segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Resenha Blue Öyster Cult Álbum de Blue Öyster Cult 1972

 

Resenha

Blue Öyster Cult

Álbum de Blue Öyster Cult

1972

CD/LP

Depois de mais de 5 anos de apresentações em casas pequenas, da gravação de algumas demos que não chamaram muita atenção e de nomes de banda no mínimo bizarros (como Santos Sisters e Soft White Underbelly), o Blue Ōyster Cult consegue engrenar em 1972, ao lançar o seu álbum de estréia auto intitulado, pela gravadora Columbia.
Durante o processo de gravação do disco, que se iniciou em outubro de 1971, alguns elementos essenciais para a história da banda foram tomando forma, como a veia compositora do manager da banda Sandy Pearlman, o logotipo presente em todos os discos e as magníficas dobradinhas de guitarra de Eric Bloom e Buck Dharma, algumas marcas registradas do grupo.
Apesar de não ter sido um grande sucesso comercial, Blue Ōyster Cult recebeu críticas bastante positivas dos principais veículos especializados da época e alcançou a posição 172 na parada Billboard 200, além de estabelecer em seu lançamento a formação clássica da banda, com Eric Bloom e Buck Dharma, dividindo as guitarras e vocais, Allen Lanier nos teclados e guitarras adicionais, e os irmãos Joe e Albert Bouchard, responsáveis pelo baixo e bateria respectivamente, formação essa que foi bastante duradoura e produtiva. Nos créditos do álbum aparecem alguns ex integrantes que participaram do processo de composição de algumas de suas canções, além do já citado Sandy Pearlman. 
O disco conta originalmente com 10 faixas, 14 na versão comemorativa do Box The Columbia Albums Collection, que conta com canções da época da Soft White Underbelly como bônus. O álbum original flui muito bem do início ao fim, embora ainda não demonstrasse uma qualidade tão apurada como em futuros trabalhos, em termos de composição, execução e produção, mas proporciona grandes momentos, como a boa abertura de Transmaniacon MC, que relata a loucura do fatídico Festival de Altamont, que terminou em desastre, a bela e muito bem construída canção Then Came The Last Days Of May, com destaque para o excelente trabalho das guitarras, a faixa Stairway To The Stars, muito bem conduzida pela cozinha (baixo e bateria) e com um refrão bastante grudento e bem elaborado e, é claro, o single e faixa mais popular do disco, que não pode ficar de fora dos shows da banda, Cities On Flame With Rock N' Roll, que funciona como uma espécie de hino para o grupo (como sua própria Rock N' Roll All Nite, I Wanna Rock ou It's Only Rock N' Roll, guardadas as devidas proporções), com uma construção simples, porém impecável, com tudo muito bem executado e com ótimo destaque, além de riffs de guitarra levemente inspirados em The Wizard do álbum de estréia do Black Sabbath (1970). 
Uma estréia de certa forma modesta, porém bastante digna, de uma banda que viria a se tornar um grande fenômeno americano, chegando a ser comparada com o Black Sabbath, principalmente a partir dos próximos álbuns, nos quais os temas obscuros e de terror foram ganhando maior destaque. Blue Ōyster Cult de 1972 certamente deixou sua marca, ainda mais levando em consideração que pelo menos três das suas dez canções são bastante executadas ao vivo, ainda hoje, e outras duas ou três aparecem com uma certa recorrência ao longo de sua carreira. Apesar de não ter ganhado tanta notoriedade ainda, mesmo nos Estados Unidos, o seu símbolo e seu som foram pavimentando o caminho para que mais fiéis pudessem se converter ao "Culto da Ostra Azul".

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