terça-feira, 4 de agosto de 2026
Em 03/08/1979: Rainbow lança o álbum Down to Earth.
Em 01/07/1972: The Guess Who lança o álbum Live at the Paramount.
Children Of Bodom – A Chapter Called Children Of Bodom [2023]
![Children Of Bodom – A Chapter Called Children Of Bodom [2023]](https://d2q9lgeqx691v0.cloudfront.net/content/2024/12/COB-Imagem-Destacada.jpg)
A banda finlandesa Children Of Bodom realizou seu último show no dia 15 de dezembro de 2019, na capital de seu país natal, Helsinque. A apresentação teve seu áudio lançado quatro anos depois, em dezembro de 2023, com o nome A Chapter Called Children Of Bodom (Final Show In Helsinki Ice Hall 2019), disco que saiu nas versões em vinil duplo (lá fora) e CD (sendo que a edição nacional foi lançada pela união das gravadoras Wikimetal Music e Oporto Da Música), além das hoje obrigatórias “plataformas digitais”. Em novembro daquele ano, uma nota oficial havia sido divulgada afirmando que esta seria a última performance do grupo, com a banda se separando logo em seguida. Apesar disto, os membros do quinteto – a saber, o vocalista/guitarrista Alexi Laiho (morto em 2020, e para quem o disco é dedicado), o também guitarrista Daniel Freyberg, o tecladista Janne Wirman, o baixista Henkka Seppälä e o baterista Jaska Raatikainen – fizeram uma apresentação que, pelo que se ouve na gravação, foi digna da carreira do grupo, com o lançamento do disco sendo, como declarou Freyberg em uma nota publicada no site Blabbermouth, em outubro de 2023, “para aqueles que compareceram, uma viagem no tempo de volta àquele momento. E para aqueles que não foram, uma oportunidade de vivenciar como o capítulo chamado Children Of Bodom foi encerrado“. Na mesma nota, Wirman disse que “foi surreal estar naquele palco do Helsinki Ice Hall, pois eu sabia que provavelmente nunca mais tocaria com os caras nem me apresentaria para os incríveis fãs“, enquanto Raatikainen acrescentou que “quando subi no palco, me senti calmo, provavelmente porque não sentia mais a necessidade de provar nada, mas sim de curtir a música e a presença de todos os fãs. Eu estava muito grato por ter feito parte de tudo isso, sabendo que nossa música não desapareceria mesmo se nunca mais tocássemos juntos“. A plateia presente, aparentemente, também fez bem sua parte, embora sua participação não apareça com tanto destaque assim na gravação (pelo menos durante as canções).
Um dos expoentes mundiais do chamado “Death Metal melódico”, o COB (como é muitas vezes chamado pelos fãs) lançou dez discos em vinte e dois anos de carreira, e todos eles estão representados ao menos por uma faixa em A Chapter Called Children Of Bodom, com destaque para Hate Crew Deathroll, de 2003 (que tem quatro músicas representadas no show), e Follow the Reaper, de 2000, do qual aparecem três faixas. Do disco que a banda promovia então, Hexed, daquele mesmo ano de 2019, aparecem duas faixas, “Under Grass And Clover” e “Platitudes And Barren Words”, logo no início da apresentação. A partir de “In Your Face”, começa então o “passeio” pela discografia do quinteto, o qual só vai se encerrar com “Downfall”, faixa do segundo álbum, Hatebreeder (de 1999), totalizando pouco mais de setenta e sete minutos de música.

Como o COB não era “chegado” a muitas mudanças ou improvisos no palco (pelo menos nesta turnê, onde os famosos “duelos” entre guitarra e teclado e os solos de bateria ou teclados foram substituídos por músicas “efetivas”, ao que se ouve no álbum), é na força do repertório e das composições do quinteto que o disco se sustenta. Desta forma, fica difícil criticar um álbum que conta, em seu track list, com “clássicos” como “Everytime I Die” (precedida aqui por uma nova introdução bastante sombria e interessante), “Follow The Reaper”, “Needled 24/7”, “Hate Me!” ou “Lake Bodom”, além daquela que é, possivelmente, a minha música favorita na discografia do COB, a “balada” “Angels Don’t Kill” (que nem é tão lenta assim, mas, perto de suas colegas de set list, passa a impressão de ser uma leve “musiquinha romântica”). Ainda que alguns dos últimos discos do grupo não chamem tanto minha atenção quanto os do início de sua carreira, a banda teve a “sacada” de escolher faixas bem representativas de álbuns menos “interessantes” (ao menos para mim), optando normalmente pelas faixas título destes discos, com destaque para “Are You Dead Yet” e “Blooddrunk”, que surgem em sequência lá pelo meio da apresentação.
Como escrito acima, a banda se separou pouco depois desta apresentação, com Laiho montando o Bodom After Midnight (ao lado de Daniel Freyberg) no ano seguinte, vindo a morrer em 29 de dezembro daquele mesmo 2020, de problemas no fígado e no pâncreas causados por anos de abuso de uso de álcool, deixando para trás um legado que, como preconizou Raatikainen, certamente não desaparecerá tão cedo da memória de seus fãs. Dos outros membros do grupo, aparentemente apenas Janne Wirman segue na ativa, tendo lançado também em 2023 o sexto álbum de seu projeto Warmen, intitulado Here for None, sendo que não obtive mais informações sobre a carreira pós-COB de seus outros integrantes.

Ainda que alguns “fade outs” aqui e ali possam indicar que a íntegra da apresentação daquela noite não está presente neste disco (e, obviamente, alguns ajustes posteriores de estúdio devam ter sido feitos – embora, se ocorreram, não são tão evidentes assim), A Chapter Called Children Of Bodom (Final Show In Helsinki Ice Hall 2019) serve como uma celebração da carreira de uma das mais interessantes bandas de heavy metal em ação nas duas primeiras décadas deste século (mesmo que seus melhores álbuns ainda tenham sido lançados no século XX), e, para quem curte a banda (ou o próprio death metal melódico que ela representou tão bem) é mais do que indicado. Tive a chance de assistir a uma apresentação do grupo em Porto Alegre no ano de 2004, e até hoje considero este um dos grandes shows a que assisti. A audição do concerto representado neste disco (por vários motivos, a maioria sentimentais) pode não ser tão intensa e satisfatória quanto a daquela noite, mas, certamente, não é algo a ser desprezado. Longa vida aos “ceifadores” do Lago Bodom!
Track List
1. Under Grass And Clover
2. Platitudes And Barren Words
3. In Your Face
4. Shovel Knockout
5. Bodom Beach Terror
6. Everytime I Die
7. Halo Of Blood
8. Are You Dead Yet
9. Blooddrunk
10. I Worship Chaos
11. Angels Don’t Kill
12. Follow The Reaper
13. Deadnight Warrior
14. Needled 24/7
15. Hate Me!
16. Hate Crew Deathroll
17. Lake Bodom
18. Downfall
Colour by Numbers (Virgin Records, 1983), Culture Club
Nos primeiros anos da década de 1980, a música pop britânica viveu um de seus momentos mais ricos e visualmente impactantes. Com o advento no movimento new romantic, a rebeldia do punk dava lugar à exuberância das cores, dos sintetizadores e da androginia. Foi neste cenário que surgiu o Culture Club, uma banda que parecia ter saído diretamente de um desfile performático e multicultural. Seu vocalista, Boy George — nascido George O'Dowd —, tornou-se um ícone instantâneo, não apenas por sua imagem ousada, mas por sua voz quente, de acento soul, e por sua capacidade de sintetizar estilos diversos num pop cativante e sofisticado.
O embrião do Culture Club nasceu em 1981, quando Boy George, frequentador assíduo do Blitz Club — ponto de encontro da efervescente cena new romantic de Londres —, chegou a cantar ocasionalmente com o Bow Wow Wow, sob o pseudônimo Lieutenant Lush. A parceria, no entanto, foi curta. A ruptura deu origem a um novo projeto idealizado pelo baixista Mikey Craig, que chamou George para assumir os vocais. Logo se juntaram o baterista Jon Moss (com passagens por bandas como The Damned e Adam and the Ants) e o guitarrista e tecladista Roy Hay. A formação, plural em origens étnicas e sociais, inspirou o nome Culture Club. Um irlandês gay na linha de frente, um britânico negro no baixo, um loiro anglo-saxão na guitarra e um baterista judeu. Era a diversidade em forma de banda.
Antes do sucesso, no entanto, veio a rejeição: as primeiras demos não convenceram a EMI. Quem viu potencial foi a Virgin Records, que lançou a banda no Reino Unido. O primeiro álbum, Kissing to Be Clever, saiu em outubro de 1982. Os dois primeiros singles — “White Boy” e “I’m Afraid of Me” — passaram despercebidos. Mas foi o terceiro lançamento, “Do You Really Want to Hurt Me”, com sua levada de reggae melancólica e melodia irresistível, que transformou o Culture Club em sensação mundial. A performance no programa de TV Top of the Pops, com Boy George em trajes exuberantes e maquiagem marcante, causou escândalo e fascínio, dividindo opiniões mas garantindo manchetes.
Além de “Do You Really Want to Hurt Me”, o álbum de estreia da banda emplacou ainda “Time (Clock of the Heart)” e “I’ll Tumble 4 Ya”, ambos sucessos nos Estados Unidos. Era a confirmação de que o Culture Club não era um fenômeno passageiro, mas um grupo com voz própria — literal e metaforicamente. Contudo, pairavam dúvidas quanto à longevidade do Culture Club: muitos artistas daquele universo colorido dos anos 1980 eram rapidamente engolidos pela própria estética. A resposta viria no ano seguinte, com o lançamento de Colour by Numbers, um dos álbuns mais icônicos daquela década.
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| Culture Club em 1983. Da direira para a esquerda: Boy George, Roy Hay, Jon Moss e Mikey Craig. |
Produzido por Steve Levine, o mesmo do álbum de estreia, e gravado no estúdio Red Bus, em Londres, Colour by Numbers contou com o reforço de músicos de estúdio experientes, como o tecladista Phil Pickett, que também colaborou em composições, e a potente vocal de apoio Helen Terry. Se Kissing to Be Clever ainda soava como um experimento pop, Colour by Numbers revela uma banda mais madura, confiante em sua mistura de soul, pop, reggae e rock.
A jornada de Colour by Numbers começa com "Karma Chameleon", o maior sucesso do Culture Club e símbolo máximo de sua fase de ouro. A música, com seu assobio inconfundível, sua levada country-pop e um refrão irresistível, foi número um em dezenas de países e seu single vendeu mais de um milhão de cópias só no Reino Unido. Sob sua aparência ensolarada, a letra fala sobre inconstância e hipocrisia – um contraste que revela a inteligência lírica da banda.
Na sequência, "It's a Miracle" mantém o clima otimista, com um arranjo que remete ao pop melódico dos anos 1970, mas com a roupagem eletrônica característica da década seguinte. A canção, cujo título alude à própria trajetória improvável da banda, é uma celebração da persistência e da transformação.
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| Boy George no videoclipe de "Karma Chameleon" |
"Changing Every Day" aposta em uma estrutura pop mais contida, quase minimalista, com destaque para a linha de teclado e a suavidade da melodia. A curiosidade nesta faixa fica por conta da fusão de música pop e bossa nova. A letra trata sobre instabilidade emocional, mas tratada com delicadeza e sutileza.
Já "That's the Way (I'm Only Trying to Help You)" incorpora elementos de reggae e dub, mostrando a versatilidade da banda ao dialogar com ritmos de matriz jamaicana – uma das marcas do Culture Club desde o início. A faixa combina crítica social com um certo lirismo irônico, marca da escrita de Boy George. “That’s the Way (I’m Only Trying to Help You)” mistura pop e gospel com leveza.
"Church of the Poison Mind" é, sem dúvida, um dos grandes momentos do disco. Inspirada pela sonoridade soul da Motown dos anos 1960, especialmente em “Uptight (Everything's Alright)”, sucesso de 1966 de Stevie Wonder, a música é urgente, vibrante, e destaca-se pelo trabalho vocal excepcional e intenso de Helen Terrye, e pela gaita de Judd Lander. O groove irresistível e o arranjo energético fizeram dela um dos grandes singles da banda, alcançando o segundo lugar nas paradas britânicas.
Na sequência, “Miss Me Blind” traz uma deliciosa pegada funk pop e guitarras incisivas, com forte apelo comercial — especialmente nos Estados Unidos, onde alcançou o Top 5. "Mister Man", lançada como single na África do Sul, traz o Culture Club mergulhando com segurança no reggae. Com letra ambígua e ritmo marcado, a faixa reforça o caráter plural do álbum. Com uma base instrumental quase etérea, "Stormkeeper" é talvez a faixa mais atmosférica do disco. Nelas, Boy George emprega uma interpretação contida, criando uma um clima introspectivo na faixa, como um momento de pausa antes do desfecho emocional.
O álbum chega ao fim com "Victims", uma linda e dramática balada que expõe com crueza a fragilidade emocional do eu lírico. A orquestração grandiosa, aliada à interpretação dolorida de Boy George, fazem dela um dos momentos mais densos da discografia da banda. Trata-se de uma canção sobre mágoas, perdas e sacrifícios amorosos – um verdadeiro épico pop.
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| Capa do compacto de "Victims" lançado em novembro de 1983. |
O sucesso estrondoso de Colour by Numbers – com mais de 10 milhões de cópias vendidas mundialmente, quatro discos de platina nos Estados Unidos e posição constante nas listas de melhores álbuns da década – teve, paradoxalmente, um efeito duplo. Se por um lado consolidou o Culture Club como um fenômeno global, por outro aumentou a pressão sobre a banda, que lutaria nos anos seguintes para manter a coesão interna e a relevância artística diante das mudanças no mercado e dos conflitos pessoais, especialmente o turbulento relacionamento entre Boy George e o baterista Jon Moss.
Ainda assim, em retrospecto, Colour by Numbers se sustenta não apenas como um documento de época, mas como uma obra de valor estético duradouro. Sua combinação de apelo popular com inventividade formal é rara no universo do pop – e sua coragem em tematizar identidade, ambiguidade e afeto o coloca como precursor de pautas que se tornariam centrais nas décadas seguintes.
Faixas
Todas as faixas foram escritas pelo Culture Club, exceto quando indicado.
Lado 1
1."Karma Chameleon" (O'Dowd/Moss/Craig/Hay/Pickett)
2."It's a Miracle"(O'Dowd/Moss/Craig/Hay/Pickett)
3."Black Money"
4."Changing Every Day"
5."That's the Way (I'm Only Trying to Help You)"
Lado 2
6."Church of the Poison Mind"
7."Miss Me Blind"
8."Mister Man"
9."Stormkeeper"
10."Victims"
Culture Club: Boy George (vocal principal e vocais de apoio), Roy Hay (guitarras, piano, cítara elétrica e vocais de apoio), Mike Craig (baixo e vocais de apoio) e Jon Moss (bateria e vocais de apoio).
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
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BOB DYLAN & JOHNNY CASH - WANTED MAN - SHOW!
"Wanted Man" é sobre um homem fugitivo que pede aos ouvintes que não o denunciem, caso seja localizado. O fugitivo menciona várias cidades e estados dos Estados Unidos onde é procurado, além de outros locais não mencionados e várias mulheres de seu passado que querem denunciá-lo.

"Wanted Man", cantada por Cash, também é o tema principal da trilha sonora do filme de 2001 "One Night at McCool’s" - "Que Mulher é essa?", estrelado por Liv Tyler em seu melhor papel, Matt Damon, Michel Douglas, John Goodman e tantos outros.
PAUL MCCARTNEY - THAT DAY IS DONE - 1989

A belíssima baladona épica "That Day Is Done" é a quarta faixa do lado 2 do excelente FLOWERS IN THE DIRT, oitavo álbum solo de estúdio de Paul McCartney, lançado em 5 de junho de 1989. "That Day Is Done" é uma das quatro canções co-escritas por Paul McCartney e Elvis Costello, lançadas no álbum. As outras são “My Brave Face”, “Don't Be Careless Love” e “You Want Her Too”. O título do álbum foi tirado da estrofe final da música: "Ela espalha flores na lama, é quando uma emoção se torna uma dor. Eu sei que nunca verei seu rosto, ela se afasta do meu lugar de descanso". "That Day Is Done", uma das mais fortes interpretações de McCartney em toda a sua carreira. Foi gravada no estúdio The Mill, em East Sussex, em março e no Olimpic Sound Studio, em outubro de 1988. Paul McCartney: vocal e baixo; Elvis Costello: harmonias; Hamish Stuart: guitarra e harmonias, Robbie Mcintosh: guitarra; Chris Whitten: bateria e pandeirola; Mitchell Froom: teclados; Nicky Hopkins: piano; John Taylor e Tont Goddard: corneta; e Ian Peters e Ian Harper: trompas.
HYLDON - NA RUA, NA CHUVA, NA FAZENDA - SENSACIONAL É POUCO

Na Rua, na Chuva, na Fazenda foi o primeiro álbum do cantor, instrumentista, compositor e produtor brasileiro Hyldon, lançado em 1975 pela Polydor. É considerado um clássico do soul brasileiro e marco da música negra em geral, tendo transformado Hyldon em um dos três precursores da música soul no Brasil, junto com Cassiano e Tim Maia. O álbum traz alguns dos maiores êxitos da carreira de Hyldon, como "Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapê)", "Na Sombra de Uma Árvore", "Vamos Passear de Bicicleta", "Acontecimento", "As Dores do Mundo"e "Sábado e Domingo". Hyldon está com 72 anos e segue gravando seus álbuns regularmente. Em 2016, lançou As Coisas Simples da Vida, eleito pela revista Rolling Stone Brasil como 14º melhor disco brasileiro daquele ano. Embora nunca tenha sido alvo dos holofotes, Hyldon vai sendo cada vez mais descoberto ou redescoberto pelas novas e velhas gerações. É isso aí!
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