terça-feira, 21 de julho de 2026

Badfinger Straight Up (1971) – How Two Superstars Helped Complete ‘Straight Up’

 

O Badfinger lutou contra as comparações com os Beatles praticamente desde o início de sua carreira musical.

O produtor Tony Visconti trabalhou com o grupo (então conhecido mundialmente como The Iveys) e produziu seu primeiro single, "Maybe Tomorrow" – e até ele ficou impressionado com os paralelos.

"Às vezes eu tinha que olhar por cima da mesa de controle, lá no estúdio, para ter certeza de que John [Lennon] e Paul [McCartney] não estavam cantando os vocais principais", disse Visconti nas  notas do  encarte de The Best of Badfinger.

Para o bem ou para o mal, as duas bandas estavam inextricavelmente ligadas: o Badfinger foi o primeiro grupo a assinar com a gravadora Apple dos Beatles. Eles fizeram um sucesso em 1969 com "Come and Get It", uma faixa escrita e produzida por McCartney que em certo momento chegou a ser considerada para o  álbum Abbey Road.

Em seguida, todos os quatro membros do Badfinger contribuíram para o álbum histórico de George Harrison,  All Things Must Pass  ; o guitarrista Pete Ham e o baixista Tom Evans cantaram os vocais de apoio no single "It Don't Come Easy", produzido por Harrison e interpretado por Ringo Starr; enquanto Evans e o guitarrista Joey Molland se apresentaram como "Joey e Tommy Badfinger" em  Imagine , de Lennon .

As semelhanças não eram intencionais, como Molland salientou mais tarde. Tanto ele como Evans tinham nascido em Liverpool apenas alguns anos depois dos membros dos Beatles e tiveram infâncias semelhantes.

“Os Beatles não estavam procurando ninguém para dar continuidade ao seu legado, por assim dizer”, disse Molland ao Music Radar em 2010. “Se você observar os artistas que assinaram com a Apple, nenhum deles soava como os Beatles. Eram todos muito diferentes. Então, se nós soávamos um pouco como os Beatles, isso tinha mais a ver com a nossa criação.”

O quarto álbum de estúdio do Badfinger,  Straight Up,  chegou às lojas em 13 de dezembro de 1971, como uma esperada continuação da parceria da banda com a Apple. As gravações começaram — e estavam praticamente concluídas — com o produtor dos Beatles, Geoff Emerick, nos estúdios Abbey Road, em Londres, mas as fitas foram rejeitadas depois que a gravadora insistiu que o Badfinger buscasse um som mais refinado.

Foi então que Harrison entrou como produtor principal. Embora diligente, ele tinha uma tendência a buscar a perfeição – um hábito que às vezes frustrava os membros do Badfinger. Isso também rendeu alguns dos melhores resultados: “Day After Day”, com o trabalho meticuloso de guitarra de Harrison, tornou-se o maior sucesso do Badfinger após ser lançado como o primeiro single do álbum.

“Foi um arranjo dele. George pegou minha Stratocaster emprestada e gravou várias versões diferentes tocando slide”, disse Molland. “Ele era um guitarrista incrível, mas dedicava muito tempo para deixar tudo exatamente do jeito que queria.”

Leon Russell e Klaus Voormann também participaram dessas sessões, a convite de Harrison.

Em outros casos, o Badfinger ficou por conta própria, como em "Baby Blue", de Ham, que ele dedicou à namorada Dixie Armstrong. "Escrevi 'Baby Blue' depois de ficar alguns meses sem vê-la", disse Ham em 1972. "Achei que ela estivesse brava por eu não ter ligado, mas quando terminei a música, já tínhamos reatado. Mesmo assim, mantive a canção, porque ela poderia se aplicar a muitas pessoas."

Mas então Harrison teve que abandonar o  projeto Straight Up  devido a compromissos com seu Concerto para Bangladesh, o que causou um grande transtorno nas gravações. Ele então ofereceu seu amigo Todd Rundgren como substituto, que ficou encarregado de retomar o projeto.

“Recebi dois lotes de fitas: as em que George havia trabalhado e as em que Geoff Emerick havia trabalhado, e elas soavam como dois discos completamente diferentes”, disse Rundgren ao  Hollywood Reporter  em 2013. “A intenção era que George fizesse um disco inteiro com eles usando aquele som atual que estava em voga na época, [à la] Phil Spector, que envolvia cinco ou seis violões tocando o tempo todo, bateria com duas pistas e todo tipo de coisa para dar um som realmente grandioso.”

“Mas tudo o que você produz com esse estilo tende a soar igual”, acrescentou Rundgren. “Eu estava um pouco mais interessado em me aproximar do que Geoff Emerick estava fazendo, que era tentar capturar o som real da banda.”

Molland, o único membro remanescente da formação clássica do Badfinger, disse que o clima em torno de  Straight Up  azedou rapidamente. "Todd era um egomaníaco arrogante!", contou ele ao Music Radar. "Eu disse na cara dele que estar no estúdio com ele foi a pior experiência que eu já tive... Ele se achava o máximo, sabe? E ele não era nada. Ele era péssimo."

Embora possa ter sido empolgante em estúdio, a complexa técnica de "Wall of Sound" também se mostrou um desafio sério em turnê.

“Para ser honesto, por mais que eu gostasse e admirasse o George, eu estava um pouco ressentido com o que estava acontecendo com o nosso som. Estávamos ficando muito polidos”, acrescentou Molland. “Depois de  Straight Up , estava se tornando impossível para nós tocarmos nossas músicas ao vivo. Havia muitas sobreposições de faixas — oito violões, 16 vocais e tudo mais. As pessoas queriam que soássemos como nos discos, e não conseguíamos.”

Por outro lado, Rundgren ficou satisfeito com os resultados, especialmente considerando as circunstâncias atípicas. "Fiquei realmente surpreso por termos conseguido reunir tudo isso depois de tantas fontes diferentes", disse ele em 1997 no livro  Power Pop: Conversations With the Power Pop Elite . "O que mais impressionou o Badfinger foi que eu fiz tudo em duas semanas. Gravamos as novas faixas e mixamos tudo em duas semanas."

Embora "Day After Day" tenha alcançado o 4º lugar,  Straight Up  não foi um grande sucesso, chegando apenas ao 31º lugar na  Billboard  Top 200. Os críticos da época descreveram o álbum como em sua maior parte insosso e sem graça, mas as resenhas contemporâneas têm sido mais favoráveis.  Straight Up  se destacou entre os álbuns da Apple, apesar das dificuldades e desentendimentos na produção, e agora é considerado o melhor trabalho do Badfinger.

Molland também concorda. "Acho que os álbuns e as músicas resistem ao teste do tempo", disse ele. "Éramos uma banda legal. Tivemos um breve momento de brilhantismo, mas é um momento que espero que perdure."


Álbum da Semana: Selbstportrait de Roedelius (1979)

 


O pioneiro da música eletrônica Hans-Joachim Roedelius, de 89 anos, deixou sua marca em diversos projetos diferentes na década de 70. Como membro do Cluster e do Harmonia, dois grupos alemães na interseção do krautrock e da música ambiente, Roedelius lançou vários álbuns clássicos, entre eles as obras-primas do Cluster, Zuckerzeit (1974) e Sowiesoso (1976). Gravado entre 1973 e 1977, o álbum solo Selbstportrait ( Autorretrato ) é uma série de vinhetas intimistas que revelam o talento meditativo de Roedelius.

Com o subtítulo Teil 1 Sanfte Musik (“Parte 1 – Música Suave”), Self-Portrait foi gravado no Farfisa VIP 600 (mostrado acima). É de fato suave, começando com as melodias descendentes de “In Liebe den”.

Durante as gravações para a Sky Records, enquanto morava na Baixa Saxônia , Roedelius certa vez descreveu o local como "o lugar mais bonito em que já estive em toda a minha vida". Lá, ele esculpiu a obra que pode ser vista na capa do álbum.

Eram músicas genuinamente espontâneas, estudos de composição influenciados pela paisagem melodiosa vista da janela em noites amenas de verão – cavalos relinchando no pasto à beira do rio, rouxinóis cantando, rãs coaxando…

“Prinzregent” se destaca com um tom mais sombrio, e “Herold” explode com uma percussão pulsante. No geral, as faixas de Self-Portrait possuem uma beleza ressonante inspirada na floresta, que pode ser explorada por dias a fio. E, felizmente, há mais dois volumes.

Ouça Selbstportrait aqui .


4 filmes sobre rock, blues e jazz

 

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Skip James e Son House no Festival de Newport em 1965 após serem redescobertos

Eu assisti, neste ano, alguns ótimos documentários sobre artistas e bandas de rock e outros estilos musicais. Separei quatro deles, os que eu julguei mais interessantes e que me prenderam mais a atenção.


BLITZ – O FILME (2019)

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Mostra a trajetória da Blitz, que com  criatividade e bom humor, conquistou o Brasil inteiro no início dos anos 1980 e abriu as portas para uma infinidade de novos grupos brasileiros..

Entrevistas com os membros e ex-membros trazem à tona boas lembranças e alguns ressentimentos.

Trailer:


AMERICAN MASTERS (1985- ) – MILES DAVIS: BIRTH OF THE COOL (2019)

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Episódio da série televisiva que analisa a vida e a obra de artistas estadunidenses.  A longa carreira do revolucionário músico de jazz Miles Davis é contada por amigos, parentes, mulheres, músicos e pelo próprio Miles. Estes depoimentos ajudam a traçar um perfil do homem por trás da lenda.

Trailer:


TWO TRAINS RUNNIN’ (2016)

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Genial documentário que narra três histórias paralelas que aconteceram no estado do Mississipi, EUA no ano de 1964.

Dois grupos de universitários brancos e amantes do blues resolvem ir ao Mississipi no mês de junho de 1964 a procura de seus ídolos, cujos paradeiros lhes são desconhecidos.

Um grupo saiu da costa oeste em busca do lendário Skip James e o outro, saído da costa leste, vai tentar achar outra lenda do blues: Son House. O detalhe é que um grupo não conhece o outro e eles chegaram a estar a poucos quilômetros um do outro e não se encontraram.

O pano de fundo histórico dessas aventuras é o Movimento dos Direitos Civis, que naquele mesmo mês e ano atraiu jovens universitários de todo o país para o Mississipi. A intenção era cadastrar a população negra para que ela pudesse votar nas eleições. O cenário no estado era tenso e o enorme grupo de jovens idealistas sofreu violenta oposição das autoridades racistas locais.

Imperdível!

Trailer:


IF I LEAVE HERE TOMORROW: A FILM ABOUT LYNYRD SKYNYRD (2018)

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Mais um documentário que me pegou de surpresa. Eu não estava nem muito a fim de assisti-lo, mas fui totalmente envolvido, e quando o filme acabou o Lynyrd Skynyrd tinha ganhado mais um fã.

Acontece que eu nunca dei muita bola para o chamado southern rock, subgênero que abarca uma variedade de bandas dos estados do sul dos EUA que misturam country, blues, rock e tradição rural.

Desta forma nunca prestei muita atenção ao Lynyrd Skynyrd, pelo menos até o filme mostrar o primeiro número musical dos caras. A interpretação vocal do loucaço Ronnie van Zant é espetacular, nada a ver com aquelas vozes estridentes e caipiras que costumo associar ao gênero. E as guitarras poderosas? 2 ou 3 guitarristas talentosos na mesma banda!

Talvez o que mais me agradou no grupo é o foco no blues e não no country. Agora é recuperar o tempo perdido e ouvir o trabalho dessa grande banda.

Teaser:




Memórias, Momentos e Músicas: White Stripes – “Seven Nation Army”

 

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WHITE STRIPES

Um grupo de rock só com dois componentes é, no mínimo, muito diferente. Acontece que um deles é o inquieto faz-tudo Jack White. O White Stripes esteve na ativa entre 1997 e 2011 com Jack White (vocais principais, guitarra e piano) e Meg White (bateria e vocais de apoio).

Blues, country, folk e punk faziam parte do tempero sonoro do rock do White Stripes. Eu demorei a me interessar pelo som do duo, foi só por recomendação das minhas filhas que eu resolvi botar reparo.

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Meg e Jack White

SEVEN NATION ARMY

E foi com o delirante videoclipe da música Seven Nation Army, de 2003, que eu passei a gostar do duo White. Um hard rock com um espetacular e grudento riff, que passou a ser um dos mais conhecidos e reconhecíveis riffs da história do rock.

Jack White conseguiu tirar um som de contrabaixo de sua guitarra com o uso de um pedal que diminuiu uma oitava do som original.

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Existe uma semelhança entre o riff de sete notas da canção e um tema contido no primeiro movimento da 5ª Sinfonia do compositor austríaco Anton Bruckner (1824 – 1896).

Jack White falou sobre o tema da música: “A música é sobre fofocas. É sobre mim, Meg e as pessoas que estávamos namorando”. Provavelmente uma bronca em reação à atenção midiática que grupo estava recebendo àquela altura e a consequente invasão em suas vidas privadas.

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Seven Nation Army é um excelente exemplo de que menos, muitas vezes, é mais! Com sua simplicidade estrutural conquistou um lugar de destaque na lista de músicas favoritas do público.

Curiosidade: Num trecho do videoclipe aparece um exército de esqueletos armados de espadas a marchar em nossa direção. Lembra muito uma sequência – que utiliza a técnica de stop motion – do filme “Jasão e o Velo de Ouro” (Jason and the Argonauts), dirigido por Don Chaffey e clássico absoluto da saudosa Sessão da Tarde setentista.

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Cena do filme “Jasão e o Velo de Ouro” (1963)

VÍDEOS


Videoclipe:


Bruckner : 5ª Sinfonia – Orquestra Bruckner de Sydney – Max McBride

O tema em questão está presente durante todo o movimento, porém fica mais evidente aos 3’34“, aos 10’56”, aos 15’35”  e, com mais força, aos 19’09”

Você Conhece?” Fanny

 

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Fanny foi um dos primeiros grupos de rock a ser composto totalmente por mulheres. Esteve em atividade entre 1969 e 1975. A banda foi fundada pelas irmãs June e Jean Millington, nascidas nas Filipinas, cuja família havia se mudado para os EUA no início da década de 1960.

Conheci essa banda fantástica num grupo de email em que alguns amigos compartilham preciosidades sonoras. No caso a indicação do Fanny foi do Rafael Otoniel.

Componentes:

  • June Millington– guitarra e vocais;
  • Jean Millington – baixo e vocais;
  • Nickey Barclay– teclados e vocais
  • Alice de Buhr – bateria e vocais
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June, Alice, Jean e Nickey

A sonoridade do Fanny é um hard rock, com elementos do som da Motown, cheio de atitude. Atitude que as levou a resistir à ideia de serem moldadas pela indústria musical como típica banda de garotas sexy. Elas queriam, desde o início, serem reconhecidas por seu talento musical e não por sua aparência. Neste ponto foram pioneiras e abriram caminho para bandas posteriores como as Runaways , as Go-Go’s e as Bangles.

Apesar da curta carreira, elas conseguiram o reconhecimento almejado, tanto pela habilidade técnica, quanto pela qualidade das suas composições.

Um dos fãs do Fanny era David Bowie, que disse sobre elas: “Elas foram uma das melhores bandas de rock de seu tempo. Eram tão importantes quanto todos os outros. Elas eram extraordinárias: escreviam tudo, tocavam pra cacete, eram colossais e maravilhosas, e ninguém nunca as menciona”.

MÚSICAS










Destaque

Rosebud's Discoballs, A Tribute to Pink Floyd 1977

  Observe a participação, documentada nesta página,   de Claude Engel, George Rodi, o baterista Schultheis e até mesmo do nosso querido Ja...