segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Al alba - Luis Eduardo Aute

 


Gostaria de começar esta resenha mencionando Rosa León, que iniciou sua carreira musical na década de 1970. Muitos se lembrarão dela com seus longos cabelos e óculos redondos, cantando canções infantis acompanhada de seu violão, canções que a tornaram muito popular na década de 1980. Mas essa era apenas uma de suas facetas. Rosa, que também compunha suas próprias canções, algumas verdadeiramente belas, ou interpretava as de outros, caracterizou-se, especialmente em seus primeiros anos, por um forte engajamento político e social. Em 1975, gravou "Al alba" (Ao Amanhecer), composta por seu amigo Luis Eduardo Aute e presenteada como "uma canção de amor". Esta bela canção possui significados e uma história muito particulares que ressaltam a verdade, frequentemente repetida, de que "a arte é liberdade", que as canções nascem e voam livres e abertas à sensibilidade, à realidade social e aos sentimentos daqueles que as ouvem, as internalizam e as fazem suas. Originalmente, para Aute, era uma canção de amor na qual ele expressava e comunicava uma dolorosa despedida ao amanhecer. Mas para Rosa, em 1975, após ter sido profundamente afetada — assim como milhares de outras pessoas — pelas execuções franquistas de 27 de setembro de 1975, ela pensou — ou talvez o sentimento tenha explodido dentro dela — que a canção poderia muito bem ser uma carta de amor escrita por qualquer um dos executados para seus entes queridos na véspera de sua morte. Rosa atribuiu simbolicamente esse sentimento e identificação à canção "Al alba" (Ao Amanhecer), transformando-a em um apelo comovente contra a pena de morte. Seus versos evocavam presságios sombrios e deixavam uma sensação de frieza interior, e a cantora deu-lhe sua própria interpretação, mais alinhada com o que Aute, consciente ou inconscientemente, pretendia escrever. E é verdade que toda a letra de "Al alba" está repleta de símbolos, de imagens que nos conduzem a uma mensagem final, escondida por trás de uma bela canção de amor. Seja como for, quando Rosa León cantou "Al Alba" em seus concertos, dedicou-a corajosamente aos condenados à morte, apresentando-a como "os últimos pensamentos ou a última carta que qualquer um dos executados poderia ter escrito". A canção escapou à censura franquista graças à visão limitada das autoridades, já que Aute submeteu várias canções para avaliação. Entre essas canções, a maioria era bastante explícita em sua crítica ao regime, e "Al Alba" foi vista como uma simples e inofensiva canção de amor. Acabou se tornando um hino de protesto e esperança para a nova era democrática na Espanha.

Em 1978, Luis Eduardo Aute incluiu sua canção no álbum "Albanta", produzido por Teddy Bautista. Ele interpretou a música de forma original, dando-lhe um toque diferente, como se vê neste vídeo de 1983, no qual se apresenta com o grupo folk-rock Suburbano, que foi sua banda de apoio por muitos anos. Falar de Luis Eduardo Aute é falar de uma figura cultural essencial em nosso país, que, além da música, explorou a pintura, a escultura, o cinema, a poesia e qualquer outra expressão artística que lhe viesse à mente, pois gostava de ser "pau para toda obra, mestre em nada". Era um homem tão sensível quanto sincero, o que transparecia em seu olhar, que eu tanto amava quanto sua voz. Talvez sem querer, Aute possuía um certo charme.


Exciter: A Reinvenção Íntima do Depeche Mode

 



Maio é o mês do Depeche Mode neste blog, e depois de revisitarmos algumas de suas obras mais icônicas, como Violator (1990), Songs of Faith and Devotion (1993) e Ultra (1997), é hora de mergulhar em Exciter  (2001), um álbum que marcou uma mudança radical em seu som. Produzido por Mark Bell (de Björk e LFO), este disco se destaca por seu minimalismo eletrônico, afastando-se da densidade sombria de seus antecessores para explorar texturas mais sutis e atmosféricas.  

Embora Exciter  não tenha tido o mesmo impacto comercial que suas obras-primas, é um trabalho fascinante que reflete uma banda em constante evolução, experimentando com sons orgânicos e eletrônicos em uma era em que o rock alternativo e o pop eletrônico estavam em pleno vigor.  

Após o período turbulento de Ultra (gravado em meio ao vício e à saída de Alan Wilder), Exciter  chegou em um momento de relativa calma para a banda. Dave Gahan, agora recuperado de seus problemas pessoais, contribuiu com um estilo vocal mais maduro e emotivo, enquanto Martin Gore continuou a explorar temas espirituais e relacionamentos humanos em suas letras.  

A inclusão de Mark Bell como produtor foi fundamental: seu foco em sons glitch, batidas hipnóticas e atmosferas imersivas deu a Exciter  uma identidade única dentro do catálogo da DM . Ao contrário de Violator (onde a música eletrônica era fria e pulsante) ou SOFAD (dominado por guitarras e gospel), aqui uma paleta de sintetizadores orgânicos, ritmos minimalistas e guitarras acústicas se entrelaçam com elementos digitais.  

1. "Continue Sonhe"  
O primeiro single do álbum é enganosamente acessível: uma batida trip-hop e violão criam uma base simples, mas os vocais de Gahan transmitem urgência e melancolia. A letra ("Dream on, dream on, boy, and make it real") soa como um mantra de esperança e desespero. Um começo promissor.  

2. "Brilho" 
Uma das joias escondidas do álbum. Com arranjos de cordas e um baixo profundo, a música tem uma atmosfera cinematográfica. Gore canta delicadamente sobre a fragilidade humana, enquanto sintetizadores criam uma paisagem sonora etérea.  

3. "A Condição Mais Doce"
Aqui, a música eletrônica assume uma pegada mais industrial, com um ritmo mecânico e distorções que remetem ao Ultra. Gahan entrega versos sensuais como "Eu gosto do seu jeito de olhar, eu gosto do seu jeito de respirar", conferindo um tom sedutor à atmosfera sombria da faixa.  

4. "Quando o Corpo Fala" 
Uma balada acústica com uma pegada quase folk. Gore e Gahan trocam vocais em uma canção que fala de conexão física e emocional. Os violões e os sintetizadores atmosféricos fazem dela uma das faixas mais tocantes do álbum.  

5. "A Noite Silenciosa"
A faixa mais "arriscada" do álbum: uma batida pulsante e letras explícitas ("Deixe-me ouvir você gemer") a levam para o techno sombrio. Não é a melhor música do Depeche Mode , mas demonstra sua disposição para experimentar.  

6. "Tema de amor"
Um interlúdio instrumental com influências de ambient e IDM. Serve como um respiro antes da segunda metade do álbum.  

7. "Amor Livre" 
O segundo single é uma das músicas mais completas do Exciter . O baixo proeminente e os vocais de apoio de Gore criam uma atmosfera sensual e melancólica. A versão do álbum é boa, mas o "Flood Mix" posterior (incluído na coletânea The Best Of) a elevou a outro patamar.  

8. "Comatoso"
Gore retorna aos vocais principais nesta faixa hipnótica, com um ritmo lento e sintetizadores que flutuam no espaço. Letras como "*Estou em coma, mas ainda respiro*" refletem uma mistura de devaneio e distanciamento.  

9. "Eu me sinto amado(a)"
O terceiro single é uma das poucas faixas dançantes do álbum, apresentando uma batida poderosa e uma linha de baixo que lembra o EBM. A letra ("Sua luz brilha em minha alma") contrasta com a produção suave, criando uma dualidade interessante.  

10. "Respire" 
Outra balada acústica, com Gore nos vocais principais. A atmosfera é intimista, quase como uma canção de ninar eletrônica.  

11. "Easy Tiger"
Uma experiência com ritmos quebrados e sons distorcidos. Não é a faixa mais memorável, mas contribui para a diversidade do álbum.  

12. "Eu Sou Você"  
Uma canção minimalista e espiritual. Gore e Gahan cantam em harmonia sobre a fusão de duas almas, enquanto os sintetizadores desaparecem lentamente.  

13. "Boa Noite, Amantes"
A faixa perfeita para encerrar o álbum. Uma balada coral com nuances eletrônicas de gospel, onde Gore e Gahan entrelaçam suas vozes em um hino sobre o amor como redenção ("You'll Be Angels Tonight"). A produção minimalista, com pianos sutis e um ritmo pulsante, confere à música um toque quase espiritual. Curiosamente, essa foi a única canção do álbum incluída na turnê Exciter, demonstrando seu impacto ao vivo.  

Exciter  recebeu críticas mistas. Alguns fãs o consideraram "muito suave" após a intensidade de Ultra, enquanto outros o elogiaram por sua maturidade e experimentação. Comercialmente, não foi um fracasso (9º lugar no Reino Unido, 8º nos EUA), mas não produziu grandes sucessos como seus antecessores.  

No entanto, com o tempo, Exciter  foi reavaliado. Sua influência pode ser vista em artistas como Massive Attack, Radiohead (na fase Kid A) e até mesmo no synth-pop posterior da década de 2010. Canções como "Freelove" e "Goodnight Lovers" continuam a repercutir em suas turnês, demonstrando que, apesar da recepção inicialmente morna, este álbum plantou as sementes para sua evolução futura.

"Goodnight Lovers" tornou-se um dos pontos altos de seus shows, e seu estilo de hino prenunciou o tom de álbuns posteriores como "Playing the Angel" (2005). Hoje, muitos fãs a lembram como uma das canções mais emotivas de seu catálogo posterior.  

Exciter não é o álbum mais impactante do Depeche Mode , mas é um dos mais ousados. Em vez de repetir fórmulas, a banda optou por explorar novos territórios: música eletrônica ambiente, folk sombrio e batidas glitch. Nem todas as apostas dão certo, mas o resultado é um disco intimista, sensual e atmosférico que merece ser ouvido novamente.  

Se Violator foi a sua obra-prima e Ultra o seu renascimento, Exciter  é o álbum que prova que o Depeche Mode nunca parou de evoluir. Num mês dedicado a eles, nada mais justo do que celebrar estes momentos menos óbvios, mas igualmente fascinantes, da sua carreira.  



domingo, 13 de setembro de 2026

As 10 melhores músicas de Daughtry de todos os tempos

 

Daughtry

Se você assistiu à quinta temporada do American Idol, provavelmente se lembra da decepção de ver Chris Daughtry terminar em quarto lugar. Mas Chris Daughtry nunca desistiu; ele se tornou um dos participantes mais bem-sucedidos da história do American Idol. Depois de recusar uma oferta para ser o vocalista da banda Fuel, Chris Daughtry anunciou que formaria uma banda em 2006. A banda foi um sucesso instantâneo, lançando vários hits logo após seu single de estreia, "It's Not Over". Aqui estão as dez melhores músicas de Daughtry de todos os tempos.

10. Waiting for Superman

A décima música da nossa lista das dez melhores músicas do Daughtry de todos os tempos é uma canção que conquistou o coração de muitas mulheres quando foi lançada. "Waiting for Superman" foi lançada como o primeiro single do álbum "Baptized", de 2013. A balada eletropop provou que o Daughtry entendia o que era preciso para ser um verdadeiro herói, lançando uma ótima música que conquistou o público.

9. Crawling Back to You


A nona música da nossa lista é a segunda faixa do álbum Break the Spell, de Chris Daughtry, lançado em 2011. Inicialmente, a canção seria incluída no álbum Leave This Town, de 2009, mas acabou ficando de fora da lista final de faixas. Após algumas revisões no refrão e ajustes na letra, a música foi finalmente incorporada ao álbum. Os vocais de Chris Daughtry são excelentes, e a letra, de sua autoria, é significativa.

8. Feels Like Tonight

"Feels Like Tonight" é uma das duas únicas músicas em que Chris Daughtry não participou do processo de composição. A música foi escrita por Max Martin e Dr. Luke, e, segundo Chris Daughtry, era pop demais. A canção acabou se tornando um grande sucesso, alcançando a 24ª posição na Billboard Hot 100 dos EUA. Devido à agenda de shows da banda, o videoclipe da música foi gravado em 48 horas em três locações diferentes na região norte de Los Angeles.

7. Start of Something Good


É um pouco difícil encontrar músicas que expressem o amor tão bem quanto esta. "Start of Something Good" foi lançada em 4 de setembro de 2012, no álbum "Break the Spell" de Daughtry, lançado em 2011. A música contém letras cruas e impactantes, acompanhadas por uma batida contagiante e os vocais impressionantes de Chris Daughtry. A letra transmite a importante mensagem de que não devemos nos apegar ao passado, pois o futuro pode representar o início de algo bom.

6. Life After You


Essa música foi oferecida a Chris Daughtry por Chad Kroeger enquanto ele estava em turnê com o Bon Jovi. Inicialmente, Chris Daughtry tinha dúvidas se a música combinava com a banda. No entanto, depois de um ano, ele não conseguia tirá-la da cabeça e, portanto, gravou uma ponte para a canção, que se tornou um grande sucesso. A música possui duas versões: uma para o álbum e outra para o videoclipe, que mostra uma multidão vibrando no final. A canção fala sobre um homem que ama tanto sua mulher que sabe que a vida seria vazia sem ela. A música alcançou grande sucesso na maioria das paradas musicais e foi usada como trilha sonora do filme Alpha and Omega 2: A Howl-iday Adventure.

5. Home


Essa música foi lançada em 2007 e está presente no álbum homônimo do Daughtry, que também é o mais vendido da banda. A incrível balada rock retrata Chris Daughtry refletindo sobre como seria a vida longe da família após ser aprovado nas audições. A canção alcançou o quinto lugar na parada Billboard Hot 100 dos EUA e recebeu três certificações de platina pela RIAA.

4. It’s Not Over


"It's Not Over" é o single de estreia do Daughtry, do álbum homônimo lançado em 2006. A faixa era um single cativante e sólido, sendo um dos singles de estreia mais impressionantes que você ouvirá. A música narra a história de um relacionamento que não está dando certo e é bastante similar a "Hemorrhage (In My Hands)" do Fuel, canção que Chris Daughtry apresentou no American Idol. A música estreou em 65º lugar na Billboard Hot 100 dos EUA e alcançou o quarto lugar na parada. A canção foi indicada ao Grammy de Melhor Canção de Rock e Melhor Performance de Rock por um Duo ou Grupo com Vocal.

3. What About Now


Essa balada foi escrita por Ben Moody e David Hodges, ex-integrantes da banda Evanescence. A música é bastante emocionante e é uma das minhas favoritas do Daughtry. O videoclipe mostra como pessoas em diferentes lugares são afetadas por desastres naturais, pobreza e outros problemas. A canção alcançou o 18º lugar na parada Billboard Hot 100 dos EUA e recebeu certificação de ouro no Reino Unido.

2. Over You


A segunda música da nossa lista das dez melhores músicas do Daughtry fala sobre ter o coração partido por alguém que você ama muito, mas também sobre a cura e a capacidade de seguir em frente com o tempo. A canção é considerada há muito tempo a favorita do primeiro álbum da banda, que leva o nome do grupo. Foi o terceiro hit da banda a entrar no Top 20, alcançando a 18ª posição na Billboard Hot 100 dos EUA.

1. September

A música número um da nossa lista é “September”, uma canção que leva Chris Daughtry de volta aos seus dias de verão em Lasker, onde cresceu. A música foi lançada como single porque Chris Daughtry queria que fosse lançada num momento em que tivesse um significado especial. O riff desta música foi composto por Chris Daughtry durante uma turnê com o Bon Jovi , com a contribuição de Josh Steely em algumas ideias para a letra. “September” é uma música incrível que trará de volta memórias da sua infância ou adolescência de uma forma reflexiva e inspiradora.

sábado, 12 de setembro de 2026

ROCK ART


 

JOE ELY & JOEL GUZMAN - LIVE CACTUS ! (2008)

 



Eles se conheceram pessoalmente em 1998, quando ambos participaram do grande reencontro Tex-Mex com Los Lobos, Flaco Jiménez e The Texas Tornados, apelidado de "Los Súper Seven". A partir daí, estiveram sempre ligados profissionalmente, colaborando em todos os projetos que surgiam, e não demorou muito para que a admiração mútua florescesse, levando a um projeto conjunto que agradou a ambos.
A escolha foi perfeita: um lendário clube de Austin, Texas, sem qualquer seção rítmica para que o acordeão, os vocais e a guitarra pudessem misturar sua incrível química neste Live Cactus de 2008! Uma apresentação acústica de um tipo que não se vê mais.
Infalíveis em capturar o espírito melancólico da música Tejano sem abandonar sua alegria característica, eles fornecem provas irrefutáveis ​​de que esses dois artistas deveriam retornar a um projeto como o que apresentamos hoje. Eles são necessários.
Treze músicas de imenso calibre.


    Joe Ely & Joel Guzman - Live Cactus! (2008)

Tracks :

01. Up on the Ridge  
02. Slow You Down  
03. Because of the Wind  
04. All Just to Get to You  
05. Miss Bonnie and Mr. Clyde  
06. Letter to Laredo  
07. Where Is My Love  
08. Ranches and Rivers  
09. All That You Need  
10. Wind's Gonna Blow You Away  
11. Maybe She'll Find Me  
12. I 'm a Thousand Miles from Home  
13. White Freightliner Blues  (with Ryan Bingham)

Line up :

Joe Ely : guitars & vocals
Joel Guzman : accordion

Recorderd live in Austin ,Texas ,Cactus Cafe 2008






Zwan - Live Pinkpop Festival, Netherlands, 09-06-2003

 




Zwan foi um supergrupo americano de rock alternativo formado em 2001 pelo guitarrista/vocalista Billy Corgan e pelo baterista Jimmy Chamberlin (ambos da banda Smashing Pumpkins).
Outros membros incluíam a baixista Paz Lenchantin (A Perfect Circle), além dos guitarristas David Pajo (Slint) e Matt Sweeney (Chavez).
A banda lançou apenas um álbum, "Mary Star of the Sea" (2003), antes de se separar de forma conflituosa naquele mesmo ano, durante a turnê mundial de divulgação do álbum.

Setlist
1.     Lyric
2.     Endless Summer
3.     For Your Love
4.     Settle Down
5.     Honestly
6.     Jesus, I + God's Gonna Set This World on Fire
7.     Of a Broken Heart
8.     Mary Star of the Sea






Dio - Dream Evil (1987)

 





Na segunda e última metade da década de 1980 as bandas de heavy metal pareciam perder as forças fazendo várias mudanças que nem sempre agradaram os fãs e a imprensa que não perdoava fazendo críticas mais do que ácidas em muitos casos entre outros, mas nem por isso acabavam encerrando a carreira antes do esperado causando espanto só que por outro lado haviam outros que estavam bem no auge e ainda correspondiam a altura com grandes lançamentos e o mesmo pode se dizer dos estreantes que vinham com sangue nos olhos para conquistar o seu lugar ao sol.


Ronnie James Dio depois que saiu do Black Sabbath levando consigo o baterista Vinnie Appice e com ele fundou a banda Dio, em 1983 lançaram um discos mais icônicos do heavy metal e que definiu a carreira do baixinho cujo sucesso e lacre viriam com o definitivo The Last in Line (1984) e a garantia de entrada no panteão estava nas mãos de Sacred Heart cujos deuses do metal abençoaram essa turma. Essa trinca era parte de uma época brilhante que refletia o estado de espírito de músicos a fim de fazer boa música, de tocar em arenas lotadas, vender muitos discos, camisetas, de estourar nas rádios e ficar no topo por uma vida toda se for possível.


As pressões na vida de uma artista sempre são muito grandes principalmente quando se lança num curto período de tempo três discos que de imediato entram para a história levando o artista aos níveis mais altos da fama. Dio viu isso no Rainbow (cujo maior problema talvez nem fosse esse e sim a megalomania de Ritchie Blackmore, um verdadeiro mala sem alça) e no Black Sabbath bem de perto e sabia que teria que fazer algo ainda mais grandioso ou se não que pelos fosse compatível com o que já havia sido feito, pois trata-se do ganha pão dele.

A formação que gravou a trinca de ouro já havia se dissolvido, ou melhor dizendo, o guitarrista Vivian Campbell já não fazia mais parte da banda e para o seu lugar Dio recrutou o talentoso Craig Goldie. A música deixou de ser selvagem como era no começo com Holy Diver e daí para diante a música já era algo pensado demais não que isso fosse negativo, mas houve a perda daquele lance mais primal e selvagem deixando o som mais bem-comportado com a presença do tecladista Claude Schnell.


O quarto álbum, Dream Evil, gravado no estúdio Recorder Village, em Los Angeles, marcaria o fim da clássica do grupo, mas ainda assim a música ainda seria muito bem estudada contando até com a participação do grupo vocal Mitchell Singing Boys, ou seja, o objetivo era estar inserido no mainstream com todas as suas regalias podendo desfrutar do melhor que havia destinado para as estrelas que ali chegavam. Em julho de 1987 o disco chega as lojas e marca presença positiva nos charts europeus, mas nos EUA as coisas não são positivas apesar de ficar numa posição considerável devido à forte concorrência existente na terra do Tio Sam.

A estrutura do álbum no que tange as canções é a mesma, a abertura continua com faixas mais aceleradas e é exatamente com “Night People” que Dio dá as caras e coloca as cartas na mesa para jogar o seu jogo perigoso, brilhante, mostrando ao que realmente viera cujo poder de fogo estava centrado na base do heavy metal, ou seja, a guitarra, e tal fato, fica mais evidente em “Dream Evil” uma faixa aonde o talento de Craig Goldie escorre pelas suas veias levando ao público um fluxo contínuo de metal e de revolta que explodiam nos riffs e nos solos pegajosos.


O rock de arena aparece em “Sunset Superman” em linha rápidas, corridas, em meio aos vocais desesperados do baixinho, o cara é um demolidor! A melhor parte, a dos hits, começa em “All The Fools Sailed Away” com toda a força dos vocais do mestre dos magos que somados aos riffs que puxam a força da canção e dos coros mostram a força do heavy metal que esse cara estava praticando. “Naked in the Rain” é o tipo de som que estaria presente na carreira solo de Dio, um grande hit. As faixas mais velozes retornam com “Overlove”, o hit radiofônico tem vez em I Could Have Been a Dreamer um belo dialogo com hard.  

“Faces In The Window” é outro grande momento que marca Dream Evil pela racionalização instrumental e vocal que denotam equilíbrio e talento e que uma música ainda que seja pensada ainda pode ser muito poderosa, louca demais. Quando você lê no encarte o título da faixa encerramento “When A Woman Cries” é ingenuamente levado a crer que trata-se de uma balada, mas fica embasbacado pelas linhas de teclado e guitarra que misturam e criam um efeito que remete a década de 1970. Dio e seus camaradas deixaram nas mãos dos fãs um dos maiores álbuns de heavy metal de todos os tempos, ou seja, ele e a sua banda eram muito mais do que aquilo que os marcou uma pena que ele tenha percebido isso, pois seus shows teriam sido bem melhores, mas como não podemos ter tudo o que desejamos pelo menos podemos remediar e que o façamos aqui mergulhando de cabeça nesse álbum.

Faixas: 

01 Night People
02 Dream Evil 
03 Sunset Superman 
04 All The Fools Sailed Away 
05 Naked In The Rain
06 Overlove
07 I Could Have A Been Dreamer 
08 Faces In The Window 
09 When A Woman Cries  




sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Discografia do Led Zeppelin

 




Jimmy Page, em 1968, chamou Robert Plant, John Bonham e John Paul Jones para juntarem-se eles e, assim, das cinzas do The Yardbirds surgiu o Led Zeppelin que foi uma das bandas mais importantes do cenário rock setentista. Junto do Deep Purple e do Black Sabbath formou a santa trindade do rock naquela década. Na verdade, a banda era um quinteto cujo quinto membro era Peter Grant, o empresário, o cara certo para colocar a banda no lugar que ela deveria estar e este somado ao vigor dos caras para cair na estrada, gravar discos, foi essencial para conduzi-los ao topo. O grupo tem uma história tórrida de excessos, discos clássicos, ocultismo (magia negra) e misticismo fatos que rendiam acusações pesadas contra Page (que iam desde sacrifícios de animais até de crianças e de virgens) que de fato foi estudante e tinha fascinação pelo mago Aleister Crowley. O quarteto viveu com todo o glamour a trilogia sexo, drogas e rock and roll, tinham contas bancárias bem forradas de grana, mas infelizmente teve a sua trajetória abreviada muito cedo, em 1980 no mês de setembro, na casa de Jimmy Page, por conta de uma overdose alcóolica. Não dá para especular e nem pelo menos vislumbrar o que teria rolado com eles já que não aconteceu porque a banda saiu prematuramente de cena, mas o que se sabe é que deixaram um legado que cada vez mais atraí admiradores, fãs e teve vasta influência sobre muitas bandas que vieram nas décadas posteriores. Se você é fã de rock e está começando a dar seus primeiros passos no gênero aqui está um ótimo começo para entrar no esquema e saber como pode caminhar por ele de maneira tranquila e faceira. Vamos lá, ouvidos a obra e boa viagem.    

     


Este é um dos melhores discos de estreia da história ou talvez é o mesmo o melhor, mas uma coisa era evidente nascia um novo caminho na música, isto é, o hard rock ainda cheio de cacoetes de blues que é mote deste trabalho aqui impresso. Só para esclarecer um fato: não teve adiantamento da Atlantic Records coisa nenhuma quem bancou o disco do Jimmy Page que recebeu a título reembolso o tal adiantamento e pagou os outros, mas ficou com a parte maior por motivos óbvios. Andando dentro da bolacha o começo é arrasador com “Good Times Bad Times” cuja sequência é marcada “Babe I’m Gonna Leave You” um belo cover de Joan Baez marcado pela correlação de forças entre o acústico e o elétrico. O blues não ficou de fora e aqui apresentam duas covers do mestre do gênero Willie Dixon “You Shook Me” e “I Can’t Quit You Baby” numa roupagem pesada e hard, indicando assim o nascimento de um novo no estilo. A força da banda aparece em Dazed and Confused. “Communication Breakdown”  é a precursora nata do heavy metal e do hard rock e, além destas, também tinha a alucinante “How More Many Times” que fechava de forma matadora a estreia do Zeppelin de chumbo, o ano de 1969 não foi mais o mesmo.  (Nota 10)  



Led Zeppelin II é a sequência do álbum de estreia, a banda mostra evolução e mais requinte, amadurecimento que não é precoce dado aos integrantes e a experiência de Page e Jones que sabiam muito bem onde pisavam e quais eram os caminhos que deveriam ser trilhados. Várias turnês nas costas e tempo praticamente zero para parar e pensar no que fazer fez com que o álbum fosse, em sua maioria, composto na estrada. Um dos maiores clássicos do rock é justamente “Whole Lotta Love” que abre o disco e tem a missão de liquidar os ouvintes e o faz com maestria. Assim como o outro o fio condutor de toda essa doideira sonora pesadona e hard, o blues e o rock que se entrelaçam formando um amalgama sonoro de rachar os tímpanos como Heartbreaker, o blues de raiz sustentado pelo hard de “Bring In On Home” faz delirar, Ramble On segue essa mesma linha e tem também a veloz “Living Loving Maid (She’s Just A Woman). Quando se fala neste disco é impossível deixar de fora “Mob Dick”, essa faixa cujo solo além de ser brilhante e massacrador projetou o baterista no cenário mundial como um dos melhores do ramo e fora que era presença obrigatória no set list dos shows. Led Zeppelin II é um disco brilhante, cerebral que coloca termo a uma era fantástica que ganharia outros contornos no ano seguinte. (Nota 10)


Em 1969, o Led Zeppelin estreou a toda velocidade Led Zeppelin I e emendou a fúria com o caótico Led Zeppelin II colocando-se como uma das forças do novo som que surgia, em outras palavras, eram os penetras numa época em que a música era vista como uma utopia, um novo paradigma, que poderia salvar o mundo e ajudar a reconstruído abolindo o status quo. Os britânicos, em 1970, deram uma brusca virada no som e ao contrário do som elétrico pesado e baseado nas guitarras distorcidas, sólidas e furiosamente hard rock enveredando pelo lado mais experimental e acústico acasalando, incubando, uma mudança que pode ser entendida como um ponto de transição. Led Zeppelin III dividiu opiniões, enfrentou acusações, mas sobreviveu apesar de injustiçado encontrou o seu merecido lugar entre os clássicos. No lado A à parte elétrica começa com a curta e poderosa “Immigrant Song” que narra as viagens dos vikings, Celebration Day e sua excelência, da qual, está explicitada nos riffs de Page e nos vocais eletrizantes de Plant, “Out On The Tiles” é daquelas porradas arrasa quarteirão e, aqui Bonham e Jones detonam. Em "Since I've Been Loving You", blues autoral, está registrado um dos grandes solos de Page. No primeiro lado da bolacha também “Friends” uma canção acústica simplesmente estupenda e inaudita. No segundo lado é que está registrada a suposta heresia do Led Zeppelin, premedita ela foi composta por Page e Plant que pegaram suas namoradas e se exilaram em Gales num local chamado Bron-Y-Aur e mandaram ver lá naquele local sem energia elétrica mais próximos da natureza e das paisagens rurais do sul daquele país. Gallows Pole é uma canção tradicional de folk que recebeu rearranjos de Page, um mavioso e agradável leque de sensações. “That’s The Way”, do lado acústico, é a canção mais brilhante e mais emocional abrigada neste lançamento que na verdade é um certificado do brilhantismo do grupo. Em “Tangerine” está configurada a imponência na fusão entre o elétrico e o acústico e mais gama de instrumentos aplicados como banjos, violões, guitarras de doze cordas e bateria. Mal compreendido, Led Zeppelin III estava de certo na contramão e ao mesmo tempo escancarava o seu talento musical, a sua versatilidade, em razão de que era um grupo buscando a sua identidade e, claro, em processo de mudança que se completou no ano seguinte. (Nota 10)     


Aqui está o maior clássico do Led Zeppelin além de ser comercialmente próspero, o maior êxito em termos de vendagem, e obter o maior grau de avanço por ter conseguido se sobre sair ao anterior, ou melhor, ter completado a transição, que, segundo Page, as pessoas não haviam entendido que objetivo era chegar naquele ponto extravasando um nível mais elevado, de que, foi possível extrair o que eles tinham de melhor para oferecer. A sonoridade do disco anterior ganhou força e incorporada ao quarto lançamento foi responsável direta por criar um som monolítico e que foge do lugar comum. Folk, blues, hard rock, forjaram uma sonoridade robusta e pegajosa, etérea e mítica. “Black Dog” já no começo completamente arrasador converteu-se numa das maiores lições de rock realmente pesado que já surgiram na música, o impacto da sua ferocidade reverbera até hoje na mente como um agente hipnotizador. “Rock and Roll” é um hino perfeito, o ritmo acelerado e imponente destruidor de barreiras. “The Batlle of Everymore” é uma das mais belas canções já apresentadas, um mix primoroso e lapidado dessa nova sonoridade, cujo dueto de Plant e Sandy Danny (cantora de folk no grupo Fairport Convention) impõe um jogo de violões Page que são simplesmente sensacionais. A mística “Stairway to Heaven”, o maior hit do grupo, cai diretamente dentro de um mundo paralelo e oculto fazendo dela outro hino. “Misty Mountain Hop” é outro grande rock e outro exemplo do que pretendiam os britânicos ao executar as mudanças de sonoridade, mas aqui há um apelo mais pop e radiofônico que em nada a desabona. Outra balada, mas com a característica pegada folk é “Going to California” onde narra-se na bela voz de Plant os excessos cada vez mais pesados na estrada. “Four Sticks” reserva para John Bonham todos os méritos, o cara mostrou que é foi deveras um dos maiores bateras ao superar a dificuldade de grava-la com duas baquetas em cada mão. A saideira vem o pesadíssimo blues/hard de When The Levee Breaks” e aqui novamente se sobre sai o talento do baterista que imprimiu nela uma levada pesada e cheia de malícia. Depois disso o Led Zeppelin estava em todos os lugares, a banda estourou mundialmente e isso serviu para coloca-los em definitivo dentre os melhores, no panteão do rock. (Nota 10)



O processo de criatividade do Led Zeppelin era enorme e desconhecia limites, portanto, a capacidade de síntese e de desenvolvimento e de transformação os fazia absorver uma enorme gama de influências e simbiose entre eles e a música era um fator gerador de novas aventuras, loucas e ébrias que permearam a sua discografia. Um exemplo perfeito e capaz de explica-los e desvendar as mentes que na verdade eram um farol iluminado de ideias é o disco Houses of the Holy que vem totalmente em direção oposta ao antecessor por fugir pela tangente ao adicionar, além do hard rock, reggae, folk, funk, blues, progressivo e psicodélico fazendo um misto complexo de todos esses gêneros conseguindo alcançar a perfeição. O começo dessa empreitada começa com a melodiosa e psicodélica “The Songs Remains The Same” que de fato faz jus ao título, isto é, a música continua a mesma só que mais brilhosa, caprichada e variada, enfim, um clássico real bem ao alcance dos ouvidos. “The Rain Song” explora o romantismo pelo lado mais emocional existe no coração do ouvinte. A pancadaria hard aparece em “Over the Hills and Far Away” que nos leva para dar um role ardente por cima dos morros e montanhas mais distantes. “The Crunge” faz uma viagem turbulenta por dentro do funk recheada de grooves. Os dias dançantes e suas pirações rolam com “Dancing Days”. “D’yer Mak’er” cujo título é o fonema de Jamaica pronunciada em inglês é um reggae autoral do Zeppelin no mesmo esquema de Bob Marley e deve tê-lo deixado com, pelo menos, um pouquinho de inveja pela sonoridade misturada com rock transformando-a numa canção excitante, abrasadora e arrebatadora refletindo um forte apelo sexual. O lado experimental e progressivo entra em cena com “The Quarter” que se transformou imediatamente num clássico. Fechando o disco vem “The Ocean” um hard cheio de grooves que reflete o talento do grupo para compor faixas clássicas e grudentas. Depois de lançado o disco, eles caíram na estrada para levar a festa zeppeliana recheada de excessos, capitaneada pelo hedonismo, e selvageria sem igual naquele ano decisivo, no jogo perigoso praticado pelos britânicos que cada vez ampliavam a sua influência sobre as legiões de fãs que cada vez mais chegavam embalados pela utopia de um mundo possível pela música representado nas arenas do mundo afora adonde rolava a manifestação do sagrado. Nota (10)    


Até aqui já haviam cinco discos, todos clássicos, bem colocados nas paradas, shows lotados e cada vez mais e mais concorridos, isto, é o Led Zeppelin se fixava de vez no topo e assim permaneceria até o fim prematuro em 1980. Só que antes do fim haviam outros capítulos da história dessa turma a serem desbravados, trazidos a lume. O talento refletido na criatividade dos músicos o fez construir um dos seus maiores álbuns que assim como os anteriores (sendo depois de Led Zeppelin IV o álbum mais vendido deles), além de passar no implacável teste do tempo, foi muito bem sucedido comercialmente e fazia do Led Zeppelin a maior banda de rock do planeta, sem embargos seguiam livremente, eles eram os gigantes caminhando livres pela terra, continente por continente, arrasando nos palcos e fora deles agitavam uma vida baseada no hedonismo e repleta dos excessos que esta famosa trilogia permitia. A construção de Physical Graffiti, sexto álbum da carreira, duplo, foi erigida a partir de muitas sobras de estúdio de discos como Led Zeppelin III, Led Zeppelin IV e do Houses of the Holy (que forneceu a larga maioria), enfim, das quinze faixas que o compõe apenas oito foram compostas para entrar no disco fato que faz dele um álbum heterogêneo e, ainda assim, magnífico, exemplo de uma grande obra de arte, irretocável. No lado A a festa hedonista começa com a peso pesada “Custard Pie” um hard rock brilhante que pode ser considerada uma joia da coroa de brilhantes, um ritmo mais cadenciado marcado pela batera e pelos riffs, solos e pelos vocais rasgados põe em relevo as qualidades do grupo. “The Rover” é um conjunto instrumento que prima pela excelência sonora explorando o lado mais emocional e melodioso e pegajoso, sensual e devorador, extasiante. O lado épico e cavalar se desenrola nos mais de onze minutos de “In My Time Of Dying” alternando momento cadenciados com outros velozes e mais pesados é um enlevo, chamado a desvario alucinado na busca da iluminação conduzido pelo instrumental absurdamente insano e blues/rock desconcertante que é emanado dos instrumentos da rapaziada. “Houses of the Holy” dispensa apresentações, porém é a fiel representante o hard rock tipicamente zeppeliano, uma lição. “Trampled Under Foot” é um grande rock cuja base pop/funk a transforma numa faixa mais dançante. “Kashmir” é a faixa mais emblemática e que fato marcou a banda, o maior hit, e também a demonstração cabal da filiação sonora ao rock progressivo e também apresentando os elementos orquestrais e orientais forma imbatível.

No lado B a coisa é ligeiramente diferente, fato que faz pensar que o fato do disco ser variado, quiser dizer, que tenha sido elaborado para assim ser, contudo, não foi assim que aconteceu porque o disco é fruto de uma série de recorte e cola de sobras de estúdio de discos anteriores conforme foi supracitado, porém é aí que reside magia deste álbum formado por partes dissimilares. Logo de cara com “In The Light” acontece o reencontro com o progressivo completamente viajante, e, que, fica claro toda a diferença de ter alguém com o versátil John Paul Jones nos teclados reforçando a relação com o misticismo que permeou o trabalho da banda ao longo os anos.  A instrumental acústica "Bron-Yr-Aur" traz o folk a cena de forma brilhante e certeira por meio de suas belas melodias hipnotizadoras.  O lado mais suave está na faixa "Down by the Seaside" inconfundivelmente radiofônica. "Tem Years Gone” incensa o lado romântico com peculiar delicadeza que transpira pelos poros dos instrumentos. Em "Night Flight" atacam com um country rock mais puxado para o hard rock sem fazer concessões. O retorno ao hard rock ocorre com "The Wanton Song".  As faixas "Black Country Woman" e “Boogie with Stu” entregam numa bela roupagem sonora duas importantes faixas de rock acústico. Passando a régia e fechando a conta vem “Sick Again” um excelente hard, marcante que frisa muito bem o som pesado e prodigioso do Led Zeppelin. Eles haviam chegado ao auge sem sombras de dúvidas e o futuro prometia e, fãs e imprensa esperavam deles algo ainda mais grandioso, só que até ali, o álbum, Physical Graffiti era a expressão máxima de uma banda redonda e enxuta e que mesmo mergulhada nos excessos de vida uma regulada pelos excessos da fama produzia o que havia de melhor de forma poderosa e que se apresentava como o ponto de salvação para uma miríade de jovens desvairados em busca iluminação, mas mal sabiam que este era o último registro dessa época dourada, os deuses também tinham os pés de barro. (Nota 10)


Aqui registra-se o começo do declínio, sim, como foi dito antes, os deuses têm os pés de barro, só que, Presence apesar de não ser um clássico e comparecer no rol dos álbuns injustiçados apresentava a força Zeppelin com um excelente álbum. A banda sempre fez o que bem entendeu e é aí que reside o ponto forte, heroico, deste quarteto que assim como trilhou os caminhos dourados da estrada perigosa do sucesso começou a experimentar pela primeira vez o sabor amargo da descida, visto que, os excessos cobrariam a conta e realmente mandaram o seu cobrador bater-lhes a porta. Aquele que parecia ser o último suspiro, a premonição dos dias ruins, ainda deixava o penúltimo recado de ainda haviam forças a sem resgatadas lá do fundo da alma e fazem resistir e foi assim que Plant acidentado levantou-se mais uma vez, todo alquebrado, de aparência fadigada, para juntar-se aos seus companheiros para mais uma vez dizerem ao mundo que nada estava acabado. Nesse clima meio moribundo, meio alegre e ébrio, realizam o sétimo capítulo de sua saga. Abrindo a viagem vem a cena a épica “Achilles Last Stand” marcando o espetacular retorno ao hard rock e também inspirada, pela parte de Plant, pelo poeta místico e vidente William Blake. Como o mote é o hard rock na sequência vem “For Your Life” com seus riffs viscosos e extasiantes. O ritmo mais funk aparece em “Royal Orleans” uma faixa curta e bem marcante em que Plant explica Jones, que desdenhara do vocalista, a importância de um cantor numa banda de rock. Outro grande momento é “Nobody’s Fault But Mine” que traz em si um hard violento carregado de blues remetendo ao passado recente de álbuns dos primeiros álbuns por onde imperava um som mais cru e diretão. “Candy Rock Store” vem com alguns violões, mas sem grandes exageros na parte acústica mantendo a intensão que o deu origem de pé. O lado mais melódico e pop desse álbum está representado em “Hots On For Nowwhere. No final vem “Tea For One” um blues emocional repleto de melancolia onde sobrou para a guitarra de Page solar e brilhar. O Led Zeppelin com Presence respirou fundo ganhando fôlego para prosseguir, mas, ainda assim, a estrada pela qual rodava seu tour bus era a do eclipse e cada quilômetro rodado a hora da verdade ia aparecendo sem disfarces para lhes dizer que o tempo estava finalmente acabando. (Nota 9,0)       


A turnê de promoção do álbum Houses of the Holy, em 1973, foi marcada pelo hedonismo, os excessos vinham a tira colo, banda estava lá nas alturas, grana, sexo e drogas a vontade, enfim, tudo sorria para a banda. Eles resolveram fazer filmagens para fazer um filme intitulado The Songs Remains The Same. O filme é ruim, a trilha sonora não é, mas deixou muito a desejar porque o que se vê em cima do palco é uma embriagada até a alma completamente sem rumo e perdida no meio das músicas com solos intermináveis beirando a chatice e em muitos casos são inócuos. Isto pode ser conferido, por exemplo, em Dazed and Confused que parece se arrastar de muletas em quase vinte e nove minutos de pura masturbação instrumental. “Whole Lotta Love” segue pelo mesmo caminho com aqueles medleys chatos e irritantes, mas ainda mantém o charme dos riffs matadores. Stairway to Heaven salva-se justamente por causa do solo arrebatador. “No Quarter” parece mais uma bad trip de ácido que carreia por mais de doze minutos, mas o resultado é satisfatório. “Rock and Roll” ficou legal e bem pesadona com um clima mais cadenciado. Enfim, o disco não é completamente um desastre só que também não é um maravilha e nem um primor devido as andanças ensandecidas de uma turma completamente chapada e extraviando-se em improvisos que vão do mais legal até o mais chato e sem graça, porém, além disso, há versões definitivas como em Over The Hills And Far Away”, “Misty Mountain Hop”, “Heartbreaker” que fazem parte da reedição de 2007 que teve o áudio completo relançado e desfazendo a má impressão causada pelo recorte mal feito que veio as lojas em lp duplo em 1976. (Nota 8,5)    


Em 1979, o Led Zeppelin colocava os dois pés no fim só que ainda não sabia que sua hora havia chegado. In Through The Out Door foi o último disco de estúdio dos britânicos. Um disco que reuniu em suas composições, mais fracas, elementos que já haviam sido trabalhados nos registros anteriores. Novamente era possível conferir o reggae, blues, hard rock, progressivo e o country que assumiu a maior fatia de influência sobre a nova sonoridade do grupo. Outro fator que marcaria bem este álbum é a sobreposição do teclado e do sintetizador de John Paul Jones sobre as guitarras de Page que foram o norte, a base, da sonoridade devastadora praticada por eles até ali. Uma curiosidade é capa, ela tem seis versões, ângulos diferentes, do homem sentado no bar. Além dessa curiosidade um dos fatores que explica o declínio do grupo é o fato de Jimmy Page estar afundado na heroína e a banda também já apresentava no corpo sinais visíveis de estarem carcomidos pelos excessos e vícios dos anos de estrada vividos loucamente e sem destino. A saideira de estúdio manda de cara um hard poderoso e muito pesado em “In The Evening” entra em cena o country numa roupagem mais leve, uma faixa frágil aquém dos dias brilhantes. “Fool In The Rain” é um pop insosso. “Hot Dog” é uma canção de country/hard que não cheira e nem fede. “Carrouselambra” salva-se porque apesar de ser country encontra-se de cara com o progressivo criando um bom clima bem viajante.  Em “All My Love” ao invés do romantismo Plant, autor da letra, homenageia o seu filho falecido, ela tornou-se um dos maiores hits do grupo. “I'm Gonna Crawl" fecha salvando o disco do fiasco, os caras aqui mandam um belo blues no estilo balada. Ficou claro que o álbum refletia os problemas pessoais de cada um dos integrantes bem como as alegações deles o justificam como uma tentativa de reciclagem buscando ampliar horizontes. Porém era uma despedida devido ao fato da morte alcançar John Bonham, em 1980, na casa de Page pondo imediatamente termo a carreira do Led Zeppelin cedo demais. (Nota 5,0)   


Depois da morte de John Bonham não é segredo que o Led Zeppelin acabou, mas vasculhando mais uma vez o baú encontraram mais sobras e aproveitando-se do interesse que que os fãs tinham no Led Zeppelin e, também para honrar um contrato com a Atlantic Records e para pagar impostos dos ganhos anteriores é que estas faixas gravadas entre as décadas de 1960 e 1970 deram origem ao nono e derradeiro álbum oficial de estúdio do Led Zeppelin. Resumido a oito faixas CODA pode ser considerado um bom material de despedida. “We’re Gonna Groove” é um retrato fiel da fase mais criativa do Zeppelin que pratica um hard rock que fazia o mundo rachar lá nas emendas, eram uma banda com sede de ganhar o mundo. Ela era tocada nos shows e aqui passou um por um processo de limpeza tendo sido retirados os overdubs de guitarra e ruídos da plateia. “Poor Tom” é sobra das sessões de gravações de Led Zeppelin III e reflete bem o espírito acústico e folk abrindo as portas de um universo que ainda não parecia ter sido totalmente explorado. “I Can’t Quit You Baby” vem com uma versão diferente, mas não deixa a desejar a que foi gravada em Led Zeppelin I. “Walk Water” foi retirada das sessões de Houses of the Holy e poderia ter sido muito ter sido lançada, mas o que podasse dizer sobre ela é a porrada hard que entra forte na mente de forma alucinante. “Ozone Baby” veio das sessões de In Through the Out Door e aqui cabe uma observação porque ela não foi adicionada já que é bem mais acima da média e por isso o resultado poderia ter sido bem melhor. Nela Plant brilha, dá show, visto que, o lado emocional cativa na hora. “Darlene” a exemplo da anterior também foi retirada do que sobrou de In Through Out Door e também deixa no ar a mesma questão uma vez que é muito superior ao material ali registrado. Aqui temos um típico rock com ótimos riffs de Page que dominam nos solos e batem lá no hipotálamo fazendo-se retorcer no solo de piano de Jones. “Bonzo’s Mountreux” é um solo de bateria gravado em 1976, mas é legal pela perfeita sincronia e de como o batera tocava pesado. A saideira “Wearing the Tearing” também foi retirada de In Through the Out Door reacende a questão já levantada aqui duas vezes e então pulamos a terceira dali retirada, o hard aqui escancarado traz vários questionamentos, mas, novamente, deixa para lá não adianta chorar pelo leite derramado uma vez que podemos conferi-la e ficarmos com os nossos devaneios sobre esta ou aquela escolha feita na época. A verdade é que CODA pode ser considerado um álbum pouco lembrado e que tem um valor documental muito forte e que serve até para questionar escolhas malfeitas que poderiam ter mudado os rumos de um disco que era bom e ao mesmo tempo uma decepção, mediano, de 1979. Em 1993 o disco foi relançado e ganhou a adição de mais 4 faixas que também eram sobras e até entraram nos singles como B-Sides. De toda maneira os fãs pela última vez puderam ter em mãos o último registro oficial do Led Zeppelin, mas, não foi só isso, pois os integrantes nos anos 80 cada um foi a sua vida e se lançaram em carreiras solo, os gigantes agora dormiam em sono profundo. (Nota 7,0)       


A primeira vez que ouvi esse disco sai com a impressão de que este sim era um álbum ao vivo de verdade, aliás, pensava e muito porque este concerto gravado para BBC não havia sido lançado primeiro. A banda estava no seu melhor momento e o set list recheado de músicas dos dois primeiros álbuns cujo hard rock e blues transbordavam a competência do quarteto, uma banda fabulosa e que dava indícios claros de que cada vez mais iria crescer e o limite talvez nem fosse mais o céu. Ao contrário de The Songs Remains The Same onde tudo parecia estar perdido me meio uma sessão de masturbação musical sem eira e nem beira aqui tudo aparecia direto e reto sem exageros fato que se comprova em “Whole Lotta Love”, da qual, ouve-se a reprodução original, a direta "The Girl I Love She Got Long Black Wavy Hair" tem nos riffs de Page a chave do seu encanto, e o cover de Robert Johnson “Travelling Riverside Blues” cuja nova roupagem criada pelo grupo deu novo fôlego, “I Can’t Quit You Baby” aparece numa bela e definitiva versão, da qual, os vocais de Plant tiram lá do fundo da alma a melancolia que explode nos solos curtos e virtuosos de Page, porém aqui ela está dividida em duas partes acrescentando um mistério lúgubre. A heavy “Communication Breakdown”, também dividida em duas partes, também se destaca pela versão pesada e rápida, virulenta que não faz concessões a nada e nem a ninguém, o Led Zeppelin entrava com os dois pés no peito de quem estava pela frente atrapalhando o caminho.  "What Is and What Should Never Be" é uma bela balada e que caiu como uma luva para edulcorar a tensão emanada de tanta eletricidade, um breve relaxamento antes de recair na pancadaria. "Dazed and Confused" recebeu aqui a melhor versão ao vivo, ou seja, sem firulas apenas direta e reta e lacônica nos shows já que é um dos emblemas do Led Zeppelin e do rock. “Somethin' Else" ganhou uma versão divertida e bem pesada e era comum aparecer nos medleys improvisados nos shows. "How Many More Times" essa uma das canções que o Led Zeppelin arrebenta ao vivo com levadas de jazz, o peso do hard rock e os climas recheiam os momentos enfumaçados, nesta versão os solos de Page são arrebatadores e o resto da rapaziada também não fica atrás e o tanto é que Bonham arrepia na bateria.  

No segundo disco o conteúdo ao vivo foi extraído da apresentação em Paris, França, em 1971, um show que também ofereceu belíssimas versões para clássicos eternos do hard rock e da banda que estava em profusão. A mística “Stairway to Heaven” ganhou a sua mais bela versão registrada num disco da banda. “Heartbreaker” também se destaca pelos riffs pegajosos e pela cozinha que reafirma a qualidade e segura a onda e o peso que desaba sobre a plateia. “Black Dog” e suas linhas extasiantes de bateria que trazem no seu bojo o lado mais excitante em conjunto com a guitarra expressam o frenesi desvairado e ébrio desses britânicos verdadeiros descentes de Baco. "That's the Way" é a grande expressão do lado acústico e clássico do Led Zeppelin e imprime um encanto e uma áurea mística ao grupo sobressaindo-se a maturidade musical encantadora. "Going to California" é outra faixa que engrandece qualquer disco ou show dessa banda, as linhas de violão etéreas e entorpecidas que alucinam e potencializam o lado emocional e viajante extraído daqui. "Whole Lotta Love" é obrigatória, mas o defeito é que ela ao vivo sempre foi a ponte para os exageros nos improvisos e sempre no meio existe um medley e que nem sempre agrada e este é o caso, mas de toda a forma é melhor tê-la mesmo que assim do que não poder ouvi-la. “Immigrant Song” aparece mais veloz e mais pesada e os vocais mais altos de Plant ecoam a ferocidade de uma banda sedenta em cima do palco e que se perde nos loucos e cavalares solos de Page. No final temos “Thank You” uma linda e emocionante balada que deixa com o gosto de quero mais e aqui o grupo inteiro divide os destaques de trazer ao conhecimento do público uma versão poderosa embaladora dos sonhos deu época que ainda ecoa no presente com praticamente toda a força de seu tempo passado. (Nota 9,5)


 Em 2003 o Led Zeppelin atacou outra vez, mas agora era com um disco triplo ao vivo cujo conteúdo são shows da turnê norte americana de 1972 que foram registrados no Fórum LA em 25 de junho de 1972 e Long Beach Arena em 27 de junho de 1972. São gravações que permaneceram desconhecidas do grande público, mas circulavam no mercado de bootlegs. As faixas antes de se transformarem no álbum How The West Was Won passaram por um pesado processo de engenharia musical. O set list contém músicas de Houses of the Holy e o restante são dos álbuns Led Zeppelin I, II, III e IV, as performances trazem a banda no seu melhor momento e até produz outro questionamento referente ao álbum The Songs Remains The Same já que é muito melhor do que ele porque a banda bem mais redonda e enxuta e que sabe o que está fazendo nos solos, nos improvisos, ao invés soar como uma locomotiva perdida prestes a sair dos trilhos, masturbação instrumental sem sentido, enfim, uma doideira sem limites. As versões aqui apresentadas eternizaram essas faixas cristalizando na memória dos fãs do passado e do presente que tiveram acesso a elas que em duas horas e meia mostram-nos o que era um show do Led Zeppelin nos seus dias dourados. Em “Immigrant Song” o destaque é absoluto das linhas de guitarra de Page, os solos desgovernados falam tudo e parecem trazer Odin do Olimpo para vir em pessoa curtir o show. “Heartbreaker” tem uma levada insana de bateria, os riffs e solos rasgados e mais os vocais diretos e retos de Plant fazem a média, a conexão entre a banda e a plateia através dos improvisos. “Black Dog” estabelece o hard mais pesado e virulento já escutados e executados por um conjunto de rock. “Over The Hills And Far Away” aparece mais hard e bem mais concisa e coesa entre solos e riffs escandalosos de Page exalando insanidade pelos poros.  "Since I've Been Loving You" que confirma que as raízes do Led Zeppelin são de fato o blues, o clima melancólico e chorado que vem lá do fundo da alma são emitidos pelos vocais e guitarras que dominam a faixa em momentos puramente emocionais.  O misticismo "Stairway to Heaven" não poderia ficar de fora e talvez sem ela nem haveria um show do Led Zeppelin, a versão aqui apresentada é outra das mais belas execuções feitas em cima do palco pela banda. Concisa e etérea é uma bela viagem dentro ao recôndito da alma humana para desvelar os segredos mais profundos.

 No set não poderiam faltar as peças acústicas uma das marcas do Led Zeppelin ao vivo, o folk de "Going to California" sem ganhou versões encantadoras e o mesmo pode-se dizer de “That’s The Way” que sempre orna os shows e a versão de "Bron-Yr-Aur Stomp" é igualmente matadora e esmalta bem esse momento. A heavy n’ hard "Dazed and Confused" vem com uma versão bem dilatada, mas dentro seus improvisos a banda entrega versões instrumentais de “The Crunge” e “Walter’s Walk”, enfim o aqui foi entregue uma ótima versão que ao invés de se arrastar de muletas por mais de cinte minutos ela rola como uma verdadeira protagonista que se escreve por linhas tortas e funciona.  "What Is and What Should Never Be" funciona como um momento de descanso depois da fase mais elétrica e pesada do show, aqui a banda imprime uma versão mais pesada. "Dancing Days" tem ótimas linhas, todas insanas, é verdade, um hard sem muitas exigências que funciona muito bem com efeitos do pedal wah-wah de Page e mais alguns solos que vão lá na mente, direto e reto. “Mob Dick” é momento em que Page, Jones e, especialmente, John Bonham entram em cena parecendo fazer uma jam para depois dos riffs entrar um fantástico e virtuoso, alucinante, solo de bateria que o colocou na posição de melhor baterista de rock. Em seguida vem "Whole Lotta Love" com seus riffs demolidores e um ritmo absurdamente pesado, pesadão mesmo, cujos improvisos trazem algumas versões de faixas gravadas nos anos 50 primórdios do rock, porém, além disso, esta versão é animal. Uma das faixas mais emblemáticas não poderia faltar e, então, "Rock and Roll" se apresenta no front para esquentar ainda mais o show fazendo sua ode ao gênero completamente direta e reta arromba as portas da mente. “The Ocean” e suas linhas insanas de baixo, aliás, o que seria do Led Zeppelin se não tivesse o talentoso John Paul Jones? É difícil fazer uma afirmação mais acurada, mas permite dizer faltaria mais brilho e esmero em canções como essa por onde Page viaja nos riffs e solos que nos levam por uma viagem insólita na voz de Plant e na batera de John, era definitivamente o auge. Encerrando com um blues marcado pelo frenesi de uma banda que surfava por cima e bem longe das montanhas e que de fato havia conquistado mais do que oeste e que agora através "Bring It On Home" anunciava que chegara a hora de ir embora, as gaitas de Plant e o ritmo alucinante posterior é completamente matador e dispensa dizer de quem é o brilho e o que cada um faz o fato é que trata-se de uma canção poderosa que gruda na mente de forma perene. (Nota 9,5)


Depois que o Led Zeppelin encerrou as atividades a banda ainda se reuniu mais três vezes cuja primeira foi em 1985 no Live Aid contando com Phil Colins e com Tony Thompson na bateria e com o baixista Paul Martinez, a curta performance foi caótica devido à falta de ensaio da dupla de bateras, problemas técnicos e pela voz rouca de Plant, enfim, naquele dia nada deu realmente certo. Em 1988, eles se reuniram outra vez e desta vez foi para celebrar o aniversário de 40 anos da Atlantic Records. Nesta apresentação o baterista Jason Bonham, o filho de John, e também tinha John Paul Jones, mas também por problemas técnicos a apresentação também foi ruim. A terceira vez foi em 1995 quando foram introduzidos no Rock and Roll Hall of Fame pelo pessoal do Aerosmith e depois foram para o palco tocaram com Tyler e Perry e também com Neil Young, mas nesta vez o baterista foi Michael Lee. Fora isso Plant e Page chegaram a juntar-se sem a presença de John Paul Jones fato este que causou mal-estar rendendo uma saia justa no Rock and Roll Hall of Fame quando o baixista e tecladista disparou: “Obrigado, meus amigos, por, finalmente, lembrarem o meu número de telefone” deixando Plant e Page evidentemente com aquela cara de enfurecida. Juntos o guitarrista e o vocalista fizeram o álbum No Quarter Jimmy Page and Robert Plant Unledded apresentando músicas do Led Zeppelin com uma nova roupagem gravado no Marrocos por iniciativa da MTV, parceira não foi muito longe, mas teve o álbum de despedida intitulado Walking into Clarksdale lançado em 1998. Depois disso cada um seguiu o seu caminho até que em 2007 os gigantes se levantam novamente, mas desta quarta vez foi para um concerto beneficente em homenagem à memória de Ahmet Ertegun em 10 de dezembro de 2007, em Londres O2 Arena. Desta vez ao contrário das três vezes anteriores que culminaram em fracassos acumulados as coisas funcionaram e o Led Zeppelin brilhou novamente, mas desta não teve ninguém de Jason Bonham na bateria. O show foi filmado e havia especulações de que haveria um lançamento desse material e de fato houve e em 2012 o filme chegou aos cinemas e também as prateleiras das lojas em cd duplo, lp triplo e dvd e blue ray com os cds em ambos pacotes.

Depois de mais de uma década de sem se apresentarem ao vivo, eles pareciam ter continuado de onde pararam com a exceção de ter como quatro membro, o baterista, Jason Bonham que substituiu muito bem seu pai honrando o seu legado fazendo desaparecer qualquer suspeita pudesse haver quanto a isso. Os três remanescentes da formação original e mística do Led Zeppelin agora já longe da boa forma e vigor físico de outros tempos onde brilharam e com maestria, fúria, levaram o som inebriante, poderoso e viajante transformando as apresentações em grandes celebrações e festas do rock com todos os excessos retomam e com classe realizando uma performance impecável os clássicos sem precisar de se apoiar em releituras para esconder as falhas. “Good Times Bad Times” abre o show e arremete-nos de cara para os anos iniciais, a voz de Plant apesar de não ter a potência daqueles dias ainda é capaz trazer a nós a mesma emoção, a guitarra de Page com o passar dos anos ficou ainda melhor e John Paul Jones mostrou que ainda pode desmanchar o seu baixo em linhas e mais linhas poderosas. Em “Ramble On” mantém o mesmo vigor e com essa roupagem mais atual comprova que o som do Led Zeppelin é ainda é o mesmo e também é atual. “Black Dog” é música de Page, o cara ainda esbanja o mesmo feeling nos riffs e solos e Plant despeja pura intimidade é como se estivéssemos, em 1972, na época mágica em que eles faziam verter o céu na terra ao rasgar o véu da inocência. A épica e maluca “In My Time Of Dying” estão presentes todos os elementos que fazem ser quem são Jason não decepciona e mostra ser um baterista cheio de recursos assim como os seus companheiros que despejam o mesmo apelo sexual em cima do ritmo fazendo atingir com fervor o clímax. Este de fato é um show para lembrar a vida toda e por isso mesmo uma música como “For You Life” não poderia faltar e ela dá as pistas da injustiça feita ao álbum Presence (1976), os riffs e solos hipnóticos resumem-na a um alimento para o espírito dos mais saborosos.  A funkeada “Trampled Under Foot” ainda se destaca pela alucinantes linhas de piano.

“Nobdy’s Fault But Mine” ainda proporciona a sua interminável viagem aos confins da mente, totalmente cerebral e pungente. O progressivo, psicodélico de “No Quarter” é onde John Paul Jones brilha com seu órgão fazendo linhas viajantes, lisérgicas totalmente desvairada um convite ao desatino. “Since I've Been Loving You” é figura carimbada em qualquer show ou gravação ao vivo, visto que, é um clássico composto pela banda cujas raízes são blues componente de base da sonoridade zeppeliana, a melancolia e os destaques são os mesmos nessa versão.  A misteriosa e enfumaçada “Dazed and Confused” também não poderia ficar de fora já que uma das marcas registradas do grupo e também pedra angular do hard rock e do heavy metal, mas aqui ao contrário dos dias passados ela não trouxe no bojo os seus intermináveis improvisos, ou seja, não foi além de original concepção que foi mais alargada. “Stairway To Heaven” ainda é a música de maior impacto e esta versão edulcorada com órgão abrilhantou ainda mais o momento mais emocional quando Page despeja seu solo enlouquecedor. “Song Remains The Same” reativa o sonho hippie uma viagem psicodélica pesada, a música era de fato um paradigma de uma possível transformação.  A dançante “Misty Mountain Hop” conversa intacto o seu lado vibrante e desnorteado. “Kashmir” uma trip ao oriente totalmente sedutora cheia de caminhos e alucinações místicas em busca do sagrado. Pela primeira vez o Led Zeppelin não se estendeu em “Whole Lotta Love” como fazia nos seus melhores dias apresentando-o de forma interminável perdida nas pirações instrumentais chapadas incluindo medleys que muitas vezes não eram legais aqui ela obedeceu a padrões razoáveis e o que foi apresentado é perfeito e lógico. Fechando o show veio a toda velocidade a emblemática “Rock and Roll” uma ode ao rock e ao que ele conserva de melhor, mas é uma pena que a voz de Plant já não alcance mais as notas mais altas, mas a interpretação caiu muito bem e manteve o nível. Depois desse show e do material estar nas mãos dos fãs de todo o planeta não demorou para surgirem as propostas e as especulações sobre um possível retorno para a gravação de um novo álbum e de uma turnê que nunca se realizaram diante das negativas constantes de Robert Plant. Indpendente disso a verdade é que os fãs pelo menos podem agora ter uma ideia do que seria o Led Zeppelin hoje em cima do palco e de como soariam as músicas visto as performances arrasadoras contidas no álbum. Enfim, mas ainda é possível sonhar, pois quem sabe um dia, quando menos esperarmos, isso não acontece. (Nota 9,0)