quarta-feira, 3 de junho de 2026

Jinjer - Discografia.

 



Jinjer é uma banda ucraniana de Metalcore / Progressive Metal e Groove Metal de Donetsk, formada em 2008. Nenhum dos membros fundadores permanece na banda. A formação atual considera 2009 como o seu ano oficial de formação, com a chegada da vocalista Tatiana Shmayluk e do guitarrista Roman Ibramkhalilov. Desde então, a banda adicionou o baixista Eugene Abdukhanov e o baterista Vladislav Ulasevich. 

Formada pelo vocalista Maksym Fatullaiev, o guitarrista Dmitriy Oksen, o baixista Oleksiy Svynar e o baterista Vyacheslav Okhrimenko. Esta formação lançou o EP de quatro músicas Objects In Mirror Are Closer Than They Appear. Em 2009, Fatullaiev foi substituído por Tatiana Shmayluk e Roman Ibramkhalilov entrou como segundo guitarrista. Em 2011, Oleksiy Svynar foi substituído por Eugene Abdukhanov, enquanto Okhrimenko foi substituído por Oleksandr Koziychuk.

Essa formação lançou o EP Inhale, Do Not Breathe de forma independente em 2012 e o Jinjer começou fazer turnês incessantemente com recursos próprios. Foram notados pela Leaders Records no final de 2012 e Inhale, Don't Breathe foi oficialmente relançado em 2013 num formato alargado, com três faixas ao vivo. A banda ganhou o prêmio de Melhor Banda de Metal Ucraniana, promovido pela editora InshaMuzyka de Kyiv em 2013, ganharam também em 2016.

O Jinjer lançou seu primeiro álbum completo, Cloud Factory, de forma independente em 2014, o disco contou com um novo baterista, Yevhen Mantulin. Mais tarde, o álbum foi relançado pela gravadora Napalm. Começaram fazer turnês internacionais e agendar os seus próprios concertos. O último membro fundador remanescente, Dmitriy Oksen, saiu em 2015 e não foi substituído, deixando Ibramkhalilov como único guitarrista.

Em 2014, enquanto a banda estava em turnê, Mantulin caiu de uma janela do terceiro andar e sofreu ferimentos graves, lesionando a coluna e rompendo o baço, ficando assim impossibilitado de continuar tocando bateria, ele foi substituído por Dmitriy Kim.

Após várias turnês mundiais, o Jinjer lançou o seu segundo álbum, King Of Everything em 2016, que foi precedido pelo single, Pisces. Em 2021, a Metal Hammer colocou Pisces em 74º lugar na sua lista das "100 Maiores Músicas de Metal do Século XXI". Pouco depois do lançamento de King Of Everything, o baterista Vladislav Ulasevich se juntou a banda e a formação se mantem estável desde então.

Em 2017, o Jinjer se comprometeu com duas turnês pela Europa como banda de suporte dos Arch Enemy, seguidas da sua primeira turnê pela América do Norte, ao lado do Cradle Of Filth em 2018. A banda também relançou o seu álbum de 2014, Cloud Factory, pela Napalm Records em fevereiro de 2018. Em setembro do mesmo ano, o Jinjer entrou na tabela da Billboard Next Big Sound. Lançaram o EP de cinco faixas Micro em janeiro de 2019, seguido de turnês com Amorphis, Soilwork e Nailed to Obscurity.

O terceiro álbum, Macro, foi lançado em outubro de 2019 e contou com experiências com reggae e rock progressivo. A Loudwire o considerou um dos cinquenta melhores álbuns de metal de 2019. O Jinjer foi obrigado a cancelar váriasturnês, incluindo a primeira na América Latina, devido a pandemia de COVID-19. Lançaram o álbum ao vivo Alive In Melbourne em novembro de 2020. Em seguida, regressaram ao Kaska Record Studios em Kyiv em março de 2021, e o seu quarto álbum, Wallflowers, foi lançado em 27 de agosto. A Loudwire o classificou novamente entre os melhores álbuns de rock/metal do ano, colocando-o em 21º lugar. 

Em março de 2022, foi noticiado que Jinjer tinha pausado a sua carreira para se concentrar nos esforços de ajuda na Ucrânia após a invasão russa do país um mês antes. Em junho de 2022, o Jinjer anunciou que recebeu permissão do Ministério da Cultura da Ucrânia para deixar o país e fazer uma turnê como embaixadores da nação.

Em junho de 2024, o Jinjer confirmou a conclusão do seu quinto álbum de estúdio e anunciou planos para estrear novas músicas na sua próxima turnê norte-americana. O álbum, intitulado Duél, foi lançado em 7 de fevereiro de 2025.


Estilo e influências musicais.

Os integrantes da banda mencionaram muitas influências para a sua música, incluindo Guano Apes, Slayer, Death, Pantera, Anathema, Lamb of God, Gojira e Twelve Foot Ninja. Ao referenciar as suas influências, a banda mencionou bandas de metal como Opeth, Karnivool e Textures, bem como grupos que tocam R&B, soul, funk, jazz, reggae e hip-hop (Cypress Hill e House of Pain). 

São conhecidos pelas suas experiências progressivas com géneros como o R&B, soul, funk, jazz, reggae e groove metal. O baixista Eugene Abdukhanov é conhecido por utilizar um baixo de cinco cordas para complementar o som do grupo desde que Roman Ibramkhalilov se tornou o único guitarrista. Os mais recentes lançamentos da banda apresentam letras que abordam a guerra em Donbas e os seus efeitos na sua região natal, Donetsk.
 




Álbuns.

Objects In Mirror Are Closer Than They Appear (EP 2009)
01. Abbys (3:34)
02. Angels (They Will Get Us All) (4:18)
03. Destroy (3:44)
04. The Game (3:20)




Inhale, Do Not Breathe (EP 2012)
01. Until The End (4:00)
02. Waltz (3:38)
03. Scissors (3:22)
04. Exposed As A Liar (3:40)
05. My Lost Chance (3:56)
06. Hypocrites & Critics (3:26)
07. Objects In Mirror Are Closer Than They Appear (3:07)
08. Destroy (Live) (3:30)
09. Scissors (Live) (3:07)
10. Waltz (Live) (3:30)




Cloud Factory (2014)
01. Outlander (3:56)
02. A Plus Or A Minus (4:34)
03. No Hoard Of Value (4:46)
04. Cloud Factory (4:44)
05. Who Is Gonna Be The One (5:31)
06. When Two Empires Collide (4:50)
07. Желаю - Значит Получу (3:08)
08. Bad Water (5:03 




King Of Everything (2016)
01. Prologue (2:51)
02. Captain Clock (4:46)
03. Words Of Wisdom (3:39)
04. Just Another (4:15)
05. I Speak Astronomy (5:54)
06. Sit Stay Roll Over (4:22)
07. Under The Dome (4:52)
08. Dip A Sail (4:14)
09. Pisces (5:06)
10. Beggar's Dance (2:07)




Micro (EP 2019)
01. Ape (3:16)
02. Dreadful Moments (4:45)
03. Teacher, Teacher! (5:52)
04. Perennial (4:38)
05. Micro (1:43)




Macro (2019)
01. On The Top (5:28)
02. Pit Of Consciousness (4:12)
03. Judgement (& Punishment) (4:20)
04. Retrospection (4:24)
05. Pausing Death (4:45)
06. Noah (4:14)
07. Home Back (4:20)
08. The Prophecy (4:01)
09. Lainnere (5:28)




Alive in Melbourne (Live 2020)
01. Intro (4:00)
02. Teacher, Teacher! (5:57)
03. Sit Stay Roll Over (4:38)
04. Ape (3:28)
05. Judgement (& Punishment) (4:36)
06. I Speak Astronomy (5:55)
07. Who Is Gonna Be The One (5:42)
08. Noah (4:32)
09. Retrospection (4:30)
10. Perennial (4:39)
11. On The Top (5:43)
12. Pit Of Consciousness (4:34)
13. Home Back (4:26)
14. Words Of Wisdom (4:59)
15. Pisces (5:09)
16. Captain Clock (4:44)
17. Outro (Live) (1:37)

 


Wallflowers (2021)
01. Call Me A Symbol (4:21)
02. Colossus (3:37)
03. Vortex (4:02)
04. Disclosure! (3:47)
05. Copycat (4:23)
06. Pearls And Swine (5:20)
07. Sleep Of The Righteous (4:32)
08. Wallflower (4:18)
09. Dead Hands Feel No Pain (4:09)
10. As I Boil Ice (4:22)
11. Mediator (4:30)




Live In Los Angeles (Live 2024)
01. Intro (2:39)
02. Sit Stay Roll Over (4:28)
03. Teacher, Teacher! (6:03)
04. Copycat (4:56)
05. Home Back (4:43)
06. I Speak Astronomy (5:52)
07. As I Boil Ice (4:39)
08. Judgement (& Punishment) (4:34)
09. Dead Hands Feel No Pain (4:31)
10. Vortex (4:14)
11. Who Is Gonna Be The One (5:41)
12. Sleep Of The Righteous (4:48)
13. Call Me A Symbol (5:01)
14. Perennial (4:33)
15. Pisces (5:12)
16. On The Top (7:24)




Duél (2025)
01. Tantrum (3:59)
02. Hedonist (3:46)
03. Rogue (3:12)
04. Tumbleweed (3:22)
05. Green Serpent (4:01)
06. Kafka (4:09)
07. Dark Bile (3:40)
08. Fast Draw (3:13)
09. Someone's Daughter (4:17)
10. A Tongue So Sly (4:25)
11. Duél (4:48)
 





ROCK ART


 

Tame Impala na MEO Arena. Cruzamento de luz e cor em domingo de “Deadbeat”

 

Tiago Cortez/Everything Is New


Domingo de Páscoa de 2026 ficará marcado para milhares de pessoas como o dia em que se trocou a habitual caça aos ovos por um concerto.

Foi com uma MEO Arena lotada que Portugal recebeu Tame Impala pela oitava vez, após ter recomeçado a digressão Deadbeat no dia anterior, no Porto, onde pela primeira vez tocaram em nome próprio no nosso país. Esta tour é alusiva ao seu novo disco com o mesmo nome: o quinto álbum da banda que tem feito um trajecto, que começando no rock psicadélico, está cada vez mais situado dentro da electrónica e do house, após ter passado pelo rock e pop electrónico.

Após a chegada ao recinto, pouco depois das 19h30, já se escutava música a vir do interior da sala de espetáculos. Se houvesse quem estivesse na dúvida se seria já o concerto de abertura ou som ambiente, os aplausos nos intervalos esclareceram. RIP Magic não perderam tempo para iniciar o aquecimento. Apesar dos aplausos bem carregados entre músicas, o ambiente ainda estava frio. Bastaram poucos instantes do seu concerto para perceber que também neste dia não nos livraríamos de Judas: a acústica da MEO Arena. Fomos presenteados com o som característico do espaço, com muito eco e pouca definição. Tentou-se manter o otimismo: talvez o som etéreo e atmosférico/espacial dos australianos encaixasse melhor nesta sala.

Algo que foi diferente em relação a vídeos que iam surgindo nas redes sociais de outros concertos da tour foi o seu formato. Aqui, em Lisboa, acabou por ser em 360 graus, mas a dividir por dois. Foi-nos apresentado um palco principal numa ponta, estando o centro da arena reservado para um palco mais pequeno e mais modestamente equipado.

Se assim que começou o concerto Kevin Parker já tinha o público na mão, foi logo na segunda música que a sintonia se revelou total. Nestes instantes, ainda numa fase muito inicial do concerto, a produção subiu de nível com a utilização de lasers e o entusiasmo aumentou, fazendo-se prever como seria o resto da noite.

Foi um concerto com várias oscilações, marcado pelos visuais do tema “Borderline”, cuja brusca troca de cores transmitiu uma sensação de psicodelismo. Já músicas como “Elephant”, “Afterthought”, “Feels Like We Only Go Backwards” e “Dracula” marcaram pelas flutuações entre o rock cru e a electrónica do novo álbum. A mudança de dinâmica ao utilizar o palco auxiliar também foi um ponto que contribuiu para estas alternâncias.

Para além das músicas já referidas, “Loser” também se destacou na primeira parte do concerto. O público mostrou ter a lição bem estudada e acolheu o álbum que estava a ser apresentado com tanta energia quanto quando estavam a ser tocadas as músicas mais estabelecidas de Tame Impala.

Terminando o primeiro set, Kevin Parker teve um momento a solo no palco secundário – afinal de contas Tame Impala é mesmo «só um gajo». Esta plataforma, estilizada de forma acolhedora e intimista, transportou-nos para o estúdio que tem em sua casa. A seleção escolhida para este momento recaiu na instrumental “No Reply”, “Ethereal Connection” e “Not My World”, todas do álbum mais recente. Esta mudança de dinâmica foi satisfatória e permitiu ao público recuperar o folgo.

Kevin Parker, durante a deslocação para o outro palco, foi seguido por um membro da equipa técnica, que transmitiu a imagem para os ecrãs do recinto. Durante um minuto, a MEO Arena observou atentamente os pés e pernas de Parker, enquanto este urinou. Todo este processo foi acompanhado por uma jam tocada pela banda que o apoia em concertos, composta por membros da banda conterrânea Pond.  Foi diferente do que se vê normalmente e venceu pela originalidade. No entanto, acredito que a escolha de músicas não encaixou bem no cenário intimista. Sinto que preferia ter assistido a um momento acústico, como foi feito recentemente no Tiny Desk Concert.

De volta ao palco principal, recomeçamos com a icónica “Let It Happen” – o momento alto da noite – que serviu para de forma abrupta marcar o fim deste desvio. Surgiram de seguida mais algumas faixas para completar a setlist que se baseou principalmente no álbum de apresentação e em Currents, sendo a estreia Innerspeaker o disco menos invocado, tocando apenas uma música, “Alter Ego”. No encore, o baixo introduziu a obrigatória “The Less I Know The Better” e no fim fechou-se com o house mais pujante de “End of Summer”.

A culminar restou a dúvida: será que a acústica melhorou durante a actuação ou os Tame Impala conseguiram dar-nos um concerto que nos fizesse esquecer a qualidade sonora da sala? Foi um concerto memorável, apesar de pessoalmente ter achado um pouco extenso demais – já o público em geral esteve envolvido da primeira à última canção com Deadbeat já bem estudado.

Durante a noite Kevin Parker provou que se pode misturar vários géneros, mantendo a qualidade e coesão do espectáculo. Este é um dos bons artistas que não se limita a permanecer na mesma caixa e que se reinventa ao longo da carreira, arrastando fãs old school a géneros que não são os seus favoritos – e vice-versa – partilhando a discografia mais distante com fãs mais recentes. O que importa é a música e a experiência em si e não os rótulos que colocamos.

Maruja no LAV. Quando o amor se endeusa, o ódio fica sem voz

 A noite de 26 de maio de 2026 marcou Lisboa com um dos concertos do ano. Depois de duas noites intensas no Porto, a tour Pain To Power dos Maruja passou pela capital e provou ser uma avalanche de caos e emoção sem paralelo. Abaixo fica o nosso registo.

Bad Tomato

As honras de abertura da noite couberam aos lisboetas Bad Tomato, que durante meia hora aqueceram o público com a sua fusão de post-punk e indie rock. A chuva de energia começou logo com Rain, e um “como é que é Lisboa” deu o mote para o baixo de abertura da Can’t Complain mostrar todo o seu groove. Agradecendo ao público por terem vindo mais cedo, o trio continuou com Posh Friends e FEEFA 25, a primeira a arrancar a primeira reação mais efusiva do público e a segunda a forçar passos de dança menos tímidos.

Mas a verdadeira diversão começou, paradoxalmente, com No Fun, numa trilogia final de temas que incluiu também Get Up (Now) e a contagiante Bodybag, num crescendo de animação das hostes que culminou com o vocalista a vir dançar para o meio do público. Foram trinta minutos punk que cumpriram a missão de aquecer o público para a tempestade sonora que se aproximava.

Setlist: Rain | Can’t Complain | Posh Friends | FEEFA 25 | No Fun | Get Up (Now) | Bodybag

Maruja

Há concertos durante os quais reconhecemos logo “a memória desta noite vai perdurar no tempo, como uma gravura se perpetua em pedra”. Faltavam cinco minutos para as 22 horas quando uma introdução com flautas medievais e caos crescente ecoou nas paredes do LAV, para à hora certa os Maruja assaltarem o palco com uma energia absurda.

Bloodsport entrou a todo o gás, com o baixo de Matt Buonaccorsi a dar um groove acelerado e imponente logo no arranque. Mas o instrumento cujo brilho se elevou acima de todos os outros foi o inevitável saxofone de Joe Carroll, cuja irreverência sonora encontrou par numa presença em palco dominadora e assertiva, apenas vencida na energia pelo vocalista Harry Wilkinson. Este foi debitando o seu rap com uma cadência irrepreensível, enquanto pegava ocasionalmente na guitarra.

Trenches deu continuidade ao concerto com uma energia ainda alta mas mais contida, encontrando Harry as trincheiras do público onde surfou num mar de braços frenéticos. Com Break The Tension, a vertente jazz acentuou-se, com fills deliciosos da bateria de Jacob Hayes e o saxofone do Joe a criar uma tensão penetrante que explodiu no final da música.

Zeitgeist elevou os níveis de caos sonoro e experimentalismo errático, levando um público já intenso a um assomo de movimento inebriante. A tempestade de post-punk ainda ia a meio, e foi com Thunder que a versão mais doce da voz se revelou, bem como um saxofone mais melancólico e emotivo. Born To Die, o épico de dez minutos, foi o arranque de uma segunda metade cujos níveis de brilhantismo se elevaram acima do teto do LAV. A progressão da música, da entrada minimalista ao estrondo final, foi um privilégio de testemunhar, e nem os problemas técnicos no saxofone estragaram o momento.

Saoirse foi onde a emoção encontrou a devoção do público, cantando com Harry, alguns com os olhos marejados de lágrimas. A beleza nas nossas diferenças foi sonorizada da forma mais exímia possível, terminando com um pedido do vocalista para o público se abraçar. Seguiu-se a história do homem invisível, onde o post-rock espreitou com mais arrojo, voltando a bateria a destacar-se na forma como preenchia o som com mestria evidente.

Inevitavelmente, o momento da noite foi Look Down On Us, uma das composições desta década que vai certamente ficar na história da música alternativa. Os primeiros acordes entregaram o público à loucura, com o movimento de corpos a assemelhar-se a um tufão. A entrega da banda foi total, novamente com a voz e o saxofone em destaque. A transição da entrada frenética para a emotiva mensagem de amor que se seguiu derreteu até o mais empedernido dos corações. No final desta obra-prima indescritível, o público foi levado a erguer os punhos no ar, num momento de resistência poderoso em que um “não passarão” se ouviu vindo de algures.

Esse momento levou-nos a Resisting Resistance, uma espécie de créditos finais de um espetáculo que mais do que inesquecível, é daquelas experiências que nos moldam o carácter. O som parou, o pano fechou, a plateia dispersou, mas o momento perdurou.

Setlist: Bloodsport | Trenches | Break The Tension | Zeitgeist | Thunder | Born To Die | Saoirse | The Invisible Man | Look Down On Us | Resisting Resistance





MIDNIGHT OIL

 



Midnight Oil foi uma banda australiana de rock ativista. Suas canções tem cunho ecológico clamando pela proteção ao meio ambiente e defendendo os direitos do povo aborígene. A banda fez muito sucesso entre os surfistas.


História
O Midnight Oil é conhecido em todo o mundo como uma banda de ideais políticos e ambientais fortes. Sua maneira de abordar tais temas a transformou suas canções em hinos e suas apresentações em comícios, mantendo vivo o espírito contestador e inconformista do rock. Os Oils, como são chamados pelos fãs, também ficaram conhecidos por terem obtido legalmente junto à gravadora o pleno controle sobre sua obra artística, não se submetendo as regras do mercado fonográfico.


No início a banda girava em torno de três amigos Jim Moginie, Rob Hirst e Andrew James, que em 1972 formaram o The Farm. A banda fez apresentações antológicas e conquistou uma legião de fãs especialmente surfistas da cidade de Sydney.

O Farm continuou como um trio até 1975, a entrada de um estudante de direito chamado Peter Garrett agitou mais ainda os shows da banda que nessa época fazia uma mistura de AC/DC e Focus.

Com o relativo sucesso da banda, no final de 1976 a banda muda seu nome para Midnight Oil. No início de 1977 um novo membro se junta a banda, o guitarrista Martin Rotsey. Com novo nome e formação o Midnight Oil passa a compor novas músicas com letras mais políticas.


Em 1978, o Midnight Oil criou o seu próprio selo chamado “Powderworks”, e por ele lançaram seu primeiro álbum intitulado Midnight Oil. O álbum trouxe grandes canções como “Used and Abused”, “Run by Night” e claro, a faixa “Powderworks”. Estas músicas demonstravam um enorme poder de fogo da banda que parecia não acabar.

O álbum os levou as paradas australianas e o relativo sucesso a um segundo disco lançado em 1979, chamado Head Injuries, e não demorou para que fizesse ainda mais sucesso que o primeiro.



No ano seguinte o baixista e um dos fundadores da banda Andrew James é forçado a sair por problemas de saúde, para seu lugar é recrutado Peter Gifford. No mesmo ano a banda lança o Ep Bird Noises, com quatro músicas inéditas.

Em 1981 os Oils se mudam para a Inglaterra onde gravam o impecável Place Without a Postcard, um álbum recheado de clássicos e ainda mais político que os anteriores. Na metade do ano seguinte a banda grava 10,9,8,7,6,5,4,3,2,1,0 um dos pontos altos na discografia da banda. Surgiram hinos como “Power and Passion”, “Read About It” e “U.S. Forces”. Este álbum é um dos marcos da música australiana.



Este disco os levou ao 3º lugar nas paradas onde permaneceram por meses e vendeu a incrível marca de 250.000 cópias.

Os The Oils celebraram também o lançamento de seu álbum pela primeira vez no exterior, assinaram contato com a CBS na Inglaterra e com a Columbia nos EUA.



No início de 1983 eles participaram do Festival “Myer Music Bowl”, realizado em Melbourne com o objetivo de ajudar na campanha do “Desarmamento das Bombas Nucleares”.

No ano seguinte eles foram para Tóquio - Japão, onde gravaram seu próximo álbum com o mesmo produtor de “10,9,8...”. Red Sails in the Sunset foi lançado em outubro e marcou a fase mais experimental na parte instrumental da banda.O disco incluía muitos efeitos eletrônicos misturados ao característico som de guitarra da banda.



Em 1985 a banda lança outro Ep Species Deseases, lançado em meio a uma fase de transição da banda, e conta com 4 músicas inéditas, entre elas Progress e Hercules, duas excelentes músicas.

No inverno de 1986 o Midnight Oil partiu para uma espetacular turnê “Blackfella/Whitefella” no deserto Australiano, para se apresentar para as comunidades aborígenes. Estas apresentações contaram com a extraordinária banda local Warumpi, formada inteiramente por Aborígines. O escritor Andrew McMillan documentou toda esta turnê no livro “Strict Rules”, que mostra como a música pode mudar toda uma cultura.



Em 1987 o Midnight Oil atinge o auge de seu sucesso com o lançamento do álbum Diesel and Dust. O álbum inspirado na turnê “Blackfella/Whitefella” é considerado até os dias de hoje um dos maiores álbuns já lançados em toda a Austrália. Poderoso, dinâmico e revelador, músicas como “Beds are Burning”, “Put Down that Weapon”, “Dreamworld”, “The Dead Heart” e “Sell My Soul”, foram instantaneamente convincentes para que eles fossem considerados a melhor banda de rock surgida na Austrália nos anos 80.

Com o álbum Diesel and Dust, eles alcançaram o topo das paradas na Austrália, ficaram em 19º na Inglaterra, 1º na França e 21º nos Estados Unidos.



Após uma exaustiva turnê a banda retorna aos estúdios após dois anos e lança Blue Sky Mining, outro marco na carreira da banda e da música mundial. O álbum vendeu 2 milhões de cópias e se transformou em um clássico do rock australiano. Os Oils passaram o resto de 1990 excursionando pelos EUA e pela Europa.

Esta turnê culminou em uma das melhores apresentações da banda. Em Nova Iorque, na ilha de Manhattan, um show protesto contra o vazamento de óleo acontecido no Alaska. O show foi realizado em frente do prédio da companhia responsável pelo incidente. Este protesto atraiu a atenção mundial para a causa e subsequentemente foi lançado um documentário chamado “Black Rain Falls”, gerando fundos para o Greenpeace.


Retornando à Austrália, em novembro do mesmo ano eles fizeram uma grande turnê por todo o país depois de 3 anos afastados e ainda faturaram o prêmio “Crystal Globe Award”, por terem vendido mais de 5 milhões de cópias de “Blue Sky Mine” fora da Austrália.

Em 1991 a banda tirou férias e seus membros fizeram participações em diversas outras bandas. Em junho de 1992 a banda lançou o álbum ao vivo “Scream in Blue Live”, um álbum em que a banda fez questão de registrar a sua fúria em palco. Vale lembrar que o álbum contém músicas registradas entre um período de 8 anos (1982 – 1990).


Em 1993 a banda lança Earth and Sun and Moon, o nono álbum de estúdio, outro sucesso mundial. Os singles "My Country" e "Truganini" ganharam status de clássicos. Em 1995 eles gravam o álbum “Breathe” que só seria lançado em 1996.

Depois disto veio a coletânea “20,000 Watt R.S.L.”, lançada em novembro de 1997 e que vendeu 150 mil cópias somente na Austrália. Com esta vendagem a banda recebeu um álbum de platina. O CD conta com 18 faixas consagradas e o encarte do CD é um show a parte.


Em 1998 os Oils lançam Redneck Wonderland. Um álbum experimental que inclui arranjos eletrônicos e guitarras furiosas. No ano seguinte a banda lançou uma espécie de acústico, um CD que conta também com algumas músicas até então inéditas, na verdade 3 novas composições e uma cover.

O CD The Real Thing traz todos os grandes clássicos em versões ao vivo tiradas do acústico MTV gravado em Nova York. Já no final de 2001 foi lançado um novo CD da banda, Capricornia. O álbum tem 11 faixas e conta ainda com um CD-Rom que mostra uma espécie de “Making of...” do processo de composição do álbum.


Após o lançamento de Capricornia e uma turnê pelo mundo o Midnight Oil encerrou suas atividades. O principal motivo foi a saída do insubstituível vocalista e “front-man” Peter Garrett em 2002.

Midnight Oil - 20,000 Watt R.S.L. (Greatest Hits) (1997)





0:00 - What Goes On
2:56 - Power And The Passion
8:37 - Dreamworld
12:13 - White Skin Black Heart
15:58 - Kosciuszko
20:40 - The Dead Heart
25:51 - Blue Sky Mine
30:11 - US Forces
34:19 - Beds Are Burning
38:37 - One Country
44:31 - Best Of Both Worlds
48:39 - Truganini
53:50 - King Of The Mountain
57:38 - Hercules
1:02:09 - Surf's Up Tonight
1:05:15 - Back On The Borderline
1:08:27 - Don't Wanna Be The One
1:11:29 - Forgotten Years


Em 2004 Garret foi eleito para uma cadeira no congresso australiano o que dificultará a volta da banda. Pelo menos por enquanto.


Midnight Oil - Live @ RMIT, Melbourne, Australia - March 7, 1987 


Blossom And Blood 03:04
Bullroarer 08:12
Who Can Stand In The Way 13:20
Dreamworld 19:30
Best Of Both Worlds 23:30
The Dead Heart 28:28
Short Memory 33:38
Kosciusko 40:30
Hercules 45:09
Pictures 50:05
Read About It 53:12
(What's So Funny 'Bout) Peace, Love, and Understanding 57:15
Power And The Passion 1:01:07
Only The Strong 1:08:23


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