sexta-feira, 24 de março de 2023

Scissor´s cut - Art Garfunkel (1981)


Quando eu me desfiz de grande parte de minha coleção em 2011, Garfunkel ficou. Sempre o considerei o cantor branco de música pop mais consistente da década de 70. Destaco, porém, outros grandes nomes, como Barry Manylow. Mas isto é papo pra quem tem gosto mais eclético, e não somente o gosto por rock ou pop, não é mesmo?

            Art conseguiu se destacar - como todos sabem - na dupla com Paul Simon, deixando um legado de canções no subconsciente americano e mundial até hoje. Sua carreira solo tem altos e baixos, mas bem consistente por quase uma década depois que se separou da dupla. Aliando-se a músicos competentes e compositores de alto calibre a partir de 1973. Tenho seus 5 primeiros álbuns-solo e uma coletânea com Paul Simon, quase obrigatória...

 

Este disco de 1981 é absolutamente do melhor que ele produziu, embora somente tenha gerado um single - "A heart in New York" - e longe de ser seu trabalho mais reconhecido tanto por crítica quanto por vendagens. Descobri em notas na Internet de que este álbum foi marcado pela perda da namorada de Art à época, o que se nota no romantismo das canções.  

            "A heart in New York" foi ovacionada pelo público quando executada no famoso concerto de 1981 no Central Park, o qual reuniu a famosa dupla e que deu origem a um dvd e a um álbum duplo. A Grande Maçã mais uma vez foi cantada a verso e prosa e ganhou mais esta homenagem. Neste disco - como em outros da carreira - mais uma vez temos a sessão de canções do fabuloso compositor Jimmy Webb, uma parceria profícua que ficou estabelecida no álbum “Watermark”. Composições de Webb renderam a Garfunkel alguns de seus maiores sucessos, como "All I know" e "Crying in My Sleep". De Webb são 3 e das mais fortes do disco: a faixa título - que fala de brigas conjugais e conta com o backing-vocal bem colocado de Leah Kunkel (que trabalhou também com James Taylor), "In cars" - que evoca a época de ouro da América (os anos 50, onde aquela geração saboreou um pós guerra de crescimento econômico e euforia onde imagens do sonho americano, milk-shakes e namoros nos drive-ins foram muito bem explorados pelo cinema) e "That´s all I got to say", que consta como tema de um filme (“O último unicórnio”) e realmente possui aquela aura infantil que nos remete à momentos lúdicos. Linda. Outro destaque é "Bright eyes", magnífica e sublime e uma prova do que um grande refrão faz com uma canção. "Can't Turn My Heart Away" e "So easy to begin" são daquelas canções calmas, defendidas com maestria pela voz de tenor suave de Art. "Hang on in" é pra cima e dançante, mas destoa do resto do repertório...

            A crítica da Rolling Stone deu a este disco 4 estrelas em 81. Minha cópia é holandesa da CBS. Outro disco dele que destaco - e sua melhor performance nas paradas - é "Breakaway" de 1975. Boas dicas para quem quer ter um disco para namorar no escurinho e aproveitar o melhor que a música americana pop nos deu à época, com nomes fundamentais como Paul Simon, James Taylor, Carole King, Don McLean entre outros.





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