segunda-feira, 23 de junho de 2025

Egberto Gismonti - Amazonia (1990)

 

Dando continuidade à discografia do compositor brasileiro Egberto Gismonti, aqui está a trilha sonora original do filme "Amazônia: Vozes da Floresta Tropical", de 1991, que dá voz aos povos indígenas da Amazônia. Gismonti, como alguém com profundo conhecimento da floresta tropical e da causa do filme, foi uma escolha natural para compor a trilha sonora do filme. Musicalmente, é um testemunho da inventividade de Gismonti como compositor e dá credibilidade ao amadurecimento de seus experimentos eletrônicos, já que sua integração de instrumentos eletrônicos e acústicos é mais homogênea e fluida, mais completa e rica, e dá forma ao entrelaçamento entre tecnologia e natureza, o civilizado e o intocado.
 
Artista: Egberto Gismonti
Álbum: Amazônia
Ano: 1990
Gênero: Jazz Latino / World Music
Duração: 56:29
Nacionalidade: Brasil


Continuamos com o festival gismontino-extraterrestre-amazônico. Mais um álbum do genial Egberto. Este multi-instrumentista, profundamente influenciado pela música de Villa-Lobos e Piazzolla, mas também pelas raízes da música brasileira, a música dos nativos amazônicos e nordestinos, continua a nos mostrar a vasta cultura escondida nas selvas, e em qualquer lugar esquecido pelo mundo consumista bem-sucedido, e a insere em suas composições, para que o mundo seja imbuído do som dos mudos e dos esquecidos:
(...) Gismonti retornou ao Brasil, determinado a explorar a música dos povos indígenas da Amazônia. No coração da floresta amazônica, no alto Xingu, tentou entrar em contato com a tribo Yawalapiti, tocando flauta por duas semanas até que o principal líder da tribo, Sapaim, o convidou para sua casa. Eles compartilhavam uma língua comum: a música. Gismonti passou mais de um mês vivendo e aprendendo com eles, com a condição de disseminar os valores dos povos da floresta. Para ele, foi uma experiência que o ajudou a vislumbrar uma realidade musical mais ampla do que a do mundo clássico ou popular. Gismonti comenta sobre sua experiência: "No Xingu, tive a confirmação de que faço parte de uma sociedade de extremos absolutos, com tecnologia extrema, imensa riqueza, imensa pobreza e uma selva de incrível biodiversidade, junto com todos os povos indígenas brasileiros que são guardiões da Amazônia."
(...) O álbum representou um aprofundamento dos elementos indígenas em sua música, bem como uma nova textura sonora construída por meio de saxofones, percussão, violões, sinos e piano. Gismonti dedicou este álbum aos índios do Xingu, com quem viveu na floresta amazônica.
Wikipédia



Dito isto, como uma experiência independente do filme e considerando estritamente o aspecto musical, o destaque é claramente instrumental.
 
"Busca-se a singularidade, isto é, a originalidade, e a única maneira de ser moderno é confiar na solidez da tradição; é preciso voltar atrás, porque é a partir da nossa cultura que podemos desenvolver uma obra musical permanente. (...) Minha música é erudita-popular e precisou dos dois mundos para ser composta. Essa é uma maneira de pensar a música que estimula um compositor inquieto."

Egberto Gismonti

 
Acompanhado por grandes músicos, como o violoncelista Jaques Morelenbaum, e pela Orquestra Transarmônica D'amla D'omrac, o álbum também serve como um canal para a vida familiar de Gismonti, juntamente com sua história. A canção "Ruth", escrita pelo avô de Gismonti e cantada por sua mãe (de quem ele herdou o nome), parece ser a expressão máxima de sua herança. "Nunca nos esqueçamos de onde viemos", ele parece dizer, para nos lembrar do quão pouco viajamos. Isso está inserido em canções sobre a natureza, gerando um conceito particular...
Uirapuru cantou pra mim
Sua última música
Yara, me mostra
Em que igarapé
Mora ou último boto-rosa
O fogo vermelho queimou
Uma última orquídea azul

Curumim encantado
Guardião da floresta
Me leva ao Eldorado
Onde los vermelhos hos sem
E eu não posso voltar atrás...


19 músicas que compõem um álbum com quase uma hora de duração, onde a musicalização de uma obra visual também fornece a estrutura para o desenvolvimento de diversas experimentações musicais, com uma liberdade estilística que sempre o caracterizou, mas cada vez com maior pulsação e desenvolvimento.
 
O vídeo a seguir é muito interessante não só porque você pode ouvi-lo tocar ao vivo, mas também por sua filosofia, na qual a mudança é uma parte crucial de seu processo musical, talvez até a única constante em seu som experimental de alta qualidade: estilos musicais, a qualidade dos estilos. Ouça...

Aproveite o maestro, por que escrever mais quando você tem a música dele?


Você pode ouvir no Spotify:
 
 
Lista de Temas:
01. Dois Curumins na Floresta
02. O Senhor dos Caminhos (para Ailton Krenak)
03. Trenzinho Amazônico
04. Forrò na Beira da Mata
05. Os Deuses da Selva I
06. O Baile dos Caraíbas
07. O Coração das Trevas
08. Dança das Amazonas
09. Todos os Fogos, o Fogo
10. Ciranda no Céu
11. Os Deuses da Selva II
12. Sertão / Forrobodó
13. Ao Redor da Fogueira
14. Turma do Mercado
15. Fuga & Destruição
16. Floresta (Amazônia) 17.
Forrò Amazônico
18. Ruth
19. No Heart two Men

Formação:
- Egberto Gismonti / violão de 12 cordas, violão, piano, órgão indiano
Nando Carneiro / violão
Bianca Gismonti / voz
Ruth Gismonti Amim / voz
Alexandre Gismonti / voz
Jacques Morelenbaum / violoncelo
Edu Mello E. Souza / sintetizador
Zeca Assumpção / baixo


Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

Brand X - Livestock (1977)

  Ano: 18 de novembro de 1977 (CD lançado em 30 de julho de 2014) Gravadora: Universal Music (Japão), UICY-76414 Estilo: Jazz Rock, Instrume...