terça-feira, 30 de maio de 2023

Pete Brown & Piblokto! – Things May Come And Things May Go, But The Art School Dance Goes On Forever (1970/ Harvest)

 

 A história da contracultura britânica ficou um pouco mais órfã desde o recente desaparecimento do grande Pete Brown. Poeta, músico, escritor, letrista, compositor e agitador cultural de uma época irrepetível. Aquele do London Roundhouse, do fanzine do International Times, dos clubes UFO e Middle Earth.....



Em sua primeira banda, The First Real Poetry Band, ele tinha um guitarrista desconhecido chamado John McLaughlin. O Cream não seria o mesmo sem suas letras. É aí que uma reputação séria é criada. "I Feel Free", "Sunshine of your Love", "White Room" ou "Politician" levam sua assinatura, para citar alguns. Battered Ornaments será sua próxima aventura (efêmera). Ele grava sua estreia, "A Meal you can shake with in the dark" (1969/Harvest). Mas ele é demitido por sua própria banda na véspera da abertura dos Rolling Stones no Hyde Park.......O que ele faria?!!! A reação dele vai ser rápida e vai se chamar Pete Brown & Piblokto! Rob Tait, baterista de seu empreendimento anterior, permanece fiel. Jim Mullen (guitarra), Roger Bunn (baixo) e Dave Thompson (órgão) serão os primeiros Piblokto! Gravam um single que será o interlúdio do álbum "Things May Come and Things May Go but...The Art School Dance Goes on Forever". Resumindo, o título. Uma daquelas delicatessen progressivas de primeira geração que não devem faltar em nenhuma coleção séria de valor próprio. Em 1971 sai Roger Bunn (ele editará seu álbum "Piece of Mind"), sendo substituído por Steve Glover. Essa formação vai gravar outra bomba progressiva com um sabor irresistível, "Thousands on a Raft" (1970/Harvest). E ainda haverá uma versão final do Pibloktera apresentando ex-Eyes of Blue, Phil Ryan e "Pugwash" Weathers, da fama de Man/Ancient Grease/Gentle Giant. Jim Mullen trabalhou com Vinegar Joe, Brian Auger, Average White Band, Kokomo e Morrisey Mullen Band. Rob Tait também fez parte de Vinegar Joe, Dick Heckstall-Smith e Gong.

Pete Brown gravou com Graham Bond e continuou sua estreita colaboração com Jack Bruce. Além de se dedicar a trilhas sonoras. Em 2010 editou a autobiografia "White Rooms & Imaginary Westerns". E em 2017 fez a letra da última do Procol Harum.

A faixa-título desta esplêndida estreia lembrava imediatamente Crazy World de Arthur Brown, The Norman Haynes Band ou Atomic Rooster. Cinco preciosos minutos de cumplicidade entre micro-órgão-guitarra, mais um ritmo do diabo e o trompete do líder jazzando o quente sarao.

"High Flying Electric Bird" tem conotações diretas com Canterbury:  Kevin Ayers, Soft Machine ou Matching Mole comungam em vibrações country alucinadas. Também "Someone Like You" lembra a elegância decadente de Ayers e seu mundo inteiro. Mullen "dedos de ouro" se apaixona a cada segundo. Pedaço do céu, é isso. Outra escalada hipnotizante será "Walk for Charity, Run for Money", com Brown absorto em suas alucinações malucas escritas em transe. Enquanto a banda constrói um labirinto de sensações sonoras extraordinárias. Aqui tem jazz, prog e psych, tudo bem amarrado e soldado. Agora há duas canções de Brown/Spedding, então elas pertencem ao período Battered Ornaments. E de fato, eles também aparecem em seu segundo álbum, "Mantlepiece"

"Então eu devo ir e posso ficar" poderia ser de Cream. Até Brown soa como Jack Bruce cantando. E o baixo range bestialmente, como ele faria. A outra é "My Love is Gone Far Away", outra fantasia animada brotada do frutífero e florescente jardim mental de seu líder. "Golden Country Kingdom" está perto do country pub rock que logo se espalhará pelo Reino Unido. E os longos para o final. "Firesong" (6'00) começa como Alan Stivell com sombrio Harmonium. Para mudar e ir para o sax, rumo a um prog jazz entre Colosseum e VDGG.E Pete Brown parece Peter Gabriel em seus primórdios!!

A final "Country Morning" (6'47) é outra pedra preciosa essencial. Como uma mutação entre Family, Mark-Almond, Savoy Brown e Fleetwood "Peter Green" Mac.



O álbum seguinte, do mesmo ano, dá um passo gigantesco. Eles abandonam qualquer vento e avançam até a medula. "Thousands on a Raft" é outro monstro ainda mais exagerado. Destaque para os 17 minutos de "Highland Song". Ambos os álbuns são necessários para respirar. Eu não vou dizer mais nada.  


Temas
A1 Things May Come and Things May Go, But the Art School Dance Goes on for Ever 00:00
A2 High Flying Electric Bird 05:06
A3 Someone Like You 9:24
A4 I Walk for Charity, Run for Money 15:13
B1 Then I Must Go and Can I Keep 20:45
B2 My Love's Gone far Away 24:38
B3 Golden Country Kingdom 27:28
B4 Firesong 30:40
B5 Country Morning 36:42



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