quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Discografias Comentadas: Scorpions [Parte 1]

 

UNSPECIFIED - CIRCA 1970: Photo of Scorpions Photo by Michael Ochs Archives/Getty Images
Uli Jon Roth, Francis Buccholz, Rudolf Schenker, Klaus Meine e Herman Rarebell

Por Mairon Machado

Uma das maiores bandas do hard rock setentista, e um dos grandes nomes do metal mundial nos anos 80, esse é o grupo alemão Scorpions. Com uma carreira de mais de 40 anos de estrada, o grupo já lançou dezoito álbuns, os quais serão analisados por mim e pelo colega Fernando Bueno, em duas matérias que serão dividas entre 1972 / 1985 e 1988 / 2015.

Começamos então com a primorosa era dos anos 70, na qual as guitarras eram dominadas por Michael Schenker e Uli Jon Roth, além dos três clássicos álbuns do início dos anos 80.


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A estreia dos alemães é uma pepita de ouro a ser encontrada pelos fãs. Voltada quase que exclusivamente para canções que privilegiam a parte instrumental, temos aqui um hard rock que marcou época, misturando um som pesado com muita psicodelia. O grupo era formado pelos irmãos Schenker (Rudolph e Michael) nas guitarras, Klaus Meine (vocais), Wolfgang Dziony (bateria) e Lothar Heimberg (baixo), e com Michael sendo o principal nome. Parece mentira que o garoto Michael, com apenas 16 anos, é quem está fazendo toda a sonzeira que ai das caixas de som, seja através do emprego de muita melodia na bela “Leave Me”, que também chama a atenção pelo bom trabalho vocal, aplicando virtuosismo na deliciosa maluquice de “Inheritance”, recheada de mudanças de andamento, ou na alucinante “I’m Going Mad”, cuja introdução apresenta Michael para o mundo através de um breve solo de uma canção que assusta e encanta ao mesmo tempo, seja pelas vocalizações bem encaixadas ou pelos gritos dilacerantes de Klaus Meine. O grupo traz também influências jazzísticas em “It All Depends” e “Action”, que usam e abusam do improviso de Michael sobre uma dançante levada de baixo e bateria, lembrando um pouco o Jethro Tull da fase Mick Abrahans. Não engane-se com a introdução de “In Search of the Peace of Mind”, pois ela irá brutalmente transformar-se em uma viajante faixa que narra a história de um sujeito em busca de um pedaço de sua mente. Viagem mesmo fica por conta da longa faixa-título. Com mais de treze minutos de duração, a canção perpassa por um pequeno trecho vocal, que conduz ao magnífico e longo solo de Michael, combinando escalas jazzísticas, virtuose e muita distorção, e metamorfoseia-se em uma endiabrada sessão de gritos sobre um ritmo sinistro e hipnotizante. O disco fez relativo sucesso pela Alemanha, apesar de não ter emplacado mundialmente, e hoje é cobiçado por colecionadores e admiradores de Michael Schenker, que buscam nas raízes de sua carreira algumas explicações para explicar um dos maiores monstros das seis cordas que ele veio a se tornar posteriormente com o UFO.

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Lothar Heimberg, Rudolf Schenker, Michael Schenker, Klaus Meine e Wolfgang Dziony: formação de Lonesome Crow

O grupo abriu para o UFO durante a turnê alemã dos britânicos, e se apavorou com o talento de Michael, levando-o para assumir o posto de guitarrista principal e gravar discos clássicos, como Phenomenon, Force It, Lights Out e o aclamado ao vivo Strangers in the Night. Para seu lugar, um garoto amante de Jimi Hendrix, que liderava um rupo local chamado Dawn Road, era o nome a ser escolhido. Porém, o novato, batizado de Uli Jon Roth, preferiu seguir com sua banda, e assim, o Scorpions deixou de existir. Rudolf decidiu seguir em ação, e aceitou a ideia de Uli para ingressar no Dawn Road. O grupo cumpriu alguns contratos, e então, percebeu que, trazendo novamente Klaus para os vocais, e adotando novamente o nome Scorpions, poderiam conseguir mais reconhecimento (lembrando que o Scorpions já tinha uma certa fama na Alemanha). Nascia assim um novo Scorpions, formado pelos quatro membros do Dawn Road – Uli Jon Roth (guitarra), Francis Buchholz (baixo), Achim Kirschning (teclados) e Jürgen Rosenthal (bateria) – ao lado de Rudolf e Klaus.


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Fly to the Rainbow [1974]

O melhor disco do Scorpions e fim de papo.  Os garotos do Dawn Road fizeram com que Klaus Meine crescesse como vocalista, sendo o homem de destaque na linda “Fly People Fly” e em “Far Away”, canção que irá agradar aos apaixonados pelo som da década de 80 principalmente por ser mais acessível perto das demais. Porém, o nome do disco é Uli. Ele apresenta sua técnica com a alavanca na veloz “Speedy’s Coming”, e dá uma aula de criação de riffs na pancada “This is My Song”. Mostrando ser um virtuose que domina vários estilos, Uli também detona o violão flamenco com uma impecável performance em “They Need a Million”, faixa brutal com a presença marcante do sintetizador de Achim, que não foi creditado oficialmente como membro da banca, e com os vocais principais de Rudolf, que também nos brinda com seus vocais na fantástica “Drifting Sun”, uma alucinante canção que mistura psicodelia e virtuosismo, na qual Uli também surge como voz principal. O grande momento de Fly to the Rainbow vai para a excepcional faixa-título, um petardo de quase dez minutos, com os vocais divididos entre Klaus e Uli, e que encanta o ouvinte diversas vezes, seja na linda introdução ao violão clásico – um dos mais lindos dedilhados que já ouvi – acompanhada por um belo arranjo vocal, seja pela grudenta letra que acompanha o grudento riff, seja pelo ritmo cavalgante de baixo e bateria, seja pela simplicidade da transição de vocais, inspirada em “Little Wing” (Jimi Hendrix), seja pelas camadas de teclados no grandioso solo de Uli, mandando ver com a alavanca, e que se é impressionante em estúdio, ao vivo era mais encantador e surpreendente, já que o homem simplesmente fazia a guitarra gemer sem sentir dor, humilhando-a de maneira que poucos conseguem fazer. Uma música linda, que por si só já vale a aquisição dessa obra-prima do rock alemão, e um dos melhores discos da história.

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A mistura Dawn Road + Scorpions: Jürgen Rosenthal, Rudolf Schenker, Klaus Meine, Achim Kirschning, Uli Jon Roth e Francis Buchholz. Formação de Fly to the Rainbow

Jürgen deixou a banda por ter sido convocado para o exército, e posteriormente, em 1976, acabou indo fazer parte do grupo de rock progressivo Eloy. Para seu lugar entra Jurgen Fechter, que fica pouco tempo nas baquetas, sendo rapidamente substituído por Rudy Lenners. Nascia então a primeira formação estável do grupo, a qual lançou dois álbuns.

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Rara imagem com Jurgen Fechter (o primeiro da direita para a esquerda)

Scorpions-In-TranceIn Trance [1975]

O primeiro disco da nova formação mostra um novo Scorpions, mais pesado e voltado para o hard rock que o consagrou mundialmente, muito graças a nova parceria com o produtor Dieter Dierks, e ainda, um Uli Roth cada vez mais em destaque, inclusive sendo o compositor exclusivo de quatro canções: a suave e viajante “Evening Wind”, a qual possui os vocais de Klaus Meine e conta com um show a parte de Uli com o botão de volume; “Dark Lady”, uma veloz e virtuose homenagem à Jimi Hendrix, na qual Uli divide os vocais com Klaus; o blues “Sun in My Hand”, na qual além do espetáculo da guitarra de Uli, que faz duelos e passagens com os vocais do próprio, o peso do baixo também chama a atenção; e a bela instrumental “Night Lights”, uma aula de melodia e técnica para aprendizes e mestres das seis cordas. O peso de “Top of the Bill”, com Uli novamente dando um show de uivos com a alavanca, contrasta com a velocidade de “Robot Man”, faixa perfeita para abrir um show devido a sua alta energia, ou com o hard de “Longing for Fire”, que parece ter saído dos primeiros álbuns do Rush. Os teclados de Achim, ainda como membro convidado, destacam-se na linda faixa-título, a qual podemos dizer foi a primeira balada de sucesso do grupo, contendo um belo solo de Uli, e na tocante “Life’s Like a River”, cujo riff central é de chorar de tão perfeito, assim como o riff da emocionante “Living and Dying”, outra que os teclados também marcam presença em um disco muito bom, apenas um pouco abaixo de seu antecessor e de seu sucessor. A capa do álbum causou polêmica, por trazer uma linda loira “transando” com uma guitarra, e com um dos seios a amostra, sendo foi proibida em muitos países, onde foi colocado uma mancha negra sobre o seio. É nela também que pela vez surge o tradicional logo da banda.


Virgin-Killer-Deluxe-Collector-Edition-coverVirgin Killer [1976]

O segundo lançamento do grupo com a mesma formação, continuando a parceria com Dieter Dierks, é uma aula do hard rock setentista. Mais maduros, e cada vez mais separados entre o talento individual de Uli Jon Roth e as composições mais acessíveis de Rudolf Schenker e Klaus Meine, o quinteto consegue unir essas divergentes ideias em canções que tornaram-se clásssicos do que convém ser chamado Uli Years. Uli novamente é dono exclusivo de quatro canções: a faixa-título, com um riffzão para colocar a casa abaixo; a lindíssima “Yellow Raven”, saída das penumbras sombreadas por “Little Wing”, ambas cantadas por Meine, e as Experiencianas “Hell-Cat” e “Polar Nights”, ambas cantadas por Uli, com a primeira destacando alavancadas e bends, e a segunda tendo um show de hammers e arpejos, mostrando que Uli era uma banda a parte. O guitarrista também divide a composição com Meine e Schenker na paulada “Pictured Life”. O grupo segue caprichando na criação de baladas, e nesse álbum, a bela “In Your Park” é a responsável pelo momento “isqueirinho aceso”, com Uli abrilhantando a faixa com harmônicos divinamente encaixados, assim como o guitarrista também apimenta com seu toque diferenciado as passagens de guitarra na igualmente bela “Crying Days”. A velocidade de “Catch Your Train”, com os dedos de Uli deslizando furiosamente pelas cordas enquanto Meine gasta as cordas vocais, e o embalo de “Backstage Queen” complementam  Virgin Killer, um álbum praticamente perfeito, o qual, na minha modesta opinião, está atrás de Fly to the Rainbow apenas por conta de pequenos detalhes. Sua capa, com a jovem adolescente nua, causou ainda mais polêmica e a capa de In Trance, sendo também proibida em muitos países, com alguns colocando uma tarja preta sobre os seios e a vagina da menina, e outros simplesmente trocando a arte. Para saber mais sobre as polêmicas capas do Scorpions, leia esse texto do colega Fernando Bueno. O disco atingiu a posição 32 na parada de discos japonesa, mercado onde o grupo nunca parou de crescer.

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Francis Buchholz, Rudolf Schenker, Klaus Meine, Rudy Lenners e Uli Jon Roth: formação de In Trance e Virgin Killer

61huQQJJ1gLTaken By Force [1977]

A despedida em estúdio de Uli Jon Roth do Scorpions é um dos grandes discos da década de 70, assim como seus antecessores. Contando com mais uma dança nas baquetas, agora com a entrada de Herman Rarebell no lugar de Rudy Lenners, para muitos esse é considerado o melhor disco da fase Uli. Apesar de não concordar com isso, tenho que admitir que Taken By Force é um disco praticamente impecável. Uli aparece como compositor de três faixas: a agitada “I’ve Got to Be Free”, a clássica “The Sails of Charon”, com suas escalas egípcias na guitarra que tornaram-se essenciais nas apresentações de Uli Jon Roth a partir de então, e a swingante “Your Light”, ótima para aquela balada de sábado à noite. Do álbum, saíram pelo menos três clássicos incontestáveis, a pesadíssima “Steamrock Fever”, a veloz “He’s a Woman – She’s a Man”, uma pancada pesadíssima com muitos ataques à alavanca de Uli, mas com uma letra simplesmente terrível, e a maravilhosa e bela “We’ll Burn the Sky”, com suas variações entre o andamento leve e os solos recheados de arpejos e hammers que Uli eternizou nas mentes dos fãs dos alemães. Complementam o quinto disco do grupo a bela e esquecida “The Riot of Your Time”, com sua densa introdução aos violões e seu ritmo alucinante, e a baladaça “Bprn to Touch Your Feelings”, um indicativo das baladas melosas que acabaram caracterizando o grupo nos anos 80. Foi uma despedida em alto nível, que trouxe mais uma polêmica com a capa original, a qual mostra um duelo de garotos em um cemitério católico. A capa foi proibida nos Estados Unidos e Reino Unido, e se tornou cobiçada pelos colecionadores.

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Chegada da banda no Japão, em 1978: Uli Jon Roth, Klaus Meine, Francis Buchholz, Herman Rarebell e Rudolph Schenker

A turnê de Taken By Force que levou o grupo ao Japão pela primeira vez, onde, recebidos como heróis, registraram seu primeiro álbum ao vivo, o essencial duplo Tokyo Tapes, na qual Uli é o destaque em interpretações primorosas para pérolas como “Fly to the Rainbow”, “Polar Nights”, “We’ll Burn the Sky”, “Dark Lady” entre outras. Uli partiu para uma carreira solo bem sucedida, ao lado da Electric Sun, insatisfeito com os rumos comerciais que o Scorpions assumiu, e para seu lugar, nada mais nada menos que Michael Schenker voltava a assumir as seis cordas, já que ele acabava de se despedir do UFO. Com alguns conflitos com o agora polêmico Michael, nasceu o sexto disco da banda, que ainda contou com o novato Matthias Jabs nas guitarras.


scorpions_lovedrive_aLovedrive [1979]

Michael foi anunciado como novo integrante do Scorpions, mas problemas com o UFO impediram dele seguir como membro do grupo, e assim, na emergência, Matthias Jabs foi chamado para substituí-lo. mesmo assim, Michael gravou três faixas para Lovedrive: a esquisitona “Another Piece Of Meat”, com fortes inspirações em Led Zeppelin e um riff grudento, a própria faixa-título, uma das melhores canções do grupo pós-Uli, e a linda instrumental “Coast To Coast”, a qual tornou-se obrigatória nos shows do grupo a partir de então, assim como a baladaça “Holiday”, uma das interpretações mais marcantes de Klaus Meine, que foi a partir daqui que começou a ganhar mais espaço como compositor e como artista. Sem dúvidas, é com Lovedrive que nasceu o Scorpions que se consagrou no mundo, com um hard rock simples mesclado com baladas adocicadas no ponto. “Loving You Sunday Morning” tornou-se um clássico de cara, Jabs apresenta-se emulando Uli Roth na pegada “Can’t Get Enough”, para mim a segunda melhor do disco, atrás apenas de “Coast to Coast”. O riff da balada “Always Somewhere” sempre me faz pensar que irá começar “Simple Man”, do Lynyrd Skynyrd, e como ponto fraco o reggae no sense de “Is There Anybody There?”. Para quem gravou Fly to the Rainbow e Virgin Killer, é assustador ouvir essa canção. Muitos consideram esse LP um clássico, mas acho ele apenas um álbum regular, que se escapa pela presença de Michael. A capa também trouxe polêmica – novamente – em alguns países, que consideraram a mão com o chilete saindo do seio da mulher muito obsceno, e preferiram olocar apenas um escorpião sobre um fundo preto. Coisas da censura. O álbum foi o primeiro dos alemães a figurar na Billboard americana, atingindo a posição 55.


MI0002440538Animal Magnetism [1980]

Com a formação agora consolidada com Matthias Jabs como o novo guitarrista, sai o sétimo LP dos alemães. Animal Magnetism traz uma banda com a fórmula de hard oitentista azeitada e pronta para conquistar de vez o mercado internacional, principalmente o americano, e contendo mais três grandes hits para os fãs dessa nova geração, os quais são a pesada “Make it Real”, apresentando um interessante solo da dupla Rudolph / Jabs, e a super clássica “The Zoo”, levada pelo seu andamento arrastado e complementada pelo refrão grudento, que possui uma canção muito similar no lado A, “Hold Me Tight”, mas que não fez tanto sucesso quanto “The Zoo”, uma das principais canções da carreira da banda, sem sombra de dúvidas. Como sempre, há baladas com espaço garantidos, e Animal Magnetism contém “Lady Starlight”, bonita faixa com um singelo arranjo orquestral, tendo como instrumentos oboé, violinos, viola, violoncelo e trompas, arranjados por Allan Macmillan. As melhores do disco ficam por conta de canções que ficaram obscuras perto da grandiosidade de “The Zoo”, as quais são “Only a Man” e “Falling in Love”, que podiam facilmente estar em qualquer um dos álbuns da era Uli, a veloz “Don’t Make No Promises (Your Body Can’t Keep)”, “Twentieth Century Man”, com seu riff rasgado e grudento, e a estonteante faixa-título, uma das obras-primas criadas por essa formação do Scorpions, com sua levada pesada e sinistra que não é encontrada em nenhuma outra faixa do grupo. A versão em CD de 2001 trouxe como bônus “Hey You”, faixa que honestamente, não acrescenta muito ao bom conceito final do disco, cuja capa, para variar, também gerou polêmica, apresentando uma loira ajoelhada diante de um homem que bebe cerveja, enquanto um cachorro observa algo que não se sabe o que é, mas pode se deduzir, mas dessa vez, não houve problemas de censura. A partir daqui, o Scorpions entrava de vez no mercado europeu e americano, sendo que com ele, os alemães atingiram a posição 52 na Billboard, e também assumiram um novo visual, com roupas coloridas e/ou de couro, que se aproximavam mais do que o mercado de lá pedia naquela época. Era um choque para os fãs antigos, mas a conquista de toda uma nova geração de seguidores.

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Francis Buccholz, Herman Rarebell, Rudolph Schenker, Klaus Meine e Matthias Jabs. Formação clássica dos álbuns Animal MagnetismBlackout e Love at First Sting

blackout_1982Blackout [1982]

O Scorpions preferiu sair das temáticas sexuais em seu oitavo álbum, e dessa vez trouxe na capa um homem sendo torturado. Ela passou sem problemas de preconceito (violência pode, sexo não), e independente de capas, Blackout se tornou o principal disco da era Jabs, colocando o Scorpions entre os dez mais na Billboard – onde recebeu platina pela marca de mais de um milhão de cópias vendidas em 1984 – e primeiro na França. Afinal, aqui você irá ouvir a mega-clássica “No One Like You”, hino da era Jabs cujo destaque vai para a inda introdução das guitarras gêmeas e a perfeita mescla de momentos amenos com momentos mais pesados, além de um refrão inesquecível. Blackout também possui outras canções fantásticas, como a pegada faixa-título, outra das melhores faixas da era Jabs, assim como a estupenda “Dynamite”, uma pancada para ser gritada aos plenos pulmões, e com mais um grandioso solo de Jabs, a agitada “Now!”, faixa característica do Scorpions, curta, direta e ótima para sacudir a casa, e a também clássica “Can’t Live Without You”, faixa perfeita para agitar uma festa para amantes do rock and roll. Os fãs em geral irão estranhar a longa “China White”, uma viajante faixa criada por Meine, que em sete minutos, deixa os cabelos arrepiados com seu andamento sinistro, e Meine cantando como poucas vezes se ouviu. As baladas se fazem presentes em “You Give Me All I Need”, trazendo um bonito solo de guitarra, e a baladaça “When the Smoke is Going Down”, que já preparava os ouvidos dos fãs para o grande sucesso meloso que viria em 1984, através dos dedilhados marcantes uma interpretação impecável de Meine. Complementa o álbum “Arizona”, faixa que até chegou a ser lançada nas rádios, mas que não fez o mesmo sucesso de outras citadas mais acima. Como curiosidade, antes das gravações de Blackout, Meine passou por uma cirurgia nas cordas vocais que quase o impediu de seguir como vocalista. Algumas demos com os vocais de Don Dokken chegaram a ser registradas, mas nunca lançadas oficialmente.


71ay4Hes3qL._SL1073_Love at First Sting [1984]

Se quiser conhecer o Scorpions da era Jabs, comece com esse disco. Love at First Sting é o maior detentor de clássicos da era Jabs em todos os tempos. Vejam só o track list: “Bad Boys Running Wild”, “Rock You Like a Hurricane”, “Coming Home”, “Big City Nights” e “Still Loving You”. É mole ou quer mais? Todas essas faixas tocaram muito, e até hoje, são símbolos e hinos para os fãs do grupo e do hard oitentista. Qualquer um que goste do estilo certamente conhece esas pérolas, mas para quem não conhece, posso citar que “Big City Nights” e “Bad Boys Running Wild” tem um refrão que ficará dias na sua cabeça, “Coming Home” é uma “balada” surpreendente – que baita música – na qual a descrição não vale o que realmente é a música, “Rock You Like a Hurricane” é o segundo riff mais famoso da história do Scorpions, além de um dos melhores trabalhos da dupla Jabs / Schenker,  e o primeiro riff mais famoso da história do Scorpions veio de “Still Loving You”, simplesmente A BALADA. Falem o que quiserem, critiquem a terrível versão feita por Cleiton & Camargo, batizada de “Meu Anjo Azul”, mas “Still Loving You” é uma pérola da dor de corno, por que ela é simplesmente linda demais. Quem já teve o fim inesperado de um relacionamento e ouve essa canção certamente irá se identificar. Mas há mais nesse nono álbum da banda. “I’m Leaving You” é uma das faixas que sempre quis ouvir ao vivo, principalmente pelo solo de Jabs, e quando ouço “The Same Thrill”, fico imaginando como que a mesma banda criou algo tão belo quanto “Still Loving You” criou algo tão poderoso e violento quanto essa faixa, uma pancada que também tenho a curiosidade de vê-la e ouvi-la ao vivo. Também temos a simples “As Soon as the Good Times Roll” e a leve “Crossfire”, cuja introdução não sei por que me lembra “Waysted Years” do Iron Maiden. Sexto lugar nos Estados Unidos e décimo sétimo no Reino Unido, é sem sombra de dúvidas o melhor álbum da fase Jabs, com o Scorpions no auge da sua carreira. A capa para variar, causou polêmica, principalmente nos Estados Unidos, onde a comunidade religiosa de lá não viu com bons olhos o casal dando um amasso enquanto a moça é tatuada pelo rapaz. Por lá, saiu uma capa apenas com uma imagem do grupo, a qual tornou-se bastante procurada atualmente pelos colecionadores.

No ano seguinte, o grupo veio ao Brasil pela primeira vez, fazendo uma apresentação sanguinária na primeira edição do Rock in Rio. Nesse mesmo ano, saiu o segundo ao vivo do grupo, o ótimo World Wide Live, com destaque para “Coast to Coast”, na qual Klaus Meine empunha a guitarra, mas que tem como defeito o fato de apresentar apenas canções da era Jabs, menosprezando totalmente a era Uli, algo que considero muito lamentável.

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Scorpions no Rock in Rio de 1985

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