sexta-feira, 16 de maio de 2025

Os Brazoes - same (1969, Bra, fuzzpsychtropicana)

 



Em plena fase da psicodelia brasileira, "Os Brazões" não fugiu à regra. Miguel de Deus foi compositor, arranjador, violonista e cantor. Nascido em Ilhéus, Bahia. Mas foi no Rio de Janeiro, em 1969, que formou a banda ''Os Brazões'' com o guitarrista Roberto (guitarra solo), o baixista Taco, o baterista Eduardo "Edu" Rocha, e ocasionalmente os percussionistas Mandrake e Gastão, mas também passaram pela banda os músicos Bandeyra Sérgio (guitarra e vocal, ex-integrante da banda Albatross que tocou com Lulu no início da carreira), Augusto Paulinho (guitarra, que tocou na Banda), Roberto (órgão), Luís Carlos (bateria e percussão), Francis (bateria e percussão), Clarita (backing vocal) e Walkíria (backing vocal), banda de apoio de vários cantores, entre eles Gal Costa e Tom Zé. Cultivavam um estilo imerso no tropical com altas doses de psicodelia, com a guitarra fuzz evidenciada por Roberto e a guitarra wah-wah de Miguel.

O grupo era uma mistura de rock psicodélico, música brasileira e africana, resultando numa alquimia entre sons sincopados pesados ​​como toques de candomblé e violão com distorção. Além de explorar influências afro-brasileiras e tribais no estilo de vestir e dançar, o disco único lançado pela banda, "Os Brazões", mostrou-se à frente de seu tempo. Assim como o lendário Paêbirú, o disco apresenta uma ótima mistura de ritmos. Rock, samba, ritmos regionais e muito experimentalismo marcam a personalidade da banda e do disco, onde o rico trabalho de percussão, as letras em português e o uso recorrente de ritmos regionais, completam a fórmula sonora. Pela primeira vez em vinil desde o lançamento original de 1969 pela RGE, com uma nova capa, serigrafada à mão com uma pena vermelha muito especial inserida em cada manga. Cópias originais são há muito tempo impossíveis de encontrar, mesmo no Brasil. Todas as faixas foram remasterizadas. Uma pena vermelha muito especial está inserida em cada encarte. Quem fuma maconha precisa ter este álbum.

Dois grupos que considero parte do tropicalismo lançaram seus discos de estreia em 1969, "Os Brazões" é um deles. A inserção deste grupo no movimento se consolida quando viram banda de apoio da musa de Gal Costa durante a temporada na famosa Disco Junk no início de 1969 (exatamente aquela em que foi gravado o compacto Caetano & Os Mutantes) e posteriormente seguiram Tom Zé. Antes disso, apareceram tocando no IV Festival da Record com Tom Zé, depois em defesa de "São Paulo" e participando de seu primeiro álbum, que na última faixa, "Sabor De Burrice", cita toda a turma que participou das gravações. Outro papel importante foi como banda Jards Macalé defendendo "Gotham City" no IV Festival Internacional da Canção (FIC).

Com uma vida gravando efêmera, segundo o Dicionário Cravo Albin, o grupo possui apenas dois discos, um de 1969 e outro de 1970, este nunca visto, mesmo que tivessem apenas 69. Dados biográficos sobre o grupo dificilmente se encontram. Acabaram se tornando um grupo de bandas obscuras dos anos 60/70. O integrante mais "famoso" do grupo é Miguel de Deus, que depois gravou discos solo e reuniu outros grupos, todos tão obscuros quanto este.

O álbum como um todo é bem bacana, o repertório se divide entre músicas autorais e releituras ou temas tropicalistas recorrentes de 1969.

A faixa escolhida para abrir o disco foi "Pega a Voga Cabeludo", de Gilberto Gil, um arranjo que mostra toda a verve do grupo e se destaca agora diante dos elementos que dão o conjunto um tratamento especial ao longo do disco, como percussão e guitarras. A parte vocal é interessante, mas às vezes chapa demais. O segundo tema do álbum é assinado por Guilherme Dias Gomes e Luciano Bastos, "Canastra Real" tem uma veia de Wes Montgomery no começo que é bem legal, essa composição concorreu no IV FIC, abaixo um texto sobre a composição e o episódio:

"Canastra Real" foi composta por Guilherme Dias Gomes e Luciano Bastos, tratamento luxuoso que ela recebeu para entrar no IV Festival Internacional da Canção com o pé direito. Com orquestra regida por Rogério Duprat (maestro da Tropicália) e a banda Os Brazões, acompanhando a turnê de Gal Costa, a música era vista como uma possível surpresa da competição. No dia da apresentação, Os Brazões também defenderam "Gotham City", composição de Jards Macalé e Capinan cujo experimentalismo não foi bem recebido pelo público. "Gotham City" foi soterrada por vaias e a banda ficou marcada. Quando os músicos voltaram a tocar "Real Canastra", o público não quis saber de uma segunda chance. Para desespero de William, os massacrantes foram vaias do começo ao fim da música."

A terceira faixa do álbum é mais uma composição da dupla assinada Macalé/Capinan, "Módulo Lunar", que acredito que, se tivesse participado do festival, seria tão vaiada quanto "Gotham City", pois segue a mesma linha de experimentalismo, acho que até mais exótica "Gotham...". Na sequência temos mais uma de Gilberto Gil, "Volks Volkswagen Blue", um arrajo bem econômico, mas certeiro, gostei do arranjo. Ainda no Lado A temos "Tão Longe De Mim", composição escrita por Laís Marques que me lembrou um pouco "Paralamas Do Sucesso"! Deveria ser o contrário, não?. Essa é uma música que se encaixaria bem nos bons anos 80... Com relação ao compositor, talvez a obra mais conhecida seja a trilha sonora da novela "A Idade Do Lobo" de 1972 de Laís Marques. Fechando o lado A temos, Jorge Ben e Toquinho, "Carolina Carol Bela",que ganhou uma introdução brilhante com uma "vibe" e samba-rock.

O lado B abre com uma composição de Tom Zé chamada "Feitiço", faixa também gravada por Tom Zé no mesmo ano, porém lançada apenas em compacto. Depois temos outra de Laís Marques, "Planador", seguida de "Espiral", a única música de fato assinada pelos integrantes da banda, os autores são: Miguel de Deus e Sergio Luiz, eles deveriam ter assinado com mais bandas, é uma das melhores do álbum, o arranjo é excelente, aliás, falando em arranjo, o álbum inteiro foi arranjado pelo próprio grupo, o que realça ainda mais o mérito deles, sem os tropicalistas Duprat! hehe. A seguir, a ultra-rumorada "Gotham City".

Fechando o álbum temos mais duas, a instrumental "Momento B/8" assinada por Rogério Duprat e o brasileiro Octopus, um gênio do Acid Jazz, e "Que Maravilha", que ganhou um tratamento e "coxas", é como continuação de "Carol, Carolina Bela", mas sem nenhuma novidade, fizeram uso da mesma base rítmica e adicionaram um rifizinho jaguara bem, totalmente desnecessário, deveriam ter completado o álbum com "Momento B/8". Tirando esse detalhe, acho um foda-se também, tenho curtido cada vez mais. Muito obrigado, Adam, pelo esforço. 



Aqui está um pedaço obscuro da psicodelia brasileira matadora do final dos anos 60! Pouco se sabe sobre Os Brazoes, exceto que eles se formaram no Rio de Janeiro no final de 1969 e que sua principal reivindicação à fama foi terem sido escolhidos por Gal Costa como sua banda de apoio quando ela fazia suas primeiras e imensamente influentes incursões na Tropicália – seu melhor e mais psicodélico trabalho sendo a música "Tuareg". Acontece que seus músicos de apoio também tinham um álbum muito bom; eles criaram uma síntese do rock & roll norte-americano e dos estilos nativos brasileiros, com resultados semelhantes aos explorados pelos líderes da Tropicália, Os Mutantes, Gilberto Gil e Jorge Ben, que a banda faz um cover neste disco.

Guitarras fuzz vibrantes, vocais pop, efeitos espaciais e percussões exóticas: a banda mistura ritmos étnicos com um pouco de pop-rock jazzístico e influenciado pelo faroeste antes de se lançar em estranhas e eufóricas viagens espaciais!

Os Brazoes são Miguel de Deus (vocal, guitarra base e arranjos), Roberto (vocal, guitarra solo e arranjos), Taco (vocal, baixo e arranjos), Eduardo (bateria e arranjos) e Mandrake (percussão).


Tropicália é um gênero que me implora para explorá-lo mais a fundo há anos. Por alguma razão, tenho me limitado principalmente aos incríveis Os Mutantes e Caetano Veloso, mas é claro que há muito mais a ser explorado. Os Brazoes é uma das bandas de tropicália que surgiram no final dos anos 60 no Brasil, que, em um sentido simplista, é uma mistura de rock psicodélico norte-americano com estilos nativos brasileiros. Sua carreira teria sido notável se tivesse a banda de apoio da popular cantora brasileira Gal Costa, mas eles também produziram este álbum homônimo. Os Brazoes soam como Os Munantes, especialmente seus primeiros álbuns, mas não parecem tão excêntricos e sensacionais, mais suaves na maior parte. Além disso, vale a pena notar que há covers de Gilberto Gil e Jorge Ben neste álbum. Espero que gostem deste, porque me inspirou a ouvir mais artistas do gênero daquela época e alguns provavelmente acabarão aqui também.
(~montanha rochosa espacial)


Faixas:
01. Pega A Voga Cabeludo
02. Canastra Real
03. Módulo Lunar
04. Folk Folks Azul
05. Tao Longe De Mim
06. Carolina, Carol Bela
07. Feitico
08. Planador
09. Espiral
10. Cidade de Gotham
11. Momento B/8
12. Que Maravilha

Os Brazões - Tão longe de Mim

Os Brazoes:
Miguel de Deus (vocal, guitarra base e arranjos)
Roberto (vocal, guitarra solo e arranjos)
Taco (vocal, baixo e arranjos)
Eduardo (bateria e arranjos)
Mandrake (percussão)



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