
Em 1966, no coração da agitada década de 60, em Londres, o jovem guitarrista John Du Cann queria formar sua própria banda. Nessa época, ele adquiria experiência em diversas bandas de garage e pop psicodélico (The Sonics, The Attack, etc.), que gravavam demos e até singles. Juntos, ele se juntou ao baixista Mick Hawksworth e ao baterista Jack McCulloch. Juntos, decidiram se chamar Andromeda. A capital inglesa era um verdadeiro caldeirão cultural. As ruas vibravam ao ritmo das inovações artísticas, clubes underground recebiam bandas de rock psicodélico e emergentes, e o público, ávido por novidades, afluía para descobrir os novos sons que moldavam a música moderna.
Nesse contexto efervescente, o Andromeda rapidamente se destacou pela virtuosidade de seus músicos e por um som eletrizante e inventivo. Antes de lançar seu próprio projeto, o trio participou do álbum " The Five Day Week Straw People" , de 1968, assinado pela dupla Guy Mascolo e David Montague.
Após essa primeira experiência em estúdio, o trio decidiu se dedicar integralmente ao seu próprio projeto musical. Os shows se acumularam, as demos e gravações ao vivo se multiplicaram, mas nenhum contrato com uma gravadora se concretizou. Foi somente no início de 1969, quando conheceram o DJ John Peel, famoso por seus programas musicais na BBC, que o grupo teve sua primeira oportunidade. Após uma participação notável no Top Gear, o Andromeda lançou um single, "Go Your Way / Keep Out 'Cos I'm Dying", pelo selo Dandelion, de John Peel.
Enquanto o trio se preparava para lançar um álbum pela Dandelion, surgiram desentendimentos com o DJ, levando à saída de Jack McCulloch. Rapidamente substituído pelo baterista Ian McLane, o Andromeda excursionou com Black Sabbath e The Who, e Pete Townshend chegou a expressar interesse em produzir seu álbum de estreia. Mas as coisas não saíram como planejado. Depois de muita determinação, a banda finalmente assinou com a RCA, onde lançou seu primeiro LP naquele mesmo ano.
Este LP homônimo é tanto um testemunho da criatividade psicodélica de Londres quanto um dos primeiros exemplos do rock progressivo inglês. O disco exala uma energia crua e inventiva, oscilando entre passagens elétricas poderosas, riffs afiados e atmosferas elevadas, refletindo o trio em pleno domínio de sua instrumentação.
Além da audácia musical, o álbum se distingue por um marcante interesse pelo esoterismo e pelos símbolos místicos, perceptível desde a capa, onde motivos abstratos e misteriosos sugerem um universo oculto ou cósmico. Essa dimensão confere à música uma aura singular, convidando o ouvinte a uma experiência intelectual e sensorial, entre a contemplação e a imersão sonora.
O álbum também demonstra uma dualidade na abordagem da banda. Composições concisas e diretas, capazes de impactar com sua energia imediata, convivem lado a lado com peças mais elaboradas, onde o ritmo e as texturas se expandem, abrindo espaço para exploração e improvisação. Essa tensão entre estrutura e liberdade está no cerne da identidade do Andromeda e prenuncia os experimentos de rock progressivo dos anos seguintes.
Na primeira categoria, " Too Old" abre o baile, um verdadeiro impetuoso hard rock cataclísmico. Um começo ameaçador, quase militar, com esse riff saturado que varre tudo em seu caminho e solos que incendeiam. Em seguida, o grupo embarca em um épico heroico, continuando com " Day Of The Change", em um estilo mais melódico e psicodélico, até estratosférico. Mais adiante, "The Reason" se impõe como uma explosão que já anuncia o heavy metal.
Nessa fúria elétrica sob o efeito do ácido, surgem alguns acordes mais leves, sem perder o mistério. A balada "And Now the Sun Shines" flerta com o jazz exótico, e o folk celestial "I Can Stop the Sun" traz toques etéreos.
Nas faixas complexas, com duração média de 7 minutos, o Andromeda demonstra ambição. "Turns to Dust" começa com um hard rock tenso e ácido, passa para refrões baseados em diálogos, gira em uma valsa psicodélica e termina com um rhythm & blues furioso. "Return to Sanity" assume um ritmo marcial, como o anúncio de um julgamento final, antes de se acalmar em uma sequência mais épica e luminosa. Por fim, "When to Stop", a última faixa do álbum, condensa todas as facetas do grupo: passagens de blues, sequência hispânica, acid rock incandescente, vertigem pesada, momentos de elevação e climas sombrios. Um verdadeiro caleidoscópio sonoro.
Apesar de suas qualidades, o álbum não alcançou o sucesso esperado e o Andromeda acabou se separando logo após seu lançamento. Os membros então seguiram caminhos diferentes. Ian McLane, discreto, foi esquecido da cena. Mick Hawksworth, após uma breve passagem pelo Killing Floor, fundou o Fuzzy Duck, uma banda cult inglesa de rock progressivo. Quanto a John Du Cann, ele se juntou ao Atomic Rooster, onde sua guitarra incisiva ajudaria a forjar a reputação dessa banda essencial de hard prog do início dos anos 70.
Portanto, embora Andromeda tenha lançado apenas um único vinil, ele continua sendo um raro testemunho de uma era crucial na encruzilhada da psicodelia, do progressivo e do hard rock. Ele ainda conserva a aura de um tesouro escondido para os amantes do rock vintage hoje em dia.
Títulos:
1. Too Old
2. Day Of The Change
3. And Now The Sun Shines
4. Turns To Dust
5. Return To Sanity
6. The Reason
7. I Can Stop The Sun
8. When To Stop
Músicos:
John Du Cann: guitarra, vocal
Mick Hawksworth: baixo
Ian McLane: bateria
Produção: Andrômeda
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