Gênero: Southern Rock País de lançamento: EUA Ano de lançamento inicial: 1990 Editora (gravadora): Epic Número de catálogo: EK 46949 País do artista (banda): EUA
Lista de faixas: 01. Shake The House Down (04:14) 02. Ragtop Deluxe (03:19) 03. Whiskey Man (03:40) 04. Bounty Hunter (02:59) 05. Gator Country (06:17) 06. Flirtin' With Disaster (05:01) 07. Bloody Reunion (04:10) 08. Boogie No More (06:09) 09. Dreams I'll Never See (07:09) 10. Beatin' The Odds (03:39) 11. Edge Of Sundown (04:31) 12. Fall Of The Peacemakers (08:05)
Não nos podemos queixar. Mesmo. Ainda que não nos tenha chegado novo material da banda-mãe, os Capitão Fausto, não temos tido quaisquer razões de queixa. O quinteto lisboeta, após o lançamento da sua epopeia rock, não tardou a formar mais projectos (incluindo até uma editora), de modo a poderem lançar tudo o que deitam pra fora, sem medo de sujar a estética e o estatuto já grandinho do conjunto original.
Neste segundo EP, os Modernos (Wallenstein, Palha e Seabra) mantêm a linha do primeiro, sempre com uma despreocupação fresca e veraneante. A primeira canção, curta sequela para «Só Se Te Parecer Bem», do primeiro disco, entra de rompante para nos pedir que nos seguremos bem. «Eu Já Sei», respondemos. Bem-dispostos e tranquilos, prosseguem numa cantiga de coração tanto eufórica quanto passeio na praia a mascar pastilha elástica.
E, no rescaldo desse passeio, celebram o «Dia de Sol» – qual representação certeira do oásis soalheiro que se formou nos dias recentes, sempre com um piscar de olhos simples mas bem construído ao dia-a-dia banal e supérfluo de um qualquer ocidental.
O elixir das juventude que nem aos dez minutos chega termina com o hino «Casa a Arder» – referência a «Santa Ana»? Feita com um rock forte e esperançoso, com uma pitada de psicadelismo aqui e ali e um falsete que é um mimo, é o tema ideal para acabar em beleza este novo cheirinho que os Modernos nos trazem. Venha o próximo.
O que têm em comum Hitchcock, uma ex-colónia portuguesa e uma caveira com lâmpadas no lugar de olhos? A relação pode ser difícil de estabelecer, mas para os Old Yellow Jack tudo e nada têm a ver com nada e tudo. O seu universo musical sai para lá dos limites constantemente expansivos do cosmos que conhecemos e toma forma nas guitarras elegantes que misturam o psicadelismo lusitano dos Capitão Fausto com a fofice melódica de Mac DeMarco.
Guilherme Almeida, Filipe Collaço, Miguel Costa e Henrique Fonseca são os quatro rapazes que fizeram brotar este caldeirão mágico de bonitos momentos de pop e rock psicadélico. O seu primeiro EP é algo meritório para primeiro trabalho e é exemplo de bom gosto e de boas influências. A faixa de abertura que serve também de single, tem o nome de um filme – de dois, na verdade, com o remake – do génio Alfred Hitchcock. «The Man Who Knew Too Much» tem um começo excelente, com um baixo a entrar a deslizar por cima de um pequeno e congelado lago de teclados que rapidamente se descongela para dar lugar às guitarras brilhantes e à letra curiosa e críptica. A explosão dá-se no terço final da canção, com as guitarras e uma voz através de um megafone a tomarem a linha da frente e a darem a propulsão necessária para o foguetão descolar.
Em segundo lugar, «Murky Water» aparece-nos com as tais guitarras fofinhas à Mac DeMarco, repletas de pedais de um chorus meloso e feliz. Multifacetada, a segunda faixa do EP passa tanto pela bateria em marcha dos Sétima Legião até ancorar em bom porto, com delays ambiciosos e progressões de acordes à Tame Impala. «Luanda», num registo mais nostálgico, mantém as influências bem presentes, com teclados agudos bem reverberados.
«I Found Oil» acelera o passo e é a canção mais dançável do disco. É uma correria alegre de quem parece mesmo que descobriu um poço de petróleo, que acaba num oásis sonoro de calma instrumental, seguido de vinte segundos de pura loucura juvenil. Chegamos ao fim com «Two Lightbulbs In a Skull». A quinta e última canção tem especial destaque na viagem dos teclados por um qualquer planeta alienígena do Star Trek, repleto de maravilhas e revelações inacreditáveis.
Os Old Yellow Jack são mais uma prova de que a música em Portugal está melhor que nunca. O simpático EP de apresentação pode ser escutado em baixo, enquanto se esperam pelos concertos de apresentação, que com certeza não vão desiludir.
Editado em 2014, o disco de Faded Paper Figures passou relativamente despercebido num ano de grandes lançamentos e estreias. Relics é o quarto trabalho de estúdio do trio californiano, assumidamente synthpop, calorento e bem disposto.
Não sendo um álbum brilhante é, contudo, viciante. Desde o arranque mais tranquilo com «Breathing», passando para as guitarras em «Not The End Of The World (Even as We Know It)» é impossível não abanar o pé enquanto as faixas do disco vão passando. Talvez soem demasiado adolescentes mas os coros e os refrões são orelhudos e cumprem o objectivo de fazer um disco que seja agradável de ouvir, embora com pouca profundidade.
«Lost Stars» é, para mim, o melhor tema do álbum e onde melhor se nota a influência de grupos como os The Postal Service (soam extraordinariamente parecidos, mesmo na voz) ou até os Belle and Sebastian (antes deste novo disco).
Entre temas mais dançáveis e outros quase chamber pop com toques eléctricos o álbum vai evoluindo. «On The Line» também merece destaque, abusando dos sintetizadores. Em algumas faixas, como «Spare Me» soa demasiado a jogo de computador dos anos 80 mas a estranheza resulta – o refrão é, aliás, viciante.
A fechar, «Forked Paths» leva o disco para um ponto mais obscuro, bastante diferente das faixas anteriores. Faz pensar, aliás, com o piano quase sem efeitos, o que é que podemos esperar do próximo disco dos norte-americanos.
Que os Capitães da Areia já sabiam fazer óptimas melodias, todas elas Verão, pop e gelados fresquinhos, já o sabíamos desde O Verão Eterno dos Capitães da Areia. O que não sabíamos, e que agora não podemos ignorar, é que eles não são só isso (e já seria bem bom). Vamos por partes.
Este recém-nascido 2015 traz-nos A viagem dos Capitães da Areia a bordo do Apolo 70. Sim, esse Apolo 70, o nostálgico e decadente centro comercial ali para os lados da lisboeta Avenida da República. Significativamente, teve o seu auge nos anos 80, essa década em que tudo parecia fresco, novo e possível em Portugal, quando o país ainda se cruzava nas esquinas entre a ingenuidade de um modernismo inventado e o «progresso» e a forma de pensar que os milhões e os ditames da então chamada CEE haveriam de trazer, na década seguinte. E isso é significativo porque este disco é, todo ele, uma gigantesca e fenomenal homenagem aos anos 80 portugueses.
Agora, que esteticamente, e não só, procuramos todos um rumo, o regresso à loucura plástica dos anos 80 é uma solução natural. Já não tão natural é isso ser feito, de forma tão explícita e tão confortável, por uma rapaziada que provavelmente nem era nascida quando estavam a eclodir os ovos maravilhosos que agora homenageiam desta forma.
É um disco conceptual, no sentido em que conta uma história. É, na boa tradição dos álbuns conceptuais, uma viagem no espaço, que começa com a transformação do Apolo 70 numa gigantesca nave. A partir daí, aí vão eles, e nós a correr atrás, entusiasmados desde o primeiro momento em fazer parte desta viagem intergaláctica. Muito nos remete para 10.000 anos depois entre Vénus e Marte, e não falta uma simpática participação falada do mestre José Cid, ele próprio uma estimada relíquia dos anos 80, não necessariamente pelos melhores motivos musicais. Mas desengane-se quem esperar aqui um disco de rock progressivo/sinfónico. O cosmos dos Capitães da Areia é feito de sintetizadores pop até à medula, não há solos de guitarra nem demonstrações de virtuosismo. E ainda bem, porque a força desta banda é outra: as melodias pop simples e viciantes, e uma frescura que nos faz ter saudades de ser adolescente.
Entre as dezenas de convidados deste disco temos os muito vintage Rui Pregal da Cunha, Lena D’Água ou Miguel Ângelo; temos os valores seguros contemporâneos como Mel do Monte ou Samuel Úria; temos os grandes viajantes Capitão Fausto; e temos até coisas incompreensíveis como Toy ou o extraordinário Bruno Aleixo.
Todo percurso é guiado pelos Capitães da Areia que, entre as músicas, nos trazem pequenos interlúdios falados que servem de fio condutor da narrativa. E é aqui, juntamente com um ou outro tiro ao lado nas colaborações, que este fantástico disco perde a capacidade de ser tudo aquilo que poderia ser. Começando pelos trechos falados, que são o que realmente mais incomoda: a tenra idade da rapaziada aparece exposta, com conversas e expressões relativamente parvas que nos fazem ter vontade de lhes ir dar um carolo (se eu ouço mais alguma vez aquela frase do «Ai sim? Sim. Ah!» de «As Maravilhas do Universo» apetece-me apagar todas as coisas boas que já disse e ainda vou dizer sobre o álbum). Os momentos Bruno Aleixo estão a mais, mais uma ou outra parvoíce do género, o que deixa antever uma mão demasiado solta na produção, que não os soube travar a tempo.
Todo o disco tem uma aura de excesso, de um doce óptimo mas que quase não resistiria à tentação de juntar mais um ingrediente, desde os mais previsíveis aos mais improváveis. É tudo um excesso que nos remete para os Capitães da Areia atirando ideias para o ar em estúdio e concordando em inserir tudo o que ia sugerindo, sem um critério que pudesse dar mais solidez ao conjunto.
Ainda assim, soam apenas a pecados da juventude, este excesso, esta pica, esta tusa de querer morder o mundo e arrancar-lhe um bom pedaço. Como não relevar, como não perdoar, quando somos presenteados com delícias pop tão certeiras e tão mortíferas como «A Célebre Batalha de Cassiopeia», «A Partida Para o Espaço» ou «Ájax»? E há mais, muitas mais, num saco de guloseimas onde encontramos mais gomas apetitosas de cada vez que lhe metemos a mão.
Um disco mais curto (são 75 minutos), com menos tralha e muito menos conversa traria como resultado um álbum mais coeso e, eventualmente, ainda mais conseguido. Mas a verdade é que essa contenção é incompatível com o delírio pop que os Capitães da Areia aqui quiseram fazer, tudo um excesso encharcado em Heróis do Mar, Sétima Legião e até uma pitada das Doce. Como exigir a uma banda que faz deste voluntarismo, deste entusiasmo e desta ingenuidade de caos criativo que limite exactamente as características que os fazem tão únicos?
O ano de 2014 foi estrondoso para a nova música portuguesa. O ano de 2015, com A viagem dos Capitães da Areia a bordo do Apolo 70, sobe ainda mais a fasquia que já era elevadíssima. Temos, perante nós, um dos melhores discos portugueses em muitos anos. Como diz um dos escritores do Altamont, «não há guilty pleasures, só pleasures». Ouvindo este disco, não podemos senão concordar, e dançar.
Um último conselho. Este disco vicia à primeira e pede audições repetidas. Será difícil resistir a um álbum tão guloso, mas é um crime consumi-lo enquanto Portugal vive debaixo de chuva e frio. Vou tentar esquecê-lo (ok, só ouvir uma ou outra música…) e finalmente metê-lo no carro quando o nosso querido Verão estiver entre nós, com todo o seu juvenil esplendor.
Porque duma coisa tenho a certeza: o Verão de 2015, pelo menos, foi feito para desfrutar a bordo desta esfusiante Apolo 70.
O primeiro longa duração dos portugueses Imploding Stars é uma ode post-rock. Reconhecemos em cada faixa do grupo de Braga a influência de grupos como os Explosions in The Sky ou God Is an Astronaut.
A Mountain and a Tree é um disco poderoso e cheio e para ser ouvido de uma assentada. São oito canções mas que, ouvidas de seguida, se tornam todas elas num único tema com diferentes intensidades.
A abrir temos logo «Unquiet Breeze», que arranca com a impetuosidade de quem quer mostrar tudo ao início mas depois logo acalma para uma guitarra simples, quase dedilhada, no clássico toque post-rock que consegue emocionar de simplicidade. E logo a densidade aumenta com a entrada das restantes guitarras, mais pesadas, cheias de electridade e uma bateria completa, que preenche os vazios sem se sobrepor às cordas.
Os Imploding Stars quiseram explorar a relação entre a Natureza e o Homem e conseguimos sentir essa dicotomia ao longo do disco, com as diferentes alterações de intensidade e de grandeza. Mesmo os nomes das músicas apelam aos elementos, ouvimos vento, sentimos mar, vulcões e terramotos.
E é nesta faixa inicial que percebemos o que vai ser este disco: cheio de guitarras e onde se descobrem, entre os acordes, explosões, calma, sonolência, um dia solarengo e, se ouvirmos mesmo com muita atenção até conseguimos descortinar o que pode ser gotas de orvalho, se o orvalho soasse a alguma coisa. «Awaken Forest» prossegue esta continuidade: se não estivermos atentos ao passar das faixas é fácil não percebermos quando termina uma música e arranca a seguinte. A faixa seguinte, que dá nome ao disco («A Mountain and a Tree») não podia ter o nome mais apropriado: é como se nos sentíssemos no silêncio de uma floresta onde lentamente vão surgindo todos os sons.
É ao quarto tema que o disco atinge o seu momento mais sublime: «Earthquake» é melancólico, é poderoso, é a Natureza a expressar-se através das guitarras estranguladas. Esperamos o crescendo, a explosão, a réplica durante a música toda mas o clímax não acontece e deixa-nos tensos e em suspenso. Acelera um pouco, apenas, com a guitarra a marcar a urgência para logo abrandar até quase ao silêncio, apenas dedilhado. E então sim, o som cresce e liberta a tensão toda que tínhamos acumulado durante a primeira parte da música.
O álbum vai prosseguindo neste registo ao longo de faixas como «Across Distant Seas». A fechar os Imploding Stars reservam mais uma surpresa: «Beneath This Tired Ground» é negro, pesado, dramático. As guitarras deixam de ser densas e passam a trémulas, com a bateria vincada de intensidade melancólica. São 13 minutos de suster a respiração e que parece ter várias músicas dentro para terminar num tom mais luminoso, o sol a aparecer atrás das nuvens depois da tempestade.
A Mountain and a Tree entranha-se na pele e puxa à introspecção. Apetece ouvir muito, muitas vezes, de olhos fechados e auscultadores nos ouvidos, sem distracções, para assimilar cada acorde. Os Imploding Stars mostram, com esta estreia auspiciosa, o que de melhor se faz na cena post-rock portuguesa.
Biografia do Ardo Dombec: Pouco se sabe sobre o ARDO DOMBEC, exceto que foi uma banda alemã de rock progressivo do início dos anos 70 que lançou um álbum com uma sonoridade pesada, bluesy e com toques de jazz, resultando em um som quase totalmente alemão. Frequentemente comparados ao COLOSSEUM, sua música apresenta muito saxofone, muitas vezes acompanhado por guitarra elétrica e flauta. Seus arranjos são animados e vibrantes, mas as letras são bastante sombrias e cínicas em contraste. A banda era formada por Helmut Hachmann no saxofone e flauta, Harald Gleu na guitarra e vocais, Wolfgang Spillner na bateria e vocais, e Michael Ufer no baixo.
Seu único CD, intitulado simplesmente "Ardo Dombec" (1971), reúne praticamente tudo o que a banda já gravou. Às vezes, seu material jazzístico flerta com o pop e, em outros momentos, soa francamente barroco. A banda obviamente aprecia ritmos estranhos e complexos, ao estilo do SOFT MACHINE. Embora pareçam privilegiar as faixas vocais (que não são exatamente o seu forte), é nas seções instrumentais que eles realmente brilham. Tecnicamente falando, a qualidade musical é bastante boa, mas as composições podem carecer um pouco de inspiração e empolgação.
Não é um álbum essencial, de forma alguma, mas certamente vale a pena ouvir, nem que seja apenas pelos grooves marcantes do sax de Hachmann.
O ARDO DOMBEC lançou este único álbum de estúdio em 1971. A banda era alemã e era um quarteto formado por guitarra/vocal, baixo, flauta/saxofone e bateria. O saxofone se destaca bastante, muito mais do que a guitarra ou a flauta, que também têm seus solos. Os vocais são razoáveis e em alemão, e a capa do álbum é um desperdício. A música simplesmente não me impressiona. Eu ia dizer que é "baunilha", mas baunilha é o meu sorvete favorito, e este álbum não me agrada. Dei risada da faixa de 8 segundos chamada "Oh, Sorry", que apresenta ruídos experimentais antes de um som de arranhão, e então ele diz "Oh, sorry". Não há nenhuma faixa que se destaque para mim neste álbum. Como eu disse, a guitarra não está tão em evidência quanto eu esperava, mas temos um solo legal logo no primeiro minuto de "Supper Time" e, na faixa final, um solo de guitarra surpreendente aos 4 minutos, onde ele arrasa. Há também um pouco de gaita em "Down-Town-Paradise-Lost". Há também vocais acelerados em algumas faixas de 2 minutos e meio. Outros já mencionaram, e eu concordo, que este álbum soa mais como Proto-Prog do que Krautrock. Portanto, uma nota baixa de 3 estrelas para este.
Biografia de Neil Ardley: Neil Ardley foi um músico e compositor londrino da década de 1960, que compôs e tocou primeiro para a John Williams Big Band e depois para a New Jazz Orchestra, onde gravou com nomes como Jack Bruce, David Greenslade e muitos outros. Ele foi pioneiro em um estilo de composição que mesclava métodos clássicos com a espontaneidade do jazz.
Na década de 1980, Ardley aventurou-se na música eletrônica e, nos últimos anos, concentrou-se em peças vocais e corais. Ardley faleceu aos 66 anos, em 2004.
O intelectual britânico Neil Ardley compõe jazz-rock complexo e, em seguida, conta com a ajuda de muitos músicos experientes (muitos dos quais haviam servido nas fileiras do Nucleus de Ian Carr).
Lado 1: 1. "Prólogo/Rainbow One" (10:25) camadas e mais camadas de arpejos minimalistas executados polirritmicamente em forma de rondó — até 3:05, quando todos se unem em uma jam incrível ao estilo de Don Ellis, Earth, Wind & Fire e Average White Band. E então, a maior peculiaridade de todas (especialmente para uma música de Jazz-Rock Fusion) é o fato de que os primeiros solos instrumentais só começam no sétimo minuto! (De Ian Carr, é claro.) Muito interessante — e agradável! (18,75/20) 2. "Rainbow Two" (7:35) um dueto suave de baixo acústico e flauta abre esta faixa antes da entrada dos instrumentos de sopro. Embora matematicamente interessante, eventualmente, a música suave e cadenciada se torna um tanto soporífera. (13,25/15)
Lado 2: 1. "Rainbow Three" (3:28) O violoncelo, à la Jean-Luc Ponty, assume o protagonismo sobre uma trama rítmica percussiva e afro-folk, composta por bateria, percussão e baixo elétrico com pegada funky. Tudo desacelera no final para um desfecho bastante suave. (8,875/10)
2. "Rainbow Four" (6:15) Esta faixa começa soando como uma fusão de jazz tradicional com minimalismo moderno, mas então tudo se transforma em uma música no estilo de Sketches of Spain, com trompete, flautas e outros instrumentos de sopro em solos que se entrelaçam em uma belíssima balada com sonoridade espanhola. Melodias absolutamente lindas, executadas com uma inventividade incrível na construção de um coral. Solo de saxofone soprano no quarto minuto. A dor e a angústia do solista se tornam extremamente poderosas no quinto e sexto minutos! Música não fica muito melhor do que isso! (10/10)
Lado 3: 1. "Rainbow Five" (4:25) soa como uma fusão moderna da big band ORCHESTRA de DON ELLIS com um som suave do Weather Report. Ótimo solo de clarinete no primeiro e único solo extenso da música. Termina com outro motivo peculiar de metais executado por toda a banda. (9/10)
3. "Rainbow Six" (7:39) Flautas e outros instrumentos de sopro vibram uns ao redor dos outros como borboletas antes da entrada do baixo elétrico, vibrafone, percussão manual e metais, criando ondas suaves com texturas que lembram Kind of Blue. O baixo e a guitarra jazz são os únicos elementos que interrompem essas ondas suaves de sopro — o baixo criando uma atmosfera que remete a Eberhard Weber. No terço final da música, as ondas ondulantes dos instrumentos de sopro começam a mostrar um toque minimalista. Bela melodia. Uma composição muito interessante. (13,5/15)
Lado 4: 1. "Rainbow Seven/Epilogue" (14:58) soa e parece uma espécie de mistura de vários (se não todos) os temas e estilos das outras músicas — a parte do epílogo definitivamente espelha a abertura em uma variação reorientada. Um pouco mais lenta e espaçosa que o lado de abertura, há um ótimo trabalho de guitarra e piano elétrico (que não era tão presente nas músicas anteriores). Adoro o som pulsante do baixo e o sopro de big band. O extenso solo de guitarra de Ken Shaw é um pouco jazzístico demais e não tão rock 'n' roll, e então vem o solo de sax de Brian Smith. Faltando quatro minutos para o final, há uma mudança completa para um tema totalmente novo e diferente, com baixo e bateria conduzindo a banda a um ritmo que acelera quase imperceptivelmente, com os metais e outros instrumentos acompanhando e enriquecendo a música. (27/30)
Tempo total: 54:46
Um álbum com composições maravilhosamente nítidas e limpas, executadas e gravadas com igual definição e clareza. Com nenhuma faixa ultrapassando 18 minutos — e três com menos de 15 minutos —, não é de se admirar que a qualidade do som seja tão excelente.
Nota A-/cinco estrelas; uma pequena obra-prima de fusão jazz-rock primorosamente elaborada — um álbum que acredito que todo amante de prog vai adorar.
Biografia do Arcturus Formada em Oslo, Noruega, em 1987 (originalmente chamada Mortem) - Dissolvida em 2007 - Reformada em 2011.
Em 1987, Steinar Johnsen (Sverd), Jan Axel Blomberg (Hellhammer) e Marius Vold formaram uma banda chamada MORTEM. Sverd na guitarra, Hellhammer na bateria e Vold no baixo. Eles lançaram uma fita demo e um EP de 7 polegadas antes de 1990, não se conhecem outros trabalhos da banda. Em 1990, o nome foi alterado para ARCTURUS. Eles mudaram seu estilo do death metal à la Mortem para o black metal, sua origem. Entre 1990 e 1993, mantendo a mesma formação, a banda lançou "My Angel",
ainda um trabalho inicial, antes que pudessem demonstrar todo o seu potencial.
Em 1993, uma mudança repentina aconteceu. Sverd abandonou a guitarra e retornou ao seu instrumento principal, o teclado. Samoth foi contratado como novo guitarrista e Kristoffer Rygg (Garm) juntou-se à banda nos vocais. O mini-CD "Constellation" foi lançado antes da saída de Samoth em 1994. Carl August Tideman (do TRITONUS e WINDS) na guitarra juntou-se à banda para gravar "Aspera Hiems Symphonia", juntamente com Skoll, do ULVER, no baixo. A banda lançou um álbum muito interessante neste caso. Álbum recomendado para quem gosta de Death Metal ou Black Metal, mas duvido que a maioria dos ouvintes de metal progressivo tire muito proveito dele. Sua música é única, pois mostra como vocais guturais e instrumentos simplistas podem dar origem a uma música interessante. As letras são curtas e simples; a banda ainda não apresentou muita complexidade, mas está um passo à frente de outras bandas de Black Metal. Como Carl esteve na banda apenas para esse álbum específico, Knut Magne Valle assumiu as guitarras e permanece na banda até hoje.
A formação atual é composta por Sverd nos teclados, Hellhammer na bateria, Garm nos vocais e Knut nas guitarras.
No final de 1996, a banda começou a gravar "La Masquerade Infernale", onde atingiu seu auge. Há um uso extensivo de teclados com vários efeitos, sons de violoncelo que se destacam em algumas faixas e assumem o protagonismo em uma delas, mostrando como instrumentos acústicos além das guitarras podem se encaixar no Black Metal. As acrobacias vocais atingem um ponto interessante neste álbum, oferecendo uma sonoridade muito sombria, mas estranhamente perversa. Canções melódicas. No geral, o álbum é muito sombrio, porém bastante extenso instrumental e vocalmente. O trabalho de composição de Sverd resulta em um álbum que soa como uma Mascarada Demoníaca Infernal (como o próprio nome sugere...).
Aqui mencionarei uma das faixas deste CD. "Chaos Path" é provavelmente uma das faixas mais singulares e poderosas de todos os lançamentos de Black Metal. Instrumentais incrivelmente pesados com ritmos de órgão marcantes sustentando a potência do baixo e do barítono de Knut (ao contrário da maioria dos guitarristas, o instrumento de escolha de Knut é um barítono com notas muito mais graves). Os vocais são muito caóticos, soando como duas vozes travessas. Travessas não significam necessariamente más; elas demonstram grande virtuosismo melódico, reforçando a atmosfera da música e trazendo a letra à tona de maneira caótica. No total, são quatro minutos e meio de "Chaos Path", com a letra falando sobre o caos (com pouquíssimas repetições), usando todas as formas mais sombrias para descrevê-lo, e o efeito musical criando a atmosfera desejada.
Pouco se ouviu falar da banda depois disso, mas em 2000 começaram as gravações de seu último lançamento. Concluído em 2002, "Sham Mirrors" foi lançado. Afastando-se ainda mais de suas canções sombrias, eles apresentaram "La Masquerade Infernale", um álbum com múltiplos solos de teclado extensos, instrumentação eficaz e vocais mais diretos. O álbum era mais acessível que seus lançamentos anteriores, mas ainda assim apresentava uma identidade própria. Menos voltado para uma música demoníaca e fervilhante, e mais para um ritmo acelerado, aproximando-se de lançamentos como "Light of Day, Day of Darkness" do Green Carnation. "Sham Mirrors" não alcança a mesma intensidade, mas desafia os instrumentais e a escuridão que pode envolver o ouvinte.
Em 2003, foi anunciado que Garm havia deixado a banda. Os vocais foram assumidos por Øyvind Hægeland, do Siral Architect. Nada se ouviu falar de suas músicas ainda, mas eles afirmaram que estavam começando a gravar um álbum com lançamento previsto para 2005.
No geral, "La Masquerade Infernale" e "Sham Mirrors" são os álbuns principais da banda, e seus trabalhos anteriores são desejados apenas pelos fãs. Para os fãs de Black Metal, este é um item indispensável. Quem se interessa por metal em geral também deveria se interessar por esta banda. Estes dois álbuns são obras de arte excepcionais, que incorporam intervenções clássicas em meio à sonoridade pesada e aos vocais caóticos do Black Metal. Faixas principais: Chaos Path, Alone, Ad Astra (instrumental), Star Crossed, Master of Disguise, Ad Absurdum, Nightmare Heaven. Quem aprecia um som pesado deve dar uma chance a esta banda; quem não gosta de metal em geral deve passar longe. O som deles é único, sem influências externas, poderoso, pesado, caótico, mas ainda assim melódico. Progressivo é o termo usado para descrever aqueles que extraem o melhor do estilo e expandem ao máximo o espaço sonoro, e é exatamente isso que o ARCTURUS com Sverd's Compositions fez.
Após o lançamento de Sideshow Symphonies, o Arcturus ficou uma década sem lançar álbuns de estúdio e retorna com este novo trabalho bastante sólido. Embora não apresente nenhuma faixa épica propriamente dita (todas as músicas têm menos de seis minutos), ainda oferece uma mistura de metal progressivo com toques de metal sinfônico e black metal. A inclusão de uma seção de cordas (a menos que meus ouvidos me enganem) permite que a banda realmente destaque seu aspecto sinfônico. Sebastian Grouchot participa como violinista, adicionando um toque melancólico a faixas como Crashland.
Assim como os álbuns anteriores da série Sideshow Symphonies, este não parece tão impactante e inovador quanto seus três primeiros álbuns de estúdio (incluindo o clássico Sham Mirrors). Ainda assim, se você gostou daqueles, provavelmente vai gostar deste também, e mesmo que outros músicos tenham explorado o território experimental do Arcturus, Arcturian continua sendo um exemplo refinado desse tipo de metal progressivo com nuances sombrias.
Em termos de títulos de álbuns do Arcturus, "Sideshow Symphonies" é bastante apropriado. "Symphonies" (Sinfonias) está presente no sentido de que a música está profundamente imersa em sonoridades progressivas, com apenas alguns indícios do estilo black metal de seus primeiros trabalhos, como nos clássicos Sham Mirrors ou La Masquerade Infernale (e estes estão mais profundamente enterrados do que nunca). E "Sideshow" (Show) no sentido de que este não soa como um álbum de primeira linha, digno de um grande evento do Arcturus.
Talvez parte do problema seja que o álbum explora um lado um pouco mais suave do som da banda, que, após os momentos bombásticos dos dois álbuns anteriores, pode parecer um tanto contido e tímido. Ainda assim, é um lançamento interessante por si só, com influências que vão de Pink Floyd (Shipwrecked Frontier Pioneer) a, juro, um toque de IQ (imagine Peter Nicholls cantando Hibernation Sickness Complete e você entenderá o que quero dizer), mas consigo compreender por que é um álbum deles frequentemente negligenciado.
"Fourth" (lançado em fev/71 - já comentado na postagem anterior - leia aqui) foi acompanhado de uma turnê pela Holanda e Alemanha, em mar/71, gravando no Gondel Filmkunst Theater, em Bremen, para o famoso Beat Club TV Show. Na volta, a banda seguiu fazendo shows pela Inglaterra (Guildford, Manchester, Londres, Brighton, Watford, Bournemouth, Newcastle-Upon-Tyne, Leeds etc.). Em jul/71, houve uma turnê pelos EUA (NYC, várias cidades de Ohio, Detroit/MI, Chicago/IL, Boston/MA, Houston e San Antonio no Texas) na qual as diferenças musicais quanto a direção musical do grupo saíram de controle e Robert Wyatt foi expulso em ago/71 (ele já vinha há algum tempo infeliz com suas ideias musicais sendo rejeitadas pelos outros). Ele participaria, na sequência, da big band Fusion Centipede, antes de formar sua própria banda, a Matching Mole (um trocadilho em francês para "Soft Machine", que ele alegou na época ter sido tirado do equipamento de iluminação de palcos "Matching Mole"). Em 73, ele teria o fatídico acidente na festa de Gilli Smyth (do Gong) que o deixaria paraplégico e embarcou numa elogiada carreira solo em 74. Wyatt foi substituído pelo baterista australiano Phil Howard. Com ele, a Soft Machine (agora Elton Dean, Hugh Hopper, Phil Howard, Mike Ratledge) excursionou pela Europa no final de 71 e começou a gravar o álbum seguinte, mas novas divergências musicais levaram Howard a ser demitido após a gravação do lado 1 de "Fifth" no início de 72, com o lado 2 sendo gravado por seu substituto, John Marshall. A banda seguiu em turnê pela Itália e França e "Fifth" só foi lançado em jul/72.
Neste álbum, a banda continuou seu progressivo distanciamento de sua mistura original de Rock psicodélico e Rock Progressivo em direção ao Jazz Fusion. Foi basicamente isto que gerou todo o conflito com Wyatt (insatisfeito com esta direção). "Third" já havia o incomodado, mas "Fourth" invadiu profundamente o território do Jazz-Rock e este "Fifth" apresentou a Soft Machine trabalhando quase completamente no idioma do Jazz. Na época da saída de Wyatt, o tecladista Mike Ratledge comentou que ele "nunca gostara ou aceitara trabalhar em compassos complexos". Entretanto, seu substituto escolhido, Phil Howard, provou também não ser o cronometrista que Ratledge e Hugh Hopper (baixo) tinham em mente e toda aquela orientação para o Free Jazz levou à sua demissão durante as gravações. Os ritmos propulsivos de Howard, no entanto, deram uma contribuição vital para o álbum. Composições de Ratledge como "All White" e "Drop", à medida em que ganhavam impulso, se fundiam em grooves de condução ("All White" era focada muito na performance no sax de Elton Dean, enquanto "Drop" mostrava o órgão cheio de Fuzz de Ratledge). Em certas partes do álbum, parecia haver um elemento de tensão entre a abordagem mais estruturada de Ratledge e Hopper e as inclinações de forma livre de Dean. Seu estilo mais solto e radical ficava enfatizado em "As If", outra canção de Ratledge. Sim, sei que há muitos roqueiros que preferem os lançamentos anteriores da banda por considerar tudo que veio de "Fourth" em diante menos atraente (e não estarem interessados tanto em Jazz), mas destaco não ser justo o descarte puro e simples. Claro, não era um álbum de Rock, nem mesmo de Jazz-Rock - era essencialmente um álbum de Jazz, com os músicos mais preocupados com as texturas e as interações, mas ainda assim um trabalho de alta qualidade. No final de 72, Dean saiu da banda e foi substituído por Karl Jenkins (que também tocava teclados, além dos saxes). Dean era um grande improvisador e estava ficando insatisfeito com as composições de Ratledge e Hopper, presas a riffs e ritmos, e ele desejava uma direção mais solta e livre.
"Six", lançado em fev/73, totalmente instrumental e com metade contendo material ao vivo. Foi um álbum duplo e o primeiro com Karl Jenkins (que eventualmente se tornaria o líder da banda e seu principal compositor após a saída do último membro original, Mike Ratledge, em 76). Tanto Karl Jenkins, quanto o baterista John Marshall haviam anteriormente sido companheiros no Nucleus, banda inglesa de Jazz-Rock liderada pelo trompetista Ian Carr. Agora, não existia mais a Soft Machine da época de Robert Wyatt. A banda era puro Jazz Fusion bem distante de qualquer coisa que parecesse Rock psicodélico. Esta "era Jazz" da Soft Machine, que começara no "Fourth", com estruturas musicais de improvisação livre dentro de um formato Fusion relativamente restrito, mudou muito com o novo membro Karl Jenkins, com seus saxes e suas composições, e seu foco total no Fusion. Metade ao vivo (gravado em Brighton e Guildford, em out-nov/72) e metade em estúdio (gravado no CBS Studios, em Londres, entre nov-dez/72), "Six" nunca irá interessar aos partidários da "era clássica", mas a dupla Jenkins-Marshall conduziu os veteranos Ratledge-Hopper através de exercícios Fusion até bem bacanas (para fãs do gênero).
Karl Jenkins, John Marshall, Mike Ratledge e Hugh Hopper
Hugh Hopper saiu em mai/73 (ele trabalharia com diversos outros grupos: East Wind, Isotope, Gilgamesh, Carla Bley Band, projetos cooperativos de Elton Dean, Pip Pyle, Phil Miller, diversos grupos voltados ao Jazz-Rock). As inevitáveis mudanças de direção musical e principalmente a perceptível diminuição de uma "estranheza" no som da anda levaram à saída de Hopper. Assim, ele explicou: "A Soft Machine se tornou uma banda de Jazz-Rock bastante comum, sem peculiaridades ou estranhezas suficientes. Eu era muito influenciado pelo 'Uncle Meat' e 'Hot Rats' do Zappa, mas todo aquele território Jazz-Rock depois foi se tornando bem desvalorizado. Para mim, as melhores composições eram uma soma de estranheza com boas ideias. Zappa era assim. Mas éramos bons músicos tecnicamente, porém sem aquela estranheza. Eu realmente não estava interessado na música que Jenkins, Ratledge e Marshall estavam interessados. E eles nem eram particularmente meus amigos. Então, as duas razões para se estar na banda desapareceram, isto é, tocar boa música que te interessa e ser amigo dos caras que estão contigo". Ele foi substituído por Roy Babbington (outro ex-Nucleus), que tocava um baixo de seis cordas, enquanto Karl Jenkins virou líder e principal compositor. As gravações para o álbum seguinte aconteceram em jul/73 no CBS Studios, em Londres.
Lançado em out/73, "Seven", manteve a linha Jazz Fusion (seria o último álbum deles com a sequência de títulos numerados e também o último pela Columbia Records). Jenkins impôs uma noção de que a banda deveria continuar avançando no Fusion. Ele pilotou o oboé, sax (barítono e soprano), gravadores, pianos (Fender Rhodes e Hohner Pianet), entretanto sem igualar Elton Dean como improvisador. Em "Seven", sete das doze faixas eram composições dele. Ratledge só compôs quatro e claramente abriu mão de sua liderança. Após o lançamento deste álbum, a banda trocou de gravadora (Columbia por Harvest). Em dez/73, Karl Jenkins pinçou o guitarrista Allan Holdsworth (outro ex-Nucleus) e a Soft Machine se tornou um quinteto: Roy Babbington (baixo), Allan Holdsworth (guitarra), Karl Jenkins (sopros e líder), John Marshall (bateria) e Mike Ratledge (teclados). A entrada de Holdsworth representou significativa mudança na sonoridade da banda já que a guitarra se tornou um instrumento proeminente (lembrando às vezes a Mahavishnu Orchestra, de John McLaughlin), diferenciando o novo som de tudo o que a banda já havia gravado antes (considerando-se também que a guitarra era um instrumento ausente dos álbuns da Soft Machine desde o "Volume Two", de 69).
Karl Jenkins, Mike Ratledge e John Marshall (atrás), Allan Holdsworth e Roy Babbington (frente)
Esta formação gravou "Bundles" em jul/74 (o álbum foi lançado em mar/75). Tendo somente Mike Ratledge como membro fundador e todos os demais membros tendo feito parte do Nucleus (um combo de Jazz-Rock inglês), este trabalho foi outro choque. Sim, na discografia da banda, esta fase Jazz-Rock é menos respeitada do que os três primeiros com Robert Wyatt. Há quem não goste de "Fourth" porque Wyatt não canta nele (e os vocais do baterista eram de uma lindeza extraordinária). Há quem não curta a banda depois que Hugh Hopper substituiu Kevin Ayers. Há quem deteste tudo após a entrada de Karl Jenkins. "Bundles" faz parte dos três últimos que a Soft Machine lançaria (seria o último com Mike Ratledge) - ainda haveria "Softs", de 76, e "Land of Cockayne", de 81. "Bundles" foi como um novo começo, considerando a mudança de gravadora, até mesmo o nome da álbum (quebrando a tradição de números), a adição do guitarrista Allan Holdsworth... Aliás, Holdsworth não perdeu tempo em impressionar com sua chegada. Tocando notas únicas em "Hazard Profile, Part One" (faixa de abertura baseada numa composição de Jenkins para o Nucleus), ele arrepiava insanamente rápido de uma maneira que qualquer outro teria dificuldades em acompanhar (putz, Holdsworth se colocava no nível de Fusion guitar players ases como John McLaughlin e Al di Meola, sem dúvida). E isto forneceu imediatamente o exato choque necessário. Se "Seven" era algo sem brilho, com Jenkins tocando seus sopros de maneira moderada e pouco assertiva, agora em "Bundles" aquela mesma formação acrescida de Holdsworth se tornara incendiária. Mike Ratledge abandonou seu antigo órgão com Fuzz e o trocou por um sintetizador analógico. Sim, o papel do tecladista vinha sendo cada vez menor, mas além do novo guitarrista, o baterista Marshall também resolveu soltar a mão conquistando o centro das atenções (vide na faixa "Four Gongs Two Drums"). No todo, "Bundles" trouxe um Jazz-Rock elegante e aerodinâmico que não remetia à clássica fase da Soft Machine, mas que abria uma tremenda nova perspectiva de futuro para a banda. Infelizmente, as coisas não fluíram tão bem assim e Holdsworth iria embora antes mesmo do álbum seguinte (na primavera de 75 para ingressar no The New Tony Williams Lifetime - banda fundamental no desenvolvimento do Fusion que contou com vários músicos notáveis de Jazz e do Rock), assim como Ratledge (em mar/76).