BMG Ariola, 1996
“Acho que é um álbum baseado em diferentes situações, a primeira é o show ao vivo. O que fizemos na MTV compõe três quartos do recorde. A partir daí, fomos para outros lugares e incorporamos músicas que ficaram para trás na produção de Sueño Stereo e às quais demos a forma final neste último período antes do álbum. E depois, a ideia de fazer uma banda de CD-ROM apareceu para transformá-la em algo mais estranho do que deveria ser”, explicou Gustavo Cerati quando questionado sobre “Conforto e música para voar”, o disco que fizeram para a MTV.
O álbum se destaca por não ser acústico, como o formato tradicional usado por outras bandas, mas sim introduzir a guitarra elétrica sem ressentimentos em meio à sessão intimista que aconteceu em 1996. “Mais do que acústico, é um álbum legal , com músicas confortáveis”, disse Gus no livro Cerati na primeira pessoa e acrescenta que “você se acomoda para ouvi-lo em um lugar de conforto, mas acontecem coisas que te tiram da terra da gentrificação”.
Cerati e companhia haviam se recusado em várias ocasiões a participar dessas sessões, mas em 1996 aceitaram sob algumas condições, pois descobriram que a forma de gravar na MTV era como um shopping onde tudo acaba sendo igual. “Eu não aposto naqueles álbuns que são baseados apenas em versões de músicas. E não queríamos nos limitar a colocar a música elétrica dentro de uma caixa acústica. O que finalmente saiu é um misto de versão, contraversão e novidade, tudo embrulhado – admito sem culpa – por um certo ar de leveza que, no entanto, nunca toca o conformismo”, disse Cerati.
Cerati até mencionou sem rodeios que não queria fazer esse álbum, mas que a turnê pelos Estados Unidos foi muito mais forte na hora de avaliá-lo. “Jogar onde nunca havíamos tocado antes, em Nova York, em Chicago, e ainda por cima com sucesso, foi muito forte. Primeiro, dissemos que não faríamos nenhum desconectado. Não sabíamos o que ia acontecer no futuro e nem queríamos perguntar. E pela primeira vez, não sabíamos realmente”, disse o criador de “Música luz”, acrescentando que “curiosamente, começamos a nos questionar logo após 'Canción animal', no momento de maior popularidade do banda. Por quanto tempo continuaríamos ampliando o que já existia? Foi nesse momento que decidimos parar de brincar com o Soda Stereo por um tempo.”
Café Tacvba, Charly García e Los Tres já haviam passado pelos estúdios da MTV. Só faltou Soda e eles fizeram isso no dia 12 de março de 1996. "Olá, sou Jeff Lynne e aqui é a Electric Light Orchestra", disse Gustavo ao se apresentar nos estúdios da cadeia de música em Miami, arrancando risadas dos convidados. A versão que saiu em 25 de setembro do álbum começou com uma das músicas mais redentoras da banda: “La ciudad de la furia”. No entanto, para este hit eles precisavam dar um outro ar e Cerati convidou Andrea Echeverry, vocalista do Aterciopelados para tocá-lo com ele. Um toque místico e uma guitarra que te deixa em transe – com riffs inesquecíveis – são alguns dos pontos altos da catarse que deu o tema do álbum “Doble vida” de 1988.
Com a introdução de “Chrome Waves” de Ride, “A míssil no meu armário” soou e canções como “Zoom”, “Pasos” a complexa magnificência de “Entre caníbales” desenvolveram esta nova versão do Soda. Em “Té Para Tres” usaram o riff de “Cementerio Club” de Flaco Spinetta para “Ángel Eléctrico” para fazer uma versão renovada e que muitos acham muito superior à publicada no álbum “Sueño Stereo”. Na versão de 1996, foram lançadas 11 músicas, totalizando pouco mais de 51 minutos. No entanto, no álbum que foi lançado em 2007 há 13 músicas, somando a capa da banda argentina Vox Dei para selar uma das DES mais bem conectadas da MTV.

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