio 2013, no espetáculo que foi chamado de "Zépultura". O show foi bastante elogiado pela crítica, e agradou ao público presente. Vale lembrar que essa parceria já havia acontecido anteriormente, quando eles gravaram juntos a canção "A Dança das Borboletas" que fez parte da trilha sonora do filme Lisbela e o Prisioneiro (2003).

Em Novembro de 2014, Zé lançou um álbum ao vivo colaborativo com o cantor e violonista Fagner, intitulado Fagner & Zé Ramalho Ao Vivo.

No ano de 2017, lança Atlântida, álbum que recupera um show de 1974, quatro anos antes de Zé Ramalho se tornar um sucesso. Em 2019, edita o CD Cine Show Madureira (1979), em parceria com o selo Discobertas, de Marcelo Froés.

PAUL McCARTNEY - AVERAGE PERSON - 1983

 


"Average Person" é a terceira faixa do lado 2 do álbum de 1983, Pipes Of Peace - quinto álbum de estúdio de Paul McCartney. Foi composta no final de 1980, numa demo com o Wings,durante uma de suas últimas sessões juntos e gravada durante as sessões de Montserrat em fevereiro de 1981. Em entrevista ao Club Sandwich, McCartney disse: “Em 'Average Person', nós estávamos tentando fazer o show ao vivo, mais como se você estivesse assistindo a um filme, ao invés de apenas ouvir a música, então colocamos muitos efeitos sonoros para combinar com as coisas. Foi uma produção e tanto!""Average Person" foi gravada no AIR Studios, em Montserrat, nos dias 16 e 18 de fevereiro de 1981. Depois em julho e setembro no AIR Studios, em Londres. Foi produzida por George Martin e teve Geoff Emerick como engenheiro. Paul McCartney: Vocais, harmonias, guitarras, baixo e piano; Linda McCartney: Harmonias; Denny Laine: guitarras; Ringo Starr: bateria; Eric Stewart: guitarra e harmonias.


JOHN LENNON - I KNOW (I KNOW) - 1973

 


"I Know (I Know)" foi escrita e gravada por John Lennon e lançada em seu álbum Mind Games de 1973. Está incluída no box set de 1998 John Lennon Anthology e no álbum de compilação de 2020 Gimme Some Truth: The Ultimate MixesLennon chamou a música de "apenas um pedaço de nada", embora alguns a tenham visto como uma confissão de problemas com seu relacionamento com Yoko Ono ou uma mensagem ao ex-colega de banda Paul McCartney.


THE LONG AND WIDING ROAD - BROAD STREET ALBUM

 


"The Long and Winding Road" é ​​uma música dos Beatles, do álbum Let It Be de 1970. Foi escrita por Paul McCartney e creditada a Lennon–McCartney. Quando lançada como single em maio de 1970, um mês após a separação dos Beatles, tornou-se o 20º e último hit número 1 do grupo na parada Billboard Hot 100 nos Estados Unidos. McCartney regravou "The Long and Winding Road" para a trilha sonora de seu filme de 1984 Give My Regards to Broad StreetGeorge Martin produziu a faixa, que inclui acompanhamento de saxofone e o que os autores Chip Madinger e Mark Easter descrevem como um arranjo musical no estilo Las Vegas. Uma segunda nova gravação de estúdio da música foi feita por McCartney em 1989 e usada como lado B de lançamentos de singles de seu álbum Flowers in the Dirt.

THE BEATLES - I'LL BE ON MY WAY - 1963



"I'll Be On My Way" é uma canção de Paul McCartney, creditada a Lennon-McCartney, lançada pela primeira vez em 26 de abril de 1963 por Billy J. Kramer e os Dakotas como lado B de seu single de estreia "Do You Want to Know a Secret", também de Lennon-McCartney. Esse single alcançou o número dois nas paradas do Reino Unido, enquanto "From Me to You" dos Beatles abocanhou a posição número 1. Os Beatles gravaram uma versão em 4 de abril de 1963 para a rádio BBC, lançada pela primeira vez no álbum de compilação de 1994 Live at the BBC.

"I'll Be On My Way" foi a única canção de Lennon-McCartney tocada pelos Beatles a ser lançada depois de maio de 1970. Escrita por Paul, possivelmente em 1859 como uma imitação de Buddy Holly, ela foi incluída no repertório do grupo por algum tempo mas não estava no set list do teste para a Decca, um indício de sua desaprovação. Ela foi dada a Billy J. Kramer em abril de 1963. A letra serve de lembrete de que os Beatles não começaram como artistas visionários, eles simplesmente reagrupavam clichês existentes. Como era de se esperar, John foi só desdém quando perguntaram a ele sobre a canção em 1980: era exatamente o tipo de música pop que sempre o deixara desconfortável porque suprimia o ponto de vista individual com uma avalanche de frases comuns. Paul não foi tão duro ao olhar para trás. Era uma rima óbvia, ele reconhecia, mas tinha ‘funcionado bem” para o grupo nos primeiros shows. Os Beatles (em sua formação clássica) gravaram "I'll Be On My Way" em 4 de abril de 1963 no BBC Paris Theatre, em Londres e foi transmitida no programa de rádio da BBC Side by Side em 24 de junho de 1963. "I'll Be On My Way", foi uma das nada menos SEIS músicas que o cantor sortudo Billy J. Kramer (apadrinhado por Brian Epstein) ganhou de mão beijada entre 63 e 65 de Lennon & McCartney. As outras foram "Do You Want To Know a Secret" (que chegou ao #1), "Bad To Me""I'll Keep You Satisfied""From a Window" e "I Call Your Name". Oficialmente, dessas os Beatles gravaram "Do You Want To Know a Secret" e "I Call Your Name".



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