quinta-feira, 13 de abril de 2023

FADOS do FADO...letras de fados

 



Não sou poeta

Letra de Artur Soares Pereira
Transcrita do livro editado pela Academia da Guitarra e do Fado

Ao chamar-me poeta, trovador
Decerto formulou critério errado
Senhora: eu sou um simples amador
E apenas faço versos para o Fado

O chamar-me poeta é despertar
Em mim sonhos, quimeras, ilusões
Por me julgar capaz, já, de ombrear
Com o vate imortal que foi Camões

E tal como você, uma enfermeira
Que cumpre a sua sina redentora
Decerto considera brincadeira
Quando eu passo e a trato por Doutora

Entre nós, as distâncias são iguais
Pois tanto um como o outro está distante
E tinha de estudar mais, muito mais
Para atingir esse ponto culminante

Escute, pois, um conselho muito meu,
Que não tenho pretensões a ser profeta
Está tão longe de Doutora, como eu
Estou longe, também, de ser poeta

A uma enfermeira que passou a cumprimentar o autor com um 
«Bom dia, Sr. Poeta», depois de ouvir fados seus cantados num 
«Natal dos Hospitais» transmitido do Hospital de S. José, onde trabalhavam.

Confessando-se apenas letrista, o autor ainda tentou demover a colega
comprometendo-a com um «Bom dia, Sr.ª Doutora», mas a brincadeira 
só terminou quando lhe entregou estes versos.

Este amor que me resta

António Reis / Armando Machado *fado santa luzia*
Repertório de Filomena Sousa

O leito está mais vazio
O inverno agora é mais frio
Desde o dia em que partiste
Nem remorsos nem ciúmes
Nem sequer ficam queixumes
Deste amor que tu traíste

Pisas agora outro chão
Repartes o coração
Com outro alguém que te quer
Levaste tudo contigo
Fica a saudade comigo
És agora outro qualquer

Quero que sejas feliz
O destino assim o quis
Que a vida fosse funesta
A esperança em mim já ‘stá morta
Viver assim, pouco importa
Com este amor que me resta

Por causa do teu olhar

Letra de Frederico de Brito
Desconheço se esta letra foi gravada.
Publico-a na esperança de obter informação credível

Letra transcrita do livro editado pela Academia da Guitarra e do Fado


Prendi-me no teu olhar
Mas nem vi que me prendi
Agora tenho que andar
Toda a vida presa a ti

O meu coração coitado 
Só merece compaixão
Faz lembrar um condenado 
Que se entregou à prisão

Os meus olhos deprimidos 
De terem chorado tanto
São dois náufragos perdidos 
No mar largo do meu pranto

Por ti meus lábios passaram
Por vendavais de desejos
Por causa disso ficaram
Encharcadinhos de beijos

Tem pena de mim por Deus
Olha p’ra o que eu já sofri
Não leves os olhos meus
Perdidos atrás de ti

O grito da terra

Domingos Silva / Acácio Gomes *fado acácio*
Repertório de Maria Amélia Proença

Que os campos tenham mais área
Mais cultivo, mais acão
Só com a reforma agrária
É que todos terão pão

Deixai o trigo nascer / Nas terras bem amanhadas
Como é belo ver crescer / Lindas espigas doiradas

De flor (?) o loiro trigo / Grito que a terra espalha
Tu és o melhor amigo / De quem a terra trabalha

O pão que a gente consome / Ganho com suor do rosto
É pão que nos mata a fome
Sem o travo do mau gosto




Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

Bad Company – Bad Co (1974)

Em seu primeiro álbum, o Bad Company — liderado pelo ex-vocalista do Free, Paul Rodgers, e pelo guitarrista original do Mott, Mick Ralphs — ...