quinta-feira, 20 de julho de 2023

Disco Imortal: The Beatles – White Album (1968) (Terceira parte)

 Immortal Record: The Beatles – Álbum Branco (1968) (Terceira parte)

Álbum Branco, disco 2

Registros da Apple, 1968

Se foi a tristeza que evocou o fechamento do primeiro disco com 'Julia', com 'Birthday', primeira música do segundo disco, o sentimento é o contrário, uma música que em seu ritmo e entrega fala de festa por todos os lados, as guitarras som maravilhoso, carimbo beatle muito característico e a interpretação de McCartney mais as batidas de Ringo complementam muito bem essa festa musical.

Uma das poucas incursões frontais no blues dos Beatles vem com 'Yer Blues', uma música muito depressiva que era tocada em noites na Índia onde Lennon se sentia muito arrasado. A atuação angustiante de Lennon se destaca principalmente.

'Aniversários'

Outra beleza que é complementada pelo uso da bateria sob alguns violões é 'Mother Nature Son', por outro lado 'Everybody's Got Something to Hide Except Me and My Monkey', devolve a vida a produção e as acid guitars de Harrison, outra música inspirado pelo Maharishi, como 'Sexy Sadie', que falava da decepção de Lennon em realizar algumas intenções maléficas com as garotas que apoiavam a banda, originalmente até se chamaria 'Maharishi', mas persuadido por Harrison ele mudou o nome para evitar possíveis controvérsias ou ações judiciais.

Uma das composições mais temperadas do álbum vem da mão de 'Helter Skelter', talvez um dos pontapés iniciais de tudo o que hoje chamamos de heavy metal, durante esses anos a banda se deslumbrou com as incríveis e estridentes apresentações do The Who e ele não queria ficar no limite fazendo sua própria versão de uma música que fosse o mais voltada para o rock possível. Para a gravação, que durou mais de 20 minutos, a frase "Estou com bolhas nos dedos!" de Ringo (estou com bolhas nos dedos), o que realmente lhe dá o toque final com um tremendo e já clássico grito. Surgiriam então todos os tipos de controvérsias sobre a suposta influência dessa música nos assassinatos de Charles Manson, o serial killer americano.

Helter Skelter

Outra de Harrison vem com 'Long, Long, Long', que reflete em sua essência toda a espiritualidade do beatle mais apegada a essas meditações transcendentais, e em 'Revolution' aparece o lado totalmente ativista e político de Lennon, que aumentaria muito mais depois do fim da banda, vamos pensar que em 1968 muitos motins, greves e coisas assim aconteciam, claramente a Guerra do Vietnã e o envio das tropas americanas inspiraram o músico a compor essa música, que não necessariamente propunha uma revolução, senão que ele chamou para manter posições pacíficas diante de todos esses conflitos, mas para conscientizar sua geração de qualquer maneira. A música, apesar de neste álbum ter sido gravada com violões e desacelerada, viria a ser regravada em uma versão final estridente,

Outra invenção de McCartney vem com 'Honey Pie', que soa quase como uma homenagem às velhas canções que ouvia na infância em Liverpool, e a que se segue é a divertida 'Savoy Truffle', com até incursões de saxofone e que ele relembra o vício em chocolate do grande amigo de Harrison, Eric Clapton.

'Cry, Baby, Cry' de Lennon quase caiu como a música de encerramento para canções de formato convencional dos Beatles, para depois dar lugar a essa loucura chamada 'Revolution No. 9' que são oito minutos de experimentação total com fitas ao contrário e várias misturas de vozes que atingem o grau do sinistro.

Tudo fecha o disco com 'Good Night', uma música com arranjos orquestrais grandiloquentes demais e que, como o próprio Lennon propôs, soa o mais brega possível, a voz de Ringo se despedindo no final de alguma forma gera outro grau de emoção considerando-a como Adeus a este novíssimo álbum, duas vezes, que esta fabulosa banda nos deu.

'Revolução'


As opiniões se dividem na antologia dos Beatles sobre algumas músicas que não deveriam ter sido incluídas neste álbum, o próprio produtor George Martin comentou que deveria ter sido compactado a ponto de torná-lo um, Harrison também pensou algo muito parecido, só que McCartney divergiu Nesse sentido, dizer que o álbum é o grande álbum duplo dos Beatles, onde tivemos músicas de diversos estilos: heavy rock, blues, country, pop, e todas muito bem conjugadas e muito bem colocadas em seu devido lugar.

Daqui, pelo menos, ficamos com esta última opinião, uma verdadeira sementeira musical para o que viria daí em diante. Existem outros álbuns gloriosos como 'Sgt. Pepper' ou 'Abbey Road', mas este álbum duplo, por tudo o que representou e por toda a história em que esteve exposto, destaca-se como os grandes discos da história do rock, inesquecíveis e daqueles que não se pode deixar de lado .para ouvir para sempre.

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