
Resenha
3rd Ear Experience & Dr Space: Ear To Space
Álbum de 3rd Ear Experience
2019
CD/LP
O rock psicodélico e space rock com algumas incursões progressivas da banda costuma ser bastante intenso. Boa parte do som produzido pela banda, é construído dentro de uma sonoridade executadas por jams livres, às vezes com fortes e outras vezes menos propensões experimentais, mas no geral, sempre dentro de vibrações psicodélicas. O nome do disco é uma espécie de jogo de palavras com o nome da banda e com o do músico dinamarquês - que tocou alguns sintetizadores e coproduziu o álbum -, Scott Heller, mais conhecido como Dr. Space e por ser um dos fundadores do projeto, Oresund Space Collective, que inicialmente nasceu com a junção de músicos das bandas, Bland Bladen (Suécia) e Mantric Muse (Dinamarca). Inclusive, Oresund, é o nome da ponte que liga os dois países. “Scream of Eagle Bone”, elementos espaciais e atmosféricos vão ganhando a superfície gradativamente. A bateria e o saxofone são os primeiros instrumentos a aparecer, seguido por fortes linhas de baixo, fazendo dessa união uma jam bem na linha do Hawkwind. Conforme a peça vai avançando, vai ficando mais pesada e ácida, principalmente pela entrada da guitarra e os sintetizadores – e o próprio saxofone que segue arrepiando. Em 7:50 a banda diminui o ritmo da música, mas ainda se mantem dentro de uma sonoridade espacial. A peça segue diminuindo a sua intensidade até chegar ao ponto de quase silenciar, mas então que a banda começa a subir o seu som para algo na pegada da primeira parte faixa, para depois ir desaparecendo em um fade-out deixando para trás vários efeitos espaciais. “Anam Cara”, aqui são mais de 20 minutos de música. Alguns sons estranhos começam e se antecipam antes que toda a banda entre junta por meio de uma batida simples de rock. Novamente, não precisa ser um perito em Hawkwind para não deixar de perceber uma referência nesse som aqui, porém, seria como se a banda inglesa soasse, de alguma forma, mais pesada e espacial. Apesar de não existir vocalista de ofício, há algumas vocalizações meio estranhas. A marcação do baixo é ótima, enquanto as teclas vagueiam livre pela música criando uma atmosfera onírica e as guitarras salpicam a faixa com notas tímidas. Mais precisamente, após os 11 minutos, a música começa a ganhar intensidade, com a guitarra trabalhando em cima de uma zona musical com texturas primeiramente jazzísticas e depois parecendo ser influenciada por Hendrix. As vocalizações retornam por alguns segundos, mas logo somem e dão lugar a uma sonoridade mais psicodélica espacial e que se mantém assim até o seu fim. “Dreams of the Caterpillar”, passando dos 22 minutos é a música mais longa do disco. Novamente, ótimos efeitos criam um clima de introdução, chegando a atingir em determinado momento quase um elemento sinfônico, porém, depois se direciona para uma linha psicodélica estranha. Por quase 5 minutos esses efeitos dominam a peça de forma assustadora. Então a música começa acrescer aos poucos, até que por volta dos 7 minutos, há um elemento espacial que traz com ela a parte rítmica da peça, mas feita apenas com teclas que dançam por cima da música. Então que mais à frente o ouvinte é levado para um space rock mais tradicional. Em meio a evolução gradual que vai acontecendo, diferentes instrumentos vão assumindo a liderança em pontos distintos. Por volta dos 17 minutos, o teclado chega a ser hipnotizante – bem que poderia durar mais tempo. Dos 19 minutos em diante a banda cresce a musicalidade mais uma vez, mas agora para se manter assim durante os seus 3 minutos finais. “Coin in the Desert”, diferentemente das músicas anteriores, encontramos aqui alguns toques mais étnicos. Junto de uma sonoridade espacial e atmosférica, alguns sons de carrilhão iniciam a peça até que depois dos 2 minutos, bateria e depois o baixo se juntam e moldam uma seção rítmica, dando mais intensidade e corpo à música. Por volta dos 5 minutos, tambores tribais entram em cena, entregando uma espécie de cacofonia percussiva. Quando os demais instrumentos vão regressando, percebe-se um toque de música do Oriente Médio. Mesmo sendo a segunda menor música do álbum, ainda possui mais de nove minutos e meio. “Sue's Dream World”, com pouco mais de 6 minutos é a menor música e também a que fecha o disco. É basicamente uma composição solo de teclados e sintetizadores, que faz com que o ouvinte se sinta planando pelo espaço sideral. Com certeza, as texturas mais oníricas do disco se encontram aqui. Uma maneira ótima de finalizar um álbum que teve tantos momentos de psicodelia ácida, mas que no fim, decidiu abraçar o ouvinte por meio de uma sonoridade simples e balsâmica. Se um disco com uma boa quantidade de jams, assim como a de ensaios psicodélicos, consegue suprir a sua demanda, não perca mais tempo sem ouvir esse álbum, pois ele tem potencial para se tornar uma preciosidade dentro da sua coleção musical. As músicas longas aqui fluem tão bem e são tão cheias de variações, que mesmo depois de 20 minutos em uma peça, é mais fácil do ouvinte sentir um gosto de quero mais, do que a sensação de estar se entediando. 3rd Ear Experience & Dr Space: Ear To Space é space rock psicodélico autêntico, dinâmico e intenso.
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