quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Discografias Comentadas: Scorpions [Parte 2]

 

Discografias Comentadas: Scorpions [Parte 2]

Quando propus a escrever a discografia comentada do Scorpions sabia que estava entrando numa enrascada. Não só pela banda ter uma carreira longuíssima, mas principalmente por ter decidido de antemão que ficaria responsável pelos “discos ruins” da banda. O colaborador Mairon Machado, teoricamente, ficou com a parte mais fácil. Digo teoricamente já que a primeira metade dos discos lançado pelos alemães é claramente muito mais inspirada e aí que mora o perigo. Como a maioria dos fãs preferem aqueles discos provavelmente avaliaram a primeira parte com mais cuidado e atenção.

Ouvir todos esses discos, que muita gente se esquece na hora de tirá-lo da prateleira e pôr no aparelho de som, foi muito legal. Já conhecia todos, mas alguns deles ouvi poucas vezes e nunca com completa atenção. Várias músicas me pareceram novidade. Espero que todos os leitores façam como eu: tirem o pó daqueles discos que há tempos não ouve ou procure por eles na internet. Quando comecei a comprar os discos dos Scorpions tinham em mente completar todos até o Love at First Sting. Hoje me faltam apenas dois na coleção toda e não porque sou um completicionista, mas porque identifiquei coisas boas em todos eles (tá bom!!! sou um pouco completicionista sim!!!).

A partir desse ponto da carreira do Scorpions um detalhe muito importante guiou o direcionamento dos seus discos. Até Blackout o hard rock classudo do grupo tinha seu relativo sucesso e a banda já era grande, mas depois de Love at First Sting e principalmente com o absurdo sucesso de “Still Love You” ficaram enormes e se obrigaram a trabalhar melhor suas baladas tentando de todas as formas repetir seu sucesso. Cada disco a partir de então tem três ou quatro faixas mais lentas numa clara tentativa de emplacar uma delas. Outra música de sucesso que também influenciou a sequência de sua carreira foi o rock arena “Rock Like the Hurricane”. O pensamento dos músicos deve ser algo assim: “quem não quer tocar uma música que pode levantar um estádio cheio de gente? Então vamos criar músicas assim.” Para o bem ou para o mal isso se repetiu sucessivamente.

Rudolf Schenker é claramente o dono da banda. Ele é o fundador e único membro lá dos primórdios, mas quem faz mesmo a diferença ali é Klaus Meine. Faço esse comentário agora para não ficar repetitivo com elogios e mais elogios na análise dos álbuns. Sua voz e o timbre inconfundível não mudou nada ao longo dos anos e ele canta em Return to Forever o mesmo que cantava na década de 70. E pensar que no início dos anos 80 ele quase perdeu a voz e foi substituído por Don Dokken – pelo menos alguns ensaios foram feitos com ele enquanto Klaus se recuperava.

Para não deixar passar em branco, meu primeiro texto sobre a banda aqui no site não foi sobre sua música, mas sobre as artes de seus discos. Sempre muito polêmicas, elas são um fator a mais que nos incentiva a buscar todos os discos. O texto está aqui nesse link. Aproveitem essas duas partes da Discografia Comentada que Mairon e eu estamos apresentando e mais esse texto aí para tirar o pó de todos os discos dos alemães.

Para partimos logo para falar de cada um dos discos queria deixar um recado para que todos tenham em mentem enquanto leem meus elogios e críticas. Quando eu elogiar uma música estejam certos que o respeito que tenho pelos discos e músicas clássicas não está sendo violado. Os clássicos não ficarão menores quando eu elogio uma música que talvez você não goste. Para um clássico ser grande não precisamos necessariamente que outras músicas sejam pequenas, ruins. Muito pelo contrário, quanto melhor forem as canções menos aclamadas de uma banda, maior será a qualidade dos grandes sucessos. Estou certo, ou não?

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Scorpions no final dos anos 80: Herman Rarebell, Rudolph Schenker, Klaus Meine, Matthias Jabs e Francis Buchholz

Só para situar o momento da banda, antes de Savage Amusement a formação do Scorpions era: Rudolf Schenker e Matthias Jabs nas guitarras, Klaus Meine no vocal, Francis Buchholz no baixo e Herman Rarebell na bateria. Boa leitura!


Savage Amusement [1988]

Quatro anos se passaram depois de Love At First Sting. Eles nunca tinham tido esse tempo entre um lançamento de estúdio e outro. Isso mostra que eles aproveitaram bastante o sucesso do disco anterior e isso acaba criando uma expectativa grande para o próximo. Savage Amusement começa com umas das músicas mais heavy metal do Scorpions, “Don´t Stop at the Top”. Acredito que eles tiveram a intenção de metalizar o som já que em muitas músicas a guitarra tem uma distorção mais cheia de drive que o normal. “Passion Rules the Game” e “Media Overkill” mostram isso também. A balada da vez é “Rhythm of Love”, um refrão que fica na cabeça mais pela repetição do nome da música do que por ser marcante. Em “Media Overkill” um efeito de talk box é utilizado porco tempo depois de Richie Sambora obter um enorme sucesso com ele em “Livin´On a Prayer”, não sei se foi uma tentativa de embarcar no sucesso dos americanos. Lembrem-se que Bon Jovi era a banda de abertura dos alemães até pouco tempo atrás. Já “Walking on the Edge” é outra balada, mais dramática e sentimental que o normal, com um bom resultado principalmente de guitarras. O lado B do disco abria com mais um rock ao melhor estilo da banda, “We Let it Rock…You Let it Roll” com as guitarras bastante agressivas como já tinha comentado antes. Duas boas faixas na sequencia “Need Your Love” que tem um ótimo riff e “Love the Run” contando com uma introdução de bateria muito interessante e surpreendente. O disco fecha com a bonita “Believe in Love”. Quem tiver a oportunidade de conseguir a versão deluxe, lançada recentemente, contará com algumas versões demo bastante interessante e algumas faixas até então inéditas. O julgamento sobre o bom gosto ou não da capa eu deixo para vocês. Foi com a turnê de Savage Amusement que o Scorpions teve acesso à shows no leste europeu. Essa proximidade da banda os fez até a organizar um festival, o Moscou Music Peace Festival, com várias bandas de ponta da época como Mötley Crüe, Bon Jovi, Ozzy Osbourne, Skid Row e Cinderella.


Crazy World [1990]

Na primeira parte da discografia, Mairon Machado citou o hard rock e o heavy metal para descrever o Scorpions. Apesar e entender o termo heavy metal empregado para a época eu ainda os classifico como hard rock. Mas daí ouço o riff de “Tease Me Please Me” e não sei mais o que pensar. Claro que essas classificações seriam apenas um academicismo já que os estilos são muito próximo e muitas bandas transitam muito bem pisando com caca um dos pés em cada lado. “Don´t Believe Her” me faz lembrar de “Big City Nights”, mas sem o mesmo brilho. Uma queda de interesse pelo álbum pode ocorrer em “To Be With You in Heaven”, mas isso não atrapalha nada, pois é com a faixa seguinte que o disco se paga. Anos de tentativa de recriar a magia de “Still Love in You” acabou com “Winds of Chance”. A música de cunho político fez tanto sucesso que até Mikhail Gorbachev os convidou para tocar na praça do Kremlin e provavelmente acompanhou o assovio inconfundível de sua introdução junto da multidão. Essa foi a música mais tocada no mundo do ano de 1991 e ajudou a banda a ganhar o World Music Award como banda mais bem sucedida da Alemanha. Na sequencia mais um riff metaleiro em “Restless Nights”, pena que a música não empolga tanto como sua introdução, apesar de no todo não ser uma música ruim. Em “Lust or Love” e “Kicks After Six” temos o hard rock padrão Scorpions. “Hit Between the Eyes” virou tema de filme que tinha Mick Jagger no elenco – chamado Freejack – mesmo sendo apenas ok. O ponto baixo do disco está na chata “Money and Fame”, antecedendo a interessante faixa título. Fechando o álbum outra balada, “Send Me An Angel”, que possui nota 8 na escala Still Loving You das baladas (escala de 1-10). Em apenas um álbum eles quase conseguiram emplacar duas faixas com o mesmo formato, mas “Winds of Change” acabou roubando a cena, apesar desta “Send Me Na Angel” ser um puta som. Destaque negativo para a péssima capa.



Face the Heat [1993]

Antes da gravação do disco o grupo sofre uma baixa em sua formação, sai Francis Buchholz e entra Ralph Rieckermann para o posto de baixista. Face the Heat abre com a densa “Alien Nation”, um trocadilho esperto com alienação, tem um início mais promissor do que a faixa se revela, apesar de um bom refrão. Algumas faixas não temos como defender e “No Pain No Gain” é uma delas. Aquele tipo de música que qualquer boa banda consegue fazer no piloto automático para preencher um álbum. O problema é que ela é ainda a segunda do disco e isso mostra muito como vai ser o restante. Se tivesse sido trocada a segunda pela terceira teríamos uma melhor perspectiva de Face the Heat já que “Someone to Touch” é interessante. Na sequência mais uma balada com o selo “Still Loving You” de qualidade. “Under the Same Sun” é inferior ao clássico e um pouco abaixo de “Wind of Change”, mas é mais um acerto dos alemães e o grande motivo para alguém adquirir o álbum. Algo que se destacano álbum é o peso que a banda procurou nesses discos desde Savage Amusement, como podemos notar em “Unholy Alliance”. Nessa mesma época eles gravaram em single uma música em prol da Unicef chamada “White Dove”.

A banda aproveita os shows da turnê de Face the Heat para a gravação de seu terceiro disco ao vivo, Live Bites (1995). Nessa época também mais uma troca de formação: desta vez o baterista Herman Rarebell deixa o grupo e foi substituído por um músico de estúdio, Crut Cress, que apenas gravou o álbum seguinte e deu seu lugar para o primeiro não-alemão a fazer parte do grupo, o americano James Kottak.



Pure Instinct [1996]

De todos os discos dessa fase que me propus a comentar esse foi o que mais cresceu aos meus ouvidos. Em “Wild Child” O Scorpions mostra que não esqueceu de como fazer rock and roll dos bons. Acho essa faixa a mais setentista dessas gravadas nos anos 90. Gosto muito do trabalho de guitarras ao longo da música. Ouçam prestando atenção só nelas. Talvez o excesso de baladas tenha atrapalhado um pouco a atenção do grande público que talvez estivesse enjoado desse tipo de canção na ocasião. Temos que lembrar que essa foi a época do grunge, inicío do nü metal, metal industrial e início do brit pop. Mesmo assim não dá para não notar o ótimo solo, apesar de curto, de “But The Best For You” uma balada que num primeiro momento pode parecer genérica, mas cresce com a audição. Estou certo que se “Does Anyone Know” tivesse sido lançada uns 6-7 anos antes teria sido parte do repertórios dos bailinhos que frequentava. Mas concordo com os que acham que duas baladas em sequência pode cansar um pouco. As coisas ficam mais agitadas com a boa “Stone In My Shoe”, com seu refrão característico, e “Soul Behind the Face”, que apesar de ser mid tempo não deixa a peteca cair. Algo de Beatles ou Beach Boys no jogo de vozes na introdução de “Oh Girl (I Wanna Be With You)”, mas no todo a faixa é abaixo das expectativas e tem um refrão bastante óbvio e sem inspiração. Ainda bem que a linda “When You Came Back to My Life” nos faz esquecer a faixa anterior. A quase acústica “When the Rivers Flows” é gostosa de ouvir, enquanto “Time Will Call Your Name” tem adição de teclados e cordas dando uma dramaticidade interessante para música. “You And I” é a balada de trabalho da vez e a melhor do álbum com certeza. Os violinos e as cordas do início de Are You The One” são como um trailer do caminho que a banda seguiu uns anos depois. O dedilhado do violão é bonito, mas a música não empolga.

Ralph Rieckermann, Herman Rarebell, Klaus Meine, Matthias Jabs e Rudolph Schenker
Ralph Rieckermann, Herman Rarebell, Klaus Meine, Matthias Jabs e Rudolph Schenker


Eye II Eye [1999]

Quem chegou até aqui percebeu que estou tentando de todas as formas seduzir os leitores a ouvir todos esses discos. Mas a tarefa fica difícil com Eye II Eye. Podia até acabar o comentário sobre o disco por aqui e tenho certeza que ninguém se incomodaria, mas eu prometi avaliar todos os discos e encontrar suas qualidades. O Scorpions conseguiu sucesso suficiente na sua carreira para figurar entre os grupos que podemos chamar de pop na definição de popular. Porém em Eye II Eye eles tentaram abraçar a música pop no sentido musical. Não sei se isso foi influência da baixa popularidade que o hard rock e o heavy metal estavam enfrentando na época, mas me parece que o grupo quis descolar desses estilos, tentando soar como o U2. O baixo marcado, levadas de bateria com um certo groove e as guitarras sem o peso dos discos anteriores marca o disco como um tod como em “Mysterious” a faixa de abertura que é um bom resumo para o disco. Não digo que é um resumo perfeito já que a faixa não é de toda ruim e consegue empolgar pelo menos no refrão. A coisa fica feia mesma em “To Be No. 1”, que apresenta uma marcação eletrônica ridícula, seus constrangedores backing vocals e uma mistureba de estilo ao longo da faixa. Não poderia faltar a balada da vez e “Obsession” está perdida em um álbum fraco já que seria uma boa música se tivesse sido melhor trabalhada. Algumas decisões que me parecem ter sido tomadas no momento da produção foram bastante equivocadas. Será mesmo que foi uma boa idéia colocar um bongô em “10 Lights Years Away”, por exemplo? Elementos como esses não faziam parte do repertório da banda e ficaram um pouco deslocados. Pode ser com o tempo você consiga se acostumar com o álbum e contradizendo um pouco o que disse lá no início desse texto é muito difícil dissociar o conteúdo desse disco dos clássicos que a banda já produziu. Já se perguntou como seria se eles cantassem em sua língua natal? Você terá uma idéia em “Du Bist So Schmutzig”,mas tente não cair na risada com a música. Para não falarem que eu só desci o cacete vou elogiar o refrão de “Skywriter” – exceto quando a tal Michelle Wolf se esgoela junto no fim música – e a boa “A Moment In A Million Years” toda tocada com piano e teclados de fundo. Eu olho para a capa desse disco e penso em duas coisas. A primeira, mais óbvia, é que ela reflete seus membros mais importante fazendo com que James Kottak e Ralph Rieckermann sejam encarados apenas como coadjuvantes. A outra é uma interpretação pessoal e me diz que quem comandou as ações na gravação desse disco foi Rudolf, que inclusive está com as mãos ao lado do rosto mostrando que não levou em consideração o que os outros estavam pensando, enquanto Klaus e Mathias estão com a maior cara de “olha a merda que você fez a gente fazer”.


Com a baixa repercussão de Eye II Eye e a clara falta de criatividade que se abateu para o grupo nada melhor que outros projetos para tentar melhorar as coisas. Assim o Scorpions aceitou o convite da Filarmônica de Berlim que procurava um grupo para fazer uma parceria. Moment of Glory foi o resultado dessa parceria e fez um enorme sucesso. Muita gente que nunca tinha tido contato com a banda acabou se rendendo ao seu hard rock clássico acompanhado da orquestra que inspirou outras grandes bandas a fazer o mesmo. Quem nunca ouviu “Rock You Like A Hirricane” nesse formato? Um ano depois mais um projeto diferente foi testado também com muito sucesso. Acoustica trazia os alemães no melhor estilo banquinho e violão, que acabou arrebatando mais uma quantidade enorme de fãs. Com os formatos acústico e com orquestra o Scorpions foi certamente mais reconhecido, me refiro em termos quantitativos, que como uma banda de hard/metal que sempre foi. Antes de entrar em estúdio para as gravações de Unbreakable o baixista Ralph Rieckermann é substituído por Pawel Maciwoda, um polonês, se tornando mais um não-alemão a fazer parte do Scorpions e fechando o line up que dura até hoje sendo a formação mais longeva da banda.



Unbreakable [2004]

Depois de cinco anos de um disco fraco e um período revisitando as músicas do passado o Scorpions resolveu soltar um disco de inéditas. E o peso voltou! Basta um minuto da arrastada “New Generation” para percebemos que o melhor da banda é quando eles fazem rock puro. “Deep and Dark” tem toda a atmosfera oitentista da banda enquanto “Borderline” já remete ao que estavam fazendo uma década antes. A primeira balada é a melosa “Maybe I Maybe You”, que só se salva mesmo pela voz de Meine. Quase toda ao piano, remete à “A Moment In A Million Years” do álbum anterior. “Someday Is Now” é uma boa faixa que nos faz lembrar que o Scorpions é uma ótima banda quando se presta a tocar mais rápido. Uma banda com tantos anos de carreira certamente tem várias faixas que acabaram não entrando nos discos e ficaram perdidas e é o que aconteceu com “My City My Town” que é da época do Pure Instinct e entrou aqui para completar o set list. Mesmo assim é uma música interessante e superior à “Can You Feel It” que foi composta para Unbreakable. Mais uma balada fraca em “Through My Eyes”. Será que as idéias deles para músicas do tipo acabaram? Afinal “She Said” também não é lá grande coisa. “Remember the Good Times” fecha o disco com um clima lá em cima e faz parecer que o álbum é melhor que é. Essa faixa foi gravada e produzida pela própria banda e eles e é descrita como RETRO GARAGE MIX. A idéia ao meu ver era tentar uma abordagem mais simples e orgânica e creio que conseguiram um resultado positivo. A versão japonesa tem mais duas músicas inéditas de bônus, mas nada que faria o álbum mudar de patamar na discografia dos alemães. Foi na turnê de Unbreakable que eles tocaram no Wacken Open Air. Essa apresentação é histórica por reunir ex-membros do grupo como Michael Schenker, Uli Jon Roth e Herman Rarebell.



Humanity – Hour I [2007]

Para esse disco não tenho muito mais o que acrescentar sobre ele do que escrevi em uma resenha específica para Humanity – Hour I. Como não temos mais esse texto disponível no site por conta do problema que tivemos com a UOL Host vou tentar resumir. Humanity – Hour I é um disco conceitual, o único de sua carreira – que narra os acontecimentos de uma guerra civil entre a humanidade e robôs. Parece meio estranho uma banda que sempre cantou temas mais rock and roll fazer um disco tão sério e sombrio quanto esse, mas é isso que aconteceu. A parceria com o hit maker Desmond Child fica clara em várias passagens. “The Game of Life” é o hit maior e as boas baladas ficam por conta de “We Were Born to Fly” e “The Future Never Dies”. É certamente o melhor disco do grupo desde Love at First Sting e permanece o melhor desde que foi lançado. Porém ele é, inexplicavelmente, um dos álbuns mais ignorados do grupo. Foi na turnê desse disco que eles fizeram um show em Manaus a pedido da própria banda. Por conta do tema eles acharam que seria uma boa ideia tocar no “pulmão do mundo”. Deu certo porque no ano seguinte eles voltaram para mais um show lotado. O show foi lançado em DVD chamado Amazônia: Live in the Jungle. Não sei se foi o fato de ser um disco mais experimental, mas não entendo eles não terem usado o logo original na capa.

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James Kottak, Rudolph Schenker, Klaus Meine, Matthias Jabs e Paweł Mąciwoda

Sting In The Tail [2010]

Vamos todos processar o Scorpions por propaganda enganosa. Afinal Sting in the Tail saiu sendo anunciado como o último discos que eles lançariam e tinha até adesivos nas capas prometendo isso. No fim das contas essa propaganda deu certo, pelo menos para mim, já que acabei adquirindo o CD e voltando a ouvir o grupo depois de muito tempo longe deles. No fim foi bom, certo? O espírito de “Rock You Like a Hurricane” está em “Raised on Rock”. O efeito de voz no início e refrão de “Sting in the Tail” dá um clima diferente para a música e fica grudado na cabeça. Nota-se também que o peso das guitarras voltou como não se fazia já há um bom tempo. Com “Slave Me”, temos uma trinca de abertura digna dos melhores discos do Scorpions e, sem nenhuma balada ainda. A primeira delas é “The Good Die Young”, porém de uma forma diferente já que ela é uma daquelas power baladas do metal cheia de peso. Klaus canta em um tom mais grave dando uma sobriedade interessante para a faixa que é bastante melancólica. Em Eye II Eye disse que a mudança de sonoridade seria devido à uma tentativa de descolar a imagem da banda do heavy metal, dando uma imagem mais pop ao grupo. A participação de Tarja Turunen nessa música, bastante discreta é verdade, talvez tenha a intenção contrária, já que na época a moça era quase uma unanimidade no meio do metal. Mais duas boas faixas mais rápidas “No Limit” e “Rock Zone” antecipam a canção mais grudenta da banda em anos, “Lorelei”, uma meia irmã de “Under the Same Sun”. Para finalizar o álbum algumas faixas menos marcantes, mas nenhuma que possamos classificar de ruins. Seria um excelente ponto final na carreira se eles tivessem realmente acabado a banda.

A idéia de gravar um disco de covers e algumas regravações parece algo de quem está sem rumo ou sem inspiração. Comeblack é uma compilação de alguns covers de bandas que os influenciaram como The Beatles, T. Rex, Small Faces, Soft Cell, The Kinks e Rolling Stones. Seria um lançamento legal caso tivessem feito só covers sem a regravação dos clássicos. A pergunta que faço é: para que fazer isso e mexer com o que já era bom?


Return to Forever [2015]

Fiquei surpreso quando saiu Return to Forever. Como eles disseram que a turnê de Sting in the Tail seria sua última, não esperava mais nenhum um álbum completo, ainda mais depois de Comeblack que tinha toda a cara de raspa de tacho. Return to Forever é uma celebração ao Rock and Roll. Várias músicas têm esse tema, como “Rock My Car”, “Rock ‘N’ Roll Band” e “Hard Rockin’ The Place”. A faixa de abertura “Going Out With a Bang” é o tipo hard rock do Scorpions com seu refrão característico. Você saca que é banda de cara. Em “We Built This House” você vai se lembrar de alguma música lá do início dos anos 80. É uma música de andamento médio, com jeitão de balada, mas bem rockeira e novamente com um refrão marcante. “House of Cards”, “Rollin’ Home” e “Gypsy Life” fazem parte da cota das baladas e se não são tão memoráveis quando as clássicas, não fazem feio. A introdução e “Rock ‘N’ Roll Band” é muito parecida com “I Can” dos também alemães do Helloween, podem conferir. Já em “Catch Your Luck And Play” tem introdução priestiana, mas a música não é tão metálica quanto parece no início. Em “Dancing With the Moonlight” (não, não é aquela lá do Genesis!) algo de setentista volta a aparecer no som do grupo. Não sei se eles sentiram o peso da carreira estar acabando e isso acabou influenciando os músicos em estúdio, mas a grande quantidade de faixas – são dezessete ao todo – me dá a impressão que as coisas se encerram por aqui mesmo. Return to Forever não vai mudar o patamar da carreira fantástica dos alemães, mas vai dar um final digno para ela.


Nessas duas partes dessa discografia comentada tivemos Mairon Machado comentando de The Lonesome Crow (1972) até Love At First Sting (1984) e eu tentando mudar a opinião dos nossos leitores sobre os álbuns Savage Amusement (1988) até Return to Forever (2015). Notem que a primeira parte abrangeu nove discos gravados num intervalo de 12 anos. Já na parte que ficou ao meu cargo foram dez álbuns em um período de vinte e sete anos. Isso quer dizer muito sobre como eram as carreiras das bandas na década de 70 e como ficou na década de 80 para a frente. As coisas naquela época aconteciam muito mais rápido com as bandas tendo a obrigação de produzir material com muito mais rapidez. O impressionante é que são dessa época os melhores discos. Mas isso é um assunto para outra oportunidade.

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