segunda-feira, 1 de junho de 2026

Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro (Warner, 2000) Nando Reis

 


No início dos anos 2000, Nando Reis vivia uma encruzilhada. Ainda era um Titã, mas a convivência dentro da banda se tornava cada vez mais desgastante. Depois da densidade de Titanomaquia que gerou divergências suas com os suas com os seus companheiros de banda a partir de então, Nando percebia que sua pulsão criativa seguia por outro caminho: mais íntimo, romântico, repleto de imagens que nasciam da memória, da infância, da vida em família. Esse contraste entre o peso dos Titãs e a delicadeza das canções que floresciam em seu violão fez nascer Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro, segundo álbum solo do cantor e compositor, lançado em 2000. 

O título já sugere uma busca, quase uma fábula: o arco-íris como metáfora para a pluralidade de cores sonoras e o pote de ouro como a promessa de reconhecimento. Curiosamente, esse pote só seria encontrado anos depois, quando Nando enfim consolidou sua carreira solo após sair definitivamente dos Titãs, em 2002. Mas o disco de 2000 é o momento em que o arco-íris aparece inteiro no céu: todas as tonalidades de sua identidade musical já estavam ali, mesmo sem o brilho imediato do sucesso. 

Gravar um disco de baladas apaixonadas em Seattle parecia uma contradição. A cidade que pariu Nirvana, Soundgarden e Pearl Jam, berço do grunge, abrigaria um projeto mais próximo de Neil Young, R.E.M. e do folk-pop do que da distorção desesperada. Mas é justamente nesse contraste que o álbum encontra sua força. 

A parceria com Jack Endino, produtor de Bleach do Nirvana, deu a Nando a moldura sonora que procurava. Endino não domesticou as canções, mas também não as revestiu de sujeira grunge: abriu espaço para que a voz doce e rouca do cantor se misturasse a violões de aço, teclados vintage e texturas que evocam tanto os anos 1970 quanto a modernidade dos anos 1990. Ao lado dele estavam músicos de peso: Barrett Martin (ex-Screaming Trees, depois no R.E.M.), que trouxe bateria, vibrafone e até instrumentos étnicos; Peter Buck (guitarrista do R.E.M.), que acrescentou bandolim e viola de 12 cordas; e Alex Veley, tecladista que enriqueceu a tapeçaria com Hammond, Wurlitzer e Fender Rhodes. 

Esse encontro resultou num álbum híbrido: brasileiro na alma, americano na sonoridade. Um disco em que a delicadeza das letras se apoia numa instrumentação vigorosa, capaz de unir folk, rock alternativo, MPB e até toques de soul.

Nando Reis, o produtor Jack Endino de camisa branca e músicos no estúdio
durante o processo de gravação do álbum em 2000.

Naquele momento, Nando ainda era visto sobretudo como compositor de hits alheios. Suas músicas estavam na voz de Marisa Monte, Cidade Negra e, sobretudo, Cássia Eller (1962-2001), que havia levado “O Segundo Sol” ao sucesso em 1999. Era ela, aliás, a musa presente em espírito – e em voz – no disco. “All Star” é sua carta apaixonada; “Hey, Babe” conta com sua participação direta; e até “Relicário” se tornaria um hino apenas quando gravado por Cássia em 2001. Mais do que inspiração, Cássia funcionava como duplo artístico, amplificando o que Nando ainda não conseguia projetar sozinho. 

O disco oscila entre um romantismo quase pueril e um lirismo maduro. As imagens de Nando – estrelas, sapatos, frases azuis, arco-íris – podem soar simples, mas carregam uma carga emocional de grande intensidade. Essa estética do cotidiano em hiperclose, como se fotografasse detalhes que outros não percebem, dá ao álbum sua marca pessoal. 

“Dessa Vez” abre o álbum em tom de serenidade enganosa, como quem acende a luz de um quarto em penumbra e revela o espaço aos poucos. O bandolim de Peter Buck, delicado como um traço impressionista, encontra o violão de Nando num diálogo que parece caminhar em círculos, sempre retornando à primeira centelha de um amor. Há uma leveza que não disfarça a intensidade: é a promessa de recomeço, de redescoberta, de renovação constante. 

“All Star” transforma um tênis gasto em símbolo eterno. A simplicidade cotidiana vira poesia quando atravessada pelo amor; a harpa de Cristina Braga, cintilante, cria uma atmosfera quase sobrenatural, como se o objeto fosse transfigurado em relíquia. A canção é direta, sem ornamentos desnecessários, mas a delicadeza da entrega a faz soar universal, capaz de alcançar qualquer ouvido que já tenha amado. 

“Hey, Babe” rompe a suavidade e convoca a festa. A voz de Cássia Eller surge rasgando o espaço, enquanto Rogério Flausino empresta brilho pop. O que começa como folk logo se expande em groove, teclados pulsantes, guitarras ascendentes, percussão urgente. É a celebração do encontro em sua forma mais elétrica, o momento em que o disco respira com intensidade roqueira. 

A faixa "Hey, Babe" conta com as participações especiais de
Rogério Flausino e Cássia Eller.
 

Em “Quem Vai Dizer Tchau?”, Nando expõe seu lado mais pop, quase radiofônico. O refrão é um convite à adesão imediata, embalado por arranjo quente e generoso. Há uma aura de Roberto Carlos em sua construção, uma habilidade de transformar sentimento íntimo em canção de multidão. 

“Frases Mais Azuis” é onde a parceria com Peter Buck se torna incontornável. A guitarra clara, cristalina, assume papel de guia, conduzindo a melodia como um rio sereno. Nando despeja poesia em versos que oscilam entre melancolia e luminosidade, criando um folk-rock que poderia facilmente habitar um disco do R.E.M. 

“O Vento Noturno do Verão” sopra com delicadeza tropical, carregando perfumes da MPB. Feita para Gal Costa, traz a sensação de noites mornas, banhadas em sofisticação harmônica. É canção de atmosfera, de imagens sensoriais, mais contemplação do que narrativa. 

Na faixa-título, “Para Quando o Arco-Íris Encontrar o Pote de Ouro”, Nando alcança sua essência lírica. Ingênua em superfície, devastadora em profundidade, a canção cresce com guitarras de sabor alt-country e traduz o manifesto do álbum: a busca incessante pelo amor total, mesmo que ele permaneça inalcançável. 

“Nosso Amor” surge como balada folk rock com raízes em Seattle, mais crua, mais urgente. A melodia parece simples, mas carrega tensão subterrânea que explode na execução. É o romantismo vestido em couro, feito de ternura e nervo. 

Detalhe da imagem da contracapa do álbum

A faixa seguinte, “Eles Sabem”, mergulha no mistério. Versos fragmentados falam de segredos e ausências, e o que não é dito se torna mais eloquente do que o declarado. É o amor em seu estado mais íntimo: o silêncio, os gestos mínimos, os objetos triviais transformados em símbolos. 

“No Recreio” resgata o amor como refúgio, casa, abrigo. A batida folk acelerada imprime urgência, como se o sentimento precisasse ser vivido agora, sem demora. É a promessa de pertencimento eterno, de mãos dadas contra o tempo. 

“Relicário” encerra o disco como peça rara, inventário da memória afetiva. As cordas de Glauco Fernandez a envolvem em aura espiritual, enquanto a voz de Nando ecoa quase em oração. Mas foi no timbre rasgado de Cássia Eller que a canção se tornou definitivo clássico. O fim do álbum, paradoxalmente, abre para a eternidade. 

Apesar da força estética do álbum, Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro não projetou Nando ao estrelato solo imediato. A consagração viria apenas em 2003, com A Letra A, já livre dos Titãs. 

O “pote de ouro” do sucesso viria depois, em 2003, com a consagração através do disco A Letra A, já livre dos Titãs. Mas em Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro estão as cores que o anunciavam. Ao revisitar o disco hoje, percebe-se que a busca de Nando não era por reconhecimento imediato, mas por autenticidade. E nesse sentido, Para Quando O Arco-Íris Encontrar O Pote De Ouro é um triunfo silencioso: o momento em que um artista, ainda preso a uma banda gigante, já se libertava pelas próprias canções.

 

Faixas

Todas as faixas escritas por Nando Reis. 

  1. "Dessa Vez"
  2. "All Star"
  3. "Hey, Babe"
  4. "Quem Vai Dizer Tchau?"
  5. "Frases Mais Azuis"
  6. "O Vento Noturno do Verão"
  7. "Para Quando o Arco Íris Encontrar o Pote de Ouro"
  8. "Nosso Amor"
  9. "Eles Sabem"
  10. "No Recreio"
  11. "Relicário"


"Dessa Vez"

"All Star"

"Hey, Babe"

"Quem Vai Dizer Tchau?"

"Frases Mais Azuis"

"O Vento Noturno do Verão"

"Para Quando o Arco Íris Encontrar 
o Pote de Ouro"

"Nosso Amor"

"Eles Sabem"

"No Recreio"

"Relicário"

O single em vinil “Nikita (Remix)”, de Elton John, surgiu como uma extensão do enorme sucesso da canção original lançada em 1985 no álbum Ice on Fire


O single em vinil “Nikita (Remix)”, de Elton John, surgiu como uma extensão do enorme sucesso da canção original lançada em 1985 no álbum Ice on Fire. Aproveitando o auge das pistas e a estética dançante dos anos 80, o remix trouxe uma nova roupagem para a faixa, pensada especialmente para rádios e clubes.
A música “Nikita” já era marcante por sua atmosfera melancólica e cinematográfica, com letra inspirada na divisão da Guerra Fria e no amor impossível entre mundos separados. No remix, essa carga emocional ganha batidas mais evidentes, grooves eletrônicos e uma produção mais alongada, típica das versões 12” da época, que transformavam baladas em experiências noturnas quase hipnóticas.
Esse tipo de lançamento era comum na era do vinil, quando artistas apostavam em versões alternativas para ampliar o alcance nas discotecas. No caso de Elton John, conhecido principalmente por baladas e piano marcante, “Nikita (Remix)” mostra um lado mais conectado à pista, sem perder o drama elegante que é sua assinatura.
Curiosidade: o videoclipe original de “Nikita”, com estética fria e narrativa romântica, ajudou a consolidar a música como um dos grandes hits da década, e o remix acabou se tornando peça interessante para colecionadores, especialmente em versões importadas em vinil 12”, que hoje giram como pequenos tesouros nas mãos de DJs e fãs.



O LP “A Música da Estrada”, de Moacyr Franco, lançado em 1991


O LP “A Música da Estrada”, de Moacyr Franco, lançado em 1991, é daqueles discos que parecem nascer já com poeira de estrada nos ombros e histórias guardadas no porta-luvas. Um trabalho independente, com forte pegada romântica e popular, que mistura MPB com influências sertanejas, refletindo bem a fase do artista nos anos 80 e 90.
O álbum reúne 11 faixas e traz um repertório carregado de emoção, onde o amor, a saudade e as reviravoltas da vida são protagonistas. Entre os destaques estão canções como “Se Eu Não Puder Te Esquecer”, que se tornou uma das mais conhecidas do disco, além da faixa-título “A Música da Estrada”, que funciona quase como um diário cantado de quem vai e volta, entre partidas e reencontros.
A interpretação de Moacyr é direta e sincera, sem firulas: voz firme, narrativa clara e aquele estilo de contar histórias que parece conversa de beira de estrada, com café forte e memória viva. Músicas como “Filho de Maria” e “Confesse” ampliam esse clima, trazendo letras que exploram desde questões sociais até dilemas sentimentais.
Uma curiosidade interessante é que a faixa “A Música da Estrada” também foi gravada por outros artistas, mostrando a força como compositor de Moacyr Franco, que ao longo da carreira teve suas músicas regravadas por grandes nomes da música brasileira.
No geral, o LP é um retrato maduro de um artista experiente, que troca o brilho do palco por algo mais íntimo: canções que parecem ter sido escritas no banco de um carro, olhando a estrada desaparecer no retrovisor.


 

O disco I, da banda Petbrick, lançado em 2019, marcou a estreia oficial do projeto formado por Iggor Cavalera e Wayne Adams


O disco I, da banda Petbrick, lançado em 2019, marcou a estreia oficial do projeto formado por Iggor Cavalera e Wayne Adams. O álbum apresenta uma mistura extremamente pesada e experimental de industrial, noise, metal extremo, eletrônico e música ambiente, criando uma sonoridade caótica e intensa que foge completamente dos formatos tradicionais do metal convencional. A proposta do duo era justamente construir algo agressivo, moderno e desconfortável, inspirado tanto pelo underground industrial europeu, quanto pelo peso percussivo característico de Iggor.
Musicalmente, I é um álbum denso e opressivo. As baterias tribais e mecânicas de Iggor se unem às guitarras distorcidas, sintetizadores ásperos e texturas eletrônicas barulhentas criadas por Wayne Adams. Em vários momentos, o disco parece mais uma experiência sonora do que um álbum de músicas tradicionais, com faixas que alternam entre explosões brutais de ruído e passagens atmosféricas quase cinematográficas. Há influências claras de bandas como Godflesh, Swans e até elementos do industrial clássico de Ministry, mas sempre com identidade própria.
O álbum também chamou atenção pela quantidade de participações especiais. Entre os convidados aparecem nomes importantes da música extrema e experimental, como Justin Broadrick, Max Cavalera e Franz Treichler. Essas colaborações ajudam a ampliar ainda mais o clima sombrio e industrial do trabalho. I recebeu elogios justamente por sua ousadia sonora e pela capacidade de unir música eletrônica experimental com a brutalidade do metal pesado de maneira pouco comum, consolidando o Petbrick como um dos projetos mais criativos envolvendo Iggor Cavalera após sua saída do Sepultura.



O álbum Tattoo You (40th Anniversary Picture Disc), da lendária banda The Rolling Stones, foi lançado em 2021 para celebrar os 40 anos de um dos discos mais populares da carreira do grupo


O álbum Tattoo You (40th Anniversary Picture Disc), da lendária banda The Rolling Stones, foi lançado em 2021 para celebrar os 40 anos de um dos discos mais populares da carreira do grupo. Originalmente lançado em 1981, Tattoo You marcou um enorme sucesso comercial para os Stones, impulsionado principalmente pelo clássico “Start Me Up”, além de músicas como “Waiting On A Friend” e “Hang Fire”. A edição comemorativa em picture disc trouxe um apelo especial para colecionadores de vinil, combinando a clássica arte do álbum com prensagem ilustrada de alto impacto visual.
O disco original surgiu em um momento curioso da banda. Muitas das faixas foram construídas a partir de gravações inacabadas registradas durante sessões anteriores dos anos 70, que foram retrabalhadas por Mick Jagger e Keith Richards para completar rapidamente um novo álbum antes da turnê americana de 1981. Mesmo assim, o resultado ficou extremamente coeso, alternando rock direto e energético no lado A com músicas mais atmosféricas e sofisticadas no lado B. Essa combinação ajudou Tattoo You a se tornar um dos trabalhos mais queridos da fase moderna da banda.
A edição 40th Anniversary Picture Disc chamou atenção pela apresentação luxuosa e pelo valor nostálgico. Além da prensagem especial, o relançamento fez parte de uma campanha maior de comemoração do álbum, incluindo versões deluxe com faixas inéditas, demos e gravações raras da época. Para fãs e colecionadores, o picture disc acabou se tornando uma peça bastante desejada, principalmente por unir a força histórica de Tattoo You ao visual artístico característico desse tipo de edição em vinil. É um lançamento que reforça como o álbum continua sendo uma referência importante dentro da extensa discografia dos The Rolling Stones.



O disco “All About Love” da The Bombers foi lançado em 2014


O disco “All About Love” da The Bombers foi lançado em 2014 pela Hearts Bleed Blue e marcou uma fase de amadurecimento da banda santista, que já estava na estrada desde os anos 90. O álbum apresenta 17 faixas e mostra um som muito mais amplo do que apenas o punk rock tradicional, misturando hardcore melódico, ska, reggae, street punk e rock’n’roll clássico.
Musicalmente, o trabalho lembra referências como Rancid, The Clash, Social Distortion e Sublime, mas mantendo personalidade própria. Faixas como “Getting Old” e “To My Friends” trazem forte influência jamaicana, enquanto músicas como “Blood On The Streets” e “Celebrate” carregam energia punk mais direta e crítica social. As letras falam sobre amizade, envelhecimento, frustrações urbanas, resistência e paixão pela música, sempre com uma abordagem emocional e sincera.
O álbum também se destacou dentro da cena underground brasileira por sua qualidade técnica e variedade sonora. All About Love ajudou a ampliar a presença da banda pelo Brasil através de uma turnê extensa e consolidou o The Bombers como um dos nomes mais respeitados do punk rock nacional moderno. O disco ainda conta com participações especiais como David Hillyard, reforçando a mistura de punk com ska e reggae que virou uma das marcas do grupo nessa fase.


“Funky Nassau” por The Beginning of the End

 


A banda de funk/soul The Beginning of the End foi formada em Nassau, Bahamas, em 1969, por três irmãos – Raphael “Ray” Munnings (teclados/vocais), Frank “Bud” Munnings (bateria) e Leroy “Roy” Munnings (guitarra) – juntamente com o baixista Fred Henfield e o guitarrista Livingston Colebrook. 

A banda The Beginning of the End começou sua trajetória se apresentando em clubes e hotéis locais de Nassau. Esses shows evidenciaram as impressionantes habilidades musicais da banda e sua mistura dinâmica de funk, rock, jazz e música latina. Rapidamente, eles se estabeleceram como uma banda empolgante ao vivo e conquistaram uma base de fãs dedicada. No final de 1970, a banda pegou emprestado US$ 2.000 de um parente para viajar a Miami, na Flórida, e gravar um disco no Criteria Studios. "Funky Nassau" surgiu dessa sessão, com "Gee Whiz, It's Christmas" como lado B. A banda lançou a música por sua própria gravadora. Foi um sucesso instantâneo, vendendo 5.000 cópias em Nassau em apenas duas semanas. Uma dessas 5.000 cópias foi parar em uma jukebox no Elks Club em Miami, onde chamou a atenção de Fred Hanna, diretor de programação da popular estação de rádio WMBM de Miami. Hanna pegou o disco emprestado e o tocou no ar, recebendo uma resposta entusiasmada dos ouvintes. Isso resultou na parceria da banda com Henry Stone, distribuidor, produtor e dono de gravadora de Miami. Ele lançou "Funky Nassau" por sua gravadora, Alston Records, em março de 1971. O single foi lançado em duas partes: a Parte 1 no lado A e a Parte 2 no lado B.

“Funky Nassau” é uma poderosa fusão de funk americano e Junkanoo tradicional das Bahamas. “Queríamos criar algo novo”, disse Ray Munnings em uma entrevista antiga, “algo que fosse verdadeiramente bahamense. Adorávamos funk, mas queríamos incluir elementos do Junkanoo, a música indígena das Bahamas.” A faixa apresenta um arranjo de metais matador, percussão pulsante, uma linha de baixo arrasadora e riffs de guitarra incríveis. Ray entrega uma performance vocal principal cheia de alma e energia. A seção de breakdown impactante apresenta uma interpolação do riff de guitarra principal eletrizante do clássico funk de James Brown, “Give It Up or Turn It Loose”, mas tocado no baixo em vez da guitarra. Os metais foram fornecidos pela Funky Nassau Horns, composta por Neville Sampson (trompete), Ralph Munnings (saxofone tenor), Vernon Mueller (trombone), Kenneth Lane (saxofone tenor) e Freddie Munnings (clarinete).

Composta por Ray Munnings e pelo pioneiro artista e compositor bahamense de Junkanoo, Tyrone “Dr. Offfff” Fitzgerald, “Funky Nassau” celebra a chegada do funk em Nassau. A canção aborda como os bahamenses abraçaram esse novo e empolgante som e o integraram aos seus estilos musicais tradicionais. A música também explora como o funk é uma força libertadora que promove a autoexpressão e a identidade cultural através da música, da moda e da atitude: “ Minissaias, saias longas e cabelos afro/As pessoas estão fazendo o que querem/Elas não se importam comigo ou com você”. Essa mensagem ressoou com muitos bahamenses, assim como o sentimento revolucionário subjacente ao gênero, que retratava os afro-americanos rejeitando as normas tradicionais e abraçando corajosamente sua herança. 

"Funky Nassau" teve um ótimo desempenho nas paradas americanas, alcançando o 5º lugar na parada de singles de R&B da Billboard e o 15º lugar na Billboard Hot 100. No Reino Unido, chegou ao 31º lugar na parada de singles. A música vendeu mais de um milhão de cópias em todo o mundo. Ela foi sampleada em 25 canções, incluindo "Dirtchamber Track 8" do The Prodigy e "Table of Contents (Parts 1 & 2)" do The Roots. Além disso, a canção foi incluída nas trilhas sonoras dos filmes Blues Brothers 2000 (1998) e Elizabethtown (2005).

A banda lançou seu álbum de estreia, Funky Nassau , pela Alston Records em outubro de 1971. A coletânea de nove faixas, produzida e arranjada pelo Beginning of the End, é uma oferta estelar de soul-funk bahamense, ritmos latinos, jazz-funk e calipso. "Funky Nassau" foi o único single do álbum a entrar nas paradas musicais.

A banda lançou seu segundo álbum homônimo em 1976 pela Alston Records. Para este trabalho, optaram por uma sonoridade jazz-funk mais animada, com produção de Teddy Randazzo (compositor, produtor e arranjador de Little Anthony and the Imperials). Era um álbum sólido e bem produzido, mas nenhuma de suas faixas entrou nas paradas de sucesso. Seguiu-se uma série de infortúnios para a banda, incluindo a perda da oportunidade de abrir os shows da turnê "What's Goin' On" de Marvin Gaye. Pouco antes do início da turnê, o Sindicato dos Músicos dos EUA interveio e determinou que uma banda americana ocupasse a vaga. A banda sofreu outra grande decepção ao ser adicionada à turnê de Bob Marley, que acabou sendo cancelada após Marley lesionar o pé. 

O grupo The Beginning of the End se desfez em algum momento de 1976 devido à falta de sucesso comercial consistente e ao esgotamento criativo. A banda é lembrada por ser pioneira do "island funk" e por popularizar o funk nas Bahamas. Seu clássico "Funky Nassau" ajudou a criar uma ponte entre a música caribenha local e o funk americano.


“Hot Number” de Foxy

 


A banda Foxy, de Hialeah, Flórida, deu sequência ao sucesso dançante "Get Off" com o explosivo hit "Hot Number", lançado em 1979. O grupo traz sua poderosa mistura de funk, música latina e disco para essa contagiante música de festa. A faixa apresenta um arranjo de metais impecável, uma batida eletrizante, riffs de guitarra incríveis e uma linha de baixo poderosa. Ish Ledesma entrega uma performance vocal empolgante e manda ver no funk com sua guitarra talkbox. A música também conta com um refrão maravilhoso, reforçado pelos vocais cheios de alma do trio vocal Rhodes, Chalmers e Rhodes. 

Escrita por Ledesma, "Hot Number" fala sobre atração sexual, autoconfiança e a busca por um parceiro romântico disposto a um encontro apaixonado. É um single do terceiro álbum de estúdio de Foxy, Hot Numbers , lançado em 1979 pela Dash Records, uma subsidiária da TK Productions, de Miami. A canção alcançou o 21º lugar na Billboard Hot 100 e o 4º lugar na parada de singles de R&B da Billboard. Também chegou ao 26º lugar na parada dance da Billboard. Além disso, a música faz parte da trilha sonora do filme Spettters, de 1980 .

Eis a formação completa de “Hot Number”: Ish Ledesma (vocal principal e de apoio, guitarra, sintetizador), Arnold Paseiro (baixo), Joe Galdo (bateria, percussão, vocal de apoio), Charlie Murciano (teclados, vocal de apoio) e Richie Puente (percussão); o trio vocal Rhodes, Chalmers e Rhodes (Donna Rhodes, Charlie Chalmers e Sandra Rhodes) forneceu os vocais de apoio; os metais foram fornecidos pelos irmãos Brecker – Randy Brecker (trompete) e Michael Brecker (saxofone).

"Hot Number" foi o último grande sucesso do Foxy antes da banda se separar em 1980. 


Foxy interpretando "Hot Number" no programa de variedades musicais da TV The Midnight Special em 1979.

"Ffun" de Con Funk Shun

 


O aclamado grupo de soul/funk Con Funk Shun dominou as paradas de R&B com o sucesso estrondoso "Ffun" em 1977. Foi um dos maiores hinos de festa do final dos anos 70 e o maior sucesso do Con Funk Shun. Este clássico do funk ainda impacta tanto quanto quando foi lançado há quase 50 anos. Possui uma introdução impactante que soa como uma fábrica de funk mecanizada funcionando a todo vapor. A faixa apresenta metais poderosos, uma batida explosiva, riffs de guitarra marcantes e uma linha de baixo monstruosa. Paul "Maceo" Harrell adoça o groove com um solo de flauta primoroso, e Michael Cooper e Felton Pilate entregam doses generosas de soul em seus vocais principais. A música fala sobre um casal que sai para uma noite divertida de dança, romance e emoção.

"Ffun" foi escrita e arranjada por Michael Cooper, vocalista e guitarrista do Con Funk Shun. Ele compôs a música em um ônibus de turnê entre shows como uma homenagem à banda de R&B/funk de Atlanta, Brick, cujo sucesso "Dazz" o inspirou bastante, principalmente o fantástico solo de flauta e os ótimos arranjos de metais. "Ffun" foi o primeiro single do álbum Secrets (1977) do Con Funk Shun, que recebeu certificado de Ouro. Skip Scarborough produziu a música, que passou duas semanas no topo da parada de singles de R&B da Billboard e alcançou a 23ª posição na Billboard Hot 100.

“Ffun” foi sampleada em 16 músicas, incluindo “Welcome (Homecoming Live)” de Beyoncé (2019) e “My Skin is My Sin” de Ice Cube (1994).

A formação completa do Con Funk Shun para “Ffun” era composta por Michael Cooper (guitarra, vocal principal), Felton Pilate (trombone, vocal principal), Cedric Martin (baixo), Karl Fuller (trompete), Louis A. McCall Sr. (bateria), Danny Thomas (teclados) e Paul “Maceo” Harrell (saxofone e flauta).


Con Funk Shun interpretando "Ffun" no Sinbad's Summer Jam 2: 70's Soul Music Festival em 1996.

sábado, 30 de maio de 2026

PAUL McCARTNEY - TOO MUCH RAIN

 


“Too Much Rain” é a sétima faixa do álbum de Chaos and Creation in the Backyard, lançado por Paul McCartney em 2005. Foi gravada no George Martin's Air Studios no centro de Londres com o produtor Nigel Godrich. Foi inspirada no tema do filme "Modern Times" de 1936, escrito por Charlie Chaplin e comumente conhecido como “Smile

”.

Em 1936, Charles Chaplin estrelaria um de seus mais populares filmes “Modern Times”. Para esta produção, Chaplin compôs especialmente a melodia da canção "Smile", sendo que a letra só seria adicionada à música em 1954, pelos compositores John Turner e Geoffrey Parsom. Assim como fizera com Golden Slumbers do álbum Abbey Road, Paul McCartney escreveu a letra de "Too Much Rain" baseada no espírito de Smile: “Smile though your heart is aching, Smile even tho i’ts breaking, When there are clouds in the sky, You'll get by” (Sorria, embora, seu coração esteja doendo. Sorria mesmo que ele estiver se repartindo. Quando há nuvens no céu, você irá prosseguir). Em "Too Much Rain", Paul diz "Smile when your eyes are burning, Laugh when your heart is filled with pain. Sigh when you think about tomorrow, Make a vow that its not going to happen again. Its not right, in one life, too much rain” (Sorria quando seus olhos estiverem ardendo, ria quando seu coração estiver cheio de dor. Suspire, quando você pensar no amanhã. Faça uma promessa que isso não se repetirá. Não é certo, em uma só vida, chuva demais". A inspiração, além de Smile, vem de acontecimentos verdadeiros na vida de Paul McCartney. Assim como "How Kind of You", a letra de "Too Much Rain" reflete suas perdas recentes, como as mortes de Linda e George Harrison.


Destaque

Ty Segall – $ingle$ 2 (2014)

Numa das últimas edições da sempre boa revista Mojo, Ty Segall afirma, candidamente: «o meu objectivo é fazer merdas esquisitas e ver o que ...