sexta-feira, 31 de outubro de 2025

Wovenwar: crítica de Wovenwar (2014)

 



O Wovenwar é fruto de toda a confusão em que Tim Lambesis, vocalista do As I Lay Dying, transformou a sua vida. Preso por planejar o assassinato de sua esposa, o músico forçou os demais integrantes a darem uma pausa na banda. Mas não em suas carreiras, como atesta o Wovenwar. Os demais músicos juntaram forças com o vocalista Shane Blay e tocaram o barco adiante.

O resultado é o autointitulado álbum de estreia do Wovenwar, lançado no início de agosto pela Metal Blade. De modo geral, as 15 faixas do play apresentam similaridades com o As I Lay Dying, e não havia como ser diferentes, afinal 80% dos integrantes são os mesmos. No entanto, a principal característica que diferencia o som dos dois quintetos é a maior acessibilidade do Wovenwar em relação ao As I Lay Dying. As canções são mais pegajosas, com refrãos sempre marcantes e doses às vezes até exageradas de melodia. Em certos momentos, daria até para classificar a música do Wovenwar como uma espécie de metalcore pop, se é que isso existe.

Mas não se assuste, pois, apesar do possível estranhamento inicial, o disco soa bastante agradável e com diversos bons momentos. Há grandes canções por aqui, como “All Rise”, “Death to Rights”, “Ruined Ends” e “Identity”, e que cairão como uma luva nos órfãos do AILD. Porém, várias faixas acabam soando açucaradas demais, transmitindo a incômoda sensação de uma banda presa à uma fórmula - no caso, riff com melodia, versos agressivos e refrão novamente melodioso. Não que isso seja de todo ruim, mas o fato é que, tirando as canções acima citadas e mais outras poucas, o álbum não chegar a empolgar como se esperaria.

O Wovenwar, de uma maneira sadia e refrescante, também tenta sair do comum e trilha caminhos até inéditos se compararmos com o As I Lay Dying. Exemplos disso são faixas como “Father/Son” e “Prophets”, composições contemplativas e que fogem totalmente do que se esperaria encontrar em um álbum com o envolvimento de músicos com tal background. Ainda que não acerte necessariamente na mosca, essa atitude é bem-vinda e mostra uma sempre saudável inquietude artística.

Com o Wovenwar, os fãs do As I Lay Dying continuam tendo uma banda para chamar de sua. E, a julgar pelo tamanho da encrenca em que Lambesis se meteu, está aqui o futuro de seus antigos companheiros - e, espera-se, também de seus fãs.






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