É raro podermos ouvir um álbum de estreia que nos encha as medidas, aliás, é muito difícil haver bandas tão jovens que apresentem um nível de maturidade, instrumental e conceptual, como os Travo aqui apresentaram. A jovem banda de Braga eleva o psicadelismo – até mesmo o progressivo, em certos momentos – de uma forma tão criativa e contemporânea. Num trabalho de já três anos desde Santa Casa a n’O Silo, até este Ano Luz, denota-se uma mudança e uma caracterização mais aprimorada do seu rock, com uma preocupação mais psicadélica e não tão experimental, como se verificava nos primeiros trabalhos da banda.
A começar pela primeira faixa, “Tsar”, Ano Luz mostra-se como uma evocação aos grandes momentos do ‘post-rock’ e rock psicadélico, com muitas inspirações no ‘space rock’ e ‘krautrock’, servindo desde logo como tributo a grandes bandas como Pink Floyd e Eloy, por exemplo. Contém a suavidade e toxicidade dos Camel, e a imponência do enorme 10.000 Depois Entre Vénus e Marte de José Cid – um álbum tão explanado aqui na vossa Ruído Sonoro – e, de facto, Ano Luz mantém todos esses elementos de conceptualidade, criatividade e espectacularidade. Aliás, essa inspiração no ‘space rock’ e ‘krautrock’ é claramente perceptível na faixa homónima do álbum, “Ano Luz”, que é também a música de encerramento.
É um álbum inteiramente instrumental, que se renova a cada música e que larga traços de emoção, deixando-nos expostos a um submundo de desgosto, mas ao mesmo tempo esperança, com cada faixa a conter alguma positividade na descoberta de algo novo. É difícil destacar alguma faixa, já que todo o álbum tem uma qualidade de fazer inveja a qualquer banda antiga e contemporânea, que têm ou tiveram recursos que os Travo não têm. De forma inteligente, “Tsar” e “Ano Luz” abrem e fecham o disco, sendo também as faixas mais compridas com mais de dez minutos de duração. Nestas duas músicas, a conceptualidade atinge um pico superior e o psicadelismo torna-se ainda mais evidente, acompanhando a sonoridade de todo o álbum.
Até “Cascata de Leonte” – com dois minutos e meio de duração – apresenta-se de forma exímia, com os acordes e os sons de passarinhos a destacarem-se ao longo de toda a composição. Esperança? Tristeza? Que sentimento sentir ao ouvir “Cascata de Leonte”? É difícil responder. Os Travo tiveram a habilidade e a inteligência de produzir um disco que pergunta tanto, mas que deixa tantas respostas por dar. No entanto, a ideia é essa mesmo, ‘forçar’ os ouvintes a pensar e a perguntar-se sobre tudo o que este álbum nos sugere.
Ano Luz apresenta-nos um caminho, quase como um caminho espacial rumo a uma galáxia desconhecida. Um “Tsar” que pode representar um início e um “Ano Luz” que pode representar a explosão em atravessar uma camada estratosférica de algo desconhecido. Como referi, em cada faixa, a banda parece que se renova e que apresenta algo diferente da faixa anterior. Algo muito curioso: os Travo apresentam novos elementos ao longo do álbum, desde as ‘voice-overs’, à introdução de sons do ambiente e sintetizadores. A grande preocupação da banda é criar um ambiente espacial, inspirando-se nos artistas de renome que todos conhecemos, mas apresentando o seu próprio toque artístico. A produção está óptima, muito bem trabalhada e claramente morosamente desenvolvida. Os Travo apresentam um som que nunca foi apaixonante para os portugueses e, portanto, poderá não cativar as massas, no entanto, conseguem produzir algo de extrema qualidade que pode ter diversas interpretações enquanto capta tantos estilos musicais e conceptuais diferentes. Não acho de todo que a banda tenha atingido o seu extremo de criatividade, o que é melhor nestes Travo é a sua capacidade de se melhorar e renovar. Parece-me que Ano Luz é apenas o início, é apenas o “Tsar” da sua carreira e promete deixar os fãs da grande música em êxtase com um disco de tão elevada qualidade. Cada um pode ter uma interpretação, mas todos terão o prazer de ouvir um álbum que contém rock, ‘space rock’, ‘krautrock’ e rock psicadélico de excelente qualidade, com melhorias de faixa a faixa e com um conceito de encher o olho de tão inteligente e polivalente que é.
Os Omie Wise são uma banda desconhecida que promete romper esse anonimato com um som intimista e um rock progressivo e psicadélico ímpar na indústria musical portuguesa. Naturais de Braga, fundados em 2017, o ainda muito jovem quinteto bracarense teve em 1808 o seu primeiro lançamento oficial, um EP que abalou o tecido musical e que surpreendeu a crítica. Agora, em 2019, os Omie Wise preparam-se para tomar de assalto o panorama musical português, com uma sonoridade que varia do melancólico ao esperançoso, do psicadélico ao progressivo, do suave ao ríspido, To Know Thyself tem tudo isso, contendo aqui ou ali elementos conceptuais que enriquecem um longa-duração que, desde a introdução, promete prender os ouvintes.
Apesar da juventude, não se deixem enganar pelos escassos anos de actividade. Os dois anos de existência são já riquíssimos em talento conseguindo, num álbum de estreia, cativar e atrair para a sua sonoridade os elementos mais interessantes do rock progressivo e do alternativo, com variações instrumentais muito cativantes, um conceito inteligente e faixas realmente trabalhadas.
Por de mais, o experimentalismo tem também aqui um dedo importante, sobretudo nas faixas “Umbra” e a mais comercial “Make a Knot” . No entanto, – e de forma muito inteligente – o tema de introdução “One, No One and One Hundred Thousand” lança o mote para reintroduzir a melancolia num álbum que será emocionalmente mais negativo do que positivo. O ‘press-release’ do grupo descreve o álbum como “uma viagem ao nosso lado mais frágil, onde a permuta de insegurança e incerteza se mascara e se concebe numa sala de máquinas que pauta um ritmo mecanizado, nem por isso, menos humano.” Nada poderia descrever melhor este lançamento, desde “Dead Wings Fly Higher Pt.1” até “Dead Wings Fly Higher Pt.2”, o disco centra-se num conflito essencialmente de emoções numa viagem fundamental humana e de dúvida sobre o nosso destino. “To Know Thyself”, a faixa homónima e último tema deste embate, é a única música que nos dá alguma esperança e que pode dar uma resposta, muito existencial, sobre um futuro que se inicia em “One, No One and One Hundred Thousand”.
Existe um potencial conceptual muito grande neste longa-duração de estreia de uma das formações portuguesas mais promissoras do seu tempo. São donos de uma sonoridade ímpar e pouco ouvida em solo nacional. “To Know Thyself” é fundamentalmente um álbum introspectivo e emotivo que nos apresenta uma resposta conceptual que deixa tudo em aberto e que pode representar um caminho mais sôfrego e sombrio para atingir um fim mais esperançoso. Não se deixem enganar pela juventude de uma banda que está apenas a começar.
Em novembro de 1991, o U2 lançou Achtung Baby. O álbum representou a mudança calculada na direção musical e temática para o grupo; a mudança foi um de seus mais dramáticos desde The Unforgettable Fire.[80] Em termos sonoros, o álbum obtém influências do rock alternativo, dance music e música industrial da época, com a banda referindo-se à sua partida musical como "quatro homens derrubando The Joshua Tree".[81] Tematicamente, foi um registro mais introspectivo e pessoal; era mais sombria, entretanto, às vezes, mais irreverente do que os trabalhos anteriores da banda. Comercialmente e criticamente, tem sido um dos maiores sucessos da banda. Ele produziu cinco singles de sucesso nas paradas, incluindo "The Fly", "Mysterious Ways" e "One", sendo uma parte crucial do início da reinvenção da banda na década de 1990.[82] Tal como The Joshua Tree (1987), muitas publicações citaram o álbum
como um dos maiores do rock
Como Achtung Baby (1991), a Zoo TV Tour de 1992 e 1993, foi uma ruptura inequívoca com o passado da banda. Em contraste com as configurações de estágio austero de eventuais turnês anteriores do U2, a Zoo TV foi um evento elaborado em multimídias. É satirizado o caráter universal da televisão e sua indefinição de notícias, entretenimento, e das televendas, tentando incutir uma "sobrecarga sensorial" em sua audiência.[81][83][84] Foi caracterizada por grandes telas de vídeos, que mostravam os efeitos visuais, videoclipes aleatórios da cultura pop e frases de textos piscando.[85] Considerando que a banda era conhecida por suas sérias performances ao vivo na década de 1980, os concertos da Zoo TV Tour foram intencionalmente ironizadas e auto-depreciativas;[81] no palco, Bono realizava vários personagens, incluindo "The Fly",[86] Mirror Ball Man, e MacPhisto.[87] Trotes por telefones foram feitos para o ex-presidente George W. Bush, às Nações Unidas e outros. Ao vivo por ligação via satélite, mostrava a controvérsia causada na guerra de Sarajevo.[88]
"The Fly" apresenta características de batidas de hip hop, vocais distorcidos, e uma difícil influência industrial que se diferenciava do som típico do U2.[89]
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Durante uma pausa da turnê Zoo TV em meados de 1993, o álbum Zooropa deu sequência a muitos dos temas de Achtung Baby e da própria turnê. Inicialmente concebido como um EP, a banda expandiu Zooropa inteiramente em um álbum LP. Foi uma partida ainda maior a partir de seus estilos anteriores, incorporando influência dance e outros efeitos eletrônicos.[90] Johnny Cash participou nos vocais da canção "The Wanderer". A maioria das canções foram tocadas pelo menos uma vez durante as etapas da turnê em 1993, visitando a Europa, Austrália, Nova Zelândia e Japão; metade das faixas do álbum tornaram-se comuns no setlist.[91] Embora o sucesso comercial de Zooropa tivesse ganhado o "Melhor Álbum Alternativo", a banda considera o álbum como uma mistura de sentimentos, porque eles sentiam que era mais um interlúdio.
Passengers e Pop (1994–1999)
Ver artigo principal: Original Soundtracks 1 e Pop
"Não é o suficiente para escrever uma grande letra. Não é o suficiente para ter uma boa ideia. Muitas coisas têm que vir junto, e então, você tem que ter a capacidade de disciplina e de amparo. Devemos dar esse álbum a um remix, voltar ao que estava inicialmente previsto".
— Bono, no álbum Pop.[92]
Em 1995, o U2 lançou um álbum experimental chamado Original Soundtracks 1. Brian Eno, produtor de três álbuns anteriores do U2, contribuiu como um parceiro integral, incluindo a escrita e gravação. Por esta razão e devido à natureza altamente experimental do disco, a banda optou por lançá-la sob o apelido de Passengers para distingui-lo dos álbuns convencionais do grupo. Mullen disse sobre o álbum: "Há uma linha fina entre a música interessante e autoindulgência. Atravessamos-lo no registro de Passengers".[93] Foi comercialmente desperdiçada pelos padrões do U2, recebendo várias críticas negativas. No entanto, o single "Miss Sarajevo" com Luciano Pavarotti, Bono o cita como uma de suas canções favoritas do grupo,[94] sendo bem sucedida.
A etapa da Popmart Tour contou com um arco de ouro, um limão gigante, e até o momento, a maior tela LED do mundo (acima), tendo como base um arco semelhante à logotipo da McDonald's (abaixo).
Em 1997, a banda lançou o álbum Pop, sendo a continuação de sua experimentação; loop, programação, sequenciamento, ritmo e amostragem, fornecem ao álbum pesados ritmos de funky dance.[95] Lançado em março, o álbum estreou no número 1 em 35 países e atraiu principalmente comentários positivos.[96] A Rolling Stone, por exemplo, declarou que o U2 tinha desafiado as probabilidades e fizeram algumas das maiores músicas de suas vidas.[97] Outros achavam que o álbum foi uma grande decepção e as vendas eram baixas em comparação com os álbuns anteriores.[98] A banda apressou-se em terminar o álbum a tempo para a turnê iminente pré-agendado, e Bono admitiu que o álbum "não comunicou a forma com que foi intencionada".[99]
A turnê subsequente, Popmart Tour, foi iniciada em abril de 1997. Como a Zoo TV, ela ironizou a cultura pop e tinha a intenção de enviar uma mensagem sarcástica os que acusaram o U2 de comercialismo. O estágio incluiu um arco de 30 metros de altura, 46 metros de comprimento da tela de vídeo e 12 metros de altura do mirrorball lemon (limão gigante). O U2 não conseguiu um big shtick, entretanto, para satisfazer muitos que estavam aparentemente confusos com a imagem do novo "estilo cafona" da banda e conjuntos elaborados.[100] O adiamento da data de lançamento de Pop (1997), a fim de completar o álbum significou o tempo de ensaio para a turnê, foi severamente reduzida, e o sofrimento em performances de shows precoces.[101] Um destaque da turnê foi o concerto em Sarajevo, onde a banda foi o primeiro principal grupo a realizar ali após a Guerra da Bósnia.[102] Mullen descreveu o show, dizendo: "Uma experiência que eu nunca irei esquecer para o resto da minha vida, e seu tivesse de passar vinte anos na banda apenas para tocar neste show, e tenho feito isso, eu acho que terias valido a pena".[103] Bono disse: "Um dos mais difíceis e uma das mais doces noites da minha vida".[104] Um mês após a conclusão da turnê Popmart, o U2 apareceu no episódio 200, "Empate de Titãs", do seriado animado Os Simpsons, no qual Homer Simpson interrompeu a banda no palco durante um show da Popmart Tour.[105]
Leave Behind e Atomic Bomb (2000–2006)
Ver artigo principal: All That You Can't Leave Behind e How to Dismantle an Atomic Bomb
Apresentação da banda durante a Elevation Tour em 2001.
Após a recepção comparativamente pobre de Pop (1997), a banda declarou que eles "reaplicariam ao trabalho... de uma das melhores bandas do mundo",[106] e desde então, têm perseguido por um som de rock mais convencional misturado por suas influências de suas explorações musicais na década de 1990.[107] O álbum All That You Can't Leave Behind foi lançado em outubro de 2000, e foi produzido por Brian Eno e Daniel Lanois. Para muitos que não foram conquistados pelas músicas do grupo nos anos 1990, considerou-se um retorno à graça;[108] A Rolling Stone disse a "terceira obra-prima" do U2, ao lado de The Joshua Tree (1987) e Achtung Baby (1991).[109] O álbum estreou na posição de número 1 em 22 países[110] e seu single de sucesso mundial, "Beautiful Day", ganhou três Prémios Grammy. Os outros singles do álbum também ganharam três Prémios Grammy.
Para a Elevation Tour, o U2 realizou um ambiente em escala reduzida, retornando para arenas, depois de dez anos de produções em estádios. Um palco em forma de coração e uma rampa permitindo uma maior proximidade ao público. Após os ataques de 11 de setembro, o novo álbum ganhou uma ressonância adicionada,[68][111] e, em outubro, o grupo realizou um concerto no Madison Square Garden, em Nova Iorque. Bono e The Edge disseram mais tarde que esses shows em Nova Iorque estavam entre suas performances mais memoráveis e emocionais.[112] No início de 2002, a banda realizou um show durante o intervalo do Super Bowl XXXVI,[113] onde homenagearam as vítimas dos ataques de 11 de setembro de 2001,[114] que, de acordo com a Sports Illustrated, foi o melhor show de intervalo da história do Super Bowl.[115]
"Vertigo", com seu riff agressivo, tornou-se um sucesso mundial e foi utilizado em uma promoção cruzada com a Apple.
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O álbum de estúdio seguinte, How to Dismantle an Atomic Bomb, foi lançado em novembro de 2004. A banda estava procurando um som de rock mais difícil de tocar do que All That You Can't Leave Behind (2000). Tematicamente, Bono afirmou que "muitas das canções, são hinos de ingenuidade, uma rejeição à sabedoria".[116] O primeiro single, "Vertigo", foi apresentado na televisão em um comercial exibido internacionalmente pelo iPod da Apple, por um iPod especial do U2 e pela caixa especial The Complete U2 (2004), que foram lançadas como parte da promoção com a Apple. O álbum estreou no número 1 nos Estados Unidos, onde as vendas da primeira semana foi o dobro das vendas de All That You Can't Leave Behind, estabelecendo um recorde para a banda.[117] Afirmando-o como um dos concorrentes dos três melhores álbuns do U2, Bono disse: "Não há canções fracas. Mas, como um álbum, o todo não é maior que a soma de suas partes, e isso me irrita".[116] A Vertigo Tour contou com um setlist que variaram mais do que em datas de qualquer turnê da banda desde Lovetown Tour, e incluiu músicas não tocadas desde 1980. Como a Elevation Tour, a Vertigo Tour foi um sucesso comercial.[118] O álbum e seus singles ganharam Prémios Grammy em todas as oito categorias em que o grupo foi nomeado. Em 2005, Bruce Springsteen iniciou o Rock and Roll Hall of Fame.[119] O filme 3D do concerto-filme, U2 3D, foi rodado em nove concertos durante a América Latina e na etapa australiana da Vertigo Tour, sendo lançado em 23 de janeiro de 2008.
Panorama do palco da Vertigo Tour em Adelaide, na Austrália.
Em agosto de 2006, a banda incorporou seu negócio editorial nos Países Baixos após o nivelamento da isenção dos artistas irlandeses no imposto de duzentos e cinquenta mil euros.[120] The Edge afirmou que as empresas, muitas vezes, buscavam minimizar os seus encargos fiscais.[121] O movimento foi criticado pelo parlamento irlandês.[121][122] A banda disse que a crítica era injusta, afirmando que a aproximidade de 95% de suas atividades teve lugar fora da Irlanda, que fossem tributadas a nível mundial devido a isso, e que estavam "todos os investidores pessoais e empregadores no país".[123] Em março de 2008, o U2 assinou um contrato de 12 anos com a Live Nation, no valor de cem milhões de dólares,[124] o que inclui o controle da Live Nation sobre a mercadoria da banda, patrocínio e seu site oficial.[125]
No Line (2007–2011)
Ver artigo principal: No Line on the Horizon
A estrutura do palco da 360° Tour, o maior já construído, permitiu uma configuração de assentos de 360 graus.
A gravação para o décimo segundo álbum de estúdio do U2, No Line on the Horizon (2009), começou com o produtor Rick Rubin em 2006, mas as sessões foram de curta duração e o material foi arquivado. Em junho de 2007, a banda começou as novas sessões com Brian Eno e Daniel Lanois, que contribuíram não só como produtores, mas pela primeira vez com o U2, como compositores também.[126] A gravação continuou até dezembro de 2008 nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda e Fez, no Marrocos, onde a banda explorou a música norte africana. Pretendia ser um trabalho mais experimental do que seus dois álbuns anteriores,[127] sendo lançado em fevereiro de 2009, recebendo críticas positivas, incluindo a sua primeira revisão de cinco estrelas da Rolling Stone. Os críticos, no entanto, observaram que não era tão experimental como o esperado. O álbum estreou no número 1 em mais de 30 países,[128] mas as vendas do álbum foram relativamente baixas para os padrões da banda e não continha um single de sucesso.[129]
O grupo começou a U2 360° Tour em 2009. A turnê contou com a maior estrutura de palco em concertos, apelidado de "garra", e um de seus 360º de configuração de teste/audiência que os fãs eram permitidos cercar todos os lados do palco.[130] A turnê visitou os estádios da Europa e Estados Unidos em 2009. No final do ano, a Rolling Stone disse que o U2 era um dos oito "Artistas da Década".[131] A turnê da banda os classificou na segunda posição em total de concertos da década, atrás de The Rolling Stones, embora a banda tivésse um lucro significantemente superior em relação aos Stones. Eles foram a única banda do "top 25" da década de 2000, a vender por fora cada show que eles tocaram.[132] O U2 retomou a 360º Tour em 2010, com as etapas na Europa, Austrália e Nova Zelândia. No entanto, sua aparência em manchete agendada ao Festival de Glastonbury 2010 e sua etapa norte-americana naquele ano, foram adiadas após uma lesão séria que Bono sofreu.[133][134][135] Estas aparições foram reprogramadas para 2011, após a etapa sul-africana e América do Sul e do Festival de Glastonbury 2011.[136] A turnê foi concluída em julho de 2011, com uma renda bruta de mais de 736 milhões de dólares, e um atendimento total de 7.268.430 espectadores, ambos os valores, recorde para uma única turnê.[137] A revista Forbes estima que a banda ganhou 78 milhões de dólares, entre maio de 2011 e maio de 2012, tornando-se o quarto artista musical mais bem pagos.[138]
Songs: Innocence e Experience (2013–presente)
Ver artigo principal: Songs of Innocence e Songs of Experience
Divulgação do álbum Innocence no evento da Apple, com a presença de Tim Cook (ponta esquerda), e os membros da banda.
Em novembro de 2013, o empresário de longa data da banda, Paul McGuinness, desceu de seu posto como parte de um acordo com a Live Nation, para adquirir sua empresa de gestão, Principle Management. McGuinness, que trabalhou por 35 anos com o grupo, foi sucedido por Guy Oseary.[139][140] No fim de 2013, a banda interrompeu as gravações do 13º álbum de estúdio para gravar a canção "Ordinary Love", como parte da trilha sonora do filme Mandela: Long Walk to Freedom (2013),[141] depois de receber um convite do produtor cinematográfico Harvey Weinstein.[142][143] A faixa, escrita em homenagem a Nelson Mandela, ganhou o Prêmios Globo de Ouro para "Melhor Canção Original" de 2014.[144][145] No início de 2014, em parceria com a organização não governamental, (Red), também co-fundada por Bono, e com o Bank of America, a banda lançou a canção "Invisible". Divulgada inicialmente no intervalo do Super Bowl XLVIII, o trabalho foi disponibilizado gratuitamente para download por 36 horas no iTunes Store. Para cada download realizado, o Bank of America se comprometeu a doar um dólar para o combate o Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária.[146] Após o período para downloads, a iniciativa arrecadou cerca de 3 milhões de dólares.[147]
Em 9 de setembro de 2014, a banda anunciou sem aviso prévio o lançamento do 13º álbum de estúdio, Songs of Innocence (2014), sendo anunciada em um evento da Apple, lançado no mesmo dia, gratuitamente aos clientes do iTunes.[148] O lançamento fez o álbum disponível para mais de 500 milhões de clientes do iTunes em que o CEO da Apple, Tim Cook, afirmou que o álbum "seria o maior lançamento do álbum de todos os tempos".[149] A Apple teria pago à Universal Music Group e ao U2 um montante fixo para um período de exclusividade de cinco semanas,[150] e gastou 100 milhões de dólares americanos em uma campanha promocional.[149] Produzido por Danger Mouse, Paul Epworth, Ryan Tedder, Declan Gaffney e colaborador de longa data, Flood, Innocence relembra a juventude dos membros do grupo na Irlanda, em homenagem a inspirações musicais, tocando as experiências de infância, amores e arrependimentos; Bono descreveu como "o álbum mais pessoal que eu escrevi".[151] Parte da imprensa e os consumidores foram críticos da estratégia de divulgação, que envolveu a adição automática do álbum para as contas dos usuários do iTunes sem o seu consentimento.[152][153][154] A turnê da banda foi interrompida, após Bono ficar gravemente ferido em um acidente de bicicleta no Central Park, em 16 de novembro de 2014, com fraturas no ombro, úmero, órbita, e no dedo mínimo.[155] Na época, Bono afirmou que era incerto se ele poderia ou não, ser capaz de tocar guitarra novamente.[156]
A banda embarcou na turnê Innocence + Experience Tour em apoio ao álbum, dando início em 14 de maio de 2015.[157][158] Composta por 76 shows,[159] a turnê visitou arenas na América do Norte e Europa, entre maio a dezembro de 2015.[160] O grupo estruturou seus concertos em torno de uma narrativa solta de "inocência" a passar para "experiência", com um setlist fixo de canções para o primeiro semestre de cada show, e uma segunda metade variável, separadas por um intervalo.[161] O palco media o comprimento do piso local e foi dividido em três seções: Um palco retangular principal, um palco auxiliar circular menor e uma passagem que conectava os dois palcos anteriores.[161] A tela de vídeo dupla-face de 30 metros de comprimento foi suspendida e paralela à passagem; a estrutura contaa com uma passarela interior entre as telas, permitindo que os membros da banda pudessem tocar entre as projeções de vídeo.[162][163] O sistema sonoro foi transferida para os limites máximos do ambiente e dispostos em uma matriz oval, na esperança de melhorar a acústica uniformemente à distribuição de som por toda a arena.[161] No total, a turnê arrecadou mais de 152 milhões de dólares e mais de 1.29 milhões de bilhetes vendidos.[164] Os dois shows de encerramento da turnê, em Paris, foram remarcadas propositalmente devido ataques de novembro de 2015 em Paris, sendo filmado para transmissão pela rede de televisão americana HBO.[165][166]
Membros
Bono (Paul David Hewson, nascido em Dublin, em 10 de maio de 1960), é compositor, vocalista, ativista e filantropo, tocando instrumentos como violão, guitarra e gaita. É também co-fundador de organizações não governamentais, tais como o DATA, criado para fins de obtenção de igualdade e justiça na África através da anulação da dívida, ajuste comercial, para diminuição do HIV/AIDS na África e; ONE Campaign, criado para o financiamento do governo para aumentar eficácia de programas de ajuda internacional. Já escreveu canções de sucesso, como "I Still Haven't Found What I'm Looking For", "One", "Sometimes You Can't Make It on Your Own" (em consideração à morte de seu pai, Bob Hewson). Já foi nomeado para o Prêmio Nobel da Paz, sendo condecorado como cavaleiro pela rainha monarca Elisabeth II; nomeado como Pessoa do Ano, pela revista Time,[167][168][169] entre outros prêmios e indicações. Está na 32ª posição, no ranking dos "100 Maiores Cantores" pela Rolling Stone.
The Edge (David Howell Evans, nascido em Londres, em 8 de agosto de 1961), é compositor e ativista, sendo o principal guitarrista do grupo, tocando guitarra (guitarra elétrica), teclado, piano, baixo e backing vocal em diversas canções, como "Beautiful Day", "New Year's Day", "Stay (Faraway, So Close!)", "Stuck in a Moment You Can't Get Out Of", entre outras. Como vocal principal, canta nas canções "Van Diemen's Land" e "Numb",[171] fazendo também projetos paralelos, como a composição da canção-tema, "GoldenEye", do filme GoldenEye (1995), com performance da cantora Tina Turner.[172] É aclamado na 38ª posição na lista dos "100 Melhores Guitarristas de Todos os Tempos", pela revista Rolling Stone.[173]
Adam Clayton (Adam Charles Clayton, nascido em Oxfordshire, 13 de março de 1960), é compositor, tocando baixo (baixo elétrico) e sintetizador. Clayton é conhecido por seu baixo em hits como "New Year's Day", "With or Without You", "Mysterious Ways", "Get on Your Boots" e "Magnificent". Clayton já trabalhou em vários projetos solos, como na canção-tema do filme Mission: Impossible (1996).[174] Raras ocasiões, Clayton utiliza outros instrumentos musicais, como na canção "40" (tocando guitarra) e na canção "City of Blinding Lights" (introdução da canção, nos teclados) e; nos vocais, durante o B-side da canção "Two Hearts Beat as One", "Endless Deep".[175]
Larry Mullen Jr. (Lawrence Joseph Mullen Jr., nascido em Dublin, 31 de outubro de 1961), é compositor, cantor e ator, tocando instrumentos como bateria, percussão e sintetizador. É o fundador da banda, no período em que estudava em Dublin. Trabalhou em diversos projetos, incluindo uma colaboração para criar a banda Automatic Baby em 1993, com o ex-vocalista e ex-baixista da banda norte-americana R.E.M., Michael Stipe e Mike Mills, respectivamente; trabalhando também com Adam Clayton, na canção-tema do filme Mission: Impossible (1996).[176]
Desde a sua criação, o U2 tem desenvolvido e mantido um som distintamente reconhecível, com ênfase e instrumentais melódicos e expressivos, maior em relação aos vocais.[177] Esta abordagem tem suas raízes, em parte, a influência precoce do produtor de discos Steve Lillywhite, em um momento em que a banda não era conhecida pela seriedade musical.[178] The Edge tem usado constantemente um eco rítmico e uma marca no delay[179] para elaborar seu trabalho na guitarra, junto com uma influência irlandesa nos pedais tocados contra suas melodias sincopadas[180] que, em última análise, produz um som bem definido, um som de carrilhão. Bono tem estimulado o seu falsete de voz operística[181] e tem mostrado uma tendência notável para a lírica social, política e assuntos pessoais, mantendo uma escala grandiosa em sua composição. Além disso, The Edge descreveu o U2 como uma banda fundamentalmente ao vivo.[180]
Apesar destas consistências amplas, o grupo introduziu elementos novos em seu repertório musical, com cada álbum novo. O som inicial do U2 foi influenciado por bandas como Television e Joy Division, sendo descrito como "contendo uma sensação de alegria", que resultou de The Edge "acordes radiantes" e um "vocal ardente" de Bono.[182] O som do U2 começou com raízes do pós-punk, instrumentais minimalistas e menos complicada de ser ouvida em Boy (1980) e October (1981), evoluindo em War (1983) para incluir aspectos do rock, do funk, ritmo dance, para tornar-se mais versátil e agressivo.[183] Boy e War foram rotulados como "forte e agressivo" pela revista Rolling Stone,[40] influenciado em grande parte, pela produção de Lillywhite. The Unforgettable Fire (1984), que começou com The Edge tocando mais nos teclados do que na guitarra, bem como o acompanhamento de The Joshua Tree (1987), tinha Brian Eno e Daniel Lanois à frente da produção. Com sua influência, ambos os álbuns conseguiram uma textura variada.[40] As canções de The Joshua Tree e Rattle and Hum (1988), colocou mais ênfase no ritmo inspirado de Lanois à medida que a mistura distinta de estilos e variados da música gospel e blues, resultou no fascínio crescente da banda com a cultura americana, pessoas e lugares. Na década de 1990, a banda reinventou-se quando eles começaram a utilizar sintetizadores, distorções, batida eletrônica e derivados do rock alternativo, música industrial, dance e hip hop em Achtung Baby,[184] Zooropa (1993) e Pop (1997).[185] Na década de 2000, havia uma banda com um som mais despojado, com um ritmo mais tradicional e o uso de sintetizadores e efeitos.[186]
Letras e temas
"Coexist" ou "Coexistir", foi uma logo criada pelo artista polonês Piotr Mlodozeniec, formada pelos três símbolos das religiões abraâmicas: A letra "C" representando a lua crescente, símbolo do Islamismo (1); o "X" representando a Estrela de Davi, símbolo do Judaísmo (2) e; o "T" representando a cruz, símbolo do Cristianismo (3). Apresentação no México em 2006.
O cenário social e político, muitas vezes embelezadas com imagens cristãs e espirituais,[187] são aspectos importantes do conteúdo lírico da banda. Canções como "Sunday Bloody Sunday", "Silver and Gold" e "Mothers of the Disappeared" foram motivados por acontecimentos atuais do tempo. O primeiro, foi escrito sobre o Conflito na Irlanda do Norte,[188] enquanto que a terceira, diz respeito à luta de um grupo de mulheres cujos filhos foram mortos ou desaparecidos pelo governo durante a Guerra Civil de El Salvador.[189] A canção "Running to Stand Still" de The Joshua Tree, foi inspirado pelo vício em heroína que estava varrendo Dublin — a letra "I see seven towers, but I only see one way out" ("Eu vejo sete torres, mas vejo apenas uma saída"), refere-se à Ballymun Tower, do Norte de Dublin, e as imagens durante toda a canção, personifica as lutas do vício.[190]
Os conflitos pessoais e turbulências foram inspirados nas canções "Mofo", "Tomorrow" e "Kite". Um desejo emocional ou súplica, frequentemente aparece como um tema lírico,[177] em canções como "Yahweh",[191] "Peace on Earth", e "Please". Grande parte da composição e músicas do U2 também é motivado por contemplações de perda e angústia, juntamente com esperança e resiliência, temas que são centrais em The Joshua Tree.[40] Algumas dessas ideias líricas foram ampliadas por Bono e das experiências pessoais da banda durante a sua juventude na Irlanda, bem como a campanhas e ativismos mais tarde, em suas vidas. A banda têm usado turnês, tais como Zoo TV e Popmart Tour, para demonstrar as tendências sociais, tais como meios de sobrecarga e do consumismo, respectivamente.[185]
Embora a banda e seus fãs muitas vezes afirmarem a natureza política de suas músicas, as letras e as canções do U2 têm sido criticadas como apolíticos, por causa de sua imprecisão e "imagens distorcidas", e a falta de qualquer referência específica a pessoas reais ou personagens.[192]
Influências
A banda cita The Who,[193] The Clash,[194] Television, Ramones,[195] The Beatles,[196] Joy Division,[197] Siouxsie and the Banshees,[198] Elvis Presley,[199] e Patti Smith[200] como influências. Van Morrison foi citado por Bono como uma influência[201] e sua influência sobre o U2 é apontado no Rock and Roll Hall of Fame.[202] Outros músicos e bandas como Coldplay,[203][204] Snow Patrol,[205][206] The Fray,[207][208] OneRepublic,[209][210] The Academy Is...,[211] The Killers,[212] 30 Seconds to Mars,[213] Switchfoot,[214] Sanctus Real,[215] Your Vegas,[216] e Angels and Airwaves,[217] citam o U2 como influência.
A banda também trabalhou e/ou tinha relações influentes com artistas como Johnny Cash, Green Day, Leonard Cohen, Bruce Springsteen, B. B. King, Lou Reed, Luciano Pavarotti,[218] Bob Dylan, Elvis Costello, Wim Wenders, R.E.M., Salman Rushdie e Anton Corbijn.
Campanhas e ativismo
Bono com o ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush em fevereiro de 2006, na National Prayer Breakfast (acima); U2 com a presidente do Brasil Dilma Rousseff, na cidade de Brasília, em abril de 2011 (
Desde o início da década de 1980, os membros do U2 — como uma banda e individualmente — têm colaborado com outros músicos, artistas, celebridades e políticos para tratar de questões relativas à pobreza, doença e injustiça social. Em 1984, Bono e Adam Clayton participaram do Band Aid, com intuito de arrecadar dinheiro para a fome na Etiópia em 1984–1985. Esta iniciativa produziu um single de sucesso, "Do They Know It's Christmas?", que seria a primeira entre várias colaborações entre o U2 e Bob Geldof. Em julho de 1985, a banda tocou no Live Aid, um acompanhamento aos esforços do Band Aid. Bono e sua esposa, Ali, a convite da World Vision, mais tarde, visitou a Etiópia, onde testemunhou a fome em primeira mão. Bono diria mais tarde que estabeleceu as bases para sua campanha da África e alguns de seus compositores.
Em 1986, o grupo participou da turnê A Conspiracy of Hope com apoio sobre a Anistia Internacional e no Self Aid para o desemprego na Irlanda. No mesmo ano, Bono e Ali Hewson também visitaram a Nicarágua e El Salvador, a convite do Movimento Santuário, e viu os efeitos da Guerra Civil de El Salvador. Estes eventos de 1986 influenciaram grandemente o álbum The Joshua Tree, que estava sendo gravado no momento.[59][220] Em 1992, a banda participou do concerto Stop Sellafield com o Greenpeace durante a turnê Zoo TV.[221] Os eventos em Sarajevo durante a Guerra da Bósnia, inspirou a música "Miss Sarajevo", que estreou em setembro de 1995 com Pavarotti e amigos em show, e que, Bono e The Edge realizaram pelo War Child.[222] Uma promessa feita em 1993 foi mantida quando a banda tocou em Sarajevo como parte da turnê Popmart, em 1997.[223] Em 1998, eles tocaram em Belfast, dias antes da votação sobre o Acordo da Sexta-Feira Santa, trazendo os líderes políticos da Irlanda do Norte, como David Trimble e John Hume ao palco, para promover o acordo.[224] Mais tarde naquele ano, todos os rendimentos a partir do lançamento do single "Sweetest Thing", seria no sentido de apoiar o Projeto Internacional Infantil de Chernobyl.
Em 2001, a banda dedicou "Walk On" para a líder pró-democrática birmanesa Aung San Suu Kyi.[225] No final de 2003, Bono e The Edge participaram do HIV/AIDS na África do Sul, na série de concertos 46664, hospedado por Nelson Mandela.[226] A banda tocou em 2005 no concerto do Live 8 em Londres. A banda e Paul McGuinness foram premiados com a Anistia Internacional com o Prêmio Embaixador da Consciência para o seu trabalho na promoção dos direitos humanos.[227] Desde 2000, Bono inclui a campanha Jubilee 2000 com Bob Geldorf, Muhammad Ali e outros para promover a anulação da dívida de terceiro mundo durante o Grande Jubileu. Em janeiro de 2002, Bono co-fundou a ONG multinacional, DATA, com o objetivo de melhorar o estado social, político e financeiro da África. Ele continuou suas campanhas para a dívida e o alívio do HIV/AIDS em junho de 2002, fazendo visitas de alto nível para a África.[228][229]
Logotipo da ONE, ONG fundada em 2004, co-fundada por Bono.
A Product Red, uma marca com fins lucrativos para arrecadar fundos para o Fundo Global, foi fundada, em parte, por Bono. A ONE, originalmente em contrapartida ao Make Poverty History, foi moldada por seus esforços e visão.[230] No final de 2005, após o Furacão Katrina e o Furacão Rita, The Edge ajudou a introduzir o Music Rising, uma iniciativa para levantar fundos para os músicos que perderam seus instrumentos musicais na tempestade na parte que banha a Costa do Golfo.[231] Em 2006, o U2 colaborou com a banda pop punk Green Day para gravar um remake da canção "The Saints Are Coming", da banda escocesa The Skids, para beneficiar o Music Rising.[232] O U2 e o ativismo social de Bono não ficaram sem críticas, no entanto, vários autores e ativistas que publicam em revistas politicamente esquerdistas, como a CounterPunch, criticaram o apoio de Bono às figuras políticas, como Paul Wolfowitz,[233] bem como o seu "paternalismo essencial".[234] Outras fontes de notícias em geral, têm questionado mais a eficácia da campanha de Bono para aliviar a dívida e prestar assistência a África.[235] Ativistas de impostos e desenvolvimentos também criticaram a mudança da banda da Irlanda para a Holanda com o intuito de reduzir a sua dívida fiscal.[236]
Em novembro de 2014, Bono participou do vocal da canção "Do They Know It's Christmas?" do Band Aid 30, junto com vários músicos, como o vocalista da banda Coldplay, Chris Martin, Ed Sheeran, One Direction, Paloma Faith, Ellie Goulding, Seal, Sam Smith, Sinéad O'Connor, Rita Ora, Emeli Sandé, Bastille, Olly Murs e os violinistas do grupo Clean Bandit, Milan Neil Amin-Smith e Grace Chatto, sendo produzido por Paul Epworth.[237] No início de dezembro de 2014, a banda irlandesa juntamente com Bruce Springsteen e Chris Martin (ambos substituindo Bono, devido o mesmo ter sofrido um acidente), realizaram um show surpresa na Times Square, em Nova Iorque, em celebração do Dia Mundial de Combate à AIDS.[238]
Outros projetos
Os membros do U2 têm realizado uma série de projetos paralelos, às vezes em colaboração com alguns dos seus companheiros de banda. Em 1985, Bono gravou a canção "In a Lifetime", com a banda irlandesa Clannad. The Edge lançou um álbum solo para a trilha sonora do filme Captive (1986),[239] que incluiu a participação vocal por Sinéad O'Connor, que antecede o seu próprio álbum de estreia por um ano. Bono e The Edge escreveram a canção "She's a Mystery to Me" para Roy Orbison, que foi destaque em seu álbum, Mystery Girl (1989).[240] Em 1990, Bono e The Edge forneceram a trilha sonora para o Royal Shakespeare Company London, na versão teatral de A Clockwork Orange (apenas uma faixa já foi lançada, como B-side do single de "The Fly"). Nesse mesmo ano, Mullen co-escreveu e produziu uma canção para a Seleção Irlandesa de Futebol na Copa de 1990, chamado "Put 'Em Under Pressure", que liderou as paradas musicais da Irlanda. Juntamente com The Edge, Bono escreveu a música "GoldenEye" para o filme do espião James Bond, GoldenEye (1995), que foi executado pela Tina Turner.[241] Clayton e Mullen retrabalharam na faixa-título do filme Mission: Impossible (1996).[242] Bono participou no vocal para a canção de Mick Jagger, "Joy", no seu álbum solo, Goddess in the Doorway (2001).[243] Bono também gravou uma reposição, quase um termo falado da versão do músico Leonard Cohen da canção "Hallelujah" para o álbum de tributo Tower of Song (1995). Além disso, em 1998, Bono colaborou com Kirk Franklin e Crystal Lewis (junto com os artistas R. Kelly e Mary J. Blige) para uma música gospel de sucesso, chamado "Lean on Me".
Além de colaborações musicais, a banda trabalhou com vários autores. O escritor americano William S. Burroughs teve uma aparição do videoclipe da canção "Last Night on Earth" pouco antes de falecer.[244] Seu poema "A Thanksgiving Prayer" foi usada como imagens de vídeo durante a turnê da banda, Zoo TV. Outros colaboradores incluem William Gibson e Allen Ginsberg.[245] No início de 2000, a banda gravou três canções para a trilha sonora do filme The Million Dollar Hotel, incluindo "The Ground Beneath Her Feet", que foi co-escrito por Salman Rushdie e motivados por seu livro de mesmo nome.
Where The Streets Have No Name, I Will Follow, Trip Through Your Wires, I Still Haven't Found What I'm Looking For / Exodus (snippet), Gloria, MLK, The Unforgettable Fire, Sunday Bloody Sunday, Exit / Van Morrison's Gloria (snippet), In God's Country, Helter Skelter, Help, Bad / Ruby Tuesday (snippet) / Sympathy For The Devil (snippet), October, New Year's Day, Pride (In The Name Of Love)
encores: Bullet The Blue Sky, Running To Stand Still, Silver And Gold, Spanish Eyes, With Or Without You, 40
Em 2007, Bono apareceu no filme Across the Universe (2007) e cantando as canções dos The Beatles. Em 2011, Bono e The Edge também escreveram e compuseram canções para a trilha sonora de Spider-Man: Turn Off the Dark (2011). Além disso, The Edge criou a música-tema para a 1ª e 2ª temporada da série animada The Batman.[247]
Legado
Ver artigo principal: Lista de prêmios e indicações recebidos por U2
A Rolling Stone classificou The Edge e Bono entre os maiores guitarristas e cantores, respectivamente.
O U2 vendeu mais de 150 milhões de discos, inserindo-os entre os artistas que mais venderam discos de todos os tempos,[248] com 51,5 milhões de unidades certificadas pela RIAA, sendo o 21º recordista de vendas de discos nos Estados Unidos.[249] O quinto álbum de estúdio, The Joshua Tree (1987), está classificado como um dos álbuns mais vendidos nos Estados Unidos, depois de ter vendido mais de dez milhões de cópias,[250] e está também entre os álbuns mais vendidos do mundo, com vendas de 25 milhões de cópias.[251] A revista Forbes estima que a banda ganhou US$ 78 milhões entre maio de 2011 e maio de 2012, tornando-se o quarto artista musical mas bem pago.[252] A lista dos ricos do jornal The Sunday Times de 2013 estima a riqueza coletiva do grupo em mais de € 630 milhões de euros.[253]
A revista Rolling Stone classificou a banda como o 22º da lista dos "100 Maiores Artistas de Todos os Tempos",[4] enquanto que o ranking de Bono está na 32ª posição, de melhor cantor[170] e de 38º para The Edge, como melhor guitarrista.[254] Em 2010, oito das canções do U2 apareceram na Rolling Stone, em sua lista atualizada das "500 Melhores Canções de Todos os Tempos", com "One" como o ranking mais alto, na 36ª posição.[255] Cinco, dos doze álbuns de estúdio do grupo, foram classificados na lista de 2003, nos "500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos" pela Rolling Stone — The Joshua Tree liderando o ranking mais alto, na 26ª posição.[68] Em uma pesquisa da revista Q nomeou o grupo como o de maior gesto dos últimos 25 anos em 2011.[256] Em 2010, a VH1 classificou a banda na posição de número 19 na lista dos "100 Maiores Artistas Todos os Tempos".[257] Cinco dos 12 álbuns de estúdio do U2 estão presentes no ranking dos "500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos" pela revista Rolling Stone — The Joshua Tree na posição de número 27;[68] Achtung Baby na posição de número 63;[258] War na posição de número 223;[259] All That You Can't Leave Behind na posição de número 280;[260] e Boy na posição de número 417.[261] Refletindo sobre a popularidade da banda e o impacto mundial, Jeff Pollack, da The Huffington Post, disse: "Como The Who, antes deles, o U2 escreveu canções sobre coisas que foram importantes e ressoou com seu público".[262]
A banda recebeu seu primeiro Prémio Grammy com The Joshua Tree em 1988, ganhando 22 no total, de 34 indicações, mais do que qualquer outra banda.[67][263] Estes incluem o de "Melhor Performance de Rock por um Duo ou Grupo com Vocais", "Álbum do Ano", "Gravação do Ano" e "Melhor Álbum de Rock". A Indústria Fonográfica Britânica, concedeu ao U2, sete Brit Awards, cinco dos quais estão de "Melhor Grupo Internacional". Na Irlanda, o U2 já ganhou 14 Meteor Music Awards desde que a premiação começou, em 2001. Outros prêmios incluem American Music Awards, quatro MTV Video Music Awards, onze Q Awards, dois Prêmios Juno, três NME Awards e dois Prémios Globo de Ouro. A banda foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame no início de 2005.[119] Em 2006, todos os quatro membros da banda receberam o Prémio ASCAP por escrever as canções, "I Still Haven't Found What I'm Looking For" e "Vertigo.
U2 é uma banda irlandesa de rock formada no ano de 1976. O grupo é composto por Bono (vocal e guitarra), The Edge (guitarra, teclado e backing vocal), Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen Jr. (bateria e percussão). O som do U2, inicialmente enraizado no pós-punk, eventualmente cresceu para incorporar influências de muitos gêneros da música popular. Ao longo das mudanças do grupo, eles sempre têm mantido um som construído sobre instrumentos melódicos, com destaque para as texturas e acordes do guitarrista de The Edge e dos vocais expressivos de Bono. Suas letras, muitas vezes embelezadas com imagens espirituais, têm foco em temas pessoais e preocupações sócio-políticas.
O U2 foi formado no Mount Temple Comprehensive School quando os membros eram ainda adolescentes e com conhecimento musical limitado. Após quatro anos, eles assinaram com a gravadora Island Records e lançaram seu álbum de estreia, Boy (1980). Em meados da década de 1980, tornaram-se uma banda de sucesso internacional. Foram mais bem sucedidos com suas performances ao vivo do que com a venda dos álbuns, até lançarem o álbum The Joshua Tree (1987),[1] que, segundo a Rolling Stone, elevou a banda à estatura de "heróis para super-estrelas".[2] Reagindo à estagnação musical no final da década de 1980, à crítica de sua séria imagem e de sua transformação musical, o grupo se reinventou com o álbum Achtung Baby (1991), e o acompanhamento da turnê Zoo TV Tour. A banda integrou influências de dance music, música industrial e rock alternativo em seu estilo musical e performances, abraçando uma imagem mais irônica e auto-depreciativa. A experimentação continuou durante o resto da década de 1990 com níveis mistos de sucesso. O U2 recuperou a seu favor os fãs e os elogios dos críticos musicais logo após o lançamento de All That You Can't Leave Behind (2000) e How to Dismantle an Atomic Bomb (2004), que estabeleceu um som tradicional mais convencional para a banda. Em 2009 a 2011, a U2 360° Tour foi a turnê mais bem sucedida, liderando o ranking da digressão com maior vendas de bilheteria da história.
O grupo lançou 13 álbuns de estúdio e está na lista dos artistas com maior venda de álbuns do mundo, tendo vendido mais de 170 milhões de discos mundialmente.[3] Ganharam 22 Prémios Grammy, mais do que qualquer outra banda. Em 2005 o grupo foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame. A Rolling Stone classificou o U2 na posição de número 22 na lista dos "100 Maiores Artistas de Todos os Tempos", classificando-o a "Maior Banda do Mundo".[4] Por toda sua carreira, como banda e como indivíduos, fizeram campanhas pelos direitos humanos e causas filantrópicas, incluindo a Anistia Internacional, as campanhas ONE/DATA, Product Red, War Child e The Edge no Music Rising (2005).
- Научись играть на гитаре!
A banda foi formada em 25 de setembro de 1976.[6] Larry Mullen Jr., com quatorze anos de idade, postou um anúncio na escola Mount Temple Comprehensive High, em busca de músicos para uma nova banda; tendo a resposta de seis pessoas. Mullen ficou encarregado da bateria, com Paul "Bono" Hewson nos vocais; David "The Edge" Evans e seu irmão mais velho Dik Evans na guitarra; Adam Clayton, um amigo dos irmãos Evans no baixo; e inicialmente Ivan McCormick e Peter Martin, dois outros amigos de Mullen.[7] Mullen disse mais tarde como mandou no "The Larry Mullen's Band" por cerca de 10 minutos, e em seguida, Bono entrou e destruiu qualquer chance que ele tinha de estar no comando".[8] Logo depois, o grupo denominou o nome do grupo de "Feedback", porque era um dos poucos termos técnicos que eles conheciam.[9] Martin não retornou após o primeiro ensaio, e McCormick deixou o grupo dentro de algumas semanas. A maioria do material inicial do grupo era composto por covers, que a banda admitiu não ser seu ponto forte.[10] Algumas das primeiras influências sobre a banda foram surgindo no gênero punk rock, tais como The Jam, The Clash, The Buzzcocks e The Sex Pistols. A popularidade do punk rock convenceu o grupo que o conhecimento musical não era um pré-requisito para ser bem sucedido.[11]
Apresentação da banda tocando em Glasgow, Escócia, em 2015.
Em março de 1977, a banda mudou seu nome para The Hype.[8][12] Dik Evans, que era o irmão mais velho e também por já estar na faculdade, estava se tornando um integrante excluído em relação à banda. O resto do grupo seguia um pensamento de uma banda com quatro integrantes, sendo mais tarde, resultando na saída de Dik em março de 1978. Durante um concerto de despedida no salão da Igreja Presbiteriana, em Howth, contou com o grupo tocando covers, com Dik cerimonialmente saindo do palco. Os quatro membros restantes da banda completaram o concerto tocando o material original como "U2".[13] Steve Averill, um músico punk rock e amigo da família de Clayton, sugeriu seis nomes em potencial, a partir do qual, a banda optou por "U2", devido à sua ambiguidade, possibilidade de interpretações, e também porque era um nome que no mínimo, não gostavam de The Hype.[14]
No Dia de São Patrício, 17 de março de 1978, o U2 venceu em um show de talentos, em Limerick, Irlanda. O prêmio consistia em quinhentos euros, e tempo de gravar um demo em estúdio, que seria ouvido pela CBS da Irlanda, uma gravadora. Esta vitória foi um marco importante e de afirmação para a banda principiante.[13] O U2 gravou sua primeira fita demo no Keystone Studio, em Dublin, em maio de 1978.[15] A revista Hot Press foi influente na formação do futuro da banda; em maio, Paul McGuinness, que já havia sido introduzido à banda pela publicação do jornalista Bill Graham, concordou em ser o empresário da banda.[16]
O primeiro lançamento da banda, somente na Irlanda, foi um EP intitulado Three, sendo lançado em setembro de 1979, e foi um sucesso nas paradas musicais irlandesa.[17] Em dezembro de 1979, a banda realizou em Londres, os seus primeiros shows fora da Irlanda, embora eles não tivéssem a capacidade de ganhar a atenção do público e dos críticos musicais.[18] Em fevereiro de 1980, foi lançado o seu primeiro single, "Another Day", pela gravadora CBS. Entretanto, o single foi direcionado somente para o mercado irlandês.[19]
Apresentação de Bono na Noruega durante a turnê War Tour, em 1983.
A gravadora Island Records assinou com a banda em março de 1980, e em maio a banda lançou o seu segundo single, "11 O'Clock Tick Tock", e primeiro single lançado internacionalmente.[20] O álbum de estreia da banda, Boy (1980), foi lançado em outubro. Produzido por Steve Lillywhite, recebeu críticas positivas.[21] Embora as letras sem objetivo de Bono parecessem improvisadas, eles expressaram um tema comum: os sonhos e frustrações da adolescência.[22] O álbum incluía o primeiro single de sucesso da banda nos Estados Unidos, "I Will Follow". O lançamento de Boy foi seguida pela turnê Boy Tour, a primeira turnê do U2 pelo continente europeu e nos Estados Unidos.[23] Apesar de ter sido rude, os concertos demonstraram o potencial da banda, com os críticos dizendo que Bono era "carismático" e um grande homem apaixonado.[24]
O segundo álbum da banda, October, foi lançado em 1981, contendo amplos temas espirituais. Durante as sessões de gravação, Bono e The Edge consideraram a possibilidade em deixar a banda devido a percepção de conflitos religiosos.[25] Bono, The Edge e Mullen tinham se juntado em um grupo cristão em Dublin, chamado Shalom Fellowship, que os levando-os a questionar a relação entre a fé cristã e o estilo de vida no rock n' roll.[26] Bono e The Edge tiraram tempo entre as turnês e decidiram deixar o grupo cristão, em favor de continuar com a banda. A gravação foi ainda mais complicada com o roubo de uma maleta contendo as letras para várias canções de trabalho dos bastidores durante a apresentação da banda, em uma boate em Portland, Oregon.[27] O álbum recebeu críticas mistas e pouco tocadas nas rádios. O baixo número de vendas fora do Reino Unido colocou muita pressão sobre o seu contrato com a gravadora Island Records, centrado na melhoria da banda.[28]
Resolvendo as suas dúvidas do período de October (1981), a banda lançou War, em 1983.[29] Um álbum onde a banda transformou o "pacifismo em uma cruzada",[30] a franqueza na inflexibilidade no modo de tocar da guitarra em War, foi intencionalmente contraditório com o synthpop da época.[31] O álbum incluía o single "Sunday Bloody Sunday", uma canção com um contexto político, onde Bono líricamente tentou contrastar os acontecimentos do Domingo Sangrento (1972) com o Domingo de Páscoa.[32] A revista Rolling Stone descreveu que a música mostrava que a banda tinha capacidade de compôr canções profundas e significativas. War foi o primeiro álbum do U2 a apresentar a fotografia de Anton Corbijn, que permanece até atualmente como um dos fotógrafos do U2, tendo uma grande influência sobre sua visão e imagem política.[33] O primeiro sucesso comercial da banda, War, estreou na posição de número 1 no Reino Unido, e seu primeiro single "New Year's Day", foi o primeiro sucesso da banda fora da Irlanda ou do Reino Unido.[
Na subsequente War Tour, a banda realizou concertos lotados no continente europeu e nos Estados Unidos. A visão de Bono acenando uma bandeira branca durante as performances de "Sunday Bloody Sunday" tornou-se uma imagem ícone da turnê.[35] O U2 gravou o álbum ao vivo nesta turnê, Under a Blood Red Sky (1983), assim como o filme-concerto Live at Red Rocks: Under a Blood Red Sky (1983), sendo que ambos foram tocados por um longo período de tempo nas rádios e na MTV, ampliando a audiência da banda e mostrando suas proezas como um ato de viver.[36] Seu contrato com a gravadora Island Records estava chegando ao fim, e em 1984, a banda assinou uma renovação de contrato mais lucrativa. Eles negociaram o retorno de seus direitos autorais (de modo que eles possuíssem os direitos de suas próprias canções), um aumento em sua taxa de direitos, e uma melhoria geral em termos, à custa de um maior pagamento inicial.[37]
"Sabíamos que o mundo estava pronto para receber os herdeiros de The Who. Tudo o que tínhamos a fazer era continuar fazendo o que estávamos fazendo e, gostaríamos de nos tornar a maior banda desde Led Zeppelin, sem dúvida. Mas algo simplesmente não parecia estar certo. Sentimos que tínhamos uma maior poder do que qualquer outra banda grande, nós tínhamos algo único a oferecer".
— Bono, na nova direção de The Unforgettable Fire.
The Unforgettable Fire foi lançado em 1984. A música ambiente e o abstrato, que era na época, a mudança mais marcante na direção da banda.[39] O grupo temia que, após o evidente rock do álbum War e de sua turnê, eles estivessem em risco de tornar-se outro incômodo, como se representassem um slogan de bandas de rock arena.[40] Assim, procuraram a experimentação,[41] como Adam Clayton lembra: "Nós estávamos procurando por algo um pouco mais sério, mais artístico".[38] The Edge admirava o ambiente e as "obras estranhas" de Brian Eno, que, junto com seu engenheiro de áudio, Daniel Lanois, eventualmente concordou em produzir o álbum.
Em parte gravado no Slane Castle, The Unforgettable Fire foi lançado em 1984, no momento em que a mudança mais marcante da banda.[39] The Unforgettable Fire tem um som rico e orquestrado. Sob a direção de Lanois, Mullen tornou-se mais flexível na percussão, no funk e mais sutil; Clayton tornou-se mais subliminar no baixo; as seções rítmicas já não atrapalhavam, porém, fluía em apoio das canções.[43] Complementando a atmosfera sonora, as letras do álbum estavam abertas a muitas interpretações, oferecendo o que a banda chamou de "sensação de grande visão".[39] Devido a uma agenda lotada de gravações, Bono achava que as canções "Bad" e "Pride (In the Name of Love)", como se fossem um esboço/rascunho que não havia terminado.[44] "Pride (In the Name of Love)", era baseado em Martin Luther King Jr., sendo o primeiro single do álbum e tornando-se o maior sucesso da banda até então; inclusive sendo a sua primeira a entrar no top 40 dos Estados Unidos.[45]
Grande parte da turnê The Unforgettable Fire Tour mudou-se para arenas internas, em que a banda começou a ganhar a sua longa batalha para construir seu público.[47] As complexas texturas das novas canções gravadas do álbum, como "The Unforgettable Fire" e "Bad", foram difíceis de traduzir para performances ao vivo.[39] Uma solução foram os sequenciadores programados, já que a banda havia sido relutante em utilizar; mas que agora, eram usados na maioria das performances do grupo.[39] As canções do álbum tinham sido criticadas por serem "incompletas", "vagas" e "sem tema", porém, foi o melhor recebido pela crítica quando tocado ao vivo no palco.[48]
O U2 participou do Live Aid (1985), um concerto para o alívio da fome na Etiópia no Estádio de Wembley, em julho de 1985.[49] A performance da banda perante a 82 mil pessoas foi um ponto fundamental na carreira do U2.[50] Durante uma apresentação de 14 minutos da música "Bad", Bono pulou do palco para abraçar e dançar com uma fã, tendo uma audiência de milhões de telespectadores, observando o que Bono poderia fazer com o público.[51] Em 1985, a revista Rolling Stone chamou o U2 de a "banda da década de 1980", dizendo que, para um crescente número de fãs de rock n' roll, o U2 tornou-se um dos grupos mais importantes, se não, a mais importante".[37]
The Joshua Tree e Rattle and Hum (1986–1989)
Ver artigo principal: The Joshua Tree e Rattle and Hum
"A beleza selvagem, a riqueza cultural, o vago espírito e violência feroz da América, são explorados para o efeito atraente em praticamente todos os aspectos de The Joshua Tree — no título e na capa, o blues e os empréstimos evidentes do país na música... De fato, Bono diz que o 'desarmamento da mitologia americana' é uma parte importante do objetivo de The Joshua Tree."
— Anthony DeCurtis.[52]
Para seu quinto álbum, The Joshua Tree (1987),[53] a banda queria construir as texturas de The Unforgettable Fire (1984), mas ao vez de sair a experimentação do foco, eles procuraram um som mais duro na batida, dentro da limitação das estruturas musicais convencionais.[54] Consciente de que "o U2 não tinha tradição" e que seu conhecimento musical no seu início era limitado, o grupo aprofundou-se na raiz da música americana e da música irlandesa.[55] Amizades com Bob Dylan, Van Morrison e Keith Richards motivou a banda explorar o blues, música folclórica e música gospel, focando as habilidades de composições e letras de Bono.[56] Para seu quinto álbum, The Joshua Tree,[57] a banda queria construir as mesmas texturas de The Unforgettable Fire, mas buscavam um som mais difícil de atingir, usando as limitações das estruturas das canções.[58] Em 1986 a banda interrompeu suas sessões de gravação do álbum para servir como manchete na ação da Anistia Internacional da turnê A Conspiracy of Hope Tour. Ao invés de ser somente uma distração, a turnê acrescentou uma intensidade extra e foco para seu novo material.[59] Em 1986, Bono viajou para El Salvador e Nicarágua, vendo em primeira mão, o sofrimento dos camponeses intimidados em conflitos internos que foram sujeitos à política da intervenção americana. A experiência tornou-se uma influência importante no novo estilo musical.[60]
A árvore retratada no encarte do álbum The Joshua Tree. Adam Clayton disse: "O deserto era imensamente inspirador para nós, como uma imagem mental para este registro".[61]
The Joshua Tree foi lançado em março de 1987. O álbum sobrepõe a antipatia americana contra a profunda fascinação do grupo com o país, seus amplos espaços, liberdade e ideais.[62] A banda queria uma música com um sentido de localização e uma qualidade cinematográfica; queria a música do registro e as letras extraídas em imagens criadas por escritores americanos, cujos trabalhos a banda vinha lendo.[63] The Joshua Tree tornou-se um dos álbuns mais vendidos da história das paradas britânicas, liderando a Billboard 200 nos Estados Unidos por nove semanas consecutivas.[64] O primeiro dos singles, "With or Without You"[40] e "I Still Haven't Found What I'm Looking For", rapidamente tornaram-se o hit de número 1 do grupo, nos Estados Unidos. Eles tornaram-se a 4ª banda de rock a ser destaque na capa da revista Time,[65] que declarou o U2 como a "bilheteria mais quente do rock".[66] O álbum ganhou seus primeiros dois Prêmios Grammy,[67] trazendo à banda um novo nível de sucesso. Muitas publicações, incluindo a Rolling Stone, têm citado-os como um dos maiores do rock.[68] A The Joshua Tree Tour foi a primeira turnê em que a banda fez concertos em estádios, ao lado de arenas menores.[
O álbum e documentário Rattle and Hum (1988), continha imagens gravadas da turnê de The Joshua Tree, e que acompanha o álbum duplo de mesmo nome, inclui nove faixas de estúdio e seis performances ao vivo do U2. Lançado em outubro de 1988, o álbum e o filme foram concebidos como um tributo à música americana,[70] incluindo gravações no Sun Studios em Memphis e performances com Bob Dylan e B. B. King. Rattle and Hum teve uma performance modesta na bilheteria e recebeu críticas mistas de ambos os filmes e críticos musicais;[71] um editor da Rolling Stone falou da excitação do álbum; outros, descrevendo-a como "bombástica e equivocada".[72] O diretor do filme, Phil Joanou, o descreveu como "um olhar pretensioso do U2".[73] A maioria do novo material do álbum foi tocado em 1989, na turnê Lovetown Tour, fazendo shows na Austrália, Japão e Europa, porque a banda queria evitar a reação norte-americana. Além disso, eles cresceram insatisfeitos com suas performances ao vivo; Mullen disse: "Fomos os maiores, mas não fomos os melhores".[74] Com uma sensação de estagnação musical, Bono disse aos fãs em uma das últimas datas da turnê que era "o fim de algo para o U2", e que eles tinham que "ir embora [...] e tudo apenas como um sonho novamente".