quinta-feira, 21 de agosto de 2025

CRONICA - SEATRAIN | The Marblehead Messenger (1971)

 

Em 1971, o Seatrain lançou seu terceiro álbum, The Marblehead Messenger, novamente pela Capitol Records, resultado de uma colaboração renovada com George Martin, que também havia produzido o álbum anterior. Gravado em Marblehead, Massachusetts, de onde deriva o nome, este álbum marcou o auge artístico da banda, assim como o início do seu fim.

Com uma formação agora estabilizada em torno de Andy Kulberg (baixo, flauta), Richard Greene (violino, teclados), Peter Rowan (guitarra, vocais), Lloyd Baskin (teclados, vocais) e Larry Atamanuik (bateria), Seatrain entrega aqui um álbum mais coerente e maduro do que seus antecessores. Menos fragmentado que Sea Train (1969), menos focado no "hit" do que Seatrain (1970), The Marblehead Messenger aprofunda seu próprio território: folk-rock refinado, nutrido por country, jazz, bluegrass e toques progressivos, tudo sublimado pelos arranjos sutis do quinto Beatle.

Sem negar as ambições híbridas da banda, o álbum ganha em fluidez e elegância, mantendo seu estilo único: violino viajante, flauta sonhadora, coros habitados, estruturas móveis. Menos demonstrativo, mais profundo.

Desde os primeiros compassos de "Gramercy", uma balada de rock mid-tempo com uma atmosfera ampla e contemplativa, é possível sentir que algo mudou no Seatrain. A música evoca amplos espaços abertos e estradas abertas, e marca uma mudança estética. A banda agora parece estar se afastando do bluegrass central que estruturou fortemente seu álbum homônimo de 1970.

Com exceção da faixa final, "Despair Tire", uma brincadeira teatral que mistura bluegrass desenfreado e explosivo, sermões evangélicos e drama sulista, o gênero não é mais central no disco. Agora, é usado em toques, como uma cor de fundo, um acidente de textura, em vez de uma língua primária.

É esse equilíbrio mais sutil que torna The Marblehead Messenger mais acessível, mas também mais maduro. Seatrain não busca mais demonstrar seu virtuosismo ou ecletismo; integra-os naturalmente em um estilo de escrita mais coerente e pessoal.

E o resto deste álbum confirma totalmente essa mudança estética que começou com "Gramercy".

"The State of Georgia's Mind" é uma balada romântica, habitada por um violão atmosférico e um violino outonal, que parece chorar por memórias enterradas. Este mesmo violino, com seu timbre rústico, introduz "Protestant Preacher", logo acompanhada por um piano levemente boogie, em uma veia americana com toques espirituais.

O piano retorna em "How Sweet Thy Song", mas desta vez com uma abordagem mais progressiva, pontuada por solos de guitarra com toques de acid rock, reforçando uma tensão dramática subjacente.

"Lonely's Not the Only Way to Go" estabelece um groove eficaz, com vocais emocionantes e uma base rítmica sóbria, mas cativante, enquanto "The Marblehead Messenger", a faixa-título, oscila entre uma viagem épica, ritmos de dança bourrée e influências celtas, levando a um final cósmico e nebuloso.

Com "London Song", Seatrain brinca com a decoração: falsas melodias medievais, cantos misteriosos e instrumentação excêntrica que lembra certas explorações de Jethro Tull.

"Mississippi Moon", imbuído de uma doce nostalgia, nos leva às margens tranquilas do rio mítico, banhados por uma noite estrelada e pacífica.

Por fim, “Losing All the Years” fecha o álbum numa luz celestial, suspensa, como uma despedida poética e resignada.

Infelizmente, os dois álbuns produzidos por George Martin nunca alcançaram o sucesso comercial esperado. O produtor encerrou sua colaboração com a Seatrain, e a banda acabou se separando.

Enquanto alguns membros se afastaram discretamente, Peter Rowan e Richard Greene continuaram a aventura musical formando o Muleskinner, um projeto pioneiro de bluegrass progressivo. Quanto a Andy Kulberg, fiel à visão inicial, ele é o único que ainda acredita nela.

Títulos:
1. Gramercy
2. The State Of Georgia’s Mind
3. Protestant Preacher
4. Lonely’s Not The Only Way To Go
5. How Sweet Thy Song
6. Marblehead Messenger
7. London Song
8. Mississippi Moon
9. Losing All The Years
10. Despair Tire

Músicos:
Peter Rowan: canto, guitarra
Richard Greene: violino
Lloyd Baskin: cravos, canto
Andy Kulberg: baixo, flauta
Larry Atamanuik: bateria

Produção: George Martin




Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

THE CONTENTS ARE - Live Davenport, Iowa [US RAREST 1968 Hard Blues Acid Rock]

  AQUI TEMOS UMA GRAVAÇÃO AO VIVO NO "THE EAGLES LODGE DANCELAND, EM DAVENPORT, IOWA, EM 1968!! É UMA GRAVAÇÃO INÉDITA RETIRADA DAS MAS...