quarta-feira, 18 de março de 2026

John Coltrane assombrou o mundo do Jazz com sua incrível versão de "Russian Lullaby", em 1958

Em 1958, o saxofonista tenor John Coltrane causou grande impressão com seu solo na canção "Russian Lullaby". Seu desempenho nela foi tão impressionante que inspirou o famoso crítico de Jazz Ira Gitler a cunhar uma expressão para descrever o estilo frenético e inovador de Trane: "folhas de som" ("sheets of sound" no inglês). "Russian Lullaby" era composição de Irving Berlin, de 1927, e foi inicialmente interpretada pelo cantor Douglas Stanbury. Escrita originalmente para ser tocada num ritmo descontraído, uma versão instrumental suingante surgiu em 1939 feita pelo líder de "big band" Bunny Berigan, que lhe aumentou consideravelmente o ritmo.


A versão de Coltrane apareceu como faixa final de seu álbum de 1958, "Soultrane", trabalho gravado por Rudy Van Gelder em seu estúdio caseiro, localizado na sala da casa de seus pais, em Hackensack/NJ. Confira:


No box set "Coltrane '58: The Prestige Recordings", Ashley Kahn escreveu:
"A surpresa influenciou grandemente a versão de Coltrane: uma introdução convencional e conscientemente elegante do pianista Red Garland (companheiro de Coltrane no grupo de Miles Davis, na época) atinge uma batida forte/exagerada e, de repente, o andamento muda enquanto o baterista Art Taylor redefine o ritmo com um padrão de chimbal furioso. Coltrane dá um salto no sax abrindo caminho através da melodia e para a improvisação que se segue, tão impressionante em sua urgência incessante, quanto nos padrões fluidos e estendidos de semicolcheias que chegam aos ouvidos de uma maneira muito diferente da 'propulsão melódica' preferida pela maioria dos jazzistas comuns. Exigia um abandono das expectativas e uma generosidade auditiva. Depois que Coltrane terminou, desapareceu a calmaria da canção de ninar, o clima e a mensagem originais da canção de Berlin. Mas Coltrane tinha mais uma coisa a dizer – tudo em uma cadência breve e explosiva, desacompanhada, perto do final da canção. Em apenas trinta segundos, começando em 4:57, Coltrane superou a fúria de seu solo anterior e deu a esta nova improvisação um caráter próprio, desenvolvendo ideias em seu fluxo ofegante. Suas frases disparam para o céu e ele as traz de volta suavemente: ritmicamente controladas, emocionalmente acertadas. Não foi apenas a velocidade da declaração; o primeiro trecho de dez segundos contém quase 90 notas. Foi a bravata e o conhecimento: a quantidade de informação harmônica sendo transmitida e a precisão comovente da articulação".
Rodgers (à esquerda) e Hammerstein (à direita)
Este texto é uma apaixonante constantação da genialidade de Coltrane. Em 1961, ele fez sucesso com sua interpretação da canção do show (da Broadway) "The Sound Of Music", de Rodgers e Hammerstein. "My Favorite Things", este cover, se tornou uma marca-registrada para ele e um clássico. Vou fechar com Coltrane e seu lendário quinteto (aqui com Eric Dolphy na flauta, Elvin Jones na bateria, McCoy Tyner no piano e Reggie Workman no baixo) tocando "My Favorite Things" na TV em 1961. Troço maravilhoso!



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