sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

ALBUM DE ROCK PROGRESSIVO

 

La Barranca - Piedad Ciudad (2010)


Continuamos com o melhor do rock mexicano e aqui temos novamente o La Barranca, uma banda com uma trajetória perfeita, uma qualidade musical única e uma excelente proposta. E aqui está um dos melhores discos do La Barranca, pelo menos um dos que mais gosto (se não o que mais). Imperdível, ouvir essa banda é sempre uma delícia: a voz de Aguilera, suas letras criando um rock poético, música para voar a sério, deixando-se levar pelas notas e palavras, donos de uma base de fãs que os transforma em uma banda cult. Impossível deixá-los de lado se continuarmos revisando o melhor do rock mexicano. Aproveite...

Artista: La Barranca
Álbum: Piedad Ciudad
Ano: 2010
Gênero: Rock progressivo
Nacionalidade: México


Este é provavelmente um dos melhores trabalhos desta notável banda mexicana, para alguns diretamente a melhor banda de rock mexicana. Para quem não os conhece, é uma banda com quase 20 anos de experiência, onde o grupo percorreu um dos caminhos mais pessoais e distintos da história da música no México. Sempre reconhecido pela sua solvência musical, La Barranca também encontrou desde o início a sua própria voz, e soube cantar as facetas da realidade social de uma forma inconfundível. Essa sonoridade foi enriquecida e diversificada ao longo do tempo, com o contributo de numerosos músicos e com uma mestria cada vez maior no ofício de criar canções próprias e originais. O resultado é uma discografia essencial de mais de seis discos, colecionados com fervor pelo público de seu país. 

Falar sobre La Barranca é uma verdadeira honra para mim, pois devo admitir que é e sempre será uma das minhas bandas favoritas. Da mesma forma, atrevo-me a dizer que La Barranca é uma das poucas, senão a única banda que, ao longo da sua extensa carreira, soube manter a sua essência, a mesma essência que pouquíssimas bandas conseguem transmitir através de mais de ao longo dos anos, não só através da sua música, mas também através deles próprios.
É quase inevitável pensar em Caifanes-Jaguares quando mencionamos La Barranca; porque ambas as trajetórias são muito paralelas e, como muitos de nós sabemos, os criadores de La Barranca foram e são membros do famoso grupo liderado por Saúl Hernández, incluindo José Manuel Aguilera, que na época também teve que se juntar ao grupo, junto o que se acrescenta, que graças à sua contribuição Jaguares tem uma das melhores produções discográficas de sua história, sendo esta; Equilíbrio.
Relembrar a história de La Barranca me enche de lembranças muito agradáveis, enfim, como esquecer os tantos toquines que tive que presenciar em pequenos bares, tanto em Guanatos, quanto no DF e em Tijuana (..o distante, como diria Aguilera )? Uma viagem na qual vimos muitos dos grandes nomes do México; Alfonso André, os irmãos Arreola, Alex Otaola, Federico Fong, entre outros. Agora La Barranca volta mais uma vez aos palcos para apresentar oficialmente "Piedad Ciudad", seu novo material, que ainda não está disponível, mas a partir de agosto poderá ser encontrado em diversos pontos do México. Claro, com a esperança de o termos em breve nas nossas mãos também deste lado do continente norte-americano. 

Máquina Estelar


Este álbum conta com 12 músicas cuja temática tem sempre como pano de fundo a vida nas grandes cidades. O álbum é também uma homenagem à imensa Cidade do México, onde sempre esteve localizada La Barranca. Desta vez a cor predominante é dada pelas guitarras elétricas, o que confere um som mais rock and roll e estridente.

O álbum é baseado principalmente na experiência de viver em uma cidade como o Distrito Federal (México), prática que poderia ser equiparada a estar na “ordem do caos”. 



Esta banda sempre me soou muito parecida, pela voz, pelas guitarras, pela atmosfera, aos Redonditos de Ricota da época "Luzbelito", mas acima de tudo este álbum mantém uma estética semelhante à do grupo argentino, ouça por exemplo “Flecha” mas sobretudo “La Lengua del Alma”, e em geral todas as músicas do álbum, talvez mais experimentais, com mais pausas, mas com muita personalidade e originalidade. 
 
Há 15 anos, três músicos conhecidos da cena rock mexicana subiram ao palco no segundo andar de um antigo prédio no centro da Cidade do México. Não foi a primeira vez que tocaram juntos, mas foi a primeira vez que tocaram essa música ao vivo e a primeira vez que se apresentaram com um novo nome. Os músicos eram José Manuel Aguilera, Federico Fong e Alfonso André, e o nome da banda que nasceu naquela noite era La Barranca.
Desde então, o grupo seguiu um dos caminhos mais pessoais e distintos da história da música no México. Sempre reconhecido pela sua solvência musical, La Barranca também encontrou a sua própria voz desde o início, e soube cantar as facetas da nossa realidade de uma forma inconfundível e totalmente mexicana. Esse som distinto foi enriquecido e diversificado ao longo do tempo, com as contribuições de numerosos músicos que habitaram o seu núcleo e através de um domínio crescente do ofício de criar canções próprias e originais. O resultado é uma discografia essencial de mais de seis discos, colecionados com fervor pelo seu público e sempre considerados entre os mais importantes da produção nacional.
Já em 2010, La Barranca apresenta Piedad Ciudad, uma nova produção discográfica longa, eléctrica e poderosa, na qual se reafirma como um grupo em permanente procura de novas sonoridades. Produzido na Cidade do México, com apoio financeiro da FONCA, por Federico Fong, José Manuel Aguilera e o engenheiro de áudio Eduardo del Águila (antigo cúmplice de toda a discografia da banda), Piedad Ciudad dá um novo toque à estética de La Barranca, e é uma mudança radical em relação ao ecletismo sonoro de Providencia (2008), sua produção anterior.
Piedad Ciudad vem carregado com guitarras elétricas, riffs e poderosos baixos rítmicos e linhas de bateria. Como o próprio título sugere, o álbum é inspirado no ambiente caótico da cidade, mas tentando encontrar nele uma ordem, uma postura vital ou, parafraseando uma antiga letra da banda, “…procurando um pouco de beleza”.
Neste ano de comemorações do centenário que por vezes entram em conflito com a realidade quotidiana, este álbum surge como uma recordação do espírito primordial do rock: a música que é do nosso tempo, que nos pertence, que nos fala.
O álbum encontra a dupla fundadora da banda, e responsável por sua continuidade, Aguilera e Fong, em grande momento criativo. Não só as guitarras de Aguilera voltam a explodir ao longo de todo o álbum, mas Federico apresenta aquele que é provavelmente o seu trabalho mais forte no baixo. Tudo isso reforçado com as contribuições dos músicos que há alguns anos dão vida a La Barranca em suas apresentações ao vivo: o guitarrista Adolfo Romero e o baterista Iván Solís. Mas Piedad Ciudad também se nutre de outras presenças, convidados de luxo como a inconfundível bateria de Alfonso André, as cordas de Mónica del Águila e Jorge Gaitán, e a refrescante aparição do clarinete de Steven Brown, com quem Aguilera fundou o grupo Nine in 1993. Chuva.
Mas o importante na música de La Barranca sempre foram as canções. E as doze novas canções que compõem Piedad Ciudad nos levam a uma extensa viagem emocional. Canções como “En el Fondo de Tus Sueños”, “Viento Rojo”, “Más Beyond the Law”, tecem um discurso elétrico que confirma La Barranca como uma banda essencial do nosso tempo. Entre eles surge o single “La lengua del alma”, uma música com conotações inquestionáveis ​​do Zeppelin, que dá uma amostra do que este novo trabalho oferece.
E para apresentar esta nova produção em Guadalajara, cidade querida e fundamental no desenvolvimento da banda, La Barranca regressa ao Teatro Diana, que há dois anos serviu de cenário para o tão esperado regresso do grupo numa apresentação memorável. A noite promete ser intensa, cheia de música nova. Música que olha para o futuro de uma banda que iniciou sua trajetória há quinze anos, com a produção de seu primeiro álbum, El Fuego de la noche (1996), gravado nesta cidade a poucos quarteirões do Diana.

Em suma, um álbum altamente recomendado.


 
E você pode ouvir o álbum em seu site oficial:
http://labarranca.com.mx/js_albums/piedad-ciudad/



Lista de tópicos:
1. En el Fondo de tus Sueños
2. La Lengua del Alma
3. Viento Rojo
4. Indestructible
5. Sombras Chinas
6. Posiblemente Imposible
7. Flecha
8. Anzuelo
9. Más Allá de la Ley
10. Jamás Debí Volver
11. Ala de Cuervo
12. Edén


Formação:
- José Manuel Aguilera / guitarra, voz, percussão (12)
- Federico Fong / baixo, VCS3 (5), backing vocals, piano (11)
- Alfonso André / bateria (5, 7, 11, 12), percussão, backing vocals
- AdolfoRomero / guitarra (1, 2, 8, 9)
- Navi Naas / bateria (1, 2, 3, 4, 6, 8, 9, 10)
- Jorge Gaitán / violino elétrico (2, 5)
- Steven Brown / clarinete (12)
- Mónica Del Águila Cortes / violoncelo (2, 3, 5, 11)
- Arturo Gonzañez Viveros / violino (3, 5, 9)
- Érika Ramírez Sánchez / viola (3, 5, 9)
- Acacia Bedel / obe e ultrassom (11)
- Martín Ramírez / trombone (2, 12)

 

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