quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Tom Zé – Vira Lata Na Via Láctea (2014)

 


O ano de 2014 aproxima-se vertiginosamente do fim. Nestes últimos doze meses fui ouvindo muita música (como é, aliás, habitual em mim), mas no entanto tenho de chegar à conclusão de que não foi assim tanta a música feita no Brasil que me ficou no ouvido. Logo eu, que o tenho afinado e moldado há muito para esses sons do sul do hemisfério, feitos com sotaque semelhante ao nosso. Apesar de ter selado as pazes com Gilberto Gil (coisa bem documentada na reportagem ao concerto que o músico baiano deu recentemente no Centro Cultural de Belém), e mesmo tendo ficado bastante agradado com os discos de estreia dos Carne Doce e de Moreno Veloso (sobre os quais aqui também deixei nota entusiasmada), pouco mais me agradou daquilo que fui tendo a capacidade de ouvir este ano da minha querida MPB. No entanto, uma última e boa surpresa aconteceu. O génio de Irará voltou com disco novo (embora dois dos temas fossem já conhecidos, retirados do ep Tribunal do Feicebuqui), e a boa forma verificada no anterior Tropicália Lixo Lógico (independente / Natura Musical, 2012) mantém-se a mesma, felizmente. Tom Zé foi-se perdendo um pouco em malabarismos sonoros algo vazios de conteúdo em trabalhos como Estudando o Pagode (Trama, 2005), Danç-Eh-Sá (Tratore, 2006), e Estudando a Bossa (Biscoito Fino, 2008), reencontrando-se numa linguagem digna do seu brilhante passado no citado disco de 2012, e no final deste ano a sua nova proposta discográfica fez-me acreditar que o tropicalismo que tanto adoro e que tanto me edificou como ouvinte, ainda está vivo e cheio de energia criadora. O «Trotski do tropicalismo» (como chegou a ser chamado em virtude do esquecimento a que foi inesperadamente votado quando Caetano, Gil e Gal se tornaram reis e rainha da Tropicália por muitos e bons anos), voltou, e recomenda-se bastante. Vira Lata na Via Láctea é um imenso passeio ao passado, mas com os olhos postos no futuro da inventividade infinita sem tempo nem lugar. Tudo em Tom Zé é um caldeirão de ideias, filosofias, ritmos em perfeita desbunda, palavras que brincam seriamente nas camadas de significações que Tom Zé lhes atribui. Sempre assim foi, e assim sempre será, mesmo que a inspiração possa, por vezes, derrapar um pouco.

Vira Lata na Via Láctea conta com imensos nomes do cenário musical brasileiro, desde logo destacando-se as participações / parcerias instrumentais, vocais e autorais de Caetano Veloso (com Tom Zé encerra o álbum com a belíssima «Pequena Suburbana»), Milton Nascimento («Pour Elis», antiga canção de homenagem a Elis Regina), O Terno, Trupe Chá de Bolbo, Filarmônica da Pasárgada, Silva, Dinucci, Daniel Maia e Tatá Aeroplano. Uma autêntica interseção de talentos, tempos antigos e modernos, nomes históricos e outros que farão, seguramente, história na música brasileira. Mesmo assim, no meio de tantos e tão variados artistas, correntes e estéticas diferenciadas, Vira Lata na Via Láctea apresenta-se bem coeso, subordinado a temas como o esbatimento das ideologias de direita e de esquerda perante o poder do dinheiro, a religião e os seus legados (Tom Zé pede perdão ao atual Sumo Pontífice na brilhante faixa «Papa Perdoa Tom Zé»), a ética, Geração Y e os seus iPads, iPods e outros ais (de aflição, de dor, de gozo, de espanto, de desgosto ou de tudo um pouco?) dos moderníssimos tempos da nossa existência. O olhar crítico de Tom Zé mantém-se implacável e feroz. A sua arte torta de fazer canções está novíssima em folha, aos 78 anos de idade. (a minha respeitosa vénia curva-se perante a imensidão da obra inqualificável do artista, muito solenemente).

De uma certa maneira (no jeito das canções, na ironia fina das letras, nas linhas melódicas de alguns dos temas do disco) Vira Lata na Via Láctea faz-me recordar os imprescindíveis Todos os Olhos (Continental, 1973), Estudando o Samba (Continental, 1976) ou Correio da Estação do Brás (Continental, 1978), o que é, convenhamos, um excelente sinal de vitalidade e de força criativa. Que venha outro, e outro ainda depois desse. A lira gauche de Tom Zé tem há muito a eternidade garantida, mas dele queremos sempre mais e mais e mais e mais…


Jarvis Cocker – Jarvis (2006)


Os Pulp foram uma das melhores bandas da chamada britpop, e provavelmente aquela que mais soube criar um universo muito próprio que sempre a distinguiu de todas as outras. O mérito desta façanha vai inteirinho para Jarvis Cocker, o vocalista / mentor / iconoclasta que sempre liderou um conjunto que lutou com todas as suas forças desde os anos 80 para conhecer a fama já num último e desesperado fôlego com o brilhante Different Class, de 1995. Esse sucesso, alicerçado em temas imortais como «Disco 2000» e sobretudo «Common People», levou-os a surfar com brilhantismo a onda mais bonita do britpop, sem que muita gente soubesse que os Pulp andavam há mais de uma década a dar-nos canções pop feitas de inadaptação, dor, solidão e sede de amar.

Depois desse extraordinário sucesso, os Pulp ainda fariam mais dois discos: o excelente This Is Hardcore, de 1998, e o menos brilhante We Love Life, de 2001. O fim da banda viria algum tempo depois. Jarvis, com a sua fisionomia desengonçada e terrível sentido de moda, foi elevado a figura da sociedade musical britânica, e esse estatuto de celebridade acabou por fazer vítimas: a banda, que se sentia consumida e apagada pela fama de Cocker, e o próprio vocalista, desiludido com o que a fama (perseguida durante anos e anos) afinal lhe havia trazido – pouca da satisfação pessoal que sempre buscara.

Mas o fim dos Pulp – que até voltaram para dar alguns concertos e apresentar algumas, poucas, músicas novas – não foi o fim de Jarvis Cocker.

Em 2006, lançou Jarvis, o seu primeiro disco a solo, seguido de Further Complications, de 2009. No entanto é o primeiro disco que nos traz aqui hoje, para fazer luz sobre uma pérola negligenciada da pop feita em Inglaterra.

O que se pode dizer é que, neste Jarvis, o cantor consegue encontrar simplicidade e descomplicação que faltavam nos últimos discos dos Pulp, que foram progressivamente ganhando camadas, duplos e triplos significados, mundos dentro de mundos, e muitos meses de estúdio. Aqui, a solo, a ausência de uma banda terá feito Cocker centrar-se mais na composição das melodias do que no trabalho de estúdio, e o disco ganha, por isso, uma leveza assinalável.

Mas o que temos, sobretudo, são os grandes temas de sempre de Pulp e de Jarvis. O amor, a busca dele, a inadaptação, a repressão, a estranheza, o desconforto, a esperança e a desilusão. Tudo, obviamente, embrulhado no extraordinário bom gosto pop de Jarvis Cocker, que neste primeiro disco a solo aposta mais ainda em simples músicas que nos agarram às primeiras audições. Mais até do que em discos dos Pulp, quase todos os temas poderiam ser singles. Dos 11 temas (mais dois pequenos interlúdios instrumentais), 10 são óptimos, e outro é razoável. Destaco, entre todos, «I Will Kill Again», com a line dedicada a noites solitárias em frente ao computador: «Log on in the nightime / Drink a half bottle of wine / Buy a couple of records / Look at naked girls from time to time»; «Big Julie», um eco muito claro do som típico de Pulp; «Don’t Let Him Waste Your Time», que é Jarvis vintage. Contudo poderia estar aqui o dia todo. Ouçam o disco, isso basta.

Para além da música, Jarvis tem-se mantido um rapaz ocupado. Foi viver para Paris, colaborou com artistas como Wes Anderson, Marianne Faithful ou Charlotte Gainsbourg, tem um programa semanal na BBC Radio e é editor de uma colecção da prestigiada editora literária Faber & Faber.

Talvez um dia reforme os seus Pulp, agora que o percurso deles é reavaliado com os olhos que merece, alvo de um recente e excelente documentário: Pulp: a Life about Life, Death & Supermarkets.

Mesmo que tal não aconteça, a obra que já fez é suficiente para nos alimentar. His ‘n’ Hers, Different Class ou este Jarvis são magníficas portas de entrada para o mundo deste excêntrico inglês de Sheffield. Uma das vozes mais criativas dos últimos 30 anos na música mundial. Só isso.



Asia – Echo Of You 2026 EP

 


Genre : Prog Rock
Year : 2026
Country : UK

01 – Echo Of You.mp3
02 – The Traveller (Into The Light).mp3

MUSICA&SOM ☝


Rockin’ Chair – have a seat 2026

 


Genre: Hard Rock
Released: August 10, 2026
Label: iMD-IYF Slaughterhouse

01 – The Night Train
02 – Sometimes
03 – Humanity’s Lost
04 – Amok
05 – Tears In Your Eyes
06 – Brain
07 – Audrey
08 – Life Teacher
09 – Night Hunter
10 – Beggar’s Death
11 – Winds From The South
12 – On The Run

The album features Oliver Martin on vocals, Res Schmocker on drums, Max Fischer on bass, Adrian Aerne on guitar

MUSICA&SOM ☝


Manapart – Discography: 6 Releases (2020-2024)



Genre: Alternative Rock / Metal
Country of Artist (Band): Armenia
Year of Release: 2020-2024

Tracklist:
Albums:
2020 – Manapart (00:33:27)
2024 – Red (00:27:28)
EP & Singles:
2022 – 2084 – EP (00:10:22)
2022 – Tomorrow (00:03:58)
2022 – Yerani (00:04:35)
2023 – Misery (feat. Tardigrade Inferno) (00:04:13)

MUSICA&SOM ☝


The Hollywood Stars – Discography: 7 releases (1977-2026)

 


Artist: The Hollywood Stars
Genre: Rock, Pop, Glam Rock, Power Pop
Country: USA

1977 – The Hollywood Stars (CBR 320 kbps)
2013 – Shine Like a Radio: The Great Lost 1974 Album (CBR 320 kbps)
2019 – Sound City (CBR 320 kbps)
2021 – Live on the Sunset Strip (Live) (CBR 320 kbps)
2024 – Starstruck (CBR 320 kbps)
2026 – Hey! LA! (CBR 320 kbps)

2023 – Still Around (CBR 320 kbps)

MUSICA&SOM ☝


ARIEL Jazz Rock/Fusion • United States

 

ARIEL

Jazz Rock/Fusion • United States

Biografia do Ariel:
Fundado em Chicago, EUA, em 1985 (?),

o ARIEL era um obscuro trio de rock progressivo de Chicago, formado por Bob Sheldon, Marchristiansen e Tony Kampick. Eles tocavam jazz rock instrumental e lançaram apenas um álbum em 1985.
















Perspectives
Ariel Jazz Rock/Fusion

 Pouco se sabe sobre esse trio de jazz fusion de Chicago além disso. Lançado em 1985, "Perspectives" é um trabalho totalmente instrumental com bateria, guitarra e teclados. Antes de mais nada, esses caras tocam muito bem! Adoro a bateria, a guitarra em vários estilos e a variedade de teclados em uso. Alguns sugeriram que o Rush e o King Crimson dos anos 80 influenciaram este disco, mas depois de uma semana ouvindo, nunca pensei em nenhuma dessas bandas. É uma gravação de 37 minutos com sete faixas e termina muito bem com as três últimas faixas, que são as minhas três favoritas. Somando-se a faixa de abertura, temos um disco de quatro estrelas.

A faixa de abertura, "Another Time, Another Place", é vibrante, com bateria e guitarra matadoras. Aliás, os sintetizadores criam uma atmosfera incrível ao longo de todo o disco. Para mim, os sintetizadores não estragam o álbum como acontece com muitos discos de jazz fusion dos anos 80 e 90, digamos assim. As três faixas seguintes são boas, mas não chegam ao nível das minhas quatro favoritas. "Banana Blues" quase chega a ter uma sonoridade reggae com aquela guitarra. Há bastante piano também em "Moment Of Weakness".

Confira "Ugh Huh" para uma demonstração de talento em ritmo acelerado. A bateria, a guitarra e os sintetizadores são realmente ótimos ao longo desses 4 minutos. "Jupiter Whale" é uma faixa interessante de 7 minutos com muita atmosfera no início. "The Ballad Of Kid Rock" é a faixa de encerramento com mais de 8 minutos e soa incrível; eu gosto da melancolia e da profundidade. A bateria e a guitarra criam um caos quando a música acelera por volta de 1 minuto e meio. A guitarra ainda vai brilhar mais algumas vezes.

Não é um tesouro perdido, de forma alguma, mas eu gostei muito deste. Merece as 4 estrelas na minha opinião.




ARIANUOVA Rock Progressivo Italiano • Italy

 

ARIANUOVA

Rock Progressivo Italiano • Italy

A biografia de Arianuova apresenta
Daniele Olia (guitarras e teclados), que desenvolve a ideia deste novo álbum conceitual, contando com a participação de outros músicos excepcionais: Luca Bonomi (bateria), Massimo Zanon (vocais) e Michele Spinoni (guitarra). O som combina elementos mais clássicos (órgão, cordas, piano, violões) com componentes de rock e eletrônicos, com efeitos vocais e atmosferas em constante evolução. O estilo varia do prog rock dos anos 70 ao rock melódico com uma pegada new wave, passando por atmosferas à la Pink Floyd, com longos momentos instrumentais.
À primeira audição, o projeto remete aos álbuns conceituais do QIRSH (banda de Savona, Itália, da qual Daniele Olia é membro fundador e autor da maioria das músicas), enriquecido com maestria pelas experiências dos outros três integrantes.







Volevo Andare Altrove
Arianuova Rock Progressivo Italiano

 'Volevo Andare Altrove' ('Eu Queria Ir Para Outro Lugar') é o álbum de estreia da banda italiana de rock progressivo Arianuova (Novo Ar). Daniele Olia (guitarras, teclados, alaúde, vocais) teve a ideia de lançar um álbum conceitual sobre os desejos atávicos do ser humano e, para auxiliá-lo nessa empreitada, convidou Luca Bonomi (bateria), Massimo Zanon (vocal principal) e Michele Spinoni (guitarra). O comunicado de imprensa que li está em inglês, felizmente, mas o álbum é italiano, o que significa que a história em si é um tanto incompreensível para mim. Aparentemente, o encarte também contém todas as letras em inglês, então será útil tê-lo à mão ao ouvir o álbum.

Embora encontremos alguns toques clássicos de RPI aqui e ali, e algumas claras referências a PFM, este álbum também apresenta muitos elementos de Neo, Sinfônico e Crossover, que é onde eu o teria colocado na PA se ainda estivesse envolvido com as equipes de gênero. Os destaques para mim são a delicada instrumental de oito minutos "La quiete dopo la tempesta" ("A calmaria depois da tempestade"), que é uma representação musical das diferentes fases de uma tempestade: que chega, passa e recua, e a extensa "L'orologio che andava all'indietro" ("O relógio retrocedendo"), uma suíte de 16 minutos. Dividida em várias partes, esta faixa mostra a banda canalizando seu Genesis do início da carreira, com alguns teclados encantadores e datados (eu não tinha me dado conta da importância do acordeão de piano para o gênero) e vocais harmoniosos.

Acho que a bateria soa um tanto banal em alguns momentos, dando a impressão de que poderia ter sido substituída por uma bateria eletrônica. Esse é um dos elementos que realmente prejudica o álbum, com um ritmo que, por vezes, parece arrastado em vez de pulsante. No geral, é um álbum interessante, embora não essencial, e é uma banda que vou acompanhar de perto. Parabéns a eles por cantarem em sua língua nativa, em vez de se sentirem obrigados a cantar em inglês, o que significa que só posso comentar a música, e não a letra ou a narrativa. Será interessante ver o que o futuro lhes reserva.




PJ Harvey cantando "Lick my legs, I'm on Fire" no programa de Jay Leno, 1993

 


Em 1993, a inglesa PJ Harvey visitou o The Tonight Show With Jay Leno enquanto estava em turnê para divulgar seu segundo álbum, "Rid of Me" (trad.: livrar-se de mim), que obviamente foi produzido por Steve Albini. A data dessa aparição parece ter sido 24 de setembro de 1993. Foi a primeira vez que ela esteve neste programa (mas ela voltaria muitas vezes). Os outros convidados naquela noite foram Michael Richards e a comediante Kathleen Madigan. A performance de PJ para a canção "Rid of Me" foi impressionante, cheia de força e até hoje ainda é classificada como "memorável", sem dificuldades para capturar e segurar nossa atenção, com uma entrega vocal impecável, misturando um falsete desafiador na estrofe "Lick my Legs, I'm on Fire". Uau! Harvey ainda não estava usando o delineador azul nos olhos, que se tornaria sua marca registrada (esse visual seria revelado em Glastonbury em 1995) - mas sua opção por um "vestido tubinho" dourado simples, peça única, mostrou-se expressão perfeita de sua forte individualidade e de toda uma carnalidade projetada. Depois da inquietante performance, Leno faz um comentário retardado sobre o que todos haviam acabado de testemunhar: "Very nice" (trad.: "Muito bom"). É mole? Harvey se junta aos outros convidados da noite e, com total conforto e segurança, explica que mesmo que ela fosse considerada uma estrela do Rock agora, seus pais administravam uma fazenda de ovelhas em Dorset e, quando ela os visitava, ela mantinha suas tarefas do lar, que às vezes incluíam "castração de ovelhas" e coisas do gênero. Leno, famoso por sua grande compulsão em manter os papos num nível mental de uma criança de 10 anos de idade (apesar de seu programa passar à meia-noite, hora local), comenta estar fascinado... pelo álbum Kkkkkk. Confira:


Rid Of Me / Livrar-se de mim
Tie yourself to me / Amarre-se em mim
No one else, no / E a mais ninguém, não
You're not rid of me / Você não vai se livrar de mim
No, you're not rid of me / Não, você não vai se livrar de mim

Night and day I breathe / Noite e dia eu respiro
Ha, ha, hey, hey / 
You're not rid of me (4x) / Você não vai se livrar de mim

I beg you / Eu te imploro
My darling / Meu amor
Don't leave me / Não me abandone
I'm hurting / Estou sofrendo

Lick my legs, I'm on fire / 
Lick my legs of desire / 

I'll tie your legs / Vou amarrar as suas pernas
Keep you against my chest / Manterei você contra o meu peito
Oh, you're not rid of me / Oh, você não vai se livrar de mim
Yeah, you're not rid of me / Sim, você não vai se livrar de mim
I'll make you lick my injuries / Eu farei você lamber as minhas feridas
I'm gonna twist your head off, see? / Eu vou torcer o seu pescoço, entende?

Till you say don't you wish you never never met her? (4x) / Até você dizer que nunca, nunca queria tê-la conhecido

I beg you / Eu te imploro
My darling / Meu amor
Don't leave me / Não me abandone
I'm hurting / Eu estou sofrendo
I've been lonely / Eu tenho estado solitária
Above everything / Acima de tudo
Above every day / Acima de todos os dias
I'm hurting / Estou sofrendo

Lick my legs, I'm on fire / Lamba minhas pernas, estou em brasa
Lick my legs of desire / Lamba minhas pernas de desejo

Yeah, you're not rid of me / Sim, você não vai se livrar de mim
Yeah, you're not rid of me / você não vai se livrar de mim
I'll make you lick my injuries / Eu farei você lamber as minhas feridas
I'm gonna twist your head off, see? / Eu vou torcer o seu pescoço, entende?

Till you say don't you wish you never never met her? (12x) / Até você dizer que nunca, nunca queria tê-la conhecido

Lick my legs, I'm on fire / Lamba minhas pernas, estou em brasa
Lick my legs of desire / Lamba minhas pernas de desejo


Grandes álbuns do Prog-Rock: Mezquita - "Recuerdos de mi Tierra" (1979)


Hoje, faremos uma viagem até o sul da Espanha, região da Andaluzia (composta por 8 províncias: Almería, Cádiz, Córdoba, Granada, Huelva, Jaén, Málaga e Sevilla). Os anos de 1976-79 foram os mais frutíferos para a região, com a produção de um tipo de Rock com sotaque próprio e raízes locais muito bem trabalhadas. Eu destacaria a banda Imán com seu álbum "Califato Independiente", de 78, a banda Azahar com seu álbum "Elixir", de 77 e a banda Mezquita, cujo álbum de estreia é para muitos o melhor do Prog-Rock andaluz. Surgida em 1978, em Córdoba, o Mezquita era composto por José Rafael García (voz e guitarra), Fernando "Randy" López (baixo, percussão), Francisco "Roscka" López (teclados) e Rafael "Pelucas" Zorrilla (bateria e percussão).
Roscka, Zorrila, Randy e José Rafa
Desde a virada para os anos 70, os jovens de Córdoba com interesses musicais já vinham se reunindo na Plaza Séneca ou no pátio da Mezquita-Catedral. Dessas encontros e conversas, surgiram grupos desejosos por dar asas aos seus instintos artísticos. Deles, surgiram dois nomes básicos do Rock espanhol: Medina Azahara e Mezquita (os amigos Randy López e José Rafael em 1969 formaram a dupla Libra Y Tauro; em 70, acrescentaram o baterista Rafael surgindo o "Expresión Trio" e quando o tecladista Roscka entrou, reduziram o nome para apenas "Expresión" tocando um Proto-Prog - muito era apenas um Hard Rock hoje datado com teclados). Eles gravaram dois álbuns entre 1972-77 (selo Musimar). Este grupo perdurou por muito tempo, recebendo inúmeros prêmios regionais e nacionais importantes por sua criatividade e espírito inovador. Em 78, mudam de nome novamente para "Mezquita" tornando-se um dos precursores do movimento progressivo conhecido como "Rock Andaluz". Surgiu então um Rock forte, pronunciado com sotaque de guitarra flamenca e temperado com finas especiarias árabes. Eles ensaiavam não muito longe dali da Mezquita e, em 79, Vicente "Mariscal" Romero, com quem já haviam criado uma relação durante uma infrutífera temporada em Madrid, resolveu contratá-los para seu selo Chapa Discos. O próprio produtor esclareceu numa entrevista porque o Mezquita lhe chamou atenção: "A banda encheu os olhos de todos. Suas canções tinham uma nova força dentre os novos grupos de Rock na Andaluzia. Enquanto alguns outros exploravam o veio das tonadillas (canções tradicionais da Espanha, de origem árabe, acompanhadas de uma execução teatral), o pessoal do Mezquita apanhava as raízes mais árabes e lhes davam um ar de vanguarda absoluto".
O álbum de estreia, "Recuerdos de mi Tierra" (gravado em jul/79, no estúdio Audio-Film, em Madrid e lançado três meses depois), hoje considerado uma das obras essenciais (um tesouro) do Rock Progressivo hispânico, continha um conjunto de canções de qualidade inquestionável, casando estilos aparentemente díspares (como Hard Rock e música árabe-andaluza), tudo sem cair lugares-comuns e se distanciando da banda Triana, grupo que quase todos na Espanha da época queriam se assemelhar. Um destaque eram diálogos entre o violão espanhol e a guitarra elétrica conversando animadamente em várias canções do disco. As influências étnicas (árabes e flamencas) percorriam aquelas seis faixas inventivas e atraentes, criando algo diferente, até incomum, quase totalmente novo. Prog-Rock sinfônico com tempero/sabor espanhol/árabe interessantíssimo. Com vocais em espanhol (e muito expressivos), eles foram muito felizes na mistura criada. Combinando estruturas complexas justapostas com violão flamenco e melodias delicadas, excelentes harmonias vocais, eles misturavam selvagemente elementos tradicionais, orientais e progressivos com grande fluidez, energia e virtuosismo. Música que não desacelera nunca e puro deleite para os ouvidos naquelas mudanças de ritmos implacáveis, compassos estranhos, temas melódicos e execução primorosa. Interações arrebatadoras, muita emoção, atmosferas/texturas mouras/andaluzas/flamencas. "Recuerdos de mi Tierra" era uma obra-prima (comece sua coleção de Prog espanhol por aqui), um Prog com raízes nas tradições locais da bela cidade de Córdoba, com elementos do Yes, do King Crimson, do Rush e do Hard Rock clássico, mas criando algo único, poderoso e exuberante, muito por causa da qualidade dos músicos. Mágica transposição do ideário Prog inglês para a península ibérica espanhola. Uma joia que colocou o Mezquita entre as grandes bandas do país levando-os a dezenas de apresentações, festivais, vendas e muito reconhecimento.
Levaria dois anos para a banda lançar seu segundo álbum, "Califas del Rock" (de 1981), um trabalho tão aguardado que não correspondeu às expectativas e não repetiu a grande recepção do álbum de estreia. Uma espécie de Hard Rock de segunda divisão que não era convinvente. O país passava por outro momento e isto não ajudou na divulgação. Esta desilusão aliada à saída de Randy López (que foi para a banda Medina Azahara) detonou o Mezquita (que ainda gravou uma demo tape para um futuro terceiro álbum) que acabou em 1983.



Destaque

GENESIS

  Genesis é uma banda britânica de rock progressivo formada em 1967, quando os seus fundadores Anthony Phillips, Peter Gabriel, Mike Rutherf...