sábado, 7 de dezembro de 2024

Wendy Carlos “The Secret of Synthesis” (1987)

 Pela voz da própria Wendy Carlos, com exemplos que toca na hora, aos quais junta excertos do seu catálogo, “The Secret of Synthesis” é como uma aula ou palestra onde nos são apresentados fundamentos e caminhos do seu trabalho pioneiro. 

Em 1986, na reta final do acordo que desde 1968 a mantinha ligada à editora CBS, Wendy Carlos resolveu gravar e fixar num LP uma ideia de disco-companheiro para a obra que até então havia apresentado. Havia já no ar sugestões para que idealizasse um disco no qual pudesse recriar muitas das palestras que tinha vindo a apresentar na Europa e nos Estados Unidos, nas quais explicava não apenas a história por detrás da criação dos seus álbuns, mas também os detalhes sobre as características dos sintetizadores com os quais vinha a trabalhar desde “Switched on Bach” e detalhes específicos sobre os sons, a recriação digital de instrumentos, o processamento da voz e outras entre as muitas peças de todo um quadro tecnológico, musicológico e criativo que podiam explicar o seu próprio percurso na música.

Assim nasceu “The Secrets of Synthesis”, um disco que é em parte spoken word, já que escutamos a própria Wendy Carlos a caminhar entre uma apresentação geral do seu trabalho de pesquisa pela música e pelos sons, mergulhando depois em olhares de pormenor sobre timbres, vibrato, a voz humana, orquestração, analógico vs digital e várias opções performativas, do solista e pequenos ensambles à orquestra, sem esquecer naturalmente a ideia de “síntese digital” que caracterizara algumas das suas gravações mais recentes e histórias paralelas ou complementares, entre as quais passa o seu importante relacionamento profissional com Robert Moog.

O disco sugere uma ideia de aula ou palestra com o seu foco principal na explicação do que envolve a orquestração quando feita através de instrumentos eletrónicos, juntando à voz exemplos musicais sobre o que Wendy Carlos vai falando, socorrendo-se aí não apenas de sintetizadores nos quais reage diretamente às palavras que apresenta, mas também de excertos de gravações anteriores, revistando aqui todo o seu catálogo entre “Switched on Bach” e “Digital Moonscapes”. Com poucas entrevistas publicadas, Wendy Carlos dá-nos assim, aqui, algumas respostas sobre como lhe foi possível chegar aos sons com os quais foi criando a sua obra.

O disco tece uma prensagem original em vinil e uma edição inicial também em cassete e CD em 1987, conhecendo mais tarde, em 2003, uma reedição (em CD) pela East Side Digital.




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