sábado, 13 de dezembro de 2025

Tcheka – Dor de Mar (2011)

 

Tcheka pertence àquela prolífica nova geração de artistas cabo-verdianos que incorporaram com sucesso formas musicais tradicionais de Cabo Verde (morna, coladeira e funaná) em um som fresco que, embora fiel à tradição, é contemporâneo e inovador. E a música de Tcheka, como observaram os críticos, é uma interseção de pop e tradições caribenhas, brasileiras e africanas, folclore, jazz, blues, literatura, antropologia e cinema. Um estilo que desafia a categorização. Talvez uma nova visão do que significa ser crioulo na era da globalização: uma forma de arte híbrida, enraizada em uma história de escravidão, colonialismo e independência, mas simultaneamente imersa na era presente, inevitavelmente moldada pela possibilidade de viajar, por novas vias de conhecimento, arte e capitalismo, e pela inseparabilidade da tecnologia e da imaginação humana.
Manuel Lopes Andrade, Tcheka, é natural do porto de Ribeira Barca, em Santiago, a ilha mais africana do arquipélago de Cabo Verde. Filho de Nho Raul Andrade, um violinista renomado nas danças e festivais populares da ilha, ele começou a desenvolver seu estilo musical na adolescência. Originalmente baseado na batuca, um dos instrumentos de percussão mais conhecidos de Santiago, seu desejo era ampliar e compartilhar o encanto da música folclórica de sua terra natal, transformando-a em um som que todos pudessem amar.
Ele começou seu trabalho de modernização da batuca, oferecendo uma nova interpretação que preservasse suas estruturas tradicionais. Essa foi a mensagem central de seu primeiro álbum solo — após participar de vários projetos de coletâneas — intitulado Argui ("levante-se" em crioulo). Era 2002, e sua reputação como virtuoso e guitarrista original, além de cantor e compositor comovente, já estava se consolidando. Em 2005, participou do concurso "Découverte Musiques du Monde" da Radio France International em Dakar, Senegal, ao lado de alguns dos maiores nomes da música africana contemporânea. Ele não só ganhou o primeiro prêmio, como também fama e reconhecimento internacional.
Foi, no entanto, o aclamado álbum Nu Monda (2005) que o lançou no mundo da música: Tcheka estava na boca de todos, tanto em Cabo Verde como no estrangeiro, começando a ser considerado o líder indiscutível da vanguarda musical cabo-verdiana. Esta liderança foi confirmada com Lonji (2007), um belo álbum produzido pelo astro brasileiro Lenine, que incorpora elementos eletrónicos e sons ambientais, juntamente com percussão cabo-verdiana, afro-brasileira e da África Ocidental.
Seu trabalho mais recente, Dor de Mar (2011), permanece fiel aos ricos arranjos de cordas acústicas e ritmos afro-crioulos, combinando letras não convencionais com sua voz mais clara e ressonante até hoje. Produzido por José Da Silva e com a participação de artistas extraordinários como o baixista camaronês Guy N'Sangué e o acordeonista nascido em Madagascar, Régis Gizavo, Dor de Mar ("a tristeza do mar") é repleto de belas melodias em que os ritmos e as letras evocam emocionalmente sua terra natal, a dura realidade diária de seus compatriotas e das mulheres, comentários sociais e preocupações ambientais.
E, acima de tudo, o lirismo vibrante da voz de Tcheka, um deleite de pura delicadeza e vulnerabilidade. Um belo álbum que merece a atenção que Tcheka sempre mereceu.

track list :
01. Kriadu Assim
02. Pexera Porto
03. Antuneku
04. Tchoro Na Morte
05. Moça de Classe
06. Fla Mantenha
07. Madalena
08. Faka Na Prega
09. Forti Bu Dan Cu Stango
10. Dor de Mar
11. Storia Estrada
12. Primeru Djobi





   

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