segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Edmundo Rivero – Canta a Discepolo (1968)


Enrique Santos Discépolo nasceu no bairro de Once, em Buenos Aires, em 27 de março de 1901, e faleceu em 23 de dezembro de 1951. O estilo único de Discépolo continua a intrigar tanto dentro quanto fora do mundo do tango. Enquanto a maioria de seus contemporâneos soa estranha para as gerações mais jovens, o homem que escreveu e compôs "Cambalache" permanece relevante.

Numa época em que autoria e composição eram claramente diferenciadas dentro das indústrias culturais, Discépolo escrevia tanto a letra quanto a música, embora esta última fosse concebida com apenas dois dedos no piano e depois transcrita para a partitura por um amigo músico (geralmente Lalo Scalise). Essa dupla habilidade permitiu a Discépolo criar cada tango como uma unidade perfeita de letra e música. Com um apurado senso de ritmo e progressão dramática, e um gosto melódico impecável, Discépolo conseguiu transformar suas histórias breves e frequentemente violentas em uma genuína comédia humana do Rio da Prata. A profusão de ideias em cada letra encontrava um certo equilíbrio, uma compensação sensorial, uma maneira de "dizer as coisas" no e através do tango, no humor irônico e no lirismo da música. Nenhum outro autor iria tão longe.

Sem dúvida, o fato de Carlos Gardel ter gravado quase todos os seus primeiros tangos contribuiu enormemente para a disseminação e legitimação de Discépolo como autor e compositor em um gênero já repleto de escritores e compositores. Nesse sentido, a versão de Gardel para "Yira yira", de 10 de outubro de 1930, figura entre os grandes momentos da música argentina.

***

Edmundo Rivero nasceu em 8 de junho de 1911, no bairro de Valentín Alsina, em Buenos Aires. Começou a estudar canto no conservatório nacional ainda muito jovem e, mais tarde, violão.

Sua primeira apresentação foi um dueto com sua irmã Eva na Rádio Cultura. Mais tarde, foi contratado pela mesma emissora para integrar a banda que acompanhava os artistas que se apresentavam lá ocasionalmente. Ele também demonstrou suas habilidades com o violão, tocando um repertório de música clássica espanhola em produções teatrais. Sua estreia como cantor aconteceu inesperadamente quando teve que substituir o artista que se apresentaria na Rádio Splendid, artista que Rivero acompanhava.

A primeira orquestra a contratar "El Feo" foi a de José De Caro, o que lhe permitiu aproximar-se de Julio De Caro, que lhe ofereceu o cargo de vocalista principal.  Edmundo Rivero era um cantor único e brilhante, adornado com uma personalidade afável e digna que o tornou querido por toda a comunidade artística e, mais importante, por um público que o recorda e admira em cada gravação. Rivero também foi compositor e autor de várias canções, incluindo alguns tangos nos estilos gíria e coloquial do submundo. Rivero representa um caso singular na vasta galeria de cantores de tango. O registro grave que sua voz possuía era uma verdadeira raridade no gênero e, ao mesmo tempo, algo pouco apreciado pela elite do tango, acostumada como estava a barítonos e tenores.

Em 1950, ele iniciou sua carreira solo, acompanhado por um conjunto de violões que incluía Armando Pagés, Rosendo Pesoa, Adolfo Carné, Achával e Milton, e em outras ocasiões foi acompanhado pela orquestra de Victor Buchino.

Ele foi compositor e autor de várias canções, incluindo alguns tangos no estilo da gíria de rua e do lunfardo (gíria argentina). Em 1969, teve o prazer de inaugurar seu próprio espaço para tangos: “El Viejo Almacén” (O Velho Armazém). Inúmeras figuras nacionais e internacionais o frequentavam, e episódios interessantes aconteceram, como ouvir Rivero acompanhado pela orquestra de Osvaldo Pugliese, ou, certa noite, avistar Joan Manuel Serrat, um grande admirador do cantor, entre os frequentadores.

Em 18 de janeiro de 1986, após estar hospitalizado desde dezembro devido a um problema cardíaco, ele faleceu em Buenos Aires aos 74 anos de idade.


Tracklist:

01. Cafetín de Buenos Aires. 1948 (Discépolo – Mores)
02. Confesión. 1931 (Discépolo – Amadori)
03. Uno. 1943 (Discépolo – Mores)
04. Chorra. 1928 (Discépolo)
05. Cambalache. 1934 (Discépolo)
06. Sin palabras. 1946 (Discépolo – Mores/F.Canaro)
07. Infamia. 1941 (Discépolo)
08. Malevaje. 1929 (Discépolo – Juan Filiberto)
09. Carrillón de la Merced. 1931 (Discépolo)
10. Secreto. 1932 (Discépolo)
11. Martirio. 1940 (Discépolo)
12. Fangal. 1950 (Discépolo – Virgilio Expósito)





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