
A Internet é uma ferramenta verdadeiramente fascinante, desde que você saiba usá-la com sabedoria. O que quero dizer é que a Internet pode permitir-lhe alargar os seus conhecimentos musicais, preencher as suas lacunas ao dar a possibilidade de descobrir grupos e artistas raríssimos do passado que ficaram fora do radar. É o caso, por exemplo, do BLIND RAVAGE, grupo canadense dos anos 70 que descobri enquanto “viajava” no site Rate Your Music.
Fundada em 1969, a BLIND RAVAGE veio de uma pequena cidade chamada Laval, em Quebec (nada a ver, portanto, com a cidade francesa que fica em Mayenne). Este grupo lançou apenas um álbum, sem título, durante a sua carreira e foi em 1972 que viram a luz do dia.
A nível musical, BLIND RAVAGE oferece no seu único álbum uma mistura entre Hard Rock, Classic Rock e Rock Psicodélico, estando portanto em sintonia com os tempos. O Basic Hard Rock está principalmente no centro das atenções em faixas como a descolada e amigável “Friday Fish”, em que as guitarras são ora cruas, ora mais matizadas, a mid-tempo “Cement Jungle” que, indo tão longe quanto 'para ser um título top, revela-se inebriante, fascinante com suas guitarras rodopiantes, "Disaster" que é típico do que agrada no Hard Rock do início dos anos 70 (incluindo um refrão inebriante e contagiante) e "Ruins", um suculento, peça lúdica que dá vontade de bater os pés e é ilustrada por um solo de guitarra simples, mas caloroso. O grupo canadense não é insensível aos aromas psicodélicos populares na época e os incorpora em títulos como "Susie Q", que também revela elementos proto-Hard Rock e vê o cantor (um certo Robert Dufor) muito imbuído da influência de Jim Morrison, a dinâmica e viva “Tousaw” com um ritmo constante que acaba por ser bastante bom, ou a mais experimental “My Life”, algures entre o Jazz-Rock e o Psyche Rock, que é transportada por guitarras selvagens, uma cantora possuída, em estado de graça e que se revela bastante alucinante. O resto do álbum? O mid-tempo “Prodigal” com conotações Blues-Rock está bem enraizado no início dos anos 70 com seus versos que evoluem em andamento moderado, em câmera lenta, e um refrão mais animado e revigorante; enquanto “Loser” é uma peça colorida e emocionante de Boogie-Rock/Classic-Rock que é reforçada por um piano jovial e expansivo para um resultado delicioso. Por fim, “Strange Power” pode aparecer como uma das ancestrais da power-ballad: essa música é comovente, carregada de emoção com uma boa dose de intensidade, um refrão musculoso, guitarras maratonas, um solo choroso, um final mais louco e incontrolável que consegue mantê-lo em suspense por 6 minutos.
Este álbum único do BLIND RAVAGE é no geral muito agradável com sua parcela de faixas que deixam você de bom humor. Então claro que não é um dos grandes álbuns do ano de 1972 o grupo canadense não tinha uma identidade suficientemente forte marcada para ficar ombro a ombro com os tenores da época mas esse disco que sustenta estrada e se você é sensível aos encantos do Rock, do Hard Rock do início dos anos 70, há uma chance de que certas faixas deste álbum lhe agradem...
Tracklist:
1. Susie Q
2. Tousaw
3. Friday Fish
4. Prodigal
5. My Life
6. Strange Power
7. Cement Jungle
8. Ruins
9. Disaster
10. Loser
Formação:
Robert Dufor (vocal, guitarra)
Jean Charbonneau (baixo, guitarra, piano, vocal)
Andre Deguire (bateria)
Serge Flevy (órgão)
Rótulo : Gear Fab
Produtor : Ken Ayoub
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