A louca do cais
João de Freitas / Joaquim Campos
Repertório de Valdemar Vigário
Publicado no livro da Academia do Fado e da GuitarraRepertório de Valdemar Vigário
Título original *Alucinação*
Eu encontrei no cais uma linda velhinha
Cabelo cor da neve, o céu azul, fitando
Triste e silenciosa estava ali sozinha
Com o lenço na mão para o mar acenando
Eu quedei-me surpreso ali a contemplar
Seus gestos maquinais, pois não via ninguém
De quem se despedisse e ela sempre a acenar
Pensando estar no cais a dizer adeus a alguém
Depois vim a saber, que enlouqueceu de dor
A sua triste história houve alguém que a contou
Que partira prá guerra um filho, o seu amor
Dali se despediu e nunca mais voltou
Agora a pobre mãe, numa alucinação
Todos os dias vai cumprir seu negro trilho
Acenar para o mar com o lenço na mão
Pensando estar no cais a dizer adeus ao filho
Cabelo cor da neve, o céu azul, fitando
Triste e silenciosa estava ali sozinha
Com o lenço na mão para o mar acenando
Eu quedei-me surpreso ali a contemplar
Seus gestos maquinais, pois não via ninguém
De quem se despedisse e ela sempre a acenar
Pensando estar no cais a dizer adeus a alguém
Depois vim a saber, que enlouqueceu de dor
A sua triste história houve alguém que a contou
Que partira prá guerra um filho, o seu amor
Dali se despediu e nunca mais voltou
Agora a pobre mãe, numa alucinação
Todos os dias vai cumprir seu negro trilho
Acenar para o mar com o lenço na mão
Pensando estar no cais a dizer adeus ao filho
A lua e o corpo
Rui Manuel / Alfredo Duarte *menor-versículo*
Repertório de Chico Madureira
Eis que a lua devagar te vai despindo
Atrevendo uma carícia em cada gesto
De tal modo é que a nudez te vai vestindo
E o teu corpo condescendo sem protesto
Mal os ombros se desnudam, surge o peito
Logo os ombros no desenho da coluna
Cada músculo detém o mais perfeito
Movimento, em sincronia com a ternura
Já as ancas se arredondam e projectam
Sobre as coxas, sobre os vales, sobre os montes
Onde as vidas, noutras vidas se completam
Quando o tempo é um sorriso, ou uma fonte
Fica a roupa amontoada junto aos pés
Quer dos teus, quer dos da cama que sou eu
Estendo a mão, apago a luz, que a nudez
Do teu corpo, fica acesa sobre o meu
Repertório de Chico Madureira
Eis que a lua devagar te vai despindo
Atrevendo uma carícia em cada gesto
De tal modo é que a nudez te vai vestindo
E o teu corpo condescendo sem protesto
Mal os ombros se desnudam, surge o peito
Logo os ombros no desenho da coluna
Cada músculo detém o mais perfeito
Movimento, em sincronia com a ternura
Já as ancas se arredondam e projectam
Sobre as coxas, sobre os vales, sobre os montes
Onde as vidas, noutras vidas se completam
Quando o tempo é um sorriso, ou uma fonte
Fica a roupa amontoada junto aos pés
Quer dos teus, quer dos da cama que sou eu
Estendo a mão, apago a luz, que a nudez
Do teu corpo, fica acesa sobre o meu
A Lucinda camareira
Henrique Rego / Alfredo Duarte *fado bailarico*
Repertório de Fernando Maurício
A Lucinda camareira
Era a moça mais ladina
Mais formosa, mais brejeira
Do café da Marcelina
De maneira graciosa
Repertório de Fernando Maurício
A Lucinda camareira
Era a moça mais ladina
Mais formosa, mais brejeira
Do café da Marcelina
De maneira graciosa
Sobre um lindo penteado
Trazia sempre uma rosa
Trazia sempre uma rosa
Cor de rosa avermelhado;
Eu vivi enfeitiçado
Eu vivi enfeitiçado
Por aquela feiticeira
Que airosamente ligeira
Que airosamente ligeira
Servia de mesa em mesa;
Tinha feições de princesa
Tinha feições de princesa
A Lucinda camareira
Primando pela brancura
Primando pela brancura
O seu avental de folhos
Realçava-lhe a negrura
Realçava-lhe a negrura
Encantadora dos olhos;
Nem desgostos nem abrolhos
Nem desgostos nem abrolhos
Sofrera desde menina
Que apesar de libertina
Que apesar de libertina
Orgulhosa e perturbante;
No velho café cantante
No velho café cantante
Era a moça mais ladina
Os marialvas em tipóias
Os marialvas em tipóias
Iam da baixa num salto
Ver a mais linda das jóias
Ver a mais linda das jóias
Ao café do Bairro Alto;
A camareira que exalto
A camareira que exalto
De tão singular maneira
Era amada pela cegueira
Era amada pela cegueira
Que a palavra amor requer;
Para mim era a mulher
Para mim era a mulher
Mais formosa e mais brejeira
Certa noite de fim d’ano
Certa noite de fim d’ano
Em que certo cantador
Cantava ao som do piano
Cantava ao som do piano
Cantigas feitas de amor;
Um cigano alquilador
Um cigano alquilador
De têz bronzeada e fina
Por afortunada sina
Por afortunada sina
A Lucinda conquistou;
E para sempre a levou
E para sempre a levou
Do café da Marcelina
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