segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Resenha Born Again Álbum de Black Sabbath 1983

 

Resenha

Born Again

Álbum de Black Sabbath

1983

CD/LP

Com a saída de Dio e Vinny Appice do Black Sabbath para o começo de um novo projeto, a banda considerou terminar. Don Arden, novo empresário da banda, recomendou Ian Gillan, depois de algumas outras considerações (como Robert Plant e David Coverdale). A ideia original era fazer algo completamente novo, como um supergrupo, mas quem mantinha os direitos dos contratos da banda praticamente obrigou a banda a lançar o novo projeto como Black Sabbath. Com uma das capas mais feias da história do rock, que não agradou ninguém, nem fãs, nem membros da banda, o disco foi bastante criticado pela mídia especializada, apesar de ter sido o disco de maior sucesso do Black Sabbath no Reino Unido desde o Sabbath Bloody Sabbath. Mesmo assim, o álbum é o primeiro do Sabbath a não conquistar nenhuma certificação nos Estados Unidos.

O grande elefante branco na sala é: o Ian Gillan se encaixa bem no Black Sabbath? E a resposta é “não, não muito”. As sensibilidades do Gillan são bem mais no espectro do leve e rápido, se comportando mais como se ele estivesse em um Deep Purple um pouco mais pesado, enquanto o lado teatral que o Ozzy conseguia para o lado gótico e o Dio conseguia para o lado folk se perde um pouco, com o Ian mandando para um lado mais vaudevilliano. Agora, o Ian Gillan canta melhor do que o Dio e o Ozzy? Com certeza. E isso misturado a um trabalho de guitarra muito bom, um baixo interessante e uma bateria muito bem feita cria um álbum bom. Só não é Black Sabbath. O som da banda nesse álbum é completamente sem direção, fazendo algumas músicas que no grande conceito não se encaixa muito bem, mas mesmo que perdido, tem muita qualidade, por causa da soma das partes. Em especial, o Tony Iommi é um dos melhores guitarristas do gênero da época e não deixa a bola cair em quase nenhum momento. Se tivesse um teclado um pouquinho mais presente (Geoff Nicholls arranha um pouco no começo, mas depois é esquecido), o disco teria pegado uma forma um pouco mais sólida e talvez fosse um pouquinho melhor. Do jeito que está, é um álbum bem sólido.

O começo já é uma demonstração do rock que o disco vai seguir: “Trashed” é uma faixa escrita pelo Ian Gillan sobre beber e fazer besteira, com uma bateria e um baixo de qualidade (mesmo que a guitarra tenha alguns erros aqui e ali). Com alguns instrumentais (“Stonehenge” é um instrumental basicamente de teclado, criando esse clima de mistério que não se desenvolve muito no projeto como um todo, e “The Dark”, que não importa) e algumas faixas que tentam misturar os dois mundos com pouco sucesso (“Zero the Hero” e “Born Again”), o disco se desenvolve mais como um projeto a parte do que como Black Sabbath: até porque, era o que deveria ter sido desde o começo. As melhores faixas são as que abraçam esse conceito integralmente (“Keep It Warm” brinca de constantemente mexer na velocidade da música, fazendo os dois campos brilharem nos dois mundos e “Hot Line”, apesar do caminho pop, ainda funciona bem).

A melhor faixa do álbum é “Digital Bitch”, um speed metal em que o Ian Gillan gasta praticamente toda a voz dele (talvez por isso ele nunca mais tenha sido o mesmo no Deep Purple). Tem muito do Black Sabbath, com uma guitarra pesada, um baixo que cria uma atmosfera mais sombria, uma bateria bem marcada, mas realmente é uma faixa do Deep Purple repaginada para ser do Black Sabbath. Esse álbum só não fez muito sucesso por causa da diferença gritante do som para o campo do Deep Purple, e é fácil de entender: quando sai o Dio e entra o Gillan, a banda não é mais a mesma.


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