quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Jumbo - DNA (1972)

 


Gosto do “inusitado” nas bandas de rock. A década de 1970 foi um “tubo de ensaio” para essas bandas, no tocante a sonoridade, definitivamente desbravadoras de vertentes que hoje dispõe de uma horda de apreciadores espalhados pelo mundo. Essas bandas trabalharam muito para edifica-los. Mas algumas bandas transcendem tal quesito e faz do inusitado seu sustentáculo, sua filosofia para todo sempre. O flerte de vários estilos, os ingredientes que, quando se misturam, explodem em manifestações criativas e músicas, como disse, atípicas, vanguardistas, únicas, por muitas vezes, incompreendidas. Uma dessas bandas, vem da Itália e se chamava Jumbo e o seu segundo álbum de estúdio chamado “DNA”, de 1972, retrata fielmente essa música sem amarras, sem padrões.

Jumbo

E como não podemos deixar de falar de história, o Jumbo foi formado em 1969 na cidade de Milão tendo o vocalista Alvaro Fella, como figura central, tanto que o nome da banda vem de seu apelido, Álvaro “Jumbo” Fella. Fella era baixista de uma banda de pouco nome quando foi notado por produtores de uma gravadora, assinando contrato em 1970. Gravou uma música chamada “Due Righe Da Te” e dois covers. No primeiro single tocou com gente do naipe de Franz Di Cioccio e Flavio Premoli, ainda componentes do Quelli, depois passando a se chamar Premiata Forneria Marconi, e Mario Lavezzi, mais tarde tocando no Il Volo

Alvaro "Jumbo" Fella

Já em outra gravadora, de mais renome, a Phillips, gravou em 1971 o primeiro álbum com a ajuda dos músicos que teriam constituído a primeira formação da banda, tais como: Daniele Bianchini na guitarra, Sergio Conte nos teclados e vocais, Dario Guidotti na flauta, violão, gaita e percussão, Vito Balzano na bateria e percussão e o baixista Alberto Agazzi, mas sendo substituído logo por Aldo Gargano. O seu debut, de nome “Jumbo”, lançado em 1972 também, é um belo álbum, muito influenciado pelo blues, um pouco acústica na sua concepção, com muito instrumento de sopro e percussão e o destaque fica com o vocal de Fella, excepcional, potente, de grande alcance, um rosnado ameaçador, sem dúvida um dos melhores vocalistas que eu vi e ouvi até o momento. 

"Jumbo" (Primeiro álbum, de 1972)

Trata-se de um belo álbum, com uma bela produção, mas a grande mudança do Jumbo e a mais significativa, pois levaria como identidade até o fim, seria no álbum “DNA” também de mesmo ano. Mudança essa que se daria devido a um trabalho simbiótico e de grande parceria entre os seus integrantes. É o que disse em uma entrevista que o guitarrista Daniele "Pupo" Bianchini concedeu a um veículo de comunicação na Itália: "Eu diria que uma mudança quase natural: afinal de contas entre o primeiro e o segundo LP passou quase um ano. O tempo que passamos juntos e o trabalho duro feito por todos os membros do grupo criam as condições para se conhecerem melhor. Compreensão e confiança são coisas que precisam de tempo para amadurecer, ele se materializou em um trabalho de grupo cada vez mais unida." 


“DNA” foi realmente uma busca a uma nova identidade, mostrando uma vertente totalmente progressiva da banda, combinando um hard prog, com folk e blues, lembrando e muito o Jethro Tull, mas sem soar plágio, pelo contrário, uma banda que tem no vocal de Alvaro Fella a síntese de obscuridade e experimentalismo viajante do Jumbo. O álbum começa com a suíte de mais de vinte minutos de nome “Suite Per Il Sig. K” que combina um heavy progressivo e um blues rock com referências clássicas, com instrumentais acústicos com piano, violão e flautas para poderosos riffs de guitarra e ótimos vocais de Fella.

Jumbo - suite per il sig K, live 1995

Miss Rand” segue com aquele "mescla sonora" que entrega um folk prog, com uma curiosa levada country que "destoa" com solos de guitarra que intensifica, encorpa a música.

Jumbo - "Miss Rand"

“È Brutto Sentirsi Vecchi” é uma faixa mais sombria, introspectiva, beirando a viagens experimentais, assinando o nível estratosférico de criatividade desta banda.

Jumbo - "É Brutto Sentirsi Vecchi", live (2017)

“DNA” fecha com a música “Hai Visto...” mostra muita delicadeza, uma bela música acústica depois ficando um pouco mais frenético. “DNA” mostra uma banda amadurecida, o marco zero de sua nova jornada progressiva que infelizmente durou até o término da década de 1970. 

Jumbo - "Hai Visto", live (2017)

O Jumbo merecia uma melhor sorte e ser reconhecido com uma grande banda do celeiro de grandes nomes do rock progressivo italiano, mas hoje é só uma pérola perdida da cena.

A banda:

Alvaro "Jumbo" Fella no vocal e guitarra acústiva
Daniele "Pupo" Bianchini na guitarra
Sergio "Samuel" Conte no órgão e teclados
Dario Guidotti na flauta e guitarra acústica
Aldo Gargano no baixo
Vito "Juarak" Balzano na bateria

Faixas:

1 - Suite Per Il Sig. K
- Sta Accadendo Qualcosa Dentro Me
- Ed Ora Corri
- Dio E'
2 - Miss Rand
3 - E' Brutto Sentirsi Vecchi
4 - Hai Visto...



Circus 2000 - An Escape From A Box (1972)

 


A Itália progressiva sempre descortinou grandes surpresas sonoras. Infelizmente algumas bandas não tiveram o devido reconhecimento, sobretudo nos dias de hoje pelo que desbravou no passado, em épocas de experimentação, de riscos em apostar em aquilo que sempre defendeu como algo essencial na sua estrutura musical. 

Bandas como o CIRCUS 2000 esteve na vanguarda da música progressiva na Itália e ajudou a construir uma cena que ainda estava embrionária, em formação, quando ainda muitas das outras bandas que, na década de 1970, se tornariam influentes, estavam nas ondas do beat italiano, uma música, embora em voga entre os jovens descolados italianos, mas que tinha um viés acessível e diria que ingênuo aos ouvidos mais exigentes. 

Circus 2000

O Circus 2000 foi formado em 1969 na cidade de Turim e lançou, pelo selo RiFi, o seu primeiro álbum, homônimo, em 1970, com uma proposta psicodélica, viajante, lisérgica, com pitadas generosas de folk rock. Tinha uma forte influência do psicodélico norte americano com uma camada sonora bem estruturada que também lembrava e muito o hipismo britânico. 

"Circus 2000", de 1970

Não era nada experimental, com aquela sonoridade pouco palatável e minimalista da Alemanha krautrock, era um som limpo, solar, direto, delicado, mas forte no seu direcionamento. Foi uma das poucas bandas, juntamente com o The Trip, que tinham músicos ingleses que se radicaram na Itália, que vislumbraram o pioneirismo, construindo o conceito do que viria a se convencionar rock progressivo, que eclodiria na Itália em 1972, aproximadamente, apesar de o clima político ter sido tempestuoso e violento, não ofertando tantos shows a essas bandas que sofreram, inclusive por se posicionar assumindo seus lados nessa “guerra”. 


O Circus 2000, na sua gênese, na sua cidade natal, Turim, tocava jazz no “Swing Club”, o que definitivamente corroborava na sua, embora jovem caminhada, uma maturidade, de músicos jovens e decididos no que queriam fazer: música avant-garde, era a música italiana em um nível de progressão.

Nessa época a banda era formada pela vocalista Silvana Aliotta, Marcello "Spooky" Quartarone na guitarra, Gianni Bianco no baixo e Roberto Betti na bateria. A banda foi comparada ao Jefferson Airplane da vocalista Grace Slick, dada a sua proposta psicodélica, mas o Circus 2000 gozava de maior talento e precisão nos seus instrumentos, era um som imperioso. 


Uma curiosidade: o lançamento do primeiro álbum da banda, cantado em inglês, não tinha os nomes dos músicos estampados na capa do disco, o que levou muita gente a achar que a banda era americana, tamanha era a novidade dessa música no país da bota. Isso pode ser mensurado e entendido como um capítulo pioneiro no rock italiano sem sombra de dúvida. 

O álbum, como disse, não era de rock progressivo, mas se notava o quão era especial o Circus 2000. Tanto que no seu segundo trabalho chamado “An Escape from a Box”, de 1972, é perceptível uma sonoridade mais complexa, evolutiva, mais elaborada da banda, era o auge do prog rock na Itália. 

Esse será o álbum que falaremos por aqui. Era a prova contundente de que o Circus 2000 não era a banda psicodélica italiana que copiou o que se fazia na América, como se pensava. A banda trouxe um som rico, elaborado, fincado, além do progressivo, como no jazz rock, com generosas doses de hard rock, um álbum, apesar de curto, versátil e dono de muita, mas muita personalidade, mas sem deixar totalmente de lado as suas influências psicodélicas. 


No lugar do baterista original Roberto Betti entra Franco "Dede" Lo Previte “encorpando” ainda mais o som da banda, tendo ainda Silvana nos vocais, Marcello Quartarone na guitarra e vocal e Gianni Bianco no baixo e vocal. O álbum é inaugurado com “Hey Man” que ainda trazia os resquícios do primeiro álbum, com uma pegada meio folk, com lindos dedilhados de guitarra, uma música a se cantar como se fosse um hino, dada a sua a proposta mais comercial, mas sem soar pasteurizada.

"Hey Man" (Live)

“You Aren't Listening” começa com um solo viajante e introspectivo de guitarra com o vocal mais abafado, seguindo a mesma proposta, mas que vai ganhando força, crescendo com viradas lindas de bateria e assim vai se alternando, em uma beleza meticulosamente rítmica. Linda música! 

"You Aren't Listening"

“Our Father” traz a banda mais pesada nesse álbum, com riffs de guitarra mais eloquentes e um vocal, em determinados momentos, mais rasgados, com levadas jazzísticas excelentes. Uma das melhores faixas do álbum, sem dúvida. 

"Our Father"

“Need” é a faixa mais progressiva do álbum, cheia de alternâncias rítmicas, riffs poderosos de guitarra, seguidos de solos mais diretos e competentes. Apoteótica faixa! 

"Need"

O álbum finaliza com “When The Sun Refuses To Shine” com uma viagem psicodélica, meio sombria, experimental diria, mas momentos mais enérgicos protagonizados pela bateria vivaz e altiva. 

"When The Sun Refuses To Shine"

Embora a banda tenha capturado mais atenção neste excelente segundo trabalho, ganhando competições musicais em Roma, como o "Festival d'Avenguardia" e também o "Nuove Tendenze", dividindo a vitória com o Banco del Mutuo Soccorso, não ganhou muitos olhares de interesse. Com um novo baterista, Louis Atzori, o Circus 2000 começou a gravar algumas músicas para um novo álbum, mas o selo queria que fosse mais inspirado no rock e a banda decide se separar. 

As únicas faixas dessas gravações mostrou uma música menos agressiva do que no passado. Então a gravadora RiFi ofereceu a Silvana um contrato solo, como “Silvana dei Circus 2000”, com os próprios músicos do Circus 2000 como banda de apoio, mas não deu certo. 

Aliotta colaborou como cantora e percussionista com alguns artistas italianos mais populares, entre eles Mina, Edoardo Bennato, Adriano Celentano, formando o trio Le Streghe, depois se dedicando à atividade de professora de canto. 

O baterista original, Betti, fundou o pequeno selo Shirak e formou o Living Life com o guitarrista Quartarone. O outro baterista da banda, Franco Lo Previte, tocou com Duello MadreNova e Kim & The Cadillacs, falecendo em 2014. 

Uma banda que fez música de vanguarda e que esteve a frente do seu tempo e que não se condicionou ao óbvio e que merece o crédito por seu feito importante para a história do rock progressivo italiano.




A banda:

Silvana Aliotta no vocal e percussão
Marcello Quartarone na guitarra e vocal
Gianni Bianco no baixo e vocal
Franco Lo Previte na bateria



Faixas:

1 - Hey Man
2 - You Aren't Listening
3 - Our Father
4 - Need
5 - When The Sun Refuses To Shine 


"An A Escape From a Box" (1972)


TARCÍSIO MANUVÉI

 

Músico profissional violonista inscrito na Ordem dos Músicos do Brasil R-006891;
Agraciado com o “Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira” em 2011 e 2013 na categoria Melhor Grupo de Viola (Grupo Viola de Nóis) e em 2013 na categoria Melhor Trabalho Social (Projeto Raízes do Sertão) e na categoria Melhor Intérprete;
Organizador e Produtor Artístico do Festival Nacional de Viola de Cruzeiro dos Peixotos realizados desde 2011 e já na 3ª edição;
Produtor Executivo e Artístico de projetos viabilizados por Leis de Incentivo à Cultura como o Viola no Picadeiro com participação de Inezita Barroso, Tinoco e Pena Branca;


Idealizador e Produtor Cultural dos 10 Encontros de Violeiros de Uberlândia, realizados desde 2004 e que faz parte do calendário cultural oficial do município;
Apresentações musicais com Pena Branca, Orquestra de Violeiros Viola do Cerrado e Grupo Viola de Nóis em shows e mídia regional (telejornais e entretenimento) e mídia nacional como o Programa “Bem Brasil” e Programa “Viola Minha Viola” (TV Cultura) e “Bom Dia Brasil”, “Globo Rural”, “Jornal Hoje” e “Mais Você” (TV Globo);
Produção Musical dos CD’s de “Pena Branca e Grupo Viola de Nóis”, “Cantigas do Cerrado” em 2003, “Orquestra de Violeiros de Uberlândia Viola do Cerrado” em 2004 e 2007, “Sertão Violeiro” em 2005, entre outros;
CD e DVD autorais – Tarcísio Manuvéi e Grupo Viola de Nóis, “Longa Estradas” em 2011;
Cantador convidado para arranjar e gravar a música que compõe o vídeo em comemoração aos 33 anos do Programa Viola Minha Viola em 2013;
Convidado pela TV Integração (afiliada da Rede Globo) para gravar um supertation (campanha publicitária) para divulgação em rede nacional – música “Oh! Minas Gerais”

THE BEACH BOYS - DON'T WORRY BABY - 1964

 


"Don't Worry Baby" é uma música dos Beach Boys de seu álbum Shut Down Volume 2 lançado em 2 de março de 1964 pela Capitol Records. Foi composta por Brian Wilson e Roger Christian e o vocal principal de Wilson na faixa é considerado uma de suas performances definitivas e mais tarde ele se referiu a "Don't Worry Baby" como talvez a melhor gravação dos Beach Boys. Foi lançada em maio de 1964 como lado B de "I Get Around". Derivada da obsessão de Wilson pelo hit de 1963 das Ronettes"Be My Baby""Don't Worry Baby" tem uma estrutura musical semelhante, mas um tema e abordagem de produção diferentes. A letra retrata um homem fanfarrão que concorda com uma corrida de arrancada e é posteriormente consolado por sua namorada com a frase do título da música. "Don't Worry Baby" foi originalmente oferecida às Ronettes, mas foi rejeitada por seu produtor, Phil Spector, deixando Wilson para produzi-la para sua própria banda. Na gravação, todos os Beach Boys tocaram seus próprios instrumentos. "Don't Worry Baby" apareceu em listas de classificação de vários críticos, incluindo "100 Maiores Singles de Todos os Tempos" da Spin"500 Melhores Músicas de Todos os Tempos" da Rolling Stone e "200 Melhores Músicas de Todos os Tempos" da Pitchfork na década de 1960.


PAUL McCARTNEY - MAYBE I'M AMAZED - 1970

 


"Maybe I'm Amazed" é uma canção de Paul McCartney lançada pela primeira vez em seu primeiro álbum solo de 1970, McCartney.


Embora a gravação original nunca tenha sido lançada como single, uma apresentação ao vivo da banda posterior de McCartney, Wings, do álbum ao vivo Wings over America, foi lançada em 1977; esta versão se tornou um hit entre os dez primeiros nos Estados Unidos e alcançou a posição 28 no Reino Unido. Em 2011, a revista Rolling Stone classificou "Maybe I'm Amazed" em 347º lugar em sua lista das "500 melhores músicas de todos os tempos"McCartney escreveu a música em 1969, pouco antes da dissolução dos Beatles. Ele deu crédito à sua esposa Linda por ajudá-lo a superar os momentos difíceis. Embora a maior parte de seu primeiro álbum solo tenha sido gravado em sua casa em Londres, Paul McCartney gravou "Maybe I'm Amazed" inteiramente no estúdio número dois da EMI em Abbey Road, em 15 de fevereiro de 1970. Paul tocou todos os instrumentos: guitarra, baixo, piano, órgão e bateria. Um filme promocional foi feito, contendo fotos de McCartney, sua esposa Linda, a enteada Heather e a filha Mary, foi ao ar no Reino Unido em 19 de abril de 1970.


THE BEATLES - TOO MUCH MONKEY BUSINESS - 1963

 


Os Beatles gravaram "Too Much Monkey Business" em quatro ocasiões diferentes para a rádio BBC durante 1963. A gravação de 3 de setembro, com um fantástico vocal de John Lennonfoi ao ar no programa Pop Go the Beatles em 10 de setembro e esta foi a gravação escolhida para ser lançada no álbum Live at the BBC em 1994.


Renaissance "Novella" (1977)

 

A segunda metade da "década de ouro" marcou um período de crise para os gigantes icônicos da música progressiva. Os antigos mestres do pensamento foram perdendo gradualmente o fôlego, conscientemente suavizando seus sons, abandonando o conceitualismo e os arranjos complexos. E, de modo geral, é compreensível: o punk já estava em pleno vigor, atropelando as tradições sagradas dos grandes nomes. Sucumbindo ao seu charme selvagem, os jovens rejeitaram a música intelectual em favor da rebeldia direta. E as grandes gravadoras foram forçadas a se adaptar às demandas passageiras da moda.
Surpreendentemente, nesse cenário turbulento, o renomado quinteto Renaissance conseguiu lançar um trabalho imbuído de um charme clássico e luminoso. Estou falando, como você já deve ter adivinhado, do álbum "Novella". Inspirando-se nos cânones do art rock épico e na obra das maiores figuras da escola sinfônica russa (especialmente Sergei Prokofiev ), o conjunto britânico criou uma das obras mais interessantes do final dos anos setenta. Vamos analisar mais de perto.
Das cinco faixas listadas, duas são suítes extensas. O álbum abre com a obra-prima de 14 minutos "Can You Hear Me?". O tema se desenvolve segundo um cenário bastante incomum. A fase inicial apresenta um poderoso surto polifônico: episódios corais e um abundante acompanhamento de cordas (o arranjo orquestral foi feito por Richard Hewson , produtor, maestro e multi-instrumentista e amigo de longa data da banda). A seção motívica principal é mantida à maneira do folk-pop dramático: a voz maravilhosa de Annie Haslam , as luxuosas partes de teclado e piano de John Taut e os acordes acústicos do violão de 12 cordas de Michael Dunford. O desfecho da peça une esses dois começos mencionados em um panorama complexo — grandioso em escopo e melodicamente vibrante. Beleza e tragédia prevalecem no contexto de "The Sisters", uma peça sobre uma comunidade de freiras espanholas cujas orações devotas não conseguem salvar a região da iminente fome. Além do deslumbrante acompanhamento filarmônico, o solo de guitarra em estilo latino, harmoniosamente integrado à estrutura geral pelo Maestro Dunford, merece destaque. O estudo minimalista "Midas Man" é executado sem a participação da orquestra. Isso em nada prejudica o resultado final. As suaves manobras de percussão de Terence Sullivan, os efeitos de sintetizador de Taut (incluindo passagens com Moog) e a inconfundível acústica de Michael Dunford e do baixista Jon Camp são elementos essenciais. Ocorreu-me que, se o timbre da Sra. Haslam fosse substituído pelos vocais de Jon Anderson nesta peça , seria um ótimo esboço para o Yes da fase posterior.Contudo, isso é pura fantasia. A elegia romântica para piano de câmara "The Captive Heart" é excelente, impressionante com suas expressivas sobreposições vocais. A rapsódia final de nove minutos, "Touching Once (Is So Hard To Keep)", destaca mais uma vez os talentos multifacetados dos artistas reunidos sob a bandeira da Renaissance : toques pianísticos à la Stravinsky , o voo espontâneo do dueto Camp-Dunford, o ataque orquestral avassalador e um componente de rock extremamente inventivo.
Em resumo: um exemplo perfeito de prog sinfônico da mais alta qualidade. Recomendo a todos os fãs do gênero.




Destaque

Maxophone ‎– Live In Tokyo (2013, CD, Italy)

  Tracklist: 1. Antiche Conclusioni Negre (8:39) 2. L'isola (7:37) 3. Elzeviro (7:54) 4. Fase (7:39) 5. Al Mancato Compleanno di una Far...