sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Slipknot: crítica de .5: The Gray Chapter (2014)

 



Por mais que o mercado musical esteja totalmente mudado, muito longe do que foi há apenas alguns anos atrás, alguns nomes ainda conseguem mobilizar multidões. E o Slipknot é, indiscutivelmente, um desses poucos eleitos. Muito provavelmente a maior e mais popular banda surgida no heavy metal nos últimos 15 anos, o combo de mascarados deixou a sua marca não apenas nos fãs, mas também na forma como o metal se desenvolveu na última década.

A sonoridade agressiva, que une riffs death/thrash com uma bateria psicótica, inserções eletrônicas e vocal doentio, conquistou milhões de fiéis em todo o planeta. Um feito e tanto para uma música que não tem nada de amigável, de acessível, e que passa longe de uma assimilação fácil e instantânea. O Slipknot conseguiu construir uma identidade única, e isso é digno de elogio no cenário metálico contemporâneo, um misto de muitas bandas com sonoridades pasteurizadas e com propostas excessivamente similares, onde apenas um número reduzido se destaca.

Após seis anos de silêncio, os norte-americanos estão de volta com o seu novo disco, .5: The Gray Chapter, sucessor de All Hope is Gone (2008). No meio disso tudo, a morte do baixista Paul Gray por uma overdose em 2010 e a saída de um de seus principais integrantes, o baterista Joey Jordison. A longa pausa e as mudanças, logicamente, fizeram com que a expectativa em torno deste quinto álbum fosse gigantesca. O bom é que a banda deu conta e lançou um trabalho muito bom, digno de sua trajetória.

Ainda que The Gray Chapter derrape em alguns momentos, principalmente quando soa mais acessível e próximo do universo do Stone Sour (banda onde também estão o vocalista Corey Taylor e o guitarrista Jim Root) - e isso é claramente perceptível em faixas como “Killpop” e “Goodbye" -, esse pequeno equívoco não chega a compremeter. A quantidade de acertos, de boas canções, é muito superior, e conserta qualquer possível cara torta. 

O play já começa chutando bundas. Após a introdução climática de “XIX”, o Slipknot coloca de cara uma declaração de retorno com “Sarcastrophe”, canção com o DNA da banda e com tudo que a tornou única e popular no cenário: riffs sincopados, bateria cavalar, vocal cuspido, ritmo pulsante. E então, sem aviso, somos brindados com a excelente “AOV”, uma das melhores faixas já gravadas pelo grupo em toda a sua carreira. Com um riff meio Slayer, é uma espécie de techno-thrash pesadíssimo, um soco na cara, um chute no peito e todos esses clichês que a gente usa para explicar algo que causa um impacto imediato. 


Mostrando que o tempo longe da estrada fez bem, a banda dá de bandeja aos fãs outras faixas consistentes. Entram nesse grupo “The Devil In I”, “Skeptic” e “Lech”. E, como querendo mostrar que ainda são relevantes, que ainda fazem a diferença e são capazes de ditar e determinar caminhos aos seus seguidores, o Slipknot despeja na cabeça dos ouvintes mais duas pedradas pesadíssimas e dignas de nota: “Custer" e “The Negative One”. 

Não vou me estender muito em analogias e em tentativas de traduzir em palavras o que esse disco me fez sentir. Acho que é mais efetivo afirmar que, desde que coloquei os ouvidos em The Gray Chapter, não consegui mais parar de ouvi-lo. E isso, meus amigos, sempre diz muito sobre um disco.






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