Injustamente rotulado como "o cara quase definitivo do Rock", Terry Reid escolheu seguir seu próprio caminho, e ele continua firme até hoje. Num universo paralelo, Terry Reid seria o vocalista principal do Led Zeppelin. Ou igualmente, uma mudança sutil na dimensão espaço-tempo o encontraríamos instalado como vocalista do Deep Purple. É sério! Mas na luz fria/sóbria do dia, nenhuma dessas coisas aconteceu. A realidade pode ser espinhosa, às vezes. Reid, nascido em Cambridge, Inglaterra, foi um prodígio adolescente na cena musical britânica dos anos 1960 e ele poderia/deveria ter sido um grande competidor nela. Um cantor de Soul de olhos azuis em ascensão, ele foi descoberto pelo produtor musical/empresário Mickie Most, que o convenceu a mudar para a direção do Hard Rock. Essa seria sua primeira de várias decisões equivocadas e a carreira promissora de Reid naufragou. No entanto, sua impressionante gama de talentos — cantor de pulmões superdotados, guitarrista cheio de emoções, compositor quixotesco — chamou a atenção de dois luminares musicais em ascensão da época: Jimmy Page e Ritchie Blackmore. Veja só!
Page queria que Reid se juntasse ao The New Yardbirds, a banda que se transformaria no Led Zeppelin. "Eu era muito amigo de Keith Richards, dos Rolling Stones", revelou Reid. "Keith me pediu para abrir o show dos Stones nos EUA, mas logo depois Jimmy quis que eu me juntasse à sua nova banda. Eu fiquei dividido. No final, coloquei a responsabilidade/decisão na mão de Jimmy. Eu disse: ‘É melhor você falar com Keith e dizer a ele que não vou’. Mas Jimmy não fez nada e ficou receoso. Ele disse: ‘Não vou fazer isto e piorar a situação para mim mesmo’. Keith tinha uma reputação. Então acabei indo para a América com os Stones. Eu até toquei com eles em Altamont". No entanto, Reid influenciou a história decisivamente quando viu a Band Of Joy tocar em Buxton (uma estância termal no Condado de Derbyshire) e recomendou seu vocalista e baterista (Robert Plant e John Bonham) para Page. Reid ficou com algum arrependimento? "Não". Ele toma um gole forte de uísque antes de acrescentar enigmaticamente: "Eu não tenho esses sapatos".
Blackmore também convidou Reid para se juntar ao Deep Purple, mas se ele estaria na formação Mk I ou II não está claro. "Não tenho certeza em que formação eu estaria quando me perguntaram", diz Reid, confuso. "Acho que foi quando Ritchie estava fazendo isso no começo. Ou talvez depois. Ou talvez no meio. Eu tinha ido para a Califórnia (para escapar das garras de Mickie Most; Reid permanece lá até hoje) e é tudo um pouco vago". "Mas Blackmore era um guitarrista brilhante, não era? Eu o vi no Screaming Lord Sutch’s Savages. Sutch costumava persegui-lo pelo palco com um machado. Mas Ritchie nunca errava uma nota e isso não é algo fácil de fazer. Não quando você está prestes a ser decapitado. Blackmore teve uma função braba como membro daquela banda". Terry Reid ainda está ativo (ele está com 75 anos). De fato, ele completou uma turnê pelo Reino Unido em 2024 no mês passado.
E apesar de seus tropeços e percalços na carreira, ele tem dois álbuns clássicos e lindos em seu nome: "River", de 1973, e "Seed Of Memory", de 1976. O primeiro é repleto de distrações jazzísticas de forma livre e suas canções de destaque – "Dreams" e "Milestones" – são, na verdade, mais como poemas tonais tangenciais. O último é mais coeso, mas não menos eclético ou atmosférico. Desde os anos 70, a carreira de gravação de Reid tem sido esporádica ao extremo. Mas ele reage com raiva à sugestão de que ele se aposentou. "Eu sempre trabalhei, só que muitas vezes eu esqueço de contar às pessoas".






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