quarta-feira, 18 de março de 2026

Grandes álbuns do Prog-Rock: Anthony Phillips - "The Geese and The Ghost" (1977)

Anthony Edwin Phillips nasceu em dez/51 (portanto, está hoje com 72 anos) em Chiswick, Inglaterra. Aprendeu violão/guitarra sob influência dos The Shadows. Em 1965, ingressou na Charterhouse, uma escola pública do tipo internato que funcionava num antigo mosteiro (uma escola bem cara). Ali, formou uma banda chamada "Anon" junto com colegas de aula (entre eles, Mike Rutherford) para tocar covers dos Beatles e Stones. Chegaram a gravar uma fita demo com uma canção de Phillips, "Pennsylvania Flickhouse", mas o grupo se desfez em dez/66. Em jan/67, Phillips e Rutherford tornaram-se uma dupla compositora e passaram a gravar várias fitas. Eles convidaram o calouro da Charterhouse Tony Banks (membro da "Garden Wall", outra banda da escola que havia acabado) para tocar teclados. Banks aceitou e sugeriu envolver seus companheiros de Garden Wall, o cantor Peter Gabriel e o baterista Chris Stewart. O quinteto gravou uma demo tape e a deu a Jonathan King (um ex-aluno da Charterhouse que já havia obtido sucesso musical). King gostou de várias daquelas canções, fechou um contrato com os garotos e lhes deu um nome, "Genesis" (para marcar o início de sua carreira como produtor musical sério). Segundo Phillips, King foi extremamente paciente com a banda, toda muito jovem (com idades entre 15-17 anos) e sem noção de nada. 
King produziria os três primeiros singles deles (incluindo "The Silent Sun", de 68) e o álbum de estreia, "From Genesis To Revelation", de mar/69. Banks e Gabriel haviam escrito "The Silent Sun" como um pastiche dos Bee Gees para agradar King (que adorava os anglo-australianos). Toda essa produção inicial teve baixo impacto. O álbum vendeu apenas 649 cópias e King lentamente perdeu interesse pela banda. A próxima demo deles foi ainda menos acessível e, quanto mais complicadas as canções, menos King gostava delas.
Acabou que Genesis e King se separaram em 1970 e a banda migrou para a Charisma Records (fundada em 69) de Tony Stratton Smith (jornalista e empresário). Em ago/69, o Genesis havia decidido se tornar uma banda profissional e os membros fundadores (o guitarrista Anthony Phillips, o baixista Mike Rutherford, o vocalista/flautista Peter Gabriel e o tecladista Tony Banks) havia adicionado o baterista John Silver. Após a separação de King, eles decidiram escrever material mais complexo, explorando uma mistura de estilos. Compraram novos equipamentos e gravaram uma demo no Regent Studios. John Silver saiu para estudar nos EUA e eles trouxeram John Mayhew, um músico mais velho, mais experiente e com um background diferente do restante deles. No início dos anos 70, conseguiram uma temporada de seis semanas no Ronnie Scott's Jazz Club e foi ali que foram vistos pelo produtor John Anthony, que persuadiu Tony Stratton Smith a assinar com eles. Em jun/70, entraram no Trident Studios para gravar o novo álbum, "Trespass", que seria lançado em out/70. 
"Trespass" venderia 6 mil cópias em seu lançamento original e ajudaria muito a banda a criar base de fãs para os shows. O álbum foi nº. 1 na Bélgica, o que levou aos primeiros shows fora da Inglaterra em jan/72. Entretanto, Anthony Phillips estava desconfortável com a direção musical e infeliz com a quantidade crescente de shows, que tomava tempo de compor material mais complexo. Ele também achava que havia compositores demais na banda e isto dificultava juntar ideias. Ele ainda passou a sentir um medo agudo dos palcos, adoeceu com uma bronco-pneumonia e isto foi determinante para ele próprio anunciar sua saída (em jul/70). O Genesis decidiu continuar (Banks e Rutherford, mais tarde, disseram que o grupo considerou seriamente a hipótese de acabar), adicionaram um novo baterista (Phil Collins) e um novo guitarrista (Steve Hackett) e o resto é história ("Nursery Cryme", o álbum seguinte do Genesis, abriu com "The Musical Box", uma faixa baseada numa peça escrita por Phillips e Rutherford). Anthony Phillips passou, então, a aprender a tocar mais instrumentos. Reconheceu que sua habilidade musical era limitada e se dedicou a tornar um músico bem mais proficiente. Tornou-se professor de música ensinando violão e piano eruditos enquanto estudava orquestração/harmonia (foram quatro anos na Guildhall School of Music and Drama, em Londres). Enquanto isso, foi compondo, fazendo gravações caseiras (num estúdio montado na casa de seus pais) e acumulando material novo e aperfeiçoando arranjos. Houve muitas idas e vindas, ele chegou a gravar demos com a ajuda de amigos, mas depois abandonou essas ideias e passou a dedicar-se mais à música erudita, o que o fez desejar ampliar ainda mais horizontes e a tornar-se um músico mais completo. 
Durante todo esse período, Phillips permaneceu em contato próximo com seu amigo Mike Rutherford e os dois chegaram a planejar trabalhar num possível álbum em conjunto usando as demos de Phillips e outras peças que ambos haviam escrito antes e durante a época de Phillips no Genesis. Na primavera de 72, os dois começaram e outro desenvolvimento aconteceu em ago/73. Depois disso, Phllips assumiu o comando da direção do trabalho, expandindo a base toda feita em violões de 12 cordas (bem Folk) para o Rock Progressivo usando técnicas aprendidas nas aulas de orquestração. No final de 73, Phillips e Rutherford terminaram de compor o álbum e, na primavera de 74, Phillips começou a selecionar material que seria utilizado no álbum. As primeiras sessões de gravações ocorreram em 74 durante uma folga de Rutherford nas gravações do álbum "The Lamb Lies Down on Broadway", do Genesis. Os dois escolheram a ordem das faixas e gravaram partes básicas na casa dos pais de Phillips, em Surrey. Para financiar o projeto, Rutherford apresentou o álbum à Charisma Records e a gravadora concordou com um adiantamento de 3 mil libras (usadas para comprar dois gravadores de fita de rolo de 4 pistas, uma mesa de mixagem e outros equipamentos). Rutherford, com pouco tempo livre, foi juntando-se a Phillips aqui e ali e as gravações foram acontecendo durante o ano de 74. Em abr/75, foram feitos vários overdubs e arranjos finais. Sessões aconteceram em jul/75 no The Argonaut, um estúdio num barco, em Londres. Phillips contou com Simon Heyworth, produtor e amigo, que forneceu assistência e incentivo, além de vários estudantes da Guildhall. A maioria das tarefas de mixagem foram concluídas por Phillips e Heyworth. Quando o álbum estava quase concluído no início de 76, foi apresentado à Charisma, que optou em não lançá-lo (considerou-o "agradável e eufórico, porém não instantâneo"). O projeto permaneceu parado até que, no final de 76, Phillips conseguiu que Marty Scott, do selo norte-americano independente Passport Records, se interessasse. Algumas sessões completaram certas partes naquele outubro, houve uma sessão final de overdubs no Olympic Studios e o álbum foi masterizado no Trident Studios. Para a distribuição no Reino Unido, Phillips procurou Tony Smith (via seu selo Hit & Run Music) e um acordo com a Vertigo Records garantiu a distribuição em outros países. 
"The Geese & The Ghost" (tradução: os Gansos e o Fantasma) foi lançado em mar/77, durante a ascenção do Punk Rock, com suas composições quase eruditas, títulos de canções descaradamente Prog e a capa claramente inadequada aos novos tempos. Tony Smith se desdobrou para conseguir vender o álbum, mas não deu. Nem entrou nas paradas no Reino Unido. Nos EUA, foi ao nº. 191. Resultado: fracasso comercial. Uma tremenda injustiça! Orquestrado com delicadeza inocente e idiossincrática, repleto de sonoridades saborosas, instrumentos de sopro e cordas cruzando texturas Folk estilizadas, acordes religiosos, atmosfera acústico-medieval ultra graciosa e muitas, muitas semelhanças com os álbuns "Trespass" e "Nursery Cryme" do Genesis. Partes sutis e refinadas, pacíficas e emocionais, Mike Rutherford tocando guitarras (de 6 e 12 cordas), violões, baixos, órgão, bateria, percussões e o escambau, Phil Collins fazendo lindos e delicados vocais, momentos épicos, toneladas de guitarras, pianos, mellotron flutuante e muitos teclados, tudo com grande graça e delicadeza. O lado 2 é recorrentemente comparado ao melhor dos álbuns do Genesis. Orquestrações excelentes misturadas à instrumentos acústicos, Prog pastoral maravilhoso, um álbum que certamente encantou os fãs do Genesis e não sem motivos. Se você ainda não ouviu "The Geese and The Ghost", faça um favor a si mesmo. 



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