quarta-feira, 29 de outubro de 2025
Writing on the Wall - Power of the Picts (1969)
Blues Creation - The Blues Creation (1969)
O primeiro álbum da banda, chamado de "Blues Creation", alvo de minha resenha de hoje, foi gravado no estúdio Polydor em Tóquio. O estilo de gravação foi feito principalmente ao vivo no estúdio e ele foi concebido em apenas dezesseis horas no total, passando dois dias no estúdio completando as outras etapas de gravação. Um recorde!
A formação do Blues Creation quando gravou o seu primeiro álbum, em 1969, tinha: Fumio Nunoya no vocal, Kazuo Takeda na guitarra, harmônica e vocal, Yoshiyuki Noji no baixo, Shinichi Tashiro na bateria e Hugh Cutler na harmônica. O álbum é primordialmente calcado no blues rock com pitadas de psych rock e um hard rock de vanguarda e contava cm clássicos do blues.
Segue com "Steppin' Out" de Memphis Slim, uma faixa instrumental cheia de energia que traz um Blues Creation mais agressivo, mais hard rock, com solos longos e arrebatadores de guitarra e uma "cozinha" afiadíssima dando uma camada mais solar à música.
"Smoke Stack Lightning'", de Howlin Wolf, traz um blues mesclado a psicodelia, algo mais lisérgico se ouve nessa faixa com o destaque para a gaita que "chora" entregando ao ouvinte o "Delta do Mississipi. Uma excelente versão, repleta de alternâncias rítmicas.
A sequência tem "Double Crossing Time" gravada originalmente pelo John Mayall & The Bluesbreakers com Clapton e traz a essência dos blues sem fugir da essência da gravação original, mas traz nuances mais pesadas e indulgentes, com pitadas psych e lisérgicas.
Depois do lançamento do primeiro álbum o Blues Creation passou por mudanças em sua formação. O baterista original Shinichi Tashiro deixou a banda, mas apresentou ao jovem e talentoso baterista Masayuki Higuchi que estimulou a banda a tocar mais hard rock, mais blues rock, nascendo o segundo trabalho chamado "Demon & Eleven Children", de 1971.
Estimulou Takeda a escrever suas próprias músicas, suas músicas originais. A sua intenção, com essa transição sonora da banda, era explorar novas camadas sonoras, novas experiências e transformar o Blues Creation em uma banda de rock, de hard rock. E conseguiu!
Carmen era uma cantora muito popular à época e o seu contrato com a CBS Sony havia finalizado e muitas gravadoras passaram a disputá-la a tapas, mas Maki, muito teimosa e arrojada, decidiu seguir em sua nova vertente musical: o rock! E o Blues Creation a ajudou a mudar, acreditando em seu potencial. Takeda e Carmen se conheceram em 1971 e ela passou a frequentar as gravações e ensaios do Blues Creation e assim desenvolveram a sua relação musical.
No final de 1971 o Blues Creation estava se sentindo desgastado, a banda não tinha mais a mesma intensidade em palco, que os tornou conhecidos em vários clubes e casas de shows em Tóquio. Uma nova necessidade de mudança estava em evidência e Takeda se viu em mais um desafio pela frente. Mas a banda, essa formação que gravou dois álbuns em 1971 se desfaz. Takeda então forma um "power trio" chamado "Bloody Circus" mas não durou mais do que seis meses.
Takeda então decide se mudar para Londres, na Inglaterra. Lá viu muitas bandas ótimas tocarem. Tocou também com muitas bandas locais e pouco conhecidas. Também fez alguns testes. Ficou por lá cerca de seis meses e retornou ao Japão para formar uma nova banda: o Creation. Isso foi em 1972.
Nos próximos três ou quatro anos trabalhou duro com a nova formação para polir a sua banda, escrevendo novas músicas, fazendo muitos ensaios, shows ao vivo, turnês etc. Chegou a abrir shows de bandas internacionais que tocavam no Japão. Tocaram com o Faces e o Mountain, por exemplo e foi assim que conheceu o baixista e produtor dessa última banda chamado Felix Pappalardi.
Pappalardi veio, juntamente com o Mountain, ao Japão em 1973. Em 1975 aconteceu um grande festival de rock no Japão, chamado carinhosamente pelos japoneses de "Festival Mundial de Rock". Felix veio ao Japão para aquela turnê e convidou Takeda para entrar na banda do festival e foi assim que começaram a desenvolver um relacionamento musical. Além disso o Creation estava prestes a fazer o segundo álbum e de alguma forma Felix se envolveu como produtor.
Passaram três meses na casa do produtor e baixista do Mountain em Nova York, na Ilha de Nantucket. Durante esse processo de gravação se divertiram muito e no fim Felix acabou se tornando também o vocalista do Creation No ano seguinte fizeram uma grande turnê pelos Estados Unidos.
No final dos anos 1960 Takeda queria focar no blues novamente e construiu, dessa forma, fundindo o blues com o jazz, conhecido com jazz swing antigo ou jazz bebop antigo, o que difere do fusion ou jazz contemporâneo.
Uma banda memorável, excelente e que deixou uma indelével marca na história do blues rock japonês, sendo pioneira, desbravando o estilo quando nada tinha no Japão relacionado ao blues, apenas rejeição e pouco caso por parte da indústria. "Blues Creation", de 1969, pode não ter sido o primeiro no mundo, mas certamente ostenta essa condição em qualidade sonora. Clássico mais do que recomendado!
Atomic Rooster - Live At The Marquee (1980)
Entrando na nova onda do heavy metal britânico, a New Wave of a British Heavy Metal, a banda decide tocar ainda mais pesado, com mais agressividade, mais um ponto de reinvenção da banda, capitaneado por Crane e sem sombra de dúvida o guitarrista John du Cann que traz, em seu DNA, o peso do hard rock e que provou isso no próprio Atomic Rooster, no segundo trabalho da banda: "Death Walks Behind You", de 1970.
Claro que tais propostas sempre foi o cerne do Atomic Rooster, mas, mais uma vez, em sua inquietude criativa, Crane e Cann não se ancoraram em estereótipos, embora o ano, 1980, tenha caracterizado o "boom" do heavy metal, sobretudo londrino e o trabalho do Atomic Rooster seja fortemente inspirado no peso do heavy metal.
Ainda em 1980, a banda se apresentou no lendário Marquee Club, em Londres e nele se percebe a agressividade, a nova vertente do Atomic Rooster, com clássicos setentistas de sua áurea fase sendo executada de uma forma avassaladora, poderosa e visceral. Esse registro ao vivo, alvo dessa resenha, definitivamente é um obscuro trabalho da banda e surpreende pela intensidade e força do Atomic Rooster que voltaria a todo o vapor.
Mas nessa apresentação, como de costume, tem uma nova (velha) formação. O baterista, Preston Heyman, que participou da gravação do até então novo álbum de estúdio, sai da banda e dá lugar ao velho dono do posto, o excelente Paul Hammond.
Talvez a intenção de Crane era voltar as origens, trazer as raízes clássicas do Atomic Rooster e que foram responsáveis por entregar ao mundo uma pérola da história do heavy rock chamada “Death Walks Behind You”, de 1970, por exemplo. Claro que com Hammond esse registro ganhou em brilhantismo.
Uma curiosidade sobre esse show é que não existiam gravações conhecidas da mesa de som ao vivo da linha de 1980, as fitas cassetes faziam parte dos arquivos pessoais de John du Cann e foi, de certa forma, com o lançamento, em um formato quase que em bootleg, dado a algumas imperfeições na qualidade da produção, responsável pelo retorno do Paul Hammond.
E pasmem, amigos leitores, o show foi gravado por intermédio de um único microfone no palco! Inacreditável como conseguiu captar tanta energia de uma banda como o Atomic Rooster. Essas gravações foram as últimas ao vivo dessa formação clássica, com Du Cann, Crane e Hammond feitas no Marquee Club, onde tocavam regularmente.
Era um Atomic Rooster puro, genuíno, sem filtros, energética, a versão power trio de outrora, com a roupagem heavy metal que faria, facilmente, qualquer headbanger balançar incessantemente a cabeça. Era o tecladista Vincent Crane, era o guitarrista John du Cann e o baterista Paul Hammond, afinal de contas.
O line up trazia músicas dos primeiros trabalhos da banda e outras mais recentes à época. A começar com “They Took Control Of You” que é um verdadeiro petardo que faria qualquer banda heavy metal dizer “amém”, peso e agressividade são as palavras que definem.
“Seven Lonely Streets” ressuscita o Atomic Rooster setentista, um poderoso hardão. “Gershatzer” traz uma eficácia ao set, carismática e poderosa, cativa aos fãs apreciadores do estilo mais hard n’ heavy. “I Can’t Take No More”, outra clássica, segue a mesma proposta da faixa anterior, é excelente ao vivo, ganha mais força e peso, em qualquer época.
Destaque
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