Artist: The Mute Gods
Disco: Tardigrades Will Inherit The Earth
Data de lançamento: 24 de Fevereiro de 2017
Selo: InsideOut
Tempo total: 57:45
Disponível em: CD, LP & Digital
Resenha:
Com o tempo, a palavra foi adquirindo outros usos. Hoje ela é usada como um sinônimo de estar na frente, à dianteira.
Ou seja, vanguarda é uma palavra usada para representar um grupo, pessoa, ou ideia combativa. Algo pioneiro. Um precursor.
PROG AWARDS
Esse meu momento de professor Pasquale é para apresentar ao leitor esse relativamente novo trio, o The Mute Gods.
O trio é novo, mas os integrantes não são. Em um projeto liderado pelo baixista Nick Beggs, famoso por extensos trabalhos na cena prog (e outros trabalhos nem tão progs assim), o trio ainda conta com o alemão Marco Minnemann (The Aristocrats e Joe Satriani) e o norte-americano Roger King (Steve Hackett).
Os caras se destacaram em 2016 com o álbum de estreia, ‘Do Nothing Till You Hear From Me’. O bom trabalho resultou na conquista do famoso Prog Awards, na categoria Vanguarda.
Foi para tudo isso?
Bem… Deixarei esse tema para uma eventual resenha do tal álbum. Vou me limitar a falar do ‘…Tardigrades Will Inherit The Earth’, por hoje.
VANGUARDISTA CLICHÊ
Se eu tivesse que escolher uma categoria de prêmio para esse novo álbum, acho que uma boa opção seria a de vanguardista clichê.
A parte clichê é por conta da temática do álbum, uma exploração sobre as tendências autodestrutivas da humanidade.
A parte vanguardista é pelas letras. Eles conseguem trabalhar bem, mesmo em cima de um tema já exaustivamente abordado, e adotam linhas de pensamento inusitadas.
Por isso não me leve a mal, ignore o paradoxo, e encare a expressão vanguardista clichê como um elogio. Foi uma proposta difícil e o The Mute Gods lidou bem com ela.
Afinal, quantas vezes você já viu alguma banda usar a palavra tardigrado no refrão? Isso é pura vanguarda!
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| Eis o tardigrado, criatura que deu nome ao álbum. |
SOMBRIO E CONTROVERSO
‘…Tardigrades Will Inherit The Earth’ é predominantemente sombrio. O conjunto já deixa isso claro na faixa inicial. “Saltatio Mortis” introduz o álbum em um tom de marcha fúnebre.
A primeira música divulgada foi “We Can’t Carry On” (confira no final), e a polêmica gerada foi grande. Mais um indicativo de que o trio não iria aliviar no álbum.
Vivemos um momento de divisão política no mundo todo, e a música faz bem o seu papel de contestar e apontar.
Cabe ao público ter pensamento crítico e maturidade para debater o tema. Um dia chegaremos lá.
DIVERSIFICADO
Você pode até não gostar, mas não pode dizer que ‘…Tardigrades Will Inherit The Earth’ é entediante.
Além das músicas já citadas acima, outras chamam bastante atenção pela diversidade. Um exemplo é “Early Warning”: A canção é dividida em três atos, um é sobre uma mulher que descobre estar com câncer, outro sobre uma garota descobre que seu irmão se automutila, e o terceiro fala de uma cidade devastada pela guerra. As três histórias são encaixadas e formam uma bela composição.
A quase psicodélica “The Singing Fish Of Batticaloa” também adota um rumo curioso. De acordo com as palavras do próprio Nick, trata-se de “uma história verdadeira sobre um peixe cantante do Sri Lanka, incluindo o áudio original de uma gravação do organismo feita pela BBC”. A letra aborda o ponto de vista do peixe, que está tentando avisar a humanidade de seu eminente final.
OS TARDIGRADOS
Ok, ok, ok… Peixes cantantes foi demais? Então dê uma pausa meu jovem, porque agora vou falar sobre os tardigrados.
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| Nick Beggs, seu passado te condena. Mas… Quem nunca? |
“…Tardigrades Will Inherit The Earth” é, sem sombra de dúvidas, o momento mais bisonho (e legal!) de todo o álbum.
A música é qualquer coisa, menos um rock progressivo. Está muito mais para um pós-punk oitentista e seus derivados.
Acha que estou viajando na maionese? Saiba que o próprio Nick Beggs já andou bem perto dessa sonoridade, não só flertando, mas mergulhando no synthpop e new wave.
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Em uma mistura de Doctor Who com O Guia do Mochileiro das Galáxias, o clipe é uma invasão de tardigrados pelo céu. Dê uma olhada (abaixo) antes de prosseguir!
Pode parecer nonsense, mas a letra faz todo o sentido. O tardigrado é o único ser terrestre capaz de sobreviver no espaço (sem trajes espaciais, obviamente), em radiações exorbitantes e temperaturas inferiores a 200°C negativos. O bichano sobreviveu às cinco principais extinções em massa ocorridas na Terra.
Nenhum outro animal conseguiu essa façanha.
Quando o The Mute Gods canta que tardigrados herdarão a terra, eles estão dizendo que nós caminhamos para uma autodestruição, e só sobrará esse ser highlander no planeta.
Então, por mais que pareça tudo uma grande zoeira, na verdade é uma letra muito séria e inteligente. A pitada de humor foi brilhante para tirar o peso desse assunto.
INCONSISTÊNCIAS
Até agora, só elogiei o álbum e não externei meu lado ranzinza. Devo dizer que o álbum não é perfeito… Pelo contrário, possui alguns momentos meio dispensáveis.
“The Dumbing Of The Stupid” é irritante, com seu vocal distorcido demais e abafado. E “Stranger Than Fiction” é meio melosa além da conta.
Ainda assim, isso não tira o fato de ‘…Tardigrades Will Inherit The Earth’ ser um bom álbum. Tem suas inconsistências, tem seus clichês, mas tem sua vanguarda e suas surpresas.
Artista: The Mute Gods
Ano: 2017
Álbum: …Tardigrades Will Inherit the Earth
Gênero: Rock Progressivo
País: Inglaterra
Integrantes: Marco Minnemann (bateria), Nick Beggs (vocal e baixo), Roger King (teclado e guitarra).
MÚSICAS:
1 – Saltatio mortis
2 – Animal Army
3 – We Can’t Carry On
4 – The Dumbing of the Stupid
5 – Early Warning
6 – Tardigrades Will Inherit the Earth
7 – Window onto the Sun
8 – Lament
9 – The Singing Fish of Batticaloa
10 – The Andromeda Strain
11 – Stranger than Fiction



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