domingo, 20 de abril de 2025

Serú Girán - I Don't Want to Go So Crazy (1981)



Em setembro de 1999, Oscar Moro conheceu (que supostamente estava entre as prateleiras de discos do Parque Rivadavia) um pager que lhe disse ter "uma fita cassete gravada de um console" dos shows que Seru Giran deu no Teatro Coliseo em 25, 26 e 27 de dezembro de 1981. "Morito, em circunstâncias que ele nunca quis me explicar, resgatou essas fitas e as trouxe para mim", diz Pedro Aznar agora, em seu estúdio em Belgrano. "Eu disse a ele: Cara, eu tenho um monte de fitas cassete gravadas dos recitais do Seru." Morito riu. "Escute isso", respondeu ele. Eu ouvi e foi impressionante. O melhor Serú, com um nível de som incrível. Amilcar Gilabert, nosso engenheiro de som, ainda não conseguiu entender quem pirateou o material dele."
Moro então mostrou a Charly García, que também ficou atordoado. "Isso merece um álbum", eles disseram, e saíram em busca de uma gravadora. Eles dividiram as tarefas: "Moro ficou responsável pela descoberta arqueológica, Charly ficou responsável pela arte da capa e eu fiquei responsável por tudo relacionado ao áudio", diz Aznar. E David Lebón? "Ele está em Mendoza. Ele é o paxá." Eles assinaram um contrato (suculento) com a Sony e definiram uma data de lançamento para o álbum...

O álbum (CD duplo) foi lançado em 2000 e é uma gravação bruta de console de dois canais, sem nenhum retoque de estúdio.
Esta série de três shows de Natal foi considerada o ponto alto das apresentações ao vivo da banda, e esta gravação captura sua excelência e frescor com qualidade de som impecável. Por ser uma gravação estéreo tirada diretamente do console, ela não contém nenhuma regravação subsequente. Tecnicamente é o terceiro álbum ao vivo da banda, mas foi gravado antes dos outros.
O áudio foi remasterizado sob a supervisão de Pedro Aznar. A arte da capa será dirigida por Charly García e inclui material inédito dos arquivos de fotógrafos profissionais e dos arquivos pessoais dos músicos, bem como notas escritas por estes últimos como prólogo.
Destacam-se as cinco músicas nunca gravadas em estúdio por Serú Girán. Oh God, What Am I Going to Do, de David Lebón, que mais tarde aparece no álbum de Lebón "El tiempo es veloz", Mirage in the Snow estreou neste concerto e foi publicado no agora clássico primeiro álbum solo de Pedro Aznar. Inconsciente Coletivo foi composto recentemente naquela época (aparecerá em Yendo de la cama al living), e Charly a interpreta aqui sozinho, ao piano. Alto en la torre é uma canção Sui Generis, com um arranjo vocal antológico. Apresentado como "um tema antigo, damos um polimentozinho e ele volta a aparecer", por García. Pena en mi corazón foi posteriormente gravada por Charly García (sob o título Yo no quiero volverme tan loco) no álbum Yendo de la cama al living, mas aqui aparece em uma versão punk furiosa e urgente, exatamente como foi composta originalmente.

Os shows de fim de ano do Seru Giran no Teatro Coliseo foram, além de uma demonstração perfeita do talento musical dos músicos, uma demonstração clara e convincente de por que a banda ocupa o lugar que ocupa no rock argentino. Com o apoio massivo do público, o Seru realizou um show extenso, no qual apresentou um repertório composto por músicas de seus quatro álbuns, além de algumas inéditas. Entre elas, "No llores por mí, Argentina", um rock 'n' roll potente com um refrão irônico, cantado em coro pelo público. Entre as músicas mais conhecidas, destacaram-se as versões de "Seminare", "Encuentro con el diablo", "Tema de Seleste", "En la vereda del sol" e "Peperina".
Uma constante durante todo o show, e a julgar pela resposta do público, foi a dose incomum de humor com que o Serú coloriu o show. Piadas, brincadeiras e danças confirmaram a alegre necessidade de comunicação que o povo e o Seru compartilham. Eles têm giran. Musicalmente, a banda era "dividida" em quatro individualidades que serviam ao mesmo propósito: a música. Trocando repetidamente de instrumentos, tocando solo, em dupla, em trio ou em grupo, Charly García (teclado, guitarra, baixo e voz), David Le-bón (guitarra, teclado, percussão e voz), Pedro Aznar (baixo, teclado, violão e voz) e Oscar Moro (bateria e percussão) deram um dos melhores shows do ano, dos quais se destacam: as touradas de García, a rejeição unânime do Biscoito da Baía, o solo de Lebón rastejando no chão, a potência devastadora de Moro e a figura plástica de Pedro Aznar dançando o twist.
 
Revista Pelo - Crítica dos concertos no Teatro Coliseo (1981)
 
 

 

 Integrantes:

Charly García: teclado, piano Yamaha, baixo, guitarra, vocais
David Lebón: guitarra, congas, vocais
Oscar Moro: bateria
Pedro Aznar: baixo, teclado, baixo moog, violão, vocais

Temas - Disco 1:
 
01- Autos, jets, aviones, barcos (García). Voz líder: Lebón
02- Salir de la melancolía (García). Voz líder: García
03- Oh Dios, qué puedo hacer (García/Lebón). Voz líder: Lebón
04- Canción de Alicia en el país (García). Voz líder: García
05- A los jóvenes de ayer (García). Voz líder: García
06- Cuánto tiempo más llevará (Lebón). Voz líder: Lebón
07- Esperando nacer (García/Lebón). Voz líder: Lebón
08- Seminare (García). Voz líder: Lebón
09- El mendigo en el andén (García/Lebón). Voz líder: Lebón
10- Parado en el medio de la vida (Lebón). Voz líder: Lebón
11- Espejismo en la nieve (Aznar). Instrumental 

Temas - Disco 2:

01- Inconsciente colectivo (García). Voz líder: García
02- Alto en la torre (García). Voces líderes: García y Lebón
03- Cinema verité (García). Voz líder: García
04- No llores por mí, Argentina (García). Voz líder: García
05- En la vereda del sol (García/Lebón). Voces líderes: García y Lebón
06- Yo no quiero volverme tan loco (Pena en mi corazón) (García). Voz líder: García
07- Mientras miro las nuevas olas (García). Voz líder: García
08- Encuentro con el diablo (García/Lebón). Voz líder: Lebón
09- Peperina (García). Voz líder: García
10- No llores por mí, Argentina (Bis) (García). Voz líder: García


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